quinta-feira, dezembro 10, 2009

BOA MORTE!!!

Um botão desligado era o remédio tão desejado; se ao menos, ele pudesse se mover, pudesse se levantar da cama, apenas para puxar a tomada, desligar a máquina, a dor desapareceria; e ele enfim, poderia descansar.

Se ao menos pudesse falar; se ao menos pudesse se comunicar, mas nem os olhos ele conseguia mover para dizer:" por favor, meu corpo se tornou a minha prisão, me tirem daqui!"

Se ao menos ele tivesse fé para rezar, reclamaria com o Deus Cruel que o fez viver assim, e ordenaria que o Todo Poderoso, tão surdo aos que sofrem; o tirasse dali, ou ao menos, que alguma alma caridosa, fizesse-lhe o favor de oferecer uma saída honrosa para aquela situação.

Seu corpo não se movia, mas a sua consciência estava cada vez mais lúcida, e toda aquela claridade veio tarde; pois enquanto ele tinha uma vida de verdade, ele dormia.

Se ao menos ele pudesse correr novamente...não! Não queria pensar nisso, pois quando imaginava essas coisas, ele sentia inveja até da mosca que voava livremente pelo quarto e pousava em seu nariz. Suprema ironia: nada no seu corpo se mexia, mas ainda assim, ele sentia cocégas quando aquela mosca insistia em pousar em seu nariz.

Se ao menos ele tivesse tido uma vida feliz, talves as lembranças do que foi ocupassem a tristeza do que é. Ele poderia sonhar o resto dos seus dias e viver das memórias de quem viveu, mas nem isso, o Deus Ausente lhe oferecera.

E foi nesse estado de clareza que ele começou a lembrar de certas coisas que não tinha vivido: lembrava de um homem triste e um tiro; lembrara de um jovem e uma corda; lembrava até de uma mulher e uma ponte; e por um instante, que pareceu três vidas, ele andou com esse homem; caminhou com esse jovem e chorou com essa mulher. Conheceu essas três histórias, como se assistisse uma novela em que os três personagens vivem vidas distintas com trajetórias semelhantes. Então, percebeu, que todos eles tinham algo em comum: um olhar de quem não viveu!

Ele sentiu pena dessas três pessoas, pessoas boas, que não tiveram outra escolha a não ser o tiro, a corda e a ponte; e de repente, ele foi tomado por uma certeza desconcertante: todos os três se pareciam com ele.

Era como se eles fossem parentes, gente bem próxima e não parte de uma história que ele fantasiava em sua mente em corpo doente; e de repente, se deu conta. Que ele fora aquelas três pessoas em três tempos diferentes; e a história novamente se repetia; e agora era ele que escolhia qualquer coisa que não a vida.



Frank Oliveira

Não percam o lançamento do meu novo livro " O Catador de Estrelas", vejam detalhes abaixo:

quarta-feira, dezembro 09, 2009

A Dona da Terra

"Nós só estamos ainda na Terra
porque a Dona dela assim quis."

Começou a 15ª reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Copenhague e a grande discussão é:

" Progresso a qualquer custo ou sobrevivência?"

São muitos os exageros dos ecochatos, é claro; porém, maior ainda é a ignorância do homem moderno que se esqueceu completamente que vivemos nesse planeta em regime de cohabitação com outros reinos.

Há forças muito mais fortes que o poder humano. Eu sei que parece tema de esquisotérico bobo, mas todos nós sabemos que a natureza é a "Dona da Terra" e como todo organismo vivo - os antigos sabiam, os modernos ignoram - basta um sacolejo dela, ao sentir que corre perigo; e os homens não terão mais motivos para pensar em preservação... Não precisamos ir a Copenhague para discutirmos o assunto ou mudarmos alguma coisa. Basta começar com o papel de balinha, a bituca de cigarro que jogamos na rua sem se dar conta que ela entope os bueiros e provoca morte. Sim, morreu mais gente em enchentes em Sampa, nos últimos tempos, do que no trânsito.

Fácil apontar o dedo para o governo, a prefeitura ( e eles tem a sua porção de culpa); difícil é fazer alguma coisa com os nossos hábitos que emporcam as nossas ruas e contribuem para esse inferno que é viver na cidade grande em dia de tempestade.

Os ecologistas exibem dados alarmantes sobre os efeitos daninhos do homem na natureza: a diminuição do gelo nos pólos; a extinção de tantos animais (do Mamute ao Golfinho do Rio Chinês); o aquecimento global; mas qualquer pessoa que vive em São Paulo já sentiu na pele o que é viver num lugar que desrespeitou uma regra básica da natureza: dois corpos não ocupam o mesmo lugar - construir uma avenida em cima de um rio é um dos projetos mais absurdos e burros que se tem notícia.

Uma pena que nos somos tão burros e só aprendemos com Tsunamis, terremotos e inundações.

Não custa nada mandar o rebelde cronista passear e colocar a pena nas mãos do poeta para que ele escreva:

"Irmão da Terra

Lembrai-vos:

É da natureza que retiramos os nossos alimentos;
É do verde que nasce o nosso oxigênio;
É na natureza que nasce a flor para nos lembrar do Grande Amor;
É do verde que vem a esperança que um dia possamos despertar desse pesadelo da ganância em conseguirmos riquezas aos custos do bem mais precioso que temos: a natureza!"

Mas quando o assunto é o próprio umbigo, poesia não alerta; só a tragédia!

Destruir a natureza é mais do que derrubar a Amazônia ou aumentar a emissão de CO2; é uma assinatura de uma carta de suícidio!

Que possamos modernizar os nossos pensamentos antes que a Terra evolua sem a gente morando aqui dentro.

A PISADEIRA

Levanto da cama,
Ando pelo quarto
E percebo:
Estou fora do corpo!

No pé da cama
Vejo
Uma senhora olhando
Minha esposa dormindo;

Fico contente!
Sou projetor estudante;
E é a primeira vez
Que vejo um espiríto
Assim tão de perto;

Já tinha ouvido falar,
Já tinha visto de longe;
Mas ela estava na minha frente,
E em meio a todas as minhas dúvidas
Que aquela experiência
Pudesse ser algo da minha cabeça;
Vê aquela senhora
Era a prova que faltava
Que eu estava mesmo projetado
E que não estava sozinho;

Tentei estabelecer contato:
Estendi a mão e disse: oi!
Ela ficou brava
E avançou em cima de mim.

Acordo.
Estou paralizado!
Sinto uma pressão no pescoço
Alguém está me atacando fora do corpo;
Ela ainda estava no quarto.

Procuro manter a calma
Difícil não ficar nervoso;
Lembro que catalepsia é trampolim
Daí, mentalizo, pulo e saio novamente;

Vejo a velha!
Ela esta entre eu e a Auri;
Nada como um ataque
Para termos certeza
Que não estamos sonhando
Nem muito menos dormindo;

Ela percebe que estou fora
E dá uma mordida no meu pescoço;
Sinto a dor
E volto ao corpo rapidamente;
Abro os olhos,
Não fui ferido,
Foi o susto que me trouxe de volta;

Aciono o botão da vontade
E um Estado Vibracional
Corre por todo o meu corpo;
E amplio o EV para a cama e para o quarto;

Puxo estrelas,
Cubro o teto do quarto
Com as cores dos chacras;
Um arco-íris limpa e ilumina a tudo;
Já não sinto mais a velha do lado;
Olho pro lado e Auri está acordada:


- Pesadelo? - pergunta ela

- Bem...tinha uma mulher na cama com a gente - respondo.

- Frank - diz Auri, bem brava - Já falei para você parar com essa história de "ménage à trois".


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Não percam o lançamento do meu mais novo livro:
" O Catador de Estrelas"
Detalhes abaixo...>>>>

terça-feira, dezembro 08, 2009

O ERRO DE DEUS


Deus fez o homem

E percebendo a besteira que tinha feito,

Tirou uma costela de Adão

E fez a mulher;

Daí, sorriu!

Tinha criado o ser perfeito!
Imagem: Cibertúlia
http://cibertulia.blogspot.com

sábado, dezembro 05, 2009

Lançamento: " O Catador de Estrelas" ( Novo Livro do Frank)


Olá amigos;

É com muita alegria que anuncio o lançamento do meu novo livro de crônicas" O Catador de Estrelas".

O evento ocorrerá no IPPB, em São Paulo, no próximo dia 13 de dezembro (domingo), ás 15:00.

Depois de quase dois anos de forno, o livro que todos pediram por e-mail, está finalmente pronto, com a capa do querido "Adrianus" e muita crônica bacana para compartilhar com vocês.

Como é natural, o lançamento do livro, também contará com muita música:

* A Harpista Cássia Doninho ( Vencedora do Prêmio Art Supply de Música 2005, e autora do CD Celtas... Reminiscências);

* a Harpista Auricélia Oliveira ( minha musa e aluna da Professora Cássia), apresentando a sua harpa Boadicéia para todos, pela primeira vez;

* Além da apresentação de tambor xamânico com o palestrante e xamã
Vítor Hugo França, grande colaborador do IPPB e amigo de longa data.

Muita poesia, teatro e uma grande oportunidade de rever os todos os amigos.


Somos Todos Um Só

Frank Oliveira
Local: IPPB – Rua Gomes Nogueira, 168 – Bairro IpirangaSão Paulo – SP.

Informações: Fones: (11) 2063-5381 e (11) 2915-7351.
Como chegar lá:
http://maps.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&geocode=&q=Rua+Gomes+Nogueira+168&sll=-23.567291,-46.623058&sspn=0.031233,0.054846&ie=UTF8&hq=&hnear=R.+Gomes+Nogueira,+168+-+Ipiranga,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP,+04265-010,+Brasil&ll=-23.58627,-46.61572&spn=0.008299,0.013711&z=16

IPPB: Como Chegar?


Exibir mapa ampliado

MENINOS QUE CORREM COM LOBOS

Sonho!

Sei que sonho.

Meu corpo está em algum lugar dormindo, minha consciência em algum lugar vagamundando.

Não sigo à esmo, estou voando por um local, que em tempo de chuvas é um rio, em tempos de seca é um canyon vazio. É lindo! Continuo voando até ver uma índia de pele branca.

Ela sorri, eu desconfiado, pergunto:

- Você é índia? Ou está apenas vestida assim para me confundir?

Ela ri e diz que eu deveria prestar atenção mais no lugar e no que esta prestes a ocorrer e menos em como ela esta vestida.

Obedeço, mas percebo que tudo o que ela disse veio direto para a minha mente sem que eu nada ouvisse, pois seus lábios não se mexeram. Já devia estar acostumado com isso, nunca estou.

De repente, não estamos mais sozinhos. Vejo um lobo se aproximando e em algum lugar, londe dali, noto o meu corpo fisíco se alterando com o medo que eu passei a sentir.

- Fica calmo! - ela diz - É hora de você descobrir que não anda sozinho.

O lobo se aproxima bem devagar. Cheira minhas mãos, meus pés e começa a lamber meus dedos. Se foi o medo. Por intuição, começo a lembrar que ele sempre esteve comigo, desde que eu era moleque, desde que eu era eu mesmo.

Ele late, eu acordo!

Cada um encontra o seu animal de poder da maneira que pode.

Assum Preto

Por Luíz Gonzaga


Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)

Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá de mió (bis)

Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)

Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Haribol ao Fernando Portuga


Hare, Hare Fê Golfar

Todo mundo faz aniversário;

Você celebra!


Impossível não gostar de você

Por isso, nós tudo ama ocê!!!


E gritamos

Hari om, OM shanti OM

Portuga, continua com o seu show!


De humor, de amizade

De presença nessa irmandade

Formada por gente que voa

Mas vive de verdade


Um abraço voador!
Desse Paraíba irmão;)
Om mani padme hum
Um beijo no coração!


Frank Oliveira


Para complementar essa homenagem, segue abaixo uma canção do Chandra Lacombe, gravada pela banda brasileiense Udiyana Bandha que é a sua cara!!!


Budha Que Ri
( Chandra Lacombe)

Vejo
Agora um caminho
Aberto ao sol

Sol
Que brilha em mim
No céu e na canção

Vibro
Nessa alegria
Pois é simples ver

Sempre
Que aceito abrir
Todo meu coração

E na presença do mestre
Começo a encontrar
Sabedoria e coragem
Para poder seguir

Nessa profunda viagem
Eu vou me entregar
Até chegar com verdade
No amor que eu já senti

É
Esse amor que
É meu ser real

Me ensina
A repartir
Meu ouro espiritual

Canto
E afirmo a aurora
De um novo porvir

E assim
O budha em mim
Começa a sorrir


Canção da Udiyana Bandha
Para ouvir a canção, acesse o link abaixo:
http://www.chandralacombe.com/pt/chandra.htm
E clique no ítem " músicas para escutar"

SEM BEIJOS

- Não é traição. É sobre sentir-se viva -

Ela dizia, seus olhos brilhavam, enquanto a sua voz expressava tudo aquilo que fora impresso em sua alma.

- Você deve ter se esquecido como é a sensação. Eu não!

Falávamos sobre relações e traições.

Erámos ambos casados com outras pessoas, mas ainda amigos, talvez mais que isso; com mil coisas em comum: o bom gosto para filmes, música, arte, papos que começam de manhã e acabam tarde; dançando sob o ritmo de temas que muita gente sequer ousaria pensar.

Sim, erámos amigo ou qualquer coisa um tanto mais forte. É claro, poderíamos ser amantes, mas optamos por ser outra coisa menos pobre; outra coisa que não tinha nome; que não exigia encontro marcado, motel escondido, mentira aos parceiros ou amar ao acaso do vento. Alguma coisa mais nobre, sem rótulos, multiforme sem a menor obrigação de ser algo pleno.

- Como você chama isso que temos?

Ela perguntou já sabendo a resposta.

- Qualquer coisa que não tem nome!

Respondo. Ela concorda.

Não planejamos que fosse assim, assim se fez por conta própria. Eu vivendo a minha vida, ela a dela. Volta e meia nos encontramos, meia e volta a gente se lembra que temos algo que não conseguimos mais resistir sentir.

- Isso nãó é traição?

Eu perguntei, agora era eu que perguntava já sabendo a resposta.

- Não é traição. É sobre sentir-se viva. Você deve ter se esquecido como é a sensação. Eu não!

"Quando eu te vejo, saio do cotidiano e sigo em direção a um mundo de coisas mágicas. Cada encontro contigo é diferente; e em cada um deles sou arrematada e levada para outros reinos encantados que nada tem a ver com o meu dia-a-dia.

Não fazemos nada e ainda assim, sinto que esses encontros representam tudo aquilo que vale a pena viver. O meu corpo me diz assim, explodindo em sensações, gostos, odores que no meu estado normal, eu não consigo sentir.

Estar com você é quase como ser adolescente de novo, mas sem espinhas!"

Ela ri, eu a observo.

Realmente, nessa vida tudo é mesmo relativo e há coisas mais excitantes que um beijo.

MULHERES LINDAS – COM UM SOL DE AMOR NO CORAÇÃO

Eu olhei os seus pés calçados com sandálias simples.

E eles estavam brilhando tanto, garota.

Depois eu olhei em seus olhos, e eles pareciam dois sóis.

Ah, pequena, você já chorou demais!

E, no entanto, o seu coração ainda está cheio de amor.

Você se iludiu: o que buscava fora, na verdade, estava com você mesma.

Sempre esteve dentro de você mesma, em forma de luz secreta.

E isso não se vê com os olhos da carne, e nem depende de aparências.

É ouro! É valor interno, que não se vende e nem se compra.

Então, enxugue suas lágrimas e preste atenção em sua luz.

O amor é o amor, não é uma pessoa. Mas poucos compreendem isso.

E quem não vê o brilho real, cai nas garras das luzes ilusórias do mundo.

Você pode até ter alguém ao seu lado, mas, talvez, o seu coração voe para longe...

Na direção de um Grande Amor, algures, no Coração da Vida Universal.

Ah, amor não machuca! E nem está submetido a mesquinharias e dramas.

Não tem idade e não se presta a manipulações; e não faz chantagens emocionais.

O que é real, transforma a consciência e faz rir e gostar de viver.

Há coisas que transcendem o tempo e o espaço. O amor é uma dessas coisas.

E, mesmo à distância, ele acontece, de coração a coração.

Eu só queria dizer isso, pequena: “VOCÊ ESTÁ CHEIA DE LUZ!”

E, onde quer que você esteja, receba um beijo, de alma para alma.

Que a Mãe Divina a inspire e ilumine mais ainda.


P.S.:

Escrevi essas linhas por influência espiritual de uma entidade espiritual.

Trata-se de uma consciência extrafísica muito querida do meu coração.

Ela trabalha nas vibrações sutis do amor da Mãe Divina.

E me disse: “Escreva algo para uma mulher cansada e resgate-a da dor.”

E eu questionei-a, sobre como escrever algo para alguém que sequer conheço?

E ela me sugeriu: “escute o seu coração e escreva o que ele lhe disser”.

Então, escrevi essas linhas. E sei que ela sabe por onde esses escritos viajarão...

E eu quero aproveitar e dizer que há mulheres lindas demais no mundo, e além...

E elas são lindas por sua luz e seu caráter, não por suas formas ou juventude.

Muitos homens não vêem isso; e, às vezes, muitas mulheres, também não.

E sem luz, as trevas chegam; e sem caráter, sobra o vazio existencial.

Que coisa mais linda é o olhar de uma mulher cheia de amor real!

E isso vem do coração dela, e ilumina o parceiro, os filhos e a própria vida.

E isso não tem preço. E nem se explica. Só se sente...

Não, não e plástica ou a roupa cara que faz uma mulher bonita; é ela mesma.

Com seu brilho e seu caráter; com seu amor e paciência; com algo que só ela tem.

E, aqui e agora, eu honro a todas elas com esses escritos, em espírito e verdade.

E agradeço a Mãe Divina, pela chance e pela honra de escrever essas linhas*.

(Dedicado as mulheres cheias de caráter e luz, lindas, sem as ilusões do mundo.)


Paz e Luz.

- Wagner Borges – Na Luz, como sempre...

São Paulo, 30 de novembro de 2009.


- Notas:

* Enquanto eu digitava essas linhas, rolava aqui no som as belas canções do disco “Betwenn Lines”, da cantora pop americana Janis Ian. As músicas “From Me to You” e “Bright Lights and Promises” (faixas 2 e 3 do disco) são lindas demais.

Obs.: Enquanto eu passava esses escritos a limpo, lembrei-me de um texto da Companhia do Amor sobre as mulheres. Então, deixo o mesmo na sequência, como enriquecimento desses escritos de hoje.

MULHER

Uma mulher não é somente um rostinho bonito. É, antes de tudo, uma pessoa com seu próprio mundo interno, cheio de qualidades, desejos e, também defeitos.

Dizem que a mulher foi feita da costela do Adão. Nada mais falso do que isso. Nunca acreditei nessa balela.

Para ser tão especial, ela só pode ter sido feita da costela do próprio Deus, que, aliás, estava inspiradíssimo no momento em que criou tal jóia.

Inoculou nela o brilho das estrelas, a ternura das flores e a essência do amor verdadeiro. Dotou-a da arte de fazer amor com sentimento e facultou-lhe a sublime maternidade.

Por isso, devem-lhe respeito o filho, o pai, o companheiro e até mesmo o próprio Criador, que deve estar todo orgulhoso de sua criação.

Mulher, mulher, mulher... O que seria da vida sem você?

Provavelmente seria bem mais triste e sem brilho.

É por isso que na Companhia do Amor, todos nós, poetas acima de tudo, reverenciamos o Criador, pois somente o Ser mais sábio de todos poderia ter criado a mais bela de todas as criaturas.

Salve a mulher!

— Companhia do Amor* —

A Turma dos Poetas em Flor.

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Texto extraído do livro “Companhia do Amor – A Turma dos Poetas em Flor – Edição Independente – 2003.)**

- Notas:

* A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.

Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.

Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver os livros "Companhia do Amor - A Turma dos Poetas em Flor – Volumes 1 e 2" - Edição independente - Wagner Borges, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site): www.ippb.org.br.

** Os livros da Companhia do Amor – Volumes I e II – podem ser adquiridos diretamente no IPPB, ou pedidos por telefone (com entrega pelo correio) – (11) 2063-5381 e (11) 2915-7351 – das 12h às 18h.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

A Terra dos Que Morrem em Série

Era uma vez um lugar chamado Terra dos Que Morrem em Série. País antigo, tradição milenar e um problema crônico: guerra civil por fanatismo religioso.

O resto do mundo observa as notícias das mortes que ocorrem por lá, como quem assite um filme que poderia ser real, mas parece mesmo ficção. Parece ilusão, pois é uma terra distante e com cultura diferente. Tudo que é diferente afasta a empatia do coração da gente. Se ao menos eles fossem católicos ou protestantes; o sangue corrido doíria um pouco em nossas veias; mas como eles são muçulmanos, "vai ver é karma" - a gente ouve; um espírita acredita e outros tantos sem religião aceitam.

Fácil dar explicações. Conveniente seguir sem prestar atenção. O que podemos fazer mesmo, não é?

Esses dias, conheci Mohamed e tudo mudou para mim. Eu também era assim. Distante, vago, quando o assunto era o Oriente Médio. Após colocar um ferramenta que traduz o meu blog para outras línguas, comecei a receber a visita desse blogueiro que vive na Terra dos Que Morrem em Série. Ele me enviou alguns recados sobre alguns textos, mas esses dias, recebi a seguinte mensagem:

" A escola que a minha filha estudava foi destruída por um homem-bomba. Ela não estava na aula nesse dia, pois estava doente. Seus amiguinhos todos morreram. Eu sei que vai parecer insensível, mas eu agradeci aos céus por minha filhinha não ter morrido, mas fiquei tão feliz que esqueci de orar a Aláh pelas almas dos seus coleguinhas.

A vida é assim mesmo. Se é o nosso sangue derramado, a gente entra em desespero e clama a deus, se é o sangue do outro, a gente agradece por não ter sido um dos nossos, mas se esquece de pedir luz para essas pessoas sem rosto que nunca conheceríamos mesmo.

No Ocidente deve ser diferente, não é amigo?"

Não era!

Fiquei com aquelas palavras no coração por dias. Estava triste por mim mesmo e pelo mundo que se não ignora, age como se a morte em série de um povo fosse menos importante que a morte de um artista pop.

Lembro do mundo em vigília, coletiva oração por um cantor americano; e um silêncio perturbador quando o assunto é a morte em série de milhares de iraquianos. Vai ver eles merecem, vai ver Aláh é que quis assim.

Será?

Não sei as causas, os motivos que permitem esse massacre, mas me importa muito lembrar que esse povo que morre em série poderia ser o povo do país ao lado; poderiam ser os nossos vizinhos, amigos ou mesmo familiares. Pensando assim, meu coração se sintoniza e de alguma forma, esse povo ferido fica mais próximo, mais amigo. Claro que ninguém quer pensar nisso, pois colocar um rosto nesse iraquiano morto desfaz o anonimato de quem morre feito gado. Porém, eu peço a todos com um pouquinho de coragem para, ao menos, em suas orações, lembrarem daqueles que sofrem e não conseguimos ver a face. Rezem por seus amados, mas não se esqueçam de pedir paz para aqueles que não conhecem na prática o significado da palavra. Se ajudar, imaginem que rezam por alguém que mora ao lado.

Se o pensamento tiver mesmo a força que achamos que ele possui, quem sabe, ao menos, uma bolha de luz sai da nossa casa e caia nos céus dessa Terra de Quem Morre em Série e acalme o coração dos assassinos, pacifique a intenção dos fanáticos e traga a compaixão do mundo todo para essa região.

Inshallah chegue o dia que não precisemos mais imaginar que um desconhecido que precisa de nossas orações tenha um rosto familiar para sentirmos vontade de ajudar...

quarta-feira, dezembro 02, 2009

A MÁQUINA DE LIVROS

Na estação do metrô Sé, há várias máquinas que vendem coisas: há máquina de refrigerante, máquina que vende camiseta, máquinas para tirar a sorte e uma máquina que vende livros por R$ 2,00.

Nessa máquina tem Machado de Assis, tem Drummond de Andrade; vi até Mário Quintana; mas não encontrei ainda Rubem Alves.

Apesar da fila da máquina de coca cola por R$ 2,50 ser sempre a maior; volta e meia, vejo alguém olhando para a máquina que vende livros, parecendo sedenta por um exemplar.

Essa crônica não é sobre a máquina, desculpem-me leitores, e sim, sobre essa senhora que eu vi pagando por duas cocas e se dirigindo, logo após, para a máquina de livros. Curioso, fiquei observando ela tomando as duas cocas e olhando para os títulos como se olhasse para uma máquina de salgadinhos.

Depois de passar algum tempo observando os títulos, ela pega um celular e liga para alguém:

- Filha? Sim! Tem Dom Casmurro, Cortiço... – ela vai dizendo livro por livro – Tem certeza que nenhum desses está na lista? – pausa, olhar interrogativo – Ah, pensei que valia a pena comprar!

Então, a mulher vai embora, deixando a máquina de livros esperando por algum outro “leitor de vestibular”.

PELEJA ESPIRITUAL: Diálogo de mim com eu

Vou lhes contá uma istora estranha

Mas que partiu das minha entranha:


Fico aqui pensano se devo ou não contá?

Mas pensano bem acho até que posso ajudá

A quem assim como eu,

Por teimosia ou rebeldia

Fica qui nem gato: correno atrás do próprio rabo.


Pois é assim que essa cunversa de eu,

comigo mesma acumeça:

Tomei uma beberage sagrada

Feita de uma erva sagrada saída lá

De umas terra do Acre.


Erva que meus ancestral tumava

E que durante o feitio e a fervença

Iam eles fazeno reverença

A Deus, aos bicho bom da floresta,

Ao céu, à lua,à terra,

Clamando assim, o fim das guerra.


E com muito sentimento

Agradeciam ao sol, ao vento

Aos boto e às estrela do firmamento

À grande mãe natureza

Com muita fé e firmeza


E na reverença com lindo canto

Continuava todo o encantamento

E numa atitude de agradecimento,

Louvavam os anjo do céu,

Pedino proteção à São Miguel,

Justiça ao “preto” Ditinho

Força à São Jorge Guerrrero

E o amor de Antonio Casamentero.


São Tomé, só vendo e crendo:

As miração na minha mente

Tão real que felizmente

Era tanta luz e cor

Que eu vivi foi com fervor.


Vi luz, vi sombra,

Fui da noite pro dia

Tudo era magia

Era anjo me segurano pela mão

Ritmado pelo som do acordeão.

Fada com flauta encantada

Eu tava era sendo abençoada.

“Falei com os índio da floresta”...

Tudo era eterna festa

Quando de repente anoiteceu

Meu corpo todo estremeceu.


Perdi o rumo de tudo o que era

Festa,dança, pajelança

Uma ordenação tão justa

E pareceu num instante, festa de dia das bruxa.


Vi bicho de tudo que é jeito

Passei a vê todos meus defeito

Eles danado, tudo querendo me assustá

Pulava, rugia, se amostrava

E eu ainda mais apavorava.


Toda beleza de outrora,

Foi embora feito aurora

Rodando como cata-vento

Tudo o que era belo foi sumindo ao relento.


Aqueles bicho tudo sem encanto

Rindo da minha cara de espanto

E numa prova da verdade

Me tiraro da ingenuidade.


Foi quando arresorvi chegá de modo lento

E enquanto eu me aproximava,

Parecia que me desdobrava e vi que

Aquela bicharada esquisita

Saía era do meu próprio ventro.


E sismada, me firmei no poder da beberage

E forçando, cavando corage

Me assuntei com eles:

- Óia só que doidice!

Devo oiá proceis é com meiguice.

Afinal são cria do meu pensamento,

Ou são mais certo que quarqué juramento?


E pulano na minha frente

De um jeito bem perfeito

Tive que encará foi meus defeito:

Vi egoísmo, vi vaidade,

A covardia e a rebeldia

As sisma, as má impressão

O orgulho pra pedir perdão

Era um outro “eu”, que nem assumbração.


Oiavam dentro dos meus zóio

Dizendo assim:

- Foi ocê que nos criô!!!

E eu no disispero gritava em silêncio:

- Socorro meu Deus, Nosso Sinhô!

Faça com esse sacramento, eu me livrá desse tormento!


Deus do céu, e agora?

Eu correno de mim mesma?

Me salva Nossa Senhora!


Louvei à Nosso Sinhô

Pedi benção ao Cristo Redentô

Meio surda, meio muda

Apelei até pro iluminado “Buda”.

Me livra dessa cruz,

Meu sagrado Bom Jesus!!


Foi aí que pensei:

- Se eu corrê, os bicho pega

Se eu botá eles pra corrê, vai que eles vorta?

O jeito é negociá!


E de uma manera bem astuta

Olhei bem pras cara deles e lhes fiz uma bela proposta:

- Vamo fazê um contrato, é a minha sugestão!

Oceis pode até ficá, mas numa condição

Tudo oque eu aprendê na instrução

Passo proceis como lição.

Só tem um jeito da gente aprendê e crescê

É na dô ou no amô

E dô eu num quero mais não!

Então oceis fica bem quietinhos em silenço

Com muito respeito e bom senso

Assim a gente aprende junto

Porque aprende sozinha num é meu assunto!


Pra oceis í embora

Só dispois de certa hora

De aprendê “santas lição”

Pra pode voa sozinho

Com amô no coração.


Contrato feito, os bicho ficaro!

E não pense ocê que eu tava com vertige

Queria mesmo era sabê suas orige.


Mas eles nem se abercebero,

Que eu num gesto bem ligero

Escrevi num canto do documento

Que será por bem poco tempo!


Essa de tomá peia do astral

E os diabinho no maió carnaval

Num é comigo não!


E olhano bem pro firmamento

com muito encantamento

Pedi luz, pedi firmeza

Pra nossa mãe natureza

Pedi força da erva santa

Que a todos espanta e encanta


Pedi pra que com dignidade

Eu assuma a verdade

E consiga com esse aprendizado

Encerrar o meu passado

Cumprir missão nesse mundo

Levando amor, paz e justiça com perseverança

Para aqueles que já perderam a esperança.


E aqui se encerra a peleja espiritual

Do dia que bati bem de frente com toda aquela gente estranha,

Que como disse saíram todas das minha entranha.

Agora você que tá lendo isso

Assuma um compromisso:


Sendo forte que nem Maria Bonita

Ou cabra macho que nem Lampião

Assuma bem teus bicho bem de perto

Único jeito de melhorá esse universo

Num tenha medo não!



Elizabete Oliveira – cordel feito após Trabalho de Lua na Portinha do Tatuapé -5/04/2009

EGO - O CARCEREIRO DA ALMA

Ah, bichinho maroto é esse tal de ego que criei para passear por essa dimensão do rosto. Servo do Dono da Matéria; ele se acha o patrão e vai cada vez mais se apegando a ilusão, acha que o que sabe é a única coisa séria, e segue tentando me e se convencer que nada existe além das terras dessa manifestação.

Ó bichinho medroso que teme acabar, que morre de medo de morrer, de não continuar depois do " sei lá pra lá do corpo". Tolinho, nem desconfia que ele é parte do todo do qual sou parte e que após as aventuras desse plano, se ampliará e se transformará em algo maior e melhor; sem deixar de ser um, mas ao mesmo tempo sendo todos.

Como convencer esse menino da caverna da carne que ele deve desistir dessa luta insana de continuar imaginando que é o único soberano da vida? Que ao manter o brilho da alma encarcerado, ele está apenas adiando o inevitável despertar da consciência?

Como explicar para esse rapaz inseguro que há coisas além daquilo que pode se apreendido pelos sentidos? Como descrever que somos centelhas divinas, cuja vibração de luz está apenas momentaneamente desacelerada para que possamos estar na Terra das estrelas esquecidas e apagadas?

Dá até vontade de desistir desse mecanismo que criamos para navegar nessa dimensão da dualidade, mas o ego é importante para transmutarmos a negatividade e reconciliar as partes desse Grande Plano que é ser um e ser muitos.

Tentar exterminar o ego é luta tão insana quanto a jornada do ego em provar que não há chama espiritual.

Acabar essa guerra inútil é uma passo pequeno para o homem, mas um pulo gigante para a alma.

Por isso, vou cuidar melhor desse moleque, que birrento agride e maldiz, mas só o faz, pois se esqueceu que ser feliz é se libertar desses conflitos que só produzem frutos estragados e corroídos, sem o sumo do ficar leve para voar pelo céu do seja lá o que eu me tornar, eu virei a ser, sem resistir, pois se tudo é luz, luz até o ego será.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Um Olhar do Paraíso: Novo Filme de Peter Jackson

Foram divulgados novos cartazes de Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones), novo filme de Peter Jackson. A produção é uma das mais esperadas de 2010 e conta a história de Susie Salmon (Saoirse Ronan), uma menina de 14 anos que é estuprada e morta por Harvey (Stanley Tucci), vizinho da família. A menina vai para o céu, onde começa a acompanhar a vida de seus parentes, amigos e do próprio assassino. O filme é uma adaptação do romance Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado, de Alice Sebold.

Apesar de toda a expectativa em torno da produção, o filme já mereceu palavras duras da Variety e o chamou de “decepção artística”

“Jackson prejudica trabalho sólido a partir de um elenco bom, com show de evocações celeste que perturbam gravemente as ligações emocionais com os personagens”.

“O diretor tem o capricho de criar cenários em constante mudança que descrevem uma vida após a morte evocado de A noviça rebele, de O mágico de Oz , O Pequeno Príncipe” ou Teletubbies.”



Estilo é estilo

Jackson é um bom diretor, não há como negar. Ele é capaz de contar histórias dramáticas como niguém, mas como todo diretor que se preze ele tem estilo próprio. Tim Burton, por exemplo, tem um estilo muito pessoal. Não é preciso esperar os créditos para saber que se está vendo uma produção dele. Com Jackson também é assim.

Quem teve a chance de assistir Almas Gêmas (de 1994 e que marca a estreia de Kate Winslet no cinema) também há de concordar que Jackson é simplesmente viciado em fazer filmes visualmente fortes. Uma história real de duas amigas envolvidas com um assassinato é simples demais para ele. Era preciso fazer com que a insanidade delas fosse exposta ao espectador. E ele fez. É esse o estilo de Jackson, razão pela qual ele estava tão apto a comandar a trilogia Senhor dos Anéis.

O problema do estilo meio megalomaníaco (isso não é uma crítica, de mofo algum) do diretor é o risco constante de errar a mão. Se passar do ponto a coisa desansa e é o que a Variety afirma que teria acontecido com Um Olhar do Paraíso.

É esperar para ver. O filme chega às salas brasileiras em 22 de janeiro. Enquanto isso, o trailer da produção nos dá algumas pistas.


Fonte: http://mirandonocinema.wordpress.com

Aniversário Gê Marques - Reino do Sol

Nesse último sábado foi aniversário do querido Gê Marques, dirigente da Escola da Rainha - Reino do Sol.

Infelizmente, não pude estar presente, mas meu coração estava lá com os amigos do Reino, comemorando e cantando os hinos maravilhosos do seu hinário "Primeira Lição"; nesse dia tão especial para esse querido professor.




Muitos foram os presentes que recebi com essa escola e fico muito feliz em poder ser sempre bem recebido por lá e poder colher tanto ensinamento.

João contra o Dragão do Preconceito ( Dia Mundial do Combate a Aids)

João nos convidou para um almoço em sua residência. Fomos eu, Dênis, Valéria, Robson e a fome do mundo todo. Todos nós trabalhavámos juntos no MacDonalds naqueles meados dos anos 90. Eu gostava da Valéria, faria qualquer coisa por ela, até mesmo, ir almoçar na casa do João, um sujeito que eu não gostava não.

João era nosso grente, mas era gay, e eu defendia que todos os homessexuais fossem transformados em homens pela força, pela fé, pelo que quer que fosse que os fizesse ser normais. Eu tinha apenas 16 anos, e toda uma educação machista, ignorante e fechada da vida. Posso culpar o meu pai, mas quem carregava o preconceito era eu.

Entrei em sua casa, e enquanto ele cozinhava para nós, ficamos eu, Robson e Dênis fazendo piadas pelos cantos; até que a Valéria percebendo as brincadeiras de mal-gosto, nos olhou meio torto e voltamos a nos comportar, porém, além do olhar da Valéria, comecei a perceber em mim, que aquele preconceito todo vinha não porque João gostava de homens, mas porque ele era diferente de nós todos.

O diferente me assustava. Assusta a todos!

Era mais fácil criticar do que aceitar que se algo está lá, é porque tem os seus motivos para existir. E o que o João fazia na cama nada tinha a ver comigo, com ninguém, ou com o meu preconceito.

O almoço foi servido. João fez tudo o que pode para nos fazer sentir bem-vindos. Não sei se ele desconfiava que aquele bando de adolescentes estava fazendo do seu ato de servir, pouco; mas ele nos acolheu como se fossemos parte da família, amigos de verdade e não um bando de meninos imaturos.

O que o João não sabia, era que naquele dia, ele havia servido junto com o almoço, algo a mais do que pão e vinho; ele nos serviu respeito.

Quanto o assunto é a homossexualidade, muitos falam de tolerância, poucos falam de respeito. Tolerar é apenas engolir o preconceito, respeitar é aceitar que o outro tem o seu direito de ser, independentemente do que queremos que ele venha a ter.

Depois do almoço, João nos mostrou as fotos da sua viagem, do seu namorado e compartilhou conosco a sua vida. Olhei para o Dênis, para o Robson, e depois daquela tão agradável acolhida, as piadas definitivamente perderam as graças.

Nunca mais consegui ter preconceito. Anos depois, descobri através de uma revista semanal, que o João foi uma das primeiras pessoas a assumir em São Paulo que tinha AIDS ( num tempo em que a doença era ainda escondida e abafada) e um dos primeiros a tomar o coquetel que o ajudou a resistir por 19 anos essa doença tão implacável. João faleceu recentemente, o que ele me ensinou ficará comigo para sempre.


Notas do Autor: hoje é o Dia Mundial da Luta Contra a Aids.
Participe dessa campanha e cure o seu preconceito.
http://www.aids.gov.br

Pelas Frestas


A gente nem nota, mas solta sombra pelas frestas; maldiz tudo pelas ventas e ainda reclama pela língua. Alguém me explica, por que nos fascina tanto esse nosso boicote do dia-a-dia?

Esses dias senti vontade de escrever um texto sobre um passarinho que os meninos não conseguem estilingar; achei o texto meio bobo, deixei passar a inspiração e outra pessoa catou. O texto dela é uma das coisas mais lindas que eu deveria ter escrito.

Sim, isso mesmo! EU deveria ter escrito, não ela!

Percebam: ao invés de culpar a minha preguiça, aponto o dedo para o brilho de outro e digo que o seu sucesso só ocorreu porque eu não quis brilhar em seu lugar.

Assim, a vida vai passando; todo mundo brilhando e a gente, a cada dia, se mediocrinizando. De quem é a culpa? Só sua, só minha, só nossa!

Como sair disso?

Brilhando.

Percebendo que podemos fluir luz por nossos olhos, inspiração por nossas mãos e boas palavras por nossa boca. Basta, inverter o pólo, mudar a sintonia e reinventar a roda quadrada que insistimos em colocar em nosso veículo da matéria.

Mas é preciso, contudo, ter coragem; pois diante do brilho da Estrela Maior, acostumados com a caverna, corremos um sério risco de voltar correndo para a escuridão com os sonhos entre as pernas.

segunda-feira, novembro 30, 2009

A MEDITAÇÃO E O BANQUETE

Cansado de lutar com os meus pensamentos, virei a mesa e os convidei para jantar.

Eles ficaram confusos, e ao invés de passearem para lá e para cá; em dúvida, aceitaram meu gesto amigo e se sentaram ao meu lado para degustar o jantar. Foi quando percebi que os pensamentos não eram inimigos, eles eram meus aliados.

Maldito professor de meditação que sem nada o que fazer, me ensinou erradamente os pensamentos eliminar. Não é preciso se livrar dos pensamentos, só é preciso deixá-los passar.

Sorri e terminei a meditação, enquanto meus pensamentos lavavam os pratos.

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