sábado, fevereiro 07, 2009

AURIVERSÁRIO (Crônica de Aniversário de Casamento)

São Tomé das Letras, linda noite de lua cheia. Ainda estou lá.

A brasa queimava para cá, o crepitar das faíscas a dançar para lá e em meio a junção entre a fogueira e o luar, a vi chegando, com um lindo vestido indiano, sorriso gigante no rosto, olhos a cintilar.

Seus cabelos pretos compridos se uniam com os fios negros da noite, sua pele branca era a lua prateada que vinha me iluminar. Eu ainda estou lá.

Quem era essa menina? Questionava sem parar, tentando imaginar se ela viria pra ficar ou seria como a brisa que tocava meu rosto como um beijo de amada, mas tinha hora para ir embora.

Seu nome era Auri, e ela surgiu assim, como um passe de mágica recheado de pirimpimpim, para mim, para mim. Ela era um sonho e eu não queria acordar.

Eu estava no lugar perfeito, olhando para a moça que esperei a vida inteira chegar, por isso, eu orava sem parar: "por favor, Pai dos Sonhos, não me faça despertar".

E fiquei a versar, versar; sentindo o amor feito rio corrente fluindo do meu peito na direção do seu caminhar.

Ainda estou lá, vivendo aquele momento, achando que ela vai desaparecer quando o dia raiar; mal imaginava que onze anos depois, ela seria o último sorriso que eu veria ao dormir e o primeiro ao acordar.

Dez anos de casamento, uma década de jornada: viajamos o mundo inteiro, descobrimos outros versos na poesia das linhas das mais diversas religiões que o ser homem criou, cantamos pontos de Umbanda nas ruas de Londres, pulamos "Govinda, Gopala" nas areias do deserto do Sahaara; e pensar que tudo começou, com a falta de fé. Jamais pensei que seria possível encontrar tal mulher, então fui parar em São Tomé...

Dez anos e cada dia é um novo conquistar, papos sem-fim que se derramam pela noite, carinho sem pressa de quem tem todo o tempo do mundo para amar. Estar com ela é salgado, é doce; é suave, como nunca achei que o amor poderia se tornar. Não precisamos brigar, para sentir aquele doce mel do reconciliar, afinal, dez anos é tempo suficiente para ficar evidente que o amor não precisa de brigas constantes para sólido ficar.

Gostaria que todos que estão lendo essas palavras pudessem sentir um pouquinho do que sinto nesse dia tão especial e lindo; gostaria que todos pudessem experimentar um tiquinho do que é viver nadando em respeito, amizade e carinho; e como não posso cortar meu peito em pedacinhos e sair distribuindo, faço o meu milagre da multiplicação das letras, para que todos possam compartilhar comigo através das palavras, essa data tão querida que é estar ao lado da minha grande amada nessa jornada maravilhosa da vida.


Frank Oliveira
07 de fevereiro 2009
10 anos de jornada de amor

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