
Não há muita coisa escrita sobre médium de transporte, ou de transferência, daí, minha angústia, quando descobri que eu era um.
Vejam bem, eu sempre fugi de qualquer relação com qualquer termo ligado a mediunidade. Não só isso, durante um bom tempo, eu fiz questão de esquecer que durante toda a minha vida, todos os meus familiares, de pai a avó, eram algum tipo de médium ou estavam ligados a alguma forma de incorporação.
Mesmo com um passado, mergulhado no Espiritismo e na Umbanda, jamais senti qualquer tipo de sintoma de aproximação de espíritos, pelo contrário, a mediunidade que todos diziam que eu tinha, era praticamente nula; o que me fez duvidar, se eu realmente tinha uma; até que um certo dia, notei que após visitar um casal de amigos e ter testemunhado os dois brigando; cheguei em casa, profundamente irritado, e querendo discutir com a minha esposa. Detive aquela vontade estranha; e para a minha surpresa, no dia seguinte, meus amigos me disseram que depois da minha visita, eles reataram e estavam muito bem. Eu, por outro lado, estava mal.
Muita gente poderia dizer, numa explicação bem espírita, que carreguei o obsessor, que eu percebi no casal, comigo. Eu não senti que carregava alguém nas costas ou na aura; e sim que trazia para casa, a própria sintonia que possibilitou o assédio, se houve algum.
Já tinha sentido que atraia o que as pessoas sentiam... para mim; porém, pela primeira vez, eu estava percebendo isso acontecendo.
É certo, que de uma forma ou outra, todos nós sentimos uma certa "empatia" ( ou anti) em relação ao sentimento alheio; e muitos são os casos, de pessoas que dizem se sentir mal quando encontram alguém ou vão a certos lugares; a questão comigo é um pouco mais profunda; sinto que basta sentar ao lado de alguém, que começo a captar os seus sentimentos, para o bem ou para o pior.
Há dias em que isso ocorre com mais frequência. Basta observar um pouco mais alguma pessoa, ou alguma situação, e minutos depois, estou sentindo o que a pessoa sentia.
No ínicio, era até divertido. Como escritor, não faltava inspiração para textos, crônicas, poesias; contudo, atrair essas sensações com mais frequência, começou a me prejudicar de tal forma, que eu já não sabia se era eu que sentia aqueles sentimentos ou se tinham vindo de alguma pessoa.
É claro, que transportar sentimentos nobres é algo fabuloso: casais apaixonados; pai e filho brincando num parque; um jovem conseguindo o primeiro emprego; outra jovem passando na universidade; e outros tantos momentos proporcionavam para mim, a experiência de viver isso também e poder escrever a respeito; porém foi um choque para mim quando senti a primeira vontade de brigar no trânsito, de discutir bobagens, de fazer algo muito ruim para alguém e, inclusive, de matar...
O pior é que ao sentir essas sensações, que claramente, não poderiam vir de mim ( não que eu seja bonzinho...rss); vinha também as razões pelas quais eu as sentia, os motivos para a discussão, as razões para pensar em comprar uma arma e tirar a vida de alguém.
Com o passar do tempo, comecei a perceber, em que momento, eu captava esses sentimentos. A partir daí, comecei a entender que estava ocorrendo algo comigo; que aqueles sentimentos daninhos não eram pensamentos meus e sim, vinham de outras pessoas.
Para o meu desespero, isso passou a acontecer também, em experiências fora do corpo (comecei a ter projeções da consciência, depois de estudar com o Professor Wagner Borges em seus cursos de Viagem Astral); e em meditações. Nas minhas últimas experiências, comecei a sentir aproximação de espíritos; porém, eu não os via, nem os escutava; em compensação, eles deixavam todo o lixo deles comigo.
Para quem reclamava que não via gente no astral...não tenho mais o que reclamar...nem o que agradecer.
Como não tenho nenhuma religião, nem confio em qualquer pessoa que diga que é Pai de um Santo, fui pesquisar por conta própria o assunto; e não encontrei nada sobre Médium de Transferência, achei, contudo, algo sobre Médiuns de Transporte.
De acordo com nove entre dez livros sobre incoporação mediúnica, o dito "Médium de Transporte" é aquele que possui a faculdade de, através da concentração, transportar-se a outro lugar. Em transe, sua alma se afasta do corpo e vai a lugares distantes, mas não se materializam (como ocorre com os projetores astrais), permanecendo invisível para os demais.
Lí em outro website, uma mensagem do Dr Bezerra de Menezes sobre o assunto:
" Mensagem aos médiuns de transporte.
Trago bençãos do meu Senhor e algumas palavras de esclarecimento e instrução em benefício dos médiuns de transporte.
O caminho do médium de transporte é sofrimento até que este se alinhe na ordem suprema, sem nenhuma subjetividade, servindo apenas os desígnios de Deus.
Geralmente este médium luta com a perda da sua identidade, confundindo-se muitas vezes com energias obscuras que deve aparelhar para iluminar.
O médium de transporte deverá cultivar e desenvolver em seu coração uma profunda devoção à caridade. É necessário que a caridade esteja à frente de suas ações, a ponto de, em nome dela, o médium se compromete com sua própria correção e o aprimoramento de seu aparelho segundo as leis cristãs.
O caminho deste tipo de médium é constantemente longo e cheio de provas até que ele possa estar no ponto para o trabalho. A estes irmãos recomendamos sempre uma firmeza com a Paciência.
O ponto de serviço abre ao médium de transporte a graça maior que o homem possa Ter em sua passagem sobre a terra, que é servir a Deus incondicionalmente...."
Socorro!!! Alguém conhece uma cura para isso?
Nunca pensei que quando eu crescesse me tornaria carteiro de espírito, morto ou vivo.
O que tenho feito para não ficar o dia mediunizando sentimentos dos outros; é parar de prestar atenção nas pessoas; o que não é nada fácil, uma vez que um escritor está sempre observando e seu empre fiz isso. Já é algo automático, mas agora, preciso aprender a freiar os olhos, mudar de intenção, quando a minha atenção se desviar do livro, ou do MP3 e vagamundar pelo universo alheio; para o meu próprio bem.
Tenho certeza que preciso desenvolver essa minha capacidade, mas até achar um Professor X disposto a me ensinar, sem cobrar o preço da minha fé, vou continuar a minha pesquisa até encontrar uma forma de, como disse o Dr Bezerra, aparelhar essas "energias obscuras" e continuar a ser um cronista de qualquer um desses mundos que exista por aí.