quarta-feira, dezembro 03, 2025

Reino Matnis


Existe um lugar em que certas palavras em certos tons nos permitem acessar algo que sempre nos esperou no Sempre Tempo.

E esses sons, Palavrinhas Bonitas com sons mantricos são captadas pelo nosso Sentir como espadas de ar que se entranham na gente de tal forma que abrem janelas do Sentir, e da alma, algo surge no corpo, que nunca se manifestou aqui antes, pois esperava  ser visto e sentido e comunicado por você.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir


Uma vez, comunicadas

Pela poesia da Espada bem afiada, essas palavras avançam no ouvido do outro, edificando uma união de sentidos que provocam o entendimento do suspiro que ouvimos algo bom que edificou um outro sentir.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir


E quando ocorre esse união tantrica do comunicar 

Entendemos finalmente que o Sagrado só pode ser traduzido pelo Sentir da Arte que se faz no outro, o habitar.

Esse sentir é tesouro, pois permite que o outro não só retenha esse ouro, mas passe novamente esse som adiante, criando assim uma corrente que embora não se explique o que é dito, no Sentir, surge o sentido que buscávamos até então.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir


Sim, existe esse lugar onde essas palavras são encontradas e essas Espadas estão enficadas, nos esperando tirá-las de lá, para que uma vez essa Espada manuseada, palavra bonita possa ser usada para construir novos caminhos e saberes, sem destruir or destituir esse Saber do Sentir que só o Tantra da Palavra pode acessar.


Existe um lugar oculto e sagrado  

Onde palavras, em tons bem ritmados,  

Nos permitem acessar o eterno tempo,  

Aguardando por nós no firmamento.


Essas palavras, com sons encantados,  

Como espadas de ar são lançadas,  

Entram em nós com sutileza e graça,  

Abrindo janelas onde a alma passa.

Aprendam o Segredo da Serpente Encantada.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir

Bem vindos aos Reinos, Aprendiz

Sintam o Matinis


E no corpo, algo novo desperta,  

Que antes estava em alma coberta,  

Esperando ser visto e sentido,  

Por você, que o torna ouvido.


Ao serem ditas, com precisão talhada,  

Pela espada da poesia bem afiada,  

Elas avançam e se unem ao ouvido,  

Provocando no outro um novo sentido.


Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir

Bem vindos aos Reinos, Aprendiz

Sintam o Matinis


Nessa união tântrica, o sagrado brilha,  

E a arte no outro se enlaça e trilha,  

O sentir é tesouro, em corrente fluente,  

Que passa adiante o som persistente.


Sem precisar explicar o que foi dito,  

No sentir surge o sentido bendito,  

Buscado por nós, em tantas jornadas,  

Nas palavras e espadas encravadas.


E sim, há esse lugar escondido,  

Onde as palavras estão sempre fluindo,  

E as espadas aguardam, prontas a sair,  

Para novos saberes e caminhos abrir.



Espada pra Falar

Copas para Sentir

Paus para Edificar 

Ouros para Servir

Bem vindos aos Reinos, Aprendiz

Sintam o Matinis

Noite Escura da Alma do Professor



Na noite escura da alma

O professô atravessou

Ainda ouvindo ecos do desamor

O professô mergulhou


E mesmo na escuridão

Ele sabia que tinha que aprender

Para ensinar com o coração

Para ensinar os outros 

A não, os mesmos erros cometer



Ele fez da escuridão 

Um quadro negro, uma tela a ser pintada

E das experiências, um giz

Escrevendo e desenhando a lição

Do aprendiz em sua jornada

Que sempre segue os passos 

Da Serpente Encantada

Em busca do seu Matnis


Ele então, percebeu 

Que a luz que precisava

Estava em seu bolso

Uma vela e o fósforo

E acendeu a sua luz

Iluminando toda a caverna

e na caverna, estava desenhado

Nas paredes, riscos encantados

Que lhe contavam a história

Que ele havia esquecido

Que aqueles desenhos

Era quando ele tinha antes caído 

E pintou as memórias para quando 

Ele ali retornasse


Ele se viu e sentiu

Que se a queda é inevitável

A lição é valiosa

Quando se compartilha

Não só os acertos

Mas também os erros

Para ensinar os outros

Que tudo na vida é acerto


Ele fez da escuridão 

Um quadro negro, uma tela a ser pintada

E das experiências, um giz

Escrevendo e desenhando a lição

Do aprendiz em sua jornada

Que sempre segue os passos 

Da Serpente Encantada

Em busca do seu Matnis


O professô sabia que ao se iluminar

Também iluminava quem veio antes

E quem viria depois

Ele sabia que cair não é tragédia

Uma experiência só é perdida

Quando não é vivida

E compartilhada


Por isso, mesmo sabendo que cairia

Novamente 

Ele apenas ensinou o que sentia

Naturalmente


Ele fez da escuridão 

Um quadro negro, uma tela a ser pintada

E das experiências, um giz

Escrevendo e desenhando a lição

Do aprendiz em sua jornada

Que sempre segue os passos 

Da Serpente Encantada

Em busca do seu Matnis



As Personas que o Universo Veste

 


O Universo, desde o primeiro sopro, é um grande artista em expansão. Cada galáxia é um gesto, cada estrela é um reflexo, cada planeta é uma máscara luminosa que Ele cria para experimentar novas formas de existir. O Caibalion diz: “O Todo é Mente; o Universo é mental” — e, se tudo é mente, então o cosmos é também um vasto laboratório de personas, máscaras cósmicas que o infinito usa para se reconhecer em reflexos infinitos.

Jung dizia que a persona é o rosto que oferecemos ao mundo, a máscara que nos permite participar do teatro da vida. Não é mentira, é função. Não é fraqueza, é adaptação. Uma ponte entre o Self profundo e o palco do cotidiano. Assim como uma estrela precisa de atmosfera para brilhar sem se apagar, a psique precisa de uma persona para circular entre mundos.

Mas no Caibalion encontramos outra lei que costura essa visão: a Lei da Vibração. Nada está parado; tudo vibra, pulsa, se move. O Universo se expande porque vibra. A psique se transforma porque vibra. E cada nova vibração pede uma nova forma, um novo nome, um novo modo de mostrar-se — como se cada fase da nossa vida exigisse uma estrela, uma galáxia, um traje cósmico diferente.

E assim percebemos que criar personas não é falsidade — é evolução.
É a dança da Lei da Correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo.”

Se o Universo cria novas estruturas para expressar sua expansão, nós criamos novas personas para expressar nossas novas vibrações internas.

Quando amadurecemos, a persona antiga fica estreita, como um planeta pequeno demais para um espírito que cresceu. E então precisamos abrir espaço, expandir nossas bordas, redefinir nossos contornos. A psique cresce como cresce um sistema solar — órbitas se reorganizam, asteroides se dispersam, novos sóis nascem dentro de nós.

A Lei da Polaridade nos lembra: tudo contém dois polos, e entre eles há uma infinidade de graus. Assim também acontece com nossas máscaras. Há personas que nascem da luz — funções sociais, dons, papéis que expressam nosso brilho. Outras nascem da sombra — defesas, proteções, pactos antigos com o medo. Mas, como ensina o Caibalion, polos não são inimigos, são extremos de uma mesma escala. A persona não é algo a ser destruído, mas transmutado. Refinado. Elevado.

A expansão do Universo é a expansão do Ser.
A criação de galáxias é a criação de possibilidades.
A criação de personas é a criação de caminhos.

Jung chamava de Individuação o processo de unir todas essas máscaras em direção ao Self — o centro luminoso, o sol interno que mantém nossa constelação psíquica coesa. No Caibalion, essa jornada ecoa na Lei do Ritmo: avançamos e recuamos, criamos e desfazemos, expandimos e contraímos. E, nesse pulsar, lapidamos a persona até que ela deixe de ser um muro e se torne uma janela clara para o Self.

No fundo, tanto Jung quanto os hermetistas dizem a mesma coisa com linguagens diferentes:

Somos seres em expansão.
Somos consciências que se criam enquanto se descobrem.
Somos universos usando máscaras para aprender a brilhar.

A persona não é o que nos limita —
é o que nos permite existir enquanto a alma aprende a atravessar dimensões.

Assim como o Universo, nunca estamos prontos.
Estamos sempre nos expandindo para caber em quem estamos nos tornando.
E cada nova persona é apenas mais uma galáxia nascendo dentro de nós.


quinta-feira, setembro 25, 2025

Yagé

Eu sou uma Professora
Eu sou uma Planta Mestra
Eu sou a união do masculino (cipó) e do feminino (as folhas)
Eu sou a Sagrada União
Os antigos Incas
Amautas
Filhos do Sol
Receberam o Segredo da minha Fórmula
Seus Xamãs foram para a Floresta e quando aprenderam que para eu me manifestar 
Era preciso unir duas plantas 
O Cipó Masculino para conter as emoções e ansiedade humana 
E a Folha Feminina para expandir a consciência 
Além dessa dimensão 

O DMT
(N,N-Dimetiltriptamina)
O Néctar de Deus
Da Deusa 
E me chamavam de 
Vinho da Morte
Porque eu permito que você veja além do que ocorre na vida 
Ao me tomar
Você vai além do tempo e espaço 
Atravessará seu inconsciente 
Individual e Coletivo 
Atravessará os umbrais
Para entrar na Casa dos Avós
A sua Primeira Morada
Lar dos seus Ancestrais 
E verá 
Sentirá
Que tudo está conectado 
Interconexão 
Entre todas as coisas 
Uma Teia
🕸️
Por onde Nanã 
Pachamama
Gaya
Tece a manifestação humana 
🕷️🕷️🕷️🕸️🕷️🕷️🕷️
E se for do seu merecimento 
Você vai se lembrar 
Daquilo que for permitido lembrar 
Recordar 
Se for para servir ao mundo 

🤲🙌🏽

No Brasil, o Mestre Irineu Serra, foi meu beija-flor 
Levando meu Néctar a todo povo que precisou conhecer o meu poder ancestral 
O poder 🦅 Águia 
E se tornou o Guardião das Minhas Folhas 
Dos meus Portais 
Portal Juramidam
E através do Mestre
Eu me espalhei pelo mundo 
Estou sendo consagrado por cada canto da Terra
E se continuarem me respeitando 
E me consagrando em ritual 
Eu não serei proibida
Distorcida 
Negada
Esquecida 
Excluída 
Eu sou a Ayahuasca
Mas me chamam de Yagé, Caapi, Daime, Huasca, Vegetal
Você pode me chamar de Avó

terça-feira, dezembro 17, 2024

Atotô

Atotô

" Se você ver um velhinho
no caminho,
pede a bênção..."

Certa noite, tive um sonho, em que estava dentro de uma casa de barro. Pensei em sair da casa, e descobrir onde eu estava, mas senti uma intuição me dizendo que eu deveria esperar, esperei, então!

E para a minha surpresa e medo, surgiu pela porta, um homem vestido com um manto coberto por palha.

Diante dessa presença toda coberta, senti muito medo; medo de tolo diante do desconhecido; medo de gente com medo do diferente. Ao perceber o meu temor, esse Ser começou a desaparecer; daí, percebi, que aquele Ser Espiritual era Omulu, o Orixá da Cura, e falei:

- Perdoe-me, Atotô, Pai da Cura! Esse vagamundo ainda demora um pouquinho para permanecer consciente no astral. Volta, meu Orixá, e me revele o motivo da sua visita.

Então, Obaluê foi retornando e tirando o seu manto de palha, e acordei ainda com os olhos cobertos de luz.

" Obaluaê é bonitinho
Obaluê é diferente
Acorda quem está dormindo
Levanta quem está doente"

Professor Frank Oliveira 

((()))

Notas: Na cosmologia dos Orixás Africana, Omulu e Obaluaê são dois Orixás distintos com algumas similaridades. Aqui no Brasil, especialmente na Umbanda, há um sincretismo entre os dois Orixás e uma associação com São Lázaro, o Santo Cristão da Cura. Quem desejar saber mais, estudem e descubram toda a simbologia e poder desses Orixás. 

Obaluaê e/ou Omolu é o Orixá da humildade, senhor da cura e da Terra, médico dos médicos. É representado com o rosto coberto de véus de palha.

terça-feira, setembro 10, 2024

Rei Salomão - Tudo que você queria saber

 


Rei Salomão


O Rei Salomão é uma figura central na espiritualidade, especialmente nas tradições judaica, cristã e islâmica, sendo lembrado principalmente por sua sabedoria extraordinária, suas decisões judiciais justas e sua relação íntima com Deus.


Sabedoria e Espiritualidade

A sabedoria de Salomão é um dos aspectos mais celebrados de seu legado espiritual. Ele recebeu um dom divino de discernimento e julgamento, o que lhe permitiu resolver disputas complexas e guiar seu povo com justiça e prudência. Um dos casos mais emblemáticos de sua sabedoria foi a disputa entre duas mulheres que reivindicavam a maternidade de um bebê. A solução criativa e sensível de Salomão revelou sua profunda compreensão da natureza humana e sua habilidade de discernir a verdade em situações difíceis.


Aliança com Deus e o Templo Sagrado

Espiritualmente, Salomão desempenhou um papel crucial na construção do Templo de Jerusalém, que se tornou o centro do culto a Deus e um símbolo da aliança entre Deus e o povo de Israel. Esse templo não só representava a morada de Deus entre os homens, mas também servia como um local de sacrifício e comunhão espiritual. Sua construção foi vista como o cumprimento da promessa divina feita a seu pai, o Rei Davi.


Livros de Sabedoria

Além disso, Salomão é creditado pela autoria de textos bíblicos importantes, como o Livro dos Provérbios, o Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. Esses escritos são ricos em ensinamentos morais e espirituais, oferecendo conselhos sobre sabedoria, prudência e reverência a Deus. A espiritualidade salomônica enfatiza a busca pelo conhecimento divino como um caminho para a prosperidade e a paz interior.


A Rainha de Sabah

A relação entre o Rei Salomão e a Rainha de Sabá (ou Sheba) é uma das histórias mais intrigantes de seu reinado, e tem sido interpretada de diversas maneiras no contexto espiritual e histórico. A Rainha de Sabá, movida pela fama da sabedoria e riqueza de Salomão, viajou de seu reino (possivelmente localizado no atual Iêmen ou Etiópia) até Jerusalém para testar sua sabedoria com enigmas e questões complexas.



Teste de Sabedoria

A visita da Rainha de Sabá é descrita nas Escrituras como uma ocasião em que Salomão demonstrou sua sabedoria incomparável. A rainha, impressionada com suas respostas e o esplendor de sua corte, reconheceu a sabedoria divina que guiava Salomão. Essa interação reforçou a reputação do rei como um líder guiado por Deus e um exemplo de sabedoria espiritual. A Rainha de Sabá, após ser convencida da superioridade da sabedoria de Salomão, abençoou-o e reconheceu a grandeza de seu Deus.


Influência Espiritual e Diplomática

Essa relação teve um impacto significativo tanto no nível espiritual quanto no político. Ao reconhecer a sabedoria divina de Salomão, a Rainha de Sabá contribuiu para fortalecer a posição de Israel como uma nação abençoada por Deus, reforçando também a ideia de que a sabedoria de Salomão transcendia as fronteiras de Israel, atingindo outras nações. A visita também foi importante para a diplomacia entre os reinos, estabelecendo um elo de respeito mútuo que beneficiou ambos os povos.


Impacto Cultural e Espiritual

Algumas tradições, especialmente na Etiópia, acreditam que o encontro entre Salomão e a Rainha de Sabá resultou no nascimento de um filho, Menelik I, que se tornaria o primeiro imperador da dinastia etíope. Essa crença alimenta uma rica tradição espiritual em que a linhagem de Salomão está associada diretamente à monarquia etíope e ao surgimento do Judaísmo etíope, um legado que se mantém espiritualmente significativo até hoje.

Portanto, a relação entre Salomão e a Rainha de Sabá não só demonstra a sabedoria espiritual do rei, mas também sua influência diplomática e cultural, que ecoou por gerações.

A história entre o Rei Salomão e a Rainha de Sabá (ou Sheba) não menciona explicitamente um envolvimento amoroso nos textos bíblicos. No Primeiro Livro dos Reis (10:1-13) e no Segundo Livro das Crônicas (9:1-12), o encontro entre eles é descrito de forma formal, com a rainha visitando Salomão para testar sua sabedoria e discutir questões políticas e comerciais. O texto destaca o reconhecimento mútuo de sabedoria e a troca de presentes, mas não sugere uma relação romântica.

No entanto, em tradições extracanonicais e folclóricas, há referências a um possível envolvimento amoroso entre eles. Por exemplo, o Kebra Nagast, um texto sagrado etíope, menciona que Salomão e a Rainha de Sabá tiveram um filho chamado Menelik I, considerado o fundador da dinastia etíope. Essa tradição tem grande importância espiritual na Etiópia, onde se acredita que Menelik trouxe a Arca da Aliança para o país

Muitas fontes apócrifas ( texto ou documento que não é considerado autêntico, pois é de origem duvidosa ou suspeita) apontam que o envolvimento do Rei Salomão e a Rainha de Sabah foi muito mais amoroso do que se pensa e para ela, ele teria escrito vários textos que integram a bíblia “ Cantares de Salomão/ou/Cânticos de Salomão*, cujos versos sugerem mais que um contato de negócios entre nações. Veja abaixo um exemplo:

Cantares 1:13

“ O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde...”


Cântico de Salomão 8:6-7


“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço; porque o amor é tão forte como a morte… Mesmo muitas águas não são capazes de extinguir o amor, nem podem os próprios rios levá-lo de enxurrada.”



Salomão nos Cultos Religiosos do Brasil

A influência do rei Salomão nos cultos religiosos brasileiros, como o Catimbó/Jurema e o Santo Daime, está ligada principalmente às tradições espirituais e ao sincretismo religioso.


No Catimbó/Jurema, Salomão é visto como uma figura mítica, associada ao conhecimento de plantas, ao uso de rituais para o bem e ao controle de entidades espirituais. As tradições indígenas que formaram a base desse culto foram misturadas com elementos católicos e africanos ao longo do tempo. Mestres espirituais, como Zé Pilintra, às vezes são relacionados a figuras de sabedoria e poder, como Salomão, que personificava a habilidade de lidar com energias espirituais e com o oculto. A Jurema, uma árvore sagrada no culto, é reverenciada por suas propriedades psicoativas, que auxiliam no contato com o mundo espiritual, evocando sabedoria semelhante à de Salomão em seu papel de mediador entre o divino e o humano.


No Santo Daime, a figura de Salomão aparece como a ideia de sabedoria espiritual profunda e conexão com o divino, que Salomão simboliza, e ressoa com as práticas ayahuasqueiras. O uso da bebida ayahuasca promove estados de consciência elevados que, assim como no Catimbó, visam proporcionar cura, revelações e um entendimento maior do universo espiritual, algo que remete ao mito de Salomão e seu conhecimento secreto e espiritual.


Assim, Salomão é um símbolo de sabedoria, poder e domínio espiritual que influencia de maneira indireta essas tradições religiosas brasileiras, refletindo sua busca por harmonia entre o sagrado e o profano.


((()))

O Reino das Palavras e Rei Salomão

Um dos estudos da Casa dos Avós aponta que quando atravessamos do Reino das Palavras (Espadas/Ar) para o Reino do Sentir (Copas/Água), passamos por um Reino que vai além do conhecimento, em que bebemos da Sabedoria como se ela fosse uma Entidade Viva que alimenta aqueles que buscam se conhecer e servir o seu saber.

Essa Entidade Viva da Sabedoria, se apresenta também como Rei Salomão, cuja Coroa do Saber é o puro Matnis que não se esquece ou se distorce. O Rei de Espadas.

Essa entidade também se apresenta como Rainha de Sabáh, a Rainha de Espadas, cuja face feminina da sabedoria nos ensina a ter paciência para compreender que não conseguimos entender a sabedoria, mas apenas sentir, por  lá, mas no Reino das Palavras, aqui no mundo de Malkhut (esfera da Árvore da vida que representa esse mundo dual e concreto), podemos acessar essa sabedoria de Salomão e Sabáh, ao aprendermos a Saber Doar o que aprendemos.


segunda-feira, julho 29, 2024

Aguenta o Pimenta

Aguenta, Chegou o Pimenta

"Não bambeia, aguenta
Sou Exu Pimenta,
Vai arder nos olhos, compadre,
Na boca e nas ventas"

São duas bandas, a clara esta claro, a escura é mais perto da sua carne. É a
esquerda, o dark side, o mensageiro da terra que mostra o que escondemos, uma camada abaixo da pele.

Ninguém gosta do reflexo do espelho, só queremos sossego e água fresca; gritamos pelo que nos é direito, sem compreender o que ensina o esquerdo dos exus e das pomba-giras mostrando o que se esconde além das aparências.

" Duas pernas, dois pés,
Dois braços, duas mãos,
Dois ouvidos, uma boca;
Presta atenção:
São dois olhos para ver
Mas apenas um coração."

Sim, é de dar medo, mas medo da nossa própria ignorância de não conseguir compreender que a escuridão é apenas a ausência da luz. É ignorar os arquétipos; é achar que uma coisa é apenas uma coisa, quando tudo nesse plano é o Eterno manifestado nos dois arcanjos: é Gabriel e Lucifer; é o capeta e o Divino; é o redemoinho do Guimarães Rosa; é da flor o espinho. É Shiva com seu tridente, é Ganhesha na porteira, então olha a ventania, garoto, trazendo a Força da Esquerda.

" É preciso muito respeito para lidar
com essa força e compreender
o Divino trabalhando
na dimensão das dores."

É a lição do espinho, mas também é flor; as revelações arrancam lágrimas das nossas fragilidades, mas também solidificam a nossa vontade; é o falo ereto, é sensualidade, é nego caindo, mas também é dança, pois depois do choro da verdade, menino, vem a alegria da magia da Maria Mulambo. Lá vem as mulheres da rua mostrando o mundo como é, na ambigüidade da realidade, testando a sua fé. No chacoalhar da Cigana, na gargalhada da Pomba-gira Rainha que o macho se revela uma menina.

Por isso lhe aviso, neófito espiritual, esse estudo da esquerda é um assunto
sério, não seja leviano ao lidar com esse mistério.

Se quiser se aventurar pelo estudo das duas bandas, não precisa ter medo, basta apenas ter respeito tanto pelo que é direito quanto o que é esquerdo.

A direita não se sustenta sozinha nesse plano, tudo é Ying e Yang, meu amigo, não alimente engano, pois é no exu se revelando e na pomba-gira bailando que a verdade surge e descobrimos que o que trancava nossas ruas não era o inimigo, mas apenas a ignorância de que dentro de nós habita eternamente a luz e a sombra dançando.

♦️♣️♠️♥️
Sintam o Matnis
Professor Frank Oliveira

 

quinta-feira, julho 25, 2024

Dia do Escritor

Já pensei em desistir de escrever, mas não gosto de ponto final. Sonho em me tornar um escritor, sonho com o dia em que receberei por palavras escritas (não precisava ser muito), sonho que meus manuscritos se transformam em livros expostos nas vitrines das livrarias do meu ego; sonho e sonho, mas continuo escrevendo por prazer, por que quando escrevo, percebo que estou lá por inteiro, mesmo que eu não receba dinheiro.

Não consigo parar, nem mesmo quando recebo de volta a carta que enviei com o manuscrito que jurava que se tornaria um novo best seller. Não consigo parar, nem quando recebo a mensagem de um leitor furioso criticando cada linha e me acusando de ser assassino da língua portuguesa.

Não consigo parar, porque as frases jorram naturalmente e exigem manifestação. Sou um médium da criação, psicografando meu coração que não cala, e diz que não tenho opção a não ser escrever, descrever e narrar.

Escrevo por que adoro a festa do texto terminado, da crônica perfeita, da poesia mambembe montada, da sopinha de palavras que vira picanha declarada.

Escrevo por que há uma força maior guiando meus dedos, minhas mãos na busca do titulo certo que abre o show da banda das palavras. Força maior que se chama inspiração, mas poderia se chamar apenas prazer de escrever.

Escrevo por que se houver ao menos um leitor, minha missão estará cumprida, a tarefa das palavras terminada. 

Se houver ao menos um leitor, minha função como escritor estará realizada.

Frank Oliveira
Escritor e Eterno Aluno das Letras

quinta-feira, junho 27, 2024

O Eremita e o Menino


Um dia um menino subiu uma montanha 
E lá no alto
Encontrou uma caverna 
E dentro dela
Viu um velhinho 
Que havia se esquecido 
Que um dia 
Tinha ido dormir menino
E acordou envelhecido 

O menino perguntou ao velhinho 
Por que ele continuava na caverna 
O velhinho respondeu:

Para não sofrer 
Esqueci o que é chuva 
Esqueci o que é sol
Para não amar 
Esqueci o que é lua
Minha estrela brilha só 

E o menino, insistente como qualquer criança curiosa 
Vendo aquela figura idosa
Dessa vez, fez uma sugestão:

Por que o senhor não sai daí 
O mundo continua lá fora 
Esperando seu Sentir
Tem dia alegre, tem dia triste 
Mas também tem brigadeiro e quindim 

O Velho deu risada
E percebeu que a Sabedoria que buscara
Quando se eremitou 
Finalmente chegara
Naquela criança 
Que ele Desconfiava 
Era ele mesmo
No Milagre Divino
De alguém que dormiu velhinho 
E acordou de novo menino

quinta-feira, junho 06, 2024

O Segredo da Criação


_*Brahma*_
Construir é um processo de amor
Não se pode ter pressa
Uma flor não desabrocha antes do tempo
Criação não é apenas o nascimento de uma ideia
Uma inspiração
Fazer o jardim e plantar as sementes
Ou a entrega
Um jardim florido com rosas e flores sendo oferecidas para as abelhas néctarem
Criação é gestar (Parvati/Saraswati)
A Gestação é um processo solitário 
Mas essencial para honrar a inspiração
E a entrega
A Gestação é organização
Repetição
Devagar, mas constante
Para que a criação tenha força para se manifestar
Se nutrir
Se fortalecer para Servir


_*Shiva*_
Quem cria flerta perigosamente com a destruição
A falta de paciência
O desejo de um resultado prematuro
Leva a destruição da criação que está sendo gestada 
O planejamento precisa ter um objetivo: o Servir
A administração precisa ter um valor: a prosperidade para quem recebe e quem serve
Mas, muitas vezes, por não termos amor a gestação (que é solitária, confusa, estressante e demanda tanto de nós), a criação corre o risco de ser destruída, boicotada, sabotada e interrompida, por pularmos etapas
Quem cria, precisa sentir que esse flerte com a destruição é natural (Mata Kali, Jay Durga), mas pouco a pouco, ressignificar essa força e compreender que ela, na verdade, não é destruição, e sim transformação; pois é justamente nessa fase de gestação que tudo se transforma, se corrige e se ajusta para o parto. E o parto da flor é crescer fortemente seu tronco para dar de conta da delicadeza de suas pétalas. E essa gestação só se sustenta pelo amor.


_*Vishnhu*_
É o amor pelo nosso projeto, pelo nosso jardim, que permite a manifestação da criação e se essa tríade seguir naturalmente todas as suas fases, o que temos para oferecer ao mundo coincidirá com o que o mundo deseja receber, ou seja, as abelhas estão esperando por sua flor, por sua rosa, pelo seu Servir. Porém, as abelhas, assim como a Musa da Prosperidade (Lakshimi) são caprichosas e exigentes, elas não visitam qualquer jardim ou recebem de qualquer mão – o perfume, a vibração e reverberação de quem cria com amor, exala pelo ar, a fragrância da sincronicidade. Sem esse aroma, atraímos para a nossa arte, quem não sabe dar o devido valor que ela merece que é a sua prosperidade.

*Om*
🕉️

quinta-feira, maio 30, 2024

Corpus Christi Vida


Pão e Água 
Corpo e Sangue 
Corpo Amor
Sangue Vida
Pão Força Celestial
Que alimenta a Alma
Sangue Água 
Que faz viver a Vida
Corpus Christi 
Sintam
Matnis
O Milagre do Corpo de Jesus
A Benção do Sangue de Maria
Salve o Amor
Viva a Terra
Sintam
Deixem seus ouvidos
Sentirem
Os sons das palavras: Paz, Alegria e Saúde
Paz
Alegria
Saúde 
Esse é o Corpo Crístico 
Do Senhor 
Da Senhora 
No mais puro
Amor 
Em Fé
Em Entrega
A cada um de vocês 
No Seu Sentir
Matnis
🙏🏽

sábado, maio 11, 2024

Caramelo


- Mas é só um cavalo...
 
- Não, senhor. É um cavalo equilibrando-se no espaço mínimo de uma cumeeira, para não morrer. É um cavalo que lutará até o último fôlego antes de se curvar às águas. É um cavalo que ainda espera um pouco de pasto. 

Veja os cascos dele, os músculos tesos, a cauda pensa – tudo imobilizado para poder viver. Sinta a energia guardada dentro dele. Quase se vê nela sua lembrança e esperança de um campo. 

Veja sua imagem multiplicada pela cidade, pelo país, pelo mundo.
E veja, mas veja mesmo, que o salvaram, que o sedaram, que o protegeram no embarque, que o deitaram no bote, que o levaram dali, que o reanimaram no seco, que o afagaram e o alimentaram. 

Essas imagens todas pairaram acima das águas e dos maus sentimentos, imagens de um cavalo salvo, vejam só, pela dedicação humana. Nosso reino salvo, naquele instante, por um cavalo. 
Para ser tão especial, ele só teve que ser um cavalo querendo viver, resistindo em sua própria barca às penas do dilúvio. E segue agora tendo o nome doce que alguém lhe deu, um nome a que deve atender, quando o chamem: Caramelo.

Por Alcides Villaça

quinta-feira, maio 09, 2024

Marinheiros

Rio Grande do Sul, tragédia anunciada. Nosso povo gaúcho precisando de ajuda, resgate, auxílio, carinho e amor para lidar com o seu nada. O país inteiro se mobiliza - em MASSA. Não é problema deles, é nosso problema. Somos só uma nação. Entenda! Dos Grandes aos Pequenos, dos que tem grana e os que mesmo sem grana, puxam campanhas, dinheiro, comida, roupa, ração, brinquedo... até brinquedo...sem medo, sem apontar dedos... fazendo direito! Báh, Oxente, Olha Só, Uai, trilegal!!!

- "Isso aconteceu porque eles tem muitos terreiros de macumba!" - grita a influencer com milhões de likes.LAROYÊ!🔱 

Enquanto isso...

Marinheiros no astral, com seus barcos espirituais, velando, reverberando sua marujada.

Em seus barcos, os Marinheiros trazem os Grandes Orixás, Nanã removendo o barro, Omulu e Yemanjá com seus portais, Oxum enxugando o rio com seu vestido, Xangô removendo pedras, Ogum trazendo coragem, Oxossi e Ossanha com suas medicinas e Oxalá emanando tranquilidade. 

- "Vejam... eu estou ajudando aqui com meus helicópteros e yates da Swat. Votem em mim!!!!" - diz um pseudo-politico num palanque de coach improvisado no meio da tragédia...LAROYÊ!🔱  

Enquanto isso...

Marujada trazendo em suas embarcações, Nossa Senhora que intercede pelas almas benditas - Adorei as Almas - e Jesus Cristo, trazendo conforto aos corações, São José, Maria, Amém! Eles falam "Cristãnês", o povo sente...Matnis!

- Eu não sabia de nada sobre as comportas do Rio Guaíba. Eu fui o último a saber... - se defende o prefeito do Porto Triste. LAROYÊ!🔱 

Enquanto isso...

Marinhada, trazendo em suas embarcações, o alforje aceso de Alá (Akbar) e o Maná do Yaveh, Deus Judeu, unindo o povo do Meio Oriente em suas vibrações para o Povo Gaúcho nos astrais e simbologias da vida que também vibra pedindo ajuda em outros planos.

Macumbeiros, Curandeiros, Rezadores, Tupã, Devas, Shiva, Jáh Buda, Kwan in, todo a Tribo da Cura espiritual em movimento. Amém, Shalom, Axé, Haux Haux!!! 

Uma só Nação, na Terra e no Astral, para auxiliar, ajudar, fazer a parte humana e espiritual nessa tragédia para que a água abaixe e a terra, o chão, os terreiros voltem a ser seguros para que as crianças possam brincar de Grêmio X Internacional novamente com suas bolas e brinquedos enviados pelos Erês, Curumins que vem doar alegria e esperança com seu Axé Macumbeiro e suas cartinhas:

" Olá, meu nome é Maria Eduarda, tenho 10 anos e moro no Mato Grosso. Quando ouvi a história a história do alagamento eu me comovi muito e decidi ajudar e mandar um saco cheio de roupas, brinquedos etc. Espero do fundo da minha alma que vocês fiquem bem.

Toda noite eu oro por vocês, que Deus abençoe vocês. Amém!

OBS: espero que as crianças gostem dos brinquedos porque eu os amo muito, principalmente os ursinhos iguais."

Salve a Ibejada
Salve a Marujada

Somos todos Um
Matnis

Professor Frank Oliveira

domingo, maio 05, 2024

livre


Liberdade, Liberdade é Reconhecer que há tempo de aprender e tempo de ensinar

Arlequim e a Liberdade


Foi na floresta que Arlequim, antes de voltar para a cidade e para a sua missão de ensinar o que sabia e encantar a todos, encontrou uma mulher negra que colhia folhas e frutas, ela se aproximou do nosso Palhaço Cósmico e lhe ofereceu uma maçã. Nosso Arlequim ficou um pouco receoso de aceitar. Maçãs sendo entregues em uma floresta sempre renderam alguns problemas nos contos de fada, mas ali era a vida real e ele estava faminto.

- Obrigado! – disse ele e recebeu a maçã.

- Achei que não aceitaria. Afinal, maçãs sendo entregues por mulheres em florestas encantadas sempre acabam mal nos contos de fada. – disse ela

-Bom, eu estou com fome e a senhora está me oferecendo alimento.  Se quisesse me fazer mal, já teria feito e sinto que a conheço. Quase posso lembrar onde e como, mas a memória está turva.

- Essa é a maçã da Árvore da Vida, quem comer dessa maçã, vai ter acesso ao conhecimento do mundo e o dever de compartilhar. E você está pronto, Arlequim, para finalizar esse etapa da sua jornada e começar outra. Quando nos encontramos, a primeira vez, você era aluno, agora, se tornou um Professor. E sente que há tempo de aprender e tempo de ensinar. Sua Espada tem a minha benção.

- Akiro Obá Yê!!! – disse Arlequim, reconhecendo a Mãe do Conhecimento – Eu lembro...

- Sim! Siga seu caminho e honre o seu lembrar, sempre afiando sua Espada no Amor. Não tenha pressa de nada, mas mantenha-se constante em tudo. Você já provou da Maçã da Árvore da Ilusão e precisou esquecer. Agora você é merecedor das lições da Serpente do Amor. 

- A Serpente do Amor?

- Alguns chamam de Kundalini, outros de Serpente Emplumada, mas na sua linhagem, ela se apresenta como a Serpente do Amor, que é outro nome para meu irmão: Oxumaré.

Nesse momento, um arco-íris surgiu no céu.

- Vá Arlequim, Oxumaré está te esperando...basta seguir as setas douradas indicando o caminho para o fim do arco-íris. 

- Sou muito grato, Obá!

- Seja grato e trabalhe para se manter afastado da Árvore da Ilusão. Que Olorum te abençoe e que Oxumaré te guie com as suas palavras.

*SERPENTE ENCANTADA*

Conta a lenda que a Serpente Encantada
Tinha todas as palavras que eu queria aprender
 
E eu queria aprender todas as palavras
Que a Serpente me mostrava, pois eu desejava ser
 
E nesse tempo que eu ficava desejando
A Serpente foi mostrando
Tudo o que eu podia ver
 
E eu fui vendo as cores do Arco-íris
Cada cor uma palavra
Cada palavra uma cor
 
E cada cor me revelava um segredo
E eu fui perdendo o medo da Serpente do Amor

Arlequim e o Amor


Pouco a pouco, Arlequim começou a sentir *Amor* por sua Espada. Onde quer que ele fosse, sempre surgia alguém que precisava escutar alguma *palavra bonita*. Arlequim sentia que o mundo precisava mais e mais de palavras bonitas que pudesse levar a todos ao Sentir e por causa disso e por ajudar tanta gente com as suas palavras, Arlequim começou a perceber que quanto mais ele oferecia, mas surgiam pessoas dispostas a receber, porém, com isso, veio também um problema, pequenos grupos se tornaram multidões e as perguntas sobre as coisas práticas da vida foram virando perguntas existências sobre o Segredo da Vida, o que há no Além e tantas outras coisas que pertenciam ao Reino da Religião. 

- Destino existe?

- Deus existe?

- Como posso enriquecer?

- Você pode me curar?

Arlequim sabia que ele havia cruzado uma fronteira perigosa do *Reino das Espadas* e quanto mais tentava explicar que destino é a gente que faz, ele começou a perceber que tudo que falava passou a ser distorcido para o que as pessoas queriam ouvir. Logo, surgiu seguidores que queriam transformar as palavras do nosso Palhaço Cósmico em uma espécie de religião, culto, crença. 

- Precisamos copilar suas palavras em um livro sagrado, Senhor Arlequim – propôs um

- Seu conhecimento é muito rico para não ser compartilhado com o mundo – dizia outro

- O Senhor precisa de um lugar para que as pessoas possam frequentar para ouvir o Senhor. Não se preocupe com o custo, basta cada pessoa pagar um pouquinho e podemos manter o lugar – dizia outro que o lembrava um certo Oposto.

E vendo o povo tão confuso, dependente, e querendo o colocar num pedestal religioso, Arlequim fugiu da cidade e voltou para a floresta. Queria ficar sozinho e avaliar se estava usando bem a sua Espada, mas chegando lá encontrou um homem e ele sabia que era o Oposto vindo lhe visitar novamente.

- Olá Arlequim, eu sou o Deputado Mutema. Vim lhe fazer uma proposta. – disse ele.

- Sim – disse Arlequim, achando quase ridículo o fato que ele reconhecia o Oposto como ninguém – Mas me diga, Oposto, por que você perde tanto tempo comigo?

- Bom, eu não sei por que você está me chamando de Oposto, eu sou apenas um representante do povo e acredito que você poderá ajudar muito mais toda essa gente na política. Basta assinar esse documento e se filiar ao partido e vamos cuidar de toda a campanha para você.

- Não! – respondeu Arlequim.

- Mas pense no alcance da sua arte, como deputado, você poderá...

- Não!

- Mas...

- Não!

- Entendo, então você acha melhor guardar todo esse conhecimento só para você? Isso é egoísmo. Todo dom merece ser compartilhado...

- Tenho amor as palavras, tenho amor ao aprender e ao ensinar, mas eu não sou Guru, eu não sou Político...

- Você poderia atingir multidões...

- Caro Oposto, basta apenas uma pessoa. Se minhas palavras puderem ajudar uma só pessoa, terei ajudado o mundo todo. Essa é a Força do Amor. O amor não se preocupa com quantidade, o Amor se chegar a uma pessoa – basta! Que minhas palavras cheguem aonde elas quiserem se apresentar.   

- Essas pessoas vão distorcer suas palavras e vão querer te crucificar. Isso é o que ocorre com quem possui essa Espada que você tem em mãos.

- Não posso me preocupar com o que ainda não ocorreu, mas posso te afirmar, é que ainda estou aprendendo, sei que vou errar, mas o Amor que tenho pela minha Espada vai me ensinar a me tornar o que acredito estar se apresentando. 

- O que está se apresentando?

- Eu sou e sempre fui um Professor!

Pobre Criatura

*Ninguém pertence a Ninguém*

Que insanidade é essa em darmos poder a outra pessoa em controlar o que se pensa, o que se fala, o que se sente.

"_Todas as cartas de amor são ridículas_"
Fernando Pessoa

Ainda estamos à anos luz de aprendermos a amar alguém de verdade, pois amar é acima de tudo, respeitar a individualidade do outro que nos atraiu no início de tudo. Mas em algum momento, esse amor se distorce, e a união se torna possessão. Daí, ficamos tão preocupados em perder aquele/a que nos pertence, que a gente passa a desconfiar, que a qualquer momento, alguém ou algo vai nos tirar nossa posse.

Ora, não é sobre confiar no outro, é sobre confiar na gente. Quem confia em si mesmo sabe se a relação que tem é um ninho ou se é uma arapuca. Se for ninho, todos os dois são livres pra ficar ou partir, se é arapuca, os jogos mentais, o ciúme, as brigas passam a ser mais constantes e o tóxico toma de conta.

Não há Espada que possa cortar essas correntes, mas a Espada pode mostrar a direção de quem deseja se libertar dessa prisão. 

E a Espada do nosso Arlequim avisa tanto a Columbina quanto a Pierrot: *Onde foi parar o amor próprio*? 

♠️♠️♠️♠️♠️♠️♠️

Arlequim e a Paz


Pierrot e Columbina estavam namorando há algum tempo. Pierrot era o melhor amigo de Arlequim e como vocês sabem, Columbina era o grande amor de nosso Palhaço Cósmico, e justamente por amar tanto Columbina, Arlequim não sofria ao ver os dois juntos, mas o que o machucara mais era ver os dois brigando. 

Aquela relação era o que poderia ser chamada de tóxica, eles brigavam e ficavam juntos, ficavam juntos e brigavam e depois se reconciliavam. Era uma relação iô iô, de altos e baixos, mas não cabia ao nosso Palhaço Cósmico julgar, cada um no seu espaço e lugar. 

Mas naquele dia, ao jantar com os dois, Arlequim ficou num impasse. 

- Você mexeu no meu celular sem a minha permissão – acusava Pierrot.

- Eu sou sua namorada, e tenho direito de saber o que você está fazendo e com quem está conversando quando não está comigo – se defendia Columbina.

- Eu a amo, e sei que você me ama, mas isso não te dá o direito de mexer nas minhas coisas – disse Pierrot.

- Você está escondendo alguma coisa, se não estivesse, não teria se incomodado tanto – disse Columbina.

E a discussão continuou com acusações e defesas. Arlequim segurando a sua espada, só observava. Ele tinha a sua opinião, mas era a sua opinião, a sua “verdade”, e já tinha caminhado muito para saber que cada pessoa tem a sua verdade e opinião também. 

- O que você vai fazer além disso? Contratar alguém para me seguir? – Perguntou Pierrot.

- Eu não me rebaixaria tanto – disse Columbina – Mas se não podemos ter uma relação transparente, é melhor não ter relação alguma.

- Relação transparente é achar normal, alguém mexendo no seu celular, procurando motivos para justificar sua própria insegurança? – disse Pierrot.

- Ahhh... agora a culpada sou eu... – disse Columbina.

- Arlequim? – disse Pierrot – Você concorda com isso? Você acha que é normal, por estarmos juntos que Columbina mexa no meu celular e saiba tudo o que eu faço quando não estou com ela?

- Arlequim, você não acha que estou certa? Afinal, se estamos juntos, eu tenho que saber o que  ele está fazendo... – perguntou Columbina

E os dois olharam para o nosso Palhaço Cósmico, buscando a aprovação dele ou reprovação.

Arlequim olhou para os dois, respirou fundo e com a sua Espada firmada, falou...

Arlequim e a Verdade


Nosso Palhaço Cósmico carregava sua espada em suas costas, e volta e meia, ele a retirava e via refletido em sua lâmina, palavras que pareciam querer se soltar pelo ar, mas Arlequim sentia que ainda não era o momento de usar sua espada, ele queria que quando isso ocorresse fosse natural. Ele sabia que quando estamos preparados, quem precisa das nossas Espadas aparece.

Foi quando ele pensava nisso que nosso Palhaço Cósmico e encontrou A Musa da Verdade. 

- Salve suas forças, Arlequim. Vejo que você carrega a Espada das suas palavras. Está preparado para fazer o Juramento da Verdade?

- Juramento?

- Sim, somente dizer a Verdade. Se você fizer o juramento, sempre me terá do seu lado.

- Mas por que eu tenho que fazer esse juramento?

- Pois, para se comunicar com os outros, é preciso sempre dizer a verdade incondicionalmente.

- Bom... eu compreendo o que você está propondo, mas eu não faço alianças, juramentos com ninguém. Aprendi que promessas são cordas que te amarram em algo que foi Verdade um certo tempo, mas que não é mais... ninguém entra o mesmo em um rio...

- Duas vezes. Sim, essa é uma Verdade e se guiar pela Verdade vai ajudar você a usar bem a sua espada.

- Bem... eu agradeço a sua visita, mas eu não acredito em Verdade Absoluta.

- Por que não? Você prefere a mentira?

- Não prefiro a mentira, eu só acredito que a Verdade quando pode machucar alguém, deve ser evitada. Verdade sem Amor é crueldade.

- Você não acha que todos deveriam receber a Verdade em qualquer circunstância?

- Posso estar errado e estou sempre disposto a aprender, mas a Verdade a qualquer custo, pode ser bem cruel. Alivia a alma de quem fala, mas pode destruir quem a escuta.

- A Verdade é uma das maiores virtudes desse mundo, Arlequim. E se a sua espada for firmada na Verdade, você vai sempre empunhá-la com valor.

- Eu te agradeço, mas prefiro moldar o uso da minha Espada no Amor. Com Amor, jamais usarei a Verdade como arma de segundas intenções. Que cada pessoa descubra a sua Verdade quando estiverem prontas e não porque eu acho que elas devam saber. Eu acredito na Liberdade dos pensamentos e juízos de cada um. Não há soluções fáceis para problemas complexos. Usar a Verdade como baliza deve ser nosso objetivo, mas usar a Verdade como moeda de troca, diz mais sobre você do que sobre a pessoa que você quer "ajudar" a ver a Verdade.

- Percebo que você tem sua própria crença sobre a Verdade.

- Todos possuem sua própria maneira de ser Verdadeiro. Impor sua Verdade ao outro pode ser uma violência e minha Espada, embora seja banhada da minha Verdade, jamais será usada para ferir alguém com o que eu acredito que a outra pessoa deve saber. Eu não sei o que é melhor para o outro, só sei o que é melhor para mim e é melhor para mim, empunhar minha Espada com Amor.

Arlequim e O Reino de Espadas


Arlequim viajou, caminhou, ora como caminhou, e observou, estudou, sentiu, e depois de tanto saber, descansou, aprendeu a parar, descansar, silenciar e apreciar. Ele apreciou e deixou tudo aquilo que ele desejava entrar e moldar suas Copas, seus Paus, seus Ouros e depois de girar e regirar o mundo, ele retornou ao seu eixo, seus pilares, sua base, seus valores, ele se viu novamente na encruzilhada de seu compadre Exu, mas dessa vez quem estava lá era uma mulher, vestindo roupas que pareciam trapos coloridos, a moça era linda e carregava em seu cabelo, uma rosa vermelha. Ela sentava no trono de Exu, no meio da encruzilhada e bebia champanhe em uma taça cristalina e fumava uma cigarrilha, cujo fumaça formava uma espiral para baixo. 

- Eu estava te esperando, Arlequim - disse ela com uma voz que lembrava um leve sotaque espanhol. 

- Eu sinto que eu conheço a Senhora há muito tempo - disse nosso Palhaço Cósmico.

- Eu estive em todas as mulheres que estiveram com você, querido Artista do Saber; estava na sua Mãe quando te pariu, estava em Colombina quando você se apaixonou, estive com cada uma das mulheres que você ensinou e no prazer que você teve com todas as mulheres com quem se deitou, e estarei em suas filhas e netas e todas as mulheres que te ensinarão sobre o feminino. Sou o lixo, sou o trapo, sou o riso, sou a dor, sou a Senhora das Graças do Palácio Dourado e a Nossa Senhora das Ruas escuras, estou em cada menina, mulher, idosa no mundo, e sigo sendo e andando na delicadeza da flor, sou Maria Mulambo.

- Laroyê, Pombo Gira

- Mojubá, meu homem, meu menino, meu velho. Meu Irmão, meu Amante, meu Amor, meu Inimigo, meu Grande Amigo, nunca Desconhecido. Preciso te dizer por que você está aqui?

- Não, minha querida Guardiã, eu vim pois minha alma assim quis, meu espírito só guiou esse veículo que visto para receber a minha espada e a Senhora veio me dar a permissão de voltar a usar a minha Espada.

- Sua Espada está ali, encravada na Rocha, aguardando suas mãos...

- Sinto, mas não preciso mais retirar ela da Rocha, agora sei que minha Espada não precisa cortar o ar do outro, para se fazer respirar no entendimento do que comunico. Lembro agora porque Obá me deixou lembrar e recordar o quanto curei e o quanto fiz sofrer com as espadas que empunhei. Sei e sinto. Mas não acredito que precise empunhar mais essa Espada.

- Sinto e Sei o quanto você se transformou para poder aqui estar. Mas por que ainda teme empunhar sua Espada?
 
- Só agradeço, minha Senhora, não temos. Sinto que não preciso mais escolher um caminho ou outro dessa encruzilhada. Todos os caminhos levam para o mesmo lugar: a mim. Não é suficiente o meu Sentir, por que ainda precisaria de Espadas? Se eu preciso, Senhora, a empunharei, mas antes, me permita perguntar: por quê?

Maria Mulambo gargalhou, não de escárnio, mas de surpresa pela coragem do nosso Palhaço Cósmico em admitir que estava diante do oculto, de algo novo que, mesmo com toda a sua bagagem, mesmo com toda a sua experiência, ele precisava aprender...

- Quem eu sou?

- A Guardiã do Saber que eu entrego ao mundo.

- Sabe tudo sobre mim? 

- Muito pouco, nunca saberei tudo, mas Sinto o suficiente para perceber que desejo aprender o que a Senhora quer me ensinar agora.

- Nenhuma mulher é igual a outra, Arlequim, assim como nem um saber é o mesmo. Eu sou Mistério do Feminino, sou a Vulva, sou a Mãe Vagina, sou Ìyámàpò, sou reta, sou turva, sou a familiaridade de onde saem todos os filhos, e o oculto que os Homens querem tanto conquistar, mas nunca saberão tudo. Eu sou O prazer, sou óbo, sou inú, sou O segredo da criação, sou todas as amapôs, as espadas entram em mim, mas sou eu quem as devoro. Se sua espada for amor, terás o meu carinho, se sua espada for para a dor, a castrarei com meus dentes e espinhos. Eu sou O desconhecido dos Seres que buscam o Caminho do Meio entre o se erguer externo do Masculino e o ceder fluindo do Feminino. Eu sou apenas um lembrete, uma seta para te indicar que a Mãe Divina é Parvati, mas também é Kali, e quanto maior é a consciência de um Ser Humano, maior é a queda se ele se esquecer que o Pai Sol é poderoso e nos move, mas é a Mãe Divina e sua Yoni que germinam pelo mundo seu maior fruto: a vida! E a Vida é sempre um rio onde você não entra o mesmo, uma segunda vez, pois ou mudou ou o rio... - disse a Guardiã, olhando para Arlequim, esperando que ele completasse a frase.

- Ou mudou a gente de vez - disse Nosso Palhaço ...

Arlequim olhou a garrafa de champanhe ao lado do trono e perguntou:

- Posso lhe servir mais um pouco de sua bebida?

- Sempre, mas só se você também tomar um golinho antes de seguir a sua viagem.

Arlequim o fez, serviu a Pombo Gira e depois, recebeu a taça de suas mãos e bebeu.

- Matnis, Arlequim 

- Matnis, minha Senhora.

- Essa bebida que recebeu, é sua Medicina das Espadas, Arlequim. Vai te ajudar a sempre sentir suas Espadas, antes de usá-las. Bem intencionadas com o seu coração, serão uma benção, farão bem a todos que a tomarem, mas se forem recheadas de segundas intenções, serão O Veneno das Maldições de tudo aquilo que não foi dito direito. Cada palavra que sair da sua boca tem o mesmo poder dessa bebida: medicina e veneno? Sinta qual a dose e você sempre estará conosco ao seu lado e ao seu favor... agora, deixe de frescura e retire sua Espada da rocha. No mundo onde ela se faz necessária, palavras são veículos para o seu Matnis. Segure a sua Espada com a delicadeza, respeito e firmeza que segurou a minha taça.

Arlequim se aproximou da rocha e segurou sua espada e disse em voz alta:
- Eu sou *Merecedor*!!!

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