quinta-feira, janeiro 25, 2024

O Arlequim e Paulo de Tarso



O Arlequim estava plantando Crônicas pelas ruas da cidade naquele feriado e encontrou com Paulo que estava meio perdido ali pelo centro, próximo do Pátio do Colégio. Ele parecia assustado, como se estivesse fugindo dos mendigos da Sé e parecia mais acabado do que quem teve uma overdose de tanto comer yakosoba na Liberdade. 

Paulo pediu ajuda ao nosso Palhaço Cósmico para encontrar dois padres que ele dizia serem os únicos amigos que ele tinha na cidade.

- Você sabe aonde mora o Padre Anchieta e o Padre Nóbrega? - perguntou Paulo, que não tinha celular, nem Google Maps  -ou onde tem algum lugar que eu possa repousar perto daqui?

O Arlequim respondeu que de Padre, ele só conhecia o Lancelotti, mas que havia uns hotéis bons e baratos ali na Consolação, mas que ignorasse aqueles avisos de hotéis da Baixada do Glicério que parecem bons, mas no final, o sujeito acaba enforcado, quando acorda sem carteira e sem documento. O nosso famoso Bufão Sagrado estava temeroso que aquele sujeito meio perdido e confuso, acabasse sendo vítima fácil, ali pelas bandas do Parque Dom Pedro II e avisou também sobre os perigos do "Centrão" e pediu para o caminhante ter cuidado: evite seguir por essa extrema direita que une a Paulista com Faria Lima. Se o viajante seguisse por lá, acabaria preso por estar de alpercatas e sem paletó e tênis de marca.

- Não tenho nada que possam me roubar, nem preconceitos sobre como me visto, podem me atingir. Desde que deixei Éfeso e vim parar nessas bandas de Piratininga, tenho apenas sido, nada mais tenho. Além disso, tenho a proteção de João Ramalho, até o casei com a Índia Bartira. 

O Arlequim fingiu que sabia quem eram aqueles nomes que o viajante falava. E o Andarilho continuou:

- Não foi difícil chegar aqui, todas essas trilhas sagradas estão bem sinalizadas, Tibiriça, pai de Bartira, pediu apenas que eu evitasse a trilha do Peabiru, para eu não acabar nas Terras do Povo do Sol. Mas acho que preciso encontrar um lugar para descansar, apesar de todas essas trilhas sagradas indígenas chegarem aqui, acho que vou levar um tempo até encontrar meus queridos Jesuítas.

- Você quer que eu te leve até algum hotel?

- Obrigado, moço do rosto colorido, mas não me leve a mal, eu me conduzo, não sou conduzido. Esse lugar tem poder, por mais que esteja coberto por todo esse concreto e só estou um pouco perdido, pois os Tupiniquins que encontrei ali, à beira do Rio do Mau Espírito, me disseram que eu encontraria os padres por aqui, nessa colina, próxima de Tamanduateí, mas é tanta gente e tanta casa gigante que quase toca o céu, que mesmo se eu falasse a língua desses homens ou dos anjos, eu não os encontraria. 

O Arlequim então decidiu seguir seu caminho e deixar aquele homem para trás para que ele se encontrasse ou achasse os tais padres, porém, antes, curioso e levando em consideração que aquele homem se vestia com roupas bem antigas, o Arlequim perguntou:

- Moço, posso te fazer uma pergunta, mas não sei se me convém te perguntar isso.

- Claro! Toda pergunta é permitida, todo questionamento nos convém se tiver amor e respeito.

- Em que ano estamos?

- Ora, meu caro, estamos no Ano do Senhor de 1554. 

- Entendi...- disse o Arlequim que tinha mesmo sentido que aquele homem que encontrara, era mais que apenas um homem, mas um símbolo vivo - Boa sorte em sua busca pelos padres. E qual é mesmo a sua graça?

- Tarso, Paulo de Tarso ao seu dispor. E a sua graça?

- Quim, Arle de Quim. Muito prazer e boa sorte.

O Arlequim que já havia encontrado com tanta gente estranha e maravilhosa em sua jornada, não estranhou nadinha, ter encontrado com Paulo de Tarso naquele 25 de janeiro, enquanto seguia para Avenida São João com Ipiranga. E rogou aos espíritos indígenas das tribos que já estavam ali, antes da cidade ser "fundada",  que protegesse aquele nobre cristão dos Bandeirantes, Fernões, Bittencourts e Dutras.

Sintam o Matnis
❤️♠️♣️♦️

sábado, janeiro 20, 2024

O Palhaço e o Caçador

O Arlequim estava cansado de não ser bom em nada e tudo o que conseguiu fazer foi chorar na mata e lá chegando, depois de saudar a sua Jurema e escorregar nas folhas de Osanha, descansou aos pés da Samaúma, e sentiu uma pontada no peito, achou que tinha sido a picada de um mosquito, mas tinha sido a flechada de um Caçador.

O Caçador carregava seu arco e flecha e seu celular (oxi, quem disse que Orixá não pode ter Instagram?), e viu o Palhaço triste, cabisbaixo, lamentando que Pierrot roubou sua Colombina, que Renato Didi Aragão estava fazendo dançinha no Tik Tok e que Trump voltaria. 

O Caçador riu das desgraças do Palhaço, não por escárnio, mas porque o Velho Arlequim estava perdendo a graça de estar na Floresta, aos pés da Mãe da Mata, e quis ajudar a mudar o humor do Palhaço e falou:

- Quer aprender a ser Caçador?

O Arlequim estava naquele estado de reclamar de tudo e se achar nem Oscarito, muito menos Grande Otelo, mas diante do Caçador, ele percebeu que nada já tinha, perder mais o quê? 

- Okê Arô! - respondeu o Arlequim, sem saber ao certo, se deveria dizer "sim" ou "haux haux", talvez tenha sido o efeito da flechada, mas ele foi se animando e decidiu seguir os passos das lições do Professor das Matas que o mostrou a arte do Arco, feito bambu, sempre elástico, flexível sob o calor do sol e o enrrugamento da chuva e do frio. Ensinou sobre as flechas, cada uma delas apontando uma direção aos alvos dos Grandes Valores da Vida Humana, sabores que só nutriam se fossem servidos aos Outros. 

O Arlequim aprendeu a caminhar na floresta sem deixar rastros, sem fazer barulho. Aprendeu sobre as plantas, as ervas e os frutos e todas as lições de quem é um só com a Natureza. E passaram-se muitos anos Aruandeiros, ou talvez só alguns minutos naquele 20 de janeiro, mas depois de muitor treino, o Caçador mostrou ao Arlequim o seu alvo, uma sombra ao longe, que o Caçador apontou como sua caça. 

- Mira no Sentir
Acerta no Amar
Tente entender 
Só se erra
Se você se confundir 
Se acerta 
Sempre no Fazer
Sem tentar... 

O Arlequim então não tentou, fez!
Atirou sua flecha e acertou 
Viu que acertou e correu 
Alguém que chorava encostado a um tronco
Sentado aos pés de uma Grande Samaúma
E para a sua surpresa 
Ele acertara a si mesmo
E o si mesmo acertado 
Olhou e se viu
Pois sentiu 
Que naquele momento 
O Palhaço era o Caçador 
Que se encontrava com o Palhaço triste que lamentava na mata
O Arlequim - Caçador de Si Mesmo

O Palhaço triste aos pés da Mãe da Mata olhou e viu esse Caçador Arlequim com arco e flecha e um celular (oxi, quem disse que Orixá não pode ter Instagram?)... e essa foi a foto que Oxossi... ou foi o Arlequim que publicou?

Oke Arô
Evoé


Frank Oliveira 
🙏🏽

Sintam o Matnis
❤️♠️♣️♦️

Luto



Estou de luto
Não me perguntem quem morreu
Quem cala a minha boca sou eu
Estou mudo
Sei que você gosta de mim
Se quiser me apoiar 
Me apoie com a sua companhia assim
Com seu ombro amigo
Mas em silêncio 

Entendo
Compreenda 
O avião caiu para cima 
A árvore despencou sobre a casa
Estou elaborando a minha perda
Se faz distante a alegria 
Minha dor precisa ganhar tempo sobre a mesa

Não use frase bonitinha 
Não tem efeito 
Não diga que quem se foi
Agora está com 
Jesus
Com os Anjos 
Com Aláh 
Oxalá que estejam 
Mas ninguém sabe 
Engula sua teoria religiosa 
Cheia de boas intenções 
Quem esta de Luto
Tem a alma furiosa 
Tem direito de se fingir de pedra 
De apagar as estrelas do céu 
Pendurar a lua no guarda-roupa
E colocar o sol na máquina de lavar 

Me deixe com o meu véu
Toda dor tem prazo de validade 
Toda dor merece rituais de escape
Para que o corpo
A mente se adapte 

Entenda 
Quando alguém que você se importa 
Perde alguém na vida
Sua companhia é bem vinda 
Mas se sua compaixão é ouro
Seu silêncio é diamante 
Saber que posso contar contigo lá adiante 
É mais precioso 
Que seu burburinho
Cheio de boas intenções 
Em dizer algo que possa 
Acalentar o meu sofrimento 
Nada me fará bem agora
Isso é tudo

Estou dizendo 
Você já sabe 
Perdi alguém 
Luto
Luto nesse momento pela minha sanidade 
Luto para encontrar uma forma de absorver a dor de quem eu perdi 
Cada um lida do seu próprio jeito 
Alguns escrevem textão 
Outros se isolam em suas cavernas 
No efeito do desfeito 
Alguns varrem as matas 
Outros enxugam os oceanos 
O Mestre Tempo
Cura cada um
A sua maneira 
Ninguém é igual 

Diante da Natureza 
Como humanos 
Ainda falhamos 
Ao lidar com os Ciclos da Vida
Morte também faz parte
É parte
Não é fim
A Natureza elimina
A Natureza transforma 
Desse jeito
Dessa forma 
Tudo se equilibra 
Enfim
Mesmo que parece torto 
As relações internas 
Com o que se foi 
Se harmoniza 
E a tristeza vai se transformar em ausência 
Assim que o relógio voltar a correr 
E o som dos pássaros 
Deixar de ser barulho 
Nesse momento 
As cortinas estão fechadas 
Mas o show vai continuar 
Juro
Assim que as lágrimas no chão do palco secarem 
Elas secam 
O Inverno do Luto 
Sempre vira a Luta da Primavera 
Da Vida que continua a florescer 
Além das quimeras 

Até lá 
Se fechar 
Calar 
É uma linguagem 
Quem sofre se comunica assim
Que Omulu, o Orixá do Silêncio 
Reine com a sua Calunga 
Nesse Ritual do Fim
Que Yemanjá com seu Portal do Limpar
Banhe o espírito confuso na carne 
Com a ausência de quem se foi
E o peso de ficar sem
Estou de Luto
Lute por mim em suas preces e carinho
Respeitando o meu jeito
De lutar
Meu Luto

Abro meu guarda-chuva na sala
A tempestade da Morte
Deixou um arco-íris negro no meu rosto
Os tambores estão tocando lentamente 
Que o cortejo cumpra seu papel
Que os mortos sejam enterrados 
Para que os vivos possam cremar seus passados falecidos 
No eterno presente 
Que é aqui Estar 
Com tudo que aqui proporciona 
O Riso
O chorar 

Se estou em Luto
Foi porque amei
E todo Amor vale a Pena
Mesmo que todo Amor
Sempre acabe 
Continua a Alma
Como disse o poeta 
Se ela não for pequena

Esse é o Drama do Luto
A Luta da Trama
Todos vão passar por isso
Rogo que você também 
Tenha forças 
E tenha o direito 
De lidar do seu jeito 
Sem ter ninguém 
Que sua dor
Distorça
E ninguém culpar 
Será a sua Luta
No seu Luto

Quanto a mim
No incerto desses versos 
Calço minhas alpercatas
Para caminhar nesse deserto
Onde minha flor do ficar bem
Vai Renascer 
Quando ela quiser 
Assim Ser
Mas se não quiser 
Está tudo bem, também 

sexta-feira, janeiro 12, 2024

A Linha do Tucum

Tucum 
O Tucunzeiro é uma Árvore muito alto e sabida 
Prima ali da Palmeira 
Cresce mais de 10 metros
Sua fruta é o Tucamã
Concentra o Poderoso Ômega 3
Que combate aquilo que entope o coração 
Sim... esse Tucum ajuda tanto o corpo físico 
Quanto também o Espírito 
Os Indígenas sabem disso

Oke Arô!

Nosso Guia, o Professor que também se veste de Tupã e Nanhederú
Guiando o povo também 
Na arte de trançar Fibras do Tucum na habilidade ancestral mantida até hoje pelas populações tradicionais de transformar essas tranças fibrais em todo tipo de arte...
Existe um saber que é passado por gerações, que envolve desde a coleta das fibras, a lua, até as técnicas de trançado que são muito diversas, e que se tornam chapéus, esteiras, espanadores, cestas de todas a espécie, redes, miniaturas, e todo etc de arte...
E dali, vem também o saber da Mata
E dessa Árvore Sagrada 
Para conduzir esse povo nas linhas mais elaboradas de suas fibras que abre caminho no mundo espiritual.

Sim... quem já viu
Sentiu
Sabe
Matnis

Essa Árvore também tem uma egrégora espiritual 
Chamada de A Linha de Tucum
Onde todas as linhas 
Mesmo as mais adversas
Se unem 
Quando param de disputar 
Um lugar
Pois a Linha Mostra
Não há UM LUGAR
Há apenas O LUGAR
Do Sentir
Aonde Deus e Eu, Você, Ele, Ela, todos nós
Somos apenas UM SÓ
Sem ninguém ficar sem o que também é Seu

Esse lugar 
A linha mostra 
No Sentir 
Não é DesConhecido
Mesmo assim
A gente tem medo
Muito apego a UM LUGAR que você chama de SEU.
Condiciomento e Condiciomento 
Fibras que disputam
Para ser a mais querida 
E se esquecendo 
Que tudo é SÓ UMA FIBRA
A fibra divina do Tucum
De Deus 
Que é SEU
Mas também de todo mundo 

Daí... lá vem mais fibras de Condiciomento 
Tentando manter o que É SÓ SEU
Mas a Linha do Tucum mostra 
Sim, seu lugar é seu
Mas também é de todo mundo 
E por ser de todo mundo 
Não vai MATAR O QUE E SEU

Não!

Mas torná-lo transcendente 
Daí, todas as fortalezas que você construiu para te proteger
Perde a razão 
Pois o TUCUM só se revela em sua essência 
Quando todas as Fibras se UNEM
E param de lutar 
E nisso, vem o trabalho lindo
De nossos Ancestrais
Fiando COM a gente
E nessa COMfiança
Nossas Ancestrais transformam nossas fibras
Em pura arte
Em cores incríveis que o Tucum faz ver e sentir no Astral
E pode ser trazido para aqui e agora...

Se você afastar o Medo do Desconhecido
Vai a fórmula:
1. Separe a fibra do DES
2. E você terá CONHECIDO
Que é outro nome 
Para FAMILIAR

Lugar Seguro onde você pode ser você mesmo sabendo que esse Lugar é de Todo Mundo

Ahhh...
Ahhh...
Ahhh... eu quero só para mim
Bom...
Seu controle para manter tudo só SEU
Por encantamento 
Só se Desfaz
No Fazer
Do Sentir
E construir algo para todos

Matnis
❤️♣️♠️♦️

Sim..a Linda de Tucum 
Revela o Grande Twist
Da sua Arte
Na Vigília e no Astral
No Astral e na Vigília 
Quando você sente que o que é SEU
Também é de TODO MUNDO
Você percebe...
Ninguém pode te roubar 
Ninguém pode te ferir 
Porque não há nada para ser Roubado
Ou tomado
De você 
Porque o que é SEU É DE TODO MUNDO e o que é DE TODO MUNDO é Seu
E esse sentimento 
Nos livra do medo 
De perder algo que 
Sempre será SEU

Matnis
❤️♠️♣️♦️

sábado, janeiro 06, 2024

Lancelotti e o Santo Graal


Cordeiro de Deus que ajudai os Pobres do Mundo
Daí a Lancelotti 
A firmeza de Ogum para continuar seu trabalho de Caridade 
Cordeiro de Deus que alimenta a Gente de Rua 
Daí a Lancelotti 
A tranquilidade de Buda para continuar seu trabalho de humanidade 
Daí a alegria de Krishna para transformar Bolsominions em Gopalas que aprendam a dançar ao redor do Deus do Amor
E compreender que ser Cristão 
Não é moeda de voto
Não é Clube de Tiro 
Daí a Destreza de Maomé para que Lancelotti e seu lindo trabalho, una as Tribos Inimigas 
Em nome da Paz 
Que Lancelotti continue servindo o Santo Graal do seu coração 
E continue cuidando de todo o povo deixado para trás por Noé e sua Arca da Indiferença 
A Cracolândia 
Terra Desolada pelo Dilúvio das Mazelas Sociais 
Inferno da Terra Prometida de Sampa
Tem um anjo 
E esse Anjo é um Cavaleiro da Távora Redonda de Jesus 
Não é Cristão de Extrema-Endireira da Terra Plana do joga o que não quero ver para debaixo do tapete do Capitalismo destrutivo 
Se cada drogado 
Pagasse Dízimo 
Ahhh... aí seria diferente.
Cadê os Malafaias? Cadê os Felicianos?
Cadé os Bispos Universais ?
Ahhh... estão pedindo isenção de impostos ao Governo para as suas igrejas, ao invés de estarem alimentando os pobres e cuidando dos Alagados do Dilúvio da Desigualdade 
Mas Deus guia Lancelotti 
Que retira as Pedras dos Viadutos 
Com sua Marreta de Xangô 
Em nome do Amor
E alimenta com seu Carinho oferenda 
Seu rebanho de oprimidos 
Sinta 
Reze pelo Padre
Oro
Cordeiro de Deus que ilumina os necessitados desse mundo 
Daí ao Padre 
O que é do Padre
Direito de fazer o que é Direito 
Ser Cristão 
Iluminando o coração de quem precisa 
Ungindo com Inspiração Divina  
Quem não entendeu 
Que Jesus faria o mesmo 

Gratidão 
Obrigado 
Valeu, Padre
Saravá

quinta-feira, janeiro 04, 2024

A Visita de Oxalá

A Visita de Oxalá

Oxalá veio me visitar 
Na forma de um Caramujo
Épa, Babá, a mostrar 
Tudo o que eu preciso 
Paciência para avançar 
Ciência no meu caminho 
Paz no coração 
Caramujando, Oxalufã
Me lembrou do velho sábio 
Que já não luta com o amanhã 
Que já não corre atrás do passado
Oxaguiã então me revelou 
Do caracol, o desenho em espiral
Que menino ainda sou
E essa lição atemporal 
Me transformou em Caramujo
Em Caracol
E a paz de Obatalá
Acabou com a minha guerra
Afastou minhas mágoas, minha raiva
*Pois nada bom nasce do ódio* 
Chorando, deixei minhas águas 
Fluir, limpando 
Todas as palavras mal ditas 
Todas as justificativas...

*Não!*
Para curar meu coração 
Não preciso ferir 
Nem agredir 
Pois tão forte quanto o Amor
O ódio tem poder manifestador 
Eu sei 
Eu sinto 
*Matnis*
O ódio 
A Mágoa 
Molda realidades em sua raiva
Mas também é sódio 
Entupindo feito lava 
As correntes sanguíneas da nossa alma

Nada!
*Do ódio, não vem nada*
*Nada vem da raiva*

Foi o que o Caramujo de Oxalá me ensinou 
Seu Caracol me trouxe a sua pombinha da paz 🕊 
Seu Caramujo teve pena, teve dó 🐌 
Da minha revolta que era tão grande quanto o mundo
Revolta de querer que todos fossem como eu
Não são 
Eu sou sei de mim

Sinto 
Oxalá teve pena
Oxalá teve Dó
O poder de meu Babá era Maior
E me banhou com a sua paz
Daí, então 
Oxalá partiu lentamente 
Vestido de Caramujo
Na espiral do Caracol 
E eu fiquei sorrindo
Meio velho 
Meio menino
Em Paz por tão bela visita 

Obrigado, Papai
Épa, Babá
Gratidão, Oxalá
Valeu

🙏🏽

Sintam o Matnis
❤️♣️♠️♦️

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