Tudo nessa vida tem preço, menos amor; por isso
não damos o devido valor a quem esta do nosso lado, a quem tanto nos ajuda a
cruzar essa ponte da existência na terra.
Quando algo custa caro e não vem de graça, temos a tendência de supervalorizar, de exaltar e dedicar todo o nosso tempo a isso. Porém, quando algo nos é dado de bandeja, normalmente cuspimos no prato e reclamamos que o que foi nos servido não estava bem passado.
Por que somos tão ingratos?
A questão torra minha mente,
atormenta meu cérebro.
Não sei quanto a vocês, mas sou assim, aprendi a
ser assim e venho tentando desesperadamente mudar esse “ser assim”.
Sei que soa clichê, mas assim como boa parte de vocês, só dou o devido valor a algo quando não o tenho mais. Vai ver Freud explica, Jung exemplifica, mas a verdade é que mil livros e milhões de teorias não vão conseguir mudar essa ingratidão. Essa mudança depende de mim, do que aprendi e do quanto estou disposto a pra frente ir.
Quero poder aproveitar melhor as oportunidades que caem como gotas de chuva na minha frente, mas percebo quanto mais oportunidades tenho, pior escolho. É quase como se eu estivesse pedindo pra Deus que as oportunidades desapareçam para que eu possa dar valor a única que me seja oferecida. A pergunta fica no ar: é preciso perder tudo o que temos, para podermos aprender seu devido valor?
Acredito que não e esse valor independe de pagar algo
em retorno, não vai me custar nada, além da cabeça do meu ego, misturado com um
pouquinho de humildade e a pronúncia correta do verbo agradecer, mas agradecer
de verdade.
Pensando nisso e profundamente inspirado por uma palestra que
tive ontem, decidi treinar esse “agradecer” e queria começar agradecendo você
por existir. Sim, você mesmo, leitor, que é a razão pela qual escrevo essas
linhas tortas. Sim, você mesmo, meu Professor, que me ensinou a ler, a escrever,
a discernir, a me projetar. Sim, você mesmo, Mãe, por me dar a vida e ter me
ajudado a ser o homem que me tornei. Sim, você mesmo, minha esposa, por ter me
ensinado a amar alguém alem de mim. Sim, você mesmo, meu inimigo íntimo, por
brincar de ser oposto comigo e ter me ensinado muito mais que eu havia pedido.
Sim, o Senhor mesmo, Meu Deus, por tudo que me tem oferecido e juro que vou
parar de só pedir, assim que aprender a ser agradecido.



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