quarta-feira, março 02, 2011

Canções e Fantasmas

Certas canções não envelhecem nunca, trazem lembranças que o vento não consegue apagar e com essas lembranças, essas canções fazem surgir novamente certos fantasmas que não queremos ver ou ouvir vagando pelos quartos do nosso coração.

Essas canções nos perseguem, tocam na jukebox da nossa mente, sem precisar de moeda ou ordem; ecoam por vontade própria, como se obedecessem alguma disk jokey, que não escuta a nossa vontade; demandando a nossa atenção, abrindo as nossas gavetas mentais e mostrando que há algo escondido embaixo da ordem dos sentimentos passados e organizados.

E sempre há algo lá esperando a nossa consciência. Esse algo parece ter vida própria e vai aumentando o seu poder de roubar o nosso controle sobre nossos sentimentos em relação aos fantasmas passados e as experiências não devidamente aprendidas com eles.

Diante disso, fingimos que não é com a gente e ignoramos o que a canção despertou. Ignoramos, até o momento, em que a canção passa a tocar sem parar e o que era, até então, um esqueleto escondido no armário, agora, já criou corpo, carne e osso, e vai tentar nos controlar, e vai pouco a pouco, nos devorando, aumentando e crescendo o controle sobre o nosso mundo emocional.

Não há muita coisa que podemos fazer para calar essas canções, mas podemos estudá-las e compreender que elas tocam por uma razão, e ao estudá-las, com respeito e cautela, podemos descobrir muito mais sobre nós mesmos e conseguir, se não controlar, ao menos, gerenciar os nossos fantasmas internos, para que eles não nos tirem do rumo que escolhemos para trilhar as nossas vidas e parem de nos assustar.

Imagem: reprodução

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