domingo, dezembro 11, 2011

A Formatura da Jureminha

Participei da primeira festa de formatura da Jureminha. Sim, minha filha já está se arriscando na jornada do “learner”: faz natação todo sábado.

Lembro que quando a Auri me falou sobre o curso de natação para bebê, tive um flashback da capa de um álbum da banda Nirvana na minha cabeça junto com a lembrança de, pelo menos, uns cinqüenta artigos que li que diziam que a natação é para o bebê tão natural quando é para um adulto engordar vendo TV no sofá. Porém, mesmo assim, a idéia da minha filha numa piscina não era muito confortável, mas como eu poderia dizer “não”? Logo eu que vivo dizendo que é preciso correr riscos e tal...

Então, lá foi Jureminha e a mãe dela para a primeira aula, e a segunda, e a terceira. O resultado foi acompanhando no dia-a-dia: a coordenação motora da minha filha aumentou consideravelmente.

Fui pesquisar sobre isso, e descobri que até os cinco anos de idade, a criança passa por um processo intenso de desenvolvimento e maturação, preparando-se, pouco a pouco, para o futuro como adulto. Ou seja, até essa idade, tudo conta e modifica quem ela virá a ser. Todo esse desenvolvimento, de acordo com os especialistas é estimulado com a natação.

Ainda assim, confesso que toda vez que imaginava minha filha, mergulhando numa piscina, meu instinto de proteção ia à mil.

- Confia, pai – eu repetia a mim mesmo. De certa forma, funcionava. De outra forma, era melhor não pensar muito sobre isso. Porém, certa feita, eu decidi ir assistir uma das aulas, só para sentir que todos esses meus temores eram mesmo à toa.

Jureminha tem aula na Associação “Vem Ser” é uma entidade sem fins lucrativos que tem como missão integrar na sociedade, indivíduos de qualquer faixa etária e que possuam necessidades especiais. Além desse projeto, eles desenvolveram um curso de natação para bebês que visa não apenas a natação em si, mais também um curso voltado a ensinar as crianças a respirar melhor, aumentando sua capacidade broncopulmonar, o que lhes será útil pela vida afora.
Além disso, eles possuem um objetivo pedagógico, promovendo uma aprendizagem desse esporte segundo as regras da psicomotricidade, isto é, colocar o aluno em contato com o meio líquido, através de vivências e experiências lúdicas, proporcionando-lhe bem-estar físico e emocional, tanto no processo de aprendizagem, como de aperfeiçoamento das técnicas de cada nado. Tudo isso soava maravilhoso, porém, não passaria de um blá, blá, blá sem um professor competente. Daí, minha curiosidade em conhecer quem estava educando a minha filha.

- Frank, essa é a Professora Flor, instrutora da nossa filha – disse minha mulher, apresentando essa mulher de cabelo curto com um sorriso contagiante, cuja voz, de imediato, me transmitiu uma confiança tamanha que até eu que morro de medo d’água, pensei seriamente em aprender a nadar.

A Professora Flor é uma dessas professoras que não se encontra facilmente em escolas. Educadora por natureza, ela transmite conhecimento com naturalidade, além de um trato com os bebês
que muito me emocionou.

- Vou colocar uma música de fundo e quero que vocês, pais, brinquem com suas crianças. Façam isso com toda a atenção que elas merecem, pois enquanto vocês estão fazendo isso, os pequenos vão se preparando psicologicamente para essa experiência única que é fazer uma atividade física com os seres que elas mais confiam no universo: o papai e a mamãe dela. Brinquem com seus filhos, pais, pois brincar é a melhor forma para uma criança aprender.

Virei fã da Flor e da natação para bebês.

Descobri mais tarde, que a natação ajuda a desenvolver a memória, estimula o apetite, aumenta a resistência cardio-respiratória e muscular, tranqüiliza o sono e também previne várias doenças respiratórias. E razão pela qual a associação estimula que as aulas sejam feitas com os pais é para assegurar que as crianças aprendam com segurança; transformando o medo do desconhecido em um ambiente alegre e prazeroso.

Daí, o meu orgulho ao subir no palco e receber as honras em nome da minha filha que, apesar de ainda não compreender que era ela que recebia a homenagem, entendeu bem que aquele pacotinho cor de rosa que recebia da professora, era perfeito para ela brincar.

Brincar ! E existe melhor forma de aprender?


Para saber mais sobre a Associação Vem Ser, acesse:
http://www.associacaovemser.org.br/quem_somos.html

sexta-feira, dezembro 09, 2011

No Dos Outros É...


Ele era gente das antigas, respeitava a todos, um gentleman que torcia o chapéu para a falta de boas maneiras dos seus, dos outros e de todo aquele que via por aí, exercendo a falta de educação e solidariedade.

Ficava triste por ser um dos únicos que dava o lugar no ônibus as donzelas, se deprimia ao ver o quanto os outros homens cuspiam no chão e cultivavam comportamentos que nem animal costumava praticar.

Geralmente, tentava corrigir o que via : ao ver pessoas jogando lixo no chão, as abordava explicando sobre os malefícios das enchentes causadas por bueiros entupidos; entregava fones de ouvido aos meninos funkeiros que ouviam música alta nos ônibus e trens; educava motoristas sobre dar passagem aos pedestres; porém, quanto mais ele tentava consertar o que via, mais aparecia o que deveria ser concertado.

Um dia, talvez por descuido ou quem sabe por rebeldia, deixou cair um pedaço de papel no chão, e mesmo notando o ocorrido, seguiu viagem; o que foi parado por um senhor, tão educado quanto ele, que lhe avisou sobre os malefícios do lixo jogado na rua. Ao notar que outro lhe dizia o que fazer, uma fúria sem igual tomou conta do seu ser e ele pegou um pedaço de madeira que estava jogado no chão, ao lado de um saco de lixo, e acertou na cabeça do homem que lhe apontara o deslize ocorrido.

Ninguém sabe ao certo o que ocorreu, alguns contam que aquele senhor aparentemente do " bem " enlouqueceu e matou um outro senhor que apenas tentara lhe dizer que lixo no chão provoca tragédias. Outros contam que os dois já tinham desavenças antigas. Só o que sabe é que ninguém mais derruba lixo no chão naquela região, afinal, tem cada louco por aí...vai quê...

quinta-feira, dezembro 08, 2011

A Lenda de Atotô



" Se você ver um velhinho
no caminho,
pede a bênção a ele..."


Certa noite, tive um sonho, em que estava dentro de uma casa de barro. Pensei em sair da casa, e descobrir onde eu estava, mas senti uma intuição me dizendo que eu deveria esperar, esperei, então!

E para a minha surpresa e medo, surgiu pela porta, um homem vestido com um manto coberto por palha.

Diante dessa presença toda coberta, senti muito medo; medo de tolo diante do desconhecido; medo de gente com medo do diferente. Ao perceber o meu temor, esse Ser começou a desaparecer; daí, percebi, que aquele Ser Espiritual era Omulu, o Orixá da Cura, e falei:

- Perdoe-me, Atotô, Pai da Cura! Esse vagamundo ainda demora um pouquinho para permanecer consciente no astral. Volta, meu Orixá, e me revele o motivo da sua visita.

Então, Obaluê foi retornando e tirando o seu manto de palha, e acordei ainda com os olhos cobertos de luz.

" Obaluaê é bonitinho
Obaluê é diferente
Acorda quem está dormindo
Levanta quem está doente"

Notas: Na cosmologia dos Orixás, Omulu ou Obaluaê, é o orixá da humildade, senhor da doença e da cura, médico dos médicos. Durante o dia vem em forma de cura, sanando todos aqueles que necessitam, à noite vem como a morte, recolhendo os que de alguma forma chegou a hora. É representado com o rosto coberto de véus de palha por causa de sua associação, na África, com a varíola que dá feridas no rosto: ao dançar, se contorce como se tivesse dor ou fraqueza.

Na mitologia africana, ele é filho primogênito de Oxalá com Nanã. Sendo dotado de uma grande criatividade e timidez, foi o precursor da caridade, da humildade e do desapego material. Foi um grande pensador que andava pelos reinos semeando a sabedoria.

Médico dos pobres, senhor absoluto de todas as doenças de pele e infecciosas. Protetor dos desamparados, humildes, doentes e médicos.

Dentro de uma nova visão espiritual umbandista, é o orixá da energia cósmica que, ao penetrar em nossa atmosfera, recai sobre diversos habitats, como Oxum e as águas doces, etc. Ele é um dos sete orixás (puros) tendo como desdobramento a orixá Nanã. Ele vive na Calunga pequena (cemitério), aí se dando a concentração maior de sua energia (positiva ou negativa). Seus sensitivos, ao manifestarem a presença de Omolú, curvam seu corpo a terra, ficando o mais perto possível dela. Representa também a grande transformação do ser, ter que morrer para o pequeno e renascer para o grande, sem precisar deixar a matéria (morte).

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Neurociência Para Cris

Texto original escrito pelo Lázaro Freire e postado na lista Voadores:

http://br.groups.yahoo.com/group/voadores/message/107148


Em voadores@yahoogrupos.com.br, "Cristina Ferraz" escreveu:

- Láz, sei que não se trata de assunto que possa ser discutido aqui na lista, somente esclarecido por especialistas. Eu pediria, se possível, apenas um breve comentário sobre essas duas perguntas:

1 - Alguns receptores podem já nascer com defeito, ou então ser danificado, após um parto a fórceps ?

Não sei se chamamos a mesma coisa pelo mesmo nome.

Eu sou um psicanalista neo-kleiniano transpessoal, além de estudante de neuropsicanálise dentro do paradigma biopsico sócioespiritual e compreensãointegrada numa visão neuropsicoimunoendocrinológica, portanto tenho meus motivos para crer na formação psíquica impactante já a partir do primeiro momento de vida, com forte participação do primeiro ano, antes das fases clássicas de Freud. Mais ainda, temos bons argumentos para a influência da vida intra-uterina e psiquismo da gestante - de modo determinante - nos conflitos psíquicos que podem influenciar a criança décadas e décadas depois. Mas isso é outra história.

O que chamei de "receptores" para neurotransmissores na fenda sináptica, me parece, é outra coisa diferente do que você compreendeu.

Vou tentar simplificar, correndo o risco do reducionismo:

Prmeiro lembre de um neurônio:


Lembrando que são células, e que há neurônios em TODO o sistema nervoso central,
certo?

Note que os neurônios tem "bracinhos", axônios. Que se comunicam com os demais. Seu movimento, pensamento, sensibilidade, etc, ocorre a partir desta comunicação. Lembre-se que certas lesões na medula, por exemplo, podem implicar em perda de movimentos. E que "derrames" cerebrais (AVC) e outras lesões podem trazer perdas cognitivas.

Pois bem, na comunicação entre os "bracinhos" dos neurônios há um "espaço" que chamamos de "fenda sináptica". Já ouviu falar em sinapses? Elas andam na moda ultimamente... Nelas ocorrem as "comunicações" dos neurotransmissores. Ou seja, de um bracinho de um neurônio para outro.

O que emite o sinal, chamamos de pré-sináptico. Antes da sinapse. O que recebe, chamamos de pós-sináptico. Ou seja, o que está depois da fenda da sinapse. Aquilo que chamei de "receptores", portanto, são conexões no bracinho do neurônio que está depois da sinapse. Aquele que vai receber o neurotransmissor emitido.

Creio que a figura abaixo ajude a compreender a explicação:


Caso não seja suficiente, procure no Google Imagens por "fenda sináptica", que outras boas ilustrações legendadas aparecerão.


No artigo anterior, falávamos em particular dos receptores dos neurônios de uma parte específica do cérebro, o núcleo accumbens, uma espécie de central de estímulos e recompensas. Quando você acha algo gostoso, ou importante, ou prazeroso (sexo e alimentaçao, por exemplo - ou principalmente, do ponto de vista evolutivo), o núcleo accumbens está envolvido. Nos jogos compulsivos e no uso de drogas alucinógenas, também.

Dá pra gente ver em neuroimagem (ressonância, tomografia, PET Scan, essas coisas) a quantidade de receptores S2 do núcleo accumbens em determinadas situações. E assim descobrimos que, tanto no jogo compulsivo quanto no uso de drogas, a sensibilidade desses receptores pós-sinápticos (bracinho do neurônio de depois) diminui com o estímulo. Mais ou menos como um perfume que, quando você usa demais, não sente mais tanto. Ou seja, em resumo, muito estímulo de neurotransmissor (no circuito de recompensas) por muito tempo seguido e de modo forçado e exagerado (drogas, jogo) fazem com o que o mesmo estímulo não gere mais o mesmo prazer. Os receptores diminuem, e aí você precisará de mais e mais estímulo para conseguir a mesma coisa. Em outras palavras, jogo compulsivo vicia, maconha vicia, daime vicia, sexo compulsivo vicia, comida compulsiva vicia. Sério. Digam isso para o pessoal que espalha o mito de que maconha e daime não trazem prejuizos nem causam tolerância. Impossível. Porque os princípios ativos destas substâncias fazem uma inundação de neurotransmissores naquela fenda da última ilustração, entendeu?

Cabe duas explicações menores. Primeiro a má notícia. Estímulos exagerados, patológicos ou artificiais podem danificar esta comunicação. Bye bye sinapse. Bye bye axônio. Bye bye neurônio. Tudo bem, você tem zilhões deles. Mas quero os meus muito vivos. Lembra daquelas lendas de que maconha afeta a memória? Pois é. Mas não é só maconha e daime não. Álcool é um dos que mais provoca perdas neuronais. Até café em excesso. Estímulos demais, do tipo prejudicial.

Não usar o cérebro que se tem, também gera perdas. Pensar sempre do mesmo jeito. Tarefas repetitivas. Visões de mundo estreitas. É como você ter um mapa cheio de estradas (as sinapses) interligando várias cidades (neurônios) via diversos tipos de transporte e veículos (neurotransmissores) mas você usar apenas uma estradinha, deixando as cidades distantes antes prósperas sem alimento, sem visitantes, sem tráfego... As estradas esburacam, as cidades morrem. Bye bye. Mente pequena é caminho para o Alzheimer, seja lá como se escreva isso.

A boa notícia é que estímulos adequados fazem com o que o neurônio pós-sináptico aloque mais receptores, mais receptores, mais receptores... e quando o estímulo é bastante, o axônio (bracinho do neurônio) se abre em mais um, para haver mais neurotransmissão adequada, gerando o que chamamos de NEUROPLASTICIDADE. Mais bracinhos, mais sinapses, multiplicando-se exponencialmente. Talvez por isso alguns homens sábios e inovadores parecem ficar mais e mais inteligentes com o tempo (Freud, Platão, Jung, tantos outros); enquanto os de mente pequena e presos a paradigmas parecem caminhar para a demência com a idade.

Uma das coisas que geram neuroplasticidade é psicoterapia. Espiritualidade e filosofia também ajudam, e muito. A turma que resiste à voadores e segura a onda aqui certamente está revendo paradigmas, tendo insights e portanto modificando seu cérebro para melhor a cada nova ficha que cai. Modificando FISICAMENTE. E nem vou entrar agora em neurogênese, a criação de novos neurônios.

Outra coisa que parece facilitar a neuroplasticidade é o uso de algumas medicações "antidepressivas" que aumentam o nível de serotonina na fenda sináptica. Só a medicação não faz milagre, mas em conjunto com psicoterapia e novos pensamentos, o nível aumentado de serotonina ajudado pelo medicamento permite que novas conexões sinápticas apareçam. Por isso quem faz psicoterapia, com ou sem medicamento, parece mudar de vida depois de algum tempo, e enxergar o que não via. Literalmente, eles tem um cérebro (fisicamente) diferente. E
melhor.

2 - Seriam os sentimentos e emoções as principais causa do funcionamento ( adequado ou não) desses receptores?

Não, a relação não é bem essa, conforme já deve ter percebido a partir da explicação do que são os receptores do núcleo de recompensa.

Mas sentimentos e emoções passam, é claro, pelos neurônios. Assim como medo, desejo, instinto, espiritualidade, e até o movimento dos meus dedos neste teclado. Ou a visão que tenho dessa tela.

Eu entendo sentimentos como algo mais elaborado, cognitivo, e aí associado a regiões talvez do córtex frontal do cérebro (ali atrás de sua testa, área da inteligência, etc).

Emoções eu entendo como algo mais límbico, mais de dentro da caixola, outras áreas e neurônios envolvidos. Todos mamíferos tem emoções. Elas são indispensáveis para a preservação da espécie.

O que tem a ver é que as emoções são também fundamentais para a memorização. O neurotransmissor DOPAMINA também, e este passa pelas tais sinapses e receptores. Quando o macaquinho transa, isso é fundamental para que a espécie sobreviva. Então ele recebe uma dose de SEROTONINA no núcleo accumbens (o centro de recompensas), para dizer pra ele que isso é PRAZEROSO. E recebe também uma dose de DOPAMINA e outros neurotransmissores menos falados ali nos receptores do mesmo núcleo, para ele saber que é IMPORTANTE E GOSTOSO. A emoção é importante nisso. Ele vai lembrar da experiência, e tender a repetir. Vale para outros prazeres e coisas importantes.

A coisa é bem mais complexa. E receptores e neurônios estão em tudo.

Agora, o que talvez tenha a ver com sua pergunta, sem precisar entrar em tanto detalhe de neurotransmissores, é que:

a) Sim, existem diferenças cerebrais e neuronais explicadas pela genética, ou pela epigenética, e até mesmo pelos estímulos recebidos (ou não) pelo feto na gestação. Sem contar em más formações, efeitos de medicamentos, alimentação da gestante, etc. Não nascemos todos iguais, cerebral e neuronalmente falando.

b) Não preciso já ter cérebro desenvolvido para ter problemas neuronais. Lembre-se que os estímulos ali nas fendas são também químicos, e que noradrenalina é um neurotransmissor. Importante. Em outras palavras, tudo me leva a crer que gestantes desequilibradas, tensas, neuróticas, etc (muitas vezes devido ao pai, para dividir a culpa) geram bebês com circuitos neuronais - e posteriormente cerebrais - diferentes.

c) Traumas físicos e emocionais de qualquer época da vida são, evidentemente, registrados em algum nível. Consciente ou inconsciente. Vale para o parto. Vale para a gravidez. Vale para a infância. Quanto mais cedo, a meu ver, mais impactante - pois a neuroplasticidade futura será construída a partir daí. O cérebro de uma criancinha tem poucas "estradas" e "cidades" de minha metáfora anterior. Se uma delas já começa com um bloqueio, o desenvolvimento vai para outro lado, onde suas defesas funcionarem melhor. Em outras palavras, o que o Freud chamaria de "traumas", a meu ver, não é só lógico como ele talvez pensasse, mas FÍSICO. O cérebro vai por outro caminho.

d) Por outro lado, nascer por si só já é um filme de terror. Traumas todos temos, o importante é se tivemos suporte para fazermos a neuroplasticidade adequada. Se a mãe foi "suficientemente boa". Se tivemos o afeto e cuidados adequados. Nascer é traumático, o bebê está quentinho é é jogado numa sala refrigerada, ele nunca se mexeu direito e em seguida abrem seus braços e pernas em uma posição inédita como se o rasgasse, ele nunca respirou e terá que abrir alvéolos pulmonares na marra e sob tapas para não morrer (dói, mas se não respirar, morre), nunca viu luz e de repente sai numa sala híper iluminada (lembre-se dos mineiros do Chile), nunca teve contato com a pele e então até um cobertor parecerá uma lixa, nunca esteve em outro lugar e agora se vê separado, nunca sentiu fome nem mamou, não tem músculos desenvolvidos para sucção, sentirá a dor de 30 aulas de musculação, mas se não fizer esforço para mamar morrerá de fome... Então TRAUMAS todos temos. Viver dói. A primeira coisa que aprendemos no primeiro instante de vida é que para ter prazer teremos custos e sofrimento - e mudar esse momento masoquista para alguns leva a vida toda e muita terapia. O importante é como aprendemos a lidar com esses traumas, que cuidado tivemos nos primeiros momentos. Ou como reconstruimos nossas mentes e neurores depois de crescidos.

- Elas são muito importantes pra mim.
bjs da cris

- Espero ter ajudado você de algum modo... ou pelo menos ter ensinado alguma coisa
útil aos demais.

Láz

terça-feira, dezembro 06, 2011

Não é uma Questão de Luz


Se a consciência expandida fosse remédio para encarnação e solução para encrenca de karma, todo mundo já nasceria com o terceiro olho aberto e não com os dois olhos fechados. Não é questão de luz, é de vergonha na cara, mesmo. Religião só cura assassino fingindo estar arrependido, meditação não garante lavagem da alma.

Por isso nascemos pelados, para vestir consciência limpa e solidária. De que vale uma padaria recheada de pães de sabedoria, se não distribuímos na prática?

Tem gente por aí, fazendo fila para sair do corpo e aprender sobre chakras, outros gastam uma fortuna indo para Santiago de Compustella ou para algum ashran na Índia, mas não erguem um punho para doar sangue, jogam Big Mac no lixo olhando gente com fome na rua.

Espiritualidade não é recitar a Bíblia ou o Baghvata Gita, qualquer papagaio consegue fazer isso.

Espiritualidade é estar presente nesse momento e não viajando na maionese do x-tudo Divino.

Tem gente por aí que se entope de mantra, sabe os salmos de cor, vive no terreiro, vai a Aparecida toda semana, reza a Maomé cinco vezes por dia, mas é incapaz de mudar de atitude

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Sentar

Você se senta direito? Quero dizer, quando você está sentado, a sua coluna está ereta? Seus pés tocam o chão?

Jureminha aprendeu a sentar : maravilha da natureza, fogos de artifício, a mãe dela e eu comemorando, tirando fotos, mostrando para os parentes o avanço da nossa moleca. É claro, cada passo para a frente da minha filha, mas percebo os passos que eu dou para trás. Tenho dores nas costas, a causa é pura má postura.

Não sento mais, deito.

Mesmo quando almoço, percebo que meu corpo vai para a frente. As costas reclamam, ensaio ainda uma disciplina que nunca cumpri. Daí, nada como observar a minha filha aprendendo a sentar para lembrar do valor que as pequenas coisas possuem.

Aos 38, não tenho mais tempo para cultivar erros de postura, sei que tudo o que faço com o meu corpo, logo depois, terei que pagar o preço. Ainda bem que estou tendo essa segunda chance para reaprender a viver direito. E eu que pensei que os filhos aprendiam com os pais...


sexta-feira, dezembro 02, 2011

O Dia Em Que Acordei Sem Palavras


Um dia, como num pesadelo kafkiano, acordei sem palavras. Eu não só apenas havia me esquecido como dizê-las, como eu também não as pensava.

Eu existia. Vivia o sonho do místico que almeja um silêncio meditativo continuo, porém, para mim, aquela experiência era puro tormento, pois escritor sem palavra é bailarina sem pé, escultor sem mãos.

Eu existia, assim como um animal existe, apenas sentindo, respirando e continuando, mas sem o sabor da experiência narrada, acumulativa, que nos faz ser humano, experiência pensada para ser com o outro compartilhada.

Eu existia. E sabia que aquela mulher que falava comigo, me era querida, mas eu não conseguia sequer formular o pensamento: "ela é minha mulher!"

Eu tentava dizer " ela", mas não conseguia formular o som, nem pensar como se escrevia mentalmente a palavra.

Queria pedir ajuda, mas não conseguia juntar o a, o ju e o da. E quanto mais tentava formular palavras, mas cansado ficava. Senti, enfim, que talvez fosse melhor apenas mergulhar no silêncio.

Mergulhei...

Mergulhei no lago aonde as palavras fluem, vi as ilhas de idiomas, árvores que frutificavam gramática com troncos de estrutura. Ouvi o som, a pronúncia, percebendo como cada palavra formada pelo ar dançando pela nossa garganta é capaz de produzir.

Sem palavras , eu existia, e percebia que lá fundo na mente, existimos mesmo sem pensar que existimos. As idéias, os símbolos, as crenças e certezas está tudo lá em casas de símbolos, edifícios construídos para dar significado ao mundo que vivemos e as coisas a nossa volta.

Tudo embalado por ruas e avenidas, por onde correm Mercúrios, esses mensageiros de pés alados que associam um símbolo num outro, para que tudo pensado possa ser dito e tenha um sentido e se faça uma união chamada: linguagem! Contudo, de que vale ver a coisa mais bonita do mundo e ficar mudo. Nem " uau" eu sabia dizer, nem " caramba" eu conseguia pensar.

Então, como já devidamente revelado, afinal essa é uma crônica escrita sobre a experiência de não conseguir pensar em palavras, notei que as silabas e seus sons começaram novamente a circular em minha mente, como se elas tivessem retornado do lugar em que se esconderam; e fui unindo pen com sar e consegui lembrar da fórmula para criar pensamentos, podendo finalmente sentir que saia da minha boca, uma frase: bom dia!

Como é bom reconhecer a alquimia que ocorre quando pensamento vira magia saindo da boca e entrando no seu ouvido como minha opinião. Que responsabilidade é reconhecer o poder do falar e do bem dizer.

A mal dicção é não poder falar. Maldição é usar as palavras sem uma voz que construa, que una, que compartilhe algo que valha a pena ser dito, bem dito, falado.

Que bom poder palavrear...

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Padilhas


" De vermelho e negro
vestindo a noite o mistério trás
De colar de cor de brinco dourado a promessa faz
Se é preciso ir você pode ir peça o que quiser
Mas, cuidado amigo ela é bonita Ela é mulher"


O perfume é forte, exagerado; a gargalhada ecoa, distoa; no cruzar de pernas, ela mostra e não mostra; o sorriso encanta e esconde. Há no olhar um saber que não se pode falar; no girar um fazer que não se revela; porém tudo que vem dela parece ensaiadamente orquestrado, ora para atrair, ora para espantar. Ela é a voz da rua, o vento que destranca o caminho, ela é doce canto e armadilha; acenda o cigarro e sirva a melhor bebida, chegou Maria Padilha!

- Sirva-me, macho! - ela ordena. No olhar um domínio e fascínio. - Eu não sou só Maria, sou Ana, sou Pomba, sou Gira. Sou a mulher sem nome, a prostituta, a esposa espancada, a estrupada, a mulher agredida, a imunda... É claro, sem perder o charme e a elegância.

Ela gargalha mais um pouco e fala alto sobre sedução e sexo; o povo se distrai, não reflete sobre o que foi revelado; eu quietinho, vou assistindo essa força feminina, pura luz fluída, resgatando mulheres perdidas nas trevas da dor e da solidão. Vejo lugares medonhos, onde anjos não entram e mestres não pisam; não por falta de tentativa, mas por causa das leis de sintonia e vibração, o contato não se fixa; vejo essa legião de Mulheres Bonitas girando aqui e girando acolá, abrindo suas asas vermelhas e cinzas, acolhendo, transferindo mulheres sofridas dos ambientes mais densos para os mais sutis. Vejo essa legião de Ciganas batendo suas castanholas de luz e expulsando os maus espíritos; vejo tudo isso, enquanto o povo canta:

" E nos cantos da rua

Zombando, zombando, zombando está

Ela é Moça Bonita

Girando, girando, girando lá

Oi girando lá oiê

Oi girando lá oiê

Oi girando lá oiê

Oi girando lá..."

quarta-feira, novembro 30, 2011

O Caminho da Experiência


Wagner Borges

Há um caminho que não pode ser ensinado a ninguém: o caminho da experiência!
Ele é feito de vivências práticas no cotidiano da vida.
Cada um tem seu rumo, sua escolha e suas consequências.
A ascenção evolutiva do ser é realizada através de sucessivas vidas, dentro
e fora da carne, em vários contextos de aprendizado.
Logo, cada um deve realizar em si mesmo o desenvolvimento de pensamentos
claros, o equilíbrio emocional e o domínio das próprias bioenergias.
Ninguém pode realizar esse desenvolvimento no lugar de outro ser.
É valor evolutivo.
É testemunho pessoal.
É iniciação contínua.
É trabalho a ser feito.
É a ampliação da consciência.
É o "vir a ser" de cada um.
Na caminhada evolutiva, vários seres avançados podem ensinar valores
conscienciais sadios à grande massa humana que tateia desnorteada pelas
provas da existência terrestre.
Porém, se os mestres espirituais podem indicar bons princípios, nem mesmo
eles podem tirar do Ser em evolução a oportunidade do aprendizado e o mérito
da vivência.
Nenhum mestre, guru ou instrutor espiritual pode viver por alguém.
Eles podem até sacrificar a própria vida por alguém, mas não podem dar
aquilo que só a experiência pode dar: A MATURIDADE DA VIVÊNCIA!

Para mais informações sobre o Professor Wagner Borges, acesse: www.ippb.org.br

terça-feira, novembro 29, 2011

Hitler Foi Para o Céu


Muitas são as estradas para chegar ao Divino, e a maldade é uma delas.

Aprofundar-se na espiritualidade requer uma flexibilidade constante para que possamos ter coragem de rever nossos conceitos e ficar atentos para os nossos pré-conceitos.

- Hitler foi para o céu - contou-me o mentor, prevendo minha cara de espanto.

- Não pode ser! - respondi incrédulo.

- Pode ser e é! - ele respondeu e riu como se caçoasse da minha ignorância ou da minha falta de preparo para compreender que os caminhos para o Divino não são tão "branco no preto" como as escrituras pregam e os fanáticos interpretam.

- Há iluminação espiritual também no "mal". Os que escolhem esse caminho, também possuem direito a libertação. E a eles não será negado a chance do " despertar espiritual", porém, para aqueles que caminham nessas bandas, o que perguntamos é : a que preço?

Por mais que tenhamos descoberto algumas respostas, as perguntas continuam a aumentar, e a jornada que parecia tão linear se faz complexa, porém rica em caminhos e formas de alcançar o destino certo. Já diziam os apóstolos do Mestre que Jesus dizia " Haverá de ocorrer tragédias, mas reze para que ela não ocorra por suas mãos".

A tragédia ensina, a dor gradua e a morte liberta. Nem tudo são flores nesse jardim da dualidade, mas quem semeia espinhos, colhe tempestade. E até essas " tempestades" elevam. Isso é o que dizia o Mentor para mim, enquanto eu teimava, segurando-me na minha verdade do " não pode ser assim".

- Mas eles precisam pagar! - retruquei - Ter o céu como recompensa é um incentivo para esses bandidos. Onde está a justiça divina?

- Você já provou da cartilha do remorso? - perguntou o Mentor - Já tomou do remédio da consciência despertada em meio ao caos provocado por atos seus? Você tem ideia da dor que se sente quando o criminoso descobre que o estranho morto era gente próxima a ele? Você tem capacidade para imaginar a angústia dilacerando a alma de um ser que acorda em meio as navalhadas da sombra? Sim, a maldade é escola espiritual também, mas é apenas uma escolha entre tantas outras, haja vista tantos outros caminhos, tantas outras trilhas. Contudo - concluía o Mentor - a escolha é de cada um e tem a ver com aquilo que aquele ser decidiu sintonizar. Naquele momento, o mal, talvez, fosse o melhor que ele poderia fazer.

Definitivamente, mais difícil do que aceitar que Hitler foi para o céu é lidar com os demônios que constroem castelos de verdades absolutas.

segunda-feira, novembro 28, 2011

A Lenda da Jureminha e o Tigrinho


Minha filha ganhou um Tigrinho. Em fase de dentição, tudo o que ela pega vai para a boca, daí, de todos os brinquedos que compramos para ela, o Tigrinho de borracha ter sido o seu preferido. Ela não larga o Tigrinho e de tanto mordê-lo, o coitado do bichinho já pediu aposentadoria. Para resolver esse problema, contratei a " Minnie Mouse" para substituir o Tigrinho.

Fui até o berço, enquanto ela mastigava o Tigrinho, e lhe apresentei a Minnie, na esperança que ela largasse o Tigrinho e pegasse o novo brinquedo. Ela tirou o Tigrinho da boca e olhou para a Minnie, daí olhou para o Tigrinho, enquanto eu lhe dava a Minnie para segurar e com o Tigrinho numa mão e a Minnie na outra, ao invés de escolher o brinquedo novo e diferente, ela jogou os dois bonecos de borracha no chão e passou a prestar atenção em outra coisa. Nem Tigrinho nem Minnie.

Observando isso, percebi que os bebês não gostam de dar atenção a duas coisas ao mesmo tempo e nem precisam dessas duas coisas. Uma só basta, e ao terem que escolher entre dois objetos, eles perdem o interesse. No mundo em que eles vivem, não existe a idéia do " quero mais".

Ao devolver para ela o Tigrinho, ela voltou a dar atenção ao trabalho incessante de mastigá-lo. Mais tarde, quando ela já não estava com o Tigrinho, dei para ela a Minnie, e mesmo sem a devoção dedicada ao Tigrinho, ela passou um bom tempo mastigando a Minnie, até o momento em que a Minnie deixou de ser a coisa mais importante do mundo, pois a minha filha passou a sua atenção para as suas próprias mãos.

Muitas são as lições que aprendemos com as crianças. O tempo todo elas estão nos ensinando. Minha filha com esse dar atenção a uma coisa de cada vez, me fez perceber, como nunca dou a devida atenção a um livro que estou lendo, pois já estou pensando no próximo. O mesmo com os meus CDs e com as coisas que eu deveria dar a devida atenção uma por vez.

Não sei em que momento, desaprendi a dar valor a uma coisa de cada vez, porém, estou reaprendendo a prestar atenção e curtir meus tigrinhos até o final, para só depois experimentar algo novo.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Multidão


Evito multidões, não vou a estádios, já nem assisto mais mega-shows.

Tenho medo da força do coletivo. Já vi o que uma multidão é capaz de fazer.

Sei que as forças que regem esse plano nos afetam tanto coletivamente quanto individualmente. Sei que não sou uma ilha e que se relacionar com os outros evolui o coração e fortalece a mente para que possamos um dia amar incondicionalmente, mas sempre que eu posso, quando vejo uma multidão, desvio o caminho.

Sou pequenininho, tenho medo de disparada de elefante ou carreira de gado, não quero terminar minha história nesse planeta, esmagado ou manipulado, só para ter o gosto de pertencer a uma torcida ou por amor a você.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Curimba do Terreiro

Letra: Celso Cunha Neto Música: Suêzi Nogueira

Quem bate a cabeça pro atabaque
Respeita uma energia que não se mede
E reconhece que a vida da nossa Umbanda
Soa num couro que apanha
Escorre no suor daquele que bate e daquele que canta
E encanta o preto velho, o caboclo e a criança
Quem bate nesse couro que tanto apanha
Faz de seus braços e de suas mãos
A extensão da sua alma
Dá voz a Zambi e a todos os Orixás
Bate com força
Bate com fé
Bate com emoção
Quem bate num atabaque de terreiro
Passa pro couro
As batidas do coração
Vamos saudar a curimba do terreiro
Que com força anuncia que o trabalho começou
A voz da Umbanda é o couro do atabaque
Que em meus ouvidos batem
E diz que Deus me abençoou 2x
Pai Serafim convocando nossos guias
Que aqui chegam com alegria
Abençoar nossos irmãos
Som do atabaque impulsiona a vibração
O Ogã passa pro couro as batidas do coração
Som do atabaque impulsiona a vibração
O Ogã passa pro couro as batidas do coração
Vamos saudar a curimba do terreiro
Que com força anuncia que o trabalho começou
A voz da Umbanda é o couro do atabaque
Que em meus ouvidos batem
E diz que Deus me abençoou
Pai Serafim convocando nossos guias
Que aqui chegam com alegria
Abençoar nossos irmãos
Som do atabaque impulsiona a vibração
O Ogã passa pro couro as batidas do coração
Som do atabaque impulsiona a vibração
O Ogã passa pro couro as batidas do coração



SOLO ATABAQUES

Vamos saudar a curimba do terreiro
Que com força anuncia que o trabalho começou
A voz da Umbanda é o couro do atabaque
Que em meus ouvidos batem
E diz que Deus me abençoou 2x
Pai Serafim convocando nossos guias
Que aqui chegam com alegria
Abençoar nossos irmãos
Som do atabaque impulsiona a vibração
O Ogã passa pro couro as batidas do coração
Som do atabaque impulsiona a vibração
O Ogã passa pro couro as batidas do coração
Vamos saudar a curimba do terreiro
Que com força anuncia que o trabalho começou
A voz da Umbanda é o couro do atabaque
Que em meus ouvidos batem
E diz que Deus me abençoou 2x

BARRA VENTO

quarta-feira, novembro 23, 2011

DIÁLOGO ENTRE BEBÊS GÊMEOS


No ventre de uma mulher grávida dois gêmeos dialogam:

- Você acredita em vida após o parto?

- Claro! Há de haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Afinal como seria essa vida?

- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a nossa boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido pois o cordão umbilical é muito curto.

- Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe, e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde ela está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.

- Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.

- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Eu penso que após o parto, a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela.

(Autor Desconhecido.)

terça-feira, novembro 22, 2011

Pare o Mundo


No meio da aula, notei o pôr-do-sol pelo canto do olho. Vaidoso, o astro-rei queria roubar a minha atenção, mas, gentilmente recusei o convite, sou profissional, meu estudante naquele momento era mais importante que o sol.

Tempo depois, quando a aula acabou, ainda havia vestígios do sol no céu, que virara uma tela das mais belas com cores variadas que lembravam uma pintura moderna com traços e cores se juntando querendo dizer algo que eu não sabia bem o que era, porém, era lindo demais; então eu parei o mundo, esqueci a correria, joguei água na fogueira do stress e deixei-me levar pelo céu e pela canção em cores que o céu cantava.

Sim, havia uma canção em cores. O azul era som de harpa, o cinza-tambor marcava a melodia, em que o vermelho-violão convidava para uma dança; a dança do crepúsculo e eu ali, feito menino vendo sentido em tudo.

Observando aquele espetáculo me dei conta que perdemos esses momentos de conexão com algo Maior o tempo todo. Estamos tão arrematados com as coisas da matéria que não nos permitimos sentir o que a natureza quer nos dizer.

Tudo ao nosso redor convida a reflexão e isso não é religião, pregação ou qualquer obrigação que você tenha que fazer, isso é apenas um lembrete, uma meditação natural que não passa de um convite para que você pare o mundo um pouquinho e o tenha só para você.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Criando Hábitos


Somos completamente desorganizados. Desde a mesa do escritório ao horário em que nos alimentamos, passando pelos nossos guarda-roupas e bolsas, é um milagre que consigamos achar algo ou trabalhar bem. Há excessões, é claro, mas a grande maioria navega em meio a bagunça sem bússola. Alguns ainda tentam se arrumar, tentando achar alguma ordem na bagunça. É nessa jornada, entre a toalha molhada na cama e a gaveta cheia de papelada, que observo como a criação de um filho faz com que compreendemos esse nosso vício.

Jureminha tem horário para dormir e levantar. Chora quando sente fome ou está com sono; se está meio irritada, é hora de trocar as fraldas. Simples assim! Se fizermos tudo direitinho e seguirmos os seus horários com a devida organização, ela dorme a noite toda. Porém, basta uma pequena derrapada nossa no horário de lhe dar a mamadeira ou de colocar ela para dormir, para que o paraíso do bebê perfeito se vá: ela acorda no meio da noite; chora sem aparente motivo; fica irritada com tudo ao redor dela.

Nada que a volta à rotina não arrume, mas fico, às vezes, preocupado com a maneira que, volta e meia, tentamos passar para ela, a nossa rotina de bagunça. Consolo-me com o fato que estou atento a isso, mas ao mesmo tempo, fico alerta, pois assim como tentamos bagunçar com a rotina dela, não quero passar para a minha filha, outros mal-hábitos que talvez eu nem saiba que tenha e acabará ficando como herança. Definitivamente, não é fácil ser criança...

sexta-feira, novembro 18, 2011

Reinventar a Roda


Eu disse que queria inovar, ela riu e disse que eu estava tentando reinventar a roda, que as coisas são como são e eu precisava seguir as regras do livro. Tudo poderia ter ficado nisso, se eu não fosse teimoso, se eu não tivesse esse jeito de quem quer fuçar nos quatro cantos para descobrir se há outro jeito de fazer direito o que está torto.

Ela disse que pau que nasce torto aprende torto, eu que duvido até da minha sombra, pelejei com o estudo e ainda tento encontrar um jeito novo de aprender. Ela chama de teimosia o que eu chamo de ensino.

Ainda não encontrei a luz no fim do túnel, mas já sei que não descansarei enquanto não souber como fazer meus alunos aprenderem bem e melhor.

quinta-feira, novembro 17, 2011

MESTRE MALUNGUINHO


" Eu firmei meu ponto, sim
No meio da mata, sim
Salve a corôa, sim
Do Rei Malunguinho"

Certa vez quis ver o rosto de Malunguinho e pedi para ele que viesse em sonho e me mostrasse quem era. Acordei no meio de uma encruzilhada e ví um homem sentado no chão.

- Você é Malunguinho? - perguntei.

Ele deu risada e disse:

- Sim! Quem você esperava que eu fosse? Uma criança?

Daí, o sonho pulou para uma mata, onde vi um caçador com arco e flecha. Pedi que ele não atirasse em mim, ele deu risada e respondeu:

- Se eu não te peguei na encruzilhada, não é aqui na Mata da Jurema Sagrada que vou te pegar.

Confuso com tantas aparições. Desejei acordar e sair daquele sonho, mas eis que o sonho me leva para um palácio e no trono, vejo um rei que me sorri e diz:

- Você achou que acordaria sem me ver?

- Mas eu pensei que você fosse uma criança.

- E eu pensei que o sinhô fosse inteligente, Pai Gande. - disse o rei e à medida que ele foi se aproximando, pouco a pouco, ele foi se transformando numa criança pretinha e nua - Oh, Pai Gande, dipois de tanto estudo, o sinhô ainda num aprendeu qui a aparência engana, mas é o trabaio qui lumina. Não importa a roupa, a luz que se emana é qui conta, num é?

"Malunguinho já vai
Vai no balanço do vento
Diga-lhe adeus meus filhos
E façam um bom pensamento..."

quarta-feira, novembro 16, 2011

Uma Palavra


Esse insight que buscava, eu não encontrei nos quatro cantos da Terra, nem nos livros sagrados, muito menos nas inúmeras palestras, práticas insanas, mantras e rezas diversas; esse insight que busquei veio em uma palavra.

Bastou uma palavra e eu fui arrematado aos sete céus, sentindo em todo o meu ser, a certeza que tanto eu queria e pude compreender que as decisões que tomei na vida tinham conexão com o que eu precisava fazer para chegar até aquele momento e ouvir aquela palavra.

Essa palavra me libertou, por isso estou aqui nesses escritos para agradecer.

Obrigado, Palavra, que para os outros, talvez não signifique nada, mas para mim, o som das suas letras acordou um outro " eu" dentro do meu peito que agora não me deixa esquecer que cada pessoa desperta de um jeito, e muitas vezes, basta uma palavra apenas, uma palavra só para que você recorde de tudo aquilo que esquecemos quando começamos a falar e esquecemos de ouvir.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Curumin


" Vou nas asas de um passarinho
Cantar a alegria do sol bem cedinho,
Despertar para o dia
Acordar a alegria dentro de mim.
Voa voa passarinho
Canta aqui
Voa voa passarinho
Canta para mim
Voa voa passarinho
Me ensina a ser feliz"
O Curumin - Nei Zigma


Acordo com ela rindo. Seja lá o que esteja vendo, esse algo a diverte. Seja lá o que ela esta sentindo, parece feliz...e me faz feliz. Bebê traz uma energia de alegria a casa de qualquer gente. Risada de nenén espanta qualquer tristeza de segunda-feira.

Eu a pego nos braços e ela sorri. Não é mais reflexo. Ela ri de verdade. Como eu sei disso? Ela ri no olhar que nem gente grande. Se você quiser descobrir se alguém está com um sorriso falso, basta olhar nos olhos, pois o sorriso começa no olhar.

"O curumin
Correndo mata a dentro
Encanta o jardim
Brincando entre cipós e folhas
Bem-te-vi
Tomando banho de chuva
O sol brilhou
No seu riso de criança
Dentro de mim
Acordou os passarinhos
E o cantar
Enche a casa de alegria
E faz esquecer
Que já foi triste um dia"

Jureminha em casa nesse domingo, passarinhos voando pela casa, borboletas no olhar. Ela quer brincar todo o dia, não dorme. Dai, a gente grande cansa, mas basta ela dar risada de novo, e lá vamos nóis, recuperando a energia para brincar de novo.

Casa com criança: se foi qualquer ilusão de deixar tudo arrumado. A sala vira um playground, a atenção é exclusiva dela. Esqueça o jornal, o futebol ou a novela....a programação é só dela. O lado bom é que não tem lado ruim. Ter esse nenén em casa é tudo o que mais queríamos, o que inclui o serviço completo, suor paterno e leite materno...

"Dentro de mim
Correndo dentro do peito
O curumin
Brincando entre as flores
O jardim
Tomando banho de chuva
E o sol brilhou
No seu riso de criança
Dentro de mim
Acordou os passarinhos
E o cantar
Enche a casa de alegria
E faz esquecer
Que já fui triste um dia
Dentro de mim..."


Para ouvir outras canções do Nei Zigma e conhecer o seu trabalho, acesse o link abaixo:
http://www.reverbnation.com/neizigma

sexta-feira, novembro 11, 2011

11-11-11


Vou me atrasar para o portal, será que abre outro logo?

Acho que vou ter que esperar o portal do 12-12-12.

O problema é que toda vez que espero esses portais se abrirem, me sinto meio burro. Explico: desconfio que essas datas estão meio furadas, mas só desconfio.

E desconfio porque talvez haja algum portal aberto agora que obedeça outra data diferente daquele que usamos em nosso calendário atual.

Ou os portais estejam sempre abertos, a gente é que está fechado e precisa dessas datas para se lembrar de algo bem simples, tipo, há um portal bem mais importante dentro da gente e ele não precisa de data certa para ser acessado...

De qualquer forma, respeito quem acredita em portais ou que esses portais só se abrem uma vez mediante a alguma coincidência de números de uma calendário humano qualquer. Por isso, como qualquer brasileiro que entra em qualquer fila, só para ver se estão dando algo de graça, vou fazer a minha meditação, oração e oferenda também. Vai que...

quinta-feira, novembro 10, 2011

SENHORA DA CACHOEIRA


Dentro da cachoeira há uma gruta, dentro da gruta há uma Senhora, dentro dos olhos dessa Senhora, ví Mamãe.

Para entrar na cachoeira, tirei os sapatos do ego, removi as roupas das minhas certezas e feito bebê e confiei, entregando-me a Força Maior que assumia a forma de Mamãe.

Para chegar a cachoeira, mergulhei nas águas do mistério profundo da nossa existência e nadei pela matéria, sabendo que ela era fluída, como a água, e se eu fosse flexível e não lutasse contra ela, o rio da matéria me levaria a reencontrar Mamãe.

Cheguei em frente a queda d'água e pedi licença para molhar a minha cabeça e assim que as águas de Mamãe molhou meus olhos, eu pude ver a Senhora das Águas.

Ela me mostrou que dos seus olhos correm rios de prosperidade, basta saber receber. Que da sua boca, sai os cantos dos pássaros que nos encantam, e pulam, também, os peixinhos dourados que carregam esperança aos homens. E de suas mãos, corre a compaixão que precisamos sentir na Terra, para percebemos que a nossa alma é eterna e esse é o maior tesouro de Mamãe.


- Mamãe, como posso voltar aqui para te visitar? - perguntei, querendo ficar, mas já sabendo que teria que partir e voltar.

Ela sorriu e falou:

- Lembra do som da cachoeira e você estará comigo mesmo durante a ilusão da matéria.

Então, o som da cachoeira foi aumentando e eu já não conseguia ouvir minha Mamãe falando, pois eu apenas ouvia o som das águas caindo: ooooxxxxxuummmmmm!!!!! Oooooooooooxxxxummmm!!!!!

Dentro da cachoeira mora Oxum, uma Senhora que tem muitos nomes e muitas faces, mas eu prefiro chamá-la apenas de Mamãe.

quarta-feira, novembro 09, 2011

SEMEANDO LUZ – V*

(Ensinamentos dos Iniciados Espirituais)

1. Quem somos nós?
R. Cidadãos do Universo.

2. De onde viemos?
R. Do Todo!**

3. Para onde iremos?
R. De volta para o Todo.

4. Somos de que povo?
R. Somos da Raça da Luz.

5. Nascemos e morremos?
R. Não! Só entramos e saímos dos corpos perecíveis.

6. Quem são nossos irmãos?
R. Todos os seres vivos.

7. Quem são os alienígenas?***
R. São os homens que sequer conhecem a si mesmos.

8. O que é a matéria?
R. Luz condensada.

9. Onde nós moramos verdadeiramente?
R. No Coração.

10. Onde está o nosso tesouro?
R. Onde está o que mais amamos.

11. Podemos curar alguém?
R. Não! Quem cura é a Luz do Todo, passando por nossas mãos.
(No máximo, curamos a nós mesmos quando ajudamos aos outros).

12. Então, somos, pelo menos, médicos de nós mesmos?
R. Não. No máximo somos bons enfermeiros. O Médico da Alma é o Todo!

13. Estamos sozinhos na jornada?
R. Jamais! Pois o Todo está em tudo.

14. Somos iniciados espirituais?
R. Sim, mas só o Todo é completo em Si Mesmo. Ele é o Mestre de todos.

15. Qual é o caminho?
R. O Amor.

16. Quem nos protege?
R. A Luz.

17. Quem realmente nos conhece, de alma para alma?
R. O Todo!

18. Algo mais?...
R. Paz e Luz.

P.S.:
Aqui se encerram esses pequenos apontamentos conscienciais dos Iniciados
Espirituais. E desejamos a todos uma ótima jornada...
Pois, quem é da Luz, reconhece a Luz.
Então, que Ela nos guie, em Espírito e Verdade.
E que o Todo nos abençoe.

- Os Iniciados**** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Caxias do Sul, 29 de outubro
de 2011.)

- Notas:
* As quatro partes anteriores desse texto estão postadas no site do IPPB –
www.ippb.org.br -, e podem ser acessadas nos seguintes endereçoes
específicos:
Parte I -
http://
www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6410
Parte II -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9651:semeand\
o-luz-ii&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte III -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9653:semeand\
o-luz-iii&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte IV -
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10588:semean\
do-luz-iv&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
** O TODO – expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em
tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera
a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência
além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe
Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
*** O significado original da palavra alienígena é estrangeiro. A palavra
pode ser usada ao se refererir a algo que se mostra estranho ou desconhecido
.
Entretanto, ao longo do século XX a palavra alienígena passou a cada vez
mais designar qualquer ser vivo, inteligente ou não, proveniente de outro
planeta, devido ao seu uso em obras de ficção do cinema e da literatura.
Este significado foi incorporado à cultura popular e à língua oficial.
No contexto desse texto, alienígenas não são os ETs, mas, sim, aqueles seres
humanos que não conhecem a si mesmos (estranhos, muito estranhos –
esquecidos de sua natureza real e perdidos nos meandros de suas ilusões).
**** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos
planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas
da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos
estudantes espirituais do presente.
Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e
alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores
espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma
síntese universalista.
Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo
eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.
Obs.: Para enriquecer esses escritos de hoje, deixo na sequência um texto
extraído do meu livro “Uma Lição Extraterrestre” (lançado pela Editora
Madras).

ALIENÍGENAS

Luzes cruzam os céus.
Viajores cósmicos em ação.
Esses seres são chamados de alienígenas.
Porém, alienígenas somos nós.
Somos estranhos para nós mesmos.
Aliás, nem sabemos quem somos na verdade.
Sabemos apenas o nosso próprio nome.
Somos espíritos encaixados na carne,
Porém pensamos e agimos como carne sem espírito!

Paz e Luz,

- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

Mais textos e informações sobre o Professor Wagner Borges em:
www.ippb.org.br

terça-feira, novembro 08, 2011

VARINHA


Perdi a minha varinha de condão, como vou fazer minha mágica? A magia estava na varinha ou nas minhas mãos?

Muleta, precisamos todos de muletas, pois não acreditamos que podemos andar. Precisamos de asas religiosas, pois perdemos a fé em nós mesmos para voar. Daí, a necessidade de portais, de datas exatas, de mantras, orações, peregrinações ou as mais estranhas oferendas; precisamos delas pois nos esquecemos que dentro de cada um há " aquele que sabe". Continuamos buscando e buscando, porque não queremos acreditar que tudo o que precisamos sempre esteve dentro da gente.

Falta disciplina para meditar, para prestar atenção; falta querer se limpar; falta vontade de ser digno de ter uma consciência clara e lúcida. É mais fácil viver domesticado pelo ponto de vista dos outros. É mais fácil ser guiado.

Em que momento, ficamos tão tolos assim para se esquecer do potencial ilimitado que herdamos da estrelas? Em que momento, perdemos a força para cuidar da nossa própria luz? Em que momento, transmitimos para o outro, a responsabilidade de crescer?

Perdi a minha varinha...

segunda-feira, novembro 07, 2011

PAPINHA



Você saboreia o que come? Presta atenção no gosto, na maneira como você come e se relaciona com o seu paladar? Como a sua língua sente os sabores de cada coisa? Você tem tempo para comer direito?




Vitória começou a provar outros alimentos além do leite materno. Para cada novo alimento, uma careta; sua boca mexe, parte dela aceita aquilo pois tem fome, parte dela vai experimentando aquele mundo novo que entra boca à dentro. É uma diversão. Depois da primeira colherada, a segunda voa fácil, ela ensaia um sorriso, parece que gostou; daí, cospe tudo em cima da gente...

Observar minha filha provando a sua primeira papinha, fez com que eu tentasse lembrar a primeira vez que eu provei as minhas comidas favoritas. Não lembro! Parece que já nasci com as minhas preferências. Também, fez com que eu me desse conta da riqueza de sabores e a variedade de alimentos que podemos produzir...e o quanto desperdiçamos também.

Desperdiçar não é apenas jogar comida no lixo, mais se alimentar de forma inadequada; é comer sem prestar atenção, engolindo a comida por estarmos atrasados ou por ser mais importante mantermos uma conversa do que nos alimentarmos adequadamente.

A hora da refeição deveria ser um momento sagrado do dia, dedicado exclusivamente para a contemplação dos alimentos que ingerimos. Deveria ser um momento de pura degustação e apreciação dos sabores da comida tão necessária para a nossa vida. Deveria...

Pelo menos, ainda é assim para os bebês. Quando eles estão se alimentando, não há pressa dos pais que dê jeito, eles vão comer no tempo deles. E ensinar os nossos bebês a se alimentarem é um exercício dos mais bonitos que exige não apenas que tenhamos paciência com eles, mas paciência, acima de tudo, com a gente e com a nossa pressa de que eles comam de tudo o mais rápido possível.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Quem Habita o Seu Corpo


Você já se perguntou quem habita o seu corpo? Se você, um dia, ousar fazer essa pergunta, algo estranho acontecerá, você vai perceber que sempre habitou em você " Aquele Que Sabe".

Aquele que Sabe conhece o poder da matéria e a ilusão dessa dimensão.

Aquele que Sabe lembra de onde viemos e para onde vamos.

Aquele que sabe reconhece que não estamos aqui por acaso e respeita a razão do nosso esquecimento, pois Aquele que Sabe aceitou aqui estar e temporariamente esquecer o motivo da nossa existência, mantendo a esperança que mesmo sob as camadas da ilusão dessa dimensão, sempre chega um dia, em que a pergunta é feita, e junto com ela vem " a " resposta.

Portanto, tenha coragem para fazer a pergunta, porém, prepare-se para o principal efeito colateral do despertar: você nunca mais vai querer fazer as merdas que você vem fazendo, nem jogar o lixo que você produz para baixo do tapete.

E aí, quer mesmo prosseguir na sua caminhada espiritual?

quinta-feira, novembro 03, 2011

Diferença Entre Centro Espírita e Centro de Umbanda


Havia dois espíritos no astral que precisavam passar para outras dimensões mais sutis e para si, aceitaram a missão da assistência ao " povo esquecido" da dimensão da ilusão. Para isso, precisariam incorporar em médiuns - esses cavaleiros dos dois mundos- afim de concluir a sua missão. Porém, quis a Providência que eles trabalhassem em doutrinas diferentes na Terra. Um deles aceitou fazer parte da egregóra de um centro espírita e o outro de incorporar um médium em um centro de Umbanda. Em ambos os lugares, eles passaram por um processo de doutrinação, para operar bem as energias de cada linha.

A maioria dos que aqui estão na terra do " Povo Esquecido" não compreende o que um espírito já devidamente sutilizado precisa passar para se fazer voz e mãos nessa dimensão, muito menos das diferenças de vibração que essas duas linhas operam. No centro espírita, o trabalho é mais mental, de doutrinação - disciplina e persuasão- para que certas falanges de espíritos possam aceitar ajuda ( UTI de um hospital). No centro de Umbanda é atuar no baixo astral, em camadas dessa dimensão onde a magia ruim é praticada por seres dominadores da arte de manipulação e escuridão ( Emergência de um Hospital Público).

Por operar em níveis mais " sutis" o médium do centro espírita trabalha muito mais animicamente junto com o espírito em ascensão que ficou responsável em ajudar o seu grupo; cabendo aos médiuns da Umbanda, um trabalho mais denso e mais com os pés no chão para conseguir lidar com as demandas mais pesadas provindas de espíritos cruéis que dominam as forças do baixo astral.

Por isso, há uma diferença significativa na maneira de trabalhar o desenvolvimento dos médiuns nessas duas linhas. Como citei antes, se essas linhas trabalhassem no mesmo hospital, a Umbanda seria a " Emergência" e o centro espírita, uma UTI, ou seja, ambas linhas trabalhando para auxiliar e curar quem quer que seja.

Vejo muito por aí, um preconceito bem aparente sobre a Umbanda, até mesmo em médiuns de terreiro que prefere falar que é " espírita" , como se assim, a sua crença espiritual fosse ser mais respeitada. O que falta ao conhecimento dos médiuns dessas duas doutrinas é que não há diferença entre os espíritos que trabalham nas duas. O mesmo Doutor Bezerra que fascina os Kardecistas, pode bem vir como Pai Joaquim num terreiro. Ou seja, para o bom " curador", não importa em que ala do hospital se trabalha, e sim, curar e ajudar quem necessita.

quarta-feira, novembro 02, 2011

terça-feira, novembro 01, 2011

Aconteceu de novo...


Faz tempo!

Eu havia esquecido a sensação, a certeza, a flexibilidade do pensamento, o sentimento que vem junto. Alegria! Como moleque você pula de alegria com todas as oportunidades que vão surgindo. Como guri, você renova as esperanças ao sentir tão intensa experiência. Pensando nisso, agora me pergunto: aonde estava essa criança da minha alma?

Não precisei fazer muito. Bastou lembrar do sorriso do meu filho e eu senti, mesmo com os olhos fechados, um brilho azul em minha testa vibrando. E foi nesse brilho vivo e pulsante que dormi desse lado e acordei do outro. Consciente de tudo, sendo parte do Todo.

Como nos velhos tempos, como nos tempos em que eu praticava Viagem Astral e vivia me entupindo de exercício, que acho devido a minha ansiedade, não resultava em nada. Até um dia em que, naturalmente, sai do corpo e lembrei durante. Houve uma segunda experiência, uma terceira; nunca uma quarta - pelo menos que eu lembre.

Dai, anos depois, casado e com filhos, cansado e aflito com tantas contas...a gente vai deixando o exercício espiritual para depois, o estudo para quando tivermos tempo. Tempo que nunca temos, exercício que nunca fazemos. A vida vai cada vez mais nos levando, e tudo aquilo que conquistamos, se esvaindo em esquecimento, dúvida e toda espiritualidade se torna um amor antigo que, vez ou outra, sentimos falta, mas seguimos sem ela assim mesmo, até o dia em que, surge um tempinho, e resolvemos fazer uma pequena meditação e sem esperar que nada ocorra, algo muito especial acontece de novo...

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