Havia dois caminhos à sua frente, um levava a um palácio brilhante e outro à floresta. Nosso Palhaço buscava aprender, pois sentia que sua missão era ensinar, daí, ponderou e decidiu pegar o caminho que levava ao palácio...quem sabe ali não era a escola.
Nosso Arlequim viu aquele palácio tão bonito e na porta estava escrito: Sabedoria.
- Eu sabia que aqui era o local certo! – ele pensou, enquanto entrava e via um belo salão dourado. Ele entrou, pisando macio com respeito, pois já sabia que não caminhava mais à esmo, cada parte da jornada, ele recebia uma ferramenta e cada ferramenta o ajudava a caminhar melhor, e assim, não estava mais equivocado e mesmo que estivesse (e ele não tinha medo de errar), são tantos os bons frutos, que mesmo se amanhã, ele descobrisse que estava errado, o aprendizado foi digerido; a lição espalhada em palavras – Errar sempre leva ao Aprender - Ele não sabia o que lhe aguardava ou se teria êxito, mais percebia na sutileza do que sentia, no perfume que cheirava, que não precisava acreditar para saber que sempre houve algo, sempre havia um porquê, sempre houve, há e haverá um Criador, um Arquiteto Divino que planejou, olham – vejam só - aquele salão dourado revelado e que lhe aguardava.
O mais curioso é que Arlequim já tinha estado ali antes...
E foi permitido que ele voltasse para esse salão dourado, depois de um bom tempo exilado por suas próprias desconfianças e se conto o que eu conto é que nosso Arlequim me deixou contar o que ele sentiu, pois preciso lembrar aos meus irmãos que estamos todos destinados a ocupar o nosso lugar ao lado do Pai, da Mãe e do Irmão. Somos todos filhos desse Reinado.
No Salão do Reino Dourado, ele viu centenas de pessoas que falavam línguas distintas, mas que se comunicavam pelo Sentir – MATNIS - todos os credos falavam sobre uma única fé; tanto faz se você segue Krishna, Jesus ou Maomé: SOMOS TODOS UM SÓ.
Quem entra no Salão, jamais esquece que ninguém e todos tem toda a razão e ao respeitar as mais diferentes formas de manifestação da fé, compreendemos que não há nada mais sagrado do que a união de todos os credos e linhas. Isso resulta em conhecimento que são ferramentas, mas são as ações que levam a sabedoria.
E a sabedoria, é a ciência de SABER DOAR.
Foi por buscar o saber doar, que Arlequim entrou naquele Palácio da Sabedoria e encontrou com o Rei Salomão.
- Finalmente, cheguei em seu salão, meu Grande Rei da Sabedoria. Gostaria que o senhor me ensinasse a ser sábio.
O Rei Salomão olhou o nosso Palhaço Cósmico, sorriu, com os olhos brilhantes, respondeu:
- Você aqui de novo?
- Eu? Já estive aqui? Acho que sim, mas não me lembro direito...
- Sim, já tivemos essa conversa diversas vezes, meu caro Palhaço, e se esqueceu porque sempre pegou o atalho, o caminho mais percorrido, mais fácil.
- Como assim...
- Já te expliquei e explicarei de novo e quantas vezes for preciso, mas te recomendo, só uma sugestão: ao invés de pensar a respeito, observe e sinta o meu conselho.
“Não se aprende a ser sábio num palácio, se aprende a sabedoria, lá fora, naquele outro caminho mais extenso que você deixou de fora. Retorne, volte e dessa vez, escolha o caminho menos percorrido - Volte para mata, peça licença a Jurema quando pisar na floresta, e entre no Reino das Folhas, as Cidades encantadas das princesas, e dos príncipes do vegetal – Sobonirê Mafá - e reconheça os ensinamentos das folhas de Osanha e peça para o Grande Professor, Senhor Oxossi, lhe ensinar a acertar 3 dragões com uma flecha só, depois que você vivenciar tudo isso e aprender direito a como colocar isso em prática na sua vida, só depois – retorne aqui e aprenda o que é sabedoria.
Arlequim, ainda meio confuso, agradeceu e respeitosamente seguiu as instruções do Rei Salomão e voltou ao ponto inicial, e trilhou pelo outro caminho menos percorrido, que o levava a mata, que o faria entrar na floresta...
*Okê Arô!*
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