terça-feira, outubro 19, 2010

Horário de Verão: Odeio

Sei que é uma palavra muito forte, mas eu odeio o horário de verão! Ommm...que nada, já sou uma pessoa calma, não maldigo por qualquer bobagem, mas experimenta perguntar para quem precisa acordar cedo e dormir tarde, se o horário de verão é uma boa idéia, e ele, provavelmente, vai te responder com quatro pedras: NÃO!!!!

Ok, vamos economizar energia, os brasileiros terão uma ilusão bacana que o dia ficou longo e podem aproveitar mais a vida. Porém, esqueceram de contar para os passarinhos, para os galos e para esse menino que começou esse horário dos infernos, e agora até fevereiro, vou dormir mal e passar todo o dia com sono. Não há cafeína que dê jeito, mas talvez, haja uma solução: ignorar o horário de verão!

Meu avô sempre fez isso. Para ele há o horário novo e o horário antigo. Posso fazer o mesmo. No meu caso, basta considerar que o mundo resolveu acordar mais cedo, talvez, para escapar do trafégo ( muita gente já faz isso) ou para ter mais tempo para si mesmo. Vou fingir que todos os meus estudantes me pediram para a aula começar antes e vou comemorar o fato de que vou chegar em casa há tempo de ver a novela ou o jogo do cruzeiro.

Sei que dá na mesma, sei que é apenas uma auto-enganação, mas quem sabe assim, eu tenha a ilusão que sou o dono do meu próprio tempo e não tenho que me submeter a uma decisão coletiva para seguir os ponteiros da minha vida.


segunda-feira, outubro 18, 2010

HEY MA DURGA: EPARREI!

Outra gripe! Sou esponja de vírus. Desde que tomei a vacina contra a gripe suína, vou pegando tudo que é gripe sãopaulina. Resisto, luto; sei que o melhor remédio é vitamina C e... mantra.

Queria a cama, mas Auri insistiu: " vamos nesse espaço que inaugurou faz alguns meses. Eles terão um evento com dança e mantras para as Mães Divinas. Vamos?"

Fomos!

O corpo doia, a voz estava quase sumindo, mas bastou entrar naquele lugar para eu começar a me sentir melhor. O Espaço Luzeiro fica numa casa no bairro da Aclimação, em Sampa, ao lado do Parque de mesmo nome, não tão longe de casa; o cheiro do incenso e a atmosfera de paz do lugar acalmou os meus nervos e foi pouco a pouco diminuindo minha vontade de em casa estar.
O evento começou e fomos embalados pelo som da música indiana e pela dança das meninas, que deixavam bem claro, nem precisa ir pra India ; já fui! E posso dizer que já ví muito mais coisa bonita representando a cultura indiana por aqui mesmo. Então, logo depois, começaram os mantras para as Mães Divinas:

Sarasvati, a deusa hindu da sabedoria, das artes e da música;
Lakshmi, a deusa da beleza, da fartura e da prosperidade;
Parvati, a deusa do contentamento, do prazer, da alegria, do amor, e da disciplina interior; que também é representada em outras duas faces: Durga ( a guerreira protetora de lei e da ordem - o Dharma - e a destruidora do mal) e Kali (a temida).

Em meio ao canto devocional para Parvati e sua forma mais guerreira, Durga, fechei os olhos e ví essa mulher em cima de um tigre, com seus quatro braços e símbolos tipicamente indiano, e sai do protocolo, alterei a linha, e vi a imagem da deusa Hindú ir se transformando pouco a pouco em Iansã, a guerreira africana, cultuada pelo Candomblé e pela Umbanda. Ao ver a imagem das duas deusas se misturando, eu já não sabia se cantava para Durga ou se cantava para Iansã, e em meio ao "Hey Ma Durga" e o "Eparrei, Iansã!", a imagem novamente se transformou e vi Joana D'Arc na França; Hatshepsut, a primeira Faraó do Egito; a Rainha de Sabá do Oriente Médio e outras tantas mulheres na história, que mesmo em tempos de guerra e cólera, mostraram suas espadas e lutaram por suas causas. Vi também minha esposa, minha mãe e a minha irmã, e outros tantas mulheres fortes que passaram pela minha vida. E quando o mantra acabou, percebi que ficou no ar, um sentimento do mais profundo agradecimento a essas mulheres.

Tudo aquilo parecia uma grande viagem, um delírio, talvez fosse, não duvido; porém, dei-me conta que ao cantar para Durga, estava também cantando para todas essas mulheres guerreiras, que não vivem à sombra dos homens, nem por isso, são menos femininas.

Mulheres de mil faces, de mil qualidades que todos os homens deveriam aprender a respeitar.Para saber mais sobre o espaço Luzeiro:
(11) 5599 3496

domingo, outubro 17, 2010

TEACHERS DON´T CRY

- Excelência! - disse ela - Eu só posso pensar nessa palavra para descrever a maneira como o senhor ensina.

Professores não choram! Professores não choram!

Outro sábado, mais uma aula. Poderia estar dormindo, descansando, mas essas meninas valem a pena, o esforço...que esforço? Nenhuma pena! Amo o que eu faço, adoro a idéia de poder contribuir para o conhecimento dessas pessoas. Cada sábado é uma festa.

Enquanto sigo explicando as novas palavras, mostrando como a gramática servirá para a construção da comunicação em seus trabalhos, chamando a atenção para a importância de aprender uma segunda língua; percebo os olhos de cada uma delas brilhando.

É cedo, eu sei, elas estão ainda imersas em sono, eu tenho ciência; mas pouco a pouco, elas vão se interessando, ouvindo, processando, anotando, aprendendo e gostando. Trinta minutos depois, ninguém mais se lembra que é sábado, o que é sono, só o que é ensino.

Uma delas, muito querida, certa vez, confessou-me no final de uma aula:

" Teacher, devo admitir o quanto aprender essa língua é difícil para mim, porém, queria te dizer que já aprendi algo bem importante com o senhor: aprendi a gostar de estudar inglês."

Professores não choram! Professores não choram!

A aula de sábado continua. Em certos momentos, muitas delas se mostram confusas, balançam a cabeça dizendo que entenderam sim, mas seus olhares dizem que entenderam não; explico de novo, explicaria mil vezes, um milhão; até ter certeza que elas compreendem, que assimilaram, que não voltarão para casa do mesmo jeito que na classe chegaram. E quase sempre, percebo, no final da aula, que elas estão diferentes, mais confiantes, crentes que conseguirão falar inglês, talvez não tão cedo quanto a ansiedade delas deseja, talvez não tão tarde quanto as tentativas frustradas de outrora as fizeram acreditar; no tempo certo, no ritmo adequado, o aprendizado será afetivado, naturalmente, como qualquer outra habilidade aprendida.

Mônica levanta a mão direita, quer falar, pede licença, e diz que tem algo a dizer que não pode esperar:

" Algo aconteceu aqui na classe, e eu vou pedir para a Rô falar a respeito."

Alco ocorreu? A Rô vai falar? Como assim?

" Acho que me escolheram porque quase nunca falo - disse ela - e sou tímida e calada, mas vou tentar mesmo assim, meio que de improviso, meio que sem saber ao certo como colocar isso em um discurso, mas teacher, se eu pudesse escolher uma palavra para representar a sua maneira de ensinar, ela seria: Excelência! Eu só posso pensar nessa palavra para descrever a maneira como o senhor ensina."

Professores não choram! Professores não choram!

Elas me entregam, então, seus presentes, cartão, sorrisos, olhares de admiração, e tento agradecer, mas o que dizer? O que dizer? Eu que sou sempre cheio de palavras, fico mudo, diante daquela cena; e a homenagem não para ali, elas me conduzem da classe para outra sala, onde duas outras surpresas me esperam: a primeira, a festa! Sala toda enfeitada, no telão, passa um clipe da canção " To Sir, with love" da Lulu, do filme de mesmo nome de 67 com Sindney Potier, bolo gigante, refrigerante, suco, salgadinhos e "what a surprise" piscando em minha testa; e a segunda supresa, alguém anuncia:

" Todas nós sabemos, que por trás de um grande homem, sempre tem uma ..."

A porta se abre, surge Auri, minha esposa e musa, recebida com palmas, passa por mim sorrindo, com um poema na mão e recita:

"AO QUERIDO MESTRE

Menino Viajante,
Que vigia as letras da alma!
Alma repleta de pureza e alegria
Donte passa sua energia espalha;

Menino de música presente no ar
Donte vai, leva harmonia nas palavras,
Cada frase é dita com sabedoria,
É Guerreiro munido com a sua espada;

Menino das Letras e do Ensino,
Com dedicação sempre contou,
Fez da sua arte o seu caminho,
Esse era mesmo o seu destino
Mestre, amigo, professor
!"


Professores não choravam, agora choram...

Glee version of the song " To Sir with love"



Original version by Lulu


The lyrics:
To Sir With Love

Those school girl days
of telling tales
and biting nails are gone
But in my mind
I know they will still live on and on
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfume
It isn't easy, but I'll try


If you wanted the sky
I'd write across the sky
in letters that would soar
a thousand feet high
To Sir, with love


The time has come
for closing books
and long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong
that's a lot to learn
What, what can I give you in return?


If you wanted the moon I'd try to make a stars
but I would rather you let me give my heart
To Sir, with love



Ao Mestre Com Carinho


Aqueles dias de estudante
De contar mentiras,
e roer unhas se foram
Mas, em minha mente
Sei que sempre, sobreviverão
Mas como agradecer alguém
Que te fez "crescer como gente"
Não é fácil mas vou tentar


Se você quisesse o céu eu escreveria nele com as estrelas
A mil pés de altura
Ao mestre, com carinho


Chegou a hora
De fechar os livros...
enquanto longos e últimos olhares permanecerem
E enquanto eu os deixo
Eu saberei que estou deixando meu melhor amigo
Um amigo, que me mostrou o certo e o errado
O fraco e o forte
Isso é tão difícil de aprender
O que? o que posso eu lhe dar em troca?


Se você quisesse a lua eu tentaria fazer um começo
Mas eu, dou toda a segurança do meu coração
Ao Mestre, com carinho

sábado, outubro 16, 2010

Iluminação Neuronal

por Ulrich Kraft


Meditação é muito mais que um exercício de relaxamento. Neurocientistas constatam que exercícios mentais regulares modificam nossas células cinzentas - e, portanto, também nosso modo de pensar e sentir.


Vermelho, amarelo, verde. Diante das diferentes cores nas imagens de ressonância magnética funcional, Richard Davidson identifica as regiões do cérebro de seu voluntário que apresentam atividade significativa enquanto este tenta conduzir a própria mente ao estado conhecido como "compaixão incondicional". O tubo estreito do barulhento tomógrafo de ressonância magnética está, com certeza, entre os locais mais estranhos nos quais Matthieu Ricard já praticou essa forma de meditação, central na doutrina budista, nos seus mais de 30 anos de experiência.

Para o francês, o papel de cobaia no laboratório de Davidson, na Universidade de Wisconsin, em Madison, é também uma viagem ao passado - a seu passado como cientista. Em 1972, aos 26 anos, Ricard obteve seu doutorado em biologia molecular no renomado Instituto Pasteur, de Paris. Pesquisador iniciante, com futuro promissor pela frente, decidiu-se pela "ciência contemplativa". Viajou, então, para o Himalaia e passou a dedicar a vida ao budismo tibetano. Hoje, é monge do mosteiro Schechen, em Katmandu, escritor, fotógrafo e, na condição de tradutor, integrante do círculo mais próximo ao Dalai Lama. Ricard, no entanto, retornou à "ciência racional" porque Davidson queria saber que vestígios a meditação deixa no cérebro.

Sem o Dalai Lama, é provável que a insólita colaboração entre o neuropsicólogo e o monge jamais tivesse acontecido. Há cinco anos, ao lado de outros pesquisadores, Davidson visitou o chefe espiritual do budismo tibetano em Dharmsala, local de seu exílio na Índia. Lá, discutiram animadamente as descobertas neurocientíficas mais recentes e, em particular, como surgem as emoções negativas no cérebro. Raiva, irritação, ódio, inveja, ciúme - para muitos budistas praticantes, essas são palavras desconhecidas. Eles enfrentam com serenidade e satisfação até mesmo o lado ruim da vida. "A meta suprema da meditação consiste em cultivar as qualidades humanas positivas. Então, vimos isso como algo que precisaríamos investigar com o auxílio das ferramentas modernas da ciência", conta Davidson.

Ele foi pioneiro nessa área, mas nomes importantes da pesquisa cerebral seguiram seus passos. Com auxílio da medição das ondas cerebrais e dos procedimentos de diagnóstico por imagem, os cientistas buscam descobrir o que nosso órgão do pensamento faz enquanto mergulhamos em contemplação interior. E os esforços já deram frutos. Os resultados dessa pesquisa high-tech, no entanto, dificilmente surpreenderiam o Dalai Lama, uma vez que não fazem senão comprovar o que os budistas praticantes vêm dizendo há 2.500 anos: a meditação e a disciplina mental conduzem a modificações fundamentais na sede do nosso espírito.
No início da década de 90, seria muito difícil que algum pesquisador sério ousasse fazer tal afirmação publicamente. Afinal, uma das leis fundamentais das neurociências dizia que as conexões entre as células nervosas do cérebro estabelecem-se na infância e mantêm-se inalteradas até o fim da vida. Hoje se sabe que tanto a estrutura quanto o funcionamento de nossa massa cinzenta podem se modificar até a idade avançada. Quando alguém se exercita ao piano, além do fortalecimento dos circuitos neuronais envolvidos, novas conexões são criadas, aumentando a destreza dos dedos. O efeito produzido pelo treinamento é algo que devemos à chamada plasticidade cerebral. Em sua curta história, essa plasticidade já foi examinada sobretudo no contexto dos exercícios físicos e dos sinais provenientes do exterior, como os ruídos, por exemplo.

Campeões da mente
Pesquisador das emoções, porém, Davidson queria saber se atividades puramente mentais também poderiam modificar o cérebro e, em caso afirmativo, de que forma isso atuaria sobre o estado de espírito e a vida emocional de uma pessoa. Os budistas vêem sua doutrina como uma "ciência da mente", e a meditação, como meio de treinar a mente. Para Davidson, era natural buscar respostas com esses "campeões olímpicos do trabalho mental".

Seu primeiro voluntário, um abade de um mosteiro indiano, trazia na bagagem mais de 10 mil horas de meditação e, uma vez no laboratório, logo causou surpresa. Seu córtex frontal esquerdo - porção do córtex cerebral localizada atrás da testa - revelou-se muito mais ativo que o de outras 150 pessoas sem experiência de meditação, estudadas a título de comparação. Como já havia constatado, tal padrão de excitabilidade sinaliza bom estado de espírito - um "estilo emocional positivo", nas palavras de Davidson. Decisiva é aí a relação entre a atividade nos lobos frontais esquerdo e direito.

Nas pessoas mais infelizes e pessimistas, o predomínio é do lado direito - em casos extremos, elas sofrem de depressão. Tipos otimistas, ao contrário, que atravessam a vida com um sorriso nos lábios, têm o córtex frontal esquerdo mais ativo. Experimentos mostraram que essas pessoas superam com mais rapidez emoções negativas, como as que necessariamente resultam, por exemplo, da contemplação das fotos de uma catástrofe. Fica evidente que essa região cerebral mantém sob controle os sentimentos "ruins" e, dessa forma, talvez responda também pelo equilíbrio mais feliz e pela paz de espírito que caracteriza tantos budistas.
A fim de comprovar essa suposição, Davidson continuou testando mais monges e, dentre eles, Matthieu Ricard. Com todos, o resultado foi o mesmo. "A felicidade é uma habilidade que se pode aprender, tanto quanto um esporte ou um instrumento musical", concluiu o pesquisador. "Quem pratica fica cada vez melhor."

De imediato, choveram críticas: como podia ele saber, afinal, se aqueles mestres da meditação já não possuíam cérebro "feliz" antes mesmo de pisar num mosteiro? A objeção não poderia ser descartada assim, sem mais. Por isso mesmo, seu grupo lançou-se a novos estudos. Os pesquisadores recrutaram voluntários entre funcionários de uma empresa de biotecnologia, dividindo-os em dois grupos aleatórios. Metade formou um grupo de controle, enquanto os 23 restantes receberam treinamento em meditação ministrado por Jon Kabat-Zinn, um dos mais conhecidos mestres americanos da chamada mindfulness meditation. Nesse exercício mental, trata-se de contemplar de forma imparcial e isenta de juízo os pensamentos que passam pela cabeça, como se assumíssemos o ponto de vista de outra pessoa. As aulas ocuparam de duas a três horas semanais, complementadas por uma hora diária de treino em casa.

Como se supunha, o treinamento mental deixou vestígios. De acordo com as medições efetuadas por eletroen-cefalograma (EEG), a atividade no lobo frontal daqueles que participaram do curso de meditação deslocou-se da direita para a esquerda. Isso refletiu em seu bem-estar: os voluntários relataram diminuição dos medos e um estado de espírito mais positivo.

Entre os que não meditaram, nenhum deslocamento se verificou no padrão das ondas cerebrais. Dessa vez, porém, Davidson conteve-se na avaliação de seu estudo, que não autorizaria conclusões definitivas. Mas é provável que, em segredo, tenha se alegrado com a perfeição com que os novos resultados corroboravam sua hipótese inicial: a meditação é capaz de modificar de forma duradoura a atividade cerebral. E, ao que parece, isso funciona não apenas para os mestres da reflexão espiritual, mas também para leigos.

Emoções básicas
Nesse meio tempo, Paul Ekman, uma das estrelas da cena neurocientífica, interessou-se também pela figura do monge. Na verdade, o psicólogo da Universidade da Califórnia, em São Francisco, ocupa-se das emoções básicas, ou seja, daquelas reações emocionais fundamentais que nos são inatas - o susto que nos faz tremer as pernas, por exemplo, quando um rojão explode inesperadamente perto de nós. Respondemos de forma automática a esses ruídos súbitos, graças ao startle reflex, o reflexo de susto. Dois décimos de segundo após a explosão, sempre os mesmos cinco músculos da face se contraem e, passados outros três décimos de segundo, nossa expressão facial se descontrai. Essa reação de susto é sempre idêntica em todas as pessoas, e isso porque, simplificando, assim é o "cabeamento" do cérebro. Como todos os reflexos comandados pelo tronco encefálico, também essa reação escapa ao controle da consciência, isto é, não se deixa reprimir intencionalmente. É, pelo menos, o que reza o estágio atual do nosso conhecimento.

Que, no entanto, nem todos se assustem com a mesma intensidade era uma questão que interessava Ekman havia algum tempo. O motivo é que a intensidade individual da contração muscular permite inferir o estado de espírito de uma pessoa. Quem sente emoções negativas com freqüência - em especial, medo, raiva, pesar e nojo - apresenta um startle reflex bem mais pronunciado que pessoas tranqüilas.

Por essa razão, Ekman estava autorizado a esperar uma reação de susto abaixo da média ao testar um lama budista e solicitar-lhe que buscasse ocultar ao máximo a inevitável contração muscular. Ainda assim, o resultado o deixou perplexo, uma vez que praticamente nada se moveu no rosto do monge. "Quando ele tentou reprimir o susto, a reação quase desapareceu", relatou Ekman, incrédulo. "Nenhum pesquisador jamais encontrou alguém capaz de fazer isso." Nem mesmo um som tão alto como um tiro de revólver assustou o lama. O motivo, na explicação do próprio monge: meditação. "Enquanto eu rumava para o estado aberto, a explosão me pareceu mais suave, como se eu estivesse bem longe." Bastante espantoso, do ponto de vista neurocientífico, é que o monge obviamente conseguiu, por força da vontade, modificar uma reação do cérebro que, na verdade, é automática.

Ao que parece, o órgão do pensamento dos budistas em meditação funciona de modo diferente da massa cinzenta do homem comum - mas como? Em busca de respostas, Olivia Carter e Jack Pettigrew acabaram indo parar na parte indiana do Himalaia, em direção a Zanskar, onde se encontram mosteiros budistas muito antigos. Lá, os pesquisadores da Universidade de Queensland, Austrália, investigaram um fenômeno de que a ciência vem se ocupando desde o século XVI: a chamada rivalidade binocular ou perceptiva.
Em geral, não constitui problema para o cérebro fundir numa única imagem a informação visual recebida pelos olhos. Os "instantâneos" percebidos pelos olhos direito e esquerdo encaixam-se à perfeição, porque ambos os lados contemplam a mesma cena. Mas o que acontece quando, por meio de um aparelho apropriado, cada olho vê uma imagem diferente - digamos, o esquerdo, listras azuis horizontais, e o direito, listras azuis verticais? Não podemos ver as duas coisas ao mesmo tempo, razão pela qual o cérebro resolve a disputa de forma diplomática: primeiro, decide-se por uma das imagens para, então, passados alguns poucos segundos, mudar para a outra. E sai pulando daqui para lá e de lá para cá: nossa percepção consciente alterna sem cessar as imagens percebidas por um olho e pelo outro.

Decerto, se concentrarmos toda a nossa atenção numa das imagens, ela se manterá por mais tempo diante do nosso olho interior, mas essa forma de balizamento é bastante limitada. Algumas características das imagens modulam a rivalidade binocular. Se confrontados a um só tempo com um estímulo visual fraco (finas linhas verticais, por exemplo) e outro forte (um grosso traço horizontal), voluntários vêem o último por mais tempo. Em virtude desses dois efeitos, o fenômeno suscita muita discussão neurocientífica, já que, no fundo, trata-se de como o cérebro regula a percepção visual. A modalidade do estímulo, ou seja, as imagens apresentadas aos olhos, determina para que lado penderá a disputa - ou seria isso algo controlável de forma deliberada?

O controle deliberado é a resposta certa - é o que afirma a descoberta, surpreendente até para especialistas - que o grupo de Olivia Carter trouxe de sua expedição investigativa ao Himalaia. Ao menos, essa é a conclusão que se aplica ao objeto específico de estudo da pesquisadora: 76 monges budistas com intensa prática de meditação, com idade entre 5 e 54 anos.

"Na meditação, pessoas experimentadas são capazes de alterar de forma mensurável as flutuações normais do estado de consciência a que a rivalidade binocular induz." Assim resumem os cientistas os resultados obtidos, publicados em junho na revista Current Biology.

Carter solicitou a seus voluntários que praticassem a chamada meditação focada em um só ponto. Eles concentraram-se por inteiro num único objeto ou pensamento. Durante essa prática, ou pouco depois dela, os monges, dotados de óculos especiais, foram obrigados a contemplar ao mesmo tempo dois padrões diferentes - um para cada olho. Com o auxílio do mergulho meditativo, mais da metade conseguiu prolongar nitidamente cada fase das comutações típicas da rivalidade binocular. Alguns foram capazes até mesmo de reter uma imagem por mais de cinco minutos - façanha impensável para os voluntários sem experiência meditativa empregados para comparação, que, em média, limitaram-se a reter cada imagem por 2,6 segundos. O feito, no entanto, revelou-se dependente da técnica de meditação utilizada. Quando, em vez da meditação focada em um só ponto, os monges empregaram outro método - voltado antes a um mergulho interior mais genérico que a um objeto concreto -, a alternância constante das imagens manteve-se a habitual. Decisivo, pois, para a estabilização da percepção visual é não apenas a meditação em si, mas o modo como ela é praticada.
Concentração é tudo
Além da rivalidade binocular, outro fenômeno interessava aos pesquisadores australianos: a "cegueira induzida por movimento". Também ela escapa ao controle consciente - ou, pelo menos, assim se pensava. Nesse tipo de experimento, o voluntário contempla uma grande quantidade de pontos que disparam por uma tela. Entre eles, porém, vêem-se alguns pontos fixos, em geral de outra cor. A requerida concentração nos exemplares em ágil movimento faz com que os imóveis pareçam sumir, como se o cérebro os apagasse. Mas não por muito tempo: volta e meia, eles tornam a se imiscuir por um instante na percepção, e o participante não tem como impedir que o façam.

Um dos monges, no entanto, não teve dificuldade alguma com isso. O eremita, que se dedicava havia décadas e em total solidão ao mergulho interior, pôde perfeitamente eliminar os pontos fixos que em geral afloram cintilantes à consciência. Mais de 12 minutos se passaram até que ele anunciasse o reaparecimento de um deles. A partir das alterações nas funções visuais observadas, a equipe deduziu que, na mente desses mestres da meditação, algumas coisas transcorrem de modo não usual. "Diferentes modalidades de meditação e tempos de treinamento diversos conduzem a modificações de curto e longo prazo no plano neuronal", concluíram os pesquisadores.

Seu colega Richard Davidson vai gostar de ouvir isso, sobretudo porque, em 2004, também ele encontrou outras comprovações dessa tese, graças à ajuda de Matthieu Ricard e de mais sete monges enviados pelo Dalai Lama ao laboratório em Madison. Eram todos mestres da contemplação mental, trazendo na biografia algo entre 10 mil e 50 mil horas de meditação - objetos de estudo ideais para as neurociências, como crê o ex-cientista Ricard: "A fim de verificar que porções do cérebro se ativam em diversos estados emocionais e mentais, são necessárias pessoas capazes de atingir esses estados e permanecer neles com lucidez e intensidade".

No caso dos monges de Davidson, a forma de meditação solicitada foi aquela conhecida como compaixão incondicional: amor e compaixão penetram na mente, fazendo com que o praticante se disponha a ajudar os outros sem qualquer reserva. Os monges deveriam se manter nesse estado por um curto período de tempo e, em seguida, deixá-lo. Enquanto isso, Davidson registraria suas ondas cerebrais com auxílio de 256 sensores distribuídos por toda a cabeça. A comparação com um grupo de novatos na prática da meditação revelou diferenças gritantes. Durante a meditação, a chamada atividade gama sofreu forte aumento no cérebro dos monges, ao passo que mal se alterou nos voluntários inexperientes.
Além disso, essas ondas cerebrais velozes e de alta freqüência esparramaram-se por todo o cérebro dos lamas. Trata-se de um resultado bastante interessante. Em geral, ondas gama só aparecem no cérebro por um breve período de tempo, limitadas não apenas do ponto de vista temporal, mas também em termos espaciais.

Que significado elas têm, os neurocientistas ainda não sabem dizer. Essas ondas cerebrais ritmadas, com freqüên-cias em torno de 40 hz, parecem acompanhar grandes desempenhos cognitivos - momentos de concentração mais intensa, por exemplo. Talvez representem o estado de alerta extremo, descrito por tantos praticantes da meditação, especulam alguns. Portanto, por mais relaxado que um monge budista possa parecer, seu cérebro não se desliga de modo algum enquanto ele medita. Ao contrário: durante o mergulho espiritual, fica evidente que está, na verdade, a toda. "Os valores medidos em Ricard estão de fato acima do bem e do mal", relata o psicobiólogo Ulrich Ott com audível espanto. Mas o que fascina ainda mais o pesquisador é o fato de as estimulações terem atravessado de forma tão coordenada todo o cérebro dos lamas. E a razão do fascínio é que há ainda uma segunda hipótese a respeito do significado e do propósito das ondas gama, hipótese que, aliás, envolve um dos maiores mistérios da pesquisa cerebral: a questão de como surgem os conteúdos da consciência.

Quando tomamos um cafezinho, o que percebemos conscientemente é a impressão geral - os componentes isolados são processados pelo cérebro em diversas regiões. Uma reconhece a cor preta, outra identifica o aroma típico, uma terceira, a forma da xícara e assim por diante. Mas não se descobriu até hoje que área cerebral junta todas as peças desse quebra-cabeça. Por isso, os estudiosos da consciência supõem que os neurônios envolvidos se comuniquem por intermédio de uma espécie de código identificador; - a freqüência gama. Quando as células nervosas para "preto", "aroma" e "xícara" vibram juntas a uma freqüência de 40 hz, o cafezinho surge diante do nosso olho interior. De acordo com essa tese - e diversos experimentos parecem confirmá-la -, as ondas gama constituiriam, portanto, um tipo de freqüência superior de controle que sincronizaria e reuniria regiões diversas, espalhadas por diferentes partes do cérebro.

Isso explicaria por que a meditação é tida como um caminho para alcançar outros estados de consciência. Em condições normais, as oscilações gama extremamente coordenadas que Davidson observou nos monges jamais ocorreriam, acredita Ott. "Se todos os neurônios vibram em sincronia, tudo se unifica, já não se distingue nem sujeito nem objeto. E essa é precisamente a característica central da experiência espiritual."

Mesmo antes da meditação, a atividade gama no cérebro dos monges era visivelmente mais intensa que no restante dos voluntários, em especial sobre o córtex frontal esquerdo, tão decisivo para o equilíbrio emocional.

Na opinião de Davidson, essa é mais uma prova de que, pela via da meditação - ou seja, do trabalho puramente mental -, é possível modificar aspectos específicos da consciência e, portanto, da personalidade como um todo. "As conexões no cérebro não são fixas. Isso quer dizer que ninguém precisa ser para sempre o que é hoje." Disso, Ricard não tinha dúvida nenhuma, mesmo antes de sua visita a Madison: "Meditação não significa sentar-se embaixo de uma mangueira e curtir o momento. Ela envolve profundas modificações no ser. A longo prazo, nos tornamos outra pessoa".

-Tradução de Sergio Tellaroli

Para conhecer mais
O monge e o filósofo: o budismo hoje. Jean-François Revel e Matthieu Ricard. Mandarim, 1998.

Studying the well-trained mind. M. Barinaga, em Science, 302 (5642), págs. 44-46, 2003.

Meditation alters perceptual rivalry in tibetan buddhist monks. O. Carter et al., em Current Biology, 15 (11), págs. R412-413, 2005.

Alterations in brain and immune function produced by mindful meditation. R. Davidson et al., em Psychosomatic Medicine, 65, págs. 564-570, 2003.

Long-term meditators selfinduce high-amplitude gamma synchronity during mental practice. A. Lutz et al., em Proceedings of the National Academy of Sciences, 101 (46), págs. 16369-16373, 2004
Ulrich Kraft é médico e jornalista científico.


© Duetto Editorial. Todos os direitos reservados.




Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/iluminacao_neuronal_imprimir.html

sexta-feira, outubro 15, 2010

ENSINANDO E APRENDENDO

Tati está aprendendo... So is Neide, Cris, Mônica, Gerson e tantas outras, outros, que me deram a honra de poder ensiná-los.

Que dádiva maravilhosa é comemorar o Dia do Professor ... ensinando!!!

Ensino e aprendo.

Assim é a mágica do professar, essa carreira que eu nasci sendo.

Obrigado a todos os meus alunos, vocês são a razão pela qual eu continuarei sempre aprendendo.


Ps: agradeço de coração ao Professor Amaury que tanto me incentivou a me tornar quem eu sou; ao Professor Wagner Borges que acreditou no escritor que eu sempre fui, e a Professora Terezinha que ensinou-me a ler, escrever e interpretar o mundo pelas letras.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Tô Com Saudade

Um amigo ligou e disse:

- Tô com saudade!

Quem é que te liga no meio da tarde para dizer que tem saudade nesses dias? Quem te contata sem segunda intenção, só para dar um recado que o seu coração sente a sua falta?

Coisas da amizade. Seja ela vestida em qualquer roupagem...

Não lembro da última vez em que eu liguei para alguém só para dizer: sinto a sua falta!

Acho que sempre estive ocupado demais ou demenos. Vai ver havia qualquer coisa, algum contratempo que ficou a favor do afastamento.

Quantas ligações recebi que começava com um "oi, como você esta" e continuava no " ei, eu tô precisando..."? Já perdi o cálculo, não importa, não conta! O que é importante é quando um amigo liga no meio da tarde só para dizer oi de verdade e você fica com aquele gosto de "uau!" quando a ligação acaba...e vontade de fazer o mesmo com outros tantas pessoas.

Amigos, vou ligar para vocês, não quero nada! Só quero dizer : tava com saudade!!!

PRECE PARA IEMANJÁ*

Por Wagner Borges

Iemanjá, Rainha das águas!
Que, nas ondas do Amor,...
Beija as praias secretas do coração.

Oh, Mãezinha Querida!
Que, silenciosamente, abraça todos os filhos.
Mesmo aqueles que se perderam...

Luz da Estrela Azul, a todos compreende.
E, por onde a Senhora segue, as mágoas se dissolvem.
E as coisas das trevas são transformadas em Luz.

Ah, Doce Mãezinha, limpe o coração da gente.
E não nos deixe cair nas garras do orgulho.
E nos fortaleça na Fé – e no discernimento das coisas.

Mentora Preciosa, não permita que nos distanciemos do seu Amor.
Principalmente nos momentos difíceis.
E, quando errarmos, por favor, nos direcione de volta para a Luz.

Amiga do Céu, que carrega as estrelas em seu ventre...
Ajude-nos na cura das emoções estranhas e dos pensamentos ruins.
Para que nossas ações sejam sadias.

Senhora dos corações, abençoe nossas viagens espirituais...
E, também, a grande viagem da Vida.
Que, dentro ou fora do corpo, nós sejamos dignos da Luz.

Ah, Linda Mãezinha das Águas, não permita que o mal entre em nós.
E ajude-nos a acender a fogueira do discernimento em nossos corações...
Para queimarmos as nossas tolices e ilusões.

Iemanjá, Rainha das Águas, e nossa Mãezinha Querida.
Obrigado, obrigado, obrigado...
Por tudo.

Paz e Luz

- Wagner Borges –
São Paulo, 10 de julho de 2010.

- Nota:
* Iemanjá: No Brasil, Iemanjá está associada ao mar, embora na África esteja mais vinculada à desembocadura dos rios. Nas lendas africanas ela é tida como filha de Olokum, deusa do mar, Mãe que criou muitos Orixás.
Na Bahia, as festas se realizam no dia 02 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, com repercussão nacional.
Seus instrumentos são o abebé cor de prata e uma espada. Sua saudação espiritual é “Odoiyá!”

Para saber mais sobre o Professor Wagner Borges, ler outros textos e o os cursos do IPPB, acesse:

www.ippb.org.br

quarta-feira, outubro 13, 2010

Morar em condomínio


Publicado em Leitura Diária.com.br


Morar em condomínio

Também tem suas desvantagens, ah se tem!

Primeiramente, cabe ressaltar a definição e condomínio:

Condomínio
s. m.,
domínio comum;
autoridade igual e simultânea exercida por poderes diferentes;
conjunto das partes comuns de um edifício, pela manutenção das quais os condôminos pagam uma determinada quantia.

É justamente na DEFINIÇÃO de Condomínio que começa TODO o problema!
Senão, vejamos:

Domínio comum = Terra de ninguém.

Autoridade Igual e Simultânea exercida por poderes diferentes = Baderna

Conjunto das partes comuns de um edifício, pela manutenção das quais os condôminos pagam uma determinada quantia = Fica com a conta aí.

Pode parecer brincadeira, mas é a realidade. Você paga por um apartamento, casa, escritório a sua vida inteira, e é dono só no papel. A taxa condominial sempre aumenta e, cada vez que aumenta, resulta em inadimplência.

Some-se a inadimplência ao seu vizinho chato e multiplique pelo síndico e sua mania de se achar o DONO do condomínio.

Mas isso não é nada, se comparado à sua vizinha do andar e baixo, que, no final de semana, resolve fazer uma RAVE entre sexta/sábado/domingo. Ah, não esqueça da sua vizinha de porta, que tem a terrível mania de acordar às 7 da manhã pra lavar roupas, esqueça a máquina de lavar roupas dela, não parece um tanque de guerra dando tiros de canhão.

As crianças, coitadas, não tem uma quadra para brincar, jogam bola dentro do apartamento mesmo, e você não pode reclamar, afinal, o Estatuto do condomínio díz que: “silêncio após às 22:00 horas”.

O elevador. Relaxe, ele NUNCA dá problema (quando, diga-se de passagem, você não está dentro dele).

Seus vizinhos também possuem como animais de estimação cachorros? Que insistem em andar no Elevador, no colo do seu vizinho, baforando na tua cara, latindo na tua orelha?

Primeiramente, esqueça. Aquilo não é um cachorro, é o filho(a) do(a) vizinho(a), e não se espante se chamarem o pobre animal, digo, filho(a) dele(a) pelo teu nome, afinal, aquele pobre animal é tratado como gente.

Relato de um morador de condomínio(“EU“).

((((()))

Esse texto foi publicado em: http://leituradiaria.com.br

VIADUTO DO RIO VERMELHO

A inspiração atacou-me no meio do Viaduto do Chá, quando eu vinha indo, com pressa de não parar; veio caindo em gotas de insights, pedindo que eu abrisse meu caderninho e a deixasse se manifestar; mas quem é louco para parar no meio do Viaduto do Chá para dar pena à inspiração?

Tem Frank pra tudo!

Tentei seguir o meu caminho, tirar o Frank disso, afinal, quem já viu escritor de caderninho aberto no centro de São Paulo escrevendo os seus insights? Francamente, quis enviar a inspiração para algum lugar distante, mas dei-me conta que se não desse passagem a ela, poderia perder a chance de escrever um best-seller, ou ao menos, uma dessas crônica que já vem pronta da fábrica só para o leitor degustar.

Então, engolindo o senso do ridículo, abri o caderninho e dei mente e coração para a Musa falar e começou a brotar na minha cabeça um texto tão clarinho quanto o céu de Dezembro, tão profundo como o Rio Danúbio, e em meio a essa corrente de palavras bem contadas, a mensagem que me vi escrevendo transformou-se em poesia musicada, e a dancei feito valsa com a Musa da Criatividade, numa melodia que lembrava Viena e parecia Budapeste, que lembrava Strauss, mas parecia Bartok; e ao final da dança, preparei a minha pena vermelha e ao primeiro pingo de tinta em palavras, a caneta explodiu em vermelho, poluindo as folhas do meu caderninho, matando a minha crônica tão musical, tão bonita; e ao invés das águas cristalinas da fonte da inspiração, tudo vermelhou, e o sangue jorrou, fazendo com que eu escrevesse essa crônica meio crítica, que só saberá do que eu estou falando, quem conseguir ler nas entrelinhas... Sobre o desastre da Hungria:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/811624-vazamento-toxico-e-um-desastre-sem-precedentes-na-hungria-diz-premie.shtml

terça-feira, outubro 12, 2010

LETRAS DE MOLEQUE

Perguntem aos meus sobrinhos
o típico presente
do Tio Frank
para o Dia das Crianças,
e eles responderão
em uníssono:
livro!!!

((()))

Perguntei a minha irmã:
- Que tipo de livros, os professores
da escola dos meus sobrinhos
Pedem para eles lerem?

Ela respondeu:
- Livros?

((()))

Quando eu era criança,
Ao invés de cueca,
Brinquedo ou cinto,
Eu pedia gibi,
E traziam doce de amendoin!!!

((()))

Sempre gostei de ler,
Acho que nasci lendo,
Só assim para explicar
Porque estou fazendo
Vocês lerem
O que estou escrevendo...

segunda-feira, outubro 11, 2010

A Lenda dos Guardiões

Para quem gosta de passarinho:

A Lenda dos Guardiões

Uma grande dica para um programa bacana para Pais e Crianças nesse Dia dos Moleques: leve o pequenuxo para assistir essa animação encantandora que mostra a saga de uma pequena coruja em busca de ajuda para salvar sua família e outras tantas corujas-filhotes da escravidão e dominação por um grupo de corujas do mal.

Veja o clipe abaixo e se deixe encantar pela saga de voar da pequena coruja:




A Lenda dos Guardiões - Trailer Original




A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians)
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Elenco: Vocês de: Emily Barclay, Abbie Cornish, Emilie de Ravin, Ryan Kwanten, Jay Laga aia, Helen Mirren, Sam Neill, Richard Roxburgh, Geoffrey Rush, Jim Sturgess, Hugo Weaving, David Wenham.

Direção: Zack Snyder
Gênero: Aventura/Animação
Duração: 90 min.
Distribuidora: Warner Bros.
Estreia: 08 de Outubro de 2010
Sinopse: 'Lenda dos Guardiões' segue Soren, uma jovem coruja fascinada pelas histórias épicas contadas pelo seu pai sobre os Guardiões de GaHoole, um bando mítico de guerreiros alados que lutaram em uma grande batalha para salvar todas as corujas dos maldosos Puros.

Enquanto Soren sonha em algum dia unir-se aos seus heróis, seu irmão mais velho, Kludd, zomba da ideia, e prefere caçar, voar e tirar a predileção de seu pai pelo irmão mais novo. Mas a inveja de Kludd tem consequências terríveis — fazendo com que ambas as corujinhas caiam de sua casa no topo da árvore direto para as garras dos Puros. Agora depende de Soren realizar uma fuga audaciosa com a ajuda de outras jovens corujas. Juntas elas voam cruzando o oceano e a bruma para encontrar a Grande Árvore, lar dos lendários Guardiões de GaHoole — a única esperança de Soren para derrotar os Puros e salvar os reinos das corujas.

O longa é baseado nos três primeiros livros de Kathryn Lasky, dos 15 publicados.


Fonte: http://www.cinepop.com.br/filmes/lendaguardioes.php

Em que esquina dobrei errado?

From Martha Medeiros

Quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Aconteceu em Paris. Estava sozinha e tinha duas horas livres antes de chamar o táxi que me levaria ao aeroporto, de onde embarcaria de volta para o Brasil. Mala fechada, resolvi gastar esse par de horas caminhando até a Place des Voges, que era perto do hotel. Depois de chuvas torrenciais, fazia sol na minha última manhã na cidade, então Place des Voges, lá vou eu. E fui.

Sem um mapa à mão, tinha certeza de que acertaria o caminho, não era minha primeira vez na cidade. Mas por um desatino do meu senso de orientação, dobrei errado numa esquina. Em vez de ir para a esquerda, entrei à direita. Mais adiante, aí sim, virei à esquerda, mas não encontrei nenhuma referência do que desejava. Segui reto: estaria a Place des Voges logo em frente? Mais umas quadras, esquerda de novo. Gozado, era por aqui, eu pensava. Não que fosse um sacrifício se perder em Paris, mas eu parecia estar mais longe do hotel do que era conveniente. Mais caminhada, e então, várias quadras adiante, não foi a Place des Voges que surgiu, e sim a Place de la Republique. Eu tinha atravessado uns três bairros de Paris, mon Dieu.

Perguntei a um morador o caminho mais curto para voltar à rua onde ficava meu hotel, e ele me apontou um táxi. Teimosa, pensei: ainda tenho um tempinho, voltarei a pé. E assim foram minhas duas últimas horas em Paris, uma estabanada andando às pressas, saltando as poças da noite anterior, olhando aflita para o relógio em vez de flanar como a cidade pede. Cheguei bufando no hotel, peguei minha mala e, por causa da correria, esqueci no hall de entrada uma gravura linda que havia comprado e que planejava trazer em mãos no voo. Tudo por causa de uma esquina que dobrei errado.

Foram apenas duas horas inúteis e cansativas, e duas horas não é nada na vida de ninguém. Mas quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Alguns desacertos pelo caminho fazem a gente perder três anos da nossa juventude, fazem a gente perder uma oportunidade profissional, fazem a gente perder um amor, fazem a gente perder uma chance de evoluir. Por desorientação, vamos parar no lado oposto de onde nos aguardava uma área de conforto, onde encontraríamos pessoas afetivas e uma felicidade não de cinema, mas real. Por sair em desatino sem a humildade de pedir informação a quem conhece bem o trajeto ou de consultar um mapa, gastamos sola de sapato à toa e um tempo que ninguém tem para esbanjar. Se a vida fosse férias em Paris, perder-se poderia resultar apenas numa aventura, mesmo com o risco de o avião partir sem nós. Mas a vida não é férias em Paris, e aí um dia a gente se olha no espelho e enxerga um rosto envelhecido e amargurado, um rosto de quem não realizou o que desejava, não alcançou suas metas, perdeu o rumo: não consegue voltar para o início, para os seus amores, para as suas verdades, para o que deixou pra trás. Não existe GPS que assegure se estamos no caminho certo. Só nos resta prestar mais atenção.


Fonte: http://www.clicrbs.com.br

domingo, outubro 10, 2010

10/10/10: PORTA, PORTEIRA E PORTAIS

No dia em que eu nasci, o Universo fez festa, teve estrela cadente subindo querendo entrar feito penetra no baile dos gazes cósmicos explodindo fogos de artifício que contavam a história da minha nova existência, e de todos os pontos da galáxia, foi visto, escrito nos anéis de Saturno, a mensagem: Frank acabou de nascer. Viva o menino!!!

Por favor, Frank, menos!



Além da importância que todos temos em nossos contextos, da presença da nossa consciência tendo ciência que somos além de corpo, pulsante atman; o que sabemos além daquilo que acreditamos? Quase nada!

Temos avatares de todos os tipos; nos guiamos inconscientemente por arquétipos; usamos datas, as consideramos especiais, e elas são especiais, mais apenas para reforçar um símbolo que se fortifica pela quantidade de gente que acredita e nela deposita a sua fé. Sabendo disso, Hosana nas alturas, Hare Hare Rama e Salve todas as egregóras!!!

Assim sendo, e se assim for, dentro do plano subjetivo do " Eu Acredito e do Eu Sou" portas se abrem, porteiras são abertas e a Mãe Divina sempre joga da janela, a chave para que o Portal que você tanto busca se abra; o problema é: se esse Portal for mesmo um canal com alguma Força Maior, se Metraton ou outro Senhor da Luz aparecer e você puder os ver, provalmente escutará, sem ego sem dó:

" O portal sempre esteve aberto, Criança do Divino, por que você demorou tanto para aqui chegar?"

E diante da revelação que você não precisava de data especial para uma meditação, você vai perceber que portais nada mais são que uma conexão que ocorre por meio da mais genuina sintonia. TODO E QUALQUER DIA; independentemente de datas, cristais no topo dos chacras, planetas se alinhando ou qualquer outra liturgia que o livro esotérico, a palestra de energia ou o professor de ocultimo lhe contou, para ter você na freguesia.

Sim, para abrir os portais que nos garantem um contato com as forças celestiais, basta apenas uma sintonia sincera, algo tão simples e fácil, que qualquer pessoa consegue fazer, desde que esteja disposta a ter atenção plena naquilo que esta fazendo. E pouca gente tem coragem para essa responsabilidade tomar; pois, se escorar em muleta é mais fácil, e ao invés de meditar hoje em sua caminhada, preferimos esperar até amanhã ou até que o grupo se reúna, e coletivamente esquecermos daquilo que sempre precisamos resolver INDIVIDUALMENTE.

Portais se abrem, não só nas datas de números que se repetem, mas toda vez que conseguimos nos sintonizar com o Pai Eterno e a Mãe do Amor. E essa sintonia é estabelecida simplesmente por um pensamento que vira vontade, e se abre em flor, num meditar na nossa natureza; na nossa INDIVIDUALIDADE; e ter coragem de arregaçar as mangas e praticar esse exercício de espiritualidade só é difícil para aqueles que não querem usar o juizo e o discernimento para enxergar onde começa a maturidade de seus estudos e práticas espirituais e termina a idade das bobagens.

No dia em que eu nasci, no dia em que você nasceu, o Universo fez festa; fez festa como sempre faz festa, todos os dias, com data de mim ou sem data de você, com calendário do outro ou sem dário.

E nesse 10/10/10, se ainda assim você quiser fazer o seu ritual, o faça, mas faça também em 11/10/10, em 05/07/11. Não dependa de datas para crescer; não dependa de portais para usar a sua inteligência e ter a decência de cuidar de você e do outro.

Medite mais, pratique caridade, melhore a sua vida, mas em relação a fazer isso só em datas especiais... menos!!!

sábado, outubro 09, 2010

JOHN LENNON

"A vida é o que ocorre com você
quando você esta ocupado fazendo planos"
Beautiful Boy.
John Lennon que faria 70 anos amanhã.




Se o conteúdo de todos os livros sagrados pudessem ser resumidos em uma única frase, seria: " All we need is love" Salve Lennon!!!

Cenas do filme " Across the Universe"

sexta-feira, outubro 08, 2010

TROPA DE ELITE 2: PEDE PARA ASSISTIR

Fui assistir a estréia do Tropa de Elite 2; e novamente, saio surpreso do cinema: sim , podemos fazer um bom filme no Brasil e sim II, é possível passar uma grande mensagem por meio de um filme, sem parecer catequese.

Se o primeiro filme rendeu mais discussões sobre o poder da pirataria do que a truculência policial; dessa vez, o diretor José Padilha criou um plano de mestre para que o filme não caisse em cópias da rua.

Segundo o site da revista INFO: “Tropa de Elite 2” chegou hoje à 636 salas de cinema do país com uma diferença em relação à primeira parte da história: o filme não vazou na web nem foi pirateado. “Tropa de Elite 2” foi blindado por seus produtores. Exibido pela primeira vez em um cinema em Paulínia, na noite de terça-feira, a produção do filme não poupou nem mesmo a imprensa de seu pente fino. Jornalistas e convidados passaram por detectores de metal e tiveram suas bolsas revistadas a fim de evitar a entrada de câmeras filmadoras. Na produtora que editou o filme, a segurança também foi reforçada. Os computadores tiveram a conexão com a internet bloqueada e seus HDs foram criptografados. O laboratório que fez a cópia dos filmes que irão para os cinemas também contou com segurança reforçada 24h. Além disso, cada película terá uma identificação própria, que será projetada na tela do cinema, mas será invisível a olho nu. O objetivo é identificar onde as cópias piratas foram capturadas.

Toda essa ação torna clara uma realidade brasileira: a polícia não dá de conta da pirataria. O que não deixa de ser uma atração extra para a acusação que o filme faz, estamos vivendo, todos nós, sempre à margem da lei, e se poucas são as pessoas qeu se salvam das pequenas corrupções, imagina o que se passa na cabeça de um policial em meio as tentações e pressões da corrupção.

Wagner Moura retoma o personagem mais marcante de sua carreira, o capitão Nascimento. Dez anos mais velho, cresce na carreira: passa a ser comandante geral do BOPE, e depois Sub Secretário de Inteligência. Em suas novas funções, Nascimento faz o BOPE crescer e coloca o tráfico de drogas de joelhos, mas não percebe que ao fazê-lo, está ajudando aos seus verdadeiros inimigos: policiais e políticos corruptos, com interesses eleitoreiros. Agora, os inimigos de Nascimento, são bem mais perigosos.

O filme toca bem na ferida que esse país ainda precisa curar: educação".

Educação na hora de votar, educação para compreender que parte da violência que nos ataca na rua, vem de algo mais profundo, nasce na nossa ignorância em não compreender a nossa participação nisso.

Sim, cada DVD pirata nos aparelhos das nossas casas é parte da engrenagem que move um dinheiro sujo que começa no prazer de quem acha que o seu "pequeno crime" é inofensivo chegando ao sangue derramado no tráfico, ao deputado mil vezes votado financiado por milícias, traficantes e toda sorte de bandidagem, sendo a pior delas, aquela do colarinho branco.
Como diz o site Cine Pop:

" Com o peso de fazer jus ao primeiro longa, 'Tropa de Elite 2' cumpre a missão dada. A violência e a corrupção na polícia continua em pauta, mas desta vez a trama elobora assuntos mais ambiciosos e assustadores.

Ao invés de culpar os riquinhos que compram drogas e financiam o tráfico no país, mesmo que usando apenas uma carreira de pó, a sequência vai além e começa a mostrar que o buraco é mais em cima: os políticos usufruem de qualquer situação para conquistar dinheiro e fama, e recebem apoio dos demais corruptos.

Moura continua roubando a cena, e está ainda mais à vontade com o personagem que o consagrou. Seu talento é indiscutível. André Ramiro e Milhem Cortaz também retornam como André Matias e Capitão Fábio, e continuam em atuações dignas e talentosas.

O roteiro de Braulio Montovani, mais complexo e polêmico, traz de volta todos os acertos do original, como as frases de efeito que cairam no gosto popular.

"Pede pra sair”, "O Senhor é um fanfarrão" e "Faca na caveira, nada na carteira" dão lugares a novas frases que devem conquistar o público, como "Tá de pomba-girice comigo?" e "Quer me foder? Me beija".

Padilha continua corajoso e ousado na direção, e repete a fórmula usada no primeiro além de adicionar elementos de seu premiado documentário 'Ônibus 174', de 2002.

Para muitos, 'Tropa de Elite 2' será o blockbuster de ação do ano, com direito a efeitos especiais importados, cenas de ação mirabolantes e um enredo inteligente. Mas no fundo, é muito mais. Um retrato frio e cruel, porém realista, da nossa realidade.

Afinal, "Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma coincidência. Essa é uma obra de ficção".


Fonte: http://www.cinepop.com.br/criticas/tropadeelite2_101.htm
Fonte II: http://info.abril.com.br/noticias/internet/estreia-de-tropa-de-elite-2-vence-pirataria-08102010-5.shl

O lixo é Nosso

Por Ivan Angelo

O calendário brasileiro deu à vida na Terra duas datas: 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, e a segunda-feira da próxima semana, 4 de outubro, Dia da Natureza. Precisávamos de duas? Talvez precisássemos de 365.

Temos castigado bastante essa parte do planeta conhecida como cidade de São Paulo. Gás carbônico e outros gases no ar, detritos nos rios, lixo por toda parte, esgoto nos mananciais, pichações nas paredes, ruídos ferindo tímpanos, mato dominando jardins, desordem imobiliária, calçadas esburacadas, buracos desastrosos nas ruas.

Uma cena comum na cidade: engolfado pelo trânsito, e também obstruindo-o, um homem-formiga carrega com enorme esforço pedaços do caos. É o carroceiro.
Tenho dito e repito: paciência, paulistanos, com o pobre carroceiro. Cala a tua buzina irritada, motorista, que o homem que ali vai, puxando sua carga enorme e desequilibrada, trabalha para o nosso bem. Não é muito o que ele pode fazer, ele não é mais do que uma formiga na paisagem, um nada, mas faz sua parte mínima com a força e a teimosia das formigas. Leva restos que espalhamos pelos caminhos.

Não o apressa, ele não consegue ir mais depressa. Não é ele que vai devagar, somos nós, o país. O atraso é nosso. O homem da carroça, o burro sem rabo, meu caro motorista, está aí por um conjunto de circunstâncias: para ele existir, tem de haver pobreza, tem de faltar trabalho, tem de sobrar lixo nas ruas, tem de faltar educação, respeito, planejamento administrativo, consciência do bem comum.

Considera que ele nas ruas é mais 'verde' — mais limpo — do que nós: o carro dele não emite gases, não buzina, ele não é um consumidor de artigos descartáveis, não produz esse lixo, antes, o leva para a reciclagem. Vê que curiosa contradição: ele, inconscientemente, é uma pecinha na grande engrenagem do avanço, enquanto nós, participantes da poderosa cadeia de consumo, modernos, estamos com um pé nos séculos passados, inconscientemente ligados àquela descuidada atitude que formou a sociedade atual: pegar, usar e largar.

Pensa, senhor cidadão de primeira categoria: que homem é esse? Um descartado — como as sobras que transporta. Ele não conta no sistema, não é contribuinte, não usufrui bens como CD, DVD, celular, computador, iPod, cinema, universidade, casa, transporte, televisão, roupa nova, geladeira, video game, muitas vezes nem sapatos. Nos índices das grandezas da cidade, é um nada, uma formiga levando rejeitos.

É justo haver carroceiro? É preciso haver? Ele é parte da pobreza, da exclusão e das carências deste Brasil dos Brics. Proviso riamente, tomemo-lo como símbolo de uma ideia. A ideia da reciclagem.

Com a ajuda pequenina desse carroceiro, caro motorista, dessa formiguinha aí, 9 bilhões de latinhas são levadas para reciclagem, 91% de toda a produção de latinhas de cervejas e refrigerantes, mais papéis, papelões e latas de flandres de embalagens, de leites diversos, de óleos e conservas, de tintas e vernizes, e sucata de tudo quanto é eletrodoméstico, portões, grades, bicicletas, skates, peças de carros velhos, móveis, canos, torneiras, calhas, esquadrias e restos das demolições são levados para os fornos. Somando tudo, o Brasil recicla 70% do aço produzido! E mais papelão, vidro, plástico, alumínio...

Isso te surpreende, cidadão motorista? É o que diz o Centro de Informações sobre Reciclagem e Meio Ambiente. São recordes mundiais, mas que não expõem o lado da pobreza.

É por isso, meu já paciente motorista, que levo a sério todo mundo que faz alguma coisinha para ajudar. Os que não levam saquinho de plástico para casa. Os que não compram produtos de empresas poluidoras. Os que repreendem quem joga até palito de picolé no chão. Os que levam saquinho para apanhar o cocô de seu cachorro na calçada. E os que levam lixo das ruas para a reciclagem, como esse nosso carroceiro, mesmo que ele faça isso apenas para ganhar um dinheirinho.


Publicado em : http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2184/o-lixo-nosso

quinta-feira, outubro 07, 2010

EU QUERIA AGRADECER

Olha,
eu queria agradecer minha mãe, minha vó,
minha sogra, minha esposa,
meus irmãos, meus amigos,
Mamãe do Céu, Papai Eterno,
e todo mundo que me ajudou a chegar aqui.

Aqui?

Sim, nesse momento daqui,
onde palavras caem de mim
como chuva de rosas,
cujas pétalas trazem
o perfume da lembrança
de quando eu era criança
e já imaginava um dia
ser poeta da esperança;

Sim, nesse momento dagora,
onde, embora,
eu não tenha ganho a mega-sena,
tenho milhões de motivos
para dizer para vocês:
a vida vale a pena,
Caros amigos!

Daí, escrevo essa crônica poema,
só para agradecer,
mais que qualquer um:
VOCÊ, LEITOR DO MEU ESCREVER!

quarta-feira, outubro 06, 2010

PRIMEIRA LIÇÃO

" Senhor, ilumina meu coração quando eu atravessar o vale das dúvidas. Ainda confundo as coisas da matéria com o eterno do espírito, por isso, duvido!"


Quando coloquei minha cabeça no travesseiro, percebi que eu não estava bem; sempre durmo pensando nas alturas, em voos além do sono, em insights disfarçados de sonhos e sempre faço uma oração, agradecendo aos bons ventos do astral que permitiram que eu aqui estivesse em carne, brincando de criar. Porém, havia algo errado, eu estava contrariado, quase com raiva, pensando naquelas bobeiras que sempre chove nos pensamentos quando estamos passando por momentos em que a vida não nos traz aquilo que buscamos.

Eu sei que a vida nem sempre nos leva aonde queremos, e muitas vezes, só nos resta confiar. Porém, se a teoria é linda, a prática é perversa, não tem dó das nossas fraquezas conscienciais. Na hora do " agir" da vida, quem tem certeza no que acredita segue adiante, quem duvida, balança.

Balancei. Comecei a questionar para que afinal servia toda aquela espiritualidade se eu não conseguia ter aquilo que tanto queria. Eu era merecedor! Todo mundo tinha, por que eu não? Não era justo o que Deus estava fazendo comigo, portanto, provavelmente ele nem deveria existir.

Neguei; baseado em argumentos lógicos e sólidos de pura imaturidade espiritual. Sim, sou ainda uma criança brincando nos campos do Senhor, pois ainda uso o que eu acredito como moeda para barganhar com o astral, quando eu sei, que a fé que eu tenho não vale nem ponto no Céu nem pensão na Terra.

Os meus estudos espirituais nunca trarão para mim um emprego melhor, um novo carro, frutas na árvore, comida na mesa, livro de sucesso ou um filho médico. Se eu aprendi algo com esses anos todos de estudo das coisas do Divino é que estamos aqui para POR CONTA PRÓPRIA criar o nosso mundo, lutando por nossos objetivos, corrigindo os nossos equivocos do passado para seguir brilhando no caminho da luz, sem depender das coisas do além para obtermos sucesso nessa jornada.

Sim, eles estão lá: as estrelas no céu, o sol a brilhar, Deus com todos os seus nomes, a Mãe Divina em todo o seu pacientar, porém, somos responsáveis por nossos atos, por nossas escolhas, e isso é o que nos diferencia de uma pedra. Saber disso é a Primeira Lição. Não se esquecer: a segunda!

Porém, não praticamos nem uma nem outra e, basta qualquer vento torto para mergulhamos na escuridão das imaturidades do reclamar; duvidando, mas com a chama do " papai, prova que eu tô errado" acesa.

A verdade é que desperdiçamos um grande tempo mendigando, quando deveríamos estar TRABALHANDO; e com todo o gerúndio que esse verbo exige.

E se você pensa que isso só ocorre comigo e com os outros, se avalia: você nunca duvidou do que você sempre soube que existia apenas por não ter conseguido o que você queria?

terça-feira, outubro 05, 2010

A AMIGA QUE VOLTOU DA NAMÍBIA

Minha amiga acabou de retornar da Namíbia. Viajante profissional, seus destinos são sempre lugares no mundo que os "turistas" não costumam colocar em suas listas. Quando fala sobre esses lugares, seu olhar brilha, seu corpo se move como se falasse, como se não só as palavras bastassem para dar conta do conto da sua viagem.

- Namíbia? - o povo pergunta, nos olhos pontos de interrogação; ela pacientemente "na África" explica, e então, quando eles descobrem aonde esse país fica, o próximo ponto em seus olhos é o de preocupação - Mas não é perigoso, dear? Você, uma menina, viajando sozinha nesse continente tão pobre e perigoso?

Ela sorri, e entre o seu sorriso de satisfação e mais uma explicação, provando que o tempo é mesmo relativo, ela revive todas as experiências que teve naquele lugar que quase ninguém sabe que existe, revê o povo, re-escuta os sons, re-sente o cheiro da África, recorda as cores no céu tingido de sol da manhã, relembra do sabor da comida, e re-guarda a lembrança no peito do jeito amistoso daquele povo tão feliz por simplesmente existir, e daí, então, ela conta o que provavelmente recontará toda vez que citar que foi para a Namíbia:

- Perigoso que nada! Mais arriscado é cruzar uma avenida em São Paulo!

E minha amiga se vai, satisfeita, já imaginando qual será o próximo canto do planeta que ela visitará...

segunda-feira, outubro 04, 2010

VAMPIROS DE ENERGIA

O vampiro pode estar ao seu lado:
10 formas para identificá-lo
Por Dr Americo Canhoto


Os Vampiros de Energia são pessoas de nosso relacionamento diário. Pode ser nosso irmão(a), marido/esposa, empregado, familiar, amigo de trabalho. vizinhos, gerente do banco, ou seja qualquer pessoa de nosso convívio, que esta roubando nossas energias, para se abastecer. Eles roubam energia vital, comum no universo, mas que eles não conseguem receber.

Mas, por que estas pessoas sugam nossa energia, afinal?
Bem, em primeiro lugar a maioria dos Vampiros de Energia atuam inconscientemente, sugando a energia de suas vítimas, sem saber o que estão fazendo.

O vampirismo ocorre porque as pessoas não conseguem absorver as energias das fontes naturais (cósmicas, telúricas, etc), tão abundantes, e ficam desequilibradas energeticamente.
Quando as pessoas bloqueiam o recebimento destas energias naturais (ou vitais), elas precisam encontrar outras fontes de energia mais próxima, que nada mais são do que as outras pessoas, ou seja, você.

Na verdade, quase todos nós, num momento ou outro de nossas vidas, quando nos encontramos em um estado de desequilíbrio, acabamos nos tornando Vampiros de Energia alheia.

Tipos de vampiros:

Mas, como identificar estas pessoas, ou estes vampiros? Em estudos feitos, foram identificados os seguintes tipos de vampiros (você provavelmente conhece mais de um):
Vampiro Cobrador
Vampiro Crítico
Vampiro Adulador
Vampiro Reclamador
Vampiro Inquiridor
Vampiro Lamentoso
Vampiro Pegajoso
Vampiro Grilo-Falante
Vampiro Hipocondríaco
Vampiro Encrenqueiro

Quais as principais características deles? Como combatê-los???

a) Vampiro Cobrador: Cobra sempre, de tudo e todos. Quando nos encontramos com ele, já vem cobrando o porque não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, estará abrindo as portas.
O melhor a fazer é usar de sua própria arma, ou seja, cobrar de volta e perguntar porque ele não liga ou aparece. Deixe-o confuso, não o deixe retrucar e se retire rapidamente.

b) Vampiro Crítico: é aquele que critica a tudo e a todos, e o pior que é só critica negativa e destrutiva. Vê a vida somente pelo lado sombrio. A maledicência tende a criar na vítima um estado de alma escuro e pesado e abrirá seu sistema para que a energia seja sugada.
Diga "não" às suas críticas. Nunca concorde com ele. A vida não é tão negra assim. Não entre nesta vibração. O melhor é cair fora e cortar até todo o tipo de contato.

c) Vampiro Adulador: é o famoso "puxa-saco". Adula o ego da vítima, cobrindo-a de lisonjas e elogios falsos, tentando seduzir pela adulação. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele simplesmente espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura para sugar a energia.

d) Vampiro Reclamador: é aquele tipo que reclama de tudo, de todos, da vida do governo, do tempo, etc. Opõe-se a tudo, exige, reivindica, protesta sem parar. E o mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos e válidos para justificar seus protestos.
Melhor tática é deixá-lo falando sozinho.

e) Vampiro Inquiridor: sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo, e não dá tempo para que a vítima responda, pois já dispara mais uma rajada de perguntas. Na verdade, ele não quer respostas e, sim, apenas desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando seu fluxo normal de pensamentos.
Para sair de suas garras, não ocupe sua mente à procura de respostas. Para cortar seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta bem pessoal e contundente, e procure se afastar assim que possível.

f) Vampiro Lamentoso: são os lamentadores profissionais, que anos a fio choram sua desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelo lado emocional e afetivo. Chora, lamenta-se e faz de tudo para despertar pena. È sempre o coitado, a vítima.
Só há um jeito de tratar com este tipo de vampiro, é cortando suas asas. Corte suas lamentações dizendo que não gosta de queixas, ainda mais que não elas não resolvem situação alguma.

g) Vampiro Pegajoso: investe contra as portas da sensualidade e sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse lambê-la com os olhos, com as mãos, com a língua. Parece um polvo querendo envolver a pessoa com seus tentáculos. Se você não escapar rápido, ele irá sugar sua energia em qualquer uma das possibilidades:
Seja conseguindo seduzi-lo com seu jogo pegajoso, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos você estará desestabilizado, e, portanto, vulnerável.
Saia o mais rápido possível. Invente uma desculpa e fuja rapidamente.

h) Vampiro Grilo-Falante: a porta de entrada que ele quer arrombar é o seu ouvido. Fala, absoluto, durante horas, enquanto mantém a atenção da vítima ocupada, suga sua energia vital. Para livrar-se, invente uma desculpa, levante-se e vá embora.

i) Vampiro Hipocondríaco: cada dia aparece com uma doença nova. Adora colecionar bula de remédios. Desse jeito chama a atenção dos outros, despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os
pormenores de seus males e conta seus infindáveis sofrimentos, rouba a energia do ouvinte, que depois sente-se péssimo.

j) Vampiro Encrenqueiro: para ele, o mundo é um campo de batalha onde as coisas só são resolvidas na base do tapa. Quer que a vítima compre a sua briga, provocando nela um estado raivoso, irado e agressivo. Esse é um dos métodos mais eficientes para desestabilizar a vítima e roubar-lhe a energia.
Não dê campo para agressividade, procure manter a calma e corte laços com este vampiro.

Bem, agora que você já conhece como agem os Vampiros de Energia, vá a caça deles, ou melhor, saia fora deles o mais rápido possível .

Mas, não esqueça de verificar se você, sem querer, é obvio, não é um destes tipos de Vampiro...



Dr Americo Canhoto
http://americocanhoto.blogspot.com/

Palavra Cantada: EU

domingo, outubro 03, 2010

SANTINHOS

Que alegria, tanta criança pela rua,
Jogando santinho ás alturas;
Santinhos voando pelo céu,
Caindo no chão, tapando os boeiros,
Sujando as estradas, os becos;
Daí, fico pensando nessa gente sorrindo,
Enquanto a cidade vai se enfeiando e perigando,
Boeiro e lixo crescem em enchente,
Enchente acaba em morte
E a morte adora gente pobre!

Candidatos cruéis,
Vampiros da ignorância do povo humilde,
Abusam e pagam essa gente
Para distribuir santinho,
Que acabam no chão,
Puro lixo!

Triste ver todos esses "santinhos" no chão,
Vou rezar aos Deuses que acabam com esse sacrilégio
E mandem esses infiéis candidatos,
Direto para o inferno
Do esquecimento político.

VOTE NO VOTO


Dilma, Marina ou Serra,
seja quem for o seu candidato,
vamos sair ás urnas,
votar o nosso direito
e fazer bem feito.

Viva o Brasil e a Democracia!!!

sábado, outubro 02, 2010

Mergulhando no Oceano Vazio

" ...diante do todo e do vazio, não cabem mais palavras. Nem tudo pode ser representado, escrito, narrado. A mente e a linguagem não tem como dar conta daquilo que sequer é expressável em termos de tempo-espaço...*"



Eu, peixinho de rio, certa vez, mergulhei no Oceano e fiquei vazio.

Diante do infinito liquido, meus olhos de rio tentavam compreender o que estava sendo visto, e depois de tanto tentar, tentando, deixei de tentar, e acabei me entregando a viagem do nadar em águas que eu já havia conhecido em algum tempo talvez para sempre dentro de mim.

Peixinho de pena que eu era, queria escrever, reter tudo o que via; queria compartilhar com os outros peixes o que eu sentia, mas não conseguia, tentava, acreditem, mas não conseguia, daí, percebi que a linguagem que eu usaria não caberia num conto, não daria de conta, nem mesmo se eu escrevesse uma odisséia onde tentasse descrever a idéia daquele Oceano que se apresentava. Daí, fiz dos meus olhos espelhos e do meu corpo percepção, e mergulhei naquele Meio, em busca do sentido daquela visão.


" ... esse caminho é uma noite escura rumo ao inefável. Tudo que falamos sobre esses estados é muito lindo, mas não dissemos nada do que é. É terrível e maravilhoso...**"
Confesso que tinha medo, muito receio do azul profundo daquela imensidão, mas sabia que tinha que confiar, confiei então, que nada de mal ocorreria, e bastou afastar o medo, e eu vi, gente eu vi, a Mãe Divina, Lakhimi ou Iemanjá, ou qualquer nome que se dá, sim, ela estava lá para sempre a nos esperar, e ao seu lado, o Pai Eterno, Oxalá ou Brahman, Ishalá que eu não diga o seu nome em vão, e Ele sorria, como se estivesse me aguardando eternamente nas profundezas das alturas onde Está. Vi minha Casa, cheguei em casa, como se eu estivesse voltando de uma longa viagem e percebesse que a vida no rio era apenas uma passagem; e eu quis, por lá ficar, e nunca mais voltar, para o rio, voltar para o rio mais nunca; porém, eu sabia, por intuição que a minha aventura de existência no plano fisíco, estava longe de acabar e sim, eu teria que retornar.

Então, olhei para a Mãe Divina e para o Pai Eterno, e me senti orgulhoso de ter chegado até minha casa sozinho, enquanto outros tantos sequer tinham idéia que era possível vencer o mito e descobrir a verdadeira face do Divino. Eu deveria mesmo ser alguém especial, se não "o", um escolhido.

Cheio de orgulho pelo que eu consegui, comecei a ver meus Pais se afastarem de mim; daí, Papai e Mamãe do Mar sorriram um adeus, mas ainda houve tempo de ver que eles apontavam para o lado, para cima, para a esquerda e para baixo, e eu via, que outros tantos estavam chegando, e vinham de todos os cantos, e não eram peixes vindos do meu rio com a fé das minhas águas, mas outros tantos bichos que com os seus olhos pequenininhos, viam os Pais Divino com outra visão, com outra face, bem diferente do rosto que eu enxergava, das imagens que eu havia visto, cada um vestindo o Amor que nos gerou de acordo com a sua bagagem de conhecimento e crença, e vinham em busca da constatação que aquela saudade que sentimos no peito não é ilusão, é uma essência, pois existe mesmo uma Casa Eterna, e o caminho para Ela, começa dentro de cada um, ao termos a coragem de abrir a porta do coração e mergulhar na transcendência.


"... é uma totalidade vazia, ou um nada repleto de tudo. Eu não sei contar quanta vida e tempo há em um segundo, quando projeta-se na vertical, em vez de descer a ladeira horizontal do tempo espaço. Eu não sei dizer sequer quanto tempo o tempo tem. Como falar de todo o universo que há no vazio, quanto o tempo é tempo que NÃO tem?***"


SOMOS TODOS UM SÓ




*
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Essa três partes da crônica foram extraídas do texto original portado por Lázaro Freire na Lista Voadores:
http://br.groups.yahoo.com/group/voadores/

sexta-feira, outubro 01, 2010

COMER REZAR AMAR

E assistir...

Confesso: gosto de filmes românticos, gosto ainda mais da Julia Roberts. Acho que ela é mais do que um rostinho bonito, aquele sorrisinho clichê e o beicinho; de fato, ela é uma grande atriz, oscarizada e já com bastante estrada para ter o CV que tem. Confirmo: tenho medo de filmes baseados em livros. Assisto sempre com desconfiança, porém, sei que é preciso certas liberdades de texto, algumas mudanças para que o roteiro consiga levar o que foi escrito para o terreno das imagens, da interpretação dos atores e todo e tudo mais.

Por isso é que torci para que o “Comer Rezar Amar” fosse bom, que não apenas conquistasse o público por um romantismo apelativo, e eis que o filme realmente me surpreendeu, não só pelas belezas das paisagens italianas, indianas e indonésicas, mas principalmente, por também mostrar um tanto de realidade: a Índia no filme é tudo menos a Índia da Gloria Perez.

O filme mostra Julia como Liz, uma escritora que, após o fim de seu casamento com o sonhador e indeciso Stephen (Billy Crudup) e de um breve romance com o jovem e inexperiente ator David (James Franco), decide viajar pelo mundo com o objetivo de encontrar a si mesma através dos verbos que dão título ao filme. Ela, a partir daí, se entrega aos prazeres da gula na Itália, busca espiritualidade na Índia e romance em Bali. Em suas jornadas, encontra pessoas que farão a diferença em sua vida e que ajudarão a moldar suas experiências.

Sim, é a velha jornada do herói, com todos os clichês que o gênero pede e permite. Filme pipoca, dirão muitos; água com açúcar, gritarão outros; mas é nisso que o filme é bom, pois nos permitir embarcar nesse drama que todos nós já vivemos, quase novela-mexicana de lágrimas, risada e satisfação que todos nós já passamos na vida. O filme permite essa catarse, e o público embarca nela, com facilidade. E nisso o diretor Ryan Murphy (que faz também o delicioso seriado Glee) consegue nos levar facilmente, conduzindo a audiência, para o não desfecho surpresa, onde a gente finge que se engana e que não sabe que o filme terá um final feliz, até que ele tenha.

Não, nem tudo é perdão: Javier Bardem em cena tentando ser brasileiro com o seu Felipe, falando um português que soa meio canhestro, dificulta a verossimilhança. Porém, vamos dar um crédito, já vi filmes americanos com atores falando mexicano em solo brasileiro. Eles estão melhorando...

Vá ao cinema. Recomendo!

SABER PEDIR

Conta uma lenda africana
Que quando o pedido é sincero,
O pedido ultrapassa o " eu quero"
E transcende as coisas do ego;

O pedido vibra de tal forma,
Que o peito já não usa palavras,
E em ondas de luz,
A sintonia é emanada
E chega
Até a cachoeira
De Mamãe Oxum,
Que sorri de volta
Em chuva
De gotas dos mais
realizadores pedidos.

Trabalho de Mim

Há coisas que eu quero
E não vou conseguir,
Pois embora, eu as deseje, sei
Que elas não farão bem pra mim;

Há outras tantas, porém,
Que estão prestes a cair
Do céu,
Basta erguer as minhas mãos,
E fazer trabalho de mim.

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