quarta-feira, dezembro 03, 2025

Reino Matnis


Existe um lugar em que certas palavras em certos tons nos permitem acessar algo que sempre nos esperou no Sempre Tempo.

E esses sons, Palavrinhas Bonitas com sons mantricos são captadas pelo nosso Sentir como espadas de ar que se entranham na gente de tal forma que abrem janelas do Sentir, e da alma, algo surge no corpo, que nunca se manifestou aqui antes, pois esperava  ser visto e sentido e comunicado por você.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir


Uma vez, comunicadas

Pela poesia da Espada bem afiada, essas palavras avançam no ouvido do outro, edificando uma união de sentidos que provocam o entendimento do suspiro que ouvimos algo bom que edificou um outro sentir.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir


E quando ocorre esse união tantrica do comunicar 

Entendemos finalmente que o Sagrado só pode ser traduzido pelo Sentir da Arte que se faz no outro, o habitar.

Esse sentir é tesouro, pois permite que o outro não só retenha esse ouro, mas passe novamente esse som adiante, criando assim uma corrente que embora não se explique o que é dito, no Sentir, surge o sentido que buscávamos até então.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir


Sim, existe esse lugar onde essas palavras são encontradas e essas Espadas estão enficadas, nos esperando tirá-las de lá, para que uma vez essa Espada manuseada, palavra bonita possa ser usada para construir novos caminhos e saberes, sem destruir or destituir esse Saber do Sentir que só o Tantra da Palavra pode acessar.


Existe um lugar oculto e sagrado  

Onde palavras, em tons bem ritmados,  

Nos permitem acessar o eterno tempo,  

Aguardando por nós no firmamento.


Essas palavras, com sons encantados,  

Como espadas de ar são lançadas,  

Entram em nós com sutileza e graça,  

Abrindo janelas onde a alma passa.

Aprendam o Segredo da Serpente Encantada.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir

Bem vindos aos Reinos, Aprendiz

Sintam o Matinis


E no corpo, algo novo desperta,  

Que antes estava em alma coberta,  

Esperando ser visto e sentido,  

Por você, que o torna ouvido.


Ao serem ditas, com precisão talhada,  

Pela espada da poesia bem afiada,  

Elas avançam e se unem ao ouvido,  

Provocando no outro um novo sentido.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir

Bem vindos aos Reinos, Aprendiz

Sintam o Matinis


Nessa união tântrica, o sagrado brilha,  

E a arte no outro se enlaça e trilha,  

O sentir é tesouro, em corrente fluente,  

Que passa adiante o som persistente.


Sem precisar explicar o que foi dito,  

No sentir surge o sentido bendito,  

Buscado por nós, em tantas jornadas,  

Nas palavras e espadas encravadas.


E sim, há esse lugar escondido,  

Onde as palavras estão sempre fluindo,  

E as espadas aguardam, prontas a sair,  

Para novos saberes e caminhos abrir.



Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir

Bem vindos aos Reinos, Aprendiz

Sintam o Matinis

Noite Escura da Alma do Professor



Na noite escura da alma

O professô atravessou

Ainda ouvindo ecos do desamor

O professô mergulhou


E mesmo na escuridão

Ele sabia que tinha que aprender

Para ensinar com o coração

Para ensinar os outros 

A não, os mesmos erros cometer



Ele fez da escuridão 

Um quadro negro, uma tela a ser pintada

E das experiências, um giz

Escrevendo e desenhando a lição

Do aprendiz em sua jornada

Que sempre segue os passos 

Da Serpente Encantada

Em busca do seu Matnis


Ele então, percebeu 

Que a luz que precisava

Estava em seu bolso

Uma vela e o fósforo

E acendeu a sua luz

Iluminando toda a caverna

e na caverna, estava desenhado

Nas paredes, riscos encantados

Que lhe contavam a história

Que ele havia esquecido

Que aqueles desenhos

Era quando ele tinha antes caído 

E pintou as memórias para quando 

Ele ali retornasse


Ele se viu e sentiu

Que se a queda é inevitável

A lição é valiosa

Quando se compartilha

Não só os acertos

Mas também os erros

Para ensinar os outros

Que tudo na vida é acerto


Ele fez da escuridão 

Um quadro negro, uma tela a ser pintada

E das experiências, um giz

Escrevendo e desenhando a lição

Do aprendiz em sua jornada

Que sempre segue os passos 

Da Serpente Encantada

Em busca do seu Matnis


O professô sabia que ao se iluminar

Também iluminava quem veio antes

E quem viria depois

Ele sabia que cair não é tragédia

Uma experiência só é perdida

Quando não é vivida

E compartilhada


Por isso, mesmo sabendo que cairia

Novamente 

Ele apenas ensinou o que sentia

Naturalmente


Ele fez da escuridão 

Um quadro negro, uma tela a ser pintada

E das experiências, um giz

Escrevendo e desenhando a lição

Do aprendiz em sua jornada

Que sempre segue os passos 

Da Serpente Encantada

Em busca do seu Matnis



As Personas que o Universo Veste

 


O Universo, desde o primeiro sopro, é um grande artista em expansão. Cada galáxia é um gesto, cada estrela é um reflexo, cada planeta é uma máscara luminosa que Ele cria para experimentar novas formas de existir. O Caibalion diz: “O Todo é Mente; o Universo é mental” — e, se tudo é mente, então o cosmos é também um vasto laboratório de personas, máscaras cósmicas que o infinito usa para se reconhecer em reflexos infinitos.

Jung dizia que a persona é o rosto que oferecemos ao mundo, a máscara que nos permite participar do teatro da vida. Não é mentira, é função. Não é fraqueza, é adaptação. Uma ponte entre o Self profundo e o palco do cotidiano. Assim como uma estrela precisa de atmosfera para brilhar sem se apagar, a psique precisa de uma persona para circular entre mundos.

Mas no Caibalion encontramos outra lei que costura essa visão: a Lei da Vibração. Nada está parado; tudo vibra, pulsa, se move. O Universo se expande porque vibra. A psique se transforma porque vibra. E cada nova vibração pede uma nova forma, um novo nome, um novo modo de mostrar-se — como se cada fase da nossa vida exigisse uma estrela, uma galáxia, um traje cósmico diferente.

E assim percebemos que criar personas não é falsidade — é evolução.
É a dança da Lei da Correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo.”

Se o Universo cria novas estruturas para expressar sua expansão, nós criamos novas personas para expressar nossas novas vibrações internas.

Quando amadurecemos, a persona antiga fica estreita, como um planeta pequeno demais para um espírito que cresceu. E então precisamos abrir espaço, expandir nossas bordas, redefinir nossos contornos. A psique cresce como cresce um sistema solar — órbitas se reorganizam, asteroides se dispersam, novos sóis nascem dentro de nós.

A Lei da Polaridade nos lembra: tudo contém dois polos, e entre eles há uma infinidade de graus. Assim também acontece com nossas máscaras. Há personas que nascem da luz — funções sociais, dons, papéis que expressam nosso brilho. Outras nascem da sombra — defesas, proteções, pactos antigos com o medo. Mas, como ensina o Caibalion, polos não são inimigos, são extremos de uma mesma escala. A persona não é algo a ser destruído, mas transmutado. Refinado. Elevado.

A expansão do Universo é a expansão do Ser.
A criação de galáxias é a criação de possibilidades.
A criação de personas é a criação de caminhos.

Jung chamava de Individuação o processo de unir todas essas máscaras em direção ao Self — o centro luminoso, o sol interno que mantém nossa constelação psíquica coesa. No Caibalion, essa jornada ecoa na Lei do Ritmo: avançamos e recuamos, criamos e desfazemos, expandimos e contraímos. E, nesse pulsar, lapidamos a persona até que ela deixe de ser um muro e se torne uma janela clara para o Self.

No fundo, tanto Jung quanto os hermetistas dizem a mesma coisa com linguagens diferentes:

Somos seres em expansão.
Somos consciências que se criam enquanto se descobrem.
Somos universos usando máscaras para aprender a brilhar.

A persona não é o que nos limita —
é o que nos permite existir enquanto a alma aprende a atravessar dimensões.

Assim como o Universo, nunca estamos prontos.
Estamos sempre nos expandindo para caber em quem estamos nos tornando.
E cada nova persona é apenas mais uma galáxia nascendo dentro de nós.


quinta-feira, setembro 25, 2025

Yagé

Eu sou uma Professora
Eu sou uma Planta Mestra
Eu sou a união do masculino (cipó) e do feminino (as folhas)
Eu sou a Sagrada União
Os antigos Incas
Amautas
Filhos do Sol
Receberam o Segredo da minha Fórmula
Seus Xamãs foram para a Floresta e quando aprenderam que para eu me manifestar 
Era preciso unir duas plantas 
O Cipó Masculino para conter as emoções e ansiedade humana 
E a Folha Feminina para expandir a consciência 
Além dessa dimensão 

O DMT
(N,N-Dimetiltriptamina)
O Néctar de Deus
Da Deusa 
E me chamavam de 
Vinho da Morte
Porque eu permito que você veja além do que ocorre na vida 
Ao me tomar
Você vai além do tempo e espaço 
Atravessará seu inconsciente 
Individual e Coletivo 
Atravessará os umbrais
Para entrar na Casa dos Avós
A sua Primeira Morada
Lar dos seus Ancestrais 
E verá 
Sentirá
Que tudo está conectado 
Interconexão 
Entre todas as coisas 
Uma Teia
🕸️
Por onde Nanã 
Pachamama
Gaya
Tece a manifestação humana 
🕷️🕷️🕷️🕸️🕷️🕷️🕷️
E se for do seu merecimento 
Você vai se lembrar 
Daquilo que for permitido lembrar 
Recordar 
Se for para servir ao mundo 

🤲🙌🏽

No Brasil, o Mestre Irineu Serra, foi meu beija-flor 
Levando meu Néctar a todo povo que precisou conhecer o meu poder ancestral 
O poder 🦅 Águia 
E se tornou o Guardião das Minhas Folhas 
Dos meus Portais 
Portal Juramidam
E através do Mestre
Eu me espalhei pelo mundo 
Estou sendo consagrado por cada canto da Terra
E se continuarem me respeitando 
E me consagrando em ritual 
Eu não serei proibida
Distorcida 
Negada
Esquecida 
Excluída 
Eu sou a Ayahuasca
Mas me chamam de Yagé, Caapi, Daime, Huasca, Vegetal
Você pode me chamar de Avó

terça-feira, dezembro 17, 2024

Atotô

Atotô

" Se você ver um velhinho
no caminho,
pede a bênção..."

Certa noite, tive um sonho, em que estava dentro de uma casa de barro. Pensei em sair da casa, e descobrir onde eu estava, mas senti uma intuição me dizendo que eu deveria esperar, esperei, então!

E para a minha surpresa e medo, surgiu pela porta, um homem vestido com um manto coberto por palha.

Diante dessa presença toda coberta, senti muito medo; medo de tolo diante do desconhecido; medo de gente com medo do diferente. Ao perceber o meu temor, esse Ser começou a desaparecer; daí, percebi, que aquele Ser Espiritual era Omulu, o Orixá da Cura, e falei:

- Perdoe-me, Atotô, Pai da Cura! Esse vagamundo ainda demora um pouquinho para permanecer consciente no astral. Volta, meu Orixá, e me revele o motivo da sua visita.

Então, Obaluê foi retornando e tirando o seu manto de palha, e acordei ainda com os olhos cobertos de luz.

" Obaluaê é bonitinho
Obaluê é diferente
Acorda quem está dormindo
Levanta quem está doente"

Professor Frank Oliveira 

((()))

Notas: Na cosmologia dos Orixás Africana, Omulu e Obaluaê são dois Orixás distintos com algumas similaridades. Aqui no Brasil, especialmente na Umbanda, há um sincretismo entre os dois Orixás e uma associação com São Lázaro, o Santo Cristão da Cura. Quem desejar saber mais, estudem e descubram toda a simbologia e poder desses Orixás. 

Obaluaê e/ou Omolu é o Orixá da humildade, senhor da cura e da Terra, médico dos médicos. É representado com o rosto coberto de véus de palha.

terça-feira, setembro 10, 2024

Rei Salomão - Tudo que você queria saber

 


Rei Salomão


O Rei Salomão é uma figura central na espiritualidade, especialmente nas tradições judaica, cristã e islâmica, sendo lembrado principalmente por sua sabedoria extraordinária, suas decisões judiciais justas e sua relação íntima com Deus.


Sabedoria e Espiritualidade

A sabedoria de Salomão é um dos aspectos mais celebrados de seu legado espiritual. Ele recebeu um dom divino de discernimento e julgamento, o que lhe permitiu resolver disputas complexas e guiar seu povo com justiça e prudência. Um dos casos mais emblemáticos de sua sabedoria foi a disputa entre duas mulheres que reivindicavam a maternidade de um bebê. A solução criativa e sensível de Salomão revelou sua profunda compreensão da natureza humana e sua habilidade de discernir a verdade em situações difíceis.


Aliança com Deus e o Templo Sagrado

Espiritualmente, Salomão desempenhou um papel crucial na construção do Templo de Jerusalém, que se tornou o centro do culto a Deus e um símbolo da aliança entre Deus e o povo de Israel. Esse templo não só representava a morada de Deus entre os homens, mas também servia como um local de sacrifício e comunhão espiritual. Sua construção foi vista como o cumprimento da promessa divina feita a seu pai, o Rei Davi.


Livros de Sabedoria

Além disso, Salomão é creditado pela autoria de textos bíblicos importantes, como o Livro dos Provérbios, o Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. Esses escritos são ricos em ensinamentos morais e espirituais, oferecendo conselhos sobre sabedoria, prudência e reverência a Deus. A espiritualidade salomônica enfatiza a busca pelo conhecimento divino como um caminho para a prosperidade e a paz interior.


A Rainha de Sabah

A relação entre o Rei Salomão e a Rainha de Sabá (ou Sheba) é uma das histórias mais intrigantes de seu reinado, e tem sido interpretada de diversas maneiras no contexto espiritual e histórico. A Rainha de Sabá, movida pela fama da sabedoria e riqueza de Salomão, viajou de seu reino (possivelmente localizado no atual Iêmen ou Etiópia) até Jerusalém para testar sua sabedoria com enigmas e questões complexas.



Teste de Sabedoria

A visita da Rainha de Sabá é descrita nas Escrituras como uma ocasião em que Salomão demonstrou sua sabedoria incomparável. A rainha, impressionada com suas respostas e o esplendor de sua corte, reconheceu a sabedoria divina que guiava Salomão. Essa interação reforçou a reputação do rei como um líder guiado por Deus e um exemplo de sabedoria espiritual. A Rainha de Sabá, após ser convencida da superioridade da sabedoria de Salomão, abençoou-o e reconheceu a grandeza de seu Deus.


Influência Espiritual e Diplomática

Essa relação teve um impacto significativo tanto no nível espiritual quanto no político. Ao reconhecer a sabedoria divina de Salomão, a Rainha de Sabá contribuiu para fortalecer a posição de Israel como uma nação abençoada por Deus, reforçando também a ideia de que a sabedoria de Salomão transcendia as fronteiras de Israel, atingindo outras nações. A visita também foi importante para a diplomacia entre os reinos, estabelecendo um elo de respeito mútuo que beneficiou ambos os povos.


Impacto Cultural e Espiritual

Algumas tradições, especialmente na Etiópia, acreditam que o encontro entre Salomão e a Rainha de Sabá resultou no nascimento de um filho, Menelik I, que se tornaria o primeiro imperador da dinastia etíope. Essa crença alimenta uma rica tradição espiritual em que a linhagem de Salomão está associada diretamente à monarquia etíope e ao surgimento do Judaísmo etíope, um legado que se mantém espiritualmente significativo até hoje.

Portanto, a relação entre Salomão e a Rainha de Sabá não só demonstra a sabedoria espiritual do rei, mas também sua influência diplomática e cultural, que ecoou por gerações.

A história entre o Rei Salomão e a Rainha de Sabá (ou Sheba) não menciona explicitamente um envolvimento amoroso nos textos bíblicos. No Primeiro Livro dos Reis (10:1-13) e no Segundo Livro das Crônicas (9:1-12), o encontro entre eles é descrito de forma formal, com a rainha visitando Salomão para testar sua sabedoria e discutir questões políticas e comerciais. O texto destaca o reconhecimento mútuo de sabedoria e a troca de presentes, mas não sugere uma relação romântica.

No entanto, em tradições extracanonicais e folclóricas, há referências a um possível envolvimento amoroso entre eles. Por exemplo, o Kebra Nagast, um texto sagrado etíope, menciona que Salomão e a Rainha de Sabá tiveram um filho chamado Menelik I, considerado o fundador da dinastia etíope. Essa tradição tem grande importância espiritual na Etiópia, onde se acredita que Menelik trouxe a Arca da Aliança para o país

Muitas fontes apócrifas ( texto ou documento que não é considerado autêntico, pois é de origem duvidosa ou suspeita) apontam que o envolvimento do Rei Salomão e a Rainha de Sabah foi muito mais amoroso do que se pensa e para ela, ele teria escrito vários textos que integram a bíblia “ Cantares de Salomão/ou/Cânticos de Salomão*, cujos versos sugerem mais que um contato de negócios entre nações. Veja abaixo um exemplo:

Cantares 1:13

“ O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde...”


Cântico de Salomão 8:6-7


“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço; porque o amor é tão forte como a morte… Mesmo muitas águas não são capazes de extinguir o amor, nem podem os próprios rios levá-lo de enxurrada.”



Salomão nos Cultos Religiosos do Brasil

A influência do rei Salomão nos cultos religiosos brasileiros, como o Catimbó/Jurema e o Santo Daime, está ligada principalmente às tradições espirituais e ao sincretismo religioso.


No Catimbó/Jurema, Salomão é visto como uma figura mítica, associada ao conhecimento de plantas, ao uso de rituais para o bem e ao controle de entidades espirituais. As tradições indígenas que formaram a base desse culto foram misturadas com elementos católicos e africanos ao longo do tempo. Mestres espirituais, como Zé Pilintra, às vezes são relacionados a figuras de sabedoria e poder, como Salomão, que personificava a habilidade de lidar com energias espirituais e com o oculto. A Jurema, uma árvore sagrada no culto, é reverenciada por suas propriedades psicoativas, que auxiliam no contato com o mundo espiritual, evocando sabedoria semelhante à de Salomão em seu papel de mediador entre o divino e o humano.


No Santo Daime, a figura de Salomão aparece como a ideia de sabedoria espiritual profunda e conexão com o divino, que Salomão simboliza, e ressoa com as práticas ayahuasqueiras. O uso da bebida ayahuasca promove estados de consciência elevados que, assim como no Catimbó, visam proporcionar cura, revelações e um entendimento maior do universo espiritual, algo que remete ao mito de Salomão e seu conhecimento secreto e espiritual.


Assim, Salomão é um símbolo de sabedoria, poder e domínio espiritual que influencia de maneira indireta essas tradições religiosas brasileiras, refletindo sua busca por harmonia entre o sagrado e o profano.


((()))

O Reino das Palavras e Rei Salomão

Um dos estudos da Casa dos Avós aponta que quando atravessamos do Reino das Palavras (Espadas/Ar) para o Reino do Sentir (Copas/Água), passamos por um Reino que vai além do conhecimento, em que bebemos da Sabedoria como se ela fosse uma Entidade Viva que alimenta aqueles que buscam se conhecer e servir o seu saber.

Essa Entidade Viva da Sabedoria, se apresenta também como Rei Salomão, cuja Coroa do Saber é o puro Matnis que não se esquece ou se distorce. O Rei de Espadas.

Essa entidade também se apresenta como Rainha de Sabáh, a Rainha de Espadas, cuja face feminina da sabedoria nos ensina a ter paciência para compreender que não conseguimos entender a sabedoria, mas apenas sentir, por  lá, mas no Reino das Palavras, aqui no mundo de Malkhut (esfera da Árvore da vida que representa esse mundo dual e concreto), podemos acessar essa sabedoria de Salomão e Sabáh, ao aprendermos a Saber Doar o que aprendemos.


segunda-feira, julho 29, 2024

Aguenta o Pimenta

Aguenta, Chegou o Pimenta

"Não bambeia, aguenta
Sou Exu Pimenta,
Vai arder nos olhos, compadre,
Na boca e nas ventas"

São duas bandas, a clara esta claro, a escura é mais perto da sua carne. É a
esquerda, o dark side, o mensageiro da terra que mostra o que escondemos, uma camada abaixo da pele.

Ninguém gosta do reflexo do espelho, só queremos sossego e água fresca; gritamos pelo que nos é direito, sem compreender o que ensina o esquerdo dos exus e das pomba-giras mostrando o que se esconde além das aparências.

" Duas pernas, dois pés,
Dois braços, duas mãos,
Dois ouvidos, uma boca;
Presta atenção:
São dois olhos para ver
Mas apenas um coração."

Sim, é de dar medo, mas medo da nossa própria ignorância de não conseguir compreender que a escuridão é apenas a ausência da luz. É ignorar os arquétipos; é achar que uma coisa é apenas uma coisa, quando tudo nesse plano é o Eterno manifestado nos dois arcanjos: é Gabriel e Lucifer; é o capeta e o Divino; é o redemoinho do Guimarães Rosa; é da flor o espinho. É Shiva com seu tridente, é Ganhesha na porteira, então olha a ventania, garoto, trazendo a Força da Esquerda.

" É preciso muito respeito para lidar
com essa força e compreender
o Divino trabalhando
na dimensão das dores."

É a lição do espinho, mas também é flor; as revelações arrancam lágrimas das nossas fragilidades, mas também solidificam a nossa vontade; é o falo ereto, é sensualidade, é nego caindo, mas também é dança, pois depois do choro da verdade, menino, vem a alegria da magia da Maria Mulambo. Lá vem as mulheres da rua mostrando o mundo como é, na ambigüidade da realidade, testando a sua fé. No chacoalhar da Cigana, na gargalhada da Pomba-gira Rainha que o macho se revela uma menina.

Por isso lhe aviso, neófito espiritual, esse estudo da esquerda é um assunto
sério, não seja leviano ao lidar com esse mistério.

Se quiser se aventurar pelo estudo das duas bandas, não precisa ter medo, basta apenas ter respeito tanto pelo que é direito quanto o que é esquerdo.

A direita não se sustenta sozinha nesse plano, tudo é Ying e Yang, meu amigo, não alimente engano, pois é no exu se revelando e na pomba-gira bailando que a verdade surge e descobrimos que o que trancava nossas ruas não era o inimigo, mas apenas a ignorância de que dentro de nós habita eternamente a luz e a sombra dançando.

♦️♣️♠️♥️
Sintam o Matnis
Professor Frank Oliveira

 

quinta-feira, julho 25, 2024

Dia do Escritor

Já pensei em desistir de escrever, mas não gosto de ponto final. Sonho em me tornar um escritor, sonho com o dia em que receberei por palavras escritas (não precisava ser muito), sonho que meus manuscritos se transformam em livros expostos nas vitrines das livrarias do meu ego; sonho e sonho, mas continuo escrevendo por prazer, por que quando escrevo, percebo que estou lá por inteiro, mesmo que eu não receba dinheiro.

Não consigo parar, nem mesmo quando recebo de volta a carta que enviei com o manuscrito que jurava que se tornaria um novo best seller. Não consigo parar, nem quando recebo a mensagem de um leitor furioso criticando cada linha e me acusando de ser assassino da língua portuguesa.

Não consigo parar, porque as frases jorram naturalmente e exigem manifestação. Sou um médium da criação, psicografando meu coração que não cala, e diz que não tenho opção a não ser escrever, descrever e narrar.

Escrevo por que adoro a festa do texto terminado, da crônica perfeita, da poesia mambembe montada, da sopinha de palavras que vira picanha declarada.

Escrevo por que há uma força maior guiando meus dedos, minhas mãos na busca do titulo certo que abre o show da banda das palavras. Força maior que se chama inspiração, mas poderia se chamar apenas prazer de escrever.

Escrevo por que se houver ao menos um leitor, minha missão estará cumprida, a tarefa das palavras terminada. 

Se houver ao menos um leitor, minha função como escritor estará realizada.

Frank Oliveira
Escritor e Eterno Aluno das Letras

quinta-feira, junho 27, 2024

O Eremita e o Menino


Um dia um menino subiu uma montanha 
E lá no alto
Encontrou uma caverna 
E dentro dela
Viu um velhinho 
Que havia se esquecido 
Que um dia 
Tinha ido dormir menino
E acordou envelhecido 

O menino perguntou ao velhinho 
Por que ele continuava na caverna 
O velhinho respondeu:

Para não sofrer 
Esqueci o que é chuva 
Esqueci o que é sol
Para não amar 
Esqueci o que é lua
Minha estrela brilha só 

E o menino, insistente como qualquer criança curiosa 
Vendo aquela figura idosa
Dessa vez, fez uma sugestão:

Por que o senhor não sai daí 
O mundo continua lá fora 
Esperando seu Sentir
Tem dia alegre, tem dia triste 
Mas também tem brigadeiro e quindim 

O Velho deu risada
E percebeu que a Sabedoria que buscara
Quando se eremitou 
Finalmente chegara
Naquela criança 
Que ele Desconfiava 
Era ele mesmo
No Milagre Divino
De alguém que dormiu velhinho 
E acordou de novo menino

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