domingo, fevereiro 08, 2009

NOVO DIA

Ás vezes as coisas não saem como planejadas.

Ás vezes tudo dá errado.

Ás vezes o errado conduz ao certo.

Ás vezes o certo nada mais é do que o que podemos fazer no acordar de um novo dia.

Encontro à luz de velas, jantar dançante, com uma chuva fina batendo na janela do restaurante que fica na serra que canta. Violão e uma voz dançando no ritmo de uma melodia que fala sobre casais que se reencontram depois de uma busca nas estrelas. Romantismo maduro, relacionamento concreto. Giro o corpo dela para lá, ela gira, gira e volta para cá, e eu a beijo como se fosse a primeira vez. A cena se congela no tempo e é refletida na íris do meu olho que ameaça uma lágrima: não a liberto, ela vira uma prisioneira da minha alma, afinal homens não choram!

Estou em casa, estraquei a noite perfeita com uma oferenda de palavras erradas . Não saímos, a noite romântica aconteceu apenas num universo paralelo, do qual, a minha consciência não conseguiu manifestar-se. Ela deita ao meu lado, fica em silêncio; eu estou deitado, queria falar algo, mas tenho medo das palavras, tenho medo da expressão que pode bagunçar ainda mais a confusão criada.

Os ponteiros correm, a noite passa. Quando finalmente fecho os olhos, o dia me acorda. Ensaio alguns pensamentos idiotas, e sinto que algum lado de mim, quer curtir aquela sensação gostosa e triste de "coitadinho de mim", mas levanto-me, lavo o rosto, pego a chave e ando. Penso em como facilmente conseguimos magoar quem amamos. Penso no poder das palavras e em quantas vezes já construi coisas maravilhosas e no quanto já destrui amizades, antigos amores, afastei parentes por não conseguir impedir o dragão da palavra mal dita, em nome da minha liberdade de expressão e pensamento.

Então, em meio a essa meditação, percebo que se as palavras me levaram até essa confusão, o silêncio pode arrumar a situação se ele for expressado em ação.

Vou na feira, compro pastel e frutas. Passo na padaria, leite e pão e frios. Chego em casa, e com todo cuidado para que ela não acorde, faço a mesa, sirvo o café e a acordo com uma canção. Ela sorri, vê a mesa, vê o pão e diz que me ama; eu nada respondo não. Beijo a sua mão, a conduzo para a mesa; e sirvo a minha princesa com toda a culpa da noite passada transformada em refeição.

Ela aceita a minha oferenda e o me dá o seu perdão.

Nada melhor que um novo dia, para limpar certas manchas que não merecem ficar na história de uma perfeita união.

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