terça-feira, janeiro 12, 2010

QUANDO CHOVE CASTIGO


O primeiro pingo cai,
O povo canta em festa
A seca se vai;

Adamastor coloca vasilhas no quintal,
Abre as portas e janelas
Lá fora é carnaval;

Crianças dançam nas poças
Até cachorro corre na chuva;
A cidade está em festa
Adamastor agradece
Ao Pai do Céu
Por ter escutado as suas preces;

A plantação vai vingar,
Os frutos vão se espalhar
Por todas as mesas;
É chuva de milagre
Com certeza;

Mas chove, chove, chove
E parece que não vai parar;
O tom da celebração
Começa a mudar de tom,
O que era alegria
Agora é se preocupar;

As casas pingam,
Os ventos arrancam os tetos;
E lá de cima, o barulho do barranco
Anuncia:
" Se alerta, bicho-gente
É risco de enchente!"

Adamastor não compreende;
Como a chuva que trazia prosperidade
Se transformou
Em veículo da catástrofe;

Ele não sabe se reza a Mãe Divina
Ou se toma alguma atitude;
Seus moleques estão na rua
Com outros tantos
Tomando banho de chuva;

Então, ele toma a decisão
E sai para a rua,
Notando que todas as pessoas
Estão em suas casas,
Ninguém mais notou
O barulho da montanha;

Ele foi o primeiro a ver a água suja;
O barranco descendo feito lava de vulcão
Carregando lama e destruição;
E avisa a todos, batendo nas portas
De cada pessoa em sua rua;
Amigos e desconhecidos:
" Corre, minha gente!
Tá caindo chuva de castigo!"

O pânico é grande, mas o povo se arruma;
Tem gente que corre,
Tem gente que nada,
Tem gente que reclama,
Tem gente que ajuda as outras;

Com muito esforço,
Boa parte das pessoas
Consegue abrigo;
Subindo para o alto da cidade
E lá de cima, vendo a rua virar rio;

Percebendo a chuva dando adeus,
E o dia voltando a clarear;
Adamastor sente vontade de chorar,
Mas não deixa nenhuma gota cair;
Se foi chuva de milagre
Ou chuva de castigo,
Isso pouco importa agora,
Ele sabe que se vida ainda há
É porque as coisas devem continuar.


















segunda-feira, janeiro 11, 2010

Se Preencher de Você Mesmo

Dedicado a Danielle Salibian


Vou ao cinema, compro pipoca, refri e chocolate. Assisto o filme, rio e choro; saio de lá emocionado; estou feliz comigo mesmo.

Passo na banca de jornal, gasto uma fortuna em revistas que sempre quis ler, mas nunca quis gastar para conhecer; vou a loja de CD, compro um albúm importado e ajudo um artista nacional a ganhar algum trocado, mesmo sabendo que faria o download do seu trabalho bem facinho na rede; deixo uns trocados com o artista mambembe que me faz rir no semáforo; estou feliz comigo mesmo.

Chego em casa, desligo o celular, ignoro o computador; ligo o som e começo a dançar mesmo sem saber me mover direito; deixo a loucura de se entregar envolver-me por inteiro; sou uno com tudo e fiel ao meu eu-interior e percebo, claramente, pela primeira vez em minha vida; estou feliz comigo mesmo.

Como a hora que quero; durmo a hora que sinto vontade; desobedeço todos os relógios e me rebelo do coletivo. É Domingo, alguém bem longe, assite o Fantástico, amaldiçando a segunda; eu medito na felicidade de estar comigo mesmo; daqui a pouco, a jornada se reinicia e estou apenas no começo!!!

domingo, janeiro 10, 2010

MÉDIUM DE TRANSFERÊNCIA

Não há muita coisa escrita sobre médium de transporte, ou de transferência, daí, minha angústia, quando descobri que eu era um.

Vejam bem, eu sempre fugi de qualquer relação com qualquer termo ligado a mediunidade. Não só isso, durante um bom tempo, eu fiz questão de esquecer que durante toda a minha vida, todos os meus familiares, de pai a avó, eram algum tipo de médium ou estavam ligados a alguma forma de incorporação.

Mesmo com um passado, mergulhado no Espiritismo e na Umbanda, jamais senti qualquer tipo de sintoma de aproximação de espíritos, pelo contrário, a mediunidade que todos diziam que eu tinha, era praticamente nula; o que me fez duvidar, se eu realmente tinha uma; até que um certo dia, notei que após visitar um casal de amigos e ter testemunhado os dois brigando; cheguei em casa, profundamente irritado, e querendo discutir com a minha esposa. Detive aquela vontade estranha; e para a minha surpresa, no dia seguinte, meus amigos me disseram que depois da minha visita, eles reataram e estavam muito bem. Eu, por outro lado, estava mal.

Muita gente poderia dizer, numa explicação bem espírita, que carreguei o obsessor, que eu percebi no casal, comigo. Eu não senti que carregava alguém nas costas ou na aura; e sim que trazia para casa, a própria sintonia que possibilitou o assédio, se houve algum.

Já tinha sentido que atraia o que as pessoas sentiam... para mim; porém, pela primeira vez, eu estava percebendo isso acontecendo.

É certo, que de uma forma ou outra, todos nós sentimos uma certa "empatia" ( ou anti) em relação ao sentimento alheio; e muitos são os casos, de pessoas que dizem se sentir mal quando encontram alguém ou vão a certos lugares; a questão comigo é um pouco mais profunda; sinto que basta sentar ao lado de alguém, que começo a captar os seus sentimentos, para o bem ou para o pior.

Há dias em que isso ocorre com mais frequência. Basta observar um pouco mais alguma pessoa, ou alguma situação, e minutos depois, estou sentindo o que a pessoa sentia.

No ínicio, era até divertido. Como escritor, não faltava inspiração para textos, crônicas, poesias; contudo, atrair essas sensações com mais frequência, começou a me prejudicar de tal forma, que eu já não sabia se era eu que sentia aqueles sentimentos ou se tinham vindo de alguma pessoa.

É claro, que transportar sentimentos nobres é algo fabuloso: casais apaixonados; pai e filho brincando num parque; um jovem conseguindo o primeiro emprego; outra jovem passando na universidade; e outros tantos momentos proporcionavam para mim, a experiência de viver isso também e poder escrever a respeito; porém foi um choque para mim quando senti a primeira vontade de brigar no trânsito, de discutir bobagens, de fazer algo muito ruim para alguém e, inclusive, de matar...

O pior é que ao sentir essas sensações, que claramente, não poderiam vir de mim ( não que eu seja bonzinho...rss); vinha também as razões pelas quais eu as sentia, os motivos para a discussão, as razões para pensar em comprar uma arma e tirar a vida de alguém.

Com o passar do tempo, comecei a perceber, em que momento, eu captava esses sentimentos. A partir daí, comecei a entender que estava ocorrendo algo comigo; que aqueles sentimentos daninhos não eram pensamentos meus e sim, vinham de outras pessoas.

Para o meu desespero, isso passou a acontecer também, em experiências fora do corpo (comecei a ter projeções da consciência, depois de estudar com o Professor Wagner Borges em seus cursos de Viagem Astral); e em meditações. Nas minhas últimas experiências, comecei a sentir aproximação de espíritos; porém, eu não os via, nem os escutava; em compensação, eles deixavam todo o lixo deles comigo.

Para quem reclamava que não via gente no astral...não tenho mais o que reclamar...nem o que agradecer.

Como não tenho nenhuma religião, nem confio em qualquer pessoa que diga que é Pai de um Santo, fui pesquisar por conta própria o assunto; e não encontrei nada sobre Médium de Transferência, achei, contudo, algo sobre Médiuns de Transporte.

De acordo com nove entre dez livros sobre incoporação mediúnica, o dito "Médium de Transporte" é aquele que possui a faculdade de, através da concentração, transportar-se a outro lugar. Em transe, sua alma se afasta do corpo e vai a lugares distantes, mas não se materializam (como ocorre com os projetores astrais), permanecendo invisível para os demais.

Lí em outro website, uma mensagem do Dr Bezerra de Menezes sobre o assunto:

" Mensagem aos médiuns de transporte.

Trago bençãos do meu Senhor e algumas palavras de esclarecimento e instrução em benefício dos médiuns de transporte.

O caminho do médium de transporte é sofrimento até que este se alinhe na ordem suprema, sem nenhuma subjetividade, servindo apenas os desígnios de Deus.

Geralmente este médium luta com a perda da sua identidade, confundindo-se muitas vezes com energias obscuras que deve aparelhar para iluminar.

O médium de transporte deverá cultivar e desenvolver em seu coração uma profunda devoção à caridade. É necessário que a caridade esteja à frente de suas ações, a ponto de, em nome dela, o médium se compromete com sua própria correção e o aprimoramento de seu aparelho segundo as leis cristãs.

O caminho deste tipo de médium é constantemente longo e cheio de provas até que ele possa estar no ponto para o trabalho. A estes irmãos recomendamos sempre uma firmeza com a Paciência.

O ponto de serviço abre ao médium de transporte a graça maior que o homem possa Ter em sua passagem sobre a terra, que é servir a Deus incondicionalmente...."

Socorro!!! Alguém conhece uma cura para isso?

Nunca pensei que quando eu crescesse me tornaria carteiro de espírito, morto ou vivo.

O que tenho feito para não ficar o dia mediunizando sentimentos dos outros; é parar de prestar atenção nas pessoas; o que não é nada fácil, uma vez que um escritor está sempre observando e seu empre fiz isso. Já é algo automático, mas agora, preciso aprender a freiar os olhos, mudar de intenção, quando a minha atenção se desviar do livro, ou do MP3 e vagamundar pelo universo alheio; para o meu próprio bem.

Tenho certeza que preciso desenvolver essa minha capacidade, mas até achar um Professor X disposto a me ensinar, sem cobrar o preço da minha fé, vou continuar a minha pesquisa até encontrar uma forma de, como disse o Dr Bezerra, aparelhar essas "energias obscuras" e continuar a ser um cronista de qualquer um desses mundos que exista por aí.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Avatar, arquétipos no cinema e Campbell

Por Lázaro Freire
--- Em voadores, elza maria schultz escreveu:
Laz/Cami
Gostaria de saber se qundo voces citam Campbell...
"A história é clichê. Mas todas histórias assim, por serem épicas, remetem à Jornada do Herói. Como diz o @Cardoso, quem acha Avatar "previsível demais" provavelmente não conhece Joseph Campbell, hehehe. Nem entendeu essa piada. ;-)"
A previsibilidade atribuida refere-se ao conjunto de sua obra ou ao filme o poder do mito
Elza Schultz


Lázaro:
Olá, Elza. Não sei se entendi bem a questão - ou você a piada - portanto vou marcar a letra
c) n.d.a.

Conjunto da obra de quem?

- De Joseph Campbell (o escritor de As Máscaras de Deus, O Herói das Mil Faces, entrevistado por Bill Moyers para a TV em um documentário chamado "O Poder do Mito, e autor de uma série de estudos mitológicos e antropológicos)???

- Ou de James Cameron (cineasta de Exterminador do Futuro, O Destino do Poseidon, Titanic e Avatar)?

Pra entender o que falei, ou melhor, o que o Carlos Cardoso (http://www.carloscardoso.com/) ironizou, é preciso lembrar quem foi Campbell, né?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell

Ainda assim não entendi a pergunta. Nenhum dos dois tem uma OBRA previsível. Campbemm tem uma série de estudos sobre mitologia, quase todos sobre o mesmo tema, pode ser "previsível"?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell

E a OBRA de Cameron (o cineasta) tampouco é previsível. Quando assistiamos Piranha II, Aliens I, Exterminador do Futuro e True Lies não diziamos: "Ah, tá na cara que alguém assim um dia fará um Titanic e Avatar!" No máximo pensamos que tem que ser muito f* para fazer filmes como "O Segredo do Abismo" (The Abyss), quase inteiro debaixo d'água, um grau de dificuldade incomensurável, e uma direção genial. O sujeito gosta de épicos e de desafios! E "Segredo do Abismo" também tem uma mensagem ecológica e ficcionnal claríssima, e belíssima, bem no estilo do Wagner Borges, com crítica ao estilo de vida da humanidade. Bem imprevisível, aliás. Mas é forçar muito dizer que isso é o embrião do Avatar. Em todo caso, Exterminador do Futuro também tem essa visão da humanidade fazendo mal para si própria no futuro - um tema constante, mas nem por isso previsível.

Joseph Campbell é um mitólogo, especialista em estruturas comparadas nos mitos e religião. Um grande universalista, que conhece bem as aplicações dos arquétipos do Jung na cultura humana milenar. E o Campbell é particularmente famoso por ter colaborado no cinema, especialmente a partir do enredo de Star Wars de George Lucas.

A série de filmes orientada por Joseph Campbell intencionalmente utiliza estruturas mitológicas e psíquicas comuns - a conversão à sombra, a luta com o pai, a jornada do herói. Campbell observou que a literatura e cinema sempre utilizaram arquetipicamente os mitos sem perceber. Tanto que ele propõe que, talvez, haja um só grande mito no mundo, com diversas variações: O MITO DA JORNADA DO HERÓI. E Campbell disseca as estruturas e variações desse mito, desse herói que cumpre tarefas, que às vezes desce aos infernos, que tem um paraíso a resgatar, que desce aos infernos, que é tentado pela sua própria sombra, que pode ser crucificado, que se redime, que transcende. que ganha o direito de viver em paz com sua amada, ou de ganhar os céus. ESSA É A HISTÓRIA DE CADA UM DE NÓS, e também a de cada um de nossos deuses e heróis: Jesus Cristo, Hércules, Duro de Matar, Matrix, Luke Skywalker no Star Wars, Moisés no Egito, Avatar.

Depois de Campbell, o cinema ficou menos bobinho psiquicamente, o que se uniu com um tempo em que ficou também mais agressivo comercialmente. Entramos na era da globalização com uma indústria de massa mundial, que agora vendia home-videos nos anos 80 e 90. E a partir daí, com muito Jung, Freud e Campbell usados INTENCIONALMENTE nos enredos, os cineastas perceberam que se usassem estruturas comuns aos mitos e religiões que ressoam na humanidade com poucas variações há milênios, acabariam tocando "não se sabe porquê" em algo muito mais profundo da psique. Se as pessoas se identificam tanto, por milênios, com essas histórias que tem uma estrutura comum (arquétipos); então é claro que uma obra comercial que use e abuse desses MESMOS arquétipos não só venderá muito, muito mais; como também terá um impacto "viral". E, num mundo sem muita espiritualidade, será tomada inconscientemente quase como uma religião substituta. Devidamente descartável e substituída a seguir, para lucro das coorporações. Você pode notar isso nos fãs de Star Trek, nos colecionadores de Matrix, Indiana Jones e outras séries de "Jornada do Herói"; e, mais recentemente, na profunda identificação quase religiosa que as adolescentes tem entre Crepúsculo E/OU Hary Potter. Há turmas que gostam de um e nem tanto do outro. É quase um orixá, um time de futebol, um SIGNIFICANTE, nos termos de Lacan. Mas estamos falando de obras que INTENCIONALMENTE manipulam conceitos psicológicos profundos de maneira arquetípica. Vampiros, o encontro do amor, a sensação de impossibilidade romântica na adolescência. Não podemos dizer que sejam temas originais, não é?

Por isso, há muito de TRISTÃO E ISOLDA e de PARSIFAL E O GRAAL em tudo quanto for obra dos 1000 anos que os seguiram. Shakspeare era também um grande copiador. E não é só em Romeu & Julieta, Eros & Psique, Tristão & Isolda que vamos encontrar essa estrutura do amor impossível, ou do herói que faz vários trabalhos para ganhar o direito ao beijo feliz do final. Seria impossível citar quantos Shreks & Fionas repetem essa estrutura do mito, do herói, da jornada, das dificuldades, dos 12 trabalhos e do beijo final.

Até mesmo filmes de tragédia, ação, catástrofe, terror, luta, faroeste ou comédia precisam, na grande maioria, deste beijo no final. Ou de um outro equivalente de sentido. Afinal, só terá público se o público se identificar! Tipo "Tá, este herói está se f... bem mais do que eu passo no dia a dia, mas porque raios mesmo é que faz(emos) isso?". Se o filme não traz uma solução de SENTIDO - mesmo que seja um beijo no final, a luta pela "amada" JulietPsiqueIsolda; ou a salvação de um povo - ficará uma sensação de filme de "arte", mas carecerá do apoio popular que faz um INCONSCIENTEMENTE indicar para o outro e a indústria faturar dezenas (ou centenas) de milhões de dólares.

Para "garantir" mais ainda o retorno do investimento, o Cameron ainda fez - em Avatar - um recorte mais que intencional de muitos elementos de filmes que foram sucesso. Harry Potter e seus vôos em aves. Monges de Baraka, copiadíssimos. Temática e estilo de Final Fantasy. Muito de Star Wars e Senhor dos Anéis. Muito, muito de Matrix. Sempre discretamente, mas o cinema tem feito cada vez mais isso (2012 foi o pior exemplo disso que já vi). Parece uma "homenagem", uma brincadeira com a "cultura pop"; mas na verdade é a GARANTIA de que o filme já nascerá familiar, com base em cenas que emocionam, cuja receita já está testada.

Ninguém lá é BOBO de deixar essas estruturas arquetípicas - que comprovadamente funcionam e geram ressonância com o íntimo do expectador através da manipulação do que está no inconsciente coletivo - para adotar fórmulas diferentes por demais inovadoras que, se funcionassem, já teriam sido colocadas pelo mesmo inconsciente coletivo em outras obras.

Por isso a história se repete. Por isso um grande filme épico, como Avatar, PRECISA tocar em estruturas de SENTIDO, de RESGATE. E não pode repetir isso com os anseios antigos, mas sim adaptar-se às demandas atuais (a questão ecológica, por exemplo). Por isso é preciso um herói. É preciso tocar em temas que sejam quase religiosos para o público atual. É preciso o casal. É previsível que ele vá se apaixonar. O amor entre estranhos, que são próximos. A traição, a separação, a dor, o reencontro. O lado mau que é mau e pronto, bem estereotipado; o lado bom que é bom e incompreendido e pronto. E nosso herói no meio, mudando de um lado para o outro, sofrendo tentações e seduções de ambos, até no final a estrutra cristã também presente em Matrix III. Cristo é um Deus que se faz humano, habita outro corpo; e é um humano que renasce Deus, em outra substanciação. Avatar começa e termina com habitações de outros corpos. E trata de um Eden, um paraíso perdido, exatamente como aquele que o homem perdeu (há uma alusão indireta a Gaia), aquele ao qual inconsciente queremos lutar. Há a superação das deficiências (no caso, explícitas e físicas). E há, claro, a simbologia da morte e ressurreição, com batalhas épicas, maus no exílio (podendo voltar) e bons em celebração. Que venha o beijo no final.

É previsível? Só para quem não conhece Campbell, ou seja, a importância intencional do uso das estruturas arquetípicas de Carl Jung e do conhecimento mitológico e psicológico na confecção dos enredos épicos; do quanto isso garante esse "sucesso viral" de uma obra que já nasce PRECISANDO faturar mais de trezentos milhões de dólares (seu custo). Não dá para conseguir isso só com críticos de arte, intelectuais, filósofos e psicanalistas. É preciso apelar para o povão, se tornar quase uma RELIGIÂO substituta, é preciso fazer com que vistam a camisa, usem o ícone em seus perfis de internet, comprem o DVD, voltem ao cinema, chamem mais pessoas para assistir. E fazer isso sem utilizar das estruturas arquetípicas - consciente ou inconscientemente - seria o caminho do fracasso. Palavra que não consta do dicionário de Cameron, ainda mais quando ele usa Campbell e outros filmes descarada e inteligentemente.

Portanto, eu disse:

> > "A história é clichê. Mas todas histórias assim, por serem épicas, remetem à Jornada do Herói. Como diz o @Cardoso, quem acha Avatar "previsível demais" provavelmente não conhece Joseph Campbell, hehehe. Nem entendeu essa piada. ;-)"

Espero que quem leu até aqui tenha entendido a piada dessa vez.

Abração,

Lázaro Freire
http://voadores.com.br/lazaro

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Çaa Cy

O moleque ouviu contar que na Casa do Seu Balduíno havia um Saci preso dentro de um saco.

Ele não acreditava muito em Saci, mas odiava imaginar, que algum ser humano pudesse sequer pensar em deixar outro ser vivo aprisionado; e junto com outro menino, planejou libertar seja lá o que for que estivesse naquele saco da estória que tinha escutado.

Os dois garotos, então, invadiram a casa do Seu Balduíno e encontraram o saco dentro de um armário. Parecia ter algo dentro, se mexendo, chutando, um grunhido, quase como um grito; mas quando os moleques abriram o saco, para a surpresa deles, nada havia, o saco estava vazio.

Se era Saci, eles nunca saberiam ao certo; mas antes que eles saissem da casa, notaram um rastro de pegadas de um pé só seguindo em direção a janela...

Dia do Leitor

7 de Janeiro
Aprendemos a ler quando criança e ao longo da jornada em direção ao mundo adulto, alcançamos um bizarro objetivo inserido acidentalmente no método de ensino da língua portuguesa: ódio à leitura.

Parece contradição, mas chegamos à escola pequeninos, com uma fome de conhecimento gigantesca e somos obrigados a aprender a ler como adultos e quando finalmente somos adultos e já não temos o menos interesse em ler alguma coisa, somos convidados a ler um texto com um olhar infantil.

Essa situação pode parecer surreal, mas se repete em todas as partes desse país que se orgulha de reduzir a cada ano o número de analfabetos, mas exibe vergonhosamente uma estatística absurda de quase 28 % de alfabetizados funcionais (só sabem escrever o nome e ler o nome do bar ou do ônibus). Os professores (culpá-los ou não, eis a questão) mal preparados e mal direcionados, continuam com a sua missão de despertar o gosto pela leitura em seus alunos por meio do ensino da gramática, sem levar em consideração que é preciso primeiramente suscitar a arte do ler por prazer.

No artigo “Dígrafo” do escritor Rubem Alves, o autor disserta sobre o prazer da leitura e em como ele se orgulha de escrever como e para crianças. Ele conta com espanto sobre a carta que recebeu de um leitor juvenil, onde o menino diz que sua professora “pede” a ele e aos coleguinhas de classe para encontrar no texto dígrafos e outros termos que o autor sequer consegue imaginar o significado.

“Não consigo formular uma única frase humana com dígrafo”, ele diz e defende que não é possível teorizar sobre algo que nos dá tanto prazer sob o risco de matar essa vontade.

Não há dúvida alguma que o estudo da gramática é fundamental para o entendimento da língua portuguesa, mas o que precisamos fazer como professores, é uma reflexão sobre como equilibrar esse ensino com o convite a leitura. Essa á a proposta defendida pela professora e especialista da Unicamp Ingedore Koch, que em entrevista a Luis Costa Ferreira Junior conta que devemos priorizar a construção de texto com reflexão. Para entender como os textos funcionam, segundo a professora, é necessário primeiro o uso, depois a nomenclatura.

Ela nos conta que o estudo da língua portuguesa é essencial para que as nossas crianças possam aprender a se expressar claramente no mundo (ainda mais numa era de orkuts e MSN), mas é possível abordar a gramática, sem ter um ensino gramaticóide.

Para ensinar a interpretar um texto, não existem receitas de bolos, diz a professora, mas se o professor tornar a aula instigante e estimular a produção de textos com temas que os alunos se identifiquem, conseguirá manter em seus pupilos o gosto de “ler por prazer” que havia no inicio, sem que o aluno chegue à idade adulta sendo órfão de livro.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Viva o Dia dos Reis

Conta a tradição cristã, que foi na madrugada do dia 06 de janeiro, que o menino Jesus, recém-nascido, recebeu a visita dos três Reis Magos. Como não sou cristão, mas sou profundamente interessado nos assuntos relacionados ao Mestre Rabi, incluindo toda a simbologia, andei estudando sobre essa data em especial e a razão pela qual, ela é tão comemorada, principalmente no interior dos países católicos. É nesta data que todas as casas desarmam os presépios e os enfeites natalinos; porém é interessante, como conta a Wikipédia, que "em alguns países, como Espanha, é estimulada entre as crianças a tradição de se deixar sapatos na janela com capim (erva) antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar viagem. Em troca os Reis magos deixariam doces que as crianças encontram no lugar do capim após acordar."

A primeira vez que eu me dei conta que existia essa festividade, foi quando eu estava em São Tomé das Letras e vi, pela primeira vez, uma Procissão dos Reis, com um grupo de pessoas fantasiadas, indo de casa em casa, saudando o moradores e desejando bons votos; e em troca, o dono da casa, servia algo aos andarilhos que representavam os Três Reis Magos.

A tradição cristã surgida no século VIII converteu os Reis Magos nos santos Melchior, Gaspar e Baltazar. Porém, basta um pouco mais de observação e inclusive a leitura desse trecho na Bíblia, para perceber que eles eram reis de países do oriente, que seguindo uma estrela, chegaram até o local, onde estava a Sagrada Família.

História à parte, afinal, o que temos é apenas o relato, não há nenhuma prova que essa visita realmente ocorreu ou se houve mesmo um Jesus; mas se formos analisar o relato por sua simbologia, verificaremos que essa visita dos Reis Magos, marcou o primeiro encontro ecumênico da história; onde representantes de outras crenças ( talvez, cada um desses Reis representassem três povos, três religiões diferentes; e deixo o número 3 e sua simbologia, mais a menção a palavra "Mago" para reflexões) reconheceram que havia nascido uma outra estrela que orientaria a humanidade e iniciaram uma jornada, para ir até o local, onde essa estrela desceria para a Terra.

O simbolismo dos Reis Magos é amplo e há espaço para as mais diversas interpretações. De onde vieram e o que buscavam, pouca gente sabe; as referências bíblicas são vagas e o episódio quase passa despercebido dos evangelistas; inclusive, há muita gente que diz, que eles foram uma invenção cristã, para aproximar o nascimento de Jesus do nascimento do Rei David, do Antigo Testamento ( ainda mais quando, descobre-se que os Reis Magos já haviam sido citados antes na tradição Judaica); a questão que eu levanto nesse texto, é apenas uma meditação sobre a união de todas as religiões, nesse dia, para saudação a outro Mensageiro das Estrelas, que veio ao mundo nos ensinar.

E se algo podemos aprender com esse episódio, é que se há 2.000 anos, os povos de diferentes crenças já se respeitavam; seria interessante, refletir sobre como anda o nosso respeito pela crença alheia. Estamos jogando pedras no que é diferente? Ou estamos celebrando a estrela que ilumina outros povos com a nossa consideração e respeito como presentes?

Curvar-se ao Menino Jesus, como fez os Reis Magos, não significa submissão a uma nova ( e única e verdadeira) religião; mas o reconhecimento que todas as crenças são caminhos para o Divino. Mesmo que alguns caminhos possam parecer estranhos ou conflitantes para os nossos valores. Nessa hora, diante, de uma Estrela do Ocidente, ou qualquer outro símbolo que represente um perigo para as nossas convicções, precisamos treinar a humildade e desarmar a nossa árvore da verdade. Para com a mente aberta, renascemos para uma nova visão do mundo.

terça-feira, janeiro 05, 2010

O ano de pensar

Por Lya Luft


"A essência seria esta: neste ano, eu vou pensar. Em mim, na vida, nos outros, no mundo, em mil coisas ou numa coisa só – que seja realmente importante"

Mudança de ano, que, com o Natal, para uns é celebração ( estou desse lado), para outros, melancolia.

O que nos atrapalha é que alguém inventou que temos de tomar decisões e fazer projetos para esse novo ano. São quase sempre irreais, quase sempre não cumpridos. Aí já nos frustramos neste mundo de tantas frustrações, em que a gente teria de ser bonito, saudável, competitivo e competente, bom de cama e ruim de mesa, e uma lista interminável de "ter de".

Pois eu acho que 2010 pode ser o Ano de Pensar. Bom projeto, boa intenção. Uma só, e já é bastante. Pensar: coisa que tão pouco fazemos, embora seja o que nos distingue das outras feras.

Publiquei recentemente mais um livro para crianças (mas os adultos se divertem), chamado Criança Pensa. Com ele respondi, décadas depois, ao duplo lema dos adultos de um outro tempo, de que criança não pensa, criança não tem querer. Hoje tem querer até demais, mas isso é assunto para outra crônica. E pensar, continua pensando, apesar de todos os jogos eletrônicos e programas de computador imagináveis.

Se criança pensa – e pensa lindamente, segundo descobrimos e escrevemos, um de meus filhos, professor de filosofia, e eu –, adultos teriam de pensar ainda muito mais. Porém a gente vai se enquadrando. Família, escola, sociedade e cultura, seja o que isso for, tornam-nos menos pensantes e menos questionadores. Alguns escapam dessa mordaça e desabrocham. Podem ser os menos confortáveis, mas são os que movem o mundo.

Pensar não é uma obrigação: é um direito, e deveria ser um prazer. Naquela horinha no ônibus ou no carro, andando, nadando, comendo, não fazendo nada – o que é um luxo, e nós, bobos, poucos saboreamos –, nada melhor do que deixar tudo de lado e refletir, ou deixar as ideias vagando numa atenção flutuante, como dizia Freud. Largar mão, por alguns instantes, dos compromissos, do cansaço, da falta de tempo, da dificuldade em ser feliz, da pouca harmonia consigo e com o mundo, das tragédias, das decepções universais ou pessoais – e dar-se o prêmio de pensar. Para algumas pessoas, parar para pensar não é desmontar.

E ficariam dispensados os dez ou doze ou três propósitos, as intenções fajutas eternamente repetidas – como as de emagrecer, romper ou melhorar o relacionamento, sair de casa, voltar a estudar, vencer na vida, ter filhos, mudar de emprego ou de parceiro, deixar de beber, de fumar, de se drogar com outras substâncias. A essência seria esta: neste ano, eu vou pensar. Em mim, na vida, nos outros, no mundo, em mil coisas ou numa coisa só – que seja realmente importante.

Pensar para ser uma pessoa mais decente; pensar para amar mais e melhor, começando por mim mesmo; pensar para votar com mais lucidez; pensar no que de verdade eu quero, se é que eu quero alguma coisa – ou sou do tipo que se deixa levar por desânimo, preguiça ou desencanto?

Pensar simplesmente para criar meu mundo particular, não num ataque de loucura, mas de criatividade. Pois o real não existe, existe o que vemos dele. Dentro de certos limites, podemos, cada um de nós, inventar o nosso mundo: sendo mais céticos ou mais otimistas, com aquele grãozinho de loucura necessário para que haja beleza e claridade e não vivamos numa caverna de trevas.

Basta ver como pensam as crianças, ainda livres das nossas inibições. "Fadas e anjos existem, não é?", pergunta-me uma delas. Respondo honestamente: "Para quem acredita, existem".

Acredito que, apesar de Copenhague, o mundo não vai torrar (as opiniões dos cientistas divergem), que vamos ter motivo para nos orgulhar de nossos países, que não vai mais haver tanta miséria e cinismo, que os colégios vão ensinar melhor e exigir mais em lugar de facilitar tão absurdamente e despejar tanta gente despreparada no mundo.

Sei que todos algum dia acordamos com a senhora desilusão sentada na beira da cama. Mas a gente vai à luta e inventa um novo sonho, uma esperança, mesmo recauchutada: vale tudo menos chorar tempo demais. Pois sempre há coisas boas para pensar. Algumas se realizam. Criança sabe disso. Feliz 2010.

Lya Luft é escritora


Fonte: Revista Veja

O INFERNOKÊ

Passagem do ano, feliz 2010, ceia com a família, churrasco, cervejinha, espumante estourando, adeus-ano-velho-feliz-ano-novo, paraíso e infernokê. Sim, depois do imposto de renda, a pior criação feita pelo homem foi o karaokê.

Um amigo espiritualista meu disse que tudo que há aqui na Terra é uma réplica do que há no céu. Eu duvido que haja no céu, algum anjo se esgoelando num microfone, se há ou se houve, tenho certeza que esse anjo já caiu e foi cantar pro capeta, pois não há outro lugar que você pense em enviar esses cantores de karaokê, do que o inferno.

Nada tenho contra os arranjos melódicos medíocres ou as letras se colorindo na telinha com imagens de vaquinhas pastando; o problema é escutar, muitas vezes, a sua música preferida na versão desses karaokistas e perceber, que nunca mais na sua vida, você ouvirá essa canção novamente sem se lembrar dessa ocasião em que cada nota era uma agulha no seu tímpano; cada refrão, um agressão sonora; numa tortura musical sem fim; sim, quem canta mal, geralmente, que repetir a dose, fura a fila, negocia, até paga uma propina a quem está à frente, só pelo deleite de gritar novamente: " você pra mim foi o sol de uma noite sem fim".

É claro que, ás vezes, surgem Susan Boyles; gente que aparentemente iria dar uma perfovexame, mas para a surpresa musical de todos, surpreende, cantando até melhor que o cantor original. Porém, a grande maioria, são Vanusas embriagadas arriscando a voz em versões entorpecidas que fariam os compositores dessas canções se arrempederem de terem criado tais composições.

O que fazer quando esses "artistas sem noção" tomam de conta da festa e uivam para a lua:

" Eu não estou aqui para sofrer,
vou sentir saudade pra quê,
quero ser feliz,
bye-bye tristeza,
não precisa voltar"

Chamar a Sandra de Sá e contar o que fizeram com a canção dela?

Nada disso, na sua próxima festa da família, leve com você, protetores auricolares; ou não pense em karma ou na polícia, boicote os cantores quixufrins e esconda a pasta das músicas ou roube o microfone; e mesmo que a sua consciência doa; aja o que houver, não devolva; assim, eu lhe garanto, você ajudará a humanidade a jamais odiar essa arte maravilhosa chamada música.

RINDO COM O BUDA MENINO

By Wagner Borges;

Eu meditei sobre a Luz, e a encontrei.

Porque ela estava dentro de mim mesmo.

Então, eu vi um sol em meu coração.

E dentro dele, alguém sorria...

Surpreso, eu descobri um Buda* em mim.

Sim, um Buda menino, pura luz e contentamento.

E ele me disse: “Ano novo é toda hora.

É qualquer momento em que há renovação.

Quando o Ser se permite respirar de maneira consciente.

Quando se nota o Himalaia inteiro dentro do coração.

É todo momento em que o pensamento encontra a compaixão.

É quando o universo inteiro é encontrado dentro de um sorriso.

E dentro desse sorriso estão todos os seres sencientes.

Ano novo é tornar-se criança da Paz Perene.

É deixar as mágoas antigas e o tempo que se foi.

E também o que virá... Para viver o momento presente, sempre.

Ano novo é soprar para longe as cinzas dos propósitos mortos...

Para respirar um Grande Amor e renascer em si mesmo.

Por favor, veja o Buda em todos os seres.

E, além de abraçar a todos, também abrace a si mesmo.

E que o seu sorriso seja sempre puro, como o Amor real é.

Todos nós somos crianças no coração pacífico do Buda.

E miríades de Bodhisattvas ** velam em silêncio pela humanidade.

Ano novo é isso: aprender a rir igual Criança-Buda.”



P.S.:

Sim, eu meditei sobre a Luz, e a encontrei rindo em mim.

E ela era um Buda menino...



Om Mani Padme Hum!***



Paz e Luz.



- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, 48 anos de “encadernação”, cada vez mais espiritualista... Seguindo firme na Luz e rindo igual criança.

São Paulo, 04 de janeiro de 2010.



- Notas:

* Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.

** Boddhisattvas – do sânscrito – são aqueles seres bondosos que estão perto de tornarem-se Budas ou Iluminados. Para facilitar a explicação, podemos dizer que eles são canais espirituais ou avatares conscientes do amor de todos os Budas.

*** Om Mani Padme Hum - do sânscrito - sua tradução literal é: "Salve a jóia no lótus". Esse é um mantra de evocação do boddhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Jóia espiritual que mora no coração"; ou seja, é o próprio Ser, a essência divina. Padme / Lótus é o chacra cardíaco que envolve, energeticamente, essa jóia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco em favor de todos os seres.

Esse mantra é mais conhecido como o "mantra da compaixão". É um dos mantras mais poderosos que conheço. Pode ser concentrado, mentalmente, dentro do peito – como se a voz mental estivesse reverberando ali –, ou dentro de qualquer um dos chacras que a pessoa desejar ativar. No entanto, o melhor lugar para ele é realmente o chacra cardíaco, pois o que chega ali é distribuído para todo o corpo, pela circulação do sangue comandada pelo coração, e também a todos os outros chacras do corpo energético.

O chacra frontal, na testa, também é excelente para a prática desse mantra, pois o que chega nele é distribuído ao longo da coluna pelos nádis – condutos sutis de transporte energético pelo sistema –, e comunicado a todos os outros chacras abaixo dele. Esse é o motivo pelo qual vários mestres iogues sempre aconselham aos seus discípulos iniciar alguma prática bioenergética por ele.

Um livro excelente sobre isso é o do pesquisador iogue japonês Hiroshi Motoyama, "Teoria dos Chacras", pela Editora Pensamento.

Eis alguns CDs maravilhosos que contêm esse mantra:

- Laíze, com a participação de Áurio Corrá nos teclados e arranjos - CD. "OM", pela Gravadora Alquimusic – Brasil - A segunda faixa desse disco é um canto de amor e faz um bem enorme ao chacra cardíaco. É amor em forma de ondas sonoras.

- CD. "Tibetan Incantations - The Meditative Sound of Buddhist Chants", pela Gravadora Music Club, Série 50050 – England - A segunda faixa é de uma profunda alegria e melhora o humor do ouvinte. É alegria em forma de ondas sonoras. A terceira música é o mantra Om Mani Padme Hum cantado a capela pelos monges tibetanos. Esse álbum tem 74 minutos de música.

- CD. "Six-Word Mantra of Avalokitesvara - The Avalokitesvara Boddhisattva Dharma Door Vol. ll", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2109 – E.U.A. - Esse CD foi feito por músicos chineses e direcionado para a cura de órgãos internos pelo mantra Om Mani Padme Hum. Entretanto, como a pronúncia é chinesa, o mantra fica Om Mani Pa Me Hung. Seu efeito é bem forte. Nesse trabalho, o lance é mais de energia do que de amor. É vitalidade em ondas sonoras.

- Beijing Central Juvenile Chorus - CD. "Wingsong of The Lotus World", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2152 – E.U.A. - Esse disco é cantado por um coro juvenil chinês. Aqui o Avalokitesvara, criador do mantra Om Mani Padme Hum – representado pelos chineses na figura da Deusa da compaixão "Kuan-Yin" –, é reverenciado em um belo canto que encanta o coração do ouvinte sensível. Esse disco é paz em ondas sonoras.

- Buedi Siebert – CD. “Om Mani Padme Hum”, pela Gravadora Real Music, Série RM – 4040 – E.U.A. – Esse CD contém diversas versões do mantra Om mani Padme Hum. É excelente para momentos de prece, práticas meditativas, práticas de Ioga e momentos de inspiração e conexão espiritual.

- Fan Li-bin – CD. “Sound From the Cosmos”, pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2112 – E.U.A. – Nesse trabalho de fortes vibrações, Fan Li-bin, vocalista nascido em Taiwan e exímio praticante de mantras, procurou realizar uma conexão espiritual do mantra Om Mani Padme Hum com os chacras. Aqui a pronúncia do mantra é cantada como Om Ma Ni Pa Mei Hum.

- Craig Pruess – CD. “Sacred Chants of Buddha”, pela Gravadora Heaven on Earth Music, Série HOEM – 12 – England – A terceira faixa deste CD é uma versão do mantra Om Mani Padme Hum elaborada para profundo relaxamento psicofísico.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Conferência Mundial para Salvar a Gente

Esqueçam o calendário Maia, as mensagens esquisotéricas dos profetas de fim-de-mundo.; a Terra não vai acabar em 2012, a gente é que vai sumir do mapa, se não despertarmos desse sonho bêsta de progresso a qualquer custo.

Proponho um outro encontro mundial, onde o foco não seja o que temos que fazer com a Natureza, e sim, o que precisamos fazer para acordar para a realidade que não somos Donos da Terra, mas apenas hospedeiros temporários dela. Basta um sacolejo, e vamos brincar de indios modernos em outro planeta, talvez, sem tanta beleza.

Isso, se você acredita em vida depois da morte, para aqueles que não; a coisa ficará bem pior. Nem é preciso repetir os velhos discursos ecologistas; todo mundo já sacou que as forças da natureza estão bem "descontroladinhas" no momento, na ala Harmonia com os Humanos.

Até quando vamos continuar "três macaquinhos" dessa realidade é uma boa pergunta nesse novo ano que se inicia. Antes tinhamos a desculpa da falta de informação; hoje com a mídia oferecendo ao freguês a tragédia do dia, fica difícil sequer pensar em jogar papel no chão...como assim, você ainda joga bituca de cigarro no chão?

A verdade que a minha gente pobre que perde a vida nos morros que viram lama pelo país, apenas paga o preço mais alto do abuso que todos nós fazemos dessa nossa existência na Terra.
Por isso, precisamos fazer uma conferência mundial urgente, onde possamos discutir como combater os efeitos do gazes da ignorãncia; do buraco de solidariedade com quem não tem onde morar e ocupa lugares de risco com família, cachorro e amigos. Temos que discutir medidas para salvar a população ribeirinha que ainda depende da derrubada das nossas árvores, por não terem outra escolha para sobreviver. Precisamos que todos os países assinem o acordo de "compaixoutro": compaixão com todos que vivem nessa linda esfera azul e que desejam ficar mais um bucadim por aqui.

Proponho por fim, que essa conferência não seja em Companhegan, e sim no Morro do Carioca para que todos possam ver o que ocorre com essa gente simples que morre primeiro nessa guerra do Homem X Natureza.

domingo, janeiro 03, 2010

MULHER NEGRA

By Leopoldo Senghor (Poeta do Senegal)Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!

Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.

E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração, como o golpe certeiro
de uma águia.

Fêmea nua, fêmea escura.

Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros, savana que freme com
as carícias ardentes do vento Leste.

Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos
do vencedor
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.

Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre
a noite da tua pele.

Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
à sombra de tua cabeleira. Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.

Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para
alimentar as raízes da vida.

Para saber mais sobre o autor:
http://www.alem-mar.org/noticias/EEypFAVkFkatYZSoDP.html

sábado, janeiro 02, 2010

A São Paulo Fantasma

A cidade está vazia.

Caminho pelas ruas, não há buzinas, gente gritando, barulho de sirene de polícia; até os mendigos desapareceram.

Poderia ser o Paraíso, não é!

Não encontro restaurante aberto, nem as bancas de jornais.

Se eu quisesse tanto sossego assim, estaria em Extrema, ou quem sabe, em Olho D'àgua do Melão.

Odeio ver essa cidade vazia...ironia: reclamos tanto da loucura da cidade no dia-a-dia e quando o nosso sonho se realiza, percebemos que gostavámos mesmo da agitação, do dinamismo da capital que nunca para; das ruas 24 horas; até dos motoboys destruidores de retrovisores.

Sim, amamos odiar a bagunça da Sampa Desvairada, e secretamente cultivamos esse gosto masoquista de viver na correria.

Você, não?

sexta-feira, janeiro 01, 2010

ORAÇAO AO SER ETERNO

Quero treinar o meu olhar atento
Nas coisas do cotidiano;

Quero perceber
O efeito do tempo
Parando ou correndo,
De acordo
Com a atenção que estou dando;

Para cada momento
Quero viver sendo;

E sendo
Quero
Estar presente eternamente
Consciente
Do que estou sentindo;

E é sentindo
Que vou percebendo
Que sempre serei
Quem eu estou sendo!!!
Ps: dedicado a menina que não perde tempo pensando em ser, pois segue apenas sendo.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Feliz 200eSempre

Ah, se esse ano falasse; ele faria restrospectivas tão medonhas e tão fantásticas que Sergio Chapellin nenhum poderia narrar.

Muitas dessas lembranças, eu desejaria nem lembrar; outras tantas, me fariam compreender porque razão 2009 foi como foi ou não foi como deveria ter sido.

Sim, a retrospectiva é inevitável!

Recordar o passado faz parte dos mecanismos de vivenciar bem o presente; porém, sabemos que as memórias não veem tão organizadas como as notícias dos programas de TV; boa parte do que ocorreu, se dissolve ou se embaralha com outras coisas que nem sequer aconteceu. Não dá para confiar totalmente na mente, por isso, graças a Deus, existe as fotos e as crônicas.

As fotos para lembrar dos rostos, dos momentos, dos encontros;
As crônicas para eu narrar e contar que cada um desses rostos e encontros, foram mais do que um simples momento no tempo que passou.

A verdade é que vocês todos acontecem ao mesmo tempo em meu coração!

Feliz 2010, feliz 200eSempre para todos vocês!!!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

COMO LIDAR COM A DÚVIDA

Pergunto ao amigo poeta:

- Como você lida com a dúvida em sua caminhada espiritual?

Ele responde:

- Lido com a dúvida como lido com tudo na vida: equilíbrio. A dúvida sempre vai estar lá. Você nunca vai escapar dela, por mais certeza que tenha das coisas, aliás, a dúvida é a sua única certeza das coisas. Na dúvida...rsss...sigo o principio coletivo desse mundo. Explico:

1. Se a minha loucura é compartilhada com outras pessoas, já sei que não vou ser colocado no hospício.
2. Faz bem para mim?
3. Para não correr o risco de a minha loucura virar uma insanidade coletiva como foi o nazismo, sempre me pergunto: está fazendo o bem de outra pessoa, ou, ao menos não está prejudicando os outros?
4. Está contribuindo para melhorar a minha vida nesse mundo e com as pessoas que amo?

Se houver quatro respostas afirmativas, já sei que não estou tão perdido assim. Agora, se o que eu estou fazendo atentar contra mim ou contra o meu próximo, não tenho dúvidas: seja o caminho que for, jogo fora!

terça-feira, dezembro 29, 2009

Natal na Casa da Graça

Ok, eu me rendo!!!

Adoro as Festas de Natal na Casa da Dona Graça.

Gosto do reflexo no olhar dela, ao ver toda aquela gente reunida, a comida servida, os presentes trocados, o arrasta-pé que celebra a união da família nessa data tão querida.

Sim, lembramos do Menino Dourado, cantamos parabéns, oramos em volta da ceia; meu sobrinho Gui (7 anos) lembrou a todos:

" Não podemos nos esquecer do Deus! Se não fosse por ele, não teríamos animais na Terra, nem vegetais, nem essa comida na mesa, nem presente, nem nada!"
Olhei para a mãe dele que me olhou de volta dizendo que eles não tinham ensaiado nada.

Trocamos presentes, ceiamos, rimos, cantamos e no final, era tanta gente, que a tradicional "foto da família" teve que ser feita na garagem.



E é claro, não recebi novamente o que pedi de amigo secreto; quem manda ter pedido "doce de amendoim e siriguela"; ninguem acredita; e da-lhe camisa.

Brincadeira, viu Mazinha!!!

A verdade é que dá orgulho esses Natais em Família na Casa da Dona Graça. Não só, por ela ser uma grande anfitriã, mas principalmente por ela ser a minha querida mãe.

HOMEM ENCRUZILHADA

Não me peçam para escolher – não saberia.

Sempre vivi em cima da Ponte dos Dois Desejos. Sou a encarnação da Dúvida.

Nunca consegui escolher um caminho por inteiro.

Não sei se é medo, não sei se é vontade de sempre mudar meu pensamento; pois aprendi com o elevador a não ser o mesmo.

Todos que conheço querem plantar raízes, eu só quero plantar estrada.

O problema é que quando estou caminhando fico pensando em ficar parado e quando estou parado so penso em uma nova caminhada.

Sou o Homem Encruzilhada.

Nunca sei onde a vida vai me levar;
O pior é que nem penso em mudar...

segunda-feira, dezembro 28, 2009

MOVIMENTO DE REPOUSO DO OLHAR

- Quero uma resposta? - pede o Caminhante;

- Preciso mesmo responder? - Responde a Estrela Guia.


MOVIMENTO DE REPOUSO DO OLHAR

Medito no tudo,

Procuro incluir a minha consciência na ausência de um foco; nada procuro e no todo me integro.

Estou em paz sendo nulo; daí o som de uma gota vindo da pia me distrai.

Sou a gota caindo em câmera lenta.

A gota que é do tamanho da terra e que demora uma eternidade para percorrer o trajeto entre a torneira e o ralo.

Sou a gota caindo...

Daí a gota cria ouvido e escuta outro som sendo produzido;
Um som que vem da janela,
E que me leva,
E que envolve
E me dispersa.

E assim vou sendo levado,
De som em som,
Para longe daquilo que mais me importa;
Como todas as demais coisas na minha vida...

domingo, dezembro 27, 2009

DIA DO MEU CÉU CINTILANTE

Hoje é Dia do meu Céu Cintilante; meu amor faz 34 anos hoje. Nessa linda manhã de domingo, e estamos indo para Trindade, passar dois dias de praia, sol e amor.

Para ela, que é a minha Radha, fica essa canção que fiz, há algum tempo, quando na alegria do momento, descobri nela a minha Gopi.




A Balada de Radha

Bati na porta ao chegar em casa
Quem a abriu? Era Auri ou Radha?
Sândalo, melodia e som de flauta
E ela dizendo: “Bem vindo, Gopala!”

Deixei de ser adulto cansado
Tornei-me um menino azul
Na mesa um belo prato preparado
Era oferenda para mim ou Vishnu?

Auri caminhava, Radha sorria
O amor em pura devoção
Estávamos no Brasil ou na Índia?
Ou era outro lugar? Sei dizer não!

Mas nesse lugar se sente
Que o amor reflete o infinito
Bebe-se o agora e o sempre
Não há lugar mais bonito

E foi assim numa noite qualquer
Que Radha transformou-me em Krishna
Pois há entre todo o homem e mulher
Um quê de Gopi, um quê de Govinda


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