Sempre fui fã de atalhos. Se havia um caminho
curto, porquê insistir no mais demorado? Eric Concordava; só pedia que eu não
abaixasse o escudo. Experiente em caminhos curtos, ele avisava: atalhos sempre
vêm junto com pedradas. Então fomos, Eric e eu, várias vezes por esses
caminhos, mas por mais perto que esses atalhos nos levassem até o portal que
nos levaria para casa, mas distante éramos jogados de volta e lá ficamos nós,
presos na caverna, novamente sob a sombra do dragão.
Hank aconselhava “meninos, não façam bobagem,
consultem o Mestre dos Magos”, mas eu já estava cheio de depender do Mestre
para tudo e decidi encontrar o caminho para casa com as minhas próprias pernas;
o que gerava criticas das meninas:
- Você é pior que o Eric - diziam Sheila e Diane
- Até a Uni é mais inteligente.
Então, foi numa conversa com Presto que
desabafei:
- Presto, todos têm poderes especiais, menos eu.
Faz uma mágica, tira do seu chapéu algo que possa me ajudar.
- Ok, Frank, Deixa eu ver... zala, zazalaska,
que eu tire do chapéu, algo que ajude meu amigo Frank a sair dessa enrascada!
E o Presto tirou do seu chapéu, uma planta que
ele chamou de Ayhuasca.
- Merlin me contou que essa planta vem lá das
terras da tribo do Saint Daime, mas tenha cuidado, ela pode te dar o poder
mágico que você espera ... ou não; como diria o sábio das terras do Nordeste.
- Sai fora, Presto, você está ficando igualzinho
ao Mestre. – eu disse, segurando a planta, maravilhado com o poder que ela
poderia me trazer; mas quando me preparei para usá-la, senti que era observado.
Poderia ser o Mestre dos Magos, mas pelo arrepio na espinha, senti que era o
Vingador que me vigiava. Se o Vingador fora atraído, isso significava que ou
ele também estava interessado nos poderes da planta mágica, ou havia um
Vingador dentro de mim e ele seria a primeira coisa que eu encontraria, antes
de ver o portal.
Comecei a ter dúvidas sobre a planta, mas decidi
continuar a experiência assim mesmo, pois eu queria ver o portal e não iria
esperar outras tantas jornadas e desafios para encontrar o caminho de casa. Eu
não sabia se tudo aquilo era uma jogada do Mestre dos Magos para me ensinar
algo; mas notei o Bobby com o seu Tacape se aproximando e ele sentou perto de
mim.
- Você sabia que eu fiquei com medo, quando
recebi o Tacape. – disse ele, olhando nos meus olhos. Quis mandar o moleque ir
catar comida para o unicórnio-pônei dele, mas também senti que precisava
ouvi-lo e o fiz – Eu percebi que teria que ter cuidado, pois tinha nas mãos uma
arma muito poderosa, e se fosse mal utilizada, eu poderia destruir não só uma
montanha, mas também a mim mesmo. Foi quando entendi que precisava treinar e
entender melhor o potencial do Tacape, antes de utilizá-lo. Eu sei que você não
precisa ouvir conselho, ainda mais de um moleque, mas eu acho que você deveria
entender melhor o que essa planta mágica pode fazer, antes de usá-la.
Quis matar o moleque. Não por causa do seu
atrevimento, mas porque ele tinha razão. Eu não sabia ao certo, se ao utilizar
a planta mágica, eu seria levado para o portal; ou se no lugar, eu seria levado
direto para as garras de Tiamat. Era um risco e eu não estava disposto a pagar.
Já bastava um imbecil na turma (nada pessoal, Eric). De uma forma ou de outra;
seja qual for o caminho que a planta mágica me levasse, era melhor estar
preparado.
- Obrigado, Bobby, onde está mesmo o Presto?
Presto? Presto? – gritei pelo mágico do Paraguai e o encontrei lendo seus
livros – Eu quero saber mais sobre a tribo do Saint Daime. É verdade que essa
planta veio da Amazônia?

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