segunda-feira, fevereiro 16, 2009

REI DAS MONTANHAS

Martelando na montanha
Tem, tem, tem
Tá, tá, tá, tá
Tem Força
Tem, tem, tem
Faísca
Tem, tem, tem
Justiça
Tem, tem, tem
Relampear
Tá, tá, tá, tá

Martelando na montanha
Tem, tem, tem
Tá, tá, tá, tá
Firmeza
Tá, tá, tá, tá
Natureza
Tá, tá, tá, tá
Chuva há
Tá, tá, tá, tá
Trovoar, tem, tem, tem, tá, tá, tá, tá

É Xangô que vem bailar
Tá, tá, tá, tá
Kaô, Kaô, no congá
Tá, tá, tá, tá
É o Rei da Montanha
Tá, tá, tá, tá
Com seu martelo a firmar
Tem, tem, tem, tá, tá, tá, tá

Salve a força de Xangô
Tá, tá, tá, tá
Vem, meu Pai, nos ensinar
Tem, tem, tem
Tá, tá, tá, tá


Notas: Essa canção ficou "martelando" na minha cabeça durante dias. E para entender o que ela significa e por qual razão ela foi escrita, vai essa pequena explicação:

Não sou da Umbanda, nem do Candomblé. Não sigo nenhuma religião em particular, além dos meus estudos espirituais por todas as linhas, sem distinção. Sou um estudante, e como tal, já provei dos diversos caminhos, colhendo impressões, escritos, meditações para poder compartilhar com todos.

Sempre fui fascinado pela cultura afro-americana na manifestação do culto aos Orixás. Embora, tenha sido criado desde o berço sob a sombra ou a luz desses cultos, nunca dei a devida importância, e confesso, sempre tive certa desconfiança desses cultos, por favor, culpem a minha ignorância ou um certo preconceito.

No ano passado, esses caminhos voltaram para a minha estrada espiritual e desde então, toda vez que trabalho com esses Orixás por meio de meditação ou nos rituais que faço parte, sou recebido e os recebo com festa. Em outras palavras: que coisa mais linda é esse trabalho trazido pelos africanos e incorporado a cultura brasileira.

E foi numa dessas meditações que senti pela primeira vez a força associada ao Orixá Xangô (sentir é o verbo que mais se aproxima do que percebi). Comprrendi que esse canal ao divino chamado Xangô é uma força, se não, a força que move as outras forças, não no sentido de ser superiora, mas no sentido de somar. Ela é a força que garante que a justiça real seja feita ( não a justiça que imaginamos, segundo as nossas emoções da Terra), para que a alma do indivíduo devedor, possa firmar um compromisso definitivo com a luz e com o amor.

Xangô, a grosso modo lembra o Deus Macaco Hanuman, da epopéia indiana Ramayana, que move as montanhas para que o amor possa ser religado, reunido, reformado ou reencontrado.

É a força que move o karma, indicando o Dharma pelos frutos da ação, no movimento da matéria que a nossa manifestação na Terra faz girar.

Ser um "filho de Xangô" é assumir um compromisso com a Justiça, a lealdade, a firmeza e com a verdade. Assistir um ritual de incorporação dos caboclos da linha de Xangô é perceber que há uma legião de entidades trabalhando nos bastidores para que possamos cumprir o nosso dever nesse acontecer de cada karma.

Sendo o Deus do Trovão, Xangô lembra Thor, um dos deuses da mitologia nórdica, que em seu martelar faz com que as nuvens se choquem, produzindo uma explosão de luz e som.

Onde quer que essa força trabalhe, onde quer que essa egrégora esteja; quanto tocamos o tambor e cantamos em seu louvor, essa força percebe a nossa presença, não por meio das palavras ou gestos que emitimos em sua direção, mas por nossa sintonia, pelo nosso martelar de idéias, o nosso trovejar e relampejar de intenções. É nessa frequência que Xangô nos percebe como indivíduos e não mais como a massa, o coletivo, a boiada que precisa ser tocada, banhada, movimentada para lá e para cá nessa nossa roda terrena de Sansara.

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