segunda-feira, março 21, 2011

*Discernimento e Tsunamis Emocionais*



*Discernimento e Tsunamis Emocionais*
Publicado em: 04 de setembro de 2006

Passado o tsunami físico na Ásia, precisamos estar acima do pior: o tsunami emocional. Eventos desta proporção, explorados pela mídia e alavancando um pensamento coletivo de impotência e tragédia que nos "magnetiza", criam uma forma diferente de interação emocional, nada saudável, a qual NÃO PODEMOS confundir com a comoção que teríamos em um evento menor.

Se não tomamos cuidado, medindo com discernimento e imparcialidade assistencialista ("postura de amparador") a justa preocupação, podemos, sem querer, talvez sem sequer notarmos, sermos "capturados" pela grande onda densa geradas pelas formas-pensamento de bilhões de telespectadores da tragédia.

A catástrofe, se permitirmos, pode ser maior: esta massa de pensamentos cinzentos, encobrindo o planeta, pode propiciar um maior índice de "acidentes" aqui, discussões acolá, assédios espirituais mais adiante, e por aí vai. Tsunamis emotivo conscienciais.

Como no tsunami físico, não há como tentar vencer a força das marés. Estamos falando de eventos grandiosos demais. Não dá para pegar jacaré, não dá para achar que vamos enfrentar as ondas com "boa intenção". Para ajudarmos MESMO, é preciso estarmos FORA do alcance desta onda psíquica. E a melhor forma ainda é estando nas alturas da boa sintonia.

É hora de buscarmos a união com o que tivermos de elevado - prece, meditação, evangelho no lar, amparador, Buda, Jesus, não importa - para, pairando acima do arrastão psíquico, termos a isenção suficiente para compreendermos como (ou "se") podemos ajudar. E a QUEM, e ONDE, pois as consequências deste transe emotivo pode estar fazendo vítimas bem mais perto de nós que imaginamos.

È necessário ter, agora, o que chamamos de "postura de amparador": olhar de cima, como evento evolutivo. O que certamente parecerá "frio" a quem foi arrastado pelo vagalhão emocional, e lhe cobrará estar nas "ondas" emotivas com ele também - o que não ajudaria.

É claro, entretanto, que devemos ter comoção, e enviarmos nosso melhor. Inclusive trabalho assistencialista, e boas vibrações.

É claro que preces e sintonia são apropriadas. Todos os dias, aliás, ocorram ou não catástrofes.

É claro que não temos como falar da dor de cada um dos 150.000 dramas humanos ali, e que é fácil ser isento quando não estamos envolvidos. Embora ficar desesperado por "solidariedade" não ajude ninguém.

Ainda assim, por maior que seja a tragédia, é verdade TAMBÉM que ninguém morreu, ali. Que água pode afogar o espírito? Que fogo pode queimá-lo?

Onde vai parar nosso espiritualismo quando há uma "tragédia" televisionada? E se o planeta explodisse, seria uma grande tragédia? Não deveríamos continuar existindo de algum modo?

Raciocine: Em um grande evento planetário, arrasador, há duas possibilidades: Você foi atingido, ou não foi.

Se não foi, desesperar-se não ajuda. Colocar-se voluntariamente como uma das vítimas, sofrendo aqui, impotente, é suicídio consciencial. Causa DANOS, e atrai assédios. Provavelmente nem os espíritos das vítimas, pelo menos as mais espiritualizadas, estejam "nessa" tanto tempo depois.

Não deixa de ser irônico: o desencarnado, amplamente assistido em eventos assim, encontra-se provavelmente longe dali, enquanto ocidentais "espiritualistas" lançam-se psiquicamente aos seus cadáveres empilhados, como urubus melodramáticos via satélite, buscando qualquer migalha de emotividade desnecessária, como se já não bastasse as que fazem em nome do "amor".

E na outra possibilidade? Se você foi atingido, será que teve tempo para este drama todo? Só se ficou por aqui! Mas aliás, senhor espiritualista, uma semana depois, já é hora de caminhar! Com certeza, ateus, desavisados e mal-informados tiveram assistência divina e acompanhamento em um momento assim. Não é de esperar que justamente o espiritualista e assistencialista vá ficar encrencado e apegado ao físico, sem amparo, tanto tempo depois. Precisaríamos ser muito ruins de serviço! E por pior que estivéssemos, a própria assistência que propagamos nos traria, karmicamente, assistência em momentos assim.

Não faz sentido, de todo modo. Até porque, quem está com drama AQUI não foi atingido LÁ.

No fundo, o que sobra mesmo é um grande MEDO DE MORRER (do espiritualista que está aqui). O que acontece de fato é uma impotência diante das "leis divinas", que talvez tenham sido apenas as naturais do planeta.

Mas se somos espiritualistas mesmo, não devíamos, a esta altura, sabermos que viemos de uma estrela, estamos em uma "estrela" (astro), e vamos para uma estrela? Que não somos daqui, e que uma hora TEMOS que partir?

O medo é de morrer "de uma vez"? Sem comprender de onde a morte chegou? Que diferença faz, então, morrer de ataque cardíaco num apartamento solitário da metrópole, ou num acidente de carro com mais 3, ou numa queda de avião com mais 100, ou num atentado terrorista ao prédio onde trabalha com mais 3000, ou num terremoto com mais 10.000, ou num maremoto com mais 150.000, ou numa bomba atômica com mais 250.000, ou num bombardeio americano ao Cambodja com mais 3.000.000, ou mesmo se o planeta explodisse com mais 6.000.000.000 ?

Só há duas possibilidades, você continua a existir de algum modo, ou não continua. E em todas as duas, não há novidade no fato de todos terem que morrer. Mas há uma certa incoerência quando quem sempre diz "que a vida continua" se desespera diante de tragédias assim.

Aliás, será que uma mãe solteira, com câncer e vários filhos, não sofre mais do que quem morreu repentinamente num tsunami?

Aliás, contam com tanta comoção os espíritos "mortos" em poucos minutos, mas não seria mais grave SOBREVIVER, ali? Se é para se comover, então que pelo menos conte, como tragédia, a centenas de milhares de sobre-viventes (hífen intencional), que terão que subviver no que sobrou.

Entendo, portanto, a comoção de quem está lá. De quem escapou por pouco. De quem tem parentes perdidos. De quem terá que reconstruir, sem as pessoas que mais amava, sem apoio, sem interesse turístico, sem dinheiro. O que não entendo é quem fica mal aqui, dias e dias depois, acompanhando tudo de forma mórbida pela CNN, com destaque para as ondas nos grandes hotéis.

E depois, as teorias de limpeza divina, de castigo, de resgate planetário, de migração de almas, de Apocalipse - dentre outras "pérolas" que circulam nos meios ditos, er, "espiritualistas". Como se Jeová, Alah, Ashtar Sheran, Shiva, Tupã, INRI Cristo e Elvis Presley houvessem se reunido para nos castigar.

Que ego o nosso que, mesmo diante de um evento que deveria nos mostrar nosso real tamanho e "importância" no planeta que nos HOSPEDA, preferimos ainda imaginar que TUDO ocorre por NOSSA causa.

Pelo que tenho lido, parece que o Criador, após ter feito todo o universo com suas leis, forças e movimentos; veio com seu Dedão Divino ao terceiro planetinha em volta de uma estrelinha de quinta grandeza num bracinho externo da via láctea (uma dentre milhões de galáxias), só pra dar uma mexidinha extra numa placa tectônica, porque Ele julgou que UMA DAS milhares de espécies do planeta, o tal "homo sapiens" (sapiens???), andou se comportando "mal", e precisa ficar ser sobremesa. Que ego o nosso, não?

Pois é: vi muitas pessoas buscando explicação, em geral divina, para o ocorrido; esquecendo-se de que nós, humanos, TAMBÉM somos animaizinhos pequenos vivendo NATURALMENTE num planeta que tem sim terremotos e marés.

Há pelo menos um GRANDE tsunami, terremoto ou erupção vulcânica a cada 100 anos (nada impedindo de haver mais que alguns). Sempre "ocorre" uma Cracatoa aqui, ou um Vesúvio acolá.

Não seria apenas a característica do planeta, assim como noite e dia, neve e tempestade, vulcões e furacões, desertos e marés?

Quantos milhões de formigas morreram quando NÓS fizemos o lago de Itaipu?

Quem chorou pelo fim dos dinossauros, aliás?

É duro dizer isso, mas 200.000 os EUA mataram apenas com UMA bomba atômica. E pior que isso, 3.000.000 de civis dizimados no Cambodja,na década de 50, queimando as metrópoles da Ásia com seus B52. Não justifica, mas me parece mais tragédia do que, naturalmente, 150.000 bichinhos humanos, que viviam a beira mar, serem afogados numa elevação oceânica.

Discirna: Todas as décadas, ocorrem GRANDES terremotos em terra firme. A maior parte do planeta é de água. Em terremotos debaixo dágua as ondas podem ir da Indonésia até a Índia, até encontrar terra firme, destruindo num raio de 5000 km (!) do epicentro.

Logo, não foi "azar". Este tsunami mostrou é que estamos com muita sorte, com tantas cidades costeiras. Confiamos DEMAIS na estabilidade do solo oceânico. E depois achamos "mito" uma tal de Atlântida desaparecer. Devem ter sido várias!

O pior de tudo é o tsnunami emocional. Sâo BILHÕES de pessoas gerando formas-pensamento de tragédia, densas, unidas, AQUI, agora, diante da TV. Uma briguinha aqui, um acidente de carro acolá, um assalto mais adiante, uma depressão incentivada aqui e ali, e ninguém nem sabendo ao certo como foi que tudo começou. E todos voltando, sem nem questionar porque, para a frente da TV, revendo as mesmas imagens, hipnotizadas e vampirizadas pelo tsunami emocional que as joga contra nossos piores detritos e medos.

E como estamos todos levando "caixote", nem pensamos mais em reagir. Já achamos que a vida é assim, que milhares "morreram", que é tudo uma "tragédia divina", que discernimento é "frieza", e que devemos nos solidarizar sofrendo também, exclamando "isso é terrível", repetidas vezes, diante da TV.

Isso sim, faz mal.

Lázaro Freire

http://www.voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=4&id=105

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