sexta-feira, fevereiro 27, 2009

SARAU NA CASA DA GRAÇA

Tardezinha de Domingo na casa da minha mãe, nada de Faustão ou televisão: é o Sarau dos Orixás.

Não há rádio ligado ou gira com filhos de santo a bailar; apenas cantamos canções que falam de deuses e santos brasi-africanos. Não temos instrumentos, apenas o som das nossas vozes e o ritmar das nossas palmas; não há orquestra ou tambor, além da nossa vontade de cantar.

Somos cigarras cantantes contrastando com o barulho das TVs. Vaga-lumes dançantes com o brilho dos nossos sorrisos, tentando lembrar os pontos de cada entidade numa competição da memória, onde só perde quem não for Orixá.

Ouço a minha mãe, escuto a minha tia, Auri baila para todas Iabás e eu toco o meu maracá. Estranho, minha voz parece alcançar alguns tons que jamais ousei pensar que pudesse alcançar ao cantar.

Poderia ser mais uma tarde de domingo em nossas vidas, mas conseguimos transformá-la em algo mais, uma data especial, sem precisar de qualquer motivo para acontecer, apenas com a participação de pessoas com vontade de manifestar a arte que parece aflorar quando um ou mais se reúnem em qualquer lugar.

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