quinta-feira, março 24, 2011

A SENHORA DOS CABELOS DE PRATA

Vovó Geralda se foi no começo da noite, não se despediu de ninguém; quis sair à francesa, discreta; viu a janela aberta e voou, para onde, eu não vou ser bobo de tentar descrever, mas ela se foi. Porém, eu não me preocupo, pois há tempos, eu soube: a vovó é voadora!!!

VovÓ Geralda deixou uma família unida, grande, bonita de se ver e falar a respeito. E a história dela vai ser contada por seus netos e bisnetos; e não pode deixar de ser crônica, por isso, compartilho com vocês, amigos leitores, que tem uma nuvem triste no meu céu, mas ela não tampa o meu sol, nem a vontade que eu tenho de firmar o meu pensamento em letra e orar com as minhas palavras escritas, bem do jeito que ela sabia que eu faço.

Vovó Geralda foi uma segunda mãe, aguentou a minha infância e nunca se desesperou mesmo quando eu fazia das minhas loucuras. E eram tantas. Vai ver, que no fundo ela sabia que eu precisava me multiplicar em todas aquelas experiências para me tornar quem eu sou.

Sim, Vovó Geralda é culpada por ajuda a criar quem eu me tornei e por essa razão, eu abro as portas do meu templo das crônicas para fazer esse "Ode a Geralda" e dizer que jamais vou te esquecer, vovózinha!

Obrigado por tudo e quando a minha filha nascer, vou contar para ela com todo orgulho sobre a " Senhora dos Cabelos de Prata", cuja risada ainda ecoa no meu sorriso e cujo olhar escondia mistérios que nunca serão descobertos, mas que deixou pegadas de missão cumprida nessa terra, onde ela esteve por mais de 77 anos, plantando e semeando amor.

((((())))
Notas:
Segue abaixo texto que escrevi o ano passado sobre essa mulher maravilhosa:

((((())))

VÓ GERALDA

Ontem foi Dia da Vovó, esqueci de lembrar da minha, você lembrou da sua? Espero que sim, até anotei na minha agenda, mas a mídia dessa vez não me ajudou, não senti vontade de comprar uma linha de tricô, nem um celular, nem qualquer desses presentes de revista que nos ajudam a comprar qualquer coisa menos aquilo que deveríamos presentear de verdade, por isso, mesmo atrasado, ofereço a minha lembrança de amor e a melhor coisa que eu posso te dar, minha Vó, são as minhas letras.

O problema é que Vovó Geralda não consegue ler, devido a um pequeno probleminha de falta de entendimento de letras, porém, ela consegue interpretar coração como ninguém e tenho certeza que ela vai compreender cada uma das minhas letras e saberá que o seu netinho se tornou uma pessoa muito feliz na vida, em parte, por causa dela. Vovó Geralda foi, e é, e sempre será minha segunda mãe, e muito embora, isso possa parecer clichê, repeteco bobo, tenho que dizer que essa é a melhor definição de uma vovó, afinal, ela veio primeiro.

Para que essa crônica se torne prosa e não apenas uma homenagem com letras à toa, tenho que compartilhar com vocês esse pedaço do meu passado: quando morava com a minha vó, eu era um moleque de 12 anos, revoltado e rebelde, danado e louco para provocar todos a minha volta, por pura carência de ter mãe por perto ( minha mãe estava em Sunpaulo, eu no internato da Paraíba); daí, um dia sai de casa, prometendo que fugiria dali, fugi...pelo menos até a fome apertar, daí voltei com a cara suja e as roupas ainda lavadas numa trouxa. Quando cheguei em casa, minha vó só observou a cena, serviu o jantar, não disse nada, mas deu uma risada que jamais vou esquecer, risada que parecia dizer:

"menino, tenha calma, pois um dia você vai fugir de casa para valer, mas dessa vez será para crescer."

Nenhum comentário:

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply