Não dá para não usar esse clichê, mas que outra forma eu tenho
para compartilhar com você que os olhos da minha filha são espelhos que refletem
a mais profunda alegria. E quando eu falo alegria, falo daquela alegria perdida
que tínhamos quando éramos crianças e que foi desaparecendo quando o eu-adulto
entrou em cena e roubou o brilho no olhar da nossa criança, deixando no lugar
qualquer coisa que prende essa alegria, que acorrenta essa gargalhada e o
resultado é esse olhar opaco, sem graça de adulto que só ri com hora marcada.
Que bom é sentir que o sorriso nos olhos da minha
filha trouxeram de volta essa alegria perdida e basta olhar um tantinho para ela
e fico sorrindo meio bobo, sem motivo, quase um sorriso contemplativo da vida
que nos faz ficar felizes apenas por estar vivo.
Daí, uma estranha limpeza ocorre: sai as preocupações,
somem os traumas, acaba os jogos mentais e tudo mais que eu pensava que
importava; e o que resta: um sorriso enorme que começa na boca e acaba na
testa.
Hoje pela manhã, minha aluna me perguntou:
- Ser pai dá um trabalho, não é?
- Sim ! – Respondi – É um trabalho de limpeza em que
eles limpam as sujeiras e bloqueios que nos tornam adultos tensos, cheios de
nódulos das tristezas acumuladas. Sim, você tem razão! Dá um trabalho danado
limpar isso, ainda bem que temos essas crianças para nos ajudar.

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