quinta-feira, março 24, 2011

RIO DAS PALAVRAS AFOGADAS



Há crônicas que não deveriam ser escritas; idéias bastardas, cujo destino deveria ser o rio das palavras afogadas; mas estas crônicas tem vontade própria e essa, tão triste, toma conta da minha vontade nesse fim de tarde e me obriga a escrever para te dizer que alguém muito querido a mim está morrendo.

Talvez até o fim dessa leitura, essa pessoa tão amada já tenha cruzado para a outra margem do lago, talvez não; pois de acordo com os médicos, há ainda 5% de chances dela se salvar do AVC que a levou até aquele matadouro chamado Hospital Heliópolis; e a gente que é família e que se importa, se apega a essa mísera porcentagem como um naufrágo se agarra a um pedaço de tábua; esperando salvação e aguardando ser resgatado dessa situação surreal que parece um pesadelo, onde a qualquer momento, vamos acordar.

Não acordamos!

E nessas horas em que tudo foge do controle da gente e a nossa Terra parece estar fora do eixo, tentamos resgatar qualquer pedaço da teoria da nossa espiritualidade que nos faça ser mais fortes, que nos dê firmeza para enfrentar essa prova; mas por mais que se tente, por mais que a gente agüente, ou queira seguir confiante! Lágrimas rebeldes invadem as represas da nossa vontade.

Sem lágrimas!

Respiramos profundamente! Não choramos, afinal, sabemos que o nosso lamento em momento tão delicado de passagem, pode prejudicar o nosso amado em sua viagem. Mas o que fazer com esse nó na garganta? Como engolir esse soluço preso no peito, que dói, dói e exige expressão? Por quanto tempo vou conseguir manter essa minha máscara de espiritualidade avançada e continuar repetindo para os outros: “A vida continua, vamos ficar na luz gente!”

Sim, não tenho duvida que a vida segue o seu curso e que, mesmo sem corpo, o espírito prossegue eterno, mas é melhor manter essa falsa firmeza ou aceitar que, as vezes, é melhor deixar o corpo chorar?

Nunca!!!

Afinal homens não choram e espiritualistas não sofrem com a morte de seus amados.

Fim de crônica!!!

Um comentário:

Louro Neves disse...

Atitude, grande Frank!
O melhor remédio nessas horas penosas é contar para um amigo o que sente o coração. Escrever uma crônica é uma alternativa semelhante, com efeitos um tanto semelhantes.
Força, rapaz!

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