terça-feira, março 15, 2011

A lenda do povo que virou barro.



Era uma vez um menino, que nasceu meio cometa, meio rebelde; e quis correr o mundo, para descobrir o que havia de verdade, além da lenda, além do mito, além do que estava
escrito; e deixou o seu povo para tráz, mas prometeu voltar, e voltou.

Quando voltou, descobriu que o seu povo falava mais devagar que ele; não conseguiam acompanhar o seu racíocinio; nem compreender o que ele havia visto. E por mais que ele tentasse descrever, menos ainda, seu povo conseguia entender.

Passado algum tempo, ele viajou de novo. Queria descobrir uma maneira de contar ao seu povo, sobre as maravilhas do conhecimento, a arte da estrada, a sabedoria por trás dos montes; e quando pensou ter encontrado a resposta, voltou voando, para o seu norte, terra do seu povo que tanto lhe fazia falta.

Porém, ao chegar, percebeu que o seu povo estava muito mais devagar; suas vozes eram tão pausadas e lentas, que a cada palavra que eles diziam, ele poderia contar e recontar dez frases inteiras.

O menino entrou em pânico, pois percebeu que quanto mais aprendia, mais longe ficava do seu povo, e da sua cultura. Até que ele decidiu, não mais viajar, não mais conhecer o novo, e para sempre permanecer com o seu povo.

E ao ficar, ele foi voltando a falar devagar, e foi esquecendo dos tantos conhecimentos que decidiu procurar; até se esquecer completamente que um dia partiu e descobriu que aquele povo feito de barro, tinha asas e podia voar...

Um comentário:

Louro Neves disse...

Grande Frank:
Sua bela narrativa é de mover uma humanidade inteira, grande mestre.
Assemelha-se àquela contada por Platão sobre os homens na caverna e as sombras na parede. Quem imagina que muitos mundos existam além do que já chegamos a conhecer nesta vida tão curta e turbulenta?

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