quinta-feira, agosto 25, 2011

APAGOU A VELA ?


“Acender vela não adianta
E até pode ser pecado
Se agente reza na doutrina
E em casa faz tudo errado”

Recado por Allancardino



Ela acendeu uma vela em cima do armário.... ele ao lado da cama.

Vela para o Santo, luz para o Orixá, mas Santo tem luz própria, Orixá reluz, então, para quê vela acesa?

Ritual? Magia? Começo de algo, término de tudo o que foi emanado. Desde que o tempo é tempo e os rituais foram criados, acendem-se vela para isso ou para aquilo, porém, os tempos são outros, os cuidados requerem uma consciência ampliada que é preciso ensinar os outros que, ao invés da vela acesa no canto, mas vale a vela acesa no coração.

Vela é para lembrar, vela é para revelar que todos nós temos uma chama eterna que não se apaga, que dura mais que sete dias, que é todas as cores e não queima, não incendeia; só brilha!

Porém, se a vela é inevitável para o seu ritual, vele a vela!

Tome cuidado, proteja a sua vida, a vida alheia, a vida dos seus amados...uma faísca solta vira rio de fogo...

Ela acendeu uma vela em cima do armário sem o devido cuidado, ele foi dormir com a vela acesa em cima de um prato ao seu lado;
não notaram o incêndio,
nem o fogo se espalhando por todo lado,
pois
morreram queimados!!!

quarta-feira, agosto 24, 2011

A Árvore da Vida e alguns frutos

Por Mávio dos Anjos

Novo filme de Terrence Malick e vencedor da Palma de Ouro em Cannes, A Árvore da Vida é uma obra imensa, que testa cada uma das mais fundas convicções.

Acompanha-se a formação da consciência de um menino (Hunter McCracken, prestes a fazer história) numa família dos anos 1950. Ele é criado entre um pai severo (Brad Pitt), que por amor lhe impõe a lei natural do mais forte, e por uma mãe (Jessica Chastain), que por amor lhe ensina bondades e belezas de fundo religioso. Essas duas forças - natureza e graça - são igualmente golpeadas, sem distinção, pela morte precoce de um de seus irmãos.

Enquanto uma personalidade se cria, Malick recorda outras questões, a consciência humana sobre o universo e seu papel nele, até o momento em que ambas as evoluções - a do menino e a do planeta - se confundem numa só. O menino se tornará Sean Penn, num mundo corporativo, instalado em arquiteturas arrojadas, e a sensação que se tem é a de que a evolução não nos tirou do caos. Sai-se do Big Bang para chegar à depressão - e ainda vive-se o peso de ser a espécie condenada a indagar se Deus é o criador ou se é só uma alegoria gasta, que a ciência ainda há de negar por completo.

Ao justapor o criacionismo do livro de Jó (38:4,7) a imagens darwinistas, Malick propõe que o curso da evolução do Universo prossegue no interior do homem. O menino é a evolução de sua família; é quem deve equacionar as lições impostas e pavimentar seu futuro. A evolução da humanidade depende dessas decisões pessoais, surgidas do confronto entre a natureza, que nos quer animais, e a graça, que nos inspira a ser bons. Um combate desigual, mas inesgotável, cheio de belas perguntas.

Como é artista, Malick não oferece uma resposta categórica; sua visão ambiciosa é um sumário das belezas sacras (na música que seleciona e nas imagens de epifanias e redenções) e das científicas (exatas, biológicas e até humanas).

Sob o denominador comum de Malick, a ciência objetiva explicar os "métodos de Deus", enquanto a espiritualidade oferece paz e paciência diante do ainda não esclarecido e incentiva a minimizar as injustiças naturais. Juntas, contribuem para o mesmo fim utópico: decifrar a nós mesmos, o como e os porquês.

Source: http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,106603

terça-feira, agosto 23, 2011

A Um Palmo do Nariz ( Ou A Entrega)




Descendo a rua da Consolação, ouço alguém gritando: " O fim do mundo está chegando, se arrependa! Não sou eu, é Cristo falando!".


Penso, no que faria se o mundo acabasse agora, resposta: sorriria! Agradeceria a Providência ou ao acaso por ter tido a vida que eu tive, pela minha esposa, minha filha, minha família, meus alunos e amigos.


Sorriria, pois sei que o mundo acaba a cada dia, e nem assim, entramos todos nós em pânico, em fuga inútil, nem desistimos de tudo; pelo contrário, parece haver uma fé velada na vida, na natureza, de que o ontem sempre precederá o amanhã, conosco presente no meio; por isso, nos entregamos ao sono noturno, com uma certeza inabalável que tudo ficará bem, e tudo fica bem.


O mundo acaba todo dia, nesse ciclo lindo de morte e renascimento que está tão a um palmo do nariz que não vemos, mas, acredito, que em algum lugar dentro da gente, parece haver uma chama que nos empurra para frente apesar da nossa teimosia em achar que tudo que é possível é somente aquilo que podemos provar.


Esses dias ao observar a minha filha, notei o quanto entregue ela está para o mundo, para mim e para a minha esposa, nessa arte de criar, de desenvolvê-la para ela se tornar quem quer que ela venha a se tornar. Percebi maravilhado que há uma entrega em seu olhar, na maneira como ela sorri, entrega total e confiança tanta que me deixa um pouco desconcertado, pois confesso, gostaria de ter a mesma entrega em meu caminho espiritual, mas tenho medo.


Medo de ser desapontado, de estar crescendo sozinho, de não ter ninguém lá do outro lado, medo de tudo aquilo que a mente é capaz de aprontar para nos enganar. Taí a razão das minhas barreiras, das armadilhas e das travas que impedem o meu crescimento espiritual.


Sei desses entraves, e ainda assim reclamo que ainda não foi me revelado o que venho tanto buscando.


Sei que preciso me entregar e acreditar mais com o coração, e menos com a mente.


Sei disso tudo, mas também sei que estou tentando; e foi lembrando da minha filha, esse serzinho tão vulnerável, que uma epifania tomou de conta da minha razão e me diluí em coração transbordando um "sei lá o quê" de contato espiritual e por alguns segundos consegui me entregar, sentindo uma espécie de comunhão com tudo ao meu redor em plena Praça Ramos, no centro de São Paulo.


Enquanto a mente alertava ao perigo de ter uma expansão da consciência no meio do centro da cidade, outro lado meu, mais consciente e eterno, dizia para mim: "Não tema! Apenas se entregue!". E o fiz!


Por alguns minutos, percebi que tudo ao meu redor contava uma história, e o mundo de lá, todo o tempo, estava se comunicando com a gente, de uma maneira tão clara e simples, que quase ninguém percebe que esta ocorrendo. E tudo o que eu precisava para continuar a perceber isso, era praticar a "entrega".


Tudo tão claro, tudo tão óbvio, mas é muito simples, é muito na cara para ser verdadeiro, o lógico é duvidar!


Então, a mente triunfou e calei o coração. Tinha que tomar prumo e seguir a minha direção; centro da cidade não é lugar para uma experiência mística de percepção; mas contudo, sentei nas escadas do Teatro Municipal, abri o meu caderninho e comecei a escrever tudinho o que tinha experimentado, incluindo essas últimas palavras, quando...


"Quando... uma velhinha se aproximou pedindoo esmolas. Por inpulso, me desviei e disse que eu não tinha nada. Ela insistiu, e mais por querer me livrar dela, do que por caridade, abri a carteira e entreguei todas as moedas que carregava a ela, que sorriu agradecendo:


- Obrigada por esse entrega, meu filho! Ninguém mais abre a carteira e entrega todas as suas moedas. Que Deus lhe entregue também tudo aquilo que você tenha pedido."

segunda-feira, agosto 22, 2011

.

Por Lázaro Freire


Quando eu era jovem e inexperiente, entendi pela mente que Deus era um só, além dos rótulos e ritos, e por isso não me dobrava a religião alguma. Hoje, mais experiente e não tão velho, percebi pelo coração que Deus é um só, além de rótulos e ritos, e por isso mesmo me dobro a todas as religiões.

Não importa o seu simbolismo ou igreja em particular: Deus está lá. E por isso mesmo às vezes é mais fácil encontrá-lo e celebrá-lo na igreja de seu bairro do que precisar viajar para o Himalaia só para descobrir que ele sempre esteve com você, além dos ritos e lugares. E se conselho valesse alguma coisa a quem não passou pela experiência, eu diria para que nunca deixem que mente lhes roube aquilo que já sentiam no coração. Quem de fato ouviu Deus, sorriu em silêncio... e se calou, sem precisar converter ninguém. ;-)




Para ler mais textos do autor, acesse:


sexta-feira, agosto 19, 2011

Fora!



Dê o fora da minha vida;
e leve tudo aquilo que não acrescentou!

Não me telefone,
esqueça o meu nome,
Suma!

E assuma
que não foi você que me deixou;
Eu é que, sim, finalmente descobri o meu valor!

quinta-feira, agosto 18, 2011

A Lenda da Cabocla Jurema


O sol girou uma vez mais ao redor da Terra e quando os raios da manhã tocaram a sua testa, a cabocla gritou:

- Sou Jurema!!!

E pulou
do
galho
mais alto da árvore gigante e pareceu voar por entre os pássaros e outros seres alados da floresta; mergulhando no rio profundo, de onde emergiu, nadando com os botos que entendiam o seu canto:

"Cabocla
Seu penacho é verde
Seu penacho é verde
É da cor do mar

É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
Jurema"

Cabocla, filha valente de Tupinambá. Adotada pelo mundo, foi encontrada aos pés do arbusto da planta encantada que lhe deu o nome, e cresceu forte, bonita, com a formosura da noite e a firmeza do dia. Corajosa, a cabocla tornou-se a primeira guerreira mulher da tribo, pois a sua força e agilidade no manejo das armas e na ciência da mata, se tornara uma lenda por todo o continente; onde contadores de estórias, aos pés da fogueira, falavam da índia da pena dourada, que era a própria Mãe Divina encarnada.

Nada causava medo na cabocla, até o dia em que ela encontrou o seu maior adversário: o amor. Jurema se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga chamada Filhos do Sol, e que fora preso numa batalha.

Os dias se passaram e o amor aumentava, pois o pior de amar não é amar sozinho e sim ser amado em retorno, pois exige do amado, uma ação em prol do amor.

Pelo olhar, o caboclo Huascar dizia:

"Oh doce Cabocla
meu doce de cambucá
minha flor cheirosa de alfazema
tem pena deste caboclo
o que eu te peço é tão pouco
minha linda cabocla Jurema
tem pena desse sofredor
que o mal destino condenou
me liberta dessa algema
me tira desse dilema
minha linda cabocla Jurema"

Jurema que aprendera a resistir ao canto do boto, ao veneno da cascavel e da armadeira, já resistira bravamente a centenas de emboscadas e que sentia o cheiro à distância de ciladas, não conseguiu resistir ao amor que fluia do seu peito por aquele guerreiro. Observando o caboclo preso, ela viu nos olhos dele, as mil vidas que eles passaram juntos, viu seus filhos, o amor que os unia além da carne e percebeu que não foi por acaso, que ele fora o único caboclo capturado vivo, e decidiu libertá-lo, mesmo sabendo que seria expulsa da sua tribo.

Na fuga, seu próprio povo a perseguiu, e em meio a chuva de flechas voando na direção do caboclo fugitivo, foi Jurema que caiu, salvando o seu amado e recebendo a ponta da morte que era pra ele, no seu próprio peito.

Conta a lenda, que o caboclo Huascar voltou a Terra do Sol e fundou um império nas montanhas andinas e mandou erguer um templo chamado Matchu Pitchu em homenagem a Jurema, onde, só as mulheres da tribo habitariam e lá aprenderiam a ser guerreiras como a mulher que salvara a sua vida. E no lugar onde a Jurema caiu, nasceu uma planta robusta e muito resistente que dá flor o ano inteiro, cujo formato exótico e o tom amarelo-alaranjado intenso chamou atenção de todas as tribos, pois tudo dessa planta poderia ser utilizado, desde as sementes, até as flores e o caule; e porque as flores dessa planta estão sempre viradas para o astro maior; ela ficou conhecida como girassol.

" Moça bonita é a
Cabocla Jurema
Ela vem com um girassol
e a coroa dela é
como um girassol
Ela é a luz do amanhecer
Tem os seus lindos sonhos de arrebó
e a coroa da Jurema é
como um girassol
é como um girassol
é como um girassol
é como um girassol "

quarta-feira, agosto 17, 2011

ORIENTE MENTE


No fundo de algum lugar de mim,
onde
nasce
ou
morre
cada sentido,
reside um eu-contido dentro da observação desse mundo
:

Esse eu, que muitos chamam de alma, observa as coisas desse plano,
e coordena o rio de conhecimento que flui de fora para dentro;
e talvez faça isso,
como um experimento de algo maior,
que a minha consciência limitada da vigília
não consegue compreender,
nem tento!

Porém, de vez em nunca, quando quero fundir a cuca, entro nesses estados meditativos de contemplar o fluxo de pensamentos, e lá no fundo do mar de todos o conhecimento que acumulo, percebo um ponto.

.

Esse . tão distante, começa a parecer perto e familiar e GRANDE, e à medida que vou o . observando, ele parece ter reticências ... e ao segui-la, assombrado, volto correndo a vigília, com a lembrança torta que dentro de mim, habita uma consciência eterna que virei a ser um dia, e só de pensar nisso, dá vontade de dizer: já fui!

terça-feira, agosto 16, 2011

TOQUES ETÉREOS NO CORAÇÃO – II*


Aquilo que dá no coração,
É como uma linda canção:
Não tem idade!

É o que se sente...
E que ninguém explica
Apenas é.

Aquilo que faz a gente viajar...
Nas trilhas das estrelas,
É amor.

Porque, às vezes, nós voamos...
Pelo céu do coração,
E é voo do espírito.

Aquilo que os olhos não veem,
E que só é visível à inteligência,
É o Inefável**.

É o que não se agarra com as mãos,
E nem com apelos místicos,
E que é só Espírito Puro.

Aquilo que é real – além do que imaginamos,
E que nos motiva, em Espírito e Verdade,
É o Supremo.

E não há palavras que definam isso.
O que se sente... Um toque sutil,
Que só o coração é que sabe.

Aquilo que está além da vigília e do sono,
E também além dos sonhos,
É Consciência Cósmica!***

A Luz que respiramos – é a vida.
O sopro vital do eterno – é Brahman!****.
Tudo é Ele, tudo é Ele, tudo é Ele...

Aquilo que dá no coração,
E que faz a gente escrever,
Disso eu não entendo, não.

Porque, quem sabe isso é só o Supremo.
E Ele só conta ao coração, na linguagem do espírito.
E quem pode descrever isso?

Ah, aquilo que dá no coração... Brahman!

(Dedicado a Paramahamsa Ramakrishna*****.)

Paz e Luz.

- Wagner Borges -
São Paulo, 13 de julho de 2011.

- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB –
www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10225:toques\
-etereos-no-coracao&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
** O Inefável – O Todo; O Supremo; O Absoluto; Deus.
Obs.: Trecho da sabedoria hermética clássica: “O Inefável é invisível aos
olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”
*** No contexto dos Upanishads - a parte final dos Vedas -, que contêm a
sabedoria dos rishis (sábios espirituais) da antiga Índia, os estados de
consciência do homem são divididos em três: vigília, sono e sono sem sonhos.
Então, quando alguém transcende esses níveis convencionais e alcança uma
elevação de consciência (um estado de superconsciência, ou de expansão da
consciência, chamado em sânscrito de “samadhi”), diz-se que a pessoa entrou
no “quarto estado”, que em sânscrito é chamado de Turiya. Ou seja, a pessoa
mergulha num estado transcendental de consciência cósmica.
Sobre isso, nada melhor do que as palavras de Paramahamsa Ramakrihsna (que
voltava de uma experiência transcendente dessas):
“As ondas do Divino Amor estão se quebrando no meu corpo.
A maré crescente do Mar do Amor produz a queda da injustiça.
Sim, inunda todo o universo...
Eu pensava submergir-me até o fundo do mar, porém, o crocodilo do êxtase me
tragou.
Quem terá compaixão de mim e, tomando-me pela mão, me tirará da água?”
**** Brahman – do sânscrito - O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo;
Deus; O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou
mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz
chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
***** Paramahamsa Ramakrishna – mestre iogue que viveu na Índia do século
XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos
na terra do Ganges. Para se ter uma ideia de sua influência espiritual,
posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com
muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa
Yogananda e Rabindranath Tagore.

www.ippb.org.br

segunda-feira, agosto 15, 2011

CONTO INTERROMPIDO


Apaixonados, nos abraçamos e nos beijamos como na primeira vez.

Acaricio o seu rosto e vejo a mulher com que eu me casei há doze anos, e percebo que, a cada ano, cresce mais em nosso peito, aquele amor maduro e o respeito de quem se aceita companheiro em caminhada nessa terra; e também junto, o desejo sexual que, bem alimentado, continua presente na vida de qualquer casal, mesmo depois de tanto tempo de relacionamento.

Ela me envolve, eu a conduzo, e quando estamos um no outro, amor fluindo na pele na dança alquímica da união dos corpos; no momento em que estamos para gritar: somos um! Somos mesmo é interrompidos por um choro:

- Buáaaaaa!!!! Buáaaaaa!!!! - o bebê chora.

Auri dá risada e sussurra um "já volto", eu fico olhando para o teto e pensando em tudo que vem no pacote quando você se torna pai. Mas mudo de pensamento, e procuro não pensar muito sobre isso, nem filosofar sobre pais e filhos, ainda mais quando Auri volta para o quarto, bonita e sedutora e diz falando "onde paramos?"

Continuamos!

Sinto o perfume da sua pele, ela sussurra que sempre será minha. A dança recomeça, retomada no carinho eterno que nutrimos um pelo outro. Ela, gentilmente, dessa vez, é quem conduz, e sigo-a até o infinito, e quando estamos prestes a alcançar novamente a tão esperada luz:

- Buáaaaaa!!!! Buáaaaaa!!!! - Chora o bebê.

Sou eu, que dessa vez levanta, Auri fica na cama dando gargalhadas. Vou até o berço e vejo aquela intrusa, roubando meu precioso tempo com a minha esposa, e percebo que é tarde demais, estou também por ela apaixonado. Daí, a seguro nos braços, o choro pausa, e ela ensaia um sorriso. Com os olhos bem abertos e cara de muleka querendo brincar, percebo que não tenho outra escolha e me rendo!

Brincamos um pouco, ela ri, canto uma canção de ninar, ela nina, nina e vai dormir. Daí, volto para a cama, e agora quem dorme é a Auri.

Volto para a sala, ligo a TV e todo mundo me diz : "Feliz Dia dos Pais!"; e me dou conta que chegou o fim dessa crônica!

sexta-feira, agosto 12, 2011

Convite !



Você é bem-vindo.

Mas não deixe o que é seu;

Nem leve o que é meu!!!

quinta-feira, agosto 11, 2011

SAFADEZA


Entre as grades de uma sentença, duas vezes preso, ele aguarda o julgamento do seu coração. Preso pelos homens por roubar galinha, preso por si mesmo na safadeza da ilusão de possuir o que é do outro, e de saber que tudo que começa torto, termina com choro, não apenas dos outros; mas principalmente de quem amor lhe tinha!

Ó Criança, vê se aprende a se libertar! Anda na linha!

Te ví ainda guri, brincando de se esconder de mim e sorrindo diante da vida; agora brinca com a vida alheia e poê a perder o corpo que tua mãe lhe deu.
Você sabe sobre o esforço para trazer alguém para esse mundo?
Você conhece o quanto é doloroso, carregar alguém dentro do corpo para depois ver essa parte sua dentro de um presídio, vivendo como um vivo-morto?

Ó Criança, vê se aprende a ter somente aquilo que vem de você! Chegou a hora de crescer!

Seja racional e perceba que nada que você pegou do outro, vingou fortuna; pelo contrário, o que é roubado não é perdido, e quem "perdeu" não é relaxado!

Seja egoísta e pensa somente nos seus amados, na fama de ser o único ladrão da família, aquele que todos apontam, aquele que todos tem vergonha, aquele que ninguém confia por perto, aquele que seria melhor, muitas vezes, que nem existisse.

Seja orgulhoso e ao invés da luta contra o outro, mostre a si mesmo, que você é capaz de sair desse mundo de safadeza e trazer para a sua mesa, um pão que seja, mais que ele se multiplique, pois é somente com o suor do rosto que trazemos para nós, a abundância.

Ó Criança, volta para gente e pare com essa ganância!

Você é bem-vindo na nossa casa, mas entre com os pés limpos e saia ainda mais querido, pois quero voltar a te chamar de meu irmão, meu amigo!

quarta-feira, agosto 10, 2011

DEIXE VOAR


Se apareceu e você se viciou,
Deixe voar!!!

Lembre que foi nú
que você nasceu;

E mesmo se te enterrarem vestido,
Os vermes
Preferem você
pelado!

terça-feira, agosto 09, 2011

Respeita Que É Umbanda


Uma voz que ecoa com os pés no chão;
o sujo e o mal-lavado que se junta, no mesmo salão,
com outros calados para se transformar;

A ancestralidade emanando radiações de amor,
unindo corpo e espírito,
presente e passado,
incorporando a cura na mente
para recebero passe da luz universal do Criador.

Tome a benção dos Pretos,
brinque com as crianças!
Respeite o ritual do Deuses Dançarinos!
Respeite esses "dervixes de aruanda";
Respeite que é Divino!
Respeita que é Umbanda!

Umbanda que é lapidação da nossa encarnação,
Na união que vai harmonizar nossas correntes!
Dê passagem a voz da rua, ao ritmo do fundo de quintal;
É Umbanda, é coisa da gente!
É humano, é animal e vegetal.
É grito que ecoa da mata, é canto da beira do rio;
se encante com as caboclinhas do mar,
mas não se perca no rito,
Eparrei, seu eu transcedental!

Umbanda é liberdade, mediunizando as correntes que pomba giram no seu coração.
É trancar a rua do seu corpo para que lá habite a compaixão
de ajudar o meu Povo a se curar do Teatro da Ilusão.

Umbanda é compreender que religião é "Estudo do Divino";
não apenas fenômeno e contemplação.

É entendimento que esquerda não é oposto da direita,
é percepção que tudo são bandas,
claro e escuro são escolhas dessa dança,
onde todos somos um,
um com tudo,
uma única banda:
Defumem os julgamentos
e SALVE A UMBANDA!!!

segunda-feira, agosto 08, 2011

Soraya de Assis


Ela mudou para uma casa grande por causa dos seus oito cachorros.

- Oito? - eu pergunto.

- O que eu posso fazer, Frank? - ela diz - Não consigo ver esses cachorrinhos abandonados. Quero dar colo, quero dar cuidado!

Soraya não sai por aí catando cachorros; eles se apresentam para ela: abandonados, sujos, doentes e maltratados; ela não consegue deixá-los de lado.

Não são apenas vira-latas, há muito cão de raça abandonado por seus donos na beira da estrada, nas marginais e muitos deles acabam atropelados e mortos; poucos são salvos por " Anjos do Chiquinho de Assis", essa gente, que imitando o santo, considera bicho tão importante quanto gente.

- Sei que não posso salvar todos - diz ela, depois de contar que o mais recém resgatado foi um Pit-Bull gigante e muito ferido - mas para esse que eu salvei, sei que faço a diferença.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Aviso


Às vezes, você não é bem-vindo!
Vai compreender isso?
Ou vai ficar magoadinho?

quinta-feira, agosto 04, 2011

Chuta que não é Macumba

Ignorância é benção, informação liberta, mas sempre tem que vê, e finge que não enxerga! Mediunidade não é fuga, incorporação é visão ampliada.

Quem incorpora quem? E antes que você responda, me diga

E se o guia for apenas você expandido?

E se o preto-velho, a cigana, o baiano e o mestre de Aruanda for apenas recordações de você, de um tempo até foi talvez?

E se tudo for você? Isso diminui o trabalho espiritual? Isso torna a cura menos milagrosa?

Para quê manter a cachaça e a fumaça nesse teatro de peça a ser acreditada? Não seria mais eficiente ensinar amor e paz na caminhada?

Para quê bater no peito e falar línguas do Oriente africano, se dentro do seu coração bate uma vontade constante de ajudar o outro, e essa vontade não precisa de entidade, nem de " guia"?

Sim, eu sei! Sem incorporação não tem show! Falar a verdade não dá ibope!

Sem teatro não tem graça! Ninguém acredita na força humana, basta uma "psicografia" e toda letra fica iluminada.

A mistificação da mediunidade continuará, infelizmente, e com a pinga, o cigarro e o charuto, continuará esse Povo da Umbanda, cada vez mais perdido e dependente do fenômeno, sem acreditar no poder do homem.

quarta-feira, agosto 03, 2011

E Agora?


Apareceu, o que fazer?
Se apresentou, como manter?
E se... Ao invés de querer possuir, você deixasse fluir?
Mas cuidado!!! Tudo vira vício, e se viciados ficamos, passamos a ser escravos daquilo que se apresentou.

terça-feira, agosto 02, 2011

Gentileza


Esse gesto gratuito, um carinho sem retorno, coisa bonita de se ver, algo difícil de encontrar; força maravilhosa, irmã da compaixão, que torna as pessoas mais bondosas e faz bem ao coração; sim , rasgo o verbo à la apaixonado, para compartilhar com vocês, a presença dessa força em minha vida, na semana que passou.

Eu que já vinha desacreditado dessa raça humana, fui pego de surpresa, quando um estranho cedeu a sua cadeira à mesa num restaurante lotado , quando eu tentava achar um lugar para almoçar. Outros tantos, continuavam a ocupar duas cadeiras, uma com suas mochilas ou pastas, outra com suas cabeças; esse que descrevo, não! Com um sorriso, ele acenou para mim e disse: " amigo, senta aqui comigo! ". Sentei e o resto é crônica!

Dali em diante, foi com alegria, que deram lugar para mim no ônibus, só porque sacolas de fraudas eu tinha. E na rua? Na rua, amigos leitores, que epifania! Carros parando para que eu atravessasse em zebras sem semáforo, quanta educação, que deveria ser recorrente, não exceção!

Então fui anotando: um sorriso aqui, outro bom dia ali, todos com intenção; e a moça da livraria? Não posso esquecer dela, procurando um livro difícil e, mesmo com a minha ameaça de " deixar para lá"; ela pediu para eu esperar e achou o livro. Profissionalismo? Que nada! Dedicação!

Segui coletando essas e outras até perceber que essas gentilezas sempre ocorreram ao meu redor, eu é que não conseguia ver; e agora que eu consigo, espero manter essa gentileza nos meus olhos e também em minhas mãos, para que elas sejam gentis o suficiente para fazer os outros também perceberem o que não viram até então.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Carta Psicografada da Amy Winehouse


No, no, no! Não fui para o inferno e nem passei pelo purgatório. Que mané Umbral? Se liga, nem sei o que é " espírita"! Cheguei no céu rapidinho e quem abriu o portão foi a Janis gritando: summmmeerrrtimmme!!!!

Nem precisei voltar a usar preto, aqui no paraíso, todos vestem branquinho, como dizia as santas escrituras do Torá, não que eu tivesse tempo para leitura, mas meu pai tinha e vivia tentando me levar pra reabilitação; se liga, papi! Nem aqui, eles conseguem: no! No! No!

A razão dessa carta por um médium brasileiro é que como dei um show meia-boca aí, quero deixar uma boa impressão, sei o quanto vocês adoram ídolo pop dos outros países que partem assim, como eu, e se esquecem dos seus: aqui no heaven, encontrei só " sangue bom" , conheci o Jobin e um tal de Poetinha, fugindo de um cara chamado Chacrinha, como eu fugia da reabilitação.

Eu prefiro as baladas com o Kurt e com o Jimmy, mas By George, ninguém dá festa aqui mais animada que uma tal de Eliz!!! A mina é genial no vocal, e quando eu reencarnar, quero cantar que nem ela, o Morrison também é mó paga pau dela.

Muitos ainda estão tentando descobrir como eu morri, My Gosh! Eles deveriam investigar como eu vivi!

E sei que vocês devem estranhar o fato que estou escrevendo tantas experiências, mesmo tendo morrido a pouco tempo, mas explico: aqui o tempo é diferente, só é um pouquinho quente, mas já reclamei com o cara do ar condicionado, um chifrudo de rabo e tridente, que me liberou para falar com vocês pelo Frank!

Preciso ir agora, mas fala para aquele brasileiro " o invasor " que entrou de penetra no meu enterro, que eu vou fazer uma visitinha na casa dele, depois que eu passar na cela do Blake, afinal, ele prometeu ficar comigo na saúde e na doença, e já que continuo viva, ninguém morreu, ele ainda é meu marido e o cara do ar condicionado já disse, tem lugar aqui para ele e quem vai buscá-lo, sou eu!

Concluindo, queridos bons ouvintes da música: se vocês querem babar ovo de algum músico que já morreu, e não levar em consideração como foi a passagem deles, olhem para o seu próprio quintal! Não entendeu, né? Nem eu! No, no, no!

Ps: continuem comprando os discos, incluindo as porcarias de gravações que nem eu conseguia ouvir, mas que vão vender como material inédito, assim que alguém permitir.

sábado, julho 30, 2011

Logun Edé - Uma Yorubópera

Adolescente e ambíguo, masculino e feminino

By Dib Carneiro Neto

O espetáculo Logun-Edé – Uma Pequena Yorubópera traz a experiência de conviver com as diferenças

É raro ter à disposição um espetáculo – um bom espetáculo – que desvende para os leigos, sobretudo as crianças e os jovens, os mistérios do candomblé, a religião dos orixás, base da cultura africana. Pois o grupo Pé de Moleque, criado em São Paulo em 2007, nos apresenta ‘Logun-Edé – Uma Pequena Yorubópera’, uma agradável ópera mestiça, ou um afroconcerto, ou simplesmente uma ‘yorubópera’, nas três definições da própria companhia, formada por atores e cantores líricos, principalmente da raça negra.
Logun-Edé – explica o grupo – é uma das únicas divindades adolescentes do panteão africano, cultuadas no Brasil. Só isso já vale o voto de louvor e confiança ao espetáculo, que usa um raro personagem teen da cultura afro como alvo para fisgar o interesse justamente da plateia juvenil, tão pouco contemplada com espetáculos teatrais voltados para sua faixa etária e tão pouco interessada, nessa agitada época da vida, por qualquer cultura que seja diferente da sua ‘tribo’. Talvez seja a fase em que os preconceitos mais se revelam e se cristalizam. Daí a importância primeira desta peça, didática sem ser didática, informativa sem ser chata. Leve seus filhos para a experiência de conviver com as diferenças.

O personagem de Logun-Edé (bem interpretado por Carlos Alberto Júnior) é riquíssimo pelo que contém de dubiedade, de potência de vida, de vontade de entender o mundo e suas origens, de busca de afirmação. É o orixá das contradições, em que os opostos se alternam: a sensibilidade e a bravura, o feminino e o masculino, a emoção e a razão. Nada melhor do que isso para falar a linguagem dos jovens, totalmente em fase de descobertas e definições, inclusive as sexuais.

Vejam como a ‘fábula’ é rica em ambiguidades: Oxum, deusa das águas doces e cristalinas, do amor e da fertilidade das mulheres, engravida de Oxóssi, o viril orixá da caça e da alimentação. O destino do menino que nasce, Logun-Edé, é viver seis meses na água com a mãe e seis meses em terra com o pai caçador. Ele alterna esses dois lados opostos, inclusive vestindo saia quanto está com a mãe, detalhe que o espetáculo fez questão de mencionar, na cena em que o rapaz se disfarça de mulher para entrar numa festa proibida para homens. Logun-Edé cresce doce e benevolente como Oxum, forte e corajoso como Oxóssi. É por isso que muitos o consideram o deus da surpresa e do inesperado. É ou não é um tema essencialmente adolescente?

O texto de Bruno Gavranic foi todo escrito em forma de libreto de ópera, em que as canções complementam as falas dos personagens, as letras cantadas acrescentam dados à história contada. Isso é muito difícil de criar, mas o autor não faz feio. Na direção, o convidado Dagoberto Feliz, mais frequente nos espetáculos do grupo Folias, erra na mão apenas ao abrir o espetáculo, com um trecho introdutório muito longo, ou seja, estou querendo dizer que demora muito para que a peça entre na fábula em si, que é o melhor da história. Poderia ser mais curto e direto, não fosse o início demorado e desnecessário – ainda que este início contenha achados espertos, como o fato de os atores terminarem de ajeitar o cenário à vista do público, recurso de metalinguagem e até de distanciamento brechtiano, que costuma funcionar muito bem com o curioso público adolescente.

A atriz que faz Oxum, Mawusi Tulani, é linda, expressiva, com um rosto luminoso, um corpo que fala. Pena que seja a que mais desafina na hora de cantar, muito embora, diante de tantos acertos, isso fique quase irrelevante, ainda mais quando se pensa que o espetáculo não tem a menor obrigação de ser artificialmente ‘perfeito’ como os musicais da Broadway. Ao contrário. Seu frescor e sua virtude veem justamente dessa ‘imperfeição’ criativa. O surpreendente narrador loirinho, Leonardo Devitto, é ótimo. Faz um caçador engraçado, tem boa voz, presença desenvolta.

A música composta por Di Ganzá mescla a tradição dos ritmos africanos com um tratamento de arranjos eruditos, sabiamente acompanhando essa linha ‘mestiça’ de um espetáculo que é todo voltado para a aproximação entre os opostos. Grande sacada. Em cena, cinco músicos fazem um carinho adicional à peça: André Fabiano (flauta), Éder Francisco (violão), Renato Antunes (cello), João Nascimento e Juliana Silva Najú (percussão). À certa altura, Oxóssi (Claus Xavier) proclama: “Convoco minha cor para se exaltar.” É a melhor frase, a que mais expressa a vontade do Grupo Pé de Moleque de divulgar a cultura afro. Vamos prestigiar.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com

O Grupo Pé de Moleque

O Grupo Pé de Moleque apresenta seu novo trabalho em que, assim como no mito de Logun-Edé, somos levados a vivenciar como é possível a convivência e o entrelaçamento de dois mundos, sejam eles o erudito e o popular, o cantado e o falado, o teatro e a ópera, o africano e o europeu, ou ainda, o adulto e o infantil. O espetáculo pode ser denominado de diversas formas, como ópera mestiça, ópera teatral, ou simplesmente Yorubópera.

Com um elenco formado por cantores líricos e atores que cantam e contam a história do menino encantado, o espetáculo traz também uma pequena orquestra formada por violão, violoncelo, flauta transversal e percussão, em uma mescla de referências e influências que passeiam harmoniosamente entre o erudito e popular, resultando em uma alegre e inusitada sonoridade, que nos leva a atentar à riqueza das mais diferentes formas de expressão artística que estão á nossa volta. O processo do espetáculo contou ainda com a participação de colaboradores que nortearam a equipe a encontrar os melhores caminhos para contar e cantar em cena, com a voz e o corpo a história de Logun-Edé: Reginaldo Prandi, antropólogo professor da USP, autor do livro-referência Mitologia dos Orixás e Mariana de Osumaré, sacerdotisa de culto nigeriano em São Paulo conversaram com a equipe sobre as figuras dos orixás abordadas em cena e o universo mitológico do candomblé; e Wellington Campos, membro do Grupo Abaçaí de Cultura e Arte ministrou oficinas de dança dos orixás.

Grupo Pé de Moleque – O Grupo Pé de Moleque vem desde 2007, desenvolvendo um trabalho que busca o resgate e a valorização das culturas populares das mais diversas origens. O primeiro espetáculo do grupo, Coisa de Vó, de 2009, era um passeio por mitologias e contos de diversas culturas, como a européia, a indígena e, em especial, a africana. Conduzidos pela figura de Vó Tônha, os espectadores mergulhavam em mitos e contos que revelavam um pouco da diversificada formação cultural do Brasil. Agora, com Logun-Edé – Uma pequena Yorubópera, o grupo se aprofunda nas matrizes africanas, e, baseado em uma estrutura originária da Europa, nos apresenta um espetáculo rico em sua simplicidade, com convite inevitável a refletirmos sobre nós mesmos.

http://grupopedemoleque.blogspot.com

Sinopse
Essa pequena ópera, conta a história de Logun-Edé, orixá adolescente filho de dois mundos distintos que reflete em sua figura características de seus pais, enquanto busca sua identidade, transformando os padrões estabelecidos.

Logun-Edé - Uma Pequena Yorubópera
Grupo Pé de Moleque (Bruno Gavranic - Texto; Di ganzá - Composição e Direção
Musical; Felipe Candido - Figurino; Mawusi Tulani – Produção e Preparação de Elenco)
Direção Geral: Dagoberto Feliz

sexta-feira, julho 29, 2011

Mil Coisas


Ele sabia mil palavras, mas não conseguia formar uma sentença. Sabia mil coisas, mas não praticava nada. Estudava mil coisas, mas não aprendia nada. Um dia, ao se olhar no espelho, ele se deu conta que podia ter se tornado mil pessoas, mas no final, por ter tanta escolhas, não se tornou nada ... além de um fantasma.

quinta-feira, julho 28, 2011

Não se Perca


Ele caiu nas artimanhas da matéria e se perdeu nas sensações, e quando percebeu, comeu o pão que o diabo lhe deu.

Porém, quando há vontade, há sempre saída e ele acabou se recuperando, mas teve que pagar o preço de quem pôe tudo a perder em nome do prazer: teve que recomeçar, mesmo sabendo que estava prestes a alcançar o topo.

O lado bom é que agora, ele já reconhece os sinais do excesso e toda vez que ele fica perto de perder novamente o jogo, ele respira fundo, dá a volta e segue!!!

quarta-feira, julho 27, 2011

Sentinelas


Há Sentinelas por todos os lados tentando nos mostrar algo.

Os Sentinelas são anjos meio-tortos que assumem a cara de quem quer que apareça ao seu lado, para te chamar a atenção. Os Sentinelas, às vezes, surgem vestidos de amigos que nos sugam de canudinho ou de um desconhecido que nos irrita, seja qual for a forma, que eles apresentem naquele momento, o recado sempre é: acorda!

Boa parte de nós, passa a vida dormindo! Sonâmbulos, acabamos por deixar de fazer todo o trabalho que nos propusemos. Como só vivemos dormindo, os anjos celestiais não conseguem mais a comunicação conosco, e acabam por utilizar esses Anjos Tortos que eu chamo " Sentinelas" para adentrar na orbe densa do nosso ser e nos acordar da escravidão da sonolência.

Portanto, fique alerta com a ação dos Sentinelas, e vê se ACORDA!!!!

terça-feira, julho 26, 2011

O Choro da Vitória.


Ela chora no meio da madrugada, acordo zumbizando, vou ao berço, a pego nos braços, desejando que ela se acalme; quero voltar a dormir, tenho que trabalhar bem cedo, ela não para!

Pode ser fome, pode ser cólica, pode ser dengo, pode ser nada.

Penso no sono, nas terras dos sonhos e no devido descanso. Ela continua a chorar...

Daí, eu lembro do dia em que ela nasceu, há dois meses, sem conseguir respirar; ela não chorava, vai direto para o tubo de oxigênio; peço a Deus, aos Orixás, a todos os santos, ao capeta, qualquer um que possa ajudar. Daria minha vida para ver ela bem, daria tudo para ver ela chorando...


Ela chora no meio da madrugada... estou ainda zumbizando, mas sorrio; ela chora mais um pouco, dou atenção e amor, ela sorri de volta.

segunda-feira, julho 25, 2011

27 Whinehouses


Amy morreu, vira santa,
ninguém aprendeu
uma lição que deveria ser discutida:
lendas não deveriam nascer
quando morre alguém por droga ou bebida!!!

Recompensamos com fama
quem morre jovem e na lama;
e nos esquecemos de tantos outros jovens,
que lutam pela vida
e dão belos exemplos
que deveriam ganhar espaço na mídia.

Jornadas heróicas não formam exemplos...escandalos dão mais ibobe.

domingo, julho 24, 2011

Nicolau Se Casou

Robinho correndo com os gibis nas mãos;
corre, corre, corre Robinho!
Sara te espera,
e quem diria, Robinho?
Ela era aquela "ela"!

Aquela "ela" que você sempre buscou,
aquela "ela" que você sempre amou,
aquela "ela" com quem você se casou!

Robinho Nicolau se casou,
vi tudo, como quem assiste
um filme de rock and roll,
e percebi que não era exagero,
quando te ouvi falar do seu amor.

Amor à flor da pele,
feito tatoo,
cobrindo o mundo
como uma declaração:
somos felizes para sempre!

Ninguém duvida, Robinho,
se sente!!!

sexta-feira, julho 22, 2011

Tradicional ou Natural


Durante as minhas aulas ou palestras, ou mesmo quando sou convidado a falar em algum seminário ou participar de alguma discussão sobre educação, poucos compreendem porque razão, quando o assunto é ensinar inglês, eu não uso o método tradicional de " erro e correção".

Eles argumentam que se eu não corrigir o aluno imediatamente, ele vai criar vícios que tornarão a sua comunicação errada. Eu sempre respondo: " Ora, e lá existe comunicação errada"? Antes que ele atirem as pedras, eu explico: " Eu ensino comunicação! Acredito que mais vale um aluno que tem confiança para se expressar, mesmo com equívocos gramaticais, do que um aluno PHD em vocabulário e estrutura gramatical, porém completamente bloqueado."

Fujo do tradicional como o " devil" foge do livro que está na mesa. Sou praticante do método "Natural" de ensino de línguas estrangeiras: primeiro o sujeito aprende a ter confiança para se comunicar, depois aprende a se auto-corrigir, afinal, ele não terá um professor de línguas no " pocket" a vida inteira.

quinta-feira, julho 21, 2011

Meu Avô


Subi a trilha da Serra da Cantareira com o meu avô. Com mais de 80 anos, eu achei que ele não conseguiria tal esforço, mas tendo perdido a minha vó, recentemente, achei que um tanto de verde e um pouco de caminhada lhe faria bem... Fez! Meu avô parecia um garoto. Subiu todo o trecho sem reclamar e disse até que aguentava mais um pouco.

Enquanto caminhava ao seu lado, lembrei quando eu era um guri e fomos caminhar juntos até a roça que ele tinha há algumas milhas da cidade. Quando eu já estava cansado e pedia para parar, ele me disse algo que eu nunca vou esquecer:

" Meu neto, você se cansou pois você estava contando os seus passos. Ande mais com o olhar! Viver é deixar os seus olhos caminharem por você "

Ontem ví meu avô caminhar com os olhos, por isso ele virou garoto de novo e se eu deixasse, ele chegaria não apenas no Pico da Cantareira, mas às estrelas!

quarta-feira, julho 20, 2011

Amigo é Coisa...


Ter amigo é coisa séria!

Antes de sair cantando por aí, a canção do Milton, é sempre bom lembrar que amizade verdadeira é um tesouro que precisa ser guardado não só no lado esquerdo do peito, mas no direito também e principalmente no meio do peito, onde mora o respeito.

Quando respeitamos algo ou alguém, passamos da promessa da boca para fora e começamos a adentrar no terreno das responsabilidades de ter recebido da vida, alguém que podemos contar e crescer ao lado. E isso exige atenção e cuidado, por isso, antes de sair por aí, desejando: Feliz Dia dos Amigos! Se pergunte: você é um bom amigo, uma boa amiga? Qual foi a última vez em que você cruzou "o mar das coisas mais importantes para fazer" e foi visitar um amigo que você não vê há tempos?

Se as respostas forem positivas, parabéns! Você sabe o significado da verdadeira amizade! Se não... O que você esta esperando? Use hoje como desculpa e surpreenda seus " amigos" com a sua presença ... Ou quem sabe apenas um telefonema, um torpedo ou, ao menos, uma mensagem via pombo-correio.

terça-feira, julho 19, 2011

Nunca Vai Aprender



Quando comecei a dar aulas para ela, os outros professores me avisaram: "não perca o seu tempo, ela nunca vai aprender!"

É claro que quis provar que eles estavam equivocados; professor novo que eu era, herdava toda a inocência da docência de primeira viagem, mas o tempo foi me mostrando que realmente havia pessoas que simplesmente não conseguiam aprender. Talvez por alguma limitação cognitiva ou social, talvez porque, no fundo, elas não queriam mesmo.

E o tempo foi me mostrando também que havia professores que nunca conseguiriam ensinar, e estes, ironicamente, ensinavam os nossos filhos nas diversas escola publicas ou particulares do país.

Eu não queria ser um deles, mas percebi que se quisesse mesmo aprender a ensinar, primeiramente, eu teria que ensinar os outros a aprender, e não apenas esperar que os meus alunos viessem prontos.

Quando comecei a dar aulas para ela, ela não conseguia aprender, ainda não consegue, mais se ela tiver paciência, vou ensiná-lá a aprender.

segunda-feira, julho 18, 2011

Ao Vento



"Há pessoas que nasceram para ser moinhos e outras para ser cata-vento".

É muito fácil reclamar das mazelas da vida, difícil é enxergar quantas oportunidades são perdidas por não termos coragem de agarrá-las.

Não temos coragem de agarrá-las, pois estamos tão habituados a lidar com o fracasso e com a preguiça, que o mínimo esforço para mudar a nossa atitude, dá um cansaço danado.

E esse cansaço vai pouco a pouco se espalhando por todos os cantos da nossa vida de tal forma, que quando nos damos conta, viver se tornou exaustivo.

É a exaustão que constrói as paredes das nossas zonas de conforto e nos permite a segurança do " mais do mesmo". Trabalhar, se esforçar para melhorar exige sacrifícios diários e nem todo mundo está disposto a pagar esse preço.

O que é uma pena, pois quando a Prosperidade chega, ela quer ser recebida com entusiasmo e coragem para trabalhar, e ao encontrar o nosso rosto exausto e a nossa falta de vontade, a Prosperidade, essa menina linda e caprichosa, acaba decidindo ir bater em outra porta, na casa de gente disposta a não jogar as oportunidades ao vento.

sexta-feira, julho 15, 2011

ESTOU PARTINDO


- Por Rumi -

Fica, se te interessa.
Através dos jardins, através dos pomares,
Estou partindo.

Meu dia é sombrio sem sua face,
Eis porque me dirijo agora
À chama brilhante no céu.

Minha alma corre à frente e diz:
O corpo é lento demais,
Estou partindo.

Maçãs exalam no pomar de minha alma.
Seu perfume me invade
E me transporta para a colheita das maçãs.

Ventos súbitos não me desviarão;
Qual montanha de ferro,
Cada um de meus passos
Dirige-se ao amado.

Minha cabeça rompeu-se
Com a dor de sua perda;
Em busca de uma nova vida,
Cabeça erguida,
Estou partindo.

Sou fogo vivo e mais pareço betume;
Quero ser óleo límpido em tua lâmpada
E por isso parto.

Pareço imóvel como a montanha,
Mas sigo, pouco a pouco,
Em direção à pequena fresta.

Estou chegando…

(Texto extraído do livro “Poemas Místicos” – Editora Attar).

- Nota de Wagner Borges: Jalal Ud-Din Rumi foi um brilhante poeta sufi que viveu no século 13, na antiga cidade persa de Balkh, onde hoje é o Afeganistão. É considerado como um dos grandes poetas místicos da antiguidade. Seus escritos exalam aquele perfume espiritual que só o coração reconhece. Para ele, Deus não era apenas o Senhor, mas “O Amado”. Ler os seus lindos poemas cheios de amor pelo Eterno é uma honra e uma inspiração.

quinta-feira, julho 14, 2011

Papergirl


Havia três meninas entregando jornal na rua. Apesar do jornal ser gratuito, havia um gosto de disputa no ar, especialmente quando eu peguei apenas um jornal de uma das meninas e as outras duas vieram na minha direção.

- Por que você não pega também o nosso jornal? É de graça! - disse uma delas.

- Porque eu não quero! - respondi!

quarta-feira, julho 13, 2011

OS QUE NÃO SÃO MAIS NASCIDOS


Dentro do ônibus, sentado à janela, tento terminar meu livro; os olhos pesam, quero descansar, fecho os olhos, respiro fundo, mas sinto uma presença perto de mim.

Abro os olhos, não tem ninguém ao meu lado.

Fecho-os novamente, e começo a perceber a presença de novo, e com ela, pensamentos que não são meus, uma certa tristeza que não é minha. Meu sentido de " se cuida" apita, meus mudras* de proteção ficam em alerta, mas os pensamentos apenas se apresentam, não forçam passagem, a presença pede permissão e a deixo falar:

" Foi mais fácil me perder nas sensações. Cai facilmente nas armadilhas da matéria sem qualquer resistência. Quando eu vi, já era tarde demais para me libertar do vícios da carne e da mente. Do lugar onde estou, vejo tudo que se passou e o que poderá vir a ser, porém, vejo também o que poderia ter ocorrido. Vejo todos os universos que poderiam ter sido construídos por minhas mãos, as estrelas que explodiram e os planetas que não floresceram pois tive medo de me relacionar. Percebo o quanto eu poderia ter crescido e auxiliado o Poder Maior, porém, a oportunidade passou e tudo o que me resta é esse rabo entre as pernas daqueles que não são mais nascidos. Essa mensagem não é mais um texto espírita de lamentação, nem muito menos vou ladainhar em busca da sua atenção ou da sua pena, porém, eu gostaria de tentar ao menos, passar através desses escritos, a tristeza de um espírito caído, por isso, pedi a esse cronista do cotidiano, que pudesse servir de intermediário para que os meus escritos possam chegar até você... você que eu nunca ajudei, você que não amei, você que nunca dei a mão. Você que nunca tive a honra de conhecer, esse texto é para você! Pois quem sabe, se o Grande Pai permitir, eu possa, ao menos, por ele, conseguir chegar até você e realizar um pequeno trabalho, trabalho pequeno que possa ser útil a você e que por esse trabalho, minha existência tenha valido a pena, ou como diz o escritor, a crônica."

*Mudras: A gesture or position, usually of the hands, that locks and guides energy flow and reflexes to the brain.

terça-feira, julho 12, 2011

Visitas


Há dois tipos de gente que vem visitar a sua casa: quem é bem vindo e quem acha que é bem vindo.

Quem é bem vindo só aparece quando é convidado. Não gostam de incomodar, odeiam atrapalhar o final de semana dos outros. Já sentiram na pela, a inconveniência de bancar o social com quem aparece sem avisar. Sim, quem aparece sem avisar, se acha bem vindo. Acha que tem o direito de ser recebido a qualquer momento. E se por ventura, fazemos cara de poucas visitas, quem se acha bem vindo, fica magoado, e sai falando pelos cotovelos que não somos hospitaleiros, que ficamos ricos e os excluímos da nossa vida.

Minha casa é meu templo, só vem que é convidado, só vem que é bem vindo. Quem não é bem vindo, que se sinta ofendido, pois há tempos aprendi que o único “contrato social” que tenho é comigo.

segunda-feira, julho 11, 2011

Tentando Escrever Para Você...


Inspiração, assunto instigante, sento em frente ao computador, preparo as mãos, respiro fundo e antes que os primeiros dedos cheguem as teclas...ouço minha filha chorando. Corro ao quarto, seguro ela nos braços, nino aqui nino lá, ela se acalma; dorme! Volto ao computador e a inspiração foi embora.

Respiro fundo, tentando lembrar do que havia esquecido. Era algo tão claro, idéia que parecia tão concreta, que nunca seria esquecida. Tento relembrar cada passo que me levou a idéia, o que eu fazia antes, o fio que me levou até o insight... achei! Como poderia ter esquecido isso? Mãos ao teclado...ouço meu bebê chorando. Corro ao quarto, seguro ela nos braços, nino aqui nino lá, ela se acalma; dorme! Volto ao computador e a inspiração...

Tento uma vez mais, volto ao caminho da memória, me esforço...achei! O bebê chora! Corro, nino, esqueço, lembro, corro, nino, esqueço e lembro e o bebê novamente chora, não quer mais ninar, não quer mais dormir, daí, canto qualquer lullaby, ela para de chorar e fica olhando para mim, quer conversar com olhar, e diz para mim: "não volta para lá, papai, fica aqui!"

O texto pode esperar, a crônica fica para depois, o insight que me importa?

Fico ali com ela para sempre... enquanto você está lendo essas palavras, eu ainda estou lá!

sexta-feira, julho 08, 2011

Coisa da Gente - Gosto do Outro


Coisa boa, a gente quer compartilhar. Nem sempre dá, nem sempre o gosto do outro bate conosco. Fazer o quê? Nem sempre a gente bate no gosto, cada um tem o seu. Ainda bem que é assim, e que assim seja.

Esses dias contei a um amigo que adorava Cindy Lauper, coisa de infância, coisa minha; porém, comentei que gostava; e ele me respondeu com cara de mal gosto, disse que eu tinha que renovar o meu conhecimento musical. Não sei porque, aquilo me ofendeu.

Ofendeu porque ele poderia ter dito que não gostava, mas respeitava o meu gosto. Ofendeu, porque eu esperei que ele gostasse, mas ele não gostou...

Gosto é mesmo que nem ... cada um tem um!

quinta-feira, julho 07, 2011

GLADIADORES


Foi um Elfo que me falou: “ Mestre, ninguém dá valor ao que é muito fácil. Tudo que é simples, causa estranhamento nas pessoas, que esperam que algo seja sempre complicado!”

Elfo sábio, esse que mora no meu quintal. Vive me mostrando coisas que são tão óbvias, e por serem óbvias, passam mesmo despercebidas.

“ Tem que ter sangue, cabeça cortada “ – o Elfo disse – “Senão ninguém presta atenção, ninguém aprende nada.”

Será? – Questiono- depois não questiono nada. Imagino um Colisseu lotado e um gladiador ser vaiado, pois ao invés de matar o leão, decidiu fazer carinho no gatinho.

quarta-feira, julho 06, 2011

O QUE SE APRESENTA


Há coisas que controlamos, outras tantas se apresentam. Aprendi que quando algo se apresenta, precisamos prestar bastante atenção.

Ao prestarmos atenção ao que se apresenta, percebemos que certas coisas precisam ser trabalhadas, pois representam alguma seta na pista da nossa caminhada que foi mal observada.

Por isso, essas coisas surgem no momento certo, para que a nossa caminhada possa ser ajustada e para que possamos chegar aonde quer que seja o nosso destino.

Portanto, amigos, cuidado com o que se apresenta, pois é nesse momento que o lado de lá se manifesta aqui, vestido de coincidência, vestido de acaso, vestido daquilo que agora tem cara de milagre, amanhã será esquecido.

terça-feira, julho 05, 2011

Um Lugar Ao Frio


Quero um lugar ao frio,
da mesma forma que desejo
um lugar ao sol;
Assim, como quero um tanto de noite
e outro tanto de dia;
vou vivendo bem
Independentemente
da chuva ou da brisa;
De estar acompanhado
Ou estar só!

segunda-feira, julho 04, 2011

Deixar Ela Partir



Vou deixá-la ir, como tudo que veio e precisou partir.

Ela é como o vento, por isso, não posso, por mais que eu queira, segurá-la nas minhas mãos. Por isso decidi abrir a janela, e deixá-la ir.

Queria ser diferente. Gostaria de continuar com ela, presa, cantando só para mim. Porém, aprendi que as coisas não podem ser eternas assim.

Eterno é o canto do pássaro lá fora, a rosa desabrochando no mato, a brisa morna do entardecer. Morto em vida é o pássaro preso na gaiola, a flor no jarro e o vento dentro de uma garrafa vazia.

Vou deixá-la ir, assim que eu aprender como libertar o vento, como não arrancar a flor do jardim, como não aprisionar o canto do pássaro...só pra mim!

sexta-feira, julho 01, 2011

O EGO E O MEDO

- Por Swami Sivananda* -

Algumas pessoas não temem os tigres da floresta.
Algumas pessoas não têm medo dos tiros num campo de batalha.
No entanto, têm pavor da opinião pública.
O medo da opinião pública atrapalha o caminho do aspirante ao progresso espiritual.
Ele deverá ater-se aos seus próprios princípios, às suas próprias convicções, muito embora seja perseguido e muito embora esteja a ponto de ser feito em pedaços em frente à boca de um canhão. Apenas assim crescerá e compreenderá.
Todos os aspirantes sofrem desta moléstia funesta que é o medo.
O medo de todos os tipos deverá ser totalmente erradicado por Atma-Chintana**, por Vichara***, pela devoção e pelo culto da qualidade oposta: a coragem.
O positivo vence o negativo. A coragem vence a timidez e o medo.
Para que eu compreendesse completamente o segredo sutil da atuação da mente, passaram-se anos. Através do poder de imaginação, a mente causa estragos.
Medos imaginários diversos, o exagero, as histórias inventadas, as dramatizações mentais, a construção de castelos no ar, tudo isso se deve ao poder da imaginação.
Até mesmo um homem perfeito e saudável tem alguma doença imaginária ou qualquer outra devido ao poder de imaginação da mente.
Um homem pode ter um pouco de fraqueza ou Dosha (falta).
Quando ele se torna seu inimigo, você logo exagera e enfatiza a sua fraqueza e Dosha. Você até mesmo acrescenta ou conta histórias sobre muitas fraquezas mais e Doshas. Isso se deve ao poder da imaginação. Perde-se muita energia por conta dos medos imaginários.

(Texto extraído do livro "Concentração e Meditação" - Editora Pensamento).

- Notas:
* Para mais informações sobre o trabalho do Swami Sivananda, favor acessar o seguinte endereço específico do site do IPPB: http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2027&catid=79%3Apensamento&Itemid=111
** chintana: pensando, refletindo.
*** vichara: discriminação.

A IDADE DO PLANETA TERRA


O Planeta Terra tem 4 bilhões e 600 milhões de anos (+ ou -: 4.600.000.000,00).
Vamos imaginar que a Terra é uma pessoa com 46 anos, comparativamente, e fazendo uma conversão nas escalas de tempo teríamos o seguinte quadro:
• Até os 7 anos não sabemos nada da vida desta pessoa “Terra”;
• Até os 42 anos, sabemos muito pouco;
• Os dinossauros só apareceram quando a Terra já tinha 45 anos;
• Os mamíferos entraram em cena nos últimos 8 meses;
• Exatamente na metade da última semana, alguns macacos parecidos com o homem evoluíram para a situação de um homem parecido com macacos;
• 3 dias antes de completar 46 anos, a Terra sofreu a última era glacial;
• O homem moderno, nós, surgimos nas últimas 4 horas;
• Há apenas 1 hora descobrimos a agricultura e nos fixamos à terra como sedentários;
• A revolução industrial ocorreu no último minuto;
• Nos 60 segundos seguintes, conseguimos transformar um paraíso num lixo. Nos multiplicamos como uma praga, e causamos a extinção de mais de 500 espécies de animais, e devastamos o planeta à procura de combustíveis fósseis e riquezas minerais. Não medindo as conseqüências, já inviabilizamos muitas formas de vida e agora estamos afetando todo o conjunto, prejudicando a nós mesmos.
• Há apenas alguns poucos segundos, parte da humanidade começou a perceber o que estamos fazendo;


* fonte:
http://centrobufalobranco.blogspot.com/2010/10/o-planeta-terra.html

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