segunda-feira, março 07, 2011

Ego - O Falso Centro

Por OSHO

O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.

Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.

Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu. Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.

Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma. Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.

Por meio da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.

E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.

Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.

O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.

O verdadeiro só pode ser conhecido por meio do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido por meio da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Por meio desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.

O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.

Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.

Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...

Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.

A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível. E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.

Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.

O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção. Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta. É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.

Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Por meio do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo.

Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.

Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.

Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...

Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.

Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.

E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.

Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.

Precisamos ser ousados, corajosos.

Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limites ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é o que voçê verdadeiramente é.

Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.

É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...

O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?

O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa?

E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...

E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.

Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.

domingo, março 06, 2011

Dia da Lua

Não vou esperar para te ver a noite, Lua,
pois hoje é o seu dia;
porém desconfio
que quando a Lua celebra seu dia,
a noite fica clara e o dia
fica repleto de estrelas.

Feliz aniversário, Lua !
Que seu luar
Seja sempre cheio de sorriso;
Para continuar inspirando esse poeta
Que deseja que a cada dia
Voce renove o seu brilho!

sábado, março 05, 2011

UM POR UM

"É preciso ter coragem de seguir o caminho reto, pela virtude em si, não pela promessa de paraíso eterno"

Se algo não esta dando certo, por que continuar? Ah, é complicado, você responde, descomplica, eu te digo! Menino, para de bobeira, vai ser feliz! Por quanto tempo você vai viver de aparência?

sexta-feira, março 04, 2011

Charm

Outra experiência espiritual! O que me resta senão escrever...

Mas o encanto é mais forte que a letra, antes que eu escreva a segunda palavra, já terei esquecido a primeira.

Vou tentar...

Se bem que por mais que eu tente, ainda assim, será evidente, que o encanto não permitirá que eu revele a você o que ocorreu em mim. O encanto, é das forças, a mais poderosa!!!

Não luto com essas forças, respeito todas elas, afinal, aceitar que certas verdades nunca serão ditas, nem certos mistérios serão revelados, é compreender a magia que nos faz menor e ao mesmo tempo do mesmo tamanho da vida.

Se insisto na escrita de certas experiências que não podem ser descritas é apenas uma tentativa minha de manter acesa a chama do meu deslumbramento frente as maravilhas que se descortinam perante aos meus olhos, nas coisas do dia a dia.

Por isso, não me culpem pela falta de um conteúdo que possa deslumbrar os seus olhos ou te dar inspiração para escrever e também em você, o Divino procurar. A culpa é do escritor que se apossa das minha mãos, controla a minha mente; ele quer compartilhar o que senti, como se sentimento espiritual pudesse ser descrito, não pode! Eu sei, mas mesmo assim, ele insiste em tentar; e como não sou tão forte assim para resistir, entrego as mãos, só exigindo uma condição: escreva, escritor de mim, mais com coração!

Que loucura!

Sim, ser escritor é abraçar a loucura dos alquimistas: fazer o chumbo que produzimos em frases se tornar ouro em poesia!

Mas vamos ao que interessa: você quer saber que experiência foi essa que não consigo descrever, não é?

....

Sinto muito leitor, vou deixar você nos olhos, na mão!

Não posso descrever o que aconteceu comigo, pois acabaria tentando te convencer que tudo o que senti é o que há; e o que há, é muito maior que a minha versão, por isso, te peço paciência, caro leitor, para esperar, um dia vou te contar, até lá, só me resta palavrear e transformar o real que vivi em mais uma ilusão...

quinta-feira, março 03, 2011

Dialógo Entre Exu e Oxalá

O céu e a terra fundiam-se no horizonte distante, parecendo uma coisa só, como se não houvesse separação entre o mundo espiritual e o material, a consciência individual e a cósmica.

Sentado sobre uma pedra em uma enorme montanha, de cabeça baixa e olhos apenas entreabertos, Exu observava o fenômeno da natureza e refletia sobre o seu interminável trabalho.

Como é difícil a humanidade – pensou em certo momento – parece nunca estar satisfeita, está sempre querendo mais e, em sua essência egoísta desarmoniza tudo, tudo... Tudo que era para ser tão simples acaba tão complicado.

Com os olhos habituados a enxergar na escuridão e na distância, Exu observou cada canto daqueles arredores. Viu pessoas destruindo a si mesmas através de vícios variados, viu maldades premeditadas e outras praticadas como se fossem atos da mais perfeita normalidade. Viu injustiças, principalmente contra os mais fracos e indefesos. Com seus ouvidos, também atentos a tudo, ouviu mentiras, palavras de maledicência, gritos de ódio e sussurros de traição.

Exu suspirou.

Serei eu o diabo da humanidade? – pensou ironicamente, ao lembrar o quanto era associado à figura do demônio. Passou horas observando coisas que estava habituado a ver todos os dias: mentiras, fraudes, corrupção, traições, inveja, e uma gama enorme de sentimentos negativos.

Foi quando estava imerso nesses pensamentos que Exu ouviu uma voz ao seu lado, dizendo naquele tom austero, porém complacente:

Laroyê, Senhor Falante.

Exu ergueu os olhos e vislumbrou a figura altiva de Oxalá.

Èpa Bàbá – respondeu Exu, fazendo um pequeno movimento com a cabeça, em sinal de respeito.

Noto que está pensativo, amigo Exu – falou Oxalá.

Exu respirou fundo, contemplou novamente o horizonte e respondeu:

Trabalhamos tanto... e incansavelmente, mas os homens parecem não valorizar nosso esforço.

Oxalá moveu os lábios para dizer algo, mas antes que isso acontecesse, Exu, como que prevendo o que seria dito, continuou:

Não falo em tom de reclamação, sou um trabalhador incansável e o amigo sabe disso. É com prazer que levo o que tem ser levado e retiro o que deve ser retirado. É com satisfação que abro ou fecho os caminhos, de acordo com a necessidade de cada um, é com resignação que acolho sobre minhas costas largas a culpa do mal que muitos espíritos encarnados e desencarnados fazem, não reclamo do meu trabalho. Sou Exu, para mim não existe frio ou calor, cansaço ou preguiça, existe apenas a necessidade de cumprir a tarefa para qual fui designado.

Se mostra tão resignado e, no entanto, parece que deixa-se abater pelo desânimo – comentou Oxalá, apoiando-se em seu paxorô.

Exu soltou uma gargalhada, ao que Oxalá deu um leve sorriso, com um movimento quase imperceptível no canto direito dos lábios.

Não sou resignado nem tampouco estou desanimado – falou Exu – estou pensativo sobre pouca inteligência dos homens. Veja só: como responsável pela aplicação da Lei Cármica observo muita coisa. Observo não apenas o sofrimento que alguns homens impõem a si mesmos, mas vejo também as incessantes oportunidades que o Universo dá a cada um dos seres que habitam a Terra. O aprendizado que tanto precisam lhes é dado por bem, mas quase nunca enxergam pelo amor, então lhes é dada a oportunidade de aprender pela dor, mas geralmente só lembram a lição enquanto a dor está a alfinetar sua carne. Com o alívio vem o esquecimento e todos os erros e vícios voltam a aflorar.

Oxalá fez menção de dizer algo, mas com o dedo em riste entre os lábios, novamente Exu o impediu de falar.

Ouça – disse Exu, colocando a mão em concha na orelha, como se ele e Oxalá precisassem disso para ouvir melhor. E ambos ouviram o som que vinha da Terra. O som da inveja, dos maus sentimentos, da maledicência, da promiscuidade, da ganância. Exu deu outra gargalhada e disse:

Percebe? Temos trabalho por muitos séculos ainda.

E isso não é bom? – perguntou Oxalá, que dessa vez não deixou Exu responder e continuou:

Pobres homens, ignorantes da própria grandeza espiritual e da simplicidade do Universo. Se não desconhecessem tanto o funcionamento das coisas, seriam mais felizes.

Não estão preocupados em discernir o bem do mal – resmungou Exu.

E você está, Senhor Falante? – tornou Oxalá.

Mais uma vez Exu gargalhou.

Para mim não existe o bem ou o mal. Existe o justo, bem sabe disso.

Então por que tenta exigir esse discernimento dos pobres homens?

Eu conheço os caminhos – respondeu Exu um tanto irritado – para mim não existem obstáculos, todos os caminhos se abrem em encruzilhadas. Para mim as portas nunca se fecham e as correntes nunca prendem. Conheço o sutil mistério que separa aquilo que chamam de bem daquilo que chamam de mal. Não sou maniqueísta, não sou benevolente, pois não dou a quem não merece, mas também não sou cruel, pois sempre ajo dentro da Lei. Os homens, coitados, acreditam na visão simplista do bem e do mal, como se todo o Universo, em sua “complexa simplicidade” se resumisse apenas entre o bem e o mal.

Pobres homens – repetiu Oxalá.

Pobres homens – concordou Exu – mesmo olhando o Universo de uma forma tão simplista, dividido apenas entre bem e mal, acabam sempre demonizando tudo, achando que o mal é o melhor caminho para conseguir o que desejam ou então acreditam que são eternas vítimas do mal. E o que é pior, quase sempre eu é que sou o culpado.

Mas é você o responsável pelo mal? – perguntou Oxalá, admirando o horizonte.

Sou justo, apenas isso – respondeu Exu.

Não seria a justiça uma prerrogativa de Xangô? – tornou o maior dos orixás.
Exu olhou fundo nos olhos de Oxalá e respondeu:

Estou a serviço do Universo, de cada uma das forças que o compõe, inclusive do Senhor da Justiça.

Isso significa que trabalha em harmonia com o Universo, caro Exu?
Imaginei que soubesse disso – respondeu Exu, irônico como sempre.

Acho que sempre soube. Quando observo o horizonte e vejo o céu fundindo-se à Terra, percebo o quanto o material pode estar ligado ao espiritual. Mas também lembro que o sol vai raiar e acredito que apesar de todas as dificuldades que os próprios homens criam, é possível acender a chama da fé em seus corações. Percebo o quanto eles são falhos, mas percebo também o quanto são frágeis e precisam de nós – e nesse momento pousou a mão sobre o ombro de Exu – sejam dos que trabalham na luz ou na escuridão, pois tudo faz parte do Uno e se inter-relacionam. O mesmo homem que hoje está nas profundezas mais abissais, amanhã pode ser o mensageiro da luz.

Exu olhou para os olhos de Oxalá, como se não estivesse concordando, mas dessa vez foi Oxalá quem não deixou que o outro falasse, prosseguindo com sua narrativa:

Se não fossem os valorosos guardiões que trabalham nas regiões trevosas, dificilmente os que ali sofrem um dia alcançariam o benefício da luz. Se houvesse apenas a luz, não haveria o aprendizado, que tem como ponto de partida o desconhecimento, as trevas. O Universo tão simples é ao mesmo tempo tão inteligente, que mesmo nós, que observamos os homens a uma distância grande, às vezes nos surpreendemos com sua magnitude. Os homens são frutos que precisam amadurecer e você, amigo Exu, é a estufa que os aquece até o ponto certo da maturação e eu sou a mão que os colhe como frutos amadurecidos.

Quem diria que trabalhamos em harmonia? – disse Exu em meio a um sorriso – acreditam que vivemos a digladiar quando na verdade trabalhamos em busca de um mesmo objetivo: o aprimoramento da raça humana.

Oxalá só não soltou uma gargalhada porque não era esse seu hábito (e sim o de Exu), mas disse sem conseguir esconder o contentamento:
Então, companheiro Exu, não temos porque lamentar. A ignorância em que vivem os homens é sinal de que ainda temos trabalho a realizar. A pouca sabedoria que possuem significa que ainda estão muito próximos ao ponto de partida e cabe a nós, não importa se chamados de “direita” ou “esquerda”, auxiliá-los em sua caminhada, que é muito longa ainda. Apenas contemplar as mazelas dos corações humanos não irá auxiliá-los em nada. Sou a luz que guia os olhos da humanidade e você é o movimento que não a deixa estática. Se pararmos por um segundo sequer, atrasaremos em séculos e séculos o progresso da raça humana, que tanto depende de nós.

Nesse momento o sol começou a raiar timidamente no horizonte, separando o céu e a Terra. Exu levantou-se da sua pedra e se pôs a caminhar montanha abaixo.

Aonde vai, Senhor Falante? – perguntou Oxalá, como se não soubesse.

Vou trabalhar, Senhor dos Orixás – respondeu Exu gargalhando novamente – Esqueceu que sou um trabalhador incansável e que trabalho em harmonia com o Universo, mesmo que ele me imponha a luz do sol?

Oxalá não respondeu, mas esboçou um sorriso tímido. Assim trabalhava o Universo: sempre em harmonia. Os homens, mesmo ainda presos a tantos conceitos primários, trilhavam os primeiros passos em direção ao progresso, pois não estavam órfãos de seus orixás e protetores.

Pelo Templo Tião D'angola e Boiadeiro Sete Porteiras.

quarta-feira, março 02, 2011

Canções e Fantasmas

Certas canções não envelhecem nunca, trazem lembranças que o vento não consegue apagar e com essas lembranças, essas canções fazem surgir novamente certos fantasmas que não queremos ver ou ouvir vagando pelos quartos do nosso coração.

Essas canções nos perseguem, tocam na jukebox da nossa mente, sem precisar de moeda ou ordem; ecoam por vontade própria, como se obedecessem alguma disk jokey, que não escuta a nossa vontade; demandando a nossa atenção, abrindo as nossas gavetas mentais e mostrando que há algo escondido embaixo da ordem dos sentimentos passados e organizados.

E sempre há algo lá esperando a nossa consciência. Esse algo parece ter vida própria e vai aumentando o seu poder de roubar o nosso controle sobre nossos sentimentos em relação aos fantasmas passados e as experiências não devidamente aprendidas com eles.

Diante disso, fingimos que não é com a gente e ignoramos o que a canção despertou. Ignoramos, até o momento, em que a canção passa a tocar sem parar e o que era, até então, um esqueleto escondido no armário, agora, já criou corpo, carne e osso, e vai tentar nos controlar, e vai pouco a pouco, nos devorando, aumentando e crescendo o controle sobre o nosso mundo emocional.

Não há muita coisa que podemos fazer para calar essas canções, mas podemos estudá-las e compreender que elas tocam por uma razão, e ao estudá-las, com respeito e cautela, podemos descobrir muito mais sobre nós mesmos e conseguir, se não controlar, ao menos, gerenciar os nossos fantasmas internos, para que eles não nos tirem do rumo que escolhemos para trilhar as nossas vidas e parem de nos assustar.

Imagem: reprodução

terça-feira, março 01, 2011

CATANDO GRÃO

Quando ele me contou que eu estava catando grão, eu ri da cara do sujeito, afinal, sou passarinho, não sou galinha, e quem cata grão pelo chão é quem não tem asas para catar o que precisa pelo ar; mas ele reafirmou que estavámos aqui para catar grão...grão de energia.

Para que eu preciso de grão de energia, perguntei; ele respondeu: para não se dissolver quando você morrer!

" A nossa consciência é mais leve que o vento, sem energia concentrada, não há foco e nos dissolvemos em qualquer coisa quando morremos - ele disse - Se tivermos grãos de energia suficiente, teremos força para manter a nossa concentração, do contrário, voltamos a ser tudo e nada ao mesmo tempo!"

- E o que são esses grãos de energia?" perguntei!

- A experiência que absorvemos quando concluímos os nossos ciclos de aprendizado! Essa experiência vira energia que se transforma em força mental; e essa força mental, é absorvida pelo espírito da vida da qual somos feitos, e com isso, ao invés desse espírito da vida se dissolver em qualquer coisa que o atraia, conseguiremos seguir com a consciência intacta, até o momento, em que renascermos de novo em corpo de alma.

- Corpo de alma?

- Sim, tudo o que acontece do lado de lá, acontece cá; e vice-versa! Morrer e nascer são apenas portais para as diferentes realidades em que a nossa conciência de manifesta. Tudo muito natural e simples; o único problema é o tempo entre-mundos, que pode durar uma eternidade, se não tivermos os grãos de energia necessários para nos manter conscientes durante todo o processo de passagem.

- Acho que prefiro acreditar nos pontinhos positivos no céu, que eu ganho na minha igreja, quando a frequento...esse negócio de grão de energia é conversa de sonho...

Foi só dizer isso que ele desapareceu e eu acordei...era tudo comida de sono!!!


Imagem: http://soniaporto.zip.net/images/imagem_Pavoa_branca

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS

- Sogyal Rinpoche -

1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.

(Texto extraído de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"
Sogyal Rinpoche
Editora Talento/Palas Athena).
Imagem: reprodução

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Autoria

Publicaram meu texto sem a minha permissão! O que fazer? Ah, escritor, para de reclamar e vai escrever mais... Como disse o carteiro que roubou os versos de Neruda para conquistar a sua amada: " ...a poesia não pertence ao poeta, mas aos que dela precisam".

Contudo, nesse mundo da internet, onde textos idiotas ganham a assinatura "fake" de algum autor famoso ou textos de famosos escritores aparecem escrito por um tal " autor anônimo", surge uma pergunta: "até que ponto é necessário citar o autor, que escreveu as palavras por nóis citadas?"

Seguindo o racíocinio do carteiro, como escritor, eu sei; que uma vez que as palavras são lançadas ao ar, acaba-se a nossa autoria, e elas provavelmente serão repetidas, fora do contexto ou podem até ser alteradas, em nome daqueles que delas precisam.

Isso ocorre com qualquer escritor e pode até mesmo ter ocorrido com Cristo, especialmente quando sabemos que os evangelhos são testemunhos e reproduções do que Jesus pode ter tido. Se hoje, com o "Control C e o Control V" ainda ocorrem distorções; imagina há dois mil anos? Porém, sabemos, escritores e autores, que às vezes, um texto ou uma frase é tão poderosa, que por mais que outras pessoas tentem mudar, a mensagem permanece intacta e o estilo de escrita desses autores é tão distinta que mesmo que mudassemos as tintas das letras, ainda assim, reconheceríamos o autor original.

Foi assim com Cristo e a sua mensagem, cujas palavras são mais fortes que o evangelho que fizeram em seu nome. Basta comparar com as distorções que também estão lá, como se tivessem sido ditas por Cristo, mas fica claro, que não foi. Assim, são os textos lançados na net; pois basta ler a primeira linha para sabermos quem é o autor ou quem não o é. Daí, fica a sugestão: para acabar com a confusão, faça como o carteiro; beba da água da poesia alheia, mas se possível, cite a fonte!!!



Notas do autor: imagem e textos do livro e filme " O Carteiro e o Poeta"

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ – X*

Por Wagner Borges
(Brincando com as Gaivotas de Luz no Céu de Meu Deus)

Voe, Meu Coração...
Para além da linha do horizonte,
Onde as gaivotas brincam.

Porque há uma Luz que não se vê com os olhos.
E só Você pode vê-la, na Força do Amor.
Sim, só Você, em Espírito e Verdade.

Há uma música que não se escuta com os ouvidos.
E só você pode ouvi-la, na Força do Espírito.
Porque é canto das estrelas.

Ah, Meu Coração, que voa por Amor...
E que viaja junto com os espíritos,
Que são gaivotas de luz.

Bem no meio do Céu de meu Deus,
Você e eles veem a Luz e escutam a música.
Enquanto eu me lembro das esferas astrais de Pitágoras.

Voe, Meu coração...
Para brincar com as gaivotas de luz, além...
Porque não há morte!

E depois do voo, volte para o meu peito.
Com a alegria de saber que a vida continua...
E que as estrelas também cantam.

Ah, Meu Coração, voe, por aí...
Nesse Céu de meu Deus, cheio de espíritos.
E depois, retorne cheio de luz.

Porque não há morte!
E há algo mais... Um Amor. Uma Luz.
E a canção dos astros retumba por todas as esferas.

Voe, Meu Coração...

P.S.:
Sim, o mestre Pitágoras estava certo:
“As estrelas cantam!”
Mas é só o Coração que escuta.
E as gaivotas de luz falam com ele.
E lhe comunicam “que há vida além da vida...
E que no Céu, ou na Terra, o importante é o Amor”.


(Dedicado às gaivotas de luz, que sempre me pedem para escrever sobre a imortalidade da consciência e sobre o Amor que move os corações...).

Gratidão.
Paz e Luz.

- Wagner Borges – pequena gaivota encarnada nesse mundão de Deus.
São Paulo, 24 de junho de 2010.

- Nota:
* As partes anteriores desse texto estão postadas no site do IPPB - www.ippb.org.br -, e podem ser acessadas nos seguintes endereços específicos:
Parte I -http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6898
Parte II - http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6905
Parte III - http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6928
Parte IV -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9668:algo-mais-uma-luz-um-amor-iv&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte V - http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10006:algo-mais-uma-luz-um-amor--v&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte VI –
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10025:algo-mais-uma-luz-um-amor-vi&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
Parte VII -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10058:1031-algo-mais-uma-luz-um-amor-vii-&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte VIII -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10281:algo-mais-uma-luz-um-amor-viii&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
Parte IX -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10279:ha-algo-mais-um-amor-uma-luz-ix&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271

Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de uma benção celta. Segue-se a mesma na sequência.





UMA BENÇÃO CELTA

- Por John O´Donohue -

No dia em que o peso amortecer-se
Sobre teus ombros e tropeçares,
Que a argila dance para equilibrar-te.

E, quando teus olhos congelarem-se
Por trás da janela cinzenta,
E o fantasma da perda chegar a ti,

Que um bando de cores
Índigo, vermelho, verde
E azul-celeste,
Venha despertar em ti
Uma campina de alegria.

Quando a vela se esfiapar no barquinho
Do pensamento, e uma coloração
De oceano escurecer abaixo de ti,
Que surja por sobre as águas
Uma trilha de luar amarelo
Para levar-te a salvo para casa.

Que o alimento da terra seja teu,
Que a claridade da luz seja tua,
Que a fluidez do oceano seja tua,
Que a proteção dos antepassados seja tua.

E, assim, que um lento vento
Teça estas palavras de amor
À tua volta, um invisível manto,
Para zelar por tua vida.

- Nota de Wagner Borges: O irlandês John O’Donohue é escritor, pesquisador, poeta e filósofo católico, com Ph.D. em Teologia Filosófica pela Universidade de Tübingen. É autor de dois belos livros sobre a sabedoria celta: “Anam Cara” e “Ecos Eternos”, ambos publicados no Brasil pela Editora Rocco.
Por diversas vezes, ajudei pessoas com problemas de baixa auto-estima e vazio existencial simplesmente indicando a leitura desses dois livros. O seu autor fala direto ao coração e enche a alma do leitor daquela beleza vital e amor pela vida dos celtas antigos, que valorizavam o gosto pelas coisas da natureza e a fluência dos sentimentos verdadeiros expressados no cotidiano. Vale a pena ler esse material celta inspirado

SE...

Caro estudante, se, mesmo em meio à incompreensão alheia e à dor, tu prossegues trabalhando, és grande!
Se, mesmo fustigado pelos ventos da maldade, tu perseveras com o coração generoso e a mente aberta, és forte!
Se, mesmo assediado pelas tempestades cármicas*, tu segues com paciência e denodo, és luz!
Se, mesmo sob o jugo da dor, tu ainda continuas na trilha da luz, és lúcido!
Se, mesmo espetado pelas farpas das trevas, tu labutas com amor, és pacífico!
Se, mesmo sob as ondas revoltas, tu segues com paciência, és iniciado na arte da espiritualidade!
Irmão, se mesmo sob a ação das confusões humanas, tu ainda ergues os olhos ao alto e agradece, és discípulo da verdade eterna!
Estuda, trabalha, discerne, ama, espera e confia... Pois nas trilhas espirituais só caminha com dignidade aquele que é forte e generoso, paciente e perseverante.
Segue os passos da paz e do esclarecimento, sem queixas e sem mágoas, com os objetivos maiores sempre à frente...
Segue consciente, pois o Senhor caminha contigo!

- Os Iniciados** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 19 de junho de 1999).

- Notas:
* Cármicas – do sânscrito Karma - ação, causa - toda ação gera uma reação correspondente; toda causa gera o seu efeito correspondente. A esse mecanismo universal os hindus chamaram carma. Suas repercussões na vida dos seres e seus atos podem ser denominados de consequências cármicas.
** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente.
Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

PRATO CHEIO DE REMORSO

Há certas coisas que não podem ser medidas, nem quantificadas; tão pouco descritas ou faladas; pois essas coisas exigem uma certa dose de compreensão que muitos de nós, não querem ter não.

É certo, que nem mesmo o melhor dos poetas consegue descrever o amor, outros tentam dar explicações a compaixão; tentando colocar cada sentimento humano num patamar que se ajuste as suas intelectualizações, quando, no fundo, eles sabem, essas coisas fogem da rede do nosso racíocinio.

O mesmo, pode se dizer, quando tentamos compreender a maldade, as razões que levam um sujeito a cometer um crime bárbaro ou um furto inútil. Porém, mesmo sem conseguir entender o que nos leva a flertar com a escuridão, todos nós, já provamos, vez ou outra, do prato do remorso.

Remorso, prato amargo; quando é servido, sempre vem cheio, e somos obrigados pela "Mãe da Culpa", a comer tudo o que há no prato.

Para engolir a culpa, qualquer religião ou dor ajuda; porém, a digestão...

E a digestão da culpa, resulta sempre numa alimentação dolorosa, onde a nossa consciência recebe as lembranças de cada ato, com certo gosto de arame farpado, e percebemos, já bem tarde, que o remorso tem nos ombros, o peso de dois mundos, e na cabeça, o peso do universo. E com tanto peso carregado, inevitávelmente, nos curvamos, e ajoelhando, percebemos pela primeira vez, que o que fizemos afetou a vida de alguém e repercutiu em todo mundo.

Muitos, diante da dor e do peso do remorso, acabam pedindo para esquecer, e esquecidos, acabam fazendo tudo de novo; outros, porém, aceitam o peso, compreendendo que a dor é necessária, e não querem o remédio do esquecimento, preferindo fazer novamente, todo o percurso, ou sentir no próprio corpo, o que fizeram ao outro. Os primeiros se perdem no ciclo do fazer amanhã o que deviam fazer hoje; e continuam pisando no pé alheio e acreditando equivocadamente que só pedir desculpas resolve; os últimos pagam o preço mais alto, mas a recompensa para esses, é um outro prato servido, prato cheio de trabalho, mas com direito a sobremesa do dever cumprido.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Femmes Aux Hommes

Título original: "Femmes aux hommes"

por Luis Felipe Pondé para Folha

Muitas leitoras se queixam de que nunca falo sobre os males masculinos. Hoje, vou pagar uma parte desta dívida. Como todo homem que gosta de mulher, sou um escravo do desejo de deixá-las felizes. Que inferno...

Recentemente, numa entrevista, uma jornalista me perguntou se acredito que os homens tenham medo de mulheres inteligentes. E também o que seria mais importante numa mulher, beleza ou inteligência.


Antes de tudo, um reparo. Neste assunto, não consulte as feministas porque elas não entendem nada de mulher. Tampouco pergunte aos homens que chamam as mulheres de "vítimas sociais", porque são frouxos. Pobres diabos: mulher não gosta de covarde, mesmo que seja covarde em nome dos "direitos femininos".

A segunda pergunta (o que é mais importante numa mulher, a inteligência ou a beleza?) é fácil: a beleza vem em primeiro lugar, nunca a inteligência. Quando um homem disser pra você que ele prefere mulheres inteligentes, ele quer te pegar. Ou, pior, ele tem medo do patrulhamento das feias e das chatas, que no Brasil, graças às deusas, não crescem em número porque as mulheres brasileiras são como dizem os franceses "femmes aux hommes" (mulheres para os homens).

Por que é necessário ter coragem pra dizer que a inteligência feminina não é erotizada pelos homens? Ora bolas, porque atualmente falar para as mulheres que inteligência vale mais do que a beleza é um "dever de todo cidadão".

Uma mulher poderá fazer uma queixa contra você na delegacia da mulher caso você não diga para ela que inteligência numa mulher é fundamental. Não se engane: inteligência nunca é fundamental. Mas, não exagere para o outro lado: as burrinhas enchem o saco depois de duas horas de sexo.

Quanto à primeira questão (os homens têm medo de mulheres inteligentes?), a resposta é simples: sim, sempre; só os mentirosos e medrosos negam este fato. Melhor dizendo, o homem sempre tem medo da mulher, principalmente quando está interessado nela.

Segundo os darwinistas, esta seria uma característica atávica, desde a savana africana. Medo da infidelidade, medo da impotência, medo do ridículo.

Mas há sutilezas nisso tudo. O homem prefere a beleza, mas num relacionamento de longo investimento, outras característica pesam, às vezes, mais do que a beleza pura e simples. Por exemplo, evidências de que ela seja fiel, boa mãe para seus futuros filhos, generosa, doce (coisa rara em mulheres excessivamente competitivas, como é comum em cidades do tipo São Paulo, mas menos comum em outras regiões, como Minas Gerais ou Nordeste onde elas são mais "sorridentes").

Beleza demais pode dar medo quando ela é sua mulher. Garanhões costumam rondar mulheres bonitas demais. Se você só quer "pousar de poderoso" com uma gostosa, tudo bem, mas se quiser viver com ela, aí a coisa pega. Para pilotar um Boeing você tem que ser competente em muita coisa, e nem sempre dá, num cenário violento e volátil como o mundo contemporâneo, onde as mulheres têm mais opção de escolha afetiva e profissional.

Por que, muitas vezes, é tão difícil para as mulheres aceitarem que a inteligência numa mulher não seja essencial? Porque, ao contrário dos homens (esses seres primitivos, insensíveis e promíscuos... risadas...), as mulheres erotizam a inteligência no homem, às vezes, mais do que a beleza pura e simples.

Eu arriscaria dizer que a inteligência quando associada à coragem (virilidade) pode ser um afrodisíaco imbatível para as mulheres numa noite de calor.

Resumo da ópera: a inteligência numa mulher é um risco interno à relação porque o homem pode se sentir "menor" do que ela.

Já a beleza feminina é sempre um risco externo porque o cara sente medo de perdê-la porque sabe como os outros caras pensam.

Já a inteligência num homem nunca é um risco interno à relação porque as mulheres dão nó em qualquer homem. Mas é sempre um risco externo porque as mulheres sabem como suas parceiras pensam: se, além da inteligência, o cara tiver "atitude" (a soma disso dá em charme), aí, meu bem, se prepare para a cobiça de suas amigas.

> Fracassados não pegam ninguém ou só as feias.
dezembro de 2009

> Artigos de Luiz Felipe Pondé.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

SONS

O som de um cachorro latindo, o motor de um ônibus, crianças brincando, o vento gritando... é o mundo falando, se comunicando e eu, só , escutando. Em princípio tudo parece caótico, difícil manter a concentração, por vezes, me perco, por vezes, me acho, mas sigo escutando passivamente o mundo que acontece independentemente da minha vontade.

Respiro...passo a me concentrar nos sons que ecoam dentro de mim. Ouço a minha respiração, quase posso escutar o meu pulso, o coração tá tá tum tum. Em princípio tudo parece caótico, percebo que, por vezes, me esqueço do mundo de sons lá de fora, por vezes, eu lembro, mas sigo escutando passivamente o meu mundo interior que acontece independentemente da minha vontade.

Então, percebo uma interação. Os sons lá de fora, de alguma forma, se comunicam com os sons que ecoam dentro de mim. A minha consciência é a ponte entre esses mundos, e se não tenho controle sobre o que ocorre fora ou sobre o que corre dentro, posso, ao menos, observar todos esses sons, sentimentos e lembrar que preciso estar atento para que o meu comportamento seja menos reativo e muito mais consciente e presente.

Difícil!

Estamos o tempo todo desrespeitando os nossos processos naturais, nos tornando dependentes da corrida do relógio, de estar produzindo o tempo todo, pensando, fazendo, reagindo, e não descansamos, não observamos, não escutamos o mundo a nossa volta, não ouvimos o mundo que grita dentro. Com isso, vamos morrendo aos poucos, ao invés, de seguir vivendo.

E seguir vivendo é fácil. Quer saber como? Você está escutando?

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O Primeiro Chute

Um toque, dois; foi um chute? Não foi!

O que se passa na cabeça dela? O que sente? O que pensa?
Se pensa, será que pensa como a gente pensa, ou ainda usa todos aqueles sentidos que aqui na Terra não fazem sentido?

Faz sentido!

Lá no outro mundo, origem, donde ela vem; deve haver outras formas de andar, quem sabe, se voa; quem sabe, nem se fala, e a gente entende tudo; talvez seja por isso, que basta olhar nos olhos de uma criança para entender tudo; talvez seja por isso que basta um toque, duas batidas ou um chute; sim, basta um chute, para as minhas lágrimas cairem feito cachoeira na barriga da minha esposa.

Estudo as mais diversas formas da linguagem; e o chute do bebê dentro da barriga da minha mulher quer dizer algo, quer comunicar existência, quer dizer que ali dentro, já há uma consciência, se revestindo de matéria, se adaptando a um corpo; só para estar aqui de novo, redescobrindo o mundo com olhar de criança.

Mais um chute, seguido de outro. Ela já é realidade, deixou de ser sonho! Daí, converso com ela e digo: "chuta de novo, filha!"

E ela silencia!

Hum...já está me desobedecendo...

Orum Ananda

Por Fernando Sepe

Aula e Entrevista no Astral

Antes de ir dormir, sinto algumas presenças espirituais dentro do meu quarto.
Engraçado, acabo de escrever um texto sobre a projeção da consciência, talvez
tenha sido algo inspirado por esses mentores. Provavelmente vai acontecer algum
lance no astral, e eles estão aqui para me ajudar no despreendimento espiritual.
Elevo os pensamentos, agradeço ao Criador, deito na cama e relaxo serenamente,
caindo no sono, com a consciência em Deus...

Desperto com boa lucidez dentro de uma sala muito iluminada, toda pintada de
branco, com alguns quadros e pinturas. Parece uma sala de aula pela disposição
das cadeiras e do "locutório", um lugar mais elevado para onde às atenções são
dirigidas. Vejo que muitas pessoas estão chegando, e sentando - se para assistir
a algum tipo de palestra. Lembro - me das circunstâncias antes de eu ir dormir,
e agradeço, pois com certeza foram os guias espirituais que me levaram até
aquele local. Nesse momento minha consciência aumenta e fico totalmente lúcido.

Percebo que muitas pessoas que estão sentadas ao meu lado parecem "cochilar”,
não estando totalmente conscientes, devem ser outras pessoas projetas, assim
como eu. Também existem espíritos desencarnados sentados, esses parecem ter um
grau de lucidez maior, além de alguns espíritos que parecem trabalhar no lugar,
zelando pela organização e ordem do local.

Passado algum tempo, uma mulher negra, de idade entre 40 a 50 anos adentra na
sala. Apresenta - se com o nome de Lúcia, e diz que falará algo a respeito do
desenvolvimento mediúnico dentro da Umbanda. Fora uma dirigente espiritual de um
templo de Umbanda, durante muitos anos até seu desencarne. Estava ali para
compartilhar um pouco das suas próprias experiências.

Faz uma prece aos sagrados Orixás e pede a inspiração divina. Começa então a
falar do desenvolvimento mediúnico propriamente dito, de sua fundamental
importância para toda a vida mediúnica que se seguirá, que é nessa época que o
médium está lançado e construindo bases firmes para poder erguer sobre elas seu
templo interior onde os Orixás se manifestarão.

Comenta também sobre a mecânica da incorporação, explica como os centros de
força (chacras) são de fundamental importância, além de insistir em quebrar o
mito da incorporação inconsciente. Diz que essa mediunidade inconsciente hoje
está "fora de moda" (risos) e que as manifestações mediúnicas hoje já não tem
mais como objetivo provar nada a ninguém, e que uma mediunidade consciente, além
de estimular o médium a estudar, o ajuda a participar ativamente do trabalho
assistencial, não sendo uma marionete nas mãos do guia, mas sim, elemento
importante e ativo dentro da egrégora de luz da Umbanda.

Explica que mediunidade não é uma prova, mas é apenas um dom ou capacidade do
espírito encarnado e desencarnado. Que estudamos e a aceitamos em algum período
entre vidas, para poder hoje manifestá - la participando ativamente da corrente
de Umbanda.

Também falou sobre a importância da moral elevada e da busca de paz de espírito
que o médium deve ter. Mas em momento algum levou para um lado moralista, nem
construiu um “modelo” dogmático e perfeito, pelo qual todos deveríamos seguir.
Ser médium é ser um ser humano como qualquer outro com problemas e defeitos, com
traumas, carências e bloqueios também. Mediunidade não diviniza nem inferioriza
ninguém. Essa era uma "máxima", em sua opinião.

Muitas outras coisas ainda foram ditas, até o término da palestra. Muitos
começaram a se afastar do lugar e eu fiquei curioso com algumas perguntas a
serem feitas. Aproximei-me e ela disse:

_Oi Fernando, estava esperando você vir até aqui. Vejo que está bem lúcido isso
será excelente para a rememorização da experiência. Você quer me fazer algumas
perguntas, não é isso?

_Bem, eh... _fiquei um pouco sem graça _ isso, algumas perguntas bem simples e
diretas, porque sei que muitos gostariam de ter uma opinião de uma dirigente
desencarnada, além de serem dúvidas freqüentes a respeito do desenvolvimento
mediúnico. Pode ser?

_Mas é claro meu jovem, pode começar.



_Lúcia, quanto tempo você acha que é necessário hoje para o desenvolvimento da
mediunidade?

_Veja bem, você vai desenvolver sua mediunidade até o fim da sua vida, sempre
melhorando - a cada dia. Mas caso você queira dizer quando o médium está pronto
para o trabalho espiritual, essa pergunta é muito difícil. Hoje em dia a
mediunidade está acelerada assim como o seu desenvolvimento, principalmente
devido a todo esclarecimento e abertura de conhecimento dentro da Umbanda. Eu,
por exemplo, demorei 5 anos para passar para a corrente de médiuns que
realizavam o atendimento espiritual. Hoje esse tempo é bem menor, cerca de um a
dois anos, hahaha, ainda bem, não é mesmo? Claro que existiam pessoas que mesmo
no meu tempo já eram muito mais rápidas, e existiam aqueles que, vamos dizer
assim, já “nasciam prontos”, mas esses eram muito mais raros.

_E você era uma médium inconsciente?

_Hahaha, eu? Não, não era! Apesar de jurar para todos, inclusive para o
dirigente da casa, de que eu era. Sabe como é, existia muita cobrança a esse
respeito, era muito difícil, não tinha com quem conversar, e caso você dissesse
que lembrava de alguma coisa, logo as pessoas passavam a te julgar como uma
mistificadora. Mas hoje conversando com a maioria dos médiuns desencarnados que
trabalharam comigo, e vendo os trabalhos na tenda de Umbanda que um dia eu
dirigi, percebo que todos tínhamos um grau de consciência. Isso me entristece um
pouco. Caso eu tivesse tido esse tipo de orientação que vocês estão tendo hoje,
com certeza muitas bobagens, acusações e julgamentos errôneos eu deixaria de ter
cometido. Por isso, por favor, estudem, aproveitem a chance que lhes está sendo
dada.

_Como se deu a sua escolha como dirigente da casa?

_Um pouco antes de o dirigente desencarnar, o seu guia chefe, o senhor caboclo
Pena Verde incorporou e disse que eu deveria dar continuidade aquele trabalho.
Foi um choque para mim, o seu Carlos (esse era o nome do dirigente) nunca tinha
ensinado - me muitas coisas, e eu me sentia totalmente despreparada. Relutei
muito a aceitar, chorava, não queria aquela responsabilidade. Na verdade o que
eu tinha era falta de confiança em mim mesmo. Isso é uma das coisas que mais
desequilibra, além de ser uma das três grandes pedras no sapato do médium. As
três grandes pedras são: a vaidade, o medo e a falta de confiança. Superando
essas três dificuldades a maioria dos problemas são vencidos. Lembro - me que
apenas aceitei por amor que tinha pela Umbanda, e pelo Senhor Caboclo Pena
Verde, que muito tinha ajudado - me e sabia, sempre estaria comigo. Por isso
digo a todos: “Se um dia a espiritualidade e os Orixás chamarem - no para
assumir essa responsabilidade, aceite! É algo gratificante, e tenha
certeza, do lado "de cá"não faltará amparo. Não tema, os Orixás guiarão vocês”,
isso foi a minha experiência pessoal que ensinou...

_ E quanto ao animismo nas manifestações, o que você tem a nos dizer?

_Olha, isso é um assunto muito extenso. O que te digo é que depois que
desencarnei, muita coisa aconteceu e vi que muitas das coisas que eu achava
serem dos guias, não passavam de trejeitos e vícios anímicos. Mas isso é normal,
o importante é a mensagem e o trabalho espiritual do guia, não seus trejeitos,
caracterização ou manifestação. Também vi que muitas coisas que deixei de fazer
e realizar porque achava serem intuições anímicas, a chamadas "coisas da nossa
cabeça" (risos), eram, em verdade, trabalhos a serem realizados. Meu conselho é:
use o discernimento e caso seja uma intuição voltada para o trabalho com a luz,
coloque - a em prática! O discernimento nas práticas espirituais é
importantíssimo, mas tem muita gente que acaba se focando tanto no "julgamento"
da manifestação mediúnica que esquece de olhar em volta e perceber o quanto elas
ajudam o próximo. Caso for pela luz, faça! Sempre que você estiver com a
consciência elevada existirão olhos e mentes sintonizadas com o seu
coração.

_ Por fim, como você vê a Umbanda hoje em dia? Que mensagem você deixaria se
pudesse falar com todos os umbandistas de uma só vez?

_Ah, a nossa querida Umbanda...

_Ela encolheu, mas de certa forma muitos dos abusos realizados em seu nome foram
desfeitos. Ainda sim existe muita desunião, briga e vaidades em jogo. O
conhecimento de Umbanda está sendo aberto, muitos umbandistas estão com o “fogo
da alma” aceso, prontos para brigar e levar a Umbanda para frente. Ah, seu eu
tivesse toda essa oportunidade que vocês estão tendo agora quando encarnados...

_Sabe, quando vejo algumas mentalidades antigas dentro da Umbanda, como a de
negar o conhecimento e a informação, me entristeço porque também fui vítima
disso, assim como pratiquei. Arrependo-me muito disso. O jeito de concertar as
bobagens que fiz, é assim, tentando passar um pouco da minha experiência para
vocês em palestras e agora para você através dessa entrevista. Eu amo a Umbanda
e continuo a trabalhar por ela, esteja onde eu estiver. Quando vocês
desencarnarem verão, que a Umbanda é apenas UMA, apesar das diferenças que
existem de centro para centro, e então perceberão a bobagem que fizeram, quando
perderam seus tempos discutindo sobre qual a "melhor Umbanda”, ao invés de se
unirem em torno de um ideal de amor e caridade, em torno de um ideal de evolução
e semeadura da Umbanda.

_A todos os umbandistas, jovens ou velhos, aos que trabalham 1 ano ou 50 anos,
eu diria, a Umbanda é divina. Vocês têm um tesouro na mão, cultive - o, traga -
o para dentro de você. Passe por cima das diferenças, estude, ensine, pratique a
caridade. Dê oportunidade para todos, das crianças aos velhos, do culto ao
inculto, do pobre ao rico, pois Umbanda é isso, é Universalista, é sem
preconceito, é abrangente, é a religião que “incluí todos os excluídos”, é
amor e caridade, hoje e sempre...







Despedi – me, agradecendo por aquela pequena “entrevista”. Dei um abraço
apertado naquela senhora, que lutou e continuava lutando pela Umbanda. Senti a
característica tração na nuca, que prenuncia a volta para o corpo físico através
da tração do cordão de prata. Perdi a consciência, e acordei no corpo físico.
Corri e escrevi tudo que lembrava...

Queria por fim tecer alguns comentários sobre mãe Lúcia, uma mulher que viveu
pela Umbanda, em uma época difícil, que trabalhou e semeou a religião de
Aruanda, e que ainda hoje continua a fazer isso, dando palestras, cursos e até
mesmo essa “entrevista” a partir do plano astral. Que viveu em uma época em que
o conhecimento era “fechado”, mas que hoje luta para a expansão dele. Que
vivenciou os tabus em relação à mediunidade, mas hoje ensina a mediunidade de
uma forma clara e limpa.

Que essa história possa ser exemplo de vida e nos ajude a entender o momento que
a Umbanda passa. Ou agarramos essa chance, ou talvez, os esforços de todos
aqueles que trouxeram a Umbanda até nós e que continuam hoje a lutar por ela,
serão em vão...





(Fernando Sepe, agradecendo pelos guias terem me levado até essa aula, pela
oportunidade e especialmente a Mãe Lúcia por nos instruir com suas generosas
palavras e experiência...)



Mais textos em: http://blog.orunananda.zip.net



Voe, voe, voe...

Por Fernando Sepe

Essa noite, ou em qualquer outra, quando você deitar seu corpo físico para
dormir, eleve os pensamentos ao altíssimo, agradeça pela oportunidade de evoluir
e, nesse momento, transborde - se de sentimentos legais, aumente sua
consciência, ligue - a ao Todo...

Então feche os olhos da carne e abra os olhos do espírito. Pense firmemente nas
possibilidades infinitas de trabalho que se abrem para você nos planos além da
matéria, nas muitas dimensões desse infinito universo. Integre - se a uma enorme
corrente de Luz e Amor, que há milênios faz do sono físico a porta de saída para
o trabalho e o aprendizado espiritual.

Mas isso demanda estudo sério, discernimento, muito amor e força de vontade.
Isso requer caráter, honra e retidão de valores. Exige uma mente aberta, uma
alma criativa e um coração generoso. Depende dos chacras bem desenvolvidos e
principalmente, de um sorriso no rosto e um sentimento universalista que lhe
permita abraçar o mundo.

Pode parecer pouco mais é muito. Voar não é para todos, apenas para aqueles que
desenvolveram asas. Valendo - se de uma antiga expressão dos mestres taoísta: “A
serenidade de espírito faz a consciência criar asas, e acaba com o sofrimento do
coração..."

Busque a serenidade e suas asas brilharão, permitindo que você voe em direção
ao Sol, quebrando o mito de Ícaro, provando sua divindade própria. Abra suas
asas de luz e viaje nas ondas da paz e do trabalho assistencial. Visite sua
verdadeira família espiritual, que tanto te amam. Voe, voe, voe...

E quando pousar, como diria Hermes, pouse suave, afinal, os mestres orientam.
Eleve os pensamentos e agradeça ao Criador, Todo, Brahman, Olorum pelo vôo.
Feche os olhos da alma e abra os do corpo físico.

Acorde, levante e seja feliz!

3õ OM Voar OM 3õ

Fernando Sepe

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Valeu, Ronaldo

Por Fábio Santos

Ao anunciar ontem sua aposentadoria, Ronaldo disse que essa foi sua primeira morte. Ele respondia a um jornalista que mencionou Paulo Roberto Falcão, para quem jogadores de futebol morrem duas vezes; a primeira, quando deixam os gramados.

A frase do meio-campista da espetacular Seleção de 1982, hoje comentarista de futebol, traduz bem a dor que sente e que provoca um ídolo quando se ausenta do palco onde brilhou. É como uma morte, de fato. A ausência só é diminuída pela memória dos bons momentos.

Mas Ronaldo, na verdade, é um sobrevivente. Por pelo menos duas vezes, ele teve decretada a sua morte e soube afastá-la de si, vencendo um adversário impossível de bater. Muito pouca gente é capaz de superar a decadência física, psicológica e emocional que tantas vezes ameaçou o craque em sua trajetória.

Sim, como várias pessoas que se tornam célebres, Ronaldo meteu-se em algumas confusões que ganharam muito destaque, além de lhe renderem críticas e até escárnio, como o famoso caso do travesti carioca. Essa, porém, era uma das faces mais humanas da figura de mito que ele vestia com certa resistência.

Assim como o personagem do "Poema em Linha Reta", de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, ele não era campeão em tudo e levou porrada. Como todo mundo, mesmo os muitos que não admitem essa verdade, Ronaldo também foi vil e ridículo. Mas seus erros e tropeços faziam mal principalmente a ele mesmo, não aos outros. Com estes, ele sempre mostrou sobretudo respeito, como sabem todos os torcedores brasileiros, corintianos ou não.

O craque aposenta as chuteiras longe do auge que fez dele o maior goleador de todas as Copas e lhe rendeu o merecido apelido de Fenômeno. Ora, é sempre assim. Todos nós já somos ou um dia seremos piores do que fomos quando estávamos na melhor forma. Essa é uma das dores que a tragédia humana nos impõe. Só escapam dela aqueles que caem muito cedo pelo caminho. Apenas os heróis de guerra abatidos em batalha morrem no apogeu. Para os demais, a decadência é inevitável. Que ela seja enfrentada com grandeza.

Ronaldo despediu-se dizendo que não se arrepende de nada. Não deveria mesmo. Ele foi humano do começo ao fim. E concordo com o craque: foi lindo.

Fonte: http://www.destakjornal.com.br

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Para que servem bonecos e bonecas?

Por Contardo Calligaris
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É graças aos bonecos que a criança pode mutilar, despedaçar e queimar os ídolos que lhe são propostos
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KEN, O companheiro de Barbie, chega aos 50 anos e não envelhece: a camiseta de sua última versão anuncia, sem falsa modéstia, que ele continua sendo "o namorado perfeito".
Tenho mais simpatia por Barbie que por Ken. Barbie foi detestada pelas feministas por ser incansavelmente consumista e narcisista. No entanto, ela foi uma batalhadora, competindo com os garotos em todos os campos do saber e do trabalho. Ken, em compensação, sempre me pareceu desmiolado por sua própria convicção de ser o objeto irresistível do desejo de todos -homens e mulheres (tudo bem, concordo: ele se redimiu um pouco em "Toy Story 3").
Enfim, o aniversário de Ken está sendo celebrado com um novo boneco, Sweet Talking Ken (Ken fala doce), que contém um sistema de gravação e fala: você aperta seu coração e grava a frase que ele repetirá quando você soltar o botão. Nos EUA, a propaganda diz: Ele é o namorado perfeito para todas as ocasiões. Por quê? Porque ele diz tudo o que você quer que ele diga.
De fato, apresentei o boneco a uma menina de 12 anos, que aprovou: os garotos não têm muito para dizer, melhor a gente escolher o que eles vão falar. Será que ela tem razão? Eis o caso que fez que, no fim de semana passado, eu me interessasse por Ken.
Um casal de conhecidos me ligou dos EUA, preocupado. Eles ofereceram o novo Ken à filha de oito anos, e logo constataram que o irmão (quatro anos mais velho) brincava com ela feliz (fato raro). Ótimo, eles pensaram -até perceberem que o jogo funcionava assim: o rapaz se enfiava no closet, gravava uma fala de Ken, saía e soltava o botão (e o verbo) para Barbie e a irmã ouvirem. Das frases que os pais escutaram, a mais simpática era: "Vou te encher de porradas, sua vaca".
Aparentemente, a menina achava graça, mas os pais não gostaram e mandaram o rapaz escrever cem vezes "Devo respeitar minha irmã e todas as meninas". Como se não bastasse, logo naquele dia, os pais verificaram o histórico do uso da internet pelo filho e descobriram que ele tinha descarregado três vídeos mórbidos, em que uma garota, presumivelmente australiana, tortura uma boneca Barbie -quem tiver estômago, confira: migre.me/ 3PE9X. O rapaz confessou gostar de suplícios aplicados a bonecos e bonecas.
Recomendei um psicólogo e sugeri que o rapaz mostrasse os vídeos a seu terapeuta (se o colega fizer seu trabalho como manda o figurino, a garota australiana receberia um dia a visita preventiva de um serviço social de seu país).
Agora, patologias à parte, por que será que maus-tratos e torturas aplicados em bonecos e bonecas são estranhamente populares?
Barbie é um modelo impraticável para as meninas e um sonho impossível para os meninos. Mudando os gêneros, o mesmo vale para Ken (que também é vítima de suplícios pela net afora). Barbie e Ken, em suma, são ideais inatingíveis, e essa seria uma boa razão para odiá-los: eles estariam sendo supliciados por um bando de frustrados que não conseguem ser como eles ou que não encontram parceiros como eles.
Concordo em termos: bonecas e bonecos não servem apenas para propor ideais deprimentes de tanto que eles estão fora do alcance da espécie humana, eles servem para tornar esses ideais acessíveis. Como assim? Simples: é graças aos bonecos que cada criança pode mutilar, despedaçar e queimar os ídolos que lhe são propostos.
Ao longo da infância, tive bonecos e soldadinhos lindos; mais de uma vez decidi e jurei que eu os conservaria intatos. Mas nunca consegui. Misteriosamente, minhas mãos bem intencionadas sempre acabavam os ultrajando brutalmente. Por quê? Suspeito que os bonecos nos sirvam para nos livrar do estereótipo de nossa própria infância feliz (a infância que todos os adultos parecem desejar por nós): não sou nem serei perfeito como um boneco, até porque, de qualquer forma, olhe só, Barbie está queimando na cruz e Ken está passando por apuros parecidos. Que alívio!
De 12 a 28 de fevereiro, no shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, Ken será homenageado na exposição "Barbie & Ken - O Casal Perfeito". Antes de passear por lá, só para se lembrar de que "perfeito" é um jeito de falar, procure, na internet, as obras dos anos 90 (David Levinthal, Carol McCullen), em que Barbie era ultrajada e deturpada, como talvez seja normal e bom que aconteça com bonecas e bonecos.

ccalligari@uol.com.br

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

O QUE É SEU

Incomoda saber que não estamos ainda fazendo algo que nos faça descobrir o que viemos fazer aqui nessa vida. É um desconforto, um incômodo que nos leva a perder o foco e a reclamar ao Todo sobre tudo e sobre todos. E nessa desorientação, acabamos acreditando que somos escravos dos empregos tortos que não nos trazem satisfação, apesar de louros, e tesouros financeiros que amortecem a nossa mente, com uma segurança ilusória que enquanto as contas estiverem pagas, tudo esta bem no nosso mundo. Não está!

Não está nada bem, pois podemos fazer mais, e esse a mais é o poder que cada um de nós possuí, poder em fazer algo único, o Trabalho dos trabalhos; aquela atividade que vai mostrar que apesar de sermos parte dos bilhões de seres humanos que caminham nessa terra, cada um de nós, possui a sua própria criatividade, e pode manifestá-la por meio de um trabalho que tenha esse olhar único que nos diferencia e aproxima dos outros.

E todo trabalho que envolve os outros deveria ser uma contribuição verdadeira, e não uma atividade feita de qualquer maneira. Por isso, é preciso ter liberdade para enxergar que não somos escravos desses trabalhos passageiros, mas se precisamos fazê-lo, por enquanto, que façamos não apenas bem, mas muito bem, até que possamos dele, nos libertar.

O problema é que para ser livre é preciso enxergar um pouco mais. Enxergar que não somos marionetes dos outros, afinal, somos nós mesmos que puxamos as cordas dos nossos movimentos, somos nós mesmos que escolhemos os caminhos por onde queremos trilhar a nossa jornada.

E se liberdade é estar atento, se aprisiona quem se distrai com a opinião do outro, especialmente se essa opinião julga a nossa capacidade e o nosso potencial criativo.

Esse potencial, para quem está atento, não precisa ser aprendido, pois ele se revela sozinho naquele trabalho que você se imagina fazendo, e só em pensar nisso, já nasce um sorriso no seu corpo inteiro.

Uma das grandes lições que aprendi com a minha espiritualidade é a grande verdade que cada um possui o seu lugar. Não precisamos brigar por cargos, nem trapacear ou maldizer a carreira de alguém; e se sentimos isso em relação ao nosso emprego, a nossa empresa ou no nosso trabalho, é porque certamente aquele não é o nosso lugar, ou seja, esse lugar é apenas temporário.

O seu lugar, o seu trabalho, aquela atividade que você vai fazer com toda a sua criatividade já está garantido, já é seu; ele só está esperando que você tenha maturidade para enxergar que esse trabalho que você quer tanto, sempre aguardou por você, por isso, as coisas não dão certo onde você está, e não há satisfação, nem bem pensar.

E se não há bem pensar, algo errado está; por isso, se você não pode ainda sair desse emprego que você sabe, serve apenas como ponte, para o trabalho que vai te realizar; respira, sacode a poeira e olha por cima. A sua realização profissional espera por você, e para alcançá-la, basta apenas trabalhar para ver.

Para ver que tudo que é seu, demora mesmo para chegar; não porque você não mereça, mas porque o que é seu, precisa da sua atenção e do seu coração atento e pleno para isso manter. Daí, a beleza da sabedoria popular quando diz: “difícil não é conseguir..."

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A CARNE É FORTE

"É época de renovação e meditação.
Lembre-se que você não é a carne
ou o alface que come
e sim o pensamento
e as ações que pratica."


Na casa da matéria, com teto feito de osso e parede revestida de carne; eu só comia jardim, por achar que isso era a janela para além do meu quintal; foi quando descobri, enfim, que não era o que comia assim, nem era o que eu vestia assado, que mostraria quem eu era; pois era o que eu fazia, que no final, me traria a chave da porta para outros bairros, além, da cerca das minhas idéias.

E quando lá cheguei, percebi que outros tantos, cada qual à sua maneira, cada qual do seu canto, chegaram lá também do mesmo jeito; e daí, me dei conta que o que eu achava ser direito, o que eu achava ser o certo; era apenas outro meio, entre outros tantos de "despertar" mesmo estando na Terra.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

3

Há treze anos, você é o último rosto que eu quero ver ao dormir e o primeiro que quero enxergar ao acordar. Porém, gostaria de te dizer que as coisas estão prestes a mudar, pois agora há dois rostos que quero ver sempre ao dormir e dois ao despertar! Nesse nosso aniversário, não há presente maior e mais bonito que eu queira receber do que o que você já me deu.

Obrigado por permitir que eu possa sentir a experiência de ser pai, ao seu lado, e tendo você como mãe desse presente de aniversário; benção que a Mamãe Divina e o Papai do Céu, mandou nos entregar.

É com muito amor no coração e brilho no olhar que renovo os meus votos nesse dia de nóis dois, pois não há escola espiritual nessa vida que tenha me ensinado tanto quanto a nossa escola do amor; e não há faculdade que possa ter melhor me preparado para ser o homem que eu sou, do que a universidade do nosso relacionamento; curso esse que sempre surpreende, ensina, aprende e segue se renovando, reciclando e não se esquecendo de sempre lembrar que casamento, acima de tudo, é liberdade, respeito e coragem para aceitar que não há nada, nem ninguém perfeito; e ainda assim, vale a acreditar no amor e num relacionamento a ...três!

Com amor

Frank Oliveira

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