Vou lhes contá uma istora estranhaMas que partiu das minha entranha:
Fico aqui pensano se devo ou não contá?
Mas pensano bem acho até que posso ajudá
A quem assim como eu,
Por teimosia ou rebeldia
Fica qui nem gato: correno atrás do próprio rabo.
Pois é assim que essa cunversa de eu,
comigo mesma acumeça:
Tomei uma beberage sagrada
Feita de uma erva sagrada saída lá
De umas terra do Acre.
Erva que meus ancestral tumava
E que durante o feitio e a fervença
Iam eles fazeno reverença
A Deus, aos bicho bom da floresta,
Ao céu, à lua,à terra,
Clamando assim, o fim das guerra.
E com muito sentimento
Agradeciam ao sol, ao vento
Aos boto e às estrela do firmamento
À grande mãe natureza
Com muita fé e firmeza
E na reverença com lindo canto
Continuava todo o encantamento
E numa atitude de agradecimento,
Louvavam os anjo do céu,
Pedino proteção à São Miguel,
Justiça ao “preto” Ditinho
Força à São Jorge Guerrrero
E o amor de Antonio Casamentero.
São Tomé, só vendo e crendo:As miração na minha mente
Tão real que felizmente
Era tanta luz e cor
Que eu vivi foi com fervor.
Vi luz, vi sombra,
Fui da noite pro dia
Tudo era magia
Era anjo me segurano pela mão
Ritmado pelo som do acordeão.
Fada com flauta encantada
Eu tava era sendo abençoada.
“Falei com os índio da floresta”...
Tudo era eterna festa
Quando de repente anoiteceu
Meu corpo todo estremeceu.
Perdi o rumo de tudo o que era
Festa,dança, pajelança
Uma ordenação tão justa
E pareceu num instante, festa de dia das bruxa.
Vi bicho de tudo que é jeito
Passei a vê todos meus defeito
Eles danado, tudo querendo me assustá
Pulava, rugia, se amostrava
E eu ainda mais apavorava.
Toda beleza de outrora,
Foi embora feito aurora
Rodando como cata-vento
Tudo o que era belo foi sumindo ao relento.
Aqueles bicho tudo sem encanto

Rindo da minha cara de espanto
E numa prova da verdade
Me tiraro da ingenuidade.
Foi quando arresorvi chegá de modo lento
E enquanto eu me aproximava,
Parecia que me desdobrava e vi que
Aquela bicharada esquisita
Saía era do meu próprio ventro.
E sismada, me firmei no poder da beberage
E forçando, cavando corage
Me assuntei com eles:
- Óia só que doidice!
Devo oiá proceis é com meiguice.
Afinal são cria do meu pensamento,
Ou são mais certo que quarqué juramento?
E pulano na minha frente
De um jeito bem perfeito
Tive que encará foi meus defeito:
Vi egoísmo, vi vaidade,
A covardia e a rebeldia
As sisma, as má impressão
O orgulho pra pedir perdão
Era um outro “eu”, que nem assumbração.
Oiavam dentro dos meus zóio
Dizendo assim:
- Foi ocê que nos criô!!!
E eu no disispero gritava em silêncio:
- Socorro meu Deus, Nosso Sinhô!
Faça com esse sacramento, eu me livrá desse tormento!
Deus do céu, e agora?
Eu correno de mim mesma?
Me salva Nossa Senhora!
Louvei à Nosso Sinhô
Pedi benção ao Cristo Redentô
Meio surda, meio muda
Apelei até pro iluminado “Buda”.
Me livra dessa cruz,
Meu sagrado Bom Jesus!!
Foi aí que pensei:
- Se eu corrê, os bicho pega
Se eu botá eles pra corrê, vai que eles vorta?
O jeito é negociá!
E de uma manera bem astuta
Olhei bem pras cara deles e lhes fiz uma bela proposta:
- Vamo fazê um contrato, é a minha sugestão!
Oceis pode até ficá, mas numa condição
Tudo oque eu aprendê na instrução
Passo proceis como lição.
Só tem um jeito da gente aprendê e crescê
É na dô ou no amô
E dô eu num quero mais não!
Então oceis fica bem quietinhos em silenço
Com muito respeito e bom senso
Assim a gente aprende junto
Porque aprende sozinha num é meu assunto!
Pra oceis í embora
Só dispois de certa hora
De aprendê “santas lição”
Pra pode voa sozinho
Com amô no coração.
Contrato feito, os bicho ficaro!
E não pense ocê que eu tava com vertige
Queria mesmo era sabê suas orige.
Mas eles nem se abercebero,
Que eu num gesto bem ligero
Escrevi num canto do documento
Que será por bem poco tempo!
Essa de tomá peia do astral
E os diabinho no maió carnaval
Num é comigo não!
E olhano bem pro firmamento
com muito encantamento
Pedi luz, pedi firmeza
Pra nossa mãe natureza
Pedi força da erva santa
Que a todos espanta e encanta
Pedi pra que com dignidade
Eu assuma a verdade
E consiga com esse aprendizado
Encerrar o meu passado
Cumprir missão nesse mundo
Levando amor, paz e justiça com perseverança
Para aqueles que já perderam a esperança.
E aqui se encerra a peleja espiritualDo dia que bati bem de frente com toda aquela gente estranha,
Que como disse saíram todas das minha entranha.
Agora você que tá lendo isso
Assuma um compromisso:
Sendo forte que nem Maria Bonita
Ou cabra macho que nem Lampião
Assuma bem teus bicho bem de perto
Único jeito de melhorá esse universo
Num tenha medo não!
Elizabete Oliveira – cordel feito após Trabalho de Lua na Portinha do Tatuapé -5/04/2009
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