
Procurar fora,
Passar a vida inteira nessa busca
É um tiro no pé,
Um grilo na cuca;
Que poderia ter sido evitado
Se você tivesse ouvido
A mais básica das perguntas:
"Conhece a ti mesmo?"
A BUSCA II
Ainda ontem
Eu era apenas
Um sopro de vida;
Sem forma,
Sem expressão,
Sem poesia;
Eu apenas era
E isso se bastava;
Quis a Força Maior
Que eu virasse forma;
Que eu tivesse uma expressão;
Que eu me tornasse poesia;
E é estranho;
Pois isso em si já não me basta;
Junto com a carne
Veio uma vontade;
De me tornar algo mais;
Talvez quem eu já era
Antes de ser sopro de vida
Na Terra,
Na carne.
E querendo tornar a ser;
Desconfio
Que descobri;
Que aprender é lembrar
Que eu sou
Não apenas um sopro de vida
Mas o próprio sopro.
A BUSCA III
Nessa dimensão de expiação;
O mistério nunca será revelado.
Não por ser oculto,
Não por ser proibido,
Mas porque não temos sentidos
Para desvendar o velado;
Compreender o sentido
Da nossa existência
Na carne.
Seria como tentar explicar para uma formiga
Que ela faz parte de um universo;
Por isso de nada vale o esforço da ciência
Em transformar o Homem em apenas isso;
Pois
Dentro da gente;
Há a semente
De quem somos;
Esperando pela água do despertar,
Para nos lembrar;
Que antes de sermos
Feitos de corpo;
Éramos feitos de algo que não sei contar,
Mas o que posso dizer
É que quem já morreu sabe disso;
Pena que eles não podem voltar para contar!
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