quinta-feira, março 24, 2011

A SENHORA DOS CABELOS DE PRATA

Vovó Geralda se foi no começo da noite, não se despediu de ninguém; quis sair à francesa, discreta; viu a janela aberta e voou, para onde, eu não vou ser bobo de tentar descrever, mas ela se foi. Porém, eu não me preocupo, pois há tempos, eu soube: a vovó é voadora!!!

VovÓ Geralda deixou uma família unida, grande, bonita de se ver e falar a respeito. E a história dela vai ser contada por seus netos e bisnetos; e não pode deixar de ser crônica, por isso, compartilho com vocês, amigos leitores, que tem uma nuvem triste no meu céu, mas ela não tampa o meu sol, nem a vontade que eu tenho de firmar o meu pensamento em letra e orar com as minhas palavras escritas, bem do jeito que ela sabia que eu faço.

Vovó Geralda foi uma segunda mãe, aguentou a minha infância e nunca se desesperou mesmo quando eu fazia das minhas loucuras. E eram tantas. Vai ver, que no fundo ela sabia que eu precisava me multiplicar em todas aquelas experiências para me tornar quem eu sou.

Sim, Vovó Geralda é culpada por ajuda a criar quem eu me tornei e por essa razão, eu abro as portas do meu templo das crônicas para fazer esse "Ode a Geralda" e dizer que jamais vou te esquecer, vovózinha!

Obrigado por tudo e quando a minha filha nascer, vou contar para ela com todo orgulho sobre a " Senhora dos Cabelos de Prata", cuja risada ainda ecoa no meu sorriso e cujo olhar escondia mistérios que nunca serão descobertos, mas que deixou pegadas de missão cumprida nessa terra, onde ela esteve por mais de 77 anos, plantando e semeando amor.

((((())))
Notas:
Segue abaixo texto que escrevi o ano passado sobre essa mulher maravilhosa:

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VÓ GERALDA

Ontem foi Dia da Vovó, esqueci de lembrar da minha, você lembrou da sua? Espero que sim, até anotei na minha agenda, mas a mídia dessa vez não me ajudou, não senti vontade de comprar uma linha de tricô, nem um celular, nem qualquer desses presentes de revista que nos ajudam a comprar qualquer coisa menos aquilo que deveríamos presentear de verdade, por isso, mesmo atrasado, ofereço a minha lembrança de amor e a melhor coisa que eu posso te dar, minha Vó, são as minhas letras.

O problema é que Vovó Geralda não consegue ler, devido a um pequeno probleminha de falta de entendimento de letras, porém, ela consegue interpretar coração como ninguém e tenho certeza que ela vai compreender cada uma das minhas letras e saberá que o seu netinho se tornou uma pessoa muito feliz na vida, em parte, por causa dela. Vovó Geralda foi, e é, e sempre será minha segunda mãe, e muito embora, isso possa parecer clichê, repeteco bobo, tenho que dizer que essa é a melhor definição de uma vovó, afinal, ela veio primeiro.

Para que essa crônica se torne prosa e não apenas uma homenagem com letras à toa, tenho que compartilhar com vocês esse pedaço do meu passado: quando morava com a minha vó, eu era um moleque de 12 anos, revoltado e rebelde, danado e louco para provocar todos a minha volta, por pura carência de ter mãe por perto ( minha mãe estava em Sunpaulo, eu no internato da Paraíba); daí, um dia sai de casa, prometendo que fugiria dali, fugi...pelo menos até a fome apertar, daí voltei com a cara suja e as roupas ainda lavadas numa trouxa. Quando cheguei em casa, minha vó só observou a cena, serviu o jantar, não disse nada, mas deu uma risada que jamais vou esquecer, risada que parecia dizer:

"menino, tenha calma, pois um dia você vai fugir de casa para valer, mas dessa vez será para crescer."

RIO DAS PALAVRAS AFOGADAS



Há crônicas que não deveriam ser escritas; idéias bastardas, cujo destino deveria ser o rio das palavras afogadas; mas estas crônicas tem vontade própria e essa, tão triste, toma conta da minha vontade nesse fim de tarde e me obriga a escrever para te dizer que alguém muito querido a mim está morrendo.

Talvez até o fim dessa leitura, essa pessoa tão amada já tenha cruzado para a outra margem do lago, talvez não; pois de acordo com os médicos, há ainda 5% de chances dela se salvar do AVC que a levou até aquele matadouro chamado Hospital Heliópolis; e a gente que é família e que se importa, se apega a essa mísera porcentagem como um naufrágo se agarra a um pedaço de tábua; esperando salvação e aguardando ser resgatado dessa situação surreal que parece um pesadelo, onde a qualquer momento, vamos acordar.

Não acordamos!

E nessas horas em que tudo foge do controle da gente e a nossa Terra parece estar fora do eixo, tentamos resgatar qualquer pedaço da teoria da nossa espiritualidade que nos faça ser mais fortes, que nos dê firmeza para enfrentar essa prova; mas por mais que se tente, por mais que a gente agüente, ou queira seguir confiante! Lágrimas rebeldes invadem as represas da nossa vontade.

Sem lágrimas!

Respiramos profundamente! Não choramos, afinal, sabemos que o nosso lamento em momento tão delicado de passagem, pode prejudicar o nosso amado em sua viagem. Mas o que fazer com esse nó na garganta? Como engolir esse soluço preso no peito, que dói, dói e exige expressão? Por quanto tempo vou conseguir manter essa minha máscara de espiritualidade avançada e continuar repetindo para os outros: “A vida continua, vamos ficar na luz gente!”

Sim, não tenho duvida que a vida segue o seu curso e que, mesmo sem corpo, o espírito prossegue eterno, mas é melhor manter essa falsa firmeza ou aceitar que, as vezes, é melhor deixar o corpo chorar?

Nunca!!!

Afinal homens não choram e espiritualistas não sofrem com a morte de seus amados.

Fim de crônica!!!

quarta-feira, março 23, 2011

ESQUECIMENTO


Por ousar me aprofundar no estudo do xamanismo e, consequentemente na minha própria espiritualidade, tive que aceitar o fato de que as plantas e os animais são muito mais inteligentes que os "seres racionais", quando o assunto é a relação de cada um deles com a natureza e com o todo. Por nos acharmos numa posição "dominante", tomamos como nosso, um reino que nunca será dominado por nós. Daí, tanta tragédia; daí tanto choro.

Não faz sentido humano declarar que qualquer tragédia ocorre por alguma deficiência em nossa estrutura espiritual ou fisíca, nem é de muito bom tom, usar o velho argumento espiritualista de que todo carma é resgatado; ou repetir o velho jargão cristão de que há castigo para todos os pecados. Porém, precisamos estar alertas para o fato de que nos esquecemos rapidamente das lições da natureza, quando suas repercussões ocorrem além do mar e não, em nossas portas.

Há uma mensagem do mundo nos dizendo repetidamente que nossos pequenos atos repercutem em todo mundo; e se, não podemos deter tsunamis ou parar terremotos, acredito que temos ao menos, de colocar em prática a nossa cidadania; e ser solidário com o próximo. Por isso, por favor, cuide bem da sua cidade, do seu bairro, ou ao menos, da sua casa! Tome para si a responsabilidade de se lembrar que tudo é interligado, e a conexão deve começar com a sua atitude em se tornar melhor, não somente dentro do seu lar, mas principalmente com essa gente que você acredita erroneamente que nunca mais verá na sua vida.

terça-feira, março 22, 2011

SÓ PÓR HOJE


" Toda a minha existência se justifica por este momento, e vice-versa. No dia de hj, como em muitos outros dias, já fiz o suficiente p/ justificar minha existência e transformação no mundo. Não deixei o planeta ao fim do dia do mesmo jeito que o peguei ao acordar. Portanto, não preciso "evoluir", pq já fiz NO HOJE o projeto de minha existência... p/ hoje."
Lazaro Freire

SÓ POR HOJE

Eu sei o quanto é importante que você me salve, me oriente e me leve para o caminho do bem, garantindo assim, que eu não me perca nesse mundo de ilusões, cheio de armadilhas da matéria e calabouços da vaidade; porém, antes que você começe a falar de Jesus ou prometa as 72 virgens maometistas, deixa eu te contar uma coisa:

- Eu estou cuidando da minha vida!!! E você? Por que não cuida da sua?

Com que direito você invade a nossa amizade com esse discurso evangelista? Você mal sabe como está a minha vida na Terra, quem te contou, que a minha alma anda tão mal assim, que é preciso a sua intervenção?

Não preciso da sua versão de Deus, pois tenho cá, a minha versão do Meu; por isso, pergunta de mim, se interessa por quem eu sou, vamos sentar à mesa de um bar ou de um café, e falar das coisas daqui, de como está o meu ali, de como foi bom o nosso histórico de acolás. Seja o meu amigo, não meu pastor! Faz muito tempo que não brinco de ovelha, nem sigo como gado desgarrado. Você percebeu que estou feliz? Você já reparou que tenho uma vida plena? Posso não ser rico, nem ter um milhão de amigos no facebook, mas estou contribuindo para o coletivo, pois amo o que faço como trabalho, e não estou por aí, reclamando ou tentando converter todos que conheço com esses argumentos de religiosos entalados numa fé de que estão cumprindo algum tipo de missão.

Não se preocupe, pois se o mundo acabar amanhã; vou em paz, sabendo que fiz o melhor que pude fazer HOJE.


Notas: texto baseado em mensagem postada originalmente por Lázaro Freire, na Lista Voadores.
Para ler mais textos do Lázaro Freire, acesse o link abaixo:
www.voadores.com.br/lazaro

segunda-feira, março 21, 2011

*Discernimento e Tsunamis Emocionais*



*Discernimento e Tsunamis Emocionais*
Publicado em: 04 de setembro de 2006

Passado o tsunami físico na Ásia, precisamos estar acima do pior: o tsunami emocional. Eventos desta proporção, explorados pela mídia e alavancando um pensamento coletivo de impotência e tragédia que nos "magnetiza", criam uma forma diferente de interação emocional, nada saudável, a qual NÃO PODEMOS confundir com a comoção que teríamos em um evento menor.

Se não tomamos cuidado, medindo com discernimento e imparcialidade assistencialista ("postura de amparador") a justa preocupação, podemos, sem querer, talvez sem sequer notarmos, sermos "capturados" pela grande onda densa geradas pelas formas-pensamento de bilhões de telespectadores da tragédia.

A catástrofe, se permitirmos, pode ser maior: esta massa de pensamentos cinzentos, encobrindo o planeta, pode propiciar um maior índice de "acidentes" aqui, discussões acolá, assédios espirituais mais adiante, e por aí vai. Tsunamis emotivo conscienciais.

Como no tsunami físico, não há como tentar vencer a força das marés. Estamos falando de eventos grandiosos demais. Não dá para pegar jacaré, não dá para achar que vamos enfrentar as ondas com "boa intenção". Para ajudarmos MESMO, é preciso estarmos FORA do alcance desta onda psíquica. E a melhor forma ainda é estando nas alturas da boa sintonia.

É hora de buscarmos a união com o que tivermos de elevado - prece, meditação, evangelho no lar, amparador, Buda, Jesus, não importa - para, pairando acima do arrastão psíquico, termos a isenção suficiente para compreendermos como (ou "se") podemos ajudar. E a QUEM, e ONDE, pois as consequências deste transe emotivo pode estar fazendo vítimas bem mais perto de nós que imaginamos.

È necessário ter, agora, o que chamamos de "postura de amparador": olhar de cima, como evento evolutivo. O que certamente parecerá "frio" a quem foi arrastado pelo vagalhão emocional, e lhe cobrará estar nas "ondas" emotivas com ele também - o que não ajudaria.

É claro, entretanto, que devemos ter comoção, e enviarmos nosso melhor. Inclusive trabalho assistencialista, e boas vibrações.

É claro que preces e sintonia são apropriadas. Todos os dias, aliás, ocorram ou não catástrofes.

É claro que não temos como falar da dor de cada um dos 150.000 dramas humanos ali, e que é fácil ser isento quando não estamos envolvidos. Embora ficar desesperado por "solidariedade" não ajude ninguém.

Ainda assim, por maior que seja a tragédia, é verdade TAMBÉM que ninguém morreu, ali. Que água pode afogar o espírito? Que fogo pode queimá-lo?

Onde vai parar nosso espiritualismo quando há uma "tragédia" televisionada? E se o planeta explodisse, seria uma grande tragédia? Não deveríamos continuar existindo de algum modo?

Raciocine: Em um grande evento planetário, arrasador, há duas possibilidades: Você foi atingido, ou não foi.

Se não foi, desesperar-se não ajuda. Colocar-se voluntariamente como uma das vítimas, sofrendo aqui, impotente, é suicídio consciencial. Causa DANOS, e atrai assédios. Provavelmente nem os espíritos das vítimas, pelo menos as mais espiritualizadas, estejam "nessa" tanto tempo depois.

Não deixa de ser irônico: o desencarnado, amplamente assistido em eventos assim, encontra-se provavelmente longe dali, enquanto ocidentais "espiritualistas" lançam-se psiquicamente aos seus cadáveres empilhados, como urubus melodramáticos via satélite, buscando qualquer migalha de emotividade desnecessária, como se já não bastasse as que fazem em nome do "amor".

E na outra possibilidade? Se você foi atingido, será que teve tempo para este drama todo? Só se ficou por aqui! Mas aliás, senhor espiritualista, uma semana depois, já é hora de caminhar! Com certeza, ateus, desavisados e mal-informados tiveram assistência divina e acompanhamento em um momento assim. Não é de esperar que justamente o espiritualista e assistencialista vá ficar encrencado e apegado ao físico, sem amparo, tanto tempo depois. Precisaríamos ser muito ruins de serviço! E por pior que estivéssemos, a própria assistência que propagamos nos traria, karmicamente, assistência em momentos assim.

Não faz sentido, de todo modo. Até porque, quem está com drama AQUI não foi atingido LÁ.

No fundo, o que sobra mesmo é um grande MEDO DE MORRER (do espiritualista que está aqui). O que acontece de fato é uma impotência diante das "leis divinas", que talvez tenham sido apenas as naturais do planeta.

Mas se somos espiritualistas mesmo, não devíamos, a esta altura, sabermos que viemos de uma estrela, estamos em uma "estrela" (astro), e vamos para uma estrela? Que não somos daqui, e que uma hora TEMOS que partir?

O medo é de morrer "de uma vez"? Sem comprender de onde a morte chegou? Que diferença faz, então, morrer de ataque cardíaco num apartamento solitário da metrópole, ou num acidente de carro com mais 3, ou numa queda de avião com mais 100, ou num atentado terrorista ao prédio onde trabalha com mais 3000, ou num terremoto com mais 10.000, ou num maremoto com mais 150.000, ou numa bomba atômica com mais 250.000, ou num bombardeio americano ao Cambodja com mais 3.000.000, ou mesmo se o planeta explodisse com mais 6.000.000.000 ?

Só há duas possibilidades, você continua a existir de algum modo, ou não continua. E em todas as duas, não há novidade no fato de todos terem que morrer. Mas há uma certa incoerência quando quem sempre diz "que a vida continua" se desespera diante de tragédias assim.

Aliás, será que uma mãe solteira, com câncer e vários filhos, não sofre mais do que quem morreu repentinamente num tsunami?

Aliás, contam com tanta comoção os espíritos "mortos" em poucos minutos, mas não seria mais grave SOBREVIVER, ali? Se é para se comover, então que pelo menos conte, como tragédia, a centenas de milhares de sobre-viventes (hífen intencional), que terão que subviver no que sobrou.

Entendo, portanto, a comoção de quem está lá. De quem escapou por pouco. De quem tem parentes perdidos. De quem terá que reconstruir, sem as pessoas que mais amava, sem apoio, sem interesse turístico, sem dinheiro. O que não entendo é quem fica mal aqui, dias e dias depois, acompanhando tudo de forma mórbida pela CNN, com destaque para as ondas nos grandes hotéis.

E depois, as teorias de limpeza divina, de castigo, de resgate planetário, de migração de almas, de Apocalipse - dentre outras "pérolas" que circulam nos meios ditos, er, "espiritualistas". Como se Jeová, Alah, Ashtar Sheran, Shiva, Tupã, INRI Cristo e Elvis Presley houvessem se reunido para nos castigar.

Que ego o nosso que, mesmo diante de um evento que deveria nos mostrar nosso real tamanho e "importância" no planeta que nos HOSPEDA, preferimos ainda imaginar que TUDO ocorre por NOSSA causa.

Pelo que tenho lido, parece que o Criador, após ter feito todo o universo com suas leis, forças e movimentos; veio com seu Dedão Divino ao terceiro planetinha em volta de uma estrelinha de quinta grandeza num bracinho externo da via láctea (uma dentre milhões de galáxias), só pra dar uma mexidinha extra numa placa tectônica, porque Ele julgou que UMA DAS milhares de espécies do planeta, o tal "homo sapiens" (sapiens???), andou se comportando "mal", e precisa ficar ser sobremesa. Que ego o nosso, não?

Pois é: vi muitas pessoas buscando explicação, em geral divina, para o ocorrido; esquecendo-se de que nós, humanos, TAMBÉM somos animaizinhos pequenos vivendo NATURALMENTE num planeta que tem sim terremotos e marés.

Há pelo menos um GRANDE tsunami, terremoto ou erupção vulcânica a cada 100 anos (nada impedindo de haver mais que alguns). Sempre "ocorre" uma Cracatoa aqui, ou um Vesúvio acolá.

Não seria apenas a característica do planeta, assim como noite e dia, neve e tempestade, vulcões e furacões, desertos e marés?

Quantos milhões de formigas morreram quando NÓS fizemos o lago de Itaipu?

Quem chorou pelo fim dos dinossauros, aliás?

É duro dizer isso, mas 200.000 os EUA mataram apenas com UMA bomba atômica. E pior que isso, 3.000.000 de civis dizimados no Cambodja,na década de 50, queimando as metrópoles da Ásia com seus B52. Não justifica, mas me parece mais tragédia do que, naturalmente, 150.000 bichinhos humanos, que viviam a beira mar, serem afogados numa elevação oceânica.

Discirna: Todas as décadas, ocorrem GRANDES terremotos em terra firme. A maior parte do planeta é de água. Em terremotos debaixo dágua as ondas podem ir da Indonésia até a Índia, até encontrar terra firme, destruindo num raio de 5000 km (!) do epicentro.

Logo, não foi "azar". Este tsunami mostrou é que estamos com muita sorte, com tantas cidades costeiras. Confiamos DEMAIS na estabilidade do solo oceânico. E depois achamos "mito" uma tal de Atlântida desaparecer. Devem ter sido várias!

O pior de tudo é o tsnunami emocional. Sâo BILHÕES de pessoas gerando formas-pensamento de tragédia, densas, unidas, AQUI, agora, diante da TV. Uma briguinha aqui, um acidente de carro acolá, um assalto mais adiante, uma depressão incentivada aqui e ali, e ninguém nem sabendo ao certo como foi que tudo começou. E todos voltando, sem nem questionar porque, para a frente da TV, revendo as mesmas imagens, hipnotizadas e vampirizadas pelo tsunami emocional que as joga contra nossos piores detritos e medos.

E como estamos todos levando "caixote", nem pensamos mais em reagir. Já achamos que a vida é assim, que milhares "morreram", que é tudo uma "tragédia divina", que discernimento é "frieza", e que devemos nos solidarizar sofrendo também, exclamando "isso é terrível", repetidas vezes, diante da TV.

Isso sim, faz mal.

Lázaro Freire

http://www.voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=4&id=105

sábado, março 19, 2011

Malícia


Não foi por mal, escapuliu, escorregou e quando vi; você já tinha ouvido, e eu já tinha dito esse maldizer, mal dição, má lição, malícia!
O outro não estava lá para se defender, mas comentei assim mesmo. Todo mundo faz, não dá para evitar, quando a gente vê, já falou, na rua ou no elevador:
- Soube de fulano?
Não há nenhum mal em conversar, comentar; afinal, desde o tempo das cavernas, papear foi o que nos fez avançar estágios e criar a nossa sociedade, desde a roda em volta das fogueiras às ondas da internet. A questão de maldade, é a intenção em provocar no outro um mudar de opinião a respeito de um outrem; e quando se viu, o outro já escutou, se convenceu, foi convertido, contagiado por esse veneno que todos nós, conversa e meia, jogamos no outro:
- Ninguém é santo!
Mas não precisa ser demônio!!!

quinta-feira, março 17, 2011

SER FEITO E SER DEIXADO

No centro do meu mundo inteiro, percebo o planeta se mexendo; mas não temo, pois não tenho medo, sei que minha casa tem vida, tudo se move, tudo se finda; só a alma permanece viva, envolvida na minha conciência ativa, que se fortalece, se renova e segue.

A minha consciência não depende da matéria dessa dimensão, mas se nesse momento, ela se reveste com essa terra, é para que eu possa aprender algo com ela. Já que não sei o que dizer, nem interpretar o que estou escutando, respiro e sinto, pois apesar de ser pequeno e vulnerável, apesar de possuir um corpo sensível, delicado e fácil de ser destruído,levado; sei que quem eu sou é feito de uma matéria muito mais resistente, que é o próprio amor latente do Criador Universal.

Mesmo assim, mesmo tendo consciência de quem sou; em meio as ondas que varrem tudo, sinto no peito o impacto do temor que contagia quem se precipita em afirmar que nada há. Se precepita, pois se a terra treme e o vulcão explode e leva daqui toda essa gente (e isso nos comove, é verdade); esses acontecimentos servem também de alerta, pois toda vez que a tragédia se manifesta, a explicação que todos querem em vão, não reside em quem vai, e sim, em quem fica e continua destruindo, ao invés de seguir reconstruindo um novo tempo que se inicia.

Quem se vai, vai; seja qual for os motivos, seja qual for a razão; mas quem fica, não pode ficar catando grão de explicação, afinal, é preciso erguer as mangas da camisa da teoria e pôr em prática toda aquela espiritualidade que não serve para nada além da ação.

"Quer luz, seja luz", já diziam os sábios. Por isso, em meio ao vício de continuar assistindo as cenas da desgraça alheia se repetindo; continua a tua vida, mais alerta, mais atendo com o planeta que nos recebeu, que nada mais é do que também um ser vivendo...


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Escrevendo essas palavras, lembrei-me dessa canção do Chandra Lacombe e gostaria de compartilhar com vocês:

Crisântemos

Onde quer que eu vá
qualquer lugar
Você vai estar

Seja na beira do mar
no cume das montanhas
ou bem dentro aqui
Você se faz sentir

Mesmo que eu feche meus olhos
mesmo assim
a luz se faz intensa

Mesmo que eu tampe meus ouvidos
nem mesmo assim
deixo de ouvir tão doce melodia

Deus para mim são crisântemos
bailando ao vento

Deus para mim é mergulhar
no Infinito desse Mar de Devoção

Já não há mais Coração
que possa brilhar
tanto Amor

A Terra tremendo


Estamos, essa semana, soterrados de acontecimentos bombásticos. Tremores, Tsunamis, Explosões Nucleares... Ontem a noite , por volta de 19:40, mais um terremoto. Com tremor de magnitude 5,3, o Chile mais uma vez foi palco de momentos tensos. O epicentro localizou-se no continente, a 72 km da cidade portuária de Valparaiso e a 135 km da capital, e a uma profundidade de 24,7 km. Nada que perto do terremoto japonês de 9,0 de magnitude, ocorrido há menos de uma semana. Tão pouco se compara aos imponentes 8,8 do último terremoto no Chile. Desta vez, um calmo terremoto .... que não aponta para danos ou vítmas... apenas põe a recordar um país recém destruído, com sua economia e infraestrutura que espelham a fragilidade emocional dos seus 16 milhões de habitantes...

Estamos passando pelo olho do furacão.
É hora de estar no centro, firmando nossos lugares na Terra.


quarta-feira, março 16, 2011

CARA ROL

Nas ondas do casco de um caracol, reside o mistério de Carol,
Carolina encaracolando um eterno sorriso maior que o sol,
Ó Carol! Carol do Canto Coral! Cara rol!!!
Carol do mar, Carol da terra,
Carol do rio;
Sorrio e te digo:
Amiga da cara colada no riso,
Palhacinha da alegria, enlaçada no amor;
Você faz diferença no meu mundo;
NO meu dia,
Ó Carol, eu bem queria descrever o que vejo nos seus olhos
Que refletem o futuro;
Futuro brilhante de gente que vai longe;
Vá longe, Carol! Cara colando no sucesso; seguindo sempre adiante!
)))))


Carolina Bagnara é atriz e percusionista, além de ser minha grande amiga e companheira de jornada. Para conhecer os textos e idéias da querida Carol, acesse:
http://fundodeplano.blogspot.com/

terça-feira, março 15, 2011

Niver (WEDNESDAY)

Comemoro o meu aniversário celebrando a vida. Sim, ela é bonita, é bonita, é bonita.

É bonita, pois há tempos parei de teimar com as forças que são mais fortes que o meu entendimento. Luto, mas aceito quando é preciso mudar o rumo, pois mudou a direção do vento.

Aprendi que é preciso prestar atenção ao que se apresenta e o que se apresentou foi a certeza de que se tenho saúde mental e física, o espírito se expande além da vida, vira letra que consegue dizer tudo o que quero e tudo o que quero dizer, nesse momento da minha vida, é :

"parabéns também para você, meu amigo, meu leitor, que sempre me acompanha, nas palavras e nas crônicas! "

A lenda do povo que virou barro.



Era uma vez um menino, que nasceu meio cometa, meio rebelde; e quis correr o mundo, para descobrir o que havia de verdade, além da lenda, além do mito, além do que estava
escrito; e deixou o seu povo para tráz, mas prometeu voltar, e voltou.

Quando voltou, descobriu que o seu povo falava mais devagar que ele; não conseguiam acompanhar o seu racíocinio; nem compreender o que ele havia visto. E por mais que ele tentasse descrever, menos ainda, seu povo conseguia entender.

Passado algum tempo, ele viajou de novo. Queria descobrir uma maneira de contar ao seu povo, sobre as maravilhas do conhecimento, a arte da estrada, a sabedoria por trás dos montes; e quando pensou ter encontrado a resposta, voltou voando, para o seu norte, terra do seu povo que tanto lhe fazia falta.

Porém, ao chegar, percebeu que o seu povo estava muito mais devagar; suas vozes eram tão pausadas e lentas, que a cada palavra que eles diziam, ele poderia contar e recontar dez frases inteiras.

O menino entrou em pânico, pois percebeu que quanto mais aprendia, mais longe ficava do seu povo, e da sua cultura. Até que ele decidiu, não mais viajar, não mais conhecer o novo, e para sempre permanecer com o seu povo.

E ao ficar, ele foi voltando a falar devagar, e foi esquecendo dos tantos conhecimentos que decidiu procurar; até se esquecer completamente que um dia partiu e descobriu que aquele povo feito de barro, tinha asas e podia voar...

segunda-feira, março 14, 2011

Na casa dos outros, silêncio é ouro.

Estou aprendendo a me calar. Tarefa difícil, ainda mais quando se é professor. Porém, assim como estou aprendendo que ser professor é mais do que corrigir, também, estou estudando o calar.

É difícil ficar calado, quando vemos algo errado ou sendo feito de um jeito equivocado, talvez por despreparo,falta de informação ou ignorância mesmo; mas quando somos convidados a ouvir, silêncio é ouro na casa dos outros.

Há muita sabedoria na frase "em Roma, faça como os romanos", pois quando participamos de qualquer festa, evento, ritual ou palestra, precisamos calar o nosso "falador" que deseja corrigir a todos o tempo inteiro.

É quase impossível conter o nosso ego controlador, mas se fizermos isso, conseguiremos compreender a linguagem além da linguagem, e conseguiremos sair desse local, levando conosco algo além da nossa arrogância em querer mostrar que o outro não sabe do que fala, nem o que faz.

domingo, março 13, 2011

Dever de casa: Lembrar!



Estamos aqui para lembrar,é isso!

Lembrar na carne, ter coragem de afastar as cortinas da ilusão em plena realidade e espiar as maravilhas da criação sendo manifestadas em nós mesmos, aqui e agora, para todo o sempre, amém. Despertar para lembrar é dever de casa, lição da Terra. Duvida? Não tem problema, cada um no seu ritmo, no seu lema, fica aí, que eu já vou!

Eu tenho amigo que não quer lembrar, ele diz que se tivéssemos mesmo que recordar algo, teríamos nascido já com essa lembrança. De certa forma, ele tem razão, só fica sem ela, quando o lembro que se seguirmos mesmo com essa lógica, poderíamos também dizer que se tivéssemos que ter dinheiro, teríamos também nascidos ricos. No pain, no gain, my dear! Sem esforço, sem bolo! Pois para ter lembrança plena de quem somos ou ao menos, do nosso potencial na carne é preciso recordar o nosso potencial original.

É claro, temos todo o direito de continuarmos com o lema : ignorância é benção; mas chega um tempo em que essa relutância em perceber o que se descortina passa da ignorância para a covardia. Trato disso com conhecimento de causa, já fui covarde da verdade, hoje busco me desfazer das mentiras que inventei para mim mesmo, por isso, busco coragem e força para continuar essa jornada de conhecimento de mim mesmo, e o faço, não para ganha o céu, mas para ter uma vida consciente na Terra, afinal, harmonia e equilíbrio são frutos que colhemos quando plantamos conhecimento e afastamos o medo de crescermos e nos tornarmos mais atuantes nesse processo de co-criadores desse tempo chamado existência.

sábado, março 12, 2011

Regras para ser humano


por Twyla Nitsch

1. Você receberá um corpo.
Pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante essa rodada.

2. Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal, de período integral, chamada vida. A cada dia, nessa escola, você terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar das lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas.

3. Não existem erros, apenas lições. O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação.
As experiências que não dão certo fazem parte do processo, assim como as bem sucedidas.

4. Cada lição será repetida até que seja aprendida.
Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha aprendido. Quando isso ocorrer, você poderá passar para a seguinte.
O aprendizado nunca termina.

5. Não existe nenhuma parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições para aprender.

6. “Lá” não é melhor do que “aqui”. Quando o seu “lá” se tornar em “aqui”, você simplesmente encontrará outro “lá” que parecerá novamente melhor do que o “aqui”.

7. Os outros são apenas seus espelhos. Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.

8. O que fizer de sua vida é responsabilidade sua.
Você tem todos os recursos de que necessita. O que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.

9. As respostas estão dentro de você.
Tudo o que tem a fazer é analisar, ouvir e acreditar.

10. Você se esquecerá de tudo isto!




(Twyla Nitsch, Anciã da tribo Seneca)

sexta-feira, março 11, 2011

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Nesse momento, enquanto você olha para a tela do seu computador, forças do astral circulam a sua volta, ondas das mais diferentes passam através da sua sintonia, querendo ser captadas, percebidas, sintonizadas - cuidado com a rádio da sua alma! - ondas que esperam uma passagem para entrar por seus portais.

Não se assuste!

Sempre foi assim e sempre será.

Não acredita, então ouse investigar a sua mente, e separe o que é seu, o que veio de outra gente, ou você pensa que cada pensamento diferente é mesmo coisa da sua cabeça?

Não se assuste!

Olhe com o canto do olho e repita o mantra da LUCIDEZ e da CIÊNCIA e perceba se o armário continua armário ou mudou de signo; escute as vozes dos seus amados ou colegas de trabalho, e me diga: elas são sons ao vento ou possuem um certo significado para você? Olhe pela janela, o mundo todo parece fluir diretamente para você ou você teve apenas um ataque de ego?

Não se assuste!

Eu estava apenas brincando...

Não há nada a sua volta, nem há outra coisa além do que você pensa haver.

quinta-feira, março 10, 2011

Serenidade Sempre



















- Por Joanna de Ângelis -

Todo homem sábio é sereno.
A serenidade é conquista que se consegue com esforço pessoal e passo a passo. Pequenos desafios que são superados; irritação que se faz controlada; desafios emocionais corrigidos; vontade bem direcionada; ambição freada, são experiências para a aquisição da serenidade.
Um Espírito sereno já se encontrou consigo próprio, sabendo exatamente o que deseja da vida.
A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de forma agradável para os circunstantes. Inspira confiança, acalma e propõe afeição.
O homem sereno já venceu grande parte da luta.
Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação, ao desequilíbrio.
Mantém-te sereno em todas as realizações.
A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar fora por motivos irrelevantes.
Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a pessoa.
Tua serenidade, tua gema preciosa.
Diante de quem te enganou, traindo a tua confiança, o teu ideal, ou envolvendo-te em malquerença, mantém-te sereno.
O enganador é quem deve estar inquieto, e não a sua vítima.
Nunca te permitas demonstrar que foste atingido pelo petardo da maldade alheia. No teu círculo familiar ou social sempre defrontarás com pessoas perturbadoras, confusas e agressivas.
Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam. Constituem teste à tua paciência e serenidade. Assim exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo evolutivo, sempre, porém, com serenidade.

(Texto recebido espiritualmente pelo médium Divaldo Pereira Franco – Extraído do livro “Dimensões da Verdade” – Editora LEAL).

- Nota de Wagner Borges: Joanna de Ângelis é uma mentora espiritual que passa textos conscienciais pela mediunidade sadia de Divaldo Pereira Franco, o excelente médium baiano. Os seus textos se revestem de forte cunho psicológico, levando o leitor a mergulhos conscienciais profundos e a reflexões salutares. Vale a pena mergulhar em seus escritos, pois são de alto nível e revelam muito do que rola dentro dos seres humanos e no universo de seus pensamentos, sentimentos e energias. Para ler outros excelentes textos dessa sábia amparadora extrafísica, basta entrar na seção de busca por palavras do site e clicar o seu nome. Daí, surgirão diversos textos dela postados em várias ocasiões pelo nosso site.

Fonte: www.ippb.org.br

quarta-feira, março 09, 2011

Prosperidade e Bagunça




Você me chamou, eu vim! Porém, é assim que me recebe? Como espera que eu circule livremente?

Sou força livre, preciso de espaço; não entro nas casas fechadas, dessarrumadas, quebradas. As minhas energias são bloqueadas por janelas tortas, pelo amontoado de tralhas, tranqueiras jogadas, caixas, lixo acumulado que se guarda para usar algum dia.

Meu nome é prosperidade, mas só entro e permaneço na residência de quem se acerta, se limpa e cura a si mesmo. Água vaza em jarro rachado, prosperidade não flui no caos. Não basta me chamar, é preciso estar preparado para me receber, para suportar as minhas demandas, que é uma só: casa limpa!

Seja mais esperto, pare de sofrer com os bloqueios que você mesmo causa em você. Renove-se. Jogue fora o que não serve. Mude, antes que a vida mude você!

E não perca o seu tempo me evocando enquanto você não aprender a lição mais básica de quem deseja ser prospéro: trabalhe!

terça-feira, março 08, 2011

SAVITRI

Fim de tarde. Enquanto muitos pulavam carnaval nos clubes da vida, eu seguia em direção a locadora para entregar os filmes que tinha assistido com a esposa no fim de semana. Nada contra a festa brasileira ou as escolas de samba desfilando na avenida, mas curtir um bom filminho com pipoca e refri, vale mais a pena, na minha opinião.

Entre o próximo passo e o papel que voava sendo levado pelo vento, vi numa tela de TV à minha frente: uma mulher semi-nua exibindo o seu lindo corpo na avenida.

Entre o pensamento "gostosa" alterando as vibrações da minha líbido e a sensação de ridículo de estar ali parado olhando a peladona; percebi um raio de sol de fim de tarde tocando a minha testa e eu comecei a sentir uma energia diferente me envolvendo, mais sutil, mas éterea.

Era uma sensação de feminilidade. Não sei explicar, mais naquele momento uma parte minha, até então esquecida em algum lugar da minha consciência foi ativada e despertou uma energia mais terna, delicada e ao mesmo tempo firme.


Eu não era mais apenas homem, mas parte também daquela energia feminina que transmitia amor e parecia estar em todo lugar.

Percebi que essa energia sempre esteve dentro de mim e senti uma vergonha enorme em ser homem e estar sendo guiado apenas pelo tesão despertado por uma imagem numa tele de TV.

Senti o quanto a imagem da mulher era vergonhosamente explorada por nós homens e que mesmo em tempos modernos, por mais que aceitavámos a independência e igualdade da mulher, no fundo todos nós, homens, tinhamos ainda a semente machista cultural de olhar uma mulher só com os olhos do desejo e do interesse.

Passamos toda a vida sem sequer nos darmos conta do quanto a energia feminina equilibra esse mundo tão (yang) masculino.

Desde criança fui ensinado que deveríamos admirar uma mulher pelo seu traseiro e pelo tamanho dos seios, que a mulher antes de casar era apenas para transar e depois de casada nada seria a mais que a "empregada do lar"; nunca me ensinaram a perceber a beleza do feminino no brilho do olhar, na habilidade de fazer muitas coisas e ainda assim a cada coisa brilho único dar.

No fundo do meu peito, tive vergonha do ser "um homem" e da forma como a mulher era tratada no ocidente através da sexualidade, e no oriente, pela submissão. Entre a moça nua do carnaval e a muçulmana vestida da cabeça aos pés, com uma túnica preta em algum lugar do algum país que termina com "kstão", senti o quanto tratamos mal a imagem e a energia feminina em nosso mundo.

Pensei em minha mãe, na minha mulher, na minha irmã e na minha futura filha. Pensei em todas as mulheres que eu conhecia e no quanto significavam pra mim. Pensei em quantas mulheres faltei com respeito e tratei com desprezo. Senti vergonha da minha criação machista, das tantas vezes em que repeti pra mim mesmo que certos trabalhos eram coisa de mulher e indigno para um homem, senti vergonha das conversas de bar de minha juventude em que repetia aos amigos como seduzira e "comera" aquela menininha que nem me lembro mais o nome. E chorei, chorei por ser esse homem incapaz de reconhecer a energia feminina em mim.

Compreendi que a lei da reencarnação é sábia ao reencarnar o machão num corpo delicado de uma menina. E que a separação de sexo na verdade não existia, pois éramos todos luz, consciência e partes de um grande Deus que também era Deusa.

Eu não deveria ser mais um homem e sim o homem. E esse homem precisava entender que existe a diferença entre apreciar a beleza de uma mulher e desrespeitá-la.

Foi então que no fundo do meu coração, senti que havia um leve sussurrar e eu parecia ouvir baixinho no ritmo das batidas do coração um mantra: Savitri *! Savitri!

Repeti o mantra e mergulhei na face feminina de Deus. Imagens vieram em minha cabeça e percebi que Deus em sua infinita sabedoria deixava-se manifestar mulher tanto quanto homem, para que seus filhos queridos pudessem entender que não há diferença entre sexos, pois Ele é tão Deus quanto Deusa, desde os tempos mais remotos quando o ser humano passou a compreender que havia algo além do mundo fisíco: do culto antigo Celta a Grande Mãe, nas personificações das deusas hindus Saraswatti, Lakshimi e Parvati; na compaixão de Kwan-yn na China, na sabedoria e mistério de Isis no antigo Egito; nas crenças católicas das muitas faces de Maria, na bruxaria e nos cultos ao feminino espalhado por todo o planeta. Não importava o local ou a época, sempre haveria a manifestação divina na forma feminina para provar aos homens, que o culto e a crença não deveria ser voltado apenas para a forma de homem barbudo e sisudo que tanta religião pinta.

Então ouvi uma voz:

" Não sinta vergonha de ser homem e agir da maneira que age. É assim que se deve ser, até você entender o significado das palavras desejo e respeito.

Entenda que sentir desejo é natural, mas respeitar e conter a libido desenfreada é um passo evolutivo.

A admiração por um corpo feminino é natural, mas a obsessão por sexo é doentia.

Desejar é natural, mas entender o desejo e não ser consumido por ele é um passo evolutivo.

Você é um homem, yang, sol em toda a sua intensidade e força, mas equilibrar-se com a energia terra, Yin, lua em todo o seu mistério é um passo evolutivo.

Homem e mulher se completam na mais perfeita combinação energética e espiritual, onde a soma dos dois, resulta numa única energia equilibrada e iluminada.

O perfeito equilíbrio entre essas energias é o objetivo do homem e da mulher no seu plano de existência, mas negar essa energia ou exagerá-la é desvio do seu real caminho.

Não seja moralista com as suas idéias e anseios, porém, jamais deixe que o seu ser masculino apague a lembrança que o feminino está em você como a bela que doma a fera, como a leoa que protege a cria. Um homem é muito mais homem se emocionando com os chutes do bebê na barriga da mãe do que brigando no trânsito.

Manifesto-me em você pelas suas lágrimas;

Manifesto-me em você pelo brilho em seus olhos;

Manifesto-me em você pelo sorriso;

Manifesto-me em você pela sua sensibilidade;

Manifesto-me em você pela compaixão;

Eu sou todas e não sou nenhuma. Eu sou a Maria da rua e a dondoca chique da alta sociedade. Eu sou a mãe, a amante e a filha. Sou a executiva, a dona de casa e a prostituta. Eu sou a Deusa, sou Nossa Senhora, sou Kwan-yn, sou Isis, mas no fundo sou apenas SAVITRI.

Eu vou te segurar pelas mãos toda vez que você fraquejar.

Eu vou confortar o seu coração quando sentir solidão.

Eu vou te carregar nos braços quando você cair e se machucar.

Pois eu sou a mãe, o amor e a vida "

Então, o brilho cessou, e a imagem da TV continuava lá, com a moça e suas sinuosas curvas, mas meus olhos se encheram d'água. Eu não sabia o que tinha ocorrido, mas sentia que havia um estranho brilho nos meus olhos e no meu coração e esse brilho se chamava SAVITRI. E por alguns segundos pude sentir essa energia que cria a vida beijar a minha face.

Uma velhinha com um carrinho de compras passa ao meu lado e resmunga com a cara de indignada pra mim: “Seu tarado!".

Eu rio.

O papel continua sendo levado pelo vento, as pessoas continuam pulando carnaval no clube, mas ali na Liberdade, aquele sujeito com as fitas de vídeo na mão, em plena terça de carnaval, descobrira que em sua essência, ele não era homem, nem mulher, mas apenas luz. Que não havia nada de errado no tesão, na sacanagem; desde que houvesse respeito por esse ser que no homem desperta ao mesmo tempo tanto desejo quanto o amor que multiplica a vida.

Definitivamente, sentir a energia da mulher com SAVITRI no olhar é neti, neti**.


Frank


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* SAVITRI: Lenda indiana sobre uma princesa que tinha um brilho no olhar tão forte que colocava medo na morte. O nome significa algo como "Força do Sol" ou brilho cintilante. Também é nome de um poema de Sri Aurobindo:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=4590

** Neti-neti : Muitos traduzem como nem isso, nem aquilo. Algo que é difícil de ser explicado, principalmente quando tentamos descrever Deus, Brahman, O TAO, e os tantos nomes que colocamos para a mesma Força de Amor que nos dá vida.

segunda-feira, março 07, 2011

Ego - O Falso Centro

Por OSHO

O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.

Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.

Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu. Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.

Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma. Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.

Por meio da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.

E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.

Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.

O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.

O verdadeiro só pode ser conhecido por meio do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido por meio da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Por meio desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.

O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.

Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.

Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...

Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.

A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível. E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.

Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.

O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção. Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta. É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.

Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Por meio do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo.

Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.

Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.

Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...

Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.

Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.

E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.

Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.

Precisamos ser ousados, corajosos.

Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limites ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é o que voçê verdadeiramente é.

Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.

É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...

O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?

O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa?

E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...

E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.

Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.

domingo, março 06, 2011

Dia da Lua

Não vou esperar para te ver a noite, Lua,
pois hoje é o seu dia;
porém desconfio
que quando a Lua celebra seu dia,
a noite fica clara e o dia
fica repleto de estrelas.

Feliz aniversário, Lua !
Que seu luar
Seja sempre cheio de sorriso;
Para continuar inspirando esse poeta
Que deseja que a cada dia
Voce renove o seu brilho!

sábado, março 05, 2011

UM POR UM

"É preciso ter coragem de seguir o caminho reto, pela virtude em si, não pela promessa de paraíso eterno"

Se algo não esta dando certo, por que continuar? Ah, é complicado, você responde, descomplica, eu te digo! Menino, para de bobeira, vai ser feliz! Por quanto tempo você vai viver de aparência?

sexta-feira, março 04, 2011

Charm

Outra experiência espiritual! O que me resta senão escrever...

Mas o encanto é mais forte que a letra, antes que eu escreva a segunda palavra, já terei esquecido a primeira.

Vou tentar...

Se bem que por mais que eu tente, ainda assim, será evidente, que o encanto não permitirá que eu revele a você o que ocorreu em mim. O encanto, é das forças, a mais poderosa!!!

Não luto com essas forças, respeito todas elas, afinal, aceitar que certas verdades nunca serão ditas, nem certos mistérios serão revelados, é compreender a magia que nos faz menor e ao mesmo tempo do mesmo tamanho da vida.

Se insisto na escrita de certas experiências que não podem ser descritas é apenas uma tentativa minha de manter acesa a chama do meu deslumbramento frente as maravilhas que se descortinam perante aos meus olhos, nas coisas do dia a dia.

Por isso, não me culpem pela falta de um conteúdo que possa deslumbrar os seus olhos ou te dar inspiração para escrever e também em você, o Divino procurar. A culpa é do escritor que se apossa das minha mãos, controla a minha mente; ele quer compartilhar o que senti, como se sentimento espiritual pudesse ser descrito, não pode! Eu sei, mas mesmo assim, ele insiste em tentar; e como não sou tão forte assim para resistir, entrego as mãos, só exigindo uma condição: escreva, escritor de mim, mais com coração!

Que loucura!

Sim, ser escritor é abraçar a loucura dos alquimistas: fazer o chumbo que produzimos em frases se tornar ouro em poesia!

Mas vamos ao que interessa: você quer saber que experiência foi essa que não consigo descrever, não é?

....

Sinto muito leitor, vou deixar você nos olhos, na mão!

Não posso descrever o que aconteceu comigo, pois acabaria tentando te convencer que tudo o que senti é o que há; e o que há, é muito maior que a minha versão, por isso, te peço paciência, caro leitor, para esperar, um dia vou te contar, até lá, só me resta palavrear e transformar o real que vivi em mais uma ilusão...

quinta-feira, março 03, 2011

Dialógo Entre Exu e Oxalá

O céu e a terra fundiam-se no horizonte distante, parecendo uma coisa só, como se não houvesse separação entre o mundo espiritual e o material, a consciência individual e a cósmica.

Sentado sobre uma pedra em uma enorme montanha, de cabeça baixa e olhos apenas entreabertos, Exu observava o fenômeno da natureza e refletia sobre o seu interminável trabalho.

Como é difícil a humanidade – pensou em certo momento – parece nunca estar satisfeita, está sempre querendo mais e, em sua essência egoísta desarmoniza tudo, tudo... Tudo que era para ser tão simples acaba tão complicado.

Com os olhos habituados a enxergar na escuridão e na distância, Exu observou cada canto daqueles arredores. Viu pessoas destruindo a si mesmas através de vícios variados, viu maldades premeditadas e outras praticadas como se fossem atos da mais perfeita normalidade. Viu injustiças, principalmente contra os mais fracos e indefesos. Com seus ouvidos, também atentos a tudo, ouviu mentiras, palavras de maledicência, gritos de ódio e sussurros de traição.

Exu suspirou.

Serei eu o diabo da humanidade? – pensou ironicamente, ao lembrar o quanto era associado à figura do demônio. Passou horas observando coisas que estava habituado a ver todos os dias: mentiras, fraudes, corrupção, traições, inveja, e uma gama enorme de sentimentos negativos.

Foi quando estava imerso nesses pensamentos que Exu ouviu uma voz ao seu lado, dizendo naquele tom austero, porém complacente:

Laroyê, Senhor Falante.

Exu ergueu os olhos e vislumbrou a figura altiva de Oxalá.

Èpa Bàbá – respondeu Exu, fazendo um pequeno movimento com a cabeça, em sinal de respeito.

Noto que está pensativo, amigo Exu – falou Oxalá.

Exu respirou fundo, contemplou novamente o horizonte e respondeu:

Trabalhamos tanto... e incansavelmente, mas os homens parecem não valorizar nosso esforço.

Oxalá moveu os lábios para dizer algo, mas antes que isso acontecesse, Exu, como que prevendo o que seria dito, continuou:

Não falo em tom de reclamação, sou um trabalhador incansável e o amigo sabe disso. É com prazer que levo o que tem ser levado e retiro o que deve ser retirado. É com satisfação que abro ou fecho os caminhos, de acordo com a necessidade de cada um, é com resignação que acolho sobre minhas costas largas a culpa do mal que muitos espíritos encarnados e desencarnados fazem, não reclamo do meu trabalho. Sou Exu, para mim não existe frio ou calor, cansaço ou preguiça, existe apenas a necessidade de cumprir a tarefa para qual fui designado.

Se mostra tão resignado e, no entanto, parece que deixa-se abater pelo desânimo – comentou Oxalá, apoiando-se em seu paxorô.

Exu soltou uma gargalhada, ao que Oxalá deu um leve sorriso, com um movimento quase imperceptível no canto direito dos lábios.

Não sou resignado nem tampouco estou desanimado – falou Exu – estou pensativo sobre pouca inteligência dos homens. Veja só: como responsável pela aplicação da Lei Cármica observo muita coisa. Observo não apenas o sofrimento que alguns homens impõem a si mesmos, mas vejo também as incessantes oportunidades que o Universo dá a cada um dos seres que habitam a Terra. O aprendizado que tanto precisam lhes é dado por bem, mas quase nunca enxergam pelo amor, então lhes é dada a oportunidade de aprender pela dor, mas geralmente só lembram a lição enquanto a dor está a alfinetar sua carne. Com o alívio vem o esquecimento e todos os erros e vícios voltam a aflorar.

Oxalá fez menção de dizer algo, mas com o dedo em riste entre os lábios, novamente Exu o impediu de falar.

Ouça – disse Exu, colocando a mão em concha na orelha, como se ele e Oxalá precisassem disso para ouvir melhor. E ambos ouviram o som que vinha da Terra. O som da inveja, dos maus sentimentos, da maledicência, da promiscuidade, da ganância. Exu deu outra gargalhada e disse:

Percebe? Temos trabalho por muitos séculos ainda.

E isso não é bom? – perguntou Oxalá, que dessa vez não deixou Exu responder e continuou:

Pobres homens, ignorantes da própria grandeza espiritual e da simplicidade do Universo. Se não desconhecessem tanto o funcionamento das coisas, seriam mais felizes.

Não estão preocupados em discernir o bem do mal – resmungou Exu.

E você está, Senhor Falante? – tornou Oxalá.

Mais uma vez Exu gargalhou.

Para mim não existe o bem ou o mal. Existe o justo, bem sabe disso.

Então por que tenta exigir esse discernimento dos pobres homens?

Eu conheço os caminhos – respondeu Exu um tanto irritado – para mim não existem obstáculos, todos os caminhos se abrem em encruzilhadas. Para mim as portas nunca se fecham e as correntes nunca prendem. Conheço o sutil mistério que separa aquilo que chamam de bem daquilo que chamam de mal. Não sou maniqueísta, não sou benevolente, pois não dou a quem não merece, mas também não sou cruel, pois sempre ajo dentro da Lei. Os homens, coitados, acreditam na visão simplista do bem e do mal, como se todo o Universo, em sua “complexa simplicidade” se resumisse apenas entre o bem e o mal.

Pobres homens – repetiu Oxalá.

Pobres homens – concordou Exu – mesmo olhando o Universo de uma forma tão simplista, dividido apenas entre bem e mal, acabam sempre demonizando tudo, achando que o mal é o melhor caminho para conseguir o que desejam ou então acreditam que são eternas vítimas do mal. E o que é pior, quase sempre eu é que sou o culpado.

Mas é você o responsável pelo mal? – perguntou Oxalá, admirando o horizonte.

Sou justo, apenas isso – respondeu Exu.

Não seria a justiça uma prerrogativa de Xangô? – tornou o maior dos orixás.
Exu olhou fundo nos olhos de Oxalá e respondeu:

Estou a serviço do Universo, de cada uma das forças que o compõe, inclusive do Senhor da Justiça.

Isso significa que trabalha em harmonia com o Universo, caro Exu?
Imaginei que soubesse disso – respondeu Exu, irônico como sempre.

Acho que sempre soube. Quando observo o horizonte e vejo o céu fundindo-se à Terra, percebo o quanto o material pode estar ligado ao espiritual. Mas também lembro que o sol vai raiar e acredito que apesar de todas as dificuldades que os próprios homens criam, é possível acender a chama da fé em seus corações. Percebo o quanto eles são falhos, mas percebo também o quanto são frágeis e precisam de nós – e nesse momento pousou a mão sobre o ombro de Exu – sejam dos que trabalham na luz ou na escuridão, pois tudo faz parte do Uno e se inter-relacionam. O mesmo homem que hoje está nas profundezas mais abissais, amanhã pode ser o mensageiro da luz.

Exu olhou para os olhos de Oxalá, como se não estivesse concordando, mas dessa vez foi Oxalá quem não deixou que o outro falasse, prosseguindo com sua narrativa:

Se não fossem os valorosos guardiões que trabalham nas regiões trevosas, dificilmente os que ali sofrem um dia alcançariam o benefício da luz. Se houvesse apenas a luz, não haveria o aprendizado, que tem como ponto de partida o desconhecimento, as trevas. O Universo tão simples é ao mesmo tempo tão inteligente, que mesmo nós, que observamos os homens a uma distância grande, às vezes nos surpreendemos com sua magnitude. Os homens são frutos que precisam amadurecer e você, amigo Exu, é a estufa que os aquece até o ponto certo da maturação e eu sou a mão que os colhe como frutos amadurecidos.

Quem diria que trabalhamos em harmonia? – disse Exu em meio a um sorriso – acreditam que vivemos a digladiar quando na verdade trabalhamos em busca de um mesmo objetivo: o aprimoramento da raça humana.

Oxalá só não soltou uma gargalhada porque não era esse seu hábito (e sim o de Exu), mas disse sem conseguir esconder o contentamento:
Então, companheiro Exu, não temos porque lamentar. A ignorância em que vivem os homens é sinal de que ainda temos trabalho a realizar. A pouca sabedoria que possuem significa que ainda estão muito próximos ao ponto de partida e cabe a nós, não importa se chamados de “direita” ou “esquerda”, auxiliá-los em sua caminhada, que é muito longa ainda. Apenas contemplar as mazelas dos corações humanos não irá auxiliá-los em nada. Sou a luz que guia os olhos da humanidade e você é o movimento que não a deixa estática. Se pararmos por um segundo sequer, atrasaremos em séculos e séculos o progresso da raça humana, que tanto depende de nós.

Nesse momento o sol começou a raiar timidamente no horizonte, separando o céu e a Terra. Exu levantou-se da sua pedra e se pôs a caminhar montanha abaixo.

Aonde vai, Senhor Falante? – perguntou Oxalá, como se não soubesse.

Vou trabalhar, Senhor dos Orixás – respondeu Exu gargalhando novamente – Esqueceu que sou um trabalhador incansável e que trabalho em harmonia com o Universo, mesmo que ele me imponha a luz do sol?

Oxalá não respondeu, mas esboçou um sorriso tímido. Assim trabalhava o Universo: sempre em harmonia. Os homens, mesmo ainda presos a tantos conceitos primários, trilhavam os primeiros passos em direção ao progresso, pois não estavam órfãos de seus orixás e protetores.

Pelo Templo Tião D'angola e Boiadeiro Sete Porteiras.

quarta-feira, março 02, 2011

Canções e Fantasmas

Certas canções não envelhecem nunca, trazem lembranças que o vento não consegue apagar e com essas lembranças, essas canções fazem surgir novamente certos fantasmas que não queremos ver ou ouvir vagando pelos quartos do nosso coração.

Essas canções nos perseguem, tocam na jukebox da nossa mente, sem precisar de moeda ou ordem; ecoam por vontade própria, como se obedecessem alguma disk jokey, que não escuta a nossa vontade; demandando a nossa atenção, abrindo as nossas gavetas mentais e mostrando que há algo escondido embaixo da ordem dos sentimentos passados e organizados.

E sempre há algo lá esperando a nossa consciência. Esse algo parece ter vida própria e vai aumentando o seu poder de roubar o nosso controle sobre nossos sentimentos em relação aos fantasmas passados e as experiências não devidamente aprendidas com eles.

Diante disso, fingimos que não é com a gente e ignoramos o que a canção despertou. Ignoramos, até o momento, em que a canção passa a tocar sem parar e o que era, até então, um esqueleto escondido no armário, agora, já criou corpo, carne e osso, e vai tentar nos controlar, e vai pouco a pouco, nos devorando, aumentando e crescendo o controle sobre o nosso mundo emocional.

Não há muita coisa que podemos fazer para calar essas canções, mas podemos estudá-las e compreender que elas tocam por uma razão, e ao estudá-las, com respeito e cautela, podemos descobrir muito mais sobre nós mesmos e conseguir, se não controlar, ao menos, gerenciar os nossos fantasmas internos, para que eles não nos tirem do rumo que escolhemos para trilhar as nossas vidas e parem de nos assustar.

Imagem: reprodução

terça-feira, março 01, 2011

CATANDO GRÃO

Quando ele me contou que eu estava catando grão, eu ri da cara do sujeito, afinal, sou passarinho, não sou galinha, e quem cata grão pelo chão é quem não tem asas para catar o que precisa pelo ar; mas ele reafirmou que estavámos aqui para catar grão...grão de energia.

Para que eu preciso de grão de energia, perguntei; ele respondeu: para não se dissolver quando você morrer!

" A nossa consciência é mais leve que o vento, sem energia concentrada, não há foco e nos dissolvemos em qualquer coisa quando morremos - ele disse - Se tivermos grãos de energia suficiente, teremos força para manter a nossa concentração, do contrário, voltamos a ser tudo e nada ao mesmo tempo!"

- E o que são esses grãos de energia?" perguntei!

- A experiência que absorvemos quando concluímos os nossos ciclos de aprendizado! Essa experiência vira energia que se transforma em força mental; e essa força mental, é absorvida pelo espírito da vida da qual somos feitos, e com isso, ao invés desse espírito da vida se dissolver em qualquer coisa que o atraia, conseguiremos seguir com a consciência intacta, até o momento, em que renascermos de novo em corpo de alma.

- Corpo de alma?

- Sim, tudo o que acontece do lado de lá, acontece cá; e vice-versa! Morrer e nascer são apenas portais para as diferentes realidades em que a nossa conciência de manifesta. Tudo muito natural e simples; o único problema é o tempo entre-mundos, que pode durar uma eternidade, se não tivermos os grãos de energia necessários para nos manter conscientes durante todo o processo de passagem.

- Acho que prefiro acreditar nos pontinhos positivos no céu, que eu ganho na minha igreja, quando a frequento...esse negócio de grão de energia é conversa de sonho...

Foi só dizer isso que ele desapareceu e eu acordei...era tudo comida de sono!!!


Imagem: http://soniaporto.zip.net/images/imagem_Pavoa_branca

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