quinta-feira, fevereiro 29, 2024

O Arlequim e A Mulambo

Nosso Arlequim, andarilho da vida, continuava descobrindo tudo aquilo que a jornada lhe trazia. Algumas frutas doces, outras verduras amargas, mas só bem lhe fazia, pois ele sentia que quando menos atrapalhava o processo da experiência com expectativas, mas ele se surpreendia com os presentes do Jardim da Mãe Divina. 

Na idade, das explorações do Sentir, foi convidado por seu melhor amigo Pierrot, um sujeito triste e meio melancólico, mas sincero e leal, para conhecer as delícias do Carnaval e os mistérios das luzes vermelhas. 

Respeitoso diante do poder que sentia percorrer o seu corpo pelas belas mulheres, Arlequim era um tanto receoso, mas sentia enorme atração para aprender mais sobre aquele ministério de deixar fluir a energia que parecia serpentear seu corpo, em momentos inusitados, em instantes sedutores. 

Já havia provado um tanto disso com Colombina e se frustrado, agora, em plena folia das ruas, estava naquela casa onde mulheres das mais diversas formas e perfumes, exalavam seu charme para aqueles homens com moedas em seus alforjes, mas que não passavam de meninos, diante do poder feminino. 

Pierrot afirmava que aquele lugar daria a Arlequim, a mais profunda iniciação ao Prazer, e Arlequim confiava no amigo para tal sugestão, mas sentia que embora não houvesse preconceito com a mais antiga das profissões, não era assim, que ele desejava ser iniciado e descobrir as chaves daquela ferramenta. 

- Agradeço ao seu convite, caro amigo, mas prefiro não prosseguir – disse Arlequim que recebeu de Pierrot nenhuma objeção. 

Pierrot era amigo, sabia que quando um amigo dizia não para ele, treinava o sim para si mesmo.

Talvez, Arlequim tenha sido o primeiro menino a entrar naquela casa vermelha sem ter provado dos sabores que a casa oferecia, mas com certeza, foi o primeiro homem a sair dela, confiante que não seria ali, que ele teria contato com a magia do toque e a expansão do cume do gozo.

Caminhando nas ruas, Arlequim se juntou aos cortejos de Carnaval, dançou com os foliões, cantou os mais divertidos refrões, e se uniu as marchinhas, confetes e purpurina pelo ar, naquela festa do povo que libertava aquela gente da pressão do coletivo e rompia o status quo. 

Foi ao passar por uma encruzilhada, em meio aos tambores e cornetas, que ele sentiu uma doce fragrância de lavanda encantar o seu olfato. 

Perfume que o envolveu e o fez dançar na encruzilhada, fazendo-o lembrar de um certo encontro de outrora, mas a lembrança se desfez, quando ele percebeu surgir na penumbra, fios de tecidos que pareciam trapos, que dançaram juntos com ele, como se tivesse vida própria, ou era apenas o vento, mas naquele exato instante, dentro daquele tempo, Arlequim sentiu um leve toque, talvez fosse novamente o vento, mas Arlequim se deixou levar por aquele quase carinho, percorrendo a sua pele. Carinho que acordava todos os seus pelos, fazendo vibrar cada molécula, fazendo cócegas em cada átomo. Os toques continuavam em lugares diferentes do seu corpo, cada lugar que era acordado por aqueles dedos do vento, despertando novamente memórias de outrora, liberando medos, curando dores, até que nosso Arlequim viu aquela Mulher vestida de vermelho e negro se aproximando, com farrapos cobrindo as curvas de seu corpo, os mesmos farrapos que ele havia visto, e que pareciam ser tecidos rasgados, mas ao mesmo tempo, lembrava as sedas mais deslumbrantes que ele já havia visto. 

- *Boa noite, Palhaço do Sentir, bem-vindo a minha corte. Eu sou a Nossa Senhora da Rua, a encruzilhada é o meu Reino.*

Arlequim saudou a moça bonita, que trazia no chapéu branco, uma rosa vermelha, bem parecida com a rosa que ele carregava em seu peito, e na mão direita uma taça de champagne, cujo líquido dourado parecia ser feito de estrelas e brilho da lua crescente. Ela lhe ofereceu sua bebida e avisou:

- *Tome da minha bebida. Sinta em sua boca, receba em sua língua, o doce sabor das copas, mas saboreie com calma, deixe que seu corpo sinta com leveza o prazer dessas gotas se derramando, se juntando com cada parte do ser. Esse é o meu beijo.*

Arlequim sentiu a taça em seus lábios explodindo em mil desejos ainda não saciados. A bebida parecia ser a própria vida que lhe adentrava, borbulhante, gelada em substância e quente em sensações.

Aquela bebida era o Santo Graal da sua criatividade, trazendo mil ideias, mil projetos pedindo passagem, estórias sendo contatas, pétalas de lótus se abrindo.

- *Dance comigo, meu Arlequim, mas sem me tocar, apenas sinta meu movimento, como se você sentisse os raios da manhã tocando a sua pele. Esse é o meu toque. Essa é a minha oferenda.*

Arlequim dançou com a Senhora da Noite como se aquela fosse a Dança do Dia que nasce, despertando a sua vontade de viajar pelos quatro cantos da Terra, manifestar realidades, construir mundos, servir a humanidade com a sua arte. 

Cada movimento em compasso com a Mulher dos Mistérios, era uma Gira da Realidade, onde tudo poderia ser possível, sob o poder da liberdade.

Naquele momento, ele aprendia uma nova alquimia, a magia do receber, e por um momento, ele quis retribuir, entregar a rosa vermelha que ele também carregava em seu peito e entregar para a Senhora da Sedução em gratidão, mas ela disse: 

- *Não!*

E ele entendeu, SENTIU, que a Dança do Prazer que recebia era uma oferenda e como tal, a sua única atitude era receber com respeito, gratidão e reverência. E assim o fez, nosso Arlequim, sorriu de agradecimento e ajoelhado recitou uma poesia...

_“Nossa Senhor da Rua,_ 
_Mulher de Todas as vidas,_
_Feminino Sagrado;_
_Agradeço por essa ferramenta recebida, pela lição aprendida, por todo esse carinho, por esse agrado.”_

O vento então trouxe a névoa que cobriu a Divina Mulher em brumas e quando o mesmo vento se dissipou, nosso Palhaço Andarilho viu apenas os tecidos que pareciam trapos no meio da encruzilhada e se lembrou...se lembrou... que ruínas já foram castelos; os mulambos, os farrapos, os trapos eram tudo aquilo que pode ser esquecido pele tecido do tempo, mas sempre será lembrado: *respeito pelo que se recebe na carne, na pele, no coração, na mente e na vida.*

_O respeito é o prazer de ser grato pelo carinho que nos foi e é oferecido._

*Matnis*

Arlequim e a Casa das Mil Personas

Arlequim bateu na porta da Casa das Mil Personas, foi atendido por ele mesmo, a *Persona Servidora*.

Depois de bem alocado, sentado no sofá e olhando os quadros na parede que pareciam ser fotos suas de outras épocas, notou o vai e vem de muitos outros Eles, mas permaneceu aguardando, afinal, ele estava aprendendo, quando as coisas mais estranhas aparecem, é preciso observar, sentir e aprender. Não demorou muito, e nosso Palhaço Cósmico viu uma versão dele, vestido de terno e gravata, descendo pela escada, e vindo na direção dele.

- Seja bem-vindo – disse aquele outro Arlequim, que não parecia mais novo, nem mais velho que ele, mas tinha um olhar de autoridade e uma pose de que ele só poderia ser a *Persona Gerente*, aquele que organizava e administrava aquela Casa das Mil Personas. – Vou te apresentar nossa casa.
-
E Arlequim foi seguindo o Gerente por aquela casa tão bela e tão estranha, casa que parecia ser desconhecida e um tanto familiar. 

- Recebemos a todos, nessa Casa das Mil Personas, não temos preconceitos com as novas Personas que vão chegando, nem excluímos as Personas que já não atuam mais – disse o Gerente – Veja, aqui é o quarto das Personas da Infância, são muitas, mas a principal é a *Persona da Criança Faladora*, foi ela que ancorou nossa primeira comunicação com o mundo e conseguiu juntar tudo o que aprendeu ouvindo, com tudo que aprendeu testando e fortaleceu a nossa consciência quando disse nosso primeiro *“não”*. Logo ali, no outro quarto, tem as *Personas Manipuladoras, as Personas Violentas, as Personas Choronas* e outras tantas que preciso manter um olhar mais vigilante, pois elas podem te atrapalhar com as coisas lá de fora. 

E nosso Arlequim foi seguindo pela casa, vendo milhares faces dele, as tantas mil Personas que ele sabia, sentia, já havia tomado conta dele, ainda tomava, entidades do astral interno que o incorporava sem que ele soubesse.
A Casa era gigante e os quartos pareciam infinitos, e ao perceber isso, nosso Arlequim perguntou ao Gerente:

- Cabe tudo isso dentro de mim?

- Cabe muito mais, essa é a apenas a Casa das Mil Personas; quando você estiver preparado, poderá conhecer as casas vizinhas e descobrirá que somos mais que um bairro, muito além de uma cidade, tudo dentro.

- E como o senhor administra tudo isso?

- Essa é a função do Gerente, quando fui criado por você e pelo mundo, aprendi a desempenhar a minha função. Então, gerencio qual Persona toma de conta de acordo com a ocasião e com a ajuda das *Personas Vigias*, mantemos a ordem e não deixamos nenhuma Persona tomar o controle. Algumas Personas tentam tomar o poder e ficar mais tempo do que poderiam; algumas até tentaram controlar tudo. E temos que colocá-las no lugar delas, em seus quartos. Mas sem punição, deixamos que elas acreditem que possam ter o seu poder. Temos nossos meios de gerencia-las. 

- Mas... o controle lá fora é meu, certo? – perguntou o Arlequim.

O Gerente sorriu... e respondeu:
...

terça-feira, fevereiro 27, 2024

O Arlequim e a Senhora dos Ventos


O menino Arlequim já não é biologicamente tão menino assim, está mais para homem, mas as dores da infância ainda estão latentes e apesar do dente de leite já ter desleitado, um novo dente, dente-pedra-casadosavós - precisa nascer e ocupar seu devido lugar no Sorriso de nosso Palhaço Cósmico. 

Adolescentar é SENTIR na matéria todos os fluídos e mudanças do Reino de Copas sem a inocência da infância e ainda sem a maturidade de ser adulto. Tudo é confuso, porque dentro é uma confusão.

Nosso Arlequim adolescente não poderia ser diferente, mesmo conectado e tendo flashes de lembranças, volta e meia, meia e volta, lá estava ele, sendo jogado pelas ondas químicas que refletiam as ondas experiências fora e qual onda é a mais arrebatadora para o nosso Adolescente do Riso --- a mesma que foi para cada um de vocês nessa fase: a paixão!

Quando Colombina apareceu pela primeira vez, ela tinha a forma de uma linda morena, esperta, inteligente que olhava qualquer OUTRO adolescente que fosse diferente de nosso Arlequim que era um teen bem diferente, daqueles que não cabem nos grupos dessa fase, aqueles que só aceitam quem se veste e age como tribo, Arlequim não conseguia se passar por qualquer outra coisa se não por si mesmo. Gostava das músicas porque as canções eram belas e ele as amava e não porque todos escutavam. Se vestia da forma como se sentia bem e não porque era moda ou mais aceita. Então, nosso Arlequim sofreu MUITO porque embora a fase pedisse sua integração a um certo grupo de mesmos gostos e mesmos interesses, Arlequim parecia não pertencer a nenhum deles, e Colombina era COMPLETAMENTE DIFERENTE - a mais popular, ela era a mais bonita, mais aceita, mas desejada, porém, o que fez Arlequim se apaixonar por Colombina era porque ela era uma artista. 

Certo dia, Arlequim foi ajudar Colombina a estudar para uma prova e ao entrar na casa dela, nosso Palhaço Cósmico SE ENCANTOU porque viu toda a arte que ela produzia, desenhos lindos, esculturas maravilhosas e todas aquelas formas feitas pelas mãos daquela menina - isso tudo despertou em nosso Palhaço, um grande fascínio que foi seguido por uma grande atração – PAIXÃO - mas também decepção quando ele ouviu de Colombina que não era para contar para ninguém sobre a arte que ela fazia.

- Por que não? – perguntou Arlequim – É tudo muito lindo.
- Não! Não quero que ninguém saiba. A turma da escola vai me zoar e achar que sou alguma nerd, alguma maluca,... alguém como ...você... não! Não quero que ninguém saiba que eu faço isso.

Arlequim sentiu – MATNIS- nunca contou, mas seu coração queria gritar para Colombina que ele queria ser uma peça de arte nas mãos dela. Mil fantasias, desejos e anseios o levou a declarar a sua paixão, prematuramente descrita como amor e ela o rejeitou. 

Ahhh...dor!!!

As dores do primeiro coração partido o derrubaram mais que a separação dos seus pais... as mesmas ondas que o levaram a sonhar com aquela linda moça, destruíam seus castelos de desejo, seus sonhos a dois, seus anseios e Arlequim diante de tamanha dor, quanto dormia, entrava em regiões escuras que o afastavam das vibrações de Obá, quando acordava, ele só queria fugir, escapar daquelas emoções, sentimentos perversos que o jogavam para as lágrimas, que o derrubavam nos buracos mais escuros, e foi aí nesse momento, que alguns conhecidos, nunca amigos, o convidaram para uma festa, e nessa festa, havia bebidas, havia drogas, havia fugas mágicas da dor que lhe foram oferecidas e nosso Arlequim se viu num momento de escolha: a dor ou o alívio?

Hum...

Ah... Reino de Copas com suas águas que acalmam e com tempestades que tormentam. Nesse momento, ecos de Obá intercederam e Arlequim foi envolto pelo vento que num espiral de tempo e espaço, o levaram entre um segundo e outro para a presença de um redemoinho. Em meio ao vento, ele viu um Buffalo Negro se aproximando e o som que ele fazia, era como se mil tambores soassem e no céu, mil raios e trovões anunciavam a chegada de Oyá que surgiu que rompeu a imensidão para se manifestar mulher poderosa em frente ao nosso Palhaço Cósmico que a saudou, a Parte que Sabe silenciou em reverência. 

- Senhora do Vento, eu a saúdo!
"Palhaço do Amor, eu te abençoo e te alerto: não fuja da dor da rejeição, não escape da dor de não ter controle sobre o outro, você nunca terá, jamais! O Amor só ocorre na junção de dois querer, nunca no desejo de só um pertencer. Ninguém é rejeitado quando se sabe o valor que tem. Nenhum coração é partido quando alguém conhece a beleza de seu próprio coração. Não se confunda com a mente, ela é ferramenta,OBSERVE! Não se confunda com as emoções, elas são correntes dos fluídos do Reino de Copas, SINTA! Emoção não é sentimento, paixão não é amor. O Tempo vai te mostrar que quando sua Arlequina estiver pronta para te amar, você estará pronto também para a libertar da sua pressa, seu relógio, sua gaiola que quer o canto de um pássaro só para si. Sinta! Mas não escape, não fuja por caminhos que vão te afastar da sua PRESENÇA e da LEMBRANÇA de quem é.”

-Eparrei, Mamãe!

- Matnis, meu filho!!!

segunda-feira, fevereiro 26, 2024

O Arlequim e o Reino de Copas

É noite serena de lua cheia e nosso Arlequim sai da cama com o seu barquinho astral. É madrugada de pescaria, por isso ele preparou os instrumentos, ajustou seu barco e saiu do Porto Beta, seguindo rumo ao Mar Alfa, navegando nas ondas cerebrais.

Nosso Arlequim ainda é criança, mas quando dorme, ele se lembra, lembra quem é, Obá Obá Obá! *Salve o Divino Lembrar - Viva a Parte que Sabe*

As águas estão agitadas e o seu barco parece estar furado, mas não é água que entra, é lucidez que sai. Ele ergue as velas da luz que ecoam Om, Om, Om e segue tapando os buracos da consciência que escapa. Está aprendendo ainda a ser marinheiro da experiência e é com muita paciência que vai cobrindo furo por furo e mantendo-se desperto nesse mar da inconsciência.

Com firmeza no leme, concentra a sua atenção nas ondas à frente, ignorando o que vê ao lado. Com o canto do olho esquerdo, vê sereias, terras prometidas, lindas donzelas e outros tantos tesouros escondidos. Com o canto do olho direito, vê monstros, peixes gigantes, dragões de sete cabeças e todo tipo de horror que o repulsa e atrai. Contudo, resiste a tentação de dialogar com essas seduções e segue fortalecendo o seu barquinho que avança cada vez mais pelas ondas desse mar de ilusões, oceano com seus significados dos mais variados, e à medida que prossegue, percebe que as visões que as ondas carregam se dissolvem nas mais intensas cores, e já não está navegando num mar bravio, barqueia por um mar colorido. 

Cada onda representa uma mensagem, formando um arco-íris marítimo das lições do Divino. Para navegar por esse arco-íris aprendeu faz pouco tempo, que é preciso usar a bússola do amor e o remo da força de vontade para trabalhar.

Pescador, oferece como isca a boa sintonia e o mar reage, oferecendo-lhe peixe-dourado, peixe-firmeza, peixe-espada, peixe-harmonia e peixe-palhaço, pois pescaria divina sem alegria é totalmente sem graça. Com o barco cheio, antes que retorne ao Porto da Vigília, agradece a Janaina, Rainha do Mar e das Ondas Mentais, por ter entrado em suas águas e não ter naufragado pescando o que parecia ser peixe, mas não passava de pneu furado. Odoyá sorri e canta uma melodia que diz algo assim:

“Volte para o seu mundo, meu Pescador do Amor, e compartilhe esses peixes dourados do mar do arco-íris com todos que tiverem olhos para te ler e discernimento para compreender que somente com o barco da sintonia fina e sutil, os marinheiros da projeção da flor conseguirão entrar no mar do primeiro voo com a Mãe Divina e perceber que esse mar do amor cada um carrega dentro de si, durante todos os dias, O Reino de Copas se faz presente em tudo aquilo que se sente. Tudo que está em cima, está também embaixo; tudo que se encontra dentro, também se apresenta fora. Observa, SENTE e manifesta a sua experiência”.

- Como me lembrar lá no corpo, Mamãe?

“Matnis, filho, Matnis!”

sábado, fevereiro 24, 2024

Tem Dias

TEM DIAS...

Tem Dia
Tem Um Dia
Em que você acorda 
Desperta 
E percebe que você não é o outro 
Ou as coisas 
E para de dar importância 
A tudo aquilo 
Para qual
Pelo qual 
Onde qual
Qual Qual
Você viveu por...

Pô, mano! Que tempo perdido 
Para você 
Pois...
Para os Outros 
E para Todas as Coisas 
Importou 
Porta adentrou 
Entrou 
E entrou de tamanha profundidade que os Outros se esqueceram 
E isso é normal com todas as coisas 
Que continuam 
Sempre continuarão 
Independentemente 
Do motor que colocou as coisas 
E os Outros a continuarem 
Até o fim
Enfim...

Voltando ao Dia
Tem dias 
Tem dias
Em que a gente desperta 
Acorda 
E percebe que você não é os outros
As coisas 
E daí... 
Eureka
Só sobra Você!!!

Você!!! 
Você é todas as coisas (e os outros juntos)
Mas 
Mas...
Sem se esquecer de você 
Pois
Quando você para
E repara 
Em você 
Uauuu
Que coisa linda 
E que coisa medonha 
Você é...
Sem os Outros 
Sem Todas as Coisas 

Só 

O que sobra de você?
Ora sobra! 
E sobra muito!

E sobrando muito 
Você começa a se importar 
Com...
A sua Saúde 
O seu Conhecimento 
As suas experiências 
E Shazam!!!!
Vem todas as forças dos Deuses do Olimpo e de Aruanda 
Para te mostrar 
Que você é NADA
Haha
Mas...
Sendo NADA
Cabe todos os outros 
E todas as coisas 
Se você não se esquecer 
De 
Você
Professor Frank
🙏🏽
Sintam o Matnis 
♠️♦️♣️❤️

sexta-feira, fevereiro 23, 2024

O Menino Arlequim


O Menino Arlequim se tornou filho, cuidado, nutrido, amado, querido e foi crescendo como *Filho*.

Em princípio, Arlequim era parte de tudo. Não havia separação entre ele e o Todo. Tudo era Arlequim.

Como qualquer criança, Ser Filho é Ser Um com Deus e com Tudo e Tudo fazia parte dele, e ainda faz parte de nós, mas a gente se esqueceu...Arlequim vem lembrar.

Como *Filho*, Arlequim recebeu nome, nacionalidade, religião, status social, até um time...embora o Menino Arlequim não gostasse de futebol e nem de rezar, pois brincar para ele era qualquer brincadeira, orar para ele era respirar, pois estava totalmente *religado* com tudo e todos, mas...

Sempre tem um mas...

Faz parte da vida, termos um *Sgundo Parto*. Se cortaram nosso Cordão Umbilical com a nossa mãe, o mundo, fora do Útero, também corta o nosso Cordão Sagrado e UNO com Deus, e no lugar recebemos um *Ego* que vai sendo construído, lapidado, formatado pelas crenças e conceitos e leis do mundo manifestado. Foi assim com cada um de nós, também foi assim com Arlequim.

Mas nosso Palhaço Cósmico, ainda Menino, era um moleque diferente. Quando diziam que ele não era o Céu, ele se disfarçava de nuvens; quando diziam que ele não era a Chuva, ele dançava com as poças d'água; quando diziam que ele não era o Sol, a Lua e as Estrelas, aí é que nosso Arlequim se mascarava 🎭 de Natureza e já no prezinho, reunia a molecada com as suas encenações criativas e fantásticas. O Teatro Sagrado já dava sinais que Arlequim seria um Médium dos Sorrisos de sua plateia de amigos. 

Arlequim seguiu assim, sendo Menino e Menino, era um Filho amoroso e feliz, recebendo a dádiva de poder crescer em um Lar Apropriado para as suas Arlequices, mas Arlequim ainda era uma criança quando sentiu o outro lado do Teatro da Vida... seus pais iriam se separar...

((()))

Entre um momento e outro
O bebê se torna criança 
A criança se torna menino
O menino aprende sobre a Dualidade desse plano
Que ele É tudo
Mas precisa também 
Por um tempo
Estar separado 
Conta-se que foi assim
Que Arlequim aprendeu que seus pais seriam sempre seus pais
Mesmos que não estivessem juntos 
Ele seria sempre filho 
Pois Pai e Mãe nunca se separaram de seus meninos e meninas 
Ele sofreu 
Ele chorou 
Nosso Palhacinho Cósmico precisava aprender a Lição da Dor
E foi nesse interim 
Que nosso Menino aprendeu assim
E assim esteve com a sua Vovó que o levou para a sua casa
E na *Casa dos Avós*
Ele recebeu colo
Conselho 
E foi nutrido pelo saber antigo
Quando a Velha Nanã nas rugas de sua Vó
Lhe contou:

"O amor nunca se acaba 
Mas tão importante quanto a ciência de estar junto é a consciência de estar separado, e quem aprende da escola do relacionamento sabe, sente, Arlequim, meu neto, que se houver Maturidade, os Enamorados se separaram na amizade, honrando o Elo Sagrado do Filho gerido, da filha cuidada.
Eu sei que você está achando que a culpa é sua. Não é... você é a prova do amor dos seus pais...
O Amor nunca acaba, muda de forma, seus pais ainda se amam, mas decidiram por seguir, como casal, caminhos separados, rios que fluiam juntos, agora possuem leitos separados que se reencontram quando as correntes do Filho os une .
Meu netinho, veja, sinta, seu Avô há muito partiu, mas ele ainda está aqui comigo, em você, na minha história, sem ele, não haveria sua Mãe, nem você assim, bem palhacinho, que feito mosaico, tem partes minhas, dele e do seu Pai e da sua Mãe, e mesmo na minha ausência e na falta da presença dos dois juntos, eles são UM SÓ em você... o Amor Manifestado. Viu? Te falei, o Amor nunca acaba, pois o Amor continua em você. 
Tão logo, lá na frente, você também aprenderá sobre o Amor de Casais e sentirá que esse Amor só vale a pena, se permitir que sua futura amada possa permanecer ou partir. Amor só é Amar em Liberdade.
Se na Universidade do Amar
Você um dia se matricular 
Enxergue a Santa Parceria 
Sinta a Divindade de sua companheira 
E mesmo em meio a Grande Dor
Se ela ansiar por liberdade 
Se entregue com fervor 
A esse presente 
Que é deixar o Outro Partir
E ser feliz 
Mesmo que não esteja mais ao seu lado
Trilha enganosa é quem pensa que o Amor
É tesouro que se guarda 
Amar é Cachoeira de Oxum
Sempre seguindo 
Para além das margens"

Talvez, nosso Arlequim não tivesse ainda capacidade de entender as palavras sábias da Vovó, mas a *Parte que Sabe* que Obá lhe ofereceu recebeu aquela santa lição sobre o Amar e no tempo certo, no instante adequado, aquela lição o ajudaria a lembrar que não se separa de alguém somente na dor e na discórdia, também se separa em amor, quando se respeita a *Santa Escolha* que todos nós herdamos do Pai Criador e da Mãe Divina.

Depois, então, de escutar a sua Vó, Arlequim tomou seu chocolate quentinho, comeu seu bolo de cenoura com chocolate e olhou bem nos olhos dela e falou: 

- *Matnis*, Vovó

E ela respondeu: 

- Saluba, meu Neto!

O Arlequim e os Erês

Vão dizer que é estória, vão dizer que inventei, mas vi o Arlequim no berçário fazendo rir outros bebês. Ali, naquele lugar onde os recém-nascidos ficam esperando os parentes olharem pelo vidro quem é filho de quem; meninos, eu vi, meninas senti que na calada da noite, enquanto o hospital dormia, o Bebê Arlequim se juntou aos outros Curumins e começaram a cantar em bebêses e o canto entoava: Ibeji!!!!!!

Daí, pequenos redemoinhos de flores e bolhas de sabão surgiram do nada, juro, sei que foi assim, sinto que é assim, redemoinhos, crianças feitas de vento que se juntaram a festa e era um batuque gostoso vindo sabe lá de onde e para vocês não acharem que essas crianças estavam sem observação médica, surgiram três doutores da alegria: *Cosme, Damião e DoUm: os doutores da infância* abençoando nosso Arlequim. 

Também estavam por lá, o bebê Krishna, o neném Buda e o menino Jesus: amigos se reunindo no berçário do amor no brincar de se existir.

O portal da amizade estava aberto e os amigos, vocês sabem, formam a família que escolhemos por sintonia e afinidade. 

Numa ciranda de crianças, não há preconceito, não há discriminação por cor, sexo ou status social. Quando escolhemos um amigo para fazer parte de nossas cirandas de amizade, criamos uma relação de aprendizado de amor incondicional que vai se estender por toda a vida.

Uma rede de apoio que nos fortalecerá nos momentos de nossas vidas que as relações familiares sanguíneas passam por turbulências...

Nos instantes em que corações são quebrados quando nos iludimos em relações amorosas cheias de projeções e expectativas alheias ao nosso bem estar e bem querer...

Naqueles pontos da vida, onde nos esquecemos que lá no céu tem 3 estrelas, todas três em carrerinha: a gente, a família que nos escolheu e a família que escolhemos.

Nenhuma jornada começa sem Exu, mas jornada alguma fica sem Ibeji. E foi Orixá Ibeji que beijou a testa do nosso Arlequim e disse assim: *Matnis.*

O Arlequim e A Senhora dos Olhos D'água


Dizem que quando morremos, vemos toda a vida passar em nossa mente, como se fosse um filme de trás pra frente. O que não dizem é que quando estamos nascendo, também vemos nossa vida toda passar, mais de frente para trás, para o *esquecimento*. 

Havia um corredor por onde nosso Arlequim atravessava. Um corredor de águas doces que parecia uma onda circular que se fechava sob a sua cabeça e se encontrava sobre seus pés, lá no final do corredor, havia uma Mulher com os Olhos Gigantes que pareciam duas cachoeiras.

À medida que nosso Palhaço Cósmico atravessava esse corredor D'água, ele sabia que estava prestes a Renascer, ter uma nova chance de fazer tudo de novo direito. Então, ao tocar aquela cortina d'água, ele viu sua vida terminando e assistiu seus últimos dias; e o tempo rodava em reverso, de velhinho a adulto, de adulto a menino, de menino a criança e ao chegar no fim do corredor, ele já não andava, era um bebê que foi recebido e pego do chão do corredor por aquela Senhora das Águas Doces que olhou nos olhos do nosso Arlequim Bebê e disse, quase chorando:
*Matnis*

Nesse momento, o bebê sentiu e chorou neném mil ora iê iês. A Senhora dos Olhos D'água ninou nosso Arlequim com um amor tão profundo, aquele amor que faz florescer rosas, que abre  as folhas ao toque do orvallho, que faz girar os girassois 🌻.  

O Amor que une inimigos, o Amor que acaba guerras, o Amor que faz nascer as Samaúmas, O Amor que mantém a Terra Girando no vazio do espaço. O Amor que constrói famílias.

- Sinta, Arlequim - disse a Mãe da Fertilidade e da Abundância- Sinta!

E o Arlequim bebê lembrou da sua família de outra vida.  Sentiu todo o amor que o recebera. 

- Essa família antiga vai te receber novamente, meu filho! Nesse ciclo que vai se repetir para que você faça diferente. Vai para Terra, vai ser Palhaço da Alegria, Professor do Amor, mas não se esqueça jamais do amor da família que já te recebeu em outras vidas e te receberá novamente agora. E te lembra, essa família é sua âncora para que você não se afogue nas armadilhas da matéria e no karma da repetição.

Nesse momento, várias outras mulheres surgiram cantando:

_"Oxum Menina dos Olhos D'água_
_Oxum Menina dos Olhos D'água..."_

Eram as *Caboclas de Oxum*, às parteiras do entre-vidas que recebem de Oxum, os Viajantes das Estrelas do Astral e os entregam ao Reino de Copas - o Reino das Sensações - ❤️

E lá foram as Caboclas de Oxum levando o Bebê Arlequim para entregá-lo a sua Nova Antiga Família. E lá ficou Oxum e ficará sempre guiando o seu filho por toda a sua nova vida.

❤️♣️♦️♠️

Arlequim e Obá

Exu disse ao nosso Palhaço Cósmico, no meio da encruzilhada:

*- Você está livre DESSA encruzilhada, mas sua mochila vazia é o passaporte para novos erros e com certeza, novas encruzilhadas - A palavra virou crença, a espada feriu feriu, feriu, feriu e virou pedra !!! Será que não chegou o momento de rever as palavras, os comportamentos, as crenças? Será que não chegou o momento de Sentir? Água mole em pedra dura tanto bate até que fura !!! Sentir, se questionar e se abrir para a mudança pode ser um bom e novo caminho!!!*

De mochila vazia, Arlequim começou a esquecer e cada palavra esquecida, ele se sentia como se estivesse entrando num rio e indo cada vez mais fundo. 

Cada palavra esquecida trazia alívio e paz. E quase como se estivesse sendo Encantado por um canto de uma Sereia de Água Doce, nosso Palhaço Cósmico foi avançando e pouco a pouco, entrando no rio, até que as águas calmas começaram a ficar agitadas, revoltas, no céu cantava Oyá, no rio, surge *Obá*. 

- Palhaço Cósmico - pare agora de avançar!!! - disse a Iabá, despertando Arlequim de seu entorpecimento, que se deu conta que quase já não lembrava como fora parar ali.

- Senhora das águas turvas, me perdoe a ignorância, mas não me lembro muito bem como vim parar aqui.

- Você já esteve por aqui, Palhaço Sideral, e sempre optou por esquecer, dessa vez, quero te dar uma escolha, se assim desejar: *meu filho, você gostaria de seguir sua jornada e dessa vez, sem esquecer o que você precisa lembrar?*

- Será que eu consigo? As memórias são pesadas, as palavras dadas ficam presas nas rochas das promessas... veja minha mochila! Já não carrego as pedras.

- Tem Pedra que fere e machuca e tem Pedra que edifica nossos Templos Internos. A Pedra é a Casa dos seus Avós, de seus ancestrais, que manifesta a sua realidade. Ao querer esquecer suas palavras pela dor de carregá-las, você também esquece a sabedoria das runas de suas incontáveis vidas em toda a sua Sabedoria que Oxossi lhe deu em sua expansão. Ao mergulhar em meu rio, você vai mergulhar na retração, cuja benção ajuda a todos que passam por aqui a ter força e coragem para reiniciar suas jornadas sem a culpa, o remorso e a raiva. Porém, Arlequim, te pergunto novamente: *você já esqueceu tantas vezes, e se dessa vez, você reiniciar sua jornada lembrando?*

- Isso me parece ser uma experiência nova... algo que eu nunca fiz.

- É, *mas a escolha é sua.* se você aceitar, você vai atravessar o meu rio, com a cabeça erguida. Honrando cada palavra falada, saudando cada palavra recebida - a lembrança vai doer, a lembrança te fará chorar, porém a mesma lembrança vai através do tempo, suavizar e você sentirá que essa suavidade da memória, a ternura da lembrança é um *tipo de esquecimento*, o esquecimento de quem reencarna com a mochila vazia, sem *embrutecer* e vai reencontrando suas palavras à medida que for crescendo e cada palavra será espada livre das pedras que pesam mochilas. 

- O que preciso fazer?

- *Aceitar a lembrança e aprender a sentir.* Você aceita lembrar? Gostaria de Sentir? 

O nosso Palhaço Cósmico respirou fundo e diante daquele novo precipício e desafiadora jornada, saudou Obá:

- Obà Xiré, minha Mãe. Aceito a sua bênção da lembrança e seu Àṣẹ. 

Foi assim que o Arlequim aceitou reencarnar, aceitando a benção de Obá. Sim, ele não mais mergulharia no Rio do Esquecimento. 

Ele estava pronto para se lembrar...

*Matnis*

♠️❤️♦️♣️

O Arlequim e a Encruzilhada

O Arlequim, nosso Palhaço Cósmico, se viu numa encruzilhada. Sem saber por onde ir, sem saber como atravessar, cada caminho era uma palavra prometida que já não fazia mais sentido em sua vida (tudo muda, as pessoas mudam, as promessas murcham), porém, uma vez palavra dada, palavra vira corrente, promessa, que muitas vezes precisamos cumprir, mesmo que não faça mais sentido ou que fale ao coração. Porém, nosso Louco do Tarot, nosso Arlequim, que não é bobo, sabia que era *LIVRE* para decidir, contudo, sabia também que ao quebrar promessas, desfazer juramentos, não honrar a palavra dada poderia lhe conduzir a sérias consequências, daí, só lhe restou pedir ajuda a Exu, que veio ao seu socorro e surgiu soberano no meio da Encruzilhada, sentado em cima de uma Pimenteira. 

- *Diga lá, meu Palhaço, qual é a encrenca que a Palavra lhe prendeu?*

_- Laroyê, meu Guardião. Eu já não quero mais seguir naquele caminho ali da religião que prometi seguir, e também já não quero aquela carreira que a faculdade me fez trilhar, nem quero seguir nesse relacionamento que minha amada me fez votar, nem quero continuar sendo essa personalidade que me fizeram jurar ser porque era mais adequada para mim como homem... quero escapar dessa encruzilhada. Não sei o que quero, mas sei o que não mais quero. O que posso fazer?_

Exu riu e fumou o seu charuto, cuja fumaça fez desenhos de pontos de interrogação pelo ar e depois de tomar sua taça de vinho, exu falou:

(((?)))
_... Não sei o que quero, mas sei o que não mais quero. O que posso fazer?_

Perguntou o nosso Arlequim a Exu que riu e fumou o seu charuto, cuja fumaça fez desenhos de pontos de interrogação pelo ar, e depois de tomar sua taça de vinho, Exu falou:

*- Você já esteve aqui antes. O tempo é plano e circular. Acredita em outras vidas? Digamos que, uma vez, você já esteve aqui para fugir de suas responsabilidades, outra vez, você já esteve aqui por pura ingenuidade, uma certa vez, veio aqui por pura escuridão mesmo - mas não se julgue demais - todos possuem sua escuridão, sua maldade, sua falta de lealdade com a palavra - porém, poucos desejam se libertar de fato - olha você aqui!!!! Querendo se libertar de tudo isso, mas ciente que esta está em looping, revivendo esse ciclo sem parar e para escapar desse ciclo terrível de não saber qual caminho honrar, qual palavra seguir, só há uma saída...*

_- Qual seria?_

*- Te digo, mas antes pague meu preço*

_-E qual é o seu preço?_

*-Me entregue o que você você carrega em sua mochila*

Arlequim riu. Costumava carregar na mochila tanta coisa: promessas, juramentos, verdades, juras, votos, acordos, decretos, e tanta coisa que a palavra lhe fizera carregar. Ahhh...mas agora... sua mochila estava vazia.

*-Aqui está*

Disse o nosso Palhaço Cósmico entregando sua mochila vazia para Exu que riu mais alto ainda e de seu charuto saiu pontos de exclamação pelo ar ❗ ❗ 

*-Agora você pode tomar qualquer um dos caminhos que não vai mais repetir os mesmos erros que o levaram aqui.*

_-Isso quer dizer que consegui escapar da encruzilhada?_

*Eu não disse isso! Você está livre DESSA encruzilhada, mas sua mochila vazia é o passaporte para novos erros e com certeza, novas encruzilhadas. Até la, liberte sua espada da palavra dada aos outros e erga a sua espada para o seu Sentir*

Laroyê 
🔱

terça-feira, fevereiro 13, 2024

O Arlequim e a Rosa 🌹

Um dia, nosso Palhaço Cósmico tentou plantar uma roseira. Queria sentir surgir em seu jardim, uma rosa vermelha, mas nosso Arlequim era um péssimo jardineiro e não conseguiu fazer a roseira surgir.

Depois de tentar muitas vezes, ele decidiu que se não conseguia sentir sua rosa com matéria-física, ele faria com matéria-mente, e fechou seus olhos e com toda concentração, conseguiu depois de mil e uma noites de tentativas, visualizar uma rosa em sua imaginação. Com carinho, ele foi criando o ramo, as folhas e até mesmo o espinho; com calma, ele foi preenchendo de matéria-mente, cada pétala, desenhando as fibras, colorindo de vermelho cada curva e daí, ele sentiu que uma rosa vermelha surgia em sua imaginação e era uma rosa tão viva que ele, já não conseguia deixar de vê-la, podia até tocá-la e sentir seu perfume. 

Porém, a rosa que ele criara ainda era uma rosa de matéria-mente, e o Arlequim não se contentou com a sua criação e pensou em fazer algo diferente em seu jardim imaginário, mas antes que o fizera, nosso Palhaço Cósmico, percebeu que lá além, entre as fronteiras do Real e do Encantado, de onde vem tudo aquilo que não pode ser explicado, vinha um perfume de rosas tão intenso e quanto mais observava, mais ele sentia e viu, uma rosa gigante surgir no horizonte, quase como se fosse um sol no amanhecer do dia, ou uma lua cheia no escurecer da noite, e Arlequim sentiu - Matnis - que aquela Rosa era feita de matéria-espiritual e tinha sido enviada para ele como um presente.

Ao se aproximar da Rosa Gigante, nosso Encantonauta foi se agigantando também, até que a rosa coube na sua mão e ele sentiu sua textura, cheiro, formosura e quis levar aquela Rosa para a matéria-física, mas sabia que não podia, e comparou a Rosa da matéria-espiritual com a Rosa da matéria-mente e percebeu uma diferença; a Rosa que vinha do além das palavras, era uma Rosa Livre que não pertencia a ninguém, por isso, ela era gigante e fazia de quem a tocasse, imenso também. Ela não podia ser levada dali, colocada no jarro da possessão, e por isso, inspirou nosso Arlequim a deixá-la em seu lugar, em seu silêncio tão musical e nosso Palhaço a agradeceu e deu um "jóinha" para o Criador/Criadora, Jardineiros do Astral que a enviou para ele, e retornou a sua imaginação, e lá estava a Rosa de matéria-mente que ele havia criado e daí, com a mesma concentração e vontade, o nosso Jardineiro do Riso, deu a essa rosa, o último retoque que faltava: a deixou ir, se dissipar nos ventos da mente, do esquecimento do tempo e abriu seus olhos.

Quando seus olhos estavam abertos, ele olhou para o solo, *sentiu* e para as sementes de sua roseira e plantou novamente, e mais uma vez, e outra vez mais, até que um dia, do solo, um pequeno broto nasceu e pouco a pouco, foi crescendo, até que nasceu uma Jabuticabeira... 

Professor Frank Oliveira
🙏🏽

Sintam o Matnis
♣️♦️❤️♠️

quinta-feira, fevereiro 08, 2024

O Arlequim e o Mirim


O Arlequim estava naquela casa, castelo, labirinto ou o que quer que fosse isso, nesses dias que tudo não é nada nem aquilo, mas a gente se sente aflito, com o coração apertado, com o peito expandido como se um perigo pudesse nos fazer ficar ferido.

Naquele lugar, as paredes o apertava, e seus olhos buscavam alguma saída, até que ele viu um gatinho preto que se aproximou devagarinho e o nosso Palhaço Cósmico sentiu - *Matnis* - que deveria seguir aquele animalzinho e o fez. E o bichano, foi meio que mostrando a Arlequim que havia saída daquele lugar que poderia ser qualquer lugar que a gente entra e se sente aflito, quase desesperado, como se o mundo fosse acabar, mas não acabou, porque o gatinho lhe mostrou a saída e ali, logo depois de mil portinhas e pontas soltas, nosso Arlequim se viu fora daquela masmorra e quando quis agradeceu o gatinho, notou que o bichinho tinha sumido e apenas viu um guri bem pretinho.

- Você viu um gatinho por aqui? - Arlequim perguntou 

- Você viu um palhacinho perdido por ali? - disse o menino rindo e o Arlequim percebeu no olhar do moleque, um brilho de olhos felinos e começou a entender que o gatinho virarara o moleque ou teria sido o guri que tinha virado o gatinho.

- Você era o gatinho que me tirou de lá? - Perguntou o nosso Palhaço que, naquela situação, começou a rir sem parar. 

- Dependendo do lugar, até formiga eu me torno, eu caibo em todos os cantos. Sou mensageiro dos lugares onde ninguém consegue entrar, mas todos querem sair. Eu vejo tudo - Tudo eu Sinto.

- É. Eu queria mesmo sair daquele lugar e o pior que já nem me lembro como fui parar lá dentro...

- É assim com todos, palhacinho, se metem nas encrencas mais absurdas e criam castelos, carapuças, masmorras dentro de si. Daí, precisam contar com a astúcia dos meus serviços de mirim, é preciso ser assim para passar dentro de um buraco de uma agulha e desatar os nós que vocês mesmos dão em si mesmos.

- Mas de quem é esse castelo? Meu?

- Ora, meu não é - disse o guri rindo. 

- Como você sabia que eu estava em perigo?

Aí é que o menino riu mais ainda... 

- Todos tem um mirim dentro de si que os livra dos castelos e labirintos que criam. Mas eu não vim apenas te salvar, vim de trazer um recado do Pai Oxalá: para de construir castelos para te proteger contra todos. Quanto mais se tenta fugir do mundo, mas preso se fica dentro das masmorras da mente, enjaulado nos buracos do corpo. A vida é para sentir, às vezes é dor, às vezes é prazer, mas esse é o jogo. 

- Você fala tão bem para ser apenas uma criança...

- Eu nunca disse que era... - respondeu mirim que se transformou em um Leão e o Leão rugiu e falou - Exu tem a forma que a encrenca pede.

- Acho que eu prefiro o gatinho- disse o Arlequim e os dois gargalharam juntos até o Arlequim acordar daquele sonho, se sentindo leve e alegre, como se todo o peso do mundo tivesse sido retirado do seu corpo.

Exu Mirim é Mojubá

*Sintam o Matnis*
❤️♠️♦️♣️

sexta-feira, fevereiro 02, 2024

O Arlequim e a Mãe do Mar


Foi numa noite clara que o Arlequim olhou para o Mar e sabia, que embora seus olhos não pudessem ver, além da retina, sentiu que entrava na Grande Galunga e marinhejava no seu barco corpo diante da Grande Sereia. 

Ele não a invocara, nem cantara para ela, o nosso Palhaço Cósmico não estava num terreiro, mas era 02 de Fevereiro, e ela se apresentou e sua onda o banhou e foi levando-o para o fundo do mar.

Não resistiu, nem lutou, só poderia se entregar e se entregou e quando o fez sentiu Mamãe Janaína sorrindo, mas talvez fosse apenas o reflexo da meia-lua, não sabia, e quanto mais tentava enxergar o seu rosto, mas no escuro ele foi mergulhando e sentindo que ela se comunicava com ele, além da linguagem humana - Orixás não falam português - numa lingua assim, meio Matnis.

O Arlequim que não tinha nada a perder, não sentiu medo de não mais voltar, apenas foi sendo levado e Odoyá o colocou em seu colo e Arlequim sentiu que era o colo de todas as mães. Lembrou da sua mãezinha, lembrou da sua vó, lembrou da sua tia e de todas as mulheres que cuidaram dele ao longo da vida e percebeu que Yemanjá representava todas as mães, mesmo as mães que nunca tiveram filhos.

- Mãe - o Arlequim falou - Pensei que a Senhora fosse bem alvinha, da Cor da Virgem Maria, Nossa Senhora, Mãe de Jesus.

E Odoyá lhe respondeu ou o Arlequim imaginou, ali tudo era uma coisa só:

- Eu sou de todas as cores, meu filho, mas me manifesto nesse Portal do Útero da Vida, por onde passam os navegantes indo e voltando de suas lidas. Sou a Mãe África, mas também sou Todas As Mães de todas as Tribos desse povo humano que nesse planeta azul vem se manifestar. A cor da minha pele é a cor das estrelas cadentes que se refletem em minhas águas e são entregues a areia, se moldando no barro de Vovó Nanâ para se movimentarem e experimentarem o Amor e depois retornarem por esse mesmo portal como estrelas subintes, de volta aos braços de Olorum. 

- Então, estou morto, minha Mãe? - ele perguntou...

Então, o Arlequim viu novamente o sorriso de Inaê, que talvez fosse a meia-lua, vai saber e sentiu que do fundo do mar, vinham um grupo de seres que pareciam Golfinhos, mas eram outra coisa, ou talvez Cavalos Marinhos.

- Siga com o Povo do Mar, eles vão te levar de volta ao Reino de Oxalá para você se lembrar que Dandalunda não tem cor, não tem raça, não tem lenço, nem documento, não é humana e ainda assim, representa sim, a cultura africana, pois todo ser vivo é preto, mesmo quem atualmente, vista roupa branca. 

E o Povo do Mar foi levando o Arlequim de volta para a praia, enquanto o nosso Palhaço Cósmico escutava uma canção de ninar...

" Sereia, Sereia
Quando eu acordar 
Na areia 
Me permita lembrar
Recordar 
Que todos somos
Da mesma Aldeia
Aldeia da Rainha do Mar"

Gratidão
Obrigado
Valeu
🙏🏽

Sintam o Matnis
❤️♣️🌹♠️❤️

quinta-feira, janeiro 25, 2024

O Arlequim e Paulo de Tarso



O Arlequim estava plantando Crônicas pelas ruas da cidade naquele feriado e encontrou com Paulo que estava meio perdido ali pelo centro, próximo do Pátio do Colégio. Ele parecia assustado, como se estivesse fugindo dos mendigos da Sé e parecia mais acabado do que quem teve uma overdose de tanto comer yakosoba na Liberdade. 

Paulo pediu ajuda ao nosso Palhaço Cósmico para encontrar dois padres que ele dizia serem os únicos amigos que ele tinha na cidade.

- Você sabe aonde mora o Padre Anchieta e o Padre Nóbrega? - perguntou Paulo, que não tinha celular, nem Google Maps  -ou onde tem algum lugar que eu possa repousar perto daqui?

O Arlequim respondeu que de Padre, ele só conhecia o Lancelotti, mas que havia uns hotéis bons e baratos ali na Consolação, mas que ignorasse aqueles avisos de hotéis da Baixada do Glicério que parecem bons, mas no final, o sujeito acaba enforcado, quando acorda sem carteira e sem documento. O nosso famoso Bufão Sagrado estava temeroso que aquele sujeito meio perdido e confuso, acabasse sendo vítima fácil, ali pelas bandas do Parque Dom Pedro II e avisou também sobre os perigos do "Centrão" e pediu para o caminhante ter cuidado: evite seguir por essa extrema direita que une a Paulista com Faria Lima. Se o viajante seguisse por lá, acabaria preso por estar de alpercatas e sem paletó e tênis de marca.

- Não tenho nada que possam me roubar, nem preconceitos sobre como me visto, podem me atingir. Desde que deixei Éfeso e vim parar nessas bandas de Piratininga, tenho apenas sido, nada mais tenho. Além disso, tenho a proteção de João Ramalho, até o casei com a Índia Bartira. 

O Arlequim fingiu que sabia quem eram aqueles nomes que o viajante falava. E o Andarilho continuou:

- Não foi difícil chegar aqui, todas essas trilhas sagradas estão bem sinalizadas, Tibiriça, pai de Bartira, pediu apenas que eu evitasse a trilha do Peabiru, para eu não acabar nas Terras do Povo do Sol. Mas acho que preciso encontrar um lugar para descansar, apesar de todas essas trilhas sagradas indígenas chegarem aqui, acho que vou levar um tempo até encontrar meus queridos Jesuítas.

- Você quer que eu te leve até algum hotel?

- Obrigado, moço do rosto colorido, mas não me leve a mal, eu me conduzo, não sou conduzido. Esse lugar tem poder, por mais que esteja coberto por todo esse concreto e só estou um pouco perdido, pois os Tupiniquins que encontrei ali, à beira do Rio do Mau Espírito, me disseram que eu encontraria os padres por aqui, nessa colina, próxima de Tamanduateí, mas é tanta gente e tanta casa gigante que quase toca o céu, que mesmo se eu falasse a língua desses homens ou dos anjos, eu não os encontraria. 

O Arlequim então decidiu seguir seu caminho e deixar aquele homem para trás para que ele se encontrasse ou achasse os tais padres, porém, antes, curioso e levando em consideração que aquele homem se vestia com roupas bem antigas, o Arlequim perguntou:

- Moço, posso te fazer uma pergunta, mas não sei se me convém te perguntar isso.

- Claro! Toda pergunta é permitida, todo questionamento nos convém se tiver amor e respeito.

- Em que ano estamos?

- Ora, meu caro, estamos no Ano do Senhor de 1554. 

- Entendi...- disse o Arlequim que tinha mesmo sentido que aquele homem que encontrara, era mais que apenas um homem, mas um símbolo vivo - Boa sorte em sua busca pelos padres. E qual é mesmo a sua graça?

- Tarso, Paulo de Tarso ao seu dispor. E a sua graça?

- Quim, Arle de Quim. Muito prazer e boa sorte.

O Arlequim que já havia encontrado com tanta gente estranha e maravilhosa em sua jornada, não estranhou nadinha, ter encontrado com Paulo de Tarso naquele 25 de janeiro, enquanto seguia para Avenida São João com Ipiranga. E rogou aos espíritos indígenas das tribos que já estavam ali, antes da cidade ser "fundada",  que protegesse aquele nobre cristão dos Bandeirantes, Fernões, Bittencourts e Dutras.

Sintam o Matnis
❤️♠️♣️♦️

sábado, janeiro 20, 2024

O Palhaço e o Caçador

O Arlequim estava cansado de não ser bom em nada e tudo o que conseguiu fazer foi chorar na mata e lá chegando, depois de saudar a sua Jurema e escorregar nas folhas de Osanha, descansou aos pés da Samaúma, e sentiu uma pontada no peito, achou que tinha sido a picada de um mosquito, mas tinha sido a flechada de um Caçador.

O Caçador carregava seu arco e flecha e seu celular (oxi, quem disse que Orixá não pode ter Instagram?), e viu o Palhaço triste, cabisbaixo, lamentando que Pierrot roubou sua Colombina, que Renato Didi Aragão estava fazendo dançinha no Tik Tok e que Trump voltaria. 

O Caçador riu das desgraças do Palhaço, não por escárnio, mas porque o Velho Arlequim estava perdendo a graça de estar na Floresta, aos pés da Mãe da Mata, e quis ajudar a mudar o humor do Palhaço e falou:

- Quer aprender a ser Caçador?

O Arlequim estava naquele estado de reclamar de tudo e se achar nem Oscarito, muito menos Grande Otelo, mas diante do Caçador, ele percebeu que nada já tinha, perder mais o quê? 

- Okê Arô! - respondeu o Arlequim, sem saber ao certo, se deveria dizer "sim" ou "haux haux", talvez tenha sido o efeito da flechada, mas ele foi se animando e decidiu seguir os passos das lições do Professor das Matas que o mostrou a arte do Arco, feito bambu, sempre elástico, flexível sob o calor do sol e o enrrugamento da chuva e do frio. Ensinou sobre as flechas, cada uma delas apontando uma direção aos alvos dos Grandes Valores da Vida Humana, sabores que só nutriam se fossem servidos aos Outros. 

O Arlequim aprendeu a caminhar na floresta sem deixar rastros, sem fazer barulho. Aprendeu sobre as plantas, as ervas e os frutos e todas as lições de quem é um só com a Natureza. E passaram-se muitos anos Aruandeiros, ou talvez só alguns minutos naquele 20 de janeiro, mas depois de muitor treino, o Caçador mostrou ao Arlequim o seu alvo, uma sombra ao longe, que o Caçador apontou como sua caça. 

- Mira no Sentir
Acerta no Amar
Tente entender 
Só se erra
Se você se confundir 
Se acerta 
Sempre no Fazer
Sem tentar... 

O Arlequim então não tentou, fez!
Atirou sua flecha e acertou 
Viu que acertou e correu 
Alguém que chorava encostado a um tronco
Sentado aos pés de uma Grande Samaúma
E para a sua surpresa 
Ele acertara a si mesmo
E o si mesmo acertado 
Olhou e se viu
Pois sentiu 
Que naquele momento 
O Palhaço era o Caçador 
Que se encontrava com o Palhaço triste que lamentava na mata
O Arlequim - Caçador de Si Mesmo

O Palhaço triste aos pés da Mãe da Mata olhou e viu esse Caçador Arlequim com arco e flecha e um celular (oxi, quem disse que Orixá não pode ter Instagram?)... e essa foi a foto que Oxossi... ou foi o Arlequim que publicou?

Oke Arô
Evoé


Frank Oliveira 
🙏🏽

Sintam o Matnis
❤️♠️♣️♦️

Luto



Estou de luto
Não me perguntem quem morreu
Quem cala a minha boca sou eu
Estou mudo
Sei que você gosta de mim
Se quiser me apoiar 
Me apoie com a sua companhia assim
Com seu ombro amigo
Mas em silêncio 

Entendo
Compreenda 
O avião caiu para cima 
A árvore despencou sobre a casa
Estou elaborando a minha perda
Se faz distante a alegria 
Minha dor precisa ganhar tempo sobre a mesa

Não use frase bonitinha 
Não tem efeito 
Não diga que quem se foi
Agora está com 
Jesus
Com os Anjos 
Com Aláh 
Oxalá que estejam 
Mas ninguém sabe 
Engula sua teoria religiosa 
Cheia de boas intenções 
Quem esta de Luto
Tem a alma furiosa 
Tem direito de se fingir de pedra 
De apagar as estrelas do céu 
Pendurar a lua no guarda-roupa
E colocar o sol na máquina de lavar 

Me deixe com o meu véu
Toda dor tem prazo de validade 
Toda dor merece rituais de escape
Para que o corpo
A mente se adapte 

Entenda 
Quando alguém que você se importa 
Perde alguém na vida
Sua companhia é bem vinda 
Mas se sua compaixão é ouro
Seu silêncio é diamante 
Saber que posso contar contigo lá adiante 
É mais precioso 
Que seu burburinho
Cheio de boas intenções 
Em dizer algo que possa 
Acalentar o meu sofrimento 
Nada me fará bem agora
Isso é tudo

Estou dizendo 
Você já sabe 
Perdi alguém 
Luto
Luto nesse momento pela minha sanidade 
Luto para encontrar uma forma de absorver a dor de quem eu perdi 
Cada um lida do seu próprio jeito 
Alguns escrevem textão 
Outros se isolam em suas cavernas 
No efeito do desfeito 
Alguns varrem as matas 
Outros enxugam os oceanos 
O Mestre Tempo
Cura cada um
A sua maneira 
Ninguém é igual 

Diante da Natureza 
Como humanos 
Ainda falhamos 
Ao lidar com os Ciclos da Vida
Morte também faz parte
É parte
Não é fim
A Natureza elimina
A Natureza transforma 
Desse jeito
Dessa forma 
Tudo se equilibra 
Enfim
Mesmo que parece torto 
As relações internas 
Com o que se foi 
Se harmoniza 
E a tristeza vai se transformar em ausência 
Assim que o relógio voltar a correr 
E o som dos pássaros 
Deixar de ser barulho 
Nesse momento 
As cortinas estão fechadas 
Mas o show vai continuar 
Juro
Assim que as lágrimas no chão do palco secarem 
Elas secam 
O Inverno do Luto 
Sempre vira a Luta da Primavera 
Da Vida que continua a florescer 
Além das quimeras 

Até lá 
Se fechar 
Calar 
É uma linguagem 
Quem sofre se comunica assim
Que Omulu, o Orixá do Silêncio 
Reine com a sua Calunga 
Nesse Ritual do Fim
Que Yemanjá com seu Portal do Limpar
Banhe o espírito confuso na carne 
Com a ausência de quem se foi
E o peso de ficar sem
Estou de Luto
Lute por mim em suas preces e carinho
Respeitando o meu jeito
De lutar
Meu Luto

Abro meu guarda-chuva na sala
A tempestade da Morte
Deixou um arco-íris negro no meu rosto
Os tambores estão tocando lentamente 
Que o cortejo cumpra seu papel
Que os mortos sejam enterrados 
Para que os vivos possam cremar seus passados falecidos 
No eterno presente 
Que é aqui Estar 
Com tudo que aqui proporciona 
O Riso
O chorar 

Se estou em Luto
Foi porque amei
E todo Amor vale a Pena
Mesmo que todo Amor
Sempre acabe 
Continua a Alma
Como disse o poeta 
Se ela não for pequena

Esse é o Drama do Luto
A Luta da Trama
Todos vão passar por isso
Rogo que você também 
Tenha forças 
E tenha o direito 
De lidar do seu jeito 
Sem ter ninguém 
Que sua dor
Distorça
E ninguém culpar 
Será a sua Luta
No seu Luto

Quanto a mim
No incerto desses versos 
Calço minhas alpercatas
Para caminhar nesse deserto
Onde minha flor do ficar bem
Vai Renascer 
Quando ela quiser 
Assim Ser
Mas se não quiser 
Está tudo bem, também 

sexta-feira, janeiro 12, 2024

A Linha do Tucum

Tucum 
O Tucunzeiro é uma Árvore muito alto e sabida 
Prima ali da Palmeira 
Cresce mais de 10 metros
Sua fruta é o Tucamã
Concentra o Poderoso Ômega 3
Que combate aquilo que entope o coração 
Sim... esse Tucum ajuda tanto o corpo físico 
Quanto também o Espírito 
Os Indígenas sabem disso

Oke Arô!

Nosso Guia, o Professor que também se veste de Tupã e Nanhederú
Guiando o povo também 
Na arte de trançar Fibras do Tucum na habilidade ancestral mantida até hoje pelas populações tradicionais de transformar essas tranças fibrais em todo tipo de arte...
Existe um saber que é passado por gerações, que envolve desde a coleta das fibras, a lua, até as técnicas de trançado que são muito diversas, e que se tornam chapéus, esteiras, espanadores, cestas de todas a espécie, redes, miniaturas, e todo etc de arte...
E dali, vem também o saber da Mata
E dessa Árvore Sagrada 
Para conduzir esse povo nas linhas mais elaboradas de suas fibras que abre caminho no mundo espiritual.

Sim... quem já viu
Sentiu
Sabe
Matnis

Essa Árvore também tem uma egrégora espiritual 
Chamada de A Linha de Tucum
Onde todas as linhas 
Mesmo as mais adversas
Se unem 
Quando param de disputar 
Um lugar
Pois a Linha Mostra
Não há UM LUGAR
Há apenas O LUGAR
Do Sentir
Aonde Deus e Eu, Você, Ele, Ela, todos nós
Somos apenas UM SÓ
Sem ninguém ficar sem o que também é Seu

Esse lugar 
A linha mostra 
No Sentir 
Não é DesConhecido
Mesmo assim
A gente tem medo
Muito apego a UM LUGAR que você chama de SEU.
Condiciomento e Condiciomento 
Fibras que disputam
Para ser a mais querida 
E se esquecendo 
Que tudo é SÓ UMA FIBRA
A fibra divina do Tucum
De Deus 
Que é SEU
Mas também de todo mundo 

Daí... lá vem mais fibras de Condiciomento 
Tentando manter o que É SÓ SEU
Mas a Linha do Tucum mostra 
Sim, seu lugar é seu
Mas também é de todo mundo 
E por ser de todo mundo 
Não vai MATAR O QUE E SEU

Não!

Mas torná-lo transcendente 
Daí, todas as fortalezas que você construiu para te proteger
Perde a razão 
Pois o TUCUM só se revela em sua essência 
Quando todas as Fibras se UNEM
E param de lutar 
E nisso, vem o trabalho lindo
De nossos Ancestrais
Fiando COM a gente
E nessa COMfiança
Nossas Ancestrais transformam nossas fibras
Em pura arte
Em cores incríveis que o Tucum faz ver e sentir no Astral
E pode ser trazido para aqui e agora...

Se você afastar o Medo do Desconhecido
Vai a fórmula:
1. Separe a fibra do DES
2. E você terá CONHECIDO
Que é outro nome 
Para FAMILIAR

Lugar Seguro onde você pode ser você mesmo sabendo que esse Lugar é de Todo Mundo

Ahhh...
Ahhh...
Ahhh... eu quero só para mim
Bom...
Seu controle para manter tudo só SEU
Por encantamento 
Só se Desfaz
No Fazer
Do Sentir
E construir algo para todos

Matnis
❤️♣️♠️♦️

Sim..a Linda de Tucum 
Revela o Grande Twist
Da sua Arte
Na Vigília e no Astral
No Astral e na Vigília 
Quando você sente que o que é SEU
Também é de TODO MUNDO
Você percebe...
Ninguém pode te roubar 
Ninguém pode te ferir 
Porque não há nada para ser Roubado
Ou tomado
De você 
Porque o que é SEU É DE TODO MUNDO e o que é DE TODO MUNDO é Seu
E esse sentimento 
Nos livra do medo 
De perder algo que 
Sempre será SEU

Matnis
❤️♠️♣️♦️

sábado, janeiro 06, 2024

Lancelotti e o Santo Graal


Cordeiro de Deus que ajudai os Pobres do Mundo
Daí a Lancelotti 
A firmeza de Ogum para continuar seu trabalho de Caridade 
Cordeiro de Deus que alimenta a Gente de Rua 
Daí a Lancelotti 
A tranquilidade de Buda para continuar seu trabalho de humanidade 
Daí a alegria de Krishna para transformar Bolsominions em Gopalas que aprendam a dançar ao redor do Deus do Amor
E compreender que ser Cristão 
Não é moeda de voto
Não é Clube de Tiro 
Daí a Destreza de Maomé para que Lancelotti e seu lindo trabalho, una as Tribos Inimigas 
Em nome da Paz 
Que Lancelotti continue servindo o Santo Graal do seu coração 
E continue cuidando de todo o povo deixado para trás por Noé e sua Arca da Indiferença 
A Cracolândia 
Terra Desolada pelo Dilúvio das Mazelas Sociais 
Inferno da Terra Prometida de Sampa
Tem um anjo 
E esse Anjo é um Cavaleiro da Távora Redonda de Jesus 
Não é Cristão de Extrema-Endireira da Terra Plana do joga o que não quero ver para debaixo do tapete do Capitalismo destrutivo 
Se cada drogado 
Pagasse Dízimo 
Ahhh... aí seria diferente.
Cadê os Malafaias? Cadê os Felicianos?
Cadé os Bispos Universais ?
Ahhh... estão pedindo isenção de impostos ao Governo para as suas igrejas, ao invés de estarem alimentando os pobres e cuidando dos Alagados do Dilúvio da Desigualdade 
Mas Deus guia Lancelotti 
Que retira as Pedras dos Viadutos 
Com sua Marreta de Xangô 
Em nome do Amor
E alimenta com seu Carinho oferenda 
Seu rebanho de oprimidos 
Sinta 
Reze pelo Padre
Oro
Cordeiro de Deus que ilumina os necessitados desse mundo 
Daí ao Padre 
O que é do Padre
Direito de fazer o que é Direito 
Ser Cristão 
Iluminando o coração de quem precisa 
Ungindo com Inspiração Divina  
Quem não entendeu 
Que Jesus faria o mesmo 

Gratidão 
Obrigado 
Valeu, Padre
Saravá

quinta-feira, janeiro 04, 2024

A Visita de Oxalá

A Visita de Oxalá

Oxalá veio me visitar 
Na forma de um Caramujo
Épa, Babá, a mostrar 
Tudo o que eu preciso 
Paciência para avançar 
Ciência no meu caminho 
Paz no coração 
Caramujando, Oxalufã
Me lembrou do velho sábio 
Que já não luta com o amanhã 
Que já não corre atrás do passado
Oxaguiã então me revelou 
Do caracol, o desenho em espiral
Que menino ainda sou
E essa lição atemporal 
Me transformou em Caramujo
Em Caracol
E a paz de Obatalá
Acabou com a minha guerra
Afastou minhas mágoas, minha raiva
*Pois nada bom nasce do ódio* 
Chorando, deixei minhas águas 
Fluir, limpando 
Todas as palavras mal ditas 
Todas as justificativas...

*Não!*
Para curar meu coração 
Não preciso ferir 
Nem agredir 
Pois tão forte quanto o Amor
O ódio tem poder manifestador 
Eu sei 
Eu sinto 
*Matnis*
O ódio 
A Mágoa 
Molda realidades em sua raiva
Mas também é sódio 
Entupindo feito lava 
As correntes sanguíneas da nossa alma

Nada!
*Do ódio, não vem nada*
*Nada vem da raiva*

Foi o que o Caramujo de Oxalá me ensinou 
Seu Caracol me trouxe a sua pombinha da paz 🕊 
Seu Caramujo teve pena, teve dó 🐌 
Da minha revolta que era tão grande quanto o mundo
Revolta de querer que todos fossem como eu
Não são 
Eu sou sei de mim

Sinto 
Oxalá teve pena
Oxalá teve Dó
O poder de meu Babá era Maior
E me banhou com a sua paz
Daí, então 
Oxalá partiu lentamente 
Vestido de Caramujo
Na espiral do Caracol 
E eu fiquei sorrindo
Meio velho 
Meio menino
Em Paz por tão bela visita 

Obrigado, Papai
Épa, Babá
Gratidão, Oxalá
Valeu

🙏🏽

Sintam o Matnis
❤️♣️♠️♦️

quinta-feira, dezembro 21, 2023

A Peleja do Diabo com a Chave de Salomão


O Diabo pediu uma audiência na Corte do Rei Salomão, o Rei prontamente atendeu, pois sabia de antemão, que o Diabo vinha disfarçado de você e eu.

- Meu Rei - disse o Diabo - Eu conheço todos os caminhos desse mundo, sei falar como Imperador, digo coisas como vagabundo, já uni o Ying e Yang, até me visto de Tao, mas nunca consegui me transformar no oposto de ti, pois seu Saber ainda é para mim desconhecido; por isso estou aqui, me mostre esse segredo, me revele esse mistério, você sabe, todos tem medo, mas meu trabalho para todos é sério. Essa é a minha intenção, essa é a minha chave, me permita acesso ao seu Reino.

- Com certeza, Avatar do Contrário, atenderei teu pedido, te dou acesso ao meu Reino, espero que possa sentir o que represento. Sei do seu trabalho, sei também do seu intento, e do perigo, caro Avatar das Sombras, mas antes te saúdo com respeito e te agradeço por sua visita, a minha espada é amiga. Mas antes me responda, amigo meu, por que você acha que o nosso povo vai se beneficiar desse endosso, achando que você sou eu, ou o meu oposto?

O Diabo sorridente, já ciente dos seus planos, respondeu:

- Veja, Meu Rei, os humanos ainda confundem a nossa existência com as figuras históricas que eles criaram ao nosso respeito, muitas vezes por exagero. Enquanto eu sou o Avatar do Medo, você é a Essência da Sabedoria, enquanto dizem que eu desposo Lilith, juram que você se apaixonou pela Rainha de Sabah, se soubessem a verdade, não inverteriam os fatos, nem criariam fantasias, afinal foi Lilith que me desposou e Sabah quem O tinha. Por isso, Meu Rei, para a sua Egrégora de Sabedoria chegar ao coração dos homens e mulheres, eles precisam antes ver, se relacionar e acreditar no Oposto. É assim, com tudo que existe na Realidade, o que é precisa do que não é. Porém, sua Coroa não é feita de palavras, então, te pergunto de volta: Como posso ser o seu Oposto? Entendeu o meu enrosco?

- Sim, meu querido Avatar das Tragédias, sei que mesmo o Diabo não sabe tudo e você já sentiu que Sabedoria não se revela em palavras, nem consegue ser acessada pela dualidade da mente, porém, há coisas, meu querido Diabo, que estão além da sua jurisdição, a Compaixão humana, os frutos do Perdão, e você já até tentou se disfarçar de Amor, e acabou ensinando esse terror do ciúme e da possessão, não conseguindo ensinar para nossa gente, o quê Lilith e Sabah nos ensinou: Amor é outro nome para Liberdade. Por isso, para adentrar o meu mistério, descobrir o meu segredo, nos seus termos, você teria que ser enganado por você mesmo, provar do seu contrário, mas como você é uma força única, assim sou eu e como não existe nada igual ao Diabo, me responda, como chegaria à Sabedoria sem passar por si mesmo?

O Diabo refletiu, seu sorriso malicioso, quase infantil, deu lugar a um semblante de dúvida...

- Não sei! É impossível eu ser enganado por mim mesmo, a Parte que Sabe não deixa, eu sei o que é Verdade, e sei o que é Mentira dentro da minha Essência. O Auto-engano humano só é outro nome para ignorância, e sei que Sabedoria não é conhecimento, Sabedoria é ir além do Reino das Palavras, Sabedoria é Saber Sentir e Sabedoria é Saber Dar a Si, apenas o Ser, e Cada Ser é único, não Binário, portanto, A Sabedoria não tem Oposto.

- Isso, meu querido Avatar da Confusão, a Sabedoria, assim como o Amor e a Essência Humana, é algo único. Para acessar a Sabedoria é preciso ir além do Reino Binário, do Pensar Dual, daí, então minha Coroa se revela e meu Trono aparece. 

- Mas eu estou te vendo, eu estou aqui, terei acessado a sua Sabedoria?

- Se está me vendo, se está aqui dialogando comigo e desejando aprender para ensinar ou querer algo de mim.. ahhh... Meu Caro Amigo, você ainda está acessando o Dual, o Binário sobre mim que os Humanos te ensinaram. A minha ciência, caro Avatar dos Paradoxos, vem do fato que quem entra aqui, buscando levar alguma coisa, sai carregando verdades distorcidas, crenças cheias das segunda intenções, que já estava em seus corações. Mas aqueles que entram nesse Reino, apenas para Sentir, sem querer carregar nada consigo, recebem as benções do Rei do Silêncio e da Rainha Nada, e esse Silêncio e o Nada, no retorno às suas vidas, podem se transformar em tudo, pois esses Aprendizes da Sabedoria já sabem, sentem, que o Sagrado não serve aos seus caprichos, bem longe disso, o Sagrado os Conhece e o Sagrado só se manifesta com todos seus lindos presentes na Estrela de Salomão de Quem apenas se Sente. Daí, sendo parte de e do tudo, perde-se o jogo da dualidade, em querer ter algo ou alguém, quando você é tudo e todos.
Você é o Rei das Palavras, para ser seu Próprio Oposto, você teria que ser o somente o Rei de Si Mesmo, mas daí, você deixaria de existir, pois seria somente uma coisa em si e não as duas faces de um conceito binário. Aprendi a ser quem eu sou com o Rei do Silêncio e com a Rainha Nada, a partir daí, me tornei quem eu sou.

- Já tentei ser o Oposto do Rei Silêncio e da Rainha Nada, mas sem falar, sem projetar um ouvir, sem preencher os meus vazios, eu não consegui reter as ferramentas dessa jornada para usar com os humanos. Afinal, Sentir o Rei Silêncio e a Rainha Nada só me fizeram sentir a mim. 

- Esse é o twist da jornada para a Sabedoria, meu Caro Avatar da Dúvida. Por isso, você é você e eu sou eu. Você vive nos outros, eu vivo só em mim, assim, todos só se beneficiam do meu Reino se quiserem sentir para si. Seu trabalho gera contraste que leva a consciência de uma nova essência, meu trabalho é manter essa essência, quando quem me acessa se permite Ser Só para Si. Quem chega até aqui sem querer levar nada daqui, mas apenas o seu Sentir, consegue descobrir o meu segredo, o meu mistério. A Sabedoria não é Coroa que se compartilha, mas a ciência, da qual, todos se beneficiam ao encontrar a Sabedoria em si. 

- Mas eu estou aqui te vendo, então eu consegui acessar o teu palácio. Estou aprendendo tudo isso e posso transformar em palavras e palavras levam a distorção e consequentemente ao contrário do que elas significavam. Então, a Sabedoria está em mim agora, eu consegui vencer esse dilema, saio vitorioso desse debate.

Dessa vez, foi o Rei Salomão que sorriu, não por desdém ou desrespeito aos esforços do Diabo, mas por perceber que o Diabo estava apenas Sendo o Avatar das Vitórias e das Derrotas. 

- Acessar a Sabedoria, meu Querido Rei da Teimosia, todos acessam, mas Sentir... aí é outra história. Quando se sente a Sabedoria de Ser Só em Si e para Si, cessa o diálogo, encerra-se o conflito. Quando os humanos te acessam além do esquerdo e do direito, do bem e do mau, do anjo e do demônio, eles sentem quem você realmente é e tudo o que fez para ajudar cada um deles a se lapidarem, aceitarem suas sombras e suas luzes e chegarem até ali, porém, se eles tentarem te entender, te agradecer, se relacionar com você, vão te chamar de Caim, Demônio, Exu, Belzebu, Lúcifer ou até mesmo de todos os Anjos, Els, Arcanjos e todos os nomes que eles criaram ao tentar descrever com palavras, aquilo que só pode ser sentido. Ao nomear, você deixa de Sentir. Ao ser nomeado, descrito, explicado pela palavra, você deixa de existir em você, e passa a ser apenas um conceito, uma associação racional ou subjetiva de algo que apenas É.

- Parece paradoxo, mas é óbvio, tem coisas que a gente não consegue compartilhar, fica só para si no que a gente sente. O que somos em essência não pode ser analisado, mas apenas sentido. 

- Sim. A Sabedoria não se compartilha, permanece; já as lições do Contrário geram movimentos, mais conflitos e fazem os humanos continuarem a sua busca pelo meu Reino e outros tantos, onde vão perceber que mais importante que reter o entendimento, é observar esse entendimento se transformar em qualquer outra coisa. E no meio disso tudo, o que permanece, o que não tem contrário vira seta que equilibra a existência na dualidade. A Balança de Salomão só se equilibra, meu querido Avatar do Contrário, quando não há Oposto
Apenas Ser Ti
Sem ti não há Sabedoria, Sentir é o paradoxo de sempre buscar a Sabedoria e descobrir que ela sempre esteve dentro de Si e ela desperta quando paramos de buscar respostas, e aprendemos a fazer as perguntas certas, até que as perguntas se calam e o milagre da Essência acontece e se torna Permanência. 

- Meu Rei Salomão, eu Senti a sua Sabedoria, mas não consigo descrevê-la, então, como ela pode me ajudar com o meu propósito, com a minha essência de oposto? Devo continuar insistindo na tática da religião, do poder, da espiritualidade namastê, da positividade tóxica? Confesso que faço isso há tanto tempo que já estou meio cansado...

- Se você sentiu a minha Sabedoria, meu querido Avatar da Libertação, já incluiu na sua Parte que Sabe que um bom começo, embora ainda distorça a palavra, é o se questionar. Dê respostas vagas, proponha soluções fáceis, continue oferecendo fazer a jornada por eles, e quem sabe, alguns deles, vão Sentir, que precisam fazer melhores perguntas e quem sabe, possa daí então surgir, um dos caminhos humanos mais belos da Sabedoria, que é a Filosofia, que se for bem estudada e sentida, pode levar a verdadeira Espiritualidade. 


Gratidão 
Obrigado
Valeu
🙏🏾

Sintam o Matnis
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