quarta-feira, novembro 25, 2009

AMOR DE RENOVAÇÃO


Ela toca harpa,
Eu toco tambor,
Ela canta melodias celtas,
Eu, hinos de louvor à floresta;

Somos um casal de artistas,
Eu escrevo crônica,
Ela poesia;

Você pergunta: onde foi que tu achou essa mulher?
Eu respondo: foi lendo nas letras de São Tomé!

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Acordo ao som da Terra.

Novo dia vem nascendo, estou desperto, vou começar a viver de madrugada.

Os projetos são tantos, mas podem esperar; tem alguém ao meu lado que me ama tanto e merece o meu namorar. Alguns dizem que somos casados; eu respondo: namorados há 11 anos.

Queria ter algumas flores para despertar a minha amada com um banho de pétalas. Queria que a padaria estivesse aberta para despertar a minha amada com pãozinho quentinho na cama. Não tendo nem um nem outro, a desperto com um beijo. Ela sorri, dizendo bom dia e me enlaça em seus braços.

Estou perdido de amor; que bom tê-la encontrado.

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Reencontrei o meu amor nas coisas do dia-a-dia.
Ela lia, eu escrevia;
Daí notei ela cantando uma melodia
E perguntei
" Que canção é essa?"
Ela respondeu: " Uma Canção de Você!"

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Minha esposa tem dessas coisas...

Ás vezes, ela me olha como se eu ainda fosse o seu namorado; daí eu digo:

- Esse olhar tá errado! Nós somos casados!

Ela responde:

- Sim, eu sei que eu deveria te amar menos, mas o nosso amor veio com defeito da fábrica: a cada dia te quero mais!

Acho que ela quer casar de novo...

terça-feira, novembro 24, 2009

SAY ANYTHING

Um dos melhores filmes da minha vida.

Inesquecível por diversas razões, a principal? Eu esqueci...rsss. Talvez, por eu ser um grande fã do ator americano John Cusack, cuja carreira sigo desde os anos 80.



A cena final com a canção " In Your Eyes" do Peter Gabriel é de matar...

Espiritualidade, Arrogância e Letras

Difícil caminho percorri para chegar até aqui.

Não foi fácil ter acesso aos estudos espiritualistas. Apesar das muitas casas que conheci, poucas ofereciam no pacote informação e discernimento; bom humor e práticas de uso da teoria espiritual no cotidiano real. Nunca estive preocupado com o céu; pois o que sempre busquei foi uma forma de aliar a espiritualidade com o meu dia-a-dia, por essa razão, precisava estudar numa casa que me possibilitasse voar, mas que me trouxesse de volta ao chão, pois é com os dois pés na terra que devemos estar sempre, com estudos ou não.

Contudo, mas difícil, foi perceber em mim, que os anos de espiritualidade, ao invés de me deixar mais flexível, estava me deixando mais rígido, mais intolerante ao comportamento de quem não conhecia o que eu sabia; e assim, a arrogância foi se instalando no meu coração e comecei a me sentir como uma espécie de "escolhido". Com uma missão especial de salvar todos os meus amados, familiares e amigos ignorantes da Grande verdade que descobri.

E para complicar ainda mais a minha cegueira e aumentar o meu egão de superiniciado, foi me dado o dom da escrita e comecei a escrever sobre espiritualidade e outros assuntos relacionados ao mundo espiritual.

Com uma farta satisfação, logo compreendi, o poder da palavra escrita. Um texto jogado na internet era uma bola de neve que poderia levar muito esclarecimento para a grande massa. Não ví aí, no começo, um veículo sadio de informação, mas entendi isso como uma ferramenta efetiva de evangelização; e é claro, de salvação das almas de milhares de desconhecidos que não tinha tido acesso aos textos ocultos, as palestras e livros que me ensinaram a ser um grande espiritualista de plantão.

Somos todos evangélicos, no sentido original da palavra, que quer dizer anjo, ou mesmo mensageiro, aquele que trás a boa nova. Se ganhamos com a evolução (ou com a criação) o dom da palavra é porque deveríamos aprender a usá-la para o nosso bem estar e do outro. Toda pessoa que escreve ou se utiliza da palavra para veiculação de idéias, precisa ter claramente em sua mente o objetivo da sua preleção e o destino das suas idéias. Se a informação trará esclarecimentos ou será apenas um correio da má notícia é fácil saber com a repercussão da mensagem enviada. Essa repercussão nos dirá se escrevemos como anjos, ou como evangélicos, no sentido perjorativo que a palavra ganhou, ao descrever seguidores de alguma religião cristã que tenta convencer a sua verdade aos outros, não importando o quanto agressivos possam parecer.

É claro, que nem todo texto precisa ser poesia, mas quando escrevemos para um público espiritualista e visamos o esclarecimento, é fundamental entendermos que há pessoas que estão nos lendo que já sabem interpretar as entrelinhas, porém, há outras ( a grande maioria) que podem ser afetadas para o bem da sua caminhada ou desvirtuadas por intenções nebulosas que colocamos por trás das nossas letras.

Lembro de meu grande amigo Luis Medeiros certa vez dizendo que "só podemos tirar a fé de alguém se colocarmos coisa melhor no lugar"; e foi depois de muita cabeçada e de uma trilha de inimizades deixada em nome da minha verdade, que aprendi a moderar a minha linguagem e freiar meus impulsos de convencer alguém das minhas verdades.

Curioso é o fato de que quanto mais prática eu faço, mais percebo que o que defendo é relativo ao momento em que vivo; há excessões, contudo. Sempre defendi o respeito (mesmo antes do começo da minha caminhada espiritual) e sempre vou defender. Respeito, no sentido de compreender a minha própria ignorância frente ao diferente, ao que não consigo compreender totalmente. Respeito, no sentido de aceitar que eu também tenho os meus preconceitos e se não consigo calá-los, tento ao menos filtrá-los para que não apareçam em meus textos. Já basta os escritores do apocalipse que há em revistas semanais, na internet e em livros best-sellers. Respeito, no sentido de garantir o direito de qualquer pessoa seguir a sua religião ou crença, da forma que for, com o ritual que lhe for mais apropriado, mesmo que envolva símbolos ou substâncias, que temos as nossas razões pessoais para ser contra.

Todos temos as nossas linhas de atuação. Alguns constroem, outros desconstroem; alguns escrevem crônicas, outros poesias; mas de uma maneira ou de outra, trabalhamos pelo coletivo através de nossos escritos, daí a importãncia de usarmos a nossa inteligência a favor da luz e evitar ao máximo cair nas armadilhas da arrogância.

Podemos aprender com todas as linhas. Quem fala mal de uma trilha ou de outra, está praticando qualquer coisa, menos a informação, o respeito e o discernimento. Podemos alertar os que estão começando agora sobre os perigos da caminhada, mas não podemos afungentá-los com argumentos baseados em certas experiências espirituais que nos foram danosas.

Quando o assunto é espiritualidade, todos nós, que já engatinhamos um pouquinho sabemos, que tudo é muito subjetivo. O que serve para um, não ajuda outro; o que guia uma massa, para outro alguém pode fazer o oposto. Isso vale para qualquer coisa na vida, relacionamento, vida profissional e deveria valer ainda mais em relação a escolha que cada um faz com a sua vida espiritual.

Estou ainda aprendendo a escrever. Posso dizer, porém, que recebemos feedbacks proporcionalmente ao que escrevemos. Há textos, que transbordam luz, outros explodem em discernimento. Porém, há coisas que escrevemos que só causam discórdia, motivos para discussões desnecessárias e deixam um rastro de arrogãncia que não condiz com quem somos de verdade.

Difícil caminho percorri para chegar até aqui e para escrever sobre isso para vocês. Espero não pecar por arrogância, e mesmo que muitas pessoas achem que escrevo texto para crianças; eu fico com a leveza, como dizia o Gonzaguinha, das respostas das crianças, pois a vida é muito bonita para eu pregar a intolerância.

EU VI UM ANJO

Não acreditava em anjo
Até que vi um por engano;
Não era para eu ver,
Só vê anjo quem nele acredita;
Eu era assim até outro dia,
Até que olhei pela fechadura
Da alma
E dei de cara com o meu Anjo da Guarda;

Eu vi um anjo!
Não acredita em mim?
Tudo bem...eu era assim;
Também não acreditava em anjo,
Até ser convencido
Pela experiência...

segunda-feira, novembro 23, 2009

A VISITA DE mahmoud ahmadinejad

Perguntaram ao Presidente do Irã
Mahmoud Ahmadinejad,
O que ele achava do filme do Lula:
"Será exibido 'sem cortes' em Teerã,
Depois do apedrejamento na praça pública da cidade
De um americano judeu gay e de uma israelita prostituta."

'É necessária uma lei que puna quem cometa ofensas homofóbicas'

By Victor R. S. Orellana - O Estado de S.Paulo
- A essência do Estado de Direito é garantir equilíbrio, meios de vida e direitos para cada cidadão. Para viver em sociedade é necessário respeitar o próximo e seus direitos. A Constituição assevera que o Estado não pode discriminar seus cidadãos. É dever do Estado impedir que supremacistas brancos inferiorizem negros e afrodescendentes. Da mesma forma, é necessária uma lei que puna quem cometa ofensas discriminatórias, sejam elas sexistas, racistas, homofóbicas, xenofóbicas. O Estado deve estar ao lado dos direitos humanos e contra posturas retrógradas de setores da sociedade que tentam sabotar um projeto de lei destinado a promover a convivência pacífica e coexistencial. Falo do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006. É cristão fazer o possível para que um gay não seja humilhado ou agredido por ser diferente. Isso é amor ao próximo, e é também dever cristão estar ao lado dos direitos humanos e da justiça social. Perguntaria aos evangélicos e indivíduos que se mobilizam contra o PLC 122 se acaso é cristão um gay ser assassinado por compartilhar a vida com alguém. Se é cristão sabotar uma lei que impede que mais atrocidades sejam cometidas contra minorias sexuais. Pode o Estado fazer prevalecer a opinião religiosa de alguns sobre toda a sociedade? Não pode.

Amo a Bíblia. Ela me ensina que Jesus se preocupava com o bem-estar do próximo. Não compreendo como pessoas podem interpretá-la longe desse princípio. A Bíblia é a favor do bem comum e coloca a dignidade do ser humano como o mais importante, porque conceitos, opiniões, doutrinas passam, mas sempre teremos nosso próximo para nos relacionar e em quem vemos a face de Deus.

Victor R. S. Orellana é teólogo e pastor da OIgoroeojoa Acalanto

Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?
Vote na enquete no site do Senado Federal:
www.senado.gov.br

sábado, novembro 21, 2009

SAUDAÇÃO AOS PRETOS VELHOS


"QUEM TE FÉ? TEM TUDO...
QUEM NÃO TEM FÉ? NÃO TEM NADA"

SAUDAÇÃO AOS PRETOS VELHOS


O Navio Negreiro que me trouxe

Veio lá da Nação de Nagô

Atravessou os Sete Mares

Na Terra Santa ele ancorou


A chibata já não me rasga o couro

Na Aruanda não tem Raça e não tem Cor

Somos todos filhos de Olorum

Sou Preto Velho da falange de Atotô


Saravá Pai Arruda, Pai Joaquim e Pai Mané!

Saravá Pai Benedito de Aruanda e também lá da Guiné

Com a Vovó Chica, Mãe Cambinda e Maria Conga!

Vem a Vovó Catarina e a Vovó Rita

Para dos Filhos de Umbanda cortar todas as mirongas

Saravá a Todos os Pretos Velhos da Aruanda


Eu sou Preto Velho

Eu sou curador

Eu sou Preto Velho

Da Lei de Nagô!

Adorei as Almas!


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Nota extraída do site "Jornal de Umbanda Sagrada" por Adriano Camargo:

*** Pretos Velhos

Identificam-se pela sua origem africana como do Congo, de Angola, de Guiné, que dizem respeito a sua linha de trabalho e campo de atuação. Marcada pela presença do Negro na Umbanda, de forma nenhuma a religião poderia deixar de homenagear suas origens afro e também a raça que permitiu que muitos espíritos semeadores da nova religião pudessem encarnar no Brasil sem chamar muita atenção.

A primeira manifestação relatada da Linha dos Pretos Velhos, é descrita na história de Pai Zélio de Moraes : no dia em que houve a manifestação do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, na casa que em seguida seria batizada de Nossa Sra. da Piedade, nesse mesmo dia houve a manifestação de Pai Antônio. O espírito do ex-escravo ali incorporado parecia sentir-se nada à vontade. Curvado, alquebrado, evitou ficar na mesa ali posta para as “-Nêgo num senta não, sinhô ... Nêgo fica aqui mermo... Isso é coisa de sinhô branco, i nêgo deve arrespeitá. Nêgo fica aqui nu toco, qui é o lugá di nêgo”.

Estava firmada ali, a presença do Preto Velho na Umbanda. E esse trejeito humilde, simples, honesto, sem pedir nada em troca, sempre em nome do Pai Criador, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa naturalidade cativa dia a dia os filhos de Umbanda e todos aqueles que procuram ajuda nos templos. E se em suas manifestações trazem plasmadas as formas de suas existências como escravos, saibam que essas falanges acolhem muitos e muitos espíritos afins com suas vibrações de Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Sabedoria e Vida, que não necessariamente foram escravos em suas existências anteriores.

A naturalidade de um Preto Velho é indescritível. É algo que sentimos, e se de coração aberto estivermos para absorve-la como benção, então durará muito em nosso íntimo. Ao ver um Preto Velho em terra, pitando seu cachimbo, sentado em seu banquinho, não tenha vergonha, ajoelhe-se e peça sua benção. Com certeza ele está ali, em seu banquinho, baixinho perto do chão, para que segurando em nossas mãos clamem ao criador bênçãos de Paz, Saúde, Harmonia, Prosperidade e Fé, muita Fé!

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AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as... Foram sete.

Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?

E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.

A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas.

Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma

INSANE

Há uma razão para você não ver as coisas como são:
Quer ficar louco, rapa?

INSANE II
Por 15 segundos
Enlouqueci
Fiquei doidinho
Que deu dó
Daí, voltei a mim
E perguntei:
Foi pra isso que eu vim?

INSANE III
Se eu não estava em mim
Onde eu estava?
Talvez escondido por trás de um neurônio parede
Ou embaixo de uma conexão tapete
Em algum lugar perto da Pedra da Sanidade

INSANE IV
Ser louco é coisa séria
Por isso parei de flertar
Com a insanidade
Sou muito jovem
Para plantar loucura

sexta-feira, novembro 20, 2009

100 % Negro

O teste foi feito por pura brincadeira. Nem por um momento, ele acreditava naquele papo de genética que estava estampado em todos os jornais e revistas sobre negros e brancos; mas ele precisava ver pra crer e foi fazer um teste de DNA, maldita foi a hora que tomou essa decisão. Ele era "100% negro" e gritava isso com orgulho em suas músicas e na camiseta que usava em seus shows. Era afro-brasileiro, favelado, pobre, que fugira das drogas em nome da arte. Gostava de contar nos shows como escolhera o caminho da música enquanto muitos "outros manos" acabaram mortos sob a bandeira do tráfico. Tinha orgulho da sua origem, da cor da sua pele, mas aquele exame poderia colocar tudo a perder.

85% de descendência branca? Como assim? Tudo bem que sua mãe era mulata e seu avô que só conhecia de foto era um pouquinho mais claro; mas e os genes do seu pai, aquele "negão de 02 metros"? Não! Deveria ser algum engano. Alguma conspiração da elite branca para convencer o mundo sobre a supremacia européia. Deveria ser engano, como 85% de descendência branca poderia ter resultado naquela pele 100% negra que ele tinha. Não! Deveria ter alguma explicação.

Se isso fosse verdade, toda essa idéia de "raça" iria por água abaixo. Todas as idéias que ele defendia com unhas e dentes em suas músicas, passariam a soar hipocritamente falsas. Todo o conceito de raça branca, negra ou amarela seria a prova final da ignorância humana em relação ao mundo em que estão inseridos. Se isso fosse verdade, não havia mesmo diferença entre branco e preto e absolutamente todos seriam iguais.

Não poderia ser! Ele precisava rasgar o exame, precisava fingir que aquilo nunca acontecera. Aquele teste de DNA nunca ocorrera de fato. Ele continuaria 100% preto; continuaria cantando a história das comunidades pobres e negras; ele continuaria brigando pelos direitos da minoria negra que sempre foi oprimida pela sociedade. Afinal, as coisas devem permanecer como são, tudo no devido lugar; onde já se viu preto branco ou branco preto? Seu filho que estava pra nascer seria a prova da sua negritude; um atestado da sua herança africana...mas e se... não!
Era melhor nem pensar sobre isso. Seu filho nasceria pretinho que nem ele e ponto final.


Foto: Gêmeos ingleses nascidos em 2006. Layton é branco e loiro e Kaydon é moreno. A mãe, Kerry Richardson, 27 anos, é descendente de negros nigerianos e ingleses brancos

quinta-feira, novembro 19, 2009

SHOW - Chandra Lacombe acompanha GUEM, A Lenda da Percussão Mundial

O percussionista Guem, radicado na França, é um dos maiores músicos africanos vivos. Conhecido por ser um melodista da percussão africana, ele encanta por onde passa, principalmente nos grandes festivais da Europa.

Por aqui Guem ficou conhecido quando, após uma temporada de 6 meses no Brasil, gravou o disco “O Universo Ritmico de Guem”. O disco é uma referência mundial da percussão, e antes de ser relançado em CD, o vinil era considerado "artigo de colecionador".

Nascido na Argélia, descendente de nigerianos, Guem toca praticamente todos os instrumentos de percussão. Extremamente musical, o mestre se apodera muito mais das possibilidades sonoras harmônicas dos instrumentos do que das possibilidades rítmicas óbvias que os tambores oferecem.

Nessa apresentação exclusiva que ocorrerá no dia 28 de novembro em São Paulo, ele se apresentará com Chandra Lacombe; músico e cantor brasiliense; criador de técnica inédita para a kalimba - instrumento de percussão melódica de origem africana, em que toca mantras, músicas new age e sons harmonizantes.

Em artigo ao Jornal Agenda 1, Chandra explicou: "O objetivo do meu trabalho é sensibilizar e tentar atingir a área do sentimento e da percepção dos sons da música, do que meramente o escutar que envolve toda uma relação do intelecto".

Em CD, gravou com o grupo Udiyana Bandha, com o músico Carioca e com Eduardo Agni, com quem integra o Duo Dharma; além de dezenas de trabalhos solos, como o mais recente "Oráculo Musical".



Não perca esse show imperdível que ocorrerá ás 20:00 do dia 28 de novembro na Casa do Dharma: Rua Motuca, 35 - (11) 2539-6175.

Fontes:
http://conteudoexplicito.blogspot.com
Templo Beija-Flor de Lótus
http://www.chandralacombe.com

MEDITAÇÃO EM FOTOGRAFIA

SCINTILLATION
Fonte: www.vimeo.com
This is an experimental film made up of over 35,000 photographs. It combines an innovative mix of stop motion and live projection mapping techniques. Directed by chassaing.xavier@gmail.com Music by http://www.myspace.com/fedaden

SCINTILLATION from Xavier Chassaing on Vimeo.

O que é Filosofia?

Por Dora Incontri

O que é filosofia?
Perguntam todos, perplexos.
Será um monte de livros,
Com discursos desconexos?

Será um bicho difícil,
que pode nos devorar,
se não formos muito espertos,
para a resposta encontrar?

Na filosofia mesmo,
nada deve ser complexo,
podemos fazê-la fácil,
Numa lógica com nexo.

Filosofia é uma forma
de perguntar as questões,
que mais afligem o homem,
que mais nos dão comichões.

É perguntar sobre a vida
querer saber sobre a morte,
é um olhar para o universo
é um indagar sobre a sorte...

Filosofia faz parte
da vida de cada dia
porque pergunta os porquês
que a nossa razão afia.

Filósofo é qualquer um
que pára à beira da estrada
para pensar sobre as coisas
e ver que não sabe nada.

Filósofo deve ser
quem não quiser vegetar,
passando a vida sem rumo
sem um SENTIDO encontrar.

Portanto, filosofemos
buscando sabedoria
pois num bom filosofar,
teremos mais harmonia.


Notas: Texto apresentado na disciplina de "Prática de Ensino em Filosofia" do Curso de Filosofia da UniFAI.
Na ocasião deste texto, Dora Incontri era doutoranda em filosofia pela USP.


* Postado por Lázaro Freire na Voadores

Palavra Maldita é Melhor Calada

Uma palavra voa ao vento. De onde ela escapou? - Pergunto ao tempo - Quem a escreveu? Quem a falou? O que será que ela carrega em suas asas?

O Tempo, Mestre Sábio, nada diz, apenas observa, e eu entendo, e sigo o exemplo do Tempo e observo essa palavra carregando intenções que não entram na janela da minha alma. De longe, ela parecia ter asas; de perto, ela tem jeito de pedra na cara. Quem quer que a tenha soltado, não se deu conta que a reverteu com sombras, mágoas e preconceitos. Pode até ter dito com boa intenção, mas sabemos do que o inferno está cheio.

Pena para que te uso? Palavra para que te quero? Nesse mundo em que tanta gente trabalha para a Banda do Escuro, quem doma a palavra deveria lutar pela Banda do Claro. Escrever, falar em público é um poder; e como todo poder, pode corromper; podemos nos enganar e erroneamente entender que estamos no caminho das palavras benditas, por isso, quando escrevo, penso bem se não há nos meus escritos, alguma frase maldita; alguma frase que provoque em quem me lê, mais preconceitos e maldades; pois nisso, o país já possui muitos mensageiros, ainda mais numa cultura onde ninguém aprecia uma leitura.

Esses dias, fiz um pedido impossível e pedi a Deus que a grande maioria dos brasileiros aprendessem a gostar de ler; pois lendo, eles poderiam interpretar o mundo em que fazem parte; e criar uma visão individual de mundo baseada em sua realidade; mas esqueci de pedir algo mais plausível: clareza nas mãos de quem produz escritos!

Clareza não é apenas uma palavra bem formulada, frase estrategicamente bem feita; qualquer fanático pode escrever um texto com começo, meio e fim, ou com contexto e coesão. Clareza é saber que o que se escreve ou o que se fala, pode atingir milhares de pessoas, ainda mais se for texto escrito ou áudio dito na internet. Clareza é saber o poder que a sua palavra pode acumular e se ela começar a provocar um tsunami de reações negativas, a intenção de esclarecer não foi atendida, e passamos a fazer parte do time que solta palavras ao ar e diz que nada daquilo era o pretendido.

Por isso, sigo os conselhos de um escritor amigo, e sempre penso muito bem antes de postar um texto, de compartilhar uma idéia, uma crença ou um palpite. Justamente por eu não saber para onde vai uma crônica ou qual o caminho de uma poesia, é que a responsabilidade aumenta ainda mais na minha escrita.

E o destino das minhas letras?
Sim, quero o meu leitor sorrindo. Óbvio que desejo que ele se esclareça, mas se a palavra que soltei ao vento não alcançar o seu destino, peço ao Tempo, que ao menos, o que escrevi não aumente as tormentas dos preconceitos.

****//\\****

CORREIO DA MÁ NOTÍCIA


Ó Palavra encantada,
Que de tão bonita falada,
És mais linda ainda escrita;
Explica:
Quem criou o Correio da Má Notícia?

Quem foi que te alterou
E fez de ti instrumento de temor?

Eu quero saber
Para aprender
A não fazer
A mesma coisa
Nas crônicas da minha vida;

Eu não gosto de te ver
Palavra escrita
Sendo usada
Como arma da mágoa
Como pedra de discórdia

Por isso me diz agora
Quem te atirou
Feito pedra na minha janela
Ao invés de te dar asas?

Conta:
Quem não te enxerga sagrada?
Quem não sabe
Que tu és bendita;
Encantada quando falada
E interpretativa quando escrita?

2012: O Mistério Revelado

terça-feira, novembro 17, 2009

A BUSCA


Procurar fora,
Passar a vida inteira nessa busca
É um tiro no pé,
Um grilo na cuca;
Que poderia ter sido evitado
Se você tivesse ouvido
A mais básica das perguntas:
"Conhece a ti mesmo?"


A BUSCA II

Ainda ontem
Eu era apenas
Um sopro de vida;
Sem forma,
Sem expressão,
Sem poesia;

Eu apenas era
E isso se bastava;
Quis a Força Maior
Que eu virasse forma;
Que eu tivesse uma expressão;
Que eu me tornasse poesia;
E é estranho;
Pois isso em si já não me basta;
Junto com a carne
Veio uma vontade;
De me tornar algo mais;
Talvez quem eu já era
Antes de ser sopro de vida
Na Terra,
Na carne.

E querendo tornar a ser;
Desconfio
Que descobri;
Que aprender é lembrar
Que eu sou
Não apenas um sopro de vida
Mas o próprio sopro.


A BUSCA III

Nessa dimensão de expiação;
O mistério nunca será revelado.
Não por ser oculto,
Não por ser proibido,
Mas porque não temos sentidos
Para desvendar o velado;
Compreender o sentido
Da nossa existência
Na carne.

Seria como tentar explicar para uma formiga
Que ela faz parte de um universo;
Por isso de nada vale o esforço da ciência
Em transformar o Homem em apenas isso;
Pois
Dentro da gente;
Há a semente
De quem somos;
Esperando pela água do despertar,
Para nos lembrar;
Que antes de sermos
Feitos de corpo;
Éramos feitos de algo que não sei contar,
Mas o que posso dizer
É que quem já morreu sabe disso;
Pena que eles não podem voltar para
contar!

UM EXU NA PORTA DO SESC

Essa semana, postei uma crônica sobre um encontro inusitado com uma entidade espiritual, onde contei que o nome dele era "Exu da Cara Preta". A verdade é que apesar de não ser umbandista ou ter qualquer laço religioso com outras quaisquer religiões afro-brasileiras, simpatizo muito com a Umbanda e mesmo depois de ter visto o melhor e o pior que poderiam fazer em seu nome; nos últimos tempos, retornei a pesquisar sobre os Orixás na Umbanda em meus estudos espiritualistas e aproximei-me cada vez mais dessa cultura linda que os negros africanos ( sim, há também negros aborígenes, negros hindus etc) nos presentearam como herança cultural e religiosa. Apesar de adorar cada um desses lindos Orixás ( Deuses africanos, cada um com um poder, seus símbolos e uma série de significados); sempre fugi um pouco do Exu, e nas últimas semanas, o Exu vem tentando se aproximar de mim.

Tirando todo o estereótipo que você pode ler nas entrelinhas da crônica " Exu da Cara Preta"; sempre evitei estudar sobre esse Orixá, talvez por preconceito, medo, receio, sei lá o que mais; enfim, fugi, fugi e acabei dentro de um ritual de exu, um dia desses, quase sem querer. E descobri muito mais do que eu gostaria de saber.

Enfim, depois de uma "abertura de olho de vergonha na cara" que a energia do Exu me proporcionou; começei a flertar mais com essa energia do mensageiro, do guardião das portas; e apesar da seriedade e das sombras em que esse Orixá trabalha; aparentemente, sinto que há algo que preciso aprender. E foi pensando nisso, que acordei hoje, pedindo ao céus, que me mandassem um sinal, pois preciso tomar uma decisão e não posso mais ficar na encruzilhada das decisões. Daí, fiquei reparando nas coisas do mundo, esperando que o mundo falasse de volta para mim e me trouxesse a mensagem que eu pedi. Esperei, esperei; até que desisti. Daí; fui almoçar no Sesc do Carmo aqui perto de casa; e para a minha surpresa e artimanha do "acaso" uma atriz negra começou a narrar uma peça de teatro bem na porta do Sesc.

- Vocês sabem quem é o Guardião dessa porta? Não sabem? Se não sabem, vou dizer: é o EXU!!!

Fui tomado de assalto, desarmado e surpreso; sentei no chão e assisti o mundo falando comigo através daquela mulher que contava a história do Exu.

- Sim, o Exu, é um Orixá, e um dia ele vagava pela rua de Oxalá, e viu o velhinho fazendo os Seres Humanos com barro, e ficou curioso, observando o velhinho modelando cada ser vivo. E o Exu aprendeu, observando, tudo sobre como era esse tal de ser humano. E ficou lá, na casa de Oxalá, por um bom tempo, até que o vehinho lhe pediu que o ajudasse, pois não queria que nada pertubasse o seu trabalho com os seres humanos e Exu, obediente, lhe atendeu e ficou para sempre guardando e protegendo os caminhos, as portas, as encruzilhadas e fez isso tão bem, que Oxalá o presenteou com a missão de despertar os Seres Vivos quando eles estiverem caminhando por atalhos desconhecidos e perigosos. Por isso, é que toda vez que você passa por uma encruzilhada, você precisa deixar um agradinho...

Respirei fundo!

A platéia encantada aplaudia o espetáculo e eu fui me despedindo da mensagem do mundo e do Exu, e eu estava sorrindo. A lição foi assimilada!


HERANÇAS NEGRAS
Histórias de Negros Brasileiros
SESC Carmo
Dia(s) 17/11, 19/11, 24/11, 26/11
Terças e quintas, das 12h às 14h.
Antigas histórias de família, relatos míticos e casos verídicos serão narradas por uma atriz caracterizada. Com Simone Debet. Hall de entrada.
Grátis

Curtas Crônicas

TUDO É DA MENTE, SEU DEMENTE

Se tudo o que eu vi
Espiritualmente
For coisa da minha mente
Uau! Einstein I am!

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INSPIRAÇÃO

A cabeça dói, quer vomitar idéias.
A mão treme, quer escrever insights.
A pena não toca o branco, mas um pingo de tinta cai
E explode em borro na folha.
Penso em amassar o papel
E começar de novo
Mas daí
Percebo
Que a tinta da pena
Formou
A imagem que estava em meus pensamentos

A inspiração é assim
Ás vezes se faz letras;
Ás vezes se faz canção;
Ás vezes, se faz qualquer coisa
E se faz arte no pingo de tinta
Da não-ação!

****//\\****

EPIFANIA PRIVADA

Sentado no trono
Eu estava
Quando veio a inspiração
Como o meu estômago
Ainda estava
Com a feijoada
Tive que escrever com o que tinha à mão
Compreendam:
Prefiro a mão suja
Que perder a inspiração
Junto com a descarga

Imagem: http://www.rogeriosilveira.jor.br/

Crônica Destrutiva

Queria despertar a histeria coletiva;
Soltar a faísca
Que faz de um;
Milhão,
Com essa crônica.

Queria a multidão gritando
Ensadecida;
Massa comprimida;
Bomba atômica
De gente;
Feito manada humana-bicho
Marchando por um único objetivo:
A leitura desses escritos.

Queria a loucura
Do sorriso
No rosto coletivo;
Formado por todos vocês
Que leem isto;
Será que eu consigo?

Não! Não é possível!
Preciso de algo mais forte;
Quem sabe um vestido curto;
Um decote?
Que sabe a balada de um assassino
Ou uma catástrofe?

Melhor, não!
Deve haver algo errado
Com um mundo que só gira
Com a queda da Bastilha,
Com muro derrubado;
E eu, escritor em busca da sagrada arte,
Prefiro a catarse
De um leitor de coração;
Que mil de mente!
Melhor morrer autor desconhecido
Que Anônimo Inconsciente!

Meu Ideal Seria Escrever

Por Rubem Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria --"mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele
riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena
ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.


A crônica acima foi extraída do livro "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.

segunda-feira, novembro 16, 2009

SEGUNDA-CELTA

Para começar essa semana de uma maneira diferente, decidi renomear a segunda-feira para Segunda-Celta.

- Por quê? - pergunta o leitor.

Pela diversão em fazer isso. Quem disse que você não pode reinventar as coisas feitas? Quem disse que você não pode criar novas palavras?

Por essa razão, á partir de hoje, declaro que todas as segundas serão celtas.

Lembrarei desse povo de cultura tão rica e mágica; e farei das minhas segundas, algo menos blue, algo mais próximo do yellow dourado. Assim, vou ouvir as mais bonitas canções celtas em meu MP3; vou escrever crônicas sobre magia, alegria e arte; vou pintar a segunda com todas as cores e transformar o meu escritório num círculo de pedras; fazer a minha própria stonehenge.

- Ficou louco o cronista? - dirá o meu leitor, enquanto passo a segunda feliz da vida.

EXU DA CARA PRETA

“ Eu não te mostrarei
A minha face;
Pois gosto de você
E não quero que você
Perca o seu sono”

“ Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esse menino
Que tem medo de careta”


Tem gente que enxerga anjo; eu pedi para ver o meu guardião, dei de cara com o capeta!

Por favor, não chamem o padre, nem o pastor; explico: quando o vi, ele disse que era mais feio que o demo e era por isso que eu só sentia a sua presença, pois se enxergasse o seu rosto, teria pesadelos pelo resto da minha vida.

Agradeci a gentileza; ele deu risada e continuou falando comigo; e eu me sentindo como se estivesse baixando música ilegalmente da internet – com um misto de prazer de ouvir e medo de ser pego.

- Para com essa merda de se sentir inferior aos outros – disse ele.

- É que, às vezes, eu acho que não tenho mesmo sorte na minha carreira profissional! – disse eu, tentando me explicar; e lembrando de tantos fracassos recentes em minhas tentativas de obter acesso à prosperidade brasileira.

- "Coitadinho de mim", O Caralho!!! – gritou ele, e eu levei um susto. Não estava acostumado com aqueles palavrões todos vindos de uma entidade do astral – Para com essas desculpas de merda! Você é um campeão da vida e essa terra é abençoada! Planta direito aqui, que você vai colher prosperidade e não essa babaquice recheada de reclamações e lamúrias. Trabalha, porra! Você é especialista em errar feio, vê se acerta bonito! E dê a volta por cima direito!

Definitivamente não era anjo o meu exu.

domingo, novembro 15, 2009

Dia de Chuva

Que coisa mais linda é dia de chuva!
No ponto de ônibus
Todo mundo se expreme
Aperta, aperta; suco de laranja
A chuva molha
Bueiro é rio corrente
Gente que pega ônibus
Não pega barco
Por isso quando passa a balsa
Todos querem entrar ao mesmo tempo
Menos quem quer sair
E a minha gente aperta, aperta
Se expreme
Suco de laranja
É guarda-chuva abrindo
Guarda-chuva fechando
Guarda-chuva voando
Guarda-chuva que nada guarda
O meu pinga
O dos outros briga
Oxi, vendo essa gente brigando
O motorista buzinando
Os pedestres se molhando
Eu me recordo:
Na Paraíba, num tem disso não!

A CHUVA É LINDA II

Tá bom! Tá bom!
A chuva vai parar, só para você não se molhar
!

sábado, novembro 14, 2009

Falso Despertar

Quando acordei,
Ainda lembrei do sonho que tive;
Despertei a Auri
E contei,
Ela riu;
Daí acordei
E lembrei que estava sonhando que tinha acordado;
Despertei a Auri
E contei,
Ela não riu;
Porém, mas uma vez,
Eu despertei
Lembrando do sonho que eu acordava lembrando que estava sonhando;
Não despertei a Auri,
Ela não riu,
E mais uma vez, despertei;
E lembrei
E ao invés da Auri
Estou contando para vocês;
Por favor, não riam,
Pois corro o perigo de acordar outra
vez.

NADA

Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado,
começe novamente...
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor,
não se perca...
Circunda-te de rosas,

ama, bebe e cala...

O mais é NADA..."

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, novembro 13, 2009

Dia do Jason: A sexta-feira 13 tricolor!

Roteirista da série e ator que interpretou personagem pela 1ª vez asseguram: 'Jason é são-paulino'

O personagem Jason tem embalado o São Paulo na reta final do Brasileirão. É sexta-feira 13!

Artigo escrito por Alexandre Lozetti

O São Paulo não joga nesta sexta-feira nem comemora seu aniversário, mas a data pode muito bem ser considerada o símbolo da equipe neste Brasileiro.

É sexta-feira 13! Data em que nasceu Jason Voorhees, personagem do cinema que nunca morre. Assim como o Tricolor, que já flertou com a zona de rebaixamento e, agora, depende de si para conquistar o heptacampeonato nacional.

Depende de si e conta com uma torcida reforçada. Além dos milhares de são-paulinos, o próprio Jason e seu criador vestem branco, vermelho e preto na reta final do torneio.

O LANCENET! contou a Victor Miller, roteirista do “Sexta-feira 13” original, de 1980, e Ari Lehman, ator que, aos 14 anos, interpretou o primeiro Jason da História do cinema, sobre a febre instaurada entre a torcida do São Paulo, que incorporou o temido personagem, e até o próprio clube, criador da camisa que carrega, às costas, seu nome e o número 13.

– Nada poderia me deixar mais orgulhoso – exclamou Miller ao ver fotos de tricolores mascarados, enviadas por e-mail pela reportagem.

No filme que inicia a sequência, Jason faz sua primeira vítima. Hoje, Ari Lehman se transformou em roqueiro, mas sua vida está pautada no personagem. A banda se chama First Jason (Primeiro Jason) e, entre os sucessos, estão “Jason never dies” (Jason nunca morre) e “Jason is watching” (Jason está olhando).

Fã de futebol, Lehman garante:

– Jason torce para o São Paulo!

Agora, com a bênção do criador.
Fonte: http://msn.lancenet.com.br/sao-paulo/noticias/09-11-13/652347.stm?futebol-dia-do-jason-a-sexta-feira-13-tricolor
Imagens: http://msn.lancenet.com.br/galerias/a-trajetoria-do-jason-tricolor/

SE NANCY NÃO ACORDAR GRITANDO...

Foi numa sexta-feira 13 que fui ao cinema pela primeira vez; e para assistir "A Hora do Pesadelo". Até então, a Tela Grande era um sonho de consumo de um neguinho nordestino. A verdade é que aos 12 anos de idade eu já era um cinéfilo, mas sem um centavo no bolso, por isso acompanhava com atenção quase todos os filmes que eu conseguia assistir na televisão. Se bem que em 1986, os filmes mais novos que eu via na telinha eram dos anos 70, contudo, fui pegando gosto, e pouco a pouco me apaixonando pela sétima arte e mais ainda por filmes de terror.

Sim, eu adorava levar susto. Os filmes de terror tinham um sabor diferente e bem real: mexia com os meus medo, com os sentimentos mais profundos, que eu fazia questão de deixar enterrado em algum lugar da minha alma. Durante os filmes, com os sustos e suspense, esses sentimentos vinha à superficie e era uma festa de sensações e até mesmo inspiração: contos de terror pipocavam dos meus cadernos.

Sendo assim, quando Robinho, meu melhor amigo, convidou-me para assistir o filme no cinema na quinta; eu passei a noite inteira sem dormir de tanta ansiedade. O dia seguinte durou forever, mas às 7:00 da noite em ponto, lá estavámos em frente ao cinema para assistir o filme "A Hora do Pesadelo", onde um cartaz estranho, mostrava uma mulher acordando apavorada.

Eu queria muito assistir ao filme. Carros de som percorriam a cidade anunciando:

" Se Nancy não acordar gritando...
( entrava o som de um grito de mulher bem alto)
Ela não despertará jamais...

A Hora do Pesadelo, nessa sexta, no Cine Éden"

Na cidade de Cajazeiras só havia uma cinema, o " Cine Éden" ( havia outro que pertencia aos Padres da Cathedral da cidade, mas só passava filme infantil e religioso). O Éden
era o grande programa das famílias ricas da cidade. Como no interior da Paraíba, os filmes demoravam a chegar, descobri depois que o filme do ano que a cidade anunciava nas rádios, em outdoors e em carros com caixas de som por toda a cidade, era na verdade de 1984. Outro detalhe é que, se hoje, quando eu falo de Freddy Krueger, a ficha cai em seguida; naquela epóca, ninguém sabia quem era o flamenguista mais horripilante da história; que até o Woverine morre de medo.

Voltemos ao cinema...

O Robinho não era rico e a essa altura, vocês já desconfiam que nem muito menos eu; e a razão pela qual, fomos parar no Cine Éden, na estréia do filme mais aguardado pela "elite cajazeriana"; foi o fato que um amigo do Robinho era sobrinho do lanterninha e entramos pelas portas do fundo.

Uma vez lá dentro, senti pela primeira vez as emoções de estar diante daquela tela branca enorme, sentado, aguardando o ínicio do filme e quando as primeiras cenas começaram, as meninas já gritavam de susto, enquanto, Robinho e eu, davámos risada de tudo aquilo.

No filme, um grupo de adolescentes tinham pesadelos horríveis, onde eram atacados por um homem deformado com garras de aço. Ele aparecia durante o sono e, para escapar, era preciso acordar. Os crimes vão ocorrendo seguidamente, até que se descobre que o ser misterioso é na verdade Freddy Krueger, um homem que molestou crianças na rua Elm e que foi queimado vivo pela vizinhança. Agora Krueger pode retornar para se vingar daqueles que o mataram, através do sono.

Nossas risadas deram lugar a atenção absoluta por aquele filme estranho que falava que coisas que ocorriam em nossos sonhos poderiam ter um efeito "real e mortal" em nossas vidas; e a figura daquele maníaco de unhas feitas de lâminas afiadas, nos aterrorizou até o final.

Em suma: era o melhor filme que já havíamos visto e a aquela música de pular cordas que as crianças cantavam, virou nosso tema musical pelos próximos meses.

" “One, two, Freddy's coming for you.
Three, four, better lock the door..."

Saímos pelas ruas da cidade, cantando aquela música e fazendo piadas com o pessoal que ficou mesmo assustado com o filme.

Ao chegar em casa, eu mal continha o sorriso no rosto. Tudo era felicidade pura, realização; eu finalmente tinha assistido um filme no cinema; e que filme. Quando a minha vó apagou as luzes e me desejou "boa noite"... percebi, que alguns pensamentos começaram a tomar o lugar da alegria que eu sentia. " E se os sonhos fossem mais que aquelas imagens desconexas que temos todas as noites? E se freddy realmente existisse e viesse me pegar?"



Nesta sexta-feira 13, pensei em escrever sobre a primeira vez que conheci o famoso assasino das telas: Jason Vehooves da série homônima, contudo, quando penso em sextas 13, não consigo deixar de lembrar daquele apavorante personagem da minha infância, que hoje, já virou até desenho de criança; mas que influenciou totalmente, os estudos que eu faria depois sobre sonhos e viagens fora do corpo.

Viagem fora do corpo?

Sim, eu sei, é just a dream, just a dream...

quinta-feira, novembro 12, 2009

FALSOS SACRIFÍCIOS

Tem gente que foge
Da sua responsabilidade
Ensaiando falsos sacrifícios;
Atuando como se fosse mártires
De alguma causa mais nobre
Que a sua covardia.

Para os olhos do mundo,
A sua retirada foi honrosa,
Mas ele sabe,
Como sabe,
Que desistiu
Por pura covardia!!!

UM PONTO FORA DA CURVA

Há pessoas que são um ponto fora da curva do mundo.
Elas não se encaixam nos modelos sociais,
Não porque representem algum perigo ao status quo,
Mas porque não correspondem aos modelos de comportamento social que se espera que eles sigam.

Essas pessoas não são rebeldes ou deliquentes,
Não possuem nenhum transtorno psicologico,
Elas são apenas gente como eu e você,
Cuja personalidade não é distorcida
Para complementar a massa de gados
Que vive dia-a-dia como se fosse uma coisa só
PEQUENA GIGANTE

Roberta és pequena grande.
Confesso: dá gosto te ver alegre e feliz
Sendo amada e rodeada de anjos
Tocando a trilha sonora da sua jornada!

Roberto, te quero cada vez mais realizada,
Sozinha ou acompanhada,
Pois és gigante, menina amiga!
Cujo coração cabe mil amigos;

Sou o teu irmão
Alma nobre que cabe mil sorrisos!
Sou teu amigo,
Nunca se esqueça disso!

Farewell to a Friend

Adeus, amigo!
Até o próximo encontro.

A vida continua;
A morte é só um encanto.

Não olhe para trás, ficaremos bem;
Sem você, com saudade, mas bem.

É seu tempo de lembrar aí
O que não lembramos aqui.

Não é complicado;
Perceba: tudo é bem planejado,
As coisas foram feitas para ser assim.

Há sempre o tempo de cá e o tempo daí.

Para quem te perdeu de vista
Parece que o mundo vai acabar;
Que não faz sentido a vida,
Mas tudo permanece no lugar.

As folhas caindo;
Os passarinhos cantando;
As crianças brincando;
E o sol surgindo.

Por isso, vai com os teus e os meus amigos!
Eu estou sorrindo; pois sei que não estamos sozinhos.

Quanto à gente que fica por aqui,
Vamos continuando;
Até a nossa hora de ir.

Quanto ao mundo;
Ele continuará por aqui
Nos esperando.

quarta-feira, novembro 11, 2009

O APAGÃO E O VAGA-LUME


Olho pela janela e vejo São Paulo às escuras. Sou felizardo, estou em casa. Não estou no elevador nem na marginal, só perdi a TV e a geladeira, mas nada como a luz da vela.

Ligo para a minha esposa, ela está na casa de uma amiga, peço que fique por lá, que não se arrisque em sair para a rua, dirigir; pois os vampiros estão soltos.

Incrível o nosso medo do escuro. Na parede, reflito os meus medos. Na rua, o verdadeiro perigo se espreita nas curvas. Basta um pouco de caos e um toque de escuridão, para o mundo dos homens virar o mundo do cão.

Aqui do centro, ouço do alto do meu apartamento, gritos, uivos e gargalhadas. Tem alguém se divertindo lá embaixo; vai ver é o Batman!

Ouço uma canção em meu mp3. Que bom que há algo chamado bateria. Bateria e vela, sagradaa companiaa. Escuto " Amor de fogo e água" de uma cantora chamada Joésia Ramos e a canção me embala e me sintoniza.

"Vagalumeando a noite
Clareando o tempo
Que nem fogaréu na mata
Avermelhando o breu
Cantarolova, luzia,
Indigenando a nação"

O céu está nublado, mas fico imaginando, como seria a noite das estrelas, sem a luz da cidade para ofuscar. Nada como os vaga-lumes da imaginação, nessas horas de apagão...

"Treme-terra acorda a rua
Na dança guerreira
Água correndo no lago do sol
Boca a boca e a magia
Na mão violeira
Tamborilava energia no ar"

Deito na cama, uma voz interna, que pode ser esquizofrenia ou um guia, pede que eu envie energia para todas as pessoas que estão com muito medo e que estão presas na rua. Não penso duas vezes, obedeço. E sinto-me apagando, quase-dormindo, quase-sonhando e percebo o meu quarto iluminando, iluminando; penso: será que a luz voltou? Um vaga-lume responde: essa é a luz que você emanou!!!

"Sementes de girassol
Plantas parideiras
Estrelas da noite
Corais do mar
Do mar
Medusas douradas
Rios sagrados
Amor de fogo e água
"

Jardim de Xangô

(Joésia Ramos)

No jardim da casa de Xangô
A flor dá na pedra
A flor dá na pedra
Água corre da nascente
E volta pro fundo da terra

Leva essa tristeza, essa dor
Silencia Xangô
Me acalma e lava
Água corre da nascente
A flor dá na pedra
A flor dá na pedra

Voz e violão: Joésia Ramos
Violão solo: Du Silva
Baixo: Fradinho
Água, carrilhão, apitos, efeitos, caxixi, congas e Talk Drums: Wilson Sabiá

Para ouvir a canção, veja o link abaixo:
http://www.joesiaramos.mpbnet.com.br/discografia/1997.de.passagem/jardim_de_xango.html

TODA A CULPA DO MUNDO


Remorso
É ter o fígado devorado
Todos os dias
Pela Águia da Consciência;
Que não tem ouvidos
Para as minhas desculpas;
Que arranca as penas
Do " coitadinho de mim";
Que diz assim:
" Me desculpa?"


****//\\****

DIREITO DE NÃO DESCULPAR

Ele pisou no meu pé
E
Pediu desculpas
E
Ficou com raiva
Porque não desculpei.

Ora, é fácil pedir desculpas
Quando não é o seu pé que foi pisado!!!
E o meu direito de mandar ele se danar???

****//\\****

E A FORMIGA COM ISSO?

A mesma faísca de vida que move você, move a formiga; se a vida é injusta com a
formiga pisoteada; por que deveria ser justa com você que a pisoteia?

A formiga não tem consciência do ser que a pisa; você tem, por isso não faça dos
outros formiga!!!

Juliana Paes e a Umbanda

Juliana Paes fala que é Umbandista e questiona a discriminação sobre o Orixá Exú!




terça-feira, novembro 10, 2009

SINAIS DE QUE ALGO HÁ

As crianças podem chorar... até porque elas não sabem ainda ler os sinais.”
Gê Marques

Só não vê quem quer; só não escuta quem tapa os ouvidos. Os sinais estão por todos os lados.”
Vovó Geralda


Tenho a impressão que há uma realidade maior, que sobreposta a esta dimensão, nos guia para que esse sonho de viver na matéria não seja em vão. Desconfio, pois ainda sonho e esse sonho ainda não é lúcido. Ainda não consigo me concentrar além das imagens que se apresentam, das tentações da matéria que me enterram cada vez mais nessa dormência, impedindo a minha alma de manifestar-se plenamente em carne.

Contudo, mesmo sem enxergar direito, olho para o céu, e ao ver os pássaros voando; sinto, que um dia vou voar também.

Quero voar para estar leve o suficiente para mudar; pois quando o meu tempo chegar, quero não boicotar esse planar com apegos da terra. Já sei o quanto a escuridão é quente, e o quanto ela adormece quem se aninha nela, por isso, coloco o rosto para frente e para fora da janela, encarando o frio do desconhecido, confiando que essa dimensão maior que se espreita até nas nossas sombras, é feita de luz e amor, e a razão pela qual, ela, vez ou outra, se deixa mostrar, é para nos lembrar que algo há, que não somos daqui, pois há um outro lar...

Caminho quase sempre sonâmbulo por esse sonho, mas por vezes, desperto um pouquinho e consigo ler alguns sinais; como se o mundo falasse uma espécie de linguagem, contando a estória da minha vida; conversando comigo e me dizendo coisas que só faz sentido para a mim. Já tentei compartilhar essas sensações, mas desisti ao primeiro sinal do olhar "esse cara é louco" que vejo nos olhos do outro. Em virtude disso, se não silencio; escrevo, na esperança, que as letras possam tornar essas sensações de encanto perante o desconhecido, algo entendível, ou na pior/melhor das hipóteses, que os meus leitores achem tudo coisas de poesia, mas guardem cada verso, palavra prosada, dentro de si para que no dia em que também sintam as coisas que eu sinto, elas não se sintam sozinhas como eu me senti.

Às vezes me sinto assim, meio que coitadinho de mim, esquecido nesse sonho, deixado por Papai e Mamãe do Céu que não aparecem para me buscar. Daí, em meio a essa solidão, eu choro, reclamo e maldigo tudo aquilo que não compreendo; tudo aquilo que eu acredito; até perceber os sinais falando comigo... Então, sigo, e sinto uma vergonha gigante, por perceber que ainda estou criança quando o assunto é ver claramente os sinais, mas não desisto, pois tudo tem o seu tempo; e se me sinto soletrando ainda o que leio, é um sinal que em algum momento, conseguirei se não compreender o texto do mundo inteiro; ao menos ler até o final a crônica de mim mesmo.

segunda-feira, novembro 09, 2009

O Encontro Voador e o Owner Negão

Encontro voador é sempre diferente; há sempre uma surpresa, dessa vez, dei de cara com uma versão afro do owner dessa lista, onde escrevo.

Estou correndo o risco de ser expulso e ser moderado, mas tenho um compromisso com a verdade, por isso, vou contar o que aconteceu nesse último encontro.

Quando cheguei por lá, encontrei com a Anik, que deveria estar em algum lugar da antiga Constantinopla. Dizem os boatos voadores, que ela chegou ao lugar num tapete voador, guiado por um Turco Encantando. Ela diz que não, mas sabemos o quanto esses voadores são esotéricos.

Mistérios blumam as razões pela qual Lázaro e Camilla foram para a Bahia. A mídia noticiou muito o fato de um tal casamento numa casa de bruxaria e etc e tal; mas a verdade, segundo alguns espiões voadores que conheço na Bahia, é que o Lázaro, na verdade, foi iniciado no Candomblé, e visto, vestido de baiana nas escadarias da Igreja do Nosso Senhor do Bomfim; e depois de aprender a arte oculta da preparação do Vatapá e do Acarajé, foi agraciado com a cor negra e se tornou o primeiro afromineiro em terras baianas.

Para descobrir a verdade, resolvi fazer um teste de identificação no querido owner, quando ele chegou. E o cumprimentei:

- Colé, meu bródi?

- Ó Pai ó! - disse Lázaro, que olhou para Camilla e falou - Minha rainha, o miserê acha que fala inglês!!!

Era uma vez um mineiro...nada do que vi, lembrava o velho amigo happy e saltitante. O cara estava mais macho (quis me beijar, mas disse que isso ainda era reflexo das iniciações com os Pais de Santos no Pelorinho); tinha um sorriso que lembrava um bruxinho celta; e perto da sua negritude, eu era a Branca de Neve.

Camilla, por outro lado, era a mesma Camilla, apenas muito mais santa; afinal, sua grande missão espiritual nessa vida foi colocar esse nosso Owner de volta ao Caminho dos Homens.

Os voadores começaram a chegar, mas passavam por Lázaro, sem o reconhecer; foi preciso que ele gritasse:

- Oxi, se liga na parada! Sou eu, meu véi, minha véia!

Daí todos olharam e perceberam que aquela voz fina tão Lazarenha era daquele negão ao meu lado. Sentindo uma irradiação mediúnica, o cantor de MPB começou a incorporar o Michael Jackson e cantar :

"To be my baby, doesn´t matter if you black or white"

A festa da Voadores tinha começado...

O Roger e sua querida esposa Ingrid chegaram; Ana Onofri e Ivan Freitas; e começamos a falar mal de todo mundo. Afinal, não existe nada mais voador que fofoca; conspirações; e teorias ocultas reveladas.

Lá pelas dez, começaram a cair Patricias do céu - qual delas é a mais bonita? Lá pelas 10:10, surge Liege e seu namorado, roubando a cena com aquele sorriso gostoso e com aquela "lovely" carisma que deixa todos babando para conversar com ela e perguntar: qual dois livros você está lendo no momento?

Para tornar a festa mais surreal; se brancos ficam negros, carecas se transformam em cabeludos. Naquele momento tive uma inspiração para escrever um romance lispectoriano : "A Paixão segundo C.H".

Lá pelas onze, rufaram alguns tambores, e Michael Jackson saravou Fernando Sepe que acabara de descer de "Aruanda". Junto com ele, veio também, direto do "Nosso Lar", a querida amiga Maísa. Bem a tempo de assistir o despacho da noite: o bolo de aniversário do Láz.

E quando todos acharam que a supresa haviam acabado, eis que Lázaro, na hora do discurso, apenas agradece a todos e sopra a velinha invisível.

Hellooo????

E os discursos de três horas que inspiraram Fidel? O que houve com o Owner dessa lista?

Os tempos realmente estão mudando...

JOGA PEDRA NA GEISY


A coitada só queria usar o vestido
E dai que era curto?
E daí que chamava a atenção;
Essa era a sua intenção;
Só não imaginava que ao mostrar o corpo
Seria alvo de agressão;
E veria o povo
Regredir ao tempo da inquisição
E em coro
Exigir
A sua condenação:

" Joga pedra na Geisy
Joga pedra na Geisy
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geisy"

Será que vai surgir
Um Zepelim
Com um comandante
Que a faça sentir
Pelo menos, por um instante
Que a humanidade
Evoluiu um tantim?

*Versão deturpada da canção GENI E O ZEPELIM de Chico Buarque
** Charge: "Abaixo a mini-saia" do autor Maurílio Reis

sexta-feira, novembro 06, 2009

A SABEDORIA DE SRY AUROBINDO

...Levanta teus olhos em direção ao Sol.

Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.

Observa, à noite, as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda.

Olha lá Orion, com sua espada e cinto brilhando, como brilhou aos antepassados Arianos há dez mil anos atrás, no começo da era Ariana; Sírius no seu esplendor, e Lyra percorrendo bilhões de milhas no oceano do espaço.

Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece e, contudo, são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo.

Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e então lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.

Observa que além de Lyra, Ele está, e no longínquo Espaço onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.

E então volta à Terra e considera quem é este Ele.

Ele está bem perto de ti.

Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão. Imaginas tu que é Deus quem está passando?

Há uma criança rindo e correndo ao sol. Podes tu ouvi-Lo nesse riso?

Não, Ele está ainda mais próximo de ti. Ele está em ti, Ele é tu mesmo.

És tu que ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etéreo.

És tu que colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.

Olha para cima, oh filho do Yoga antigo, e não sejas mais medroso e céptico; não temas, não duvides, não lamentes, porque em teu aparente corpo está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.



- Sry Aurobindo -

(Texto extraído do maravilhoso livro “Sabedoria de Aurobindo”* – Editora Shakti.)



- Nota de Wagner Borges:

* Sry Aurobindo - Aurobindo Ghose - Índia, 1872-1950 - foi um dos maiores mestres da Índia. O seu trabalho tornou-se conhecido como “O Yoga Integral”, porque, como ele dizia, “Toda vida é Yoga!” - Para mais detalhes sobre os seus escritos inspirados, ver o excelente livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti, e o site da Casa Aurobindo no Brasil: http://br.geocities.com/casa_sri_aurobindo/

CONFIO


Eu confio, Pai!
Desculpa se eu duvido;
É que às vezes me esqueço
Do que é sentido;
E fico confuso
Entre o que escuto
Com o coração;
E o que entra pela mente
E sai pelo ouvido.

Já sei sobre os mecanismos da lei
Que não adianta querer saber demais
Dos seus mistérios;
Basta para mim
Saber que há um Rei;
E que o seu Reinado se faz
Com amor nesse universo.

Eu confio, Pai!
Pois percebo a sua paciência
Com a minha teimosia;
E sei que na sua infinita sabedoria
O Senhor já sabia;
Que em nossa essência
Há a semente do despertar.

Essa semente plantada há tempos
Quando eu ainda era estrela
E sonhava ser gente
Mesmo sabendo que sendo homem
A gente se esquece que um dia foi estrela
E que voltaremos a brilhar
Quando a gente lembrar
Do eterno compromisso
De ser gente estrela
Nesse plano.

DUVIDO

Onde havia a certeza ficou um vazio...

A LIÇÃO DO TRICÔ


Uma senhora faz tricô.

Linha na agulha,
Agulha na linha
Linha que entra,
Agulha que sai,
Fiando, fiando,
Teia que tece
Será uma blusa
Ou uma meia?

Tanto faz!

Não é o que o tricô tá fazendo;
É o que o tricô faz.

quinta-feira, novembro 05, 2009

O COBRADOR ZEN

Enquanto a senhora se irrita, maldiz a vida, o ônibus lotado, os passageiros mal-educados; o cobrador permanece com o olhar fixo em algum lugar entre a janela do ônibus e o infinito; além do “cisco” que coça os nervos dos eternos atrazados, cujo mundo vazio é apenas desculpa para as nuvens cinzas que os acompanham pela vida, pelos coletivos, refletidos em testas franzidas e bocas queixosas por toda parte.

A senhora paga a passagem, diz que aquela situação é uma calamidade, que ser tratada como gado é uma falta de respeito com a sua idade; o cobrador nada diz, apenas continua meditando no tempo da linha Rio Bonito – Ipiranga.

quarta-feira, novembro 04, 2009

O CAVALO E O BURACO


O meu cavalo caiu no buraco
Pediu ajuda
Relinchou, relinchou
Ninguém escutou
Afinal, ninguém fala língua de cavalo

Daí, ele sentiu dor
Sentiu raiva
Não era cavalo escalador
Só sabia galopar
Então, orou ao Deus dos Cavalos
Que o transformasse em
Pégasus
Mas o Deus dos Cavalos
Parecia estar ocupado
Demais
Para lhe transformar em Cavalo Alado
E ele continuou no buraco
Por toda a noite escura

Até que o dia clareou
E com a luz nos olhos
O cavalo notou
Que o buraco não era tão fundo
Que buraco era até raso!

Moral da estória: Se está escuro, acende a luz!!!
Ou
“ Se iluminar é se despir das sombras”
Ou
“O buraco não é tão fundo;
O buraco não é tão embaixo
O buraco é só um buraco!”

TEMPLO OLHAR DIVINO: Primeiro Encontro de Músicos pela Terra

Ocorreu no último domingo (01 de novembro) em Guarulhos, o "Primeiro Encontro de Músicos pela Terra". Um encontro musical organizado pelo Templo Espiritual Olhar Divino com o apoio da Prefeitura de Guarulhos.

Foi apresentando uma performance com os músicos do Templo, onde através de cantos e da melodia dos mais variados intrumentos, a audiência presente pode sentir um contato maior com a "Natureza" e com as raízes que compõem essa nossa terra brasileira tão abençoada.



CANTO DE CURA

Cantamos para a Mãe Terra
O canto dos nossos ancestrais
Cantamos para a Nova Era
O canto dos tempos
Que não voltam mais

Cantamos nesse canto de cura
A melodia da floresta
No meio da loucura
Da metrópole que nos cerca

Cantamos para todas as linhas
O canto do encontro de todas as nações
Pois somos todos de uma mesma família
Pois somos todos irmãos em nossos corações

Cantamos para a natureza
O canto da preservação da nossa identidade
O canto da Mãe Divina e do Nosso Pai Eterno
Que tem todas as faces e todas as idades
Esse canto que é pura cultura brasileira
O canto do índio, do negro, do branco e do amarelo

Viva a Mãe Natureza!!!

terça-feira, novembro 03, 2009

SORRISO NA ALMA

Dedicado ao Lázaro e a Camilla


O amor não se forma com palavras, se conquista quando alguém te faz sorrir na alma.

Encontros, temos tantos; pessoas, são várias; no entanto, há certos olhares que escapam do rosto e nos contam detalhes de como será a nossa vida se abrirmos a porta da nossa intimidade para um novo amar.

E te digo, amigo, coisa mais bonita não há. Especialmente, quando a dona desse olhar, é alguém que nos inspira a ser uma pessoa melhor; é alguém que conhece os nossos defeitos e ao invés de apontá-los como qualquer outra pessoa faria disso o pior, prefere focalizar nas nossas qualidades, pois sabe, que quando amamos; amamos acima de tudo, a liberdade do outro ser.

Todos querem encontrar a felicidade ao lado de alguém que valha a pena; eu digo, não basta procurá-la, é preciso merecê-la; e se um dia, durante o resto da nossa vida, acordamos ao lado de alguém que torna o despertar a coisa mais importante a ser vivida, é porque temos o que merecemos; e o que merecemos, não é nada mais, nada menos, do que ser pleno ao lado de alguém que não nos acorrente, pelo contrário, esse alguém que nos faz sorrir a alma, nos dá asas para que sejamos um casal que flui feito água corrente, vento constante, estrela cintilante que mesmo quando todo mundo jura que se foi, é quando brilha mais.


Imagem: casamento celta dos amigos Lázaro e Camilla

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