sábado, fevereiro 03, 2007

Espera que Eu Te Alcanço


Não consegui escrever, nem consegui falar

Mas saiba embora seja difícil me comunicar com você

Sua forma, seu brilho não deixa de me inspirar


Vou viajar, Lua minha, mas não posso me distanciar do seu brilho.

Ele é presente, como palavras que preciso escutar

Música numa sinfonia perfeita chamada Tempo e Distância



Se você viesse a terra, Lua minha, não te deixaria mais pro céu voltar

Mas sei que você sempre estará ai no céu

Esperando por mim, esperando que eu possa

Novamente em você e por você, palavras voltar a desenhar


Por isso não me peça para eu te esquecer, pois você está comigo todo o tempo

Feijão Com Arroz

Ela não me viu partir. Deixei sinais, pistas propositais, como um criminoso que deseja ser pego, deixei as minhas digitais emocionais em seu corpo; nos abraços eternos, nos olhares de adeus, mas ela não percebeu, até quando era tarde demais.

Tarde demais é quando o amor respira pela ultima vez; é quando o relacionamento acaba de morrer; é quando chegamos a um ponto de não retorno; é quando o que foi, não tornará a ser.

O amor desse ponto em diante vira uma lembrança, um prato favorito que se tornou feijão com arroz. A solidão já não assusta, pois percebemos que já estávamos sozinhos, mesmo acompanhados.
Então cai a máscara, as cortinas de abrem e percebemos que o show vai continuar. O amor que parecia só ocorrer uma vez na vida revela sua múltipla face e percebemos aliviados: voltaremos a amar.
Ela não me viu partir, mas não a perdi, ela que me perdeu.

Seus olhos ainda brilham no meu coração, mas não mais como um sol único no meu céu e sim como estrela distante numa imensidão com outras tantas.

Dois Chicos

Há pessoas pelos quais choramos e que não merecem um terço da nossa consideração. Há amigos que se afastaram e que não fazem a menor questão de saber se estamos vivos. Estranhamente, dedicamos boa parte de nosso tempo nessa reconciliação inútil. Tentando resgatar algo que já não tem mais razão de ser, investindo em manter um laço que já não mais existe. Contudo, há pessoas que cruzaram o nosso caminho no passado e marcaram a nossa vida definitivamente. Essa amizade foi tatuada de tal forma que mesmo se ficarmos uma década sem vermos essas pessoas, quando as reencontramos, é como se tempo algum, nem distãncia tivesse nos separado. Com Jean foi assim.


Éramos ambos Chicos, trabalhando no Macdonald´s da Barão de Iatapetininga, no centro de São Paulo e nos tornamos amigos. Adorávamos filmes e boa música, tínhamos os mesmos objetivos em relação a vida, apesar de termos ritmos diferentes: Jean era calmo, eu agitado; ele meditava, eu corria; eu queria castelos de cartas, Jean investiu em terreno e tijolos. Quando eu o vi pela ultima vez em 1995, ele já tinha a sua família, eu apenas minha estrada solitária.


Nunca dizemos adeus, mas quando percebemos os anos nos atropelaram, endereços se perderam, telefones foram trocados e os amigos caíram no anonimato, mas sempre acreditei que um dia iria reencontrá-lo – eu estava errado – ele que me encontrou. Fui rastreado pelo google, procurado por orkuts, msns e ondas da internet, até que Jean me localizou e veio mostrar que a nossa amizade não mudara, o mesmo não podia ser dito sobre as nossas barrigas...


Reencontrei meu amigo e percebemos que só o que ficou perdido foram os anos que passaram em segundos para o tempo do mundo. Jean estava lá com o velho Chico a conversar. Uma década de experiências e memórias resumidas em duas horas de bate papo ao som de boa música em um bar no centro da cidade. A São Paulo cinza tornou-se um pouco mais colorida, Sampa, essa cidade que distancia pessoas e as tornam estranhas reaproximou dois Chicos com anos de histórias para contar e muito mais, agora em diante, para compartilhar.

O Dia em que a Música Morreu



A primeira canção que ouvi do Buddy Holly foi “That´ll be the Day” num velho álbum do filme American Graffiti que comprei em 1990. Já conhecia e amava as canções dos anos 50, um dos melhores filmes que eu assistira, era o musical La Bamba, mas até então, eu não sabia que aquele cantor com um estilo de voz único era o mesmo cantor de óculos que tinha morrido num acidente aéreo junto com Richard Valens em 1959.

Eu amei as canções do Buddy “logo de ouvido” e fui pouco a pouco tendo acesso a sua obra e a sua história.

Charles Hardin Holley, 22 anos, tinha apenas três de carreira. Mesmo em tão pouco tempo, deixou um legado musical surpreendente, com composições tão complexas quanto criativas. O suficiente para garanti-lo na seleta galeria das lendas mais genuínas da música pop. Há muito matéria sobre Buddy na internet, não vou tentar narrar o que é muito fácil encontrar via google por ai, mas o que queria mesmo fazer era uma pequena homenagem nessa semana em que o mundo lembra do acidente que vitimou Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper em 03 de fevereiro de 1959, num dia que ficou conhecido como o Dia em que a Música morreu.

Muitos cantores como Raul Seixas e Lulu Santos aqui no Brasil e os Beatles e Rolling Stones na Inglaterra eram fãs incondicionais do Buddy e seus trabalhos foram profundamente influenciados por Buddy e sua banda Crickets ( a primeira canção gravada por Mick Jagger e a sua turma foi “Not Fade Away” e o próprio nome Beatles foi criado em homenagem aos Crickets) . O grande cantor e compositor Don Maclean gravou nos anos 70 seu grande clássico "American Pie", uma canção que se tornou a mais bela homenagem a esse grande cantor.

Na minha vida, everyday, as canções continuam sendo trilha sonora de meus momentos especiais.

Frank

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Lua



Que saudade tenho da sua beleza
De caminhar em você
De ver a Terra através de seu solo

Quantas vezes briguei com São Jorge
Ciumento, ele tenta impedir
Que eu escreva pra você


Mas ele não pode impedir
Esse amor que só quer fluir
Ir em você e voltar pra mim

Por isso, Lua, continue a brilhar
a me inspirar e iluminar
Em você um dia eu hei-de chegar

E Lua, vou te amar
Como eu vou te amar
E você não me deixará a terra voltar

Até lá
Só peço uma coisa simples assim
Lua, brilha, brilha e sorri pra mim

terça-feira, janeiro 30, 2007

Clandestinos



Não olhe pra trás, repetia pra si mesmo á medida em que entrava no barco; o estreito que ligava o mediterrâneo e o atlântico era a ultima barreira que o separava de seu sonho, de uma nova vida.

Seus olhos brilhavam com as possibilidades que surgiriam além do mar, mas ao mesmo tempo, seu coração chorava por estar deixando seu lar, o continente que mesmo tão sofrido e injustiçado por décadas de exploração, era a sua casa, a sua terra.

Não olhe pra trás, Zion dizia enquanto o barco se afastava das praias deCelta, no norte da África e seguia em direção a Gibraltar, na Europa. Eram 6kms de distancia e se o tempo ajudasse e os deuses ouvissem suas preces, em pouco mais de uma hora, ele estaria pisando em terras européias.

Para chegar até ali, ele atravessara o Sahara a pé, quase perdera a vida nas mãos de bandidos argelinos na fronteira com o Marrocos e pagara seus últimosdólares ao barqueiro para juntos com outras 12 pessoas se tornaremclandestinos no mundo europeu. A família ficara na Nigéria, e se tivessesorte, conseguiria juntar dinheiro para pagar a ¨passagem¨ de todos nofuturo.

Não olhe para trás, continuava repetindo, como se orasse, como se pudesse por um momento afastar a saudade de casa, a vontade de desistir e as más lembranças de um ano de tentativas frustradas de chegar até aquele pedaço de mar.

Se houvesse outro jeito, mas como tantos outros que faziam aquela travessia todas as noites, eles não eram apenas imigrantes econômicos, ansiosos por dinheiro e ainda tendo a chance de voltar para casa. Eles eram exilados da vida que um dia tiveram pessoas que já estariam mortas se jánão tivessem fugido, escapado em direção ao desconhecido, vendo no continente europeu a última chance de recomeçar outra vez. Pessoas que embarcam numa jornada perigosa, e que muitas vezes pagam com a própria vida pela chance de sonhar.

Dentro de um barco de clandestinos ninguém fala, ninguém suspira, mas os olhos não escondem que internamente todos rezam em silêncio para seus deuses, santos e demônios ajudarem seu barco a chegar no outro lado. Aquela noite, Netuno teve compaixão daqueles treze exilados e pediu aIemanjá, a rainha do mar que acalmasse as ondas e cobrisse com seus cabelos negros a noite para que o barco chegasse a Gibraltar. Não houve tempo para comemorar, nem dizer adeus; em segundos Zian e seus companheiros se separaram e sumiram no meio da noite para se tornarem fantasmas nas ruas européias.

Antes que o sol nascesse, dois outros barcos afundaram e um outro foi interceptado pela policia marítima. Tudo rotina, numa noite qualquer em mais uma rota migratória onde muitos morrem pela chance de viver com dignidade. Quanto a Zion, pode-se dizer que o rapaz teve sorte e alguns meses depois chegou a Londres, onde limpa escritórios durante o dia e dirige táxi à noite com documentos que deixam claro a qualquer policial que ele se chama JoséDirceu, português que vive em Londres há cinco anos. O documento custou mais caro que todo o dinheiro que ele gastou para chegar até ali, mas lhe garantiu o emprego e a chance de assegurar a vinda da sua família que já esta esperando por um barco vazio em Celta para cruzar o mar e chegar até Gibraltar.

Frank

Anjo do Peito


Dentro do nosso peito mora O Mensageiro

O verdadeiro Anjo do Senhor

O unico intermediário entre Você e o Todo

A Canalização com o seu anjo interno é feita através da meditação, mas pode ser sentida ao ouvir uma canção ou através da leitura de um belo texto.

Esse anjo é uma mistura entre o arcanjo da vida e da luta diária e o querobim que ri a toa e corre na chuva.

Não há ser mais iluminado que ele, por que ele reflete tudo aquilo que um dia você vai se tornar.

Aprenda a escutá-lo e canalize suas mensagens a quem se dispor a recebê-las.

E na proxima vez que esperar que um anjo apareça do céu com as suas asas, não se esqueça que ele já chegou e vive dentro de você.

Portanto, deixe seu anjo cupido entrar em ação sempre e fleche os outros com o seu amor e assim, experimentando e espalhando o que há no seu peito, voce entenderá quem realmente é o seu Anjo da Guarda.






segunda-feira, janeiro 22, 2007

Caçando Cometas

Enquanto mais soldados americanos eram enviados para o Iraque, o cometa deslizava pelo céu. Enquanto corpos eram procurados dentro da cratera que parou São Paulo, o cometa flertava com a terra. Enquanto políticos anunciavam novos planos e brigavam por um lugar á sombra no planalto, o cometa era visto no céu e quem o via, percebia o quanto somos pequenos.



Gosto de olhar pro céu quando fico sufocado pelos meus problemas, quando faço isso, ponho minhas preocupações na devida proporção que elas merecem ser colocadas: segundo plano. Gosto de lembrar do tamanho da terra em relação à galáxia, principalmente quando abro o jornal e vejo tanta gente brigando por picuinhas.

Lembrar que não passamos de grão de areia nesse universo não me aliena ou torna minha vida insignificante, pelo contrário, quando passo o dia tentando ver cometas é que percebo o quanto maravilhoso é estar vivo nesse planeta aquecido e mantido por uma estrela de quinta grandeza. Ao caçar corpos celestes, percebo que somos mesmo das estrelas e estamos na terra, parcialmente esquecidos que somos também cometas viajando pelo espaço das experiências.

Por isso é importante esse exercício de olhar pro céu e se deixar encantar pelo pôr do sol ou por uma lua gigante que surge de surpresa na sua janela, como se só tivesse sido posta ali, para você olhar para ela. Deixar-se envolver por esses momentos, essas observações, faz com que você tenha ciência que viver é um presente sagrado demais para ser contaminado por tinta suja de noticias ruins de jornal, por vozes ecoando nas nossas cabeças vindas dos programas televisivos que fazem da tragédia uma festa para a audiência faminta por desgraça.

Observar cometas no céu, é um exercício de paciência, ainda mais no céu poluído por crimes das grandes capitais. Porem, se a paciência persistir, a recompensa não tarda a chegar: as nuvens do medo se dissipam e enxergamos o cometa da vida, riscando o céu para nos lembrar que não importa onde estamos, nossos problemas e a ignorância coletiva, tudo vai passar e vamos continuar.


Frank

sábado, janeiro 20, 2007

A Natureza e as Esporas

Segundo Darwin, somos seres em constante evolução, aprendemos com os nossos erros e só os mais fortes e espertos sobrevivem. Tenho nadado contra a maré, não consigo evoluir e deixar de acreditar nas pessoas, mesmo sabendo que posso ser usado, manipulado, ferido e segundo Darwin, extinto.

Não faz muito tempo e perdi um grande amigo para a vida. Motivos: imaturidade em resolver as diferenças de forma sensata e a grande capacidade humana de querer que o outro viva de acordo com o evangelho do nosso ponto de vista.

Fiz a promessa de jamais confiar em outra pessoa novamente. Tolinho!!! A promessa foi quebrada pouco tempo depois. Tenho hoje dezenas de amigos que confio plenamente e pelos quais, tenho muito estima. A verdade é uma só, não sei quanto a vocês, mas não sei viver sem amigos.

Não faz muito tempo e partiram meu coração, ainda procuro os pedaços, mas sei que não deixarei de amar. É a minha natureza: amar é se entregar totalmente à pessoa amada. Eu sei, preciso evoluir. Preciso criar máscaras, barreiras e defesas para não me machucar novamente. Preciso manipular, usar, mentir e manter o jogo, se quiser ser feliz no amor. O problema é que quando eu amo, eu arrisco mesmo, mas jogo pra vencer.

Amar é dar a cara às tapas, mostrar suas verdadeiras cores, admirar e cuidar bem de quem está ao seu lado, mesmo que seja por uma semana, um dia. Amizade é compartilhar, se abrir, falar um monte de besteira e até chorar, mas acima de tudo confiar.

Tanto no amor quanto na amizade, não dá para estar ao lado de alguém só pela metade. Precisamos estar plenamente com as pessoas que gostamos. Se elas não agem assim conosco, o problema é delas, não nosso. Não podemos mudar quem somos, por causa da atitude e opinião dos outros. Osho, um sábio indiano, que era maluco e iluminado ao mesmo tempo, costumava dizer : “ Esteja Pleno. Quando conversar com os seus amigos, seja a própria conversa. Quando beijar quem vocês amam, seja o próprio beijo. “ Sim, estar plenamente com alguém deveria ser obrigatório, menos que isso não é suficiente.

Sim, eu sei! Precisamos estar bem treinados para montar nesse cavalo selvagem chamado amor, nesse touro indomável chamado amizade, mas como não nasci mesmo para ser boiadeiro, nem cavaleiro; continuo tentando olhar no olho desses bichos e me comunicar, mostrar que eles não precisam temer. Apesar da dor cavalgar junto com o prazer, montar nesses animais não tem nada a ver com poder e sim com respeito. Por isso e talvez por pura teimosia, não uso esporas, chicotes ou laços e mesmo que eu caia de novo, não vou mudar, vou me levantar e recomeçar tudo de novo.

Frank

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Menino da Pele Azul

Menino que tem o sol dentro dos olhos
Me dá um pouco desse teu mel
Deixa eu tocar na tua pele azulada
Sentir por segundos a paz do teu céu

Vem cá menino de 5000 anos
Quero ver as cores de tua pena de pavão
Que levas adornando teus cabelos
Que acende sabedoria aos que estão na escuridão

Me deixa amá-lo como tuas Gopis
Dançar contigo na tua canção
Ouvir a flauta que sopra teu doce amor
Me perder contigo na imensidão

Ah filho de Devaki e Vasudeva
És do universo o pastor transcedental
Trazes o brilho da luz que incendeia
És a divina luz espiritual

Nos leva ao combate sem nada temer
Nos põe em desafio do nosso próprio ego
Nos impulsiona a ele vencer
Tirando a maya dos nossos olhos cegos

Te ofereço doce menino
folhas, frutas, flor ou água
Leite, mel pra te encantares
Que do meu peito jamais saias

No meu Anahata teu nome cantarei
Que eu possa sempre lá te encontrar
Meditando comigo as tuas bênçãos
Krishna Divino e amado Avatar

Autora: Savitri

quinta-feira, janeiro 11, 2007



Um brinde aos grandes amores e as amizades verdadeiras!!!

Que esse seja o ano das grandes mudanças e que o vento nos traga na próxima esquina, muita saúde, paz e novas aventuras!!!

Frank

Do Anjo

Ela não poderia ser real, mas era.

Sapeca, de fala rápida, sorriso certeiro, acertou uma flecha no meu coração.

Ela mora longe, mas está tão perto que posso sentir.

Fecho os olhos e ouço a sua voz, vejo suas palavras escritas em letras de MSN serem tecladas em minha tela mental.

Vou dormir, contente, pois sei que ele é real, existe e é parte de mim.

E quando sonho, dançamos em bailes de papel, no ritmo das letras, das promessas e do encontro que nunca aconteceu. Ela me chama de anjo e eu a chamo de minha. Codnomes, códigos, apelidos, que revelam o que é segredo ao mundo e verdade absoluta para nós.

Mas quando caio do sono, acordo e ela não está lá. E passo todo o dia esperando a noite, só para poder novamente com ela sonhar e bailar.

Sun Amara

Dedicado a minha querida amiga Samara


O tempo é como a água que escorre pelos dedos, mão nenhuma consegue segurar. O tempo é impiedoso, dissolve lembranças, apaga rostos, transforma grandes amigos em rostos na multidão, porém, o tempo jamais conseguiu apagar da minha lembrança o sorriso da minha amiga Samara.

O ano era 1991, poderia ter sido 2001. Trabalhávamos juntos, vendendo e fazendo Big Mac´s na famosa e famigerada rede de fast food do palhaço Ronald. Éramos diferentes, eu Ocidente, ela Oriente; mas sorrisos nos aproximaram, a ponte da amizade se ergueu.


Se o tempo é cruel, a memória é pior ainda. Não lembro se foram meses, me parece que foram dias, mas tão rápido quanto ela apareceu, se foi, para além do mar, para onde eu jamais a poderia alcançar.

Prometemos manter contato, mas nossas promessas foram quebradas pela distância, pelo tempo e pelos caminhos que seguiram para direções opostas.

Então um certo dia, quando surfava por ondas virtuais, vi surgir uma ilha e era Samara que reaparecia.

15 anos depois nos reencontramos, um abraço derrubou o tempo e os nossos sorrisos reviveram memórias. Por isso, escrevi essas palavras, para lembrar e pedir a todos que se perderam de grandes amigos: Não os esqueçam! Pois a maré, que um dia levou, os trará de volta.

segunda-feira, janeiro 08, 2007


Malabaristas das Ruas Posted by Picasa

Os Malabaristas e a Bolsa Louis Vuitton

Sexta, 10:30 da noite, estou num ponto de ônibus da Avenida Juscelino Kubitschek esperando minha condução e noto que os três pivetes que havia visto a pouco tempo fazendo malabarismo no farol, se aproximam de onde eu estou.


Falam e riem alto. Não demora e estão próximos de mim. Ergo o meu muro de defesa; calculo a distância até o outro lado da rua e penso até em acenar para um táxi, mas permaneço inerte, esperando o primeiro movimento suspeito dos garotos para agir.

Eles parecem não me notar, até que me afasto um pouco para avenida e um deles percebe que estou com receio de ser assaltado.

- Roubamos mesmo!!! – grita o rapaz bem alto – Ontem mesmo roubamos um boyzinho, e distribuímos a grana pros amigos – diz o Robinho Hood querendo me assustar, mas estava bem visível, que ele dizia aquilo só para me provocar e porque se sentiu ofendido com o meu movimento.

Olho para os outros meninos e eles contam o dinheiro que ganharam no farol. Aparentemente, não há nenhum adulto os explorando (exceção, pois é o que ocorre em 99% dos casos), e um deles fala baixinho : “ mais uma semana de trampo e compro um Play Station”. Lembro de um quadro humorístico da 89 Fm de São Paulo, “Os Manos”, onde há uma personagem que só pensa em conseguir um Play Station e acho graça.

Mas a graça dá lugar a vergonha, pois julguei os moleques e no final não era nada do que imaginava, mas estou em São Paulo, e desconfiar dos outros é tão comum quanto ficar preso no trânsito.

O ônibus chega, subo e sigo o meu caminho...


Sábado, 16:30, estou no Shopping Morumbi, tentando achar a única loja que importou o novo CD da Loreena McKennitt, minha vocalista de World Music preferida, e pego uma fila para pagar o CD no caixa. Á minha frente tem um casal, e espero a minha chance de pagar uma pequena fortuna por esse CD importado, que só deve chegar no Brasil em Dezembro. A mulher, cheia de sacolas e com sua bolsa Louis Vuitton no ombro dá um passo pra trás e esbarra em mim. Ao invés de pedir desculpa, ela me olha desconfiada e tira a bolsa do ombro, põe a frente e abre, checando se há algo faltando. Não era mal entendido, ela estava achando mesmo que eu tinha aberto a bolsinha dela durante o momento em que estávamos na fila e tirado algo.

Meu coração começa a bater mais depressa, minha respiração fica descompassada e eu estou à beira de começar uma discussão. “ Quem aquela @#$% pensava que era, para achar que eu sou um ladrão? “ penso com razão, afinal estava me sentindo humilhado por aquela dondoca; mas me vem à mente a experiência no ponto de ônibus. Revejo a cena, e lá estou eu prejulgando “os malabaristas”.

Irônico, não?
Por fim, pago o meu CD, vou-me embora, mas começo a rir, afinal a melhor forma de aprendermos como ferimos as pessoas com nossos preconceitos é sentindo isso na nossa própria pele.



Frank Oliveira

terça-feira, janeiro 02, 2007

2007

Desejo a todos os amigos e leitores do blog, muito sucesso e saúde em 2007!!!
Obrigado por estarem comigo em 2006 e prometo a todos que um rio cheio de textos está a caminho.

Obrigado de coração

Frank

sábado, dezembro 23, 2006


Menino Dourado em outros tempos Posted by Picasa

Os Três Reis Magos e o Menino Dourado

Conta a lenda que quando Jesus estava vindo
O céu testemunhou o Universo trabalhar
Numa estrela que indicasse o caminho
Para os três Reis Magos o menino encontrar

Viajando dia e noite, vigiando os sinais noite e dia
Traziam eles grandes presentes
A serem entregues ao grande guia
Que viria a terra em forma de menino semente

O primeiro Mago trouxe o ouro Paz
O Segundo carregava o rubi Harmonia
E antes que o terceiro entregasse o diamante Amor
Para a sagrada família

Notaram todos que o neném dourado sorria
E em seu sorriso, eles podiam perceber
Que todos aqueles tesouros o menino já tinha
E do seu peito os enviava
A cada pessoa que vivia

E o três Reis entenderam a tempo
Que esse príncipe nada, nem coroa possuiria
Até mesmo os mais nobres sentimentos
Ele com o mundo compartilharia

Diante de um menino tão especial
Os três Reis Magos se abaixaram em veneração
E foi nesse momento que surgiu um ser angelical
Que os ensinou uma grande lição:

“Em cada criança há Jesus
Em cada mulher há Maria
Em cada Pai reside a luz
Na união que resulta em Vida

Em cada ser vivo há esperança
Em cada bêbe há um potencial, um futuro
De se tornar boa aventurança
E deixar pegadas luminosas no escuro

Se há uma lição que esse menino veio ensinar
É que não há rei ou plebeu
E a todos devemos igualmente tratar
E que tudo que ele vai fazerQualquer um poderá realizar


Frank



”FrankNotas: ”Todo dia é natal! “O anjo não disse isso não, mas acredito que todo dia é natal, se o natal significa mesmo celebração da vida, uma vez que o próprio Cristo representava Vida.
Não precisamos de dia especial para reunir a família, dar um presente a quem amamos. Nem é preciso esperar o Natal ou a Páscoa para lembrar do menino dourado.

Sei que hoje em dia é perigoso falar de Jesus ou de amor, sem parecer religioso, fanático ou démodé, mas arrisco assim mesmo e como sou um poeta de rima torta, sigo escrevendo sobre esse cara sem medo de ser feliz porque finalmente o compreendo e o aceitei como “Salvador “das minhas tolices egoístas e bobagens emocionais, sem pra isso pertencer a nenhuma religião ou seita.

Será que é possível ter Jesus no coração como mestre e amigo, sem me converter a igreja alguma? Acredito que sim e deixo com vocês a dúvida. Quanto a mim,com certeza, estou conhecendo o Amor e se o que sinto e só uma gota dágua do oceano de amor que Cristo sentiu pela humanidade, só há o que admirar e festejar TODOS OS DIAS esse homem que ensinou que amar a Deus é primeiro que tudo amar a própria Vida.

Frank

Meus Anjinhos sobrinhos Posted by Picasa

Um Milagre Paulista

Cena 01: O plano

O plano era audacioso. Levar meus três sobrinhos, dois deles com seis anos e um com três anos, para o playland do shopping Tatuapé, zona leste paulista. O desafio estava em fazer isso sem carro e tendo que pegar ônibus e metro com a minha sobrinhada pestinha.

Estava em Sampa depois de dois anos fora do Brasil e hospedado na casa de minha mãe no Ipiranga. Sem carro, uma idéia simples como levar a molecada no shopping tomava rumos aventurescos à medida que entrava no ônibus com os sobrinhos.

Não tenho qualquer experiência com criança e tomei o desafio como um pré-treinamento para o moleque que vive me cobrando para trazê-lo ao mundo. E com nota dez consegui manter os moleques “quase” comportados em duas cadeiras, enquanto meu corpo impedia que os pestinhas saíssem de suas posições e corressem para o corredor.

Preocupado que alguém pudesse mexer na mochila as minhas costas e roubar a filmadora com a qual eu iria filmar à tarde com a criançada, tirei-a das costas e coloquei no colo de um dos meninos e voltei a cantar as musicas da Xuxa que todos sabiam até de trás pra frente.

Lá pelas bandas da Avenida do Estado, no ponto do metrô, desci com as crianças com o maior cuidado e consegui levá-las ate a estação, onde minha mulher, minha salvação, me esperava com nossa afilhada. Que alivio! Descobri por que Deus inventou esse troco de casal ao perceber que é o máximo compartilhar tarefas árduas como cuidar de pestinhas. Mais tarde, em frente ao shopping, abracei minha esposa e suspirei:

- Consegui! Você viu? Foi moleza!

- Frank, cadê a filmadora?

Frio na espinha, cara de bobo e estomâgo em turbulência.

- Esqueci no ônibus!

A filmadora estava na bolsa junto com minha agenda com todos os endereços e telefones, mais as fitas da minha viagem para o Egito, filmagem do natal com a família e festa com os Voadores e pessoal do IPPB. A filmadora era cara, mas as fitas insubstituíveis.

- Calma, Frank! – dizia minha esposa, tentando me acalmar- É só algo material ! Respira fundo! Tira esse peso da sua barriga.

- Cara, como eu sou burro. Como pude?

- Você estava com os três meninos, isso acontece…

Mas eu estava além dali, tentando imaginar tudo o que eu poderia fazer, mas àquela hora era tarde demais para localizar o ônibus, ponto final, motorista e cobrador. Olhei para as crianças que me olhavam curiosas e para minha esposa que mesmo diante do estúpido do marido tentava acalmá-lo e senti vergonha por me preocupar por algo material, tendo TANTO ao meu alcance.

E ela tinha razão, era só uma filmadora que essa hora já estava nas mãos de alguém sortudo o bastante para achar no ônibus o décimo quarto salário.

Segui com o plano original, mas por dentro não parava de repetir: “Porra que azar!”.

Minha mulher logo atrás, conversava com as crianças:

- Por que o tio esta triste, tia?

- Ele perdeu a filmadora, Lucas!

- E se ele não encontrar?

- Se ele não encontrar a gente perde a filmadora.

- Mas a gente vai continuar o nosso passeio?- Perguntou meu sobrinho já preocupado se iria perder o passeio por causo do descuido do tio.

- Claro, Lulu. – disse minha sobrinha Larissa. – Hoje e o nosso dia especial com o nosso tio!

Cena 02: A Segunda lição

No metro a caminho de casa, quase nem lembrava mais do que tinha ocorrido porém ao ver uma mochila nas costas de um cara, a lembrança e a sensação de ter feito caca, me entristeceu a cara. Minha sobrinha Larissa me olhou e disse:

- Tio, num fica triste, não. Garanto que o senhor ficaria mais triste se tivesse perdido um de nós.



Cena 03: Lamentações de fim de noite

“Puxa vida. Sempre devolvi tudo o que encontrei. Cadê essa tal da lei do retorno? Não que fizesse isso achando que um dia fariam o mesmo comigo, mas puxa vida, não merecia isso. Só sai com meus sobrinhos. Puta idéia bacana e altruísta, e levo essa bica do Universo. Bem que uma pessoa honesta poderia ter achado e… para de sonhar e dorme, rapa. Alem disso, não foi o universo que perdeu nada, foi você mesmo.”

Cena 04: O telefone toca e a lição da mamãe

Acordo pela manha e tomo café com pãozinho francês e novamente quase tenho um samadhi ao comer um pãozinho quentinho com manteiga com cafezinho brasileiro de alta qualidade e… pão de queijo! Que maravilha ser brasileiro. Nada nesse mundo e melhor que esse pãozinho de queijo saboros…

- Frank, telefone!- grita minha Mãe.

- Já vou!

Quem será essa hora? Corro para o telefone contrariado, e sorrio ao ouvir a voz da Gisela, minha amiga do IPPB.

- Oi Gi, como vai? Olha, obrigado pela recepção na sua casa. Aquela festa foi demais!

- Que nada, Fran. Foi um prazer, mas estou te ligando por outro motivo. A Suely dos Achados e Perdidos da estação Sé me ligou, achou a tua filmadora e entregaram na estação.

Alguém sabe descrever o que se sente quando a gente recebe um milagre? Sabe quando aquela chance em um milhão finalmente ocorre com você?

Pedi para Gi repetir, mal acreditando e só faltei entrar na linha e lhe dar um abraço.

Corri para a Sé e lá chegando, percebi que era noticia entre os funcionários.

- Então, você é o sortudo da filmadora! Olha é uma chance em um milhão. Isso nunca ocorreu por aqui.


Suely, funcionária do Metro há mais de vinte anos nunca tinha visto um caso como esse, E por uma dessas coincidências da vida, ela tinha um filho morando em Londres, e no final, parecíamos velhos amigos ao se despedir.

E lá fui eu pelas ruas de Sampa com a bolsa agarrada nos braços como se fosse o “precioso” do Senhor dos Anéis, agradecendo a Ganesha e a Padre Cícero pelo que ocorreu.

Quando cheguei em casa, e todos me congratularam pela sorte, minha mãe me falou algo bem interessante:

- Cuidado, filho! Não vai transformar esse milagre em algo comum. Esse é o problema que ocorre com todos quando Deus de alguma forma opera algo assim nas nossas vidas. Ficamos um dia ou dois maravilhados, dai depois nem damos mais importância ao ocorrido. Lembre-se desse dia e em como você presenciou esse milagre ocorrer, logo aqui em São Paulo. Mas vê se não esquece mais nada no ônibus, viu menino!

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