segunda-feira, agosto 14, 2006


Eo Krishna Das mostrou que � ao vivo que os mantras e cantos de devo��o tocam realmente os nossos cora��es Posted by Picasa

Todos dan�aram e cantaram o Mahamantra Posted by Picasa

My Lady confortavelmente assistia o show e pousava pra mim Posted by Picasa

Show do Krishna Das - Estacionamento do Credit Card Hall Posted by Picasa

Show do Krishna Das

Ola a todos

Ontem, domingo pela manhã, rolou o show inesquecivel do Krishna Das. Para quem conhece o trabalho do cara, foi muito bacana ver (ouvir) que aquele voicerão todo não é arranjo de estúdio.

Auri e eu encontramos vários outros voadores por lá e juntos pulamos ao som do mahamantra e nos preparamos para as grandes mudanças cantando On Namah Shiva Ya.

Gente de todas as tribos estavam presentes e a sensação de paz estava no ar. No final do show,
incrivelmente todos estavam tão sintonizados que não houve aplauso, mas um profundo silêncio, como se todos estivessem sentindo a repercussão dos mantras e canções de devoção repercutirem na alma.

On Bagavatha a todos e que a paz esteja sendo emanada para os céus do mundo todos os dias através dos mantras das batidas dos nossos corações.


Frank Oliveira

sábado, agosto 12, 2006


O Coelho e a Tartaruga (Classic Image) Posted by Picasa

sexta-feira, agosto 11, 2006

O Coelho e a Tartaruga

Minha vida é como aquele famoso conto: O Coelho e a Tartaruga. Por vezes sou a tartaruga, mas na maioria das vezes, corro e vivo como o coelho.

Quero chegar mais rápido ao destino; quero a casa pronta antes do primeiro tijolo; quero ouvir "eu te amo" antes do primeiro beijo e quero pra ontem o que comecei a fazer hoje. O irônico é que quanto mais eu corro, mas a vida me dá evidências que preciso diminuir a velocidade e que se eu continuar nesse rítmo, não passarei da próxima curva.

Sob o meu comando, a tartaruga sorri pacientemente no banco e espera o momento de eu deixá-la participar dessa corrida, mas luto, ignoro, teimo e deixo-a aguardando, afinal sigo o rítmo do mundo; as demandas da cidade grande. Vivo a "filosofia do coelho" no mundo profissional, no beijo rápido em quem amo por estar sempre atrasado, no telefonema da minha mãe que nunca tenho tempo para atender, no convite dos amigos que sempre deixo a esperar. Quando deixo a tartaruga atuar, e isso só ocorre por alguns instantes, percebo com lucidez que por quase todo o tempo, sou o coelho branco da Alice sempre com um relógio à mão, sempre indo para algum local e chegando à lugar nenhum.

Esses dias, no meio de mais uma corrida diária, senti uma dor bem forte no peito. Pressionado, o coração gritou: pare!

Senti o mundo rodando mais rápido que o sangue que corria em minhas veias, mais rápido que os carros que passavam na avenida com seus passageiros coelhos que nem perceberam outro coelho tropeçando, caindo e se segurando numa árvore, como se ela pudesse devolver o ar que lhe faltava aos pulmões. Em meio a dor, notei a tartaruga no banco de reservas, pedindo para assumir, mas o coelho ficou gritando: "O chefe vai nos matar se nós o fizermos esperar. Esquece a tartaruga! Se recupera logo! Estamos atrasados; temos mais um prazo para alcançar, mas um serviço para finalizar".

Talvez por causa da dor ou por ter me dado conta do quanto o coelho não estava me ajudando naquela situação, deixei a tartaruga assumir a posição e coloquei o coelho no banco. Respirei fundo e a deixei conduzir o ar de volta aos meus pulmões. Com a sabedoria milenar de quem aprendeu a esperar, a tartaruga acalmou meu coração, encheu de paciência o meu sangue e fez minha mente ficar serena, tranquila e limpa. Não demorou muito e eu estava me sentindo melhor, então, arrumei a gravata e sorrindo voltei a pista: estava de volta à corrida novamente. Agradeci a tartaruga, mas injustamente a substitui pelo coelho, que assumiu sua posição titular, já ordenando: corre, estamos atrasados!

Como já disse, minha vida é uma corrida entre o Coelho e a Tartaruga. Por vezes sou a tartaruga, mas na maioria das vezes, mesmo com a vida me ensinando que preciso diminuir o ritmo, sou teimoso e vivo escalando o coelho; contudo a vida é mais esperta e não vai demorar muito para ela me mostrar novamente que a tartaruga sempre vence no final.

quarta-feira, agosto 09, 2006


Os sobrinhos do Frank em profundo e "fake" estado de medita��o Posted by Picasa

Lixo na Alma

Lixo na Alma

Dona Margarida ficou surpresa quando recebeu a intimação da Segurança
Sanitária da cidade de São Paulo. Ela estava sendo indiciada por crime
contra a saúde pública por guardar em casa algumas toneladas de lixo, que
segundo ela, eram apenas objetos, pertences e lembranças que ela tinha
certeza que usaria algum dia.

Especialistas trataram de correr para os programas de televisão para dar
explicações sobre a razão pela qual a doce senhora guardava toneladas de
restos de comida, jornais e revistas antigos, objetos enferrujados e
milhares de outros objetos em casa. Eles disseram que o hábito, um tanto
estranho, da Dona Margarida poderia ser causado por duas patologias :
Sindrome de Diogénes - alterações cerebrais que suprimem a crítica e o senso
de percepção de inadequação - e Transtorno Obssessivo Compulsivo, onde o
sujeito tem uma certa mania de colecionar coisas, objetos, de forma
exagerada para uma suposta utilização futura. Bem explicado e dado nome aos
bois, todos os especialistas voltaram para as suas clínicas e laboratórios,
mas se esqueceram de se olharem no espelho e se darem conta que de Dona
Margarida, todos nós temos um pouco.

Você acha que não?

Quantas objetos acumulamos em nossas casas que não terão a menor utilidade?
Jornais antigos, livros criando mofo na estante, revistas lidas, roupas e
blusas de frio que não usaremos mais.
Se é assim em casa, imagina quanta tranqueira inútil não carregamos na alma?
Quantas emoções grudentas e sentimentos ruins guardamos no peito, com a
esperança infeliz de um dia serem utilizados contra alguém. Você acha que
não? Posso te garantir que tem muita gente por ai que guarda toda uma
munição de mágoa, raiva e rancor para o contra ataque que ocorrerá no dia em
que ela reencontrar a pessoa que a magoou. Quem pode culpá-la, afinal, jogue
a primeira pedra quem nunca fez isso?

Por que será que não conseguimos nos despreender de tantas coisas e
sentimentos inúteis? Por que será que guardamos tantos entulhos em casa e na
alma?

Será que é preciso que nossa casa ou nossa alma seja invadida pelo dedo
alheio apontando o lixo que não conseguimos mais ver, mas que está
encrustado ao nosso redor?

A pergunta seguinte é: como podemos nos livrar desse lixo todo?

A Vida que é especialista em perdão, compaixão e envolução diria: Limpando,
reciclando e principalmente desapegando!

Mágoa e raiva de amigos ou familiares são munição inútil para quem já
aprendeu que "também morre quem atira".

Livros nunca lidos merecem receber a leitura de outras pessoas; podem ainda
virar alimento para as crianças famintas por conhecimento das bibliotecas
públicas.

Revistas e jornais podem ser reciclados; roupas podem ser doada; abraços
podem ser dados.
Nossa roupa velha ainda tem utilidade. Sabe aquela blusa antiga que você não
usa há anos? Ela poderia estar aquecendo alguém numa noite fria.

Sabe aquele 'eu te perdôo" mofando em algum lugar entre os desejos de
vingança? Ele poderia arrancar sorrisos e se alquimizar em paz no coração
daquelas pessoas que por imaturidade e insegurança, pisaram no seu calo
nessas caminhadas em conjunto da vida.

Faça uma lavagem na sua alma, despreenda e recicle. Doe o que já não lhe
serve mais e jogue no lixo o que é lixo. Só o que devemos guardar conosco é
o nosso coração, nada mais.

Os chineses dizem que " em casa de água parada, a prosperidade não passa".
Como está a sua casa? O que você anda carregando na alma?


Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com

segunda-feira, julho 31, 2006

Cavaleiro da Paz contra o Dragão do Parkison

Eu conheço um cavaleiro. Sim, isso mesmo, um cavaleiro com as definições
medievais que surgem em sua mente quando você lê a palavra. Além de
cavaleiro, ele também é um cavalheiro, pois além de ser um guerreiro, essa
pessoa é um gentleman: educado, sereno e com um eterno sorriso, mesmo em
meio a tantas adversidades.

Sim, eu sei. Todos nós enfrentamos os nossos combates diários, mas muito
poucos possuem tamanho desafio pela frente; poucos carregam cruz tão pesada
quanto a que ele leva no corpo. Esse cavaleiro luta á tempos contra o Dragão
do Parkison e não perde a pose de batalha, nem descansa a espada, mesmo
quando o Dragãose esconde na caverna e ensaia uma falsa trégua.

Montado no cavalo da sua vontade, ele está em guarda e representa todas as
pessoas que também lutam contra esse Dragão. Sua bandeira têm os brasões do
amor e da paz. Sua armadura é de um dourado que reflete a espiritualidade
que sempre foi uma certeza em seu coração, mesmo nos momentos mais difíceis.
Seu escudo tem o desenho de uma estrela para lhe mostrar que todos nós somos
seres estelares temporariamente encarnadas em corpos fisícos. Ele sabe que a
morte é só uma passagem para um outro plano, onde continuaremos brilhando
eternamente. Dever ser por isso que não o escuto reclamar da luta, pelo
contrário, ele sabe que no fundo o Dragão é um aliado para lhe mostrar sua
força, sua capacidade de superação e principalmente mostrar a todas as
pessoas que maldizer a escuridão não acende a luz que carregamos no peito e
por si só já basta para iluminar o nosso caminho.

Eu conheço um cavaleiro e embora a sua história não seja narrada e cantada
pelos trovadores ou ecoem pelos corredores dos castelos, sua luta solitária,
para os que o conhecem, é a nossa própria luta na terra para ser feliz e
continuar vivendo bem sempre, mesmo sob o perigo de uma nova emboscada.


27 de Julho de 2006

terça-feira, julho 25, 2006

Passaporte

PASSAPORTE

Jamais achei que meu passaporte valesse muita coisa. Viajante, sempre tive
que lutar para conquistar vistos, permissões e autorizações para ir aonde eu
sempre quis.

Confesso que sonhava com passaporte europeu ou americano, ou qualquer
passaporte que não exigisse burocracia, que pulasse fila, que evitasse a
cara feia e desconfiada de agentes e fiscais da imigração, que sempre olham
desconfiados para nordestinos vagamundos como eu, esses brasileirinhos que
insistem em conhecer o planeta e suas maravilhosas curvas e contos. Contudo,
mesmo não abrindo facilmente as portas dos portos e as janelas que escondem
novos horizontes, meu “verdinho” sempre me levou aos quatro cantos do
mundo; da Paraíba à Paris, de Londres ao Egito, da Índia ao Líbano...
Líbano...

Abro o jornal e vejo a imagem da mãe que chora sangue, segurando a filha.
Elas foram impedidas de entrar no navio, na caravana dos resgatados, no
avião de socorro, por não portarem passaporte estrangeiro.

Nesse instante, o meu coração se abre e sintonizo algo, além do espaço:



“Sou essa mulher, e de meus olhos escorrem lágrimas de sangue. Seguro minha
filha sob o véu negro que cobre o meu corpo, como se fosse uma tatuagem que
representa o próprio Islã. Não penso em Israel, nem muito menos no
Hizbollah; não penso no Líbano destruído ou no número de feridos; só quero
salvar minha filha, escapar com vida, sair dali.

Desesperada, tento embarcar com um grupo de brasileiros, mas não consigo,
não tenho dupla cidadania. Nem o português que arranho, afinal boa parte da
minha família vive em São Paulo, consegue me ajudar. Se ao menos tivesse
cidadania estrangeira nem precisaria ser americana ou européia, nem
precisaria ser brasileira, qualquer passaporte ajudaria. Qualquer documento
nos levaria além das bordas do lugar que fora o meu lar e que agora virara
prisão. Qualquer passaporte nos levaria para além das bordas, para lugares
que não são bombardeados, que não explodem inocentes, que não exigem a vida
de quinhentos em nome de dois. Qualquer passaporte me salvaria, qualquer
passaporte salvaria a minha filha, qualquer passaporte que não o meu.”



Volto a mim e não consigo esquecer a foto no jornal, não consigo esquecer os
seus rostos. Elas são pedacinhos de mim, pedacinhos que choram em algum
lugar, enquanto sob suas cabeças, caem as bombas de ignorância.

Jamais imaginei que o passaporte brasileiro valesse tanto. Jamais imaginei
que meu passaporte valesse vida.



São Paulo, 25 de Julho 2006.

domingo, maio 14, 2006


Happy Mother�s Day: My sister and my Mother Posted by Picasa

Antes de Tudo: Mulher

A brisa do mar tocou a face de Eliane, o som das ondas morrendo na praia
chamou a sua atenção, mas ela só tinha olhos para os pés da filha pisando na
areia, de mãos dadas com o pai; só tinha ouvidos para a voz da filha que se
misturava com a do pai, num canto sagrado chamado Familia.

Não era a primeira vez que a sua filha de 02 anos vinha á praia, mas era a
primeira vez que ela os observava de longe, e o que via, banhou os seus
olhos, lavou sua alma.

A cena poderia ser piegas aos olhos dos outros, mas em seus olhos era pura
conquista, extremo contentamento. Ninguém fala muito sobre os desafios de
ser mãe, pois todos esperam que toda mulher já nasça sabendo se doar, cuidar
dos outros, quando em verdade, cuidar de sí mesmo já é uma tarefa
complicada. Nunca foi fácil ser mãe e esposa, pois no meio de tudo sempre
houve a mulher, que lutando contra aquela que surgiu após a aliança e a
outra que tomou de conta após o parto, precisou achar um caminho para
mostrar ao mundo e a si mesma, que além de esposa e mãe, ela também era
mulher. Mas além do preço que pagou e de tudo que teve que ceder, no fundo
essa mulher sabia que não era uma questão de lutar para retomar um lugar e
sim se adequar a mais uma nova experiência nessa jornada pelo feminino
durante a vida.

E como estava valendo a pena cada fase daquela jornada.

Naquele momento através do amor que sentia por sua familia, ela percebeu que estava completa e feliz. E sorrindo, deixou as lágrimas expressarem o que
mil palavras não conseguiriam. Lágrimas de agradecimento aos céus pelo que
havia conquistado. Lágrimas de contentamento pela filha saudável e pelo
marido feliz. Lágrimas por ser mulher, pois mesmo que um dia a filha parta e
o marido a negue, ela continuará experimentando todas as faces de ser
feminina, faces que começaram desde que ela nasceu filha e continuarão além
do dia em que a chamarem de avó.

Frank
10 de Maio de 2006

domingo, abril 23, 2006


O livro " And Tango makes Three" Posted by Picasa

O Segredo dos Pingüins

Little Bob deveria estar jogando vídeo game, mas havia o livro que pegara na
biblioteca que não lhe saia da cabeça: “And Tango makes Three” contava uma
história que ocorreu há dois anos no zoológico do Central Park, em Nova
York. Dois pingüins machos, Roy e Silo, chocaram um ovo e adotaram o
filhote, formando uma família fora dos padrões daquelas que se vê no local.
A história deles se tornou livro infantil e todos os alunos precisavam ler e
comentar na classe a leitura do mesmo.

Bob tinha ficado fã desses bichinhos, depois que assistira no cinema “A
Marcha dos Pingüins” e não conseguira parar de ler o livro que lhe deram. À
medida que lia, ele conseguia imaginar a cena tão nitidamente que parecia
que assistia ao filme. Riu da confusão dos animaizinhos e se emocionou ao
perceber que a união dos dois pingüins machos resultara em vida.

Quando chegou a última página, percebeu que aprendera algo e era isso que
falaria na classe no dia seguinte: “Há diferenças em todo o reino animal,
não podemos julgar nada pela aparência ou por nossos preconceitos, pois Deus
é tão bom que tem um plano de amor até para um casal de Pingüins machos.”

Pensava nisso, quando seu pai se aproximou e arrancou o livro das suas mãos.
Ele acabara de ler sobre o livro nos jornais; livro este que fora proibido
em todo Estado de Missouri.

- Quem te deu esse livro pra ler? – perguntou o pai furioso. Little John não
sabia o que responder; conhecia quando seu pai estava alterado e sabia que
se não desse a reposta certa iria apanhar. Mas qual seria a resposta certa?
Ele nem sabia ao certo o que tinha feito de errado.

“A Professora me pediu pra ler”, respondeu, já esperando a pancada, mas nada
ocorreu. Seu Pai olhou mais uma vez para o livro com a foto dos três
pingüins na capa e para ele, mas em seguida saiu do quarto. Alguns momentos
depois, Little Bob começou a ouvir seus pais discutindo sobre o livro.

“O que havia de errado com o livro?” ele se perguntava, mas nenhuma resposta
vinha a sua mente e estranhamente no dia seguinte não houve aula. Quando
finalmente voltou para a escola, havia uma professora substituta na classe.

Ele nunca entendeu porque razão a antiga professora jamais voltou a dar
aulas para eles e o silêncio dos novos professores quando ele perguntava se
cairia na prova à leitura do livro dos Pingüins.

No final, acabou se convencendo que certas perguntas não possuem resposta e
aceitou a ordem silenciosa de nunca mais discutir com os adultos sobre
aquele livro, porém, esse silêncio não existia entre as crianças que leram o
livro, pelo contrário, eles conversaram sobre o livro proibido que tanto
enfureça os adultos o ano inteiro e chegaram à conclusão que seus pais eram
mesmo estranhos, afinal não tinha nada naquele livro além de um historia de
amor.

Frank
23 de Abril 2006

Notas do autor: Leia mais sobre o livro e os pingüins no link abaixo:
http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/especiais/pinguins/pinguin.shtm

sábado, abril 22, 2006


"To read or not to read..." Frank at the Shakespeare House Posted by Picasa

As Noticias e o Espelho

As Noticias e o Espelho


Uma curiosidade quase mórbida toma conta de mim toda manhã. Aproximo-me da banca de revistas e escaneio furtivamente as manchetes dos jornais como quem olha um acidente procurando corpos. Sei que boa coisa não iria ler, mesmo assim insisto na leitura, querendo saber o que esta ocorrendo de podre no reino tupiniquim; sabendo também que o efeito daquela noticia será similar à imagem de um corpo acidentado num desastre imbecil que poderia ter sido evitado por um drink a menos.

O anjinho e o diabinho brigam por essa decisão matinal que terá efeito pelo resto do meu dia, mas acabo dando ouvidos à curiosidade e mando para o inferno a precaução, o discernimento em saber que ler tudo aquilo não me ajudará em nada, pelo contrário, dependendo da noticia, ficarei o resto do dia comentando-a com os colegas, disseminando minha insatisfação com o mundo e distorcendo ainda mais o que li para convencer-los que o mundo está, estava e sempre estará à beira de um colapso.

- Bom dia, Frank! – diria alguém no escritório.
- Bom dia Fulano. – eu responderia, para em seguida comentar: Você viu que soltaram à assassina... Você ouviu a última de Brasília...

Se toda essa corrupção e violência que pinga dos jornais e revistas me embrulham o estomago, isso deve ser um bom sinal: devo estar mesmo no caminho menos egoísta; onde se não consigo evitar as besteiras que faço pelo menos esses atos medonhos do meu dia-a-dia não prejudicam tanto as pessoas ao meu redor. Contudo, meus comentários sobre o que leio nos jornais e absorvo pela TV, distorcidos pelo meu ponto de vista, ajudam ainda mais a propagar essa sensação de indignação que deveria deixar de ser teoria e obra prima para as minhas lamentações e passar a prática através do ato de votar em um candidato decente ou no drinque que deixaria de tomar, por saber que cada gesto meu, por menor que seja, acaba afetando a todos.

Se não consigo evitar essa “curiosidade” todo dia, ao menos estou tentando evitar o comentário inútil sobre esses assuntos desagradáveis de manchetes de jornais e que dão audiência aos tele noticiários e viram comida para os urubus de plantão. Nem sempre consigo. Ninguém quer saber se a sua sobrinha começou a andar ou se as pessoas finalmente pararam de passar fome no Sudão. Notícias boas não dão mesmo audiência, ibope e nem atenção. No fundo gostamos de ler e comentar sobre a desgraça alheia para nos dar conta o quanto a nossa vida é “maravilhosa e perfeita”. Precisamos dos políticos corruptos para que possamos declarar aos quatro cantos o quanto somos honestos, mesmo comprando produtos piratas que financiam essa mesma corrupção que tanto nos embrulha o estomago, mesmo sonegando impostos e etc. Como diria a sabedoria popular: apontar um dedo para o outro é apontar ao mesmo tempo três outros para nós.

Se alguém está fazendo algo que é o oposto que faríamos, precisamos pagar o preço de enxergar o reflexo desse espelho que é o rosto do outro. Não podemos exigir que esse reflexo se torne semelhante e nem muito menos julgar os seus atos com os nossos, como se fossemos o único modelo perfeito. Todos nós somos iguais (se acreditamos que fomos feitos à imagem e à semelhança de um Criador que não tem rosto e tem todos ao mesmo tempo), mas o nosso ego não. A imperfeição que gera essa distorção na imagem do espelho é a melhor prova que temos de que cada um de nós precisa trabalhar a sua imagem (o ego) de acordo com aquilo que precisamos experimentar para evoluirmos e nos tornarmos pessoas melhores nesse planeta.

Se você odeia morango, não posso forçá-lo a gostar por mais que acredite que essa fruta é a mais nutritiva e a mais saborosa. Se você vier a gostar de morango algum dia, será por conta própria, por meio das suas próprias escolhas e mesmo gostando das mesmas coisas, a experiência é diferente para cada um de nós.

Por isso que um certo Rabi á 2000 anos atrás dizia que o maior mandamento que existe é “Amais uns aos Outros” e não sei quanto a vocês, mas acredito que se há uma lista de sinônimos que ajude a descrever o amor, “Respeito” está no topo dela. Contudo, respeito pela mulher que te colocou no mundo não é o mesmo que submissão; respeito pela pessoa amada não significa escravidão; respeito pelo teu próximo não é ser um poço de reclamação; respeito por si mesmo não é chafurdar no lixo alheio para perceber o quanto o seu quintal é mais verde e nem tão pouco apontar a sujeira ou o mau cheiro. Pense a respeito, talvez o quintal do outro esteja sujo só para te mostrar o que o seu quintal pode se tornar se você parar de limpar.


Frank
22 de Abril de 2006

domingo, abril 16, 2006


Malhando o Judas/ Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0116.htm Posted by Picasa

Suzane von Richthofen

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Não Precisamos de Outro Judas

Saiu do trabalho mais cedo, pois queria ser o primeiro a chegar ao local onde a moça, assassina confessa dos pais, estava sendo interrogada. Conhecia toda a sua trajetória, sua vida, acompanhou tudo pela TV, pelo rádio e queria vê-la ao vivo, ela parecia ser cruel demais para ser real. Na verdade, ele alimentava essa curiosidade misturada com um desejo de vingança: se os guardas dessem chance, e se ela fosse linchada pelo povo, a primeira pancada partiria dele.

Não que fosse um homem violento, mas acreditava que aquela menina representava o pior que a humanidade poderia produzir. “Ela merece ser exterminada, ser colocada numa prisão e definhar aos poucos”, pensou enquanto olhava para o relógio. “Tudo seria mais fácil se tivéssemos pena de morte por aqui. Mas somos muito sensíveis com esses monstros, por isso há tantos por aí!”.

Por um momento, seu plano mental de extermínio de todos os assassinos confessos deu lugar a imagens de ovos de páscoa. Era quase Sexta-Feira Santa e ele deveria estar aproveitando o seu tempo livre para comprar os ovos que seus filhos estavam esperando ganhar, mas o chocolate poderia esperar, afinal não era todo dia que aparecia um Judas em carne e osso.

“ Sim, ela era um Judas” , ele pensava enquanto olhava pela janela do ônibus pessoas caminhando e fazendo filas nas lojas de chocolate. “ Traíra seus progenitores e os entregara à morte, por um punhado de moedas; merecia ser enforcada, apedrejada e ser lembrada dali em diante como “A Judas”.

“Sim, A Judas “, refletiu, olhando para o jornal, onde as manchetes eram a prisão da assassina e a descoberta dos pergaminhos sobre Judas. De acordo com o jornal, a fama do Iscariotes já não era a mesma, depois que apareceu o Evangelho de Judas. A discussão da semana era a inocência do apóstolo traidor e a defesa que ele não fora exatamente o vilão que a Bíblia tanto pregara. “ Só falta agora aparecer alguém proibindo os bonecos do Judas e a tradição de espancá-lo”, concluiu.

“Onde já se viu”? – ponderou com indignação – “As coisas são o que são e devem permanecer assim. Precisamos do Judas como ele é. Já pensou como seria a Páscoa sem ovos de chocolate e peixe? Totalmente sem graça! Mesma coisa sem o Judas traidor. Precisamos vingar Jesus, por isso a gente desse o cacete nos bonecos do Judas pelo mundo afora”.

Perdido em seus pensamentos, ele nem percebeu quando uma velhinha sentou ao seu lado no ônibus. Ela carregava o mesmo jornal que ele possuía e tinha lido.

- Boa Noite! – ela o saudou, ele respondeu com um sorriso. Não queria puxar assunto; estava ocupado com suas idéias e pensamentos, mas a velhinha insistiu no papo:

- Você acredita nesse novo Evangelho? – perguntou , olhando a manchete do jornal que ele segurava.

- Claro que não! – ele respondeu sem pensar duas vezes - Ridículo, não? Só falta alguém aparecer com um outro evangelho dizendo que Jesus não morreu na cruz.

- Não sei, não filho! E se estivermos enganados sobre Judas. Já pensou que injustiça...

- Mas não estamos! A igreja disse que esses Evangelhos são os tais apócrifos que não merecem nossa atenção!

- Sim, eu sei, mas já pensou se a igreja estiver errada quanto à isso; afinal os Evangelhos oficiais foram escolhidos há séculos. E se as pessoas que selecionaram os textos que entraram na Bíblia tivessem na época outros interesses que não a verdade? Imagina... coitado do Judas. Será que é muito tarde para repararmos isso?

- Ele não merece o nosso perdão. É um traidor. Ele é como essa tal de Suzane, eles merecem arder no mármore do inferno.

- Filho tenha cuidado com o que você vê na TV ou lê nos jornais. A gente, às vezes, incorpora as idéias e julgamentos dos outros e quando menos percebe, passa a defendê-los como se fossem as nossas próprias idéias. Essa pobre moça não merece ser a nossa válvula de escape.

- Como não? A senhora viu o que ela fez? Ela matou os pais e foi ao motel com o namorado.

- A questão não é o que ela fez e sim como reagimos a isso. É muito triste toda essa raiva coletiva sendo acumulada e canalizada em direção a essa moça. Ela está sendo malhada como malhamos o Judas num dia que deveria ser de paz e reflexão. Imagina que nesse momento enquanto essa moça esta sendo mantida na delegacia, há uma multidão querendo linchá-la. Matá-la não trará seus pais de volta, só servirá para mostrar que não mudamos muito desde a época de Cristo. Continuamos agindo como se fossemos um bando de abutres esperando o primeiro erro, a primeira vítima, a primeira carcaça e se há algo que deveríamos lembrar na Páscoa é o perdão. Será que temos o direito de julgá-la e queimá-la em praça pública, por ela representar o que abominamos? Não estaríamos com isso, nos tornando piores que ela?

Aquele papo com a velhinha o estava incomodando. Ele não se sentia enganado e nem tão pouco manipulado pela mídia. Porém, ele começava a sentir vergonha de estar indo para aquele lugar e estar agindo de forma oposta ao que Jesus ensinara. A velhinha tinha razão sobre essa questão do perdão na Páscoa.

- Essa assassina não pode ser tratada com tanta consideração - disse ainda tentando defender o seu direito de ir até o lugar - Até entendo que podemos estar errados quanto ao Judas, mas ela confessou o crime. Não há duvidas sobre o que ela fez.

- Por não haver dúvidas sobre o que ela fez é que devemos evitar ao máximo piorar ainda mais a situação dela com o nosso ódio. Quando sentimos todo essa raiva por essa moça nos tornamos cúmplices dessa onda de violência que começou com o crime e que continua com a cobertura excessiva da imprensa e o desejo de vingança coletivo. Filho, pense a respeito e faça a sua opção. Eu pessoalmente acredito que existem outras formas de canalizarmos as nossas frustrações e o nosso desejo de ver no outro tudo aquilo que não querermos nos tornar. Definitivamente não precisamos de outro Judas.

Frank
16 de Abril de 2006

domingo, março 19, 2006


Frank and Auri Posted by Picasa

Elvis e Frank Rivers Posted by Picasa

Ate o Elvis apareceu... Posted by Picasa

A Festa do Frank foi realmente uma surpresa... Posted by Picasa

quarta-feira, março 15, 2006


A cada dia um aniversario da vida Posted by Picasa

Santuário da Amizade

Santuário da Amizade

(para o amigo Frank, em seu aniversário)



Dois amigos, ainda crianças,
Caminham para a escola.
Ainda é cedo e o Sol está começando a aparecer.
Para não perder a viagem,
Apertam as campainhas das casas das ruas,
Por onde andam e depois correm!
Os anos passam e ambos tomam caminhos diversos.
Até que um dia, dois olhares se cruzam,
Em uma movimentada avenida da cidade.
Um silêncio impera e...
Os dois correm para se abraçar.
Um abraço apertado, forte mesmo.
Lágrimas correm de seus olhos.
Os seus cabelos brancos denunciam,
Para ambos, que a vida é a vida.
Nenhuma palavra.
Só seus olhares.
O Santuário da Amizade intacto,

Inviolado, limpo e honesto.
Que Psicologia de Faculdade humana
Pode interpretar tal grandeza???


Tom Lobo Vermelho - 16/03/06

terça-feira, março 14, 2006


Is nearly there: a few more hours and the number 32 will be knocking at your door. Posted by Picasa

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Biblioteca que não tinha Teto

- Zé, chegou livro novo! – grita Mané, carregando uma carroça recheada de
papelão, pela Avenida Prestes Maia, no centro de São Paulo.

- Chegou meu Garcia Marques? – pergunta Zé, no outro lado da avenida,
aproveitando o farol vermelho, para vender água e refrigerante no semáforo.

- Chegou esse não, Zé. Mas tem um novo Jonh Lee Carre e aquele livro que
você estava esperando o Seara...

- Qual? – pergunta Zé correndo para a calçada, o farol abriu.

- O Seara Vermelha do Jorge Amado.

- Legal! – responde satisfeito Zé – Onde você achou?

- Numa lixeira lá nos jardins, encontrei também toda a coleção do Harry
Potter. A molecada vai adorar.

- Sei, não, Mané – diz Zé, correndo de novo para o Semáforo – Essa molecada
deveria ler mais Monteiro Lobato.

- Sossega, Zé! – diz Mané, ajeitando um dos papelões que começava a cair –
Deixe eles lerem a J. K. Rowling, quem sabe eles não esbarram logo, logo
num Mark Twain. Você começou lendo Paulo Coelho. Lembra?

- Fala baixo, Mané!- grita Zé - Pega mal, meu.

********************************************************
Notas: Esse texto foi baseado nas historia de Severino Manuel de Souza,56,
morador do edifício Prestes Maia 911, uma das principais favelas verticais
de São Paulo que montou uma biblioteca com livros achados no lixo e doados
por entidades assistenciais no subsolo desse prédio invadido pelo movimento
dos sem teto em 2002. É nessa biblioteca que centenas de crianças,
moradoras do prédio, passam o dia inteiro lendo e se divertindo; lugar
também, bastante especial para Lamartino Brasiliano, 38, que abastece o seu
acervo cultural, pegando emprestado os últimos “lançamentos” que Manuel traz
para a biblioteca. Lamartino adora Jorge Amado, Graciliano Ramos e Guimarães
Rosa e não vê a hora de reler Cem Anos de Solidão pela segunda vez. Ele só
não assume que leu todos os livros do Paulo Coelho.

Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com

O Conto do Meio Copo

- Deus não existe – disse ela, chocada com as cenas que via na TV de um resgate de um bebê que fora jogado num rio. – Se Deus existisse, não permitiria que uma mãe fizesse isso com seu filho recém nascido – Completou irada, colocando o abandono da criança na sua lista semanal de desgraças urbanas.

Seu marido ouviu o comentário sem nada falar, sabia que ela esperava alguma resposta, mas era inútil argumentar. Já havia lido sobre o que ocorrera no jornal e sabia que o bebê estava bem e justamente por isso era que ele acreditava no oposto do que a sua mulher falara; ele sabia que aquele resgate milagroso era justamente a prova que havia um poder maior atuando sobre as nossas vidas. Para ele, tudo tinha a sua razão de ser, até as tragédias.

Ele não sabia explicar, mas por toda a sua vida, percebeu que as tragédias e os milagres sempre caminharam de mãos dadas e chegavam sempre a uma espécie de equilíbrio que nos empurrava pra frente; mas essa certeza intima, não é algo que se comente apenas que se sinta. Essa certeza é algo que carregamos conosco e que nos permite vivenciar ou observar essas tragédias com olhos de quem voa por cima e por não ver barreiras, entende o mundo como um todo.

Não adiantava convencer a sua mulher disso, nem muito menos ninguém; afinal há sempre quem enxergue um copo com água pela metade como um copo meio vazio e outros como um copo meio cheio. Através da lei dos opostos e dos diferentes pontos de vista, a humanidade em seu devido tempo caminha.


Frank Oliveira
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Bebe resgatado no Rio Pampulha Posted by Picasa

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O Primeiro Amor

Banhei-me de ouro,mergulhei no dourado. O ônibus estava lotado, a camisa suada, mas os olhos abriram caminho em meio a fadiga e ao calor e percebi a força do primeiro amor*.

Sim , o primeiro amor me tocou usando os raios de sol. A cidade cinza mergulhou no sorriso que o por-do-sol desencadeou em minha face e eu virei parte do crepúsculo.

Vi que estava sonhando de novo, sonhando acordado. Sonho lúcido do qual não consigo acordar e nem poderia ser diferente. Estou aqui pra sonhar, viver esse sonho em toda a sua dimensão, mas quando o sonho começa a perder o encanto, Ele se mostra e nos lembra do primeiro amor. Ele aparece no dourado refletido nos prédios e nos mostra que precisamos permanecer um pouquinho mais lúcido e não deixar o sonho virar pesadelo.

Sim, em momentos assim, posso sentir novamente o primeiro amor entrando por todos os meus poros e me lembrando de quem eu sou. Sim, em momentos assim, a saudade de casa me tira lagrimas dos olhos e da vontade de voltar. Em momentos assim, quase posso sentir o cheiro do lar vindo pelo ar, quase posso lembrar dos rostos dos amigos e amigas que torcem por mim nos bastidores. Quase lembro o que sei quando estou dormindo, mas preciso voltar pro sonho. Não posso acordar ainda. Esse sonho é bonito e só existe para que eu possa acordar, mas na hora certa. Mas não estou sozinho e toda vez que eu me esquecer disso, terei sempre o primeiro amor pra me lembrar.

Olho pro sol se despedindo e agradeço ao Criador por estar ali sentindo aquilo. Agradeço por estar vivo e poder estar consciente daquela sensação de certeza que há algo a mais do que os nossos olhos podem enxergar.

Sinto o primeiro amor pulsando no meu peito e entrando e saindo com o ar que respiro. Esse amor estava comigo, sempre esteve, mas precisa de um por do sol pra me despertar. Esse amor é minha estrela guia nos momentos em que esqueço completamente de quem sou e de onde vim. Esse amor é a minha luz nos momentos escuros. Luz que reflete no pedacinho do divino que habita dentro de mim. Luz Maior que foi e é o meu primeiro amor.


Frank Oliveira
23 de Janeiro de 2006
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* Primeiro Amor: aprendi a chamar assim essa energia da vida, do todo; com o meu amigo Wagner Borges, que sempre procura passar através dos seus cursos, mas que teoria. Ele desvenda o oculto, revelando o coração.

sábado, janeiro 21, 2006


O Elemental  Posted by Picasa

Renascimento Posted by Picasa

quinta-feira, janeiro 12, 2006


O Labrador vigia o Pit Bull Posted by Picasa

O Pit Bull e o Labrador

Tudo começou com um leve arrepio, quase igual aquele causado pelo frio. Não dei bola, segui minha estrada; contudo havia algo estranho na maneira como eu estava me comportando. Estava muito blues, para quem geralmente é jazz.

Desconfiei, mas não fiz nada a respeito. Não acreditava que era isso, afinal, minha antena estava bem sintonizada. Na minha rádio só tocava som de alta qualidade. Os solos de guitarra e a vibração da cítara não combinavam com aquelas batidas funks que invadiam meu dial. Era como se uma dessas rádios piratas tentasse tirar do ar a minha FM.

Aquilo tudo começou a tomar de conta do meu agir. Quando dei conta de mim, já estava totalmente absorvido por pensamentos mesquinhos e comecei a ser guiado por atitudes grosseiras.

Tinha discernimento para perceber que precisava fazer algo, mas parte de mim estava contente por eu estar agindo assim. Era como se o Pit Bull que estava preso colocasse para correr o Labrador. Eu me sentia livre, mas era uma liberdade nociva que não convinha mais a pessoa que eu me tornara.

Só podia ser influência externa, mas tinha tomado conta de mim muito rápido e fácil, pelo visto eu era em parte responsável por sua influência. Abrira a porta para o vampiro e agora as vibrações tinham despertado o pior que havia em mim. As sensações me fizeram lembrar de uma época em que eu era assim o tempo inteiro, porem mesmo podendo fazer e ter tudo, no final o resultado foi o nada.

Lembrando disso, parei na ponte e não quis cruzar para o outro lado. Ainda havia tempo de ignorar a aliança. A vibração na nuca aumentou e me impulsionava a continuar, mas decidi optar pelo longo caminho; o atalho já foi a minha estrada e nunca me levou a lugar algum.

Por hora, a rádio pirata foi vencida e a FM voltou a tocar as baladas fantásticas da caminhada saudável, onde os solos de guitarra são acompanhados pelo som de uma doce flauta. O Labrador voltou a ficar de guarda, mas o Pit Bull está lá na sombra, esperando o som que o coração não ouve, novamente o soltar.


Frank
12 de Janeiro de 2006

segunda-feira, janeiro 09, 2006


Por Completo Posted by Picasa

Fazendo as Pazes Sempre Posted by Picasa

Pela Metade

Poderia ter sido a noite perfeita, se não fosse por ela.

Tínhamos a lua refletida no lago a nossa frente, estrelas, musica e uma
baita sintonia.

Ela era fantástica, espirituosa,bem humorada, inteligente, sensual; mas não
sentia atração física por mim.

Sei que parece clichê, mas ela só queria minha amizade e ignorava, ou fingia
não entender, o meu “querer algo mais”.

Ela queria minha companhia, mas não meus carinhos; queria minhas palavras,
mas não sentir os meus toques. Poderíamos ter sido os melhores amigos do
mundo, se eu tivesse enxergado nela algo mais que uma mulher.

Culpava a solidão, amaldiçoava o fato que eu não era um Mel Gibson ou
qualquer um desses atores, modelos, rostos de capa de revistas que embora
vazios feito toco, encantavam, atraiam e tiravam dos pobres mortais as
chances de felicidade ao lado de mulheres como aquela moça, que na calada da
noite mais romântica de minha vida, me dava um fora.

Culpava a moça; afinal se não queria nada, porque aceitara ir ate aquele
lugar. Fingia não entender, ignorava a lembrança que fora eu que armara o
fim de semana no sitio com amigos fantasmas que nunca poderiam estar por lá.

Culpava a moça por não gostar de mim como uma mulher gosta de homem.

Culpava a moça por enxergar a minha alma e não o meu sex appeal.

"Quanto atrevimento! Onde já se viu amar a minha essência e não ficar
atraída pelo meu corpo."

A verdade é que não estava levando um fora, mas apenas constatando algo que
eu já sabia: Há pessoas que se atraem fisicamente e outras que se atraem
energeticamente, mentalmente, espirituosamente, almamente e toda forma de
“mente” que separa um abraço de amigo e um beijo de amante.

A gente sabe disso, a gente sente, mas finge não saber e embarca numa
jornada rumo ao coração partido; mergulha numa epopéia de bobagens
sentimentaloides que só pode dar mesmo em nada. Ainda bem que a gente pode
culpar o outro e acabar com a única coisa boa que tínhamos e
compartilhávamos: a amizade.

Mas ela era a moça. A minha alma gêmea, a tampa da minha panela, a estrela
que desceu a terra e se fez mulher para iluminar o meu caminho. O que houve?

A noite perfeita gritou: “Quanta ilusão, abre seus olhos, seu tonto!”

É noite; ela não era a moça, nem muito menos a minha única alma gêmea (
afinal todas as almas são gêmeas, parceiras e caminham juntas por um tempo
entre o ontem e o amanha). Ela era uma estrela, mas não a estrela-mulher que
iluminaria o meu caminho escuro e solitário.

Mas a pergunta continua...O que houve?

"Mundo real!!!" - responderam os grilos no mato, na lagoa e na cuca.

Poderia ter sido uma noite perfeita onde rapaz fica com a moça e iniciam um
relacionamento perfeito e vivem felizes para sempre. Poderia ter sido como
num conto de fadas, mas foi apenas realidade.

No mundo real a moça não gostou do rapaz e o rapaz continuou sozinho,
errando e acertando, acertando e errando, ate o dia em que se deu conta que
para encontrar a moça que viria para ficar, ele precisaria estar preparado
para abrir mão dos contos de fadas e abrir o seu coração para o fato que uma
relação só vale mesmo a pena se as pessoas envolvidas sentirem a mesma
atração e sintonia, pois nada pela metade se completa.


Frank
Paraibinha feio, cabeça-chata que encontrou sua parceira de vida, depois de
muitas andanças e cabeçadas.

Por onde andará o Senhor do Sono?

Fui dormir, sem falar com ela.

Podia falar alguma coisa, quebrar o gelo; mas havíamos brigado; e de acordo
com o manual do casamento, artigo 42, do parágrafo 6; depois de uma
discussão noturna, cabe ao marido e a mulher manter silencio e ignorar a
presença do outro, mesmo estando no mesmo cômodo, até a manhã seguinte,
quando um dos dois levantará a bandeira branca e pedirá desculpas.

Mas será que não seria melhor pedir desculpas agora mesmo? Pra que esperar
até amanhã, se podíamos fazer as pazes naquele instante e dormir tranqüilo,
voando pelo mundo do sono como um passarinho?

Não!!!

A culpa foi dela. Ou será que foi minha? Afinal, quem começara aquela
discussão boba que terminara em “vou ficar de mal”? Quer saber, não importa
quem começou; eu é que não vou pedir desculpas, mas porque ela continua em
silencio?

Cadê meu sono? Onde esta o Senhor do Sono que joga areia nos nossos olhos e
nos leva para o outro mundo? Será que ele está esperando que façamos as
pazes para nos convidar a ninar? Pode esperar sentado com seu saquinho de
grão de areia, pois se depender de mim, nenhum dos dois vai dormir essa
noite.

Mas porque não consigo esquecer essa discussão estúpida que não passa de um
grão de terra no terreno do nosso amor?

O que será que pesa mais nos ombros? O cansaço de um dia que se foi ou a
mesquinharia do orgulho ferido?

Cala a boca, Consciência!!!Estou de mal e ponto final.

São duas da manha e há um abismo separando eu e ela. Um cânion dividindo os
dois lados da cama. Não sou o Senhor Elástico, mas meu braço se estica alem
do meu orgulho e começa a atravessar o abismo e meu corpo se aproxima do
dela. Nossos corpos se tocam e o silencio é rompido pelo barulho do meu ego
quebrado:
“Meu amor – digo eu – já é dia no Japão. Como se pede desculpas em japonês
mesmo?”

02 de Agosto de 2005
Frank

Vidas Futuras Posted by Picasa

Vidas Futuras

A salvação viria com a terapia. Bloqueios, traumas e complexos estavam com os dias contados se ele tomasse o doril das vidas passadas; pelo menos era o que prometia o folder da loja Lenga-lenga.

Tudo que bastava era ligar pro 0800 ou preencher o cadastro no site nova-era.com; mas antes de ligar ou acessar a internet, ele precisava se informar um pouco mais sobre o assunto. Era esperto e não cairia em nenhuma cilada como ocorrera naquela terapia xamãnica de renascimento, em que precisou comprar um animal do poder e um colar xavante, que estava com a etiqueta da 25 de Março. Estudar o assunto evitaria não só micos como esse, como também o ajudaria a chegar à oficina sem cara de Mané que não sabe nada de motor.

Comprou então o kit vidas passadas que trazia como brinde o fascículo “bisbilhote também as suas vidas futuras”. O Dr. Bryan Uées era um PHDZ no assunto e o Cd que veio junto com o material o conduziu por mil e uma noites pelas escadarias da memória apagada; porem o máximo que ele conseguia com esses exercícios fora uma passagem direto para o sono profundo.

- Esse negócio de “Faça Você Mesmo” é uma furada – disse frustrado – Preciso de ajuda profissional. – concluiu, já discando o 0800 para marcar uma consulta para o dia seguinte.

O dia seguinte não tardou a chegar, o que não pode ser dito da Terapeuta que chegou com horas de atraso.

- Karma! – disse ao vê-lo esperando na recepção – Fiquei três horas presa na marginal. Karma de outra vida em que fui policial e não precisava parar no farol. Meu nome é Astrogilda – disse sorrindo.

- Orostáquio – disse, se apresentando com o primeiro nome que veio á sua mente; afinal se ela realmente fosse boa, descobriria que seu verdadeiro nome era Escolástico.

Boa, na verdade ela era. Tinha um corpo escultural e um rosto que lembrava um anjo com olhinhos bem capetas. Era perfeita, até sua aura era linda, pelo menos era o que mostrava as fotos Kirlian da moça na parede, junto com o diploma de Terapeuta de Terapia de Vidas Passada da Universidade Oculta do Conhecimento Esotérico.

- Venha comigo – ela disse abrindo a porta do cômodo onde um forte cheiro de incenso de canela o fez espirrar. Ele era alérgico a qualquer tipo de incenso.

- Está muito forte pra você? – ela perguntou preocupada.

- Um pouquinho – ele respondeu e ela abriu a janela. “Que curvas” ele pensou tão alto que o pensamento virou sussurro.

- O que disse?

- E.. está bem melhor agora. - corrigiu, já pensando em trocar as vidas passada por um vida bem presente com ela. Porem algo estranho ocorreu. A brisa e o traseiro da moça lhe trouxeram uma sensação que nunca sentira antes, uma sensação de Deja Vu, palavrinha francesa, que de acordo com o que ele tinha lido na revista Sétimo Sentido, tentava nomear aquela sensação de já termos visto antes algo, alguém ou algum lugar quando na verdade, nunca vimos aquela pessoa ou estivemos naquele lugar. Sensação que os céticos descrevem como reação química inadequada ou Falha na Matrix, como preferem os mais moderninhos.

- Você já fez isso antes? – Astrogilda perguntou, colocando seus óculos, ato que ele achou extremamente sexy.

- É a minha primeira vez – ele respondeu e foi invadido por lembranças. Aquele consultório deveria mesmo ser dos bons. Dez minutos por lá e ele já estava lembrando um dos episódios mais traumáticos de sua vida que ele havia esquecido completamente. Lembrança essa que envolvia uma garrafa de cachaça, uma velha prostituta com cara de traveco; camisinha rasgada e uma espera angustiante pelos resultados dos exames de HIV que ele faria na manhã seguinte à noitada.

- Por que você quer fazer TVP? – ela perguntou enquanto colocava no estéreo um Cd da Enya.

- Porque quero tentar entender melhor certos traumas que tenho e vencer limitações psiquicas que me impedem de crescer espiritualmente – ele disse, repetindo palavra por palavra o que lera no livro do Dr Uées.

Algumas respostas brilhantemente decoradas depois e Escolástico deitou no divã, desejando que em breve, estivesse deitado em outro lugar, com Astrogilda lhe acompanhando.

- Muito bem! Vamos começar...

Ele fechou os olhos, respirou fundo, tentou pensar numa ilha deserta, mas a imagem da velha prostituta surgia a todo instante. O que não era de todo mal, a lembrança do rosto dela o ajudava a evitar uma situação constrangedora que parecia eminente, se Astrogilda continuasse tão perto dele.

- Erga o pensamento e pense no Altíssimo ou em algo que você considere ser bem bonito. Algo que possa elevar as suas vibrações.

Elevar as vibrações? Será que ela estaria louca de pedir algo assim pra ele, tudo o que ele precisava naquele momento era baixar as vibrações. “Volte a pensar na velha prostituta” ele ordenou a seus pensamentos e estranhamente passou até a lembrar da voz dela...

- Se deixe levar pelo som da minha voz... – dizia Astrogilda e ele foi se acalmando cada vez mais. Relaxando e entrando em transe. A sua respiração foi ficando cada vez mais compassada e a voz de Astrogilda foi ficando cada vez mais distante á medida que ele ouvia novos sons e imagens. Será que ele estava acessando seu passado? Será que ele estava realmente conseguindo fazer a regressão?

A voz de Astrogilda foi diminuindo cada vez mais e outra voz foi surgindo no lugar, cada vez mais alta e familiar. Cada vez mais próxima. Cada vez mais perto dele, tão perto que ele começou a ver imagens, que foram se transformando em sensações muito mais físicas do que ele estava esperando sentir.

- Venha meu Leãozinho – disse a velha prostituta, se despindo a sua frente.

- Aahhhh!!!! – gritou Escolástico totalmente presente no seu passado.

Ele estava lá na sua iniciação sexual; na sua primeira vez com a prostituta que parecia um traveco. Quis gritar e pedir que Astrogilda o trouxesse de volta, mas não conseguia. Sua terapeuta parecia não estar lhe ouvindo. Como era mesmo o nome dela?

Ele estava ali no seu passado. Como escapar? Como escapar daquela lembrança? Por que não lembrara do seu primeiro beijo no bailinho da escola? Ou o primeiro salário em dólar? Onde ele podia trocar de canal?

Assustado, ele se afastou da prostituta que não entendeu o que estava ocorrendo.

- O que há meu querido, não quer terminar o trabalho?

- Sai pra lá, você nem está aqui, você é apenas uma imagem do meu passado.

- Eu posso ser o que você quiser desde que eu receba meu dinheiro no final.

Havia algo errado, ela estava concluindo, aquilo tudo parecia ser muito real pra ser apenas uma imagem do seu passado. A velha continuava lá, o gosto de cachaça na boca também. E a camisinha no bolso...

- Isso mesmo, Leãozinho, venha para a sua Orostáquia!

A camisinha estava no bolso, ele não tinha transado ainda. O passado era presente. Ainda havia tempo e ele correu dali, como se corresse pela sua vida. Enquanto corria, ele ria ao mesmo tempo em que não entendia nada que havia rolado. Já na rua, tentando respirar depois do esforço, do riso passou a gargalhada com aquela situação ridícula. As lembranças da sua suposta consulta com a Terapeuta foram enfraquecendo, quase sumindo. O futuro que era presente foi sumindo, como lembrança de sonho, como se o que era tão nitido e lucido passasse a ser algo totalmente confuso.

- Cara, o que rolou por ali? – perguntou a si mesmo, mas não havia nenhuma resposta. Seja lá o que tivesse ocorrido naquele lugar tinha ajudado ele a não cometer aquela burrada. Sim, ele ainda era virgem, mas não custava esperar um pouco mais pela primeira vez, já pensou se a camisinha estourasse?

Frank
09 de Janeiro de 2006

Ps: Esse é apenas um conto sem qualquer critica ou tentativa de fazer humor barato em cima dos Terapeutas de Vidas Passada que conheço (um deles é a minha querida amiga Elô, a qual estimo muito). Trabalho esse, bem bacana, que esses Terapeutas vem fazendo nessa área.

O conto caiu em cima da minha cabeça ao conversar com um amigo recentemente que comprou o novo livro do Dr Bryan Weiss e começou a fazer as praticas do livro. Algumas semanas depois, ele desistiu, dizendo que tinha visto o rosto de uma mulher com quem estava fazendo amor no futuro que lembrava um travesti. Brincadeiras a parte, ele me autorizou a usar sua experiência para eu escrever essa brincadeira.

segunda-feira, janeiro 02, 2006


Minha Bruxinha nas Cachoeiras de S�o Tom� Posted by Picasa

Ver Pra Crer

Toda vez que digo a meus amigos que estou de partida para São Tomé das Letras, tenho a impressão que no lugar do professor de inglês, eles vêem um hippie com uma mochila de artesanato no ombro, uma garrafa de vinho numa mão e um baseado na outra.

- Adoro a natureza. – digo

- Sei. – eles respondem em uni somo.

Não que haja algo de errado com o sujeito que adora uma erva ou prefere viver o sonho da sociedade alternativa, o problema é que o lugar virou sinônimo muito mais de maluco do que de beleza. É conhecido muito mais por ser pista de aterrissagem para ET do que por suas cachoeiras e natureza. O que não é de todo ruim, a propaganda e o estereotipo ajuda a preservar o lugar.

A primeira vez que fui a São Tomé não buscava um encontro com um elemental; nem muito menos buscava um atalho para Matchu Pitchu; o que realmente me interessava por lá era a paisagem que parecia ser perfeita para um romance que na época escrevia.

O livro nunca saiu do papel, em compensação fiquei fascinado pelas ruas de pedras de São Tomé e por aquela gente simples que morava por lá, com seu olhar tolerante as chaminés alucinógenas e a turma da garrafa que desde os anos 60 invadira o lugar com a bandeira verde da paz e do amor.

Na segunda visita, tive um contato imediato de primeiro grau com uma bruxinha que se tornaria minha esposa anos depois. Tenho uma divida eterna com São Tomé e dizem que é Santo Antônio que ajuda solteiros encalhados.

Outras visitas ocorreram com maior ou menor intensidade, mas pra mim virou uma espécie de tradição passar a virada do ano por lá e posso honestamente dizer que não trocaria a passagem de ano em São Tome por nenhum outro local do mundo.

Tem gente que prefere pular sete ondinhas no mar; eu prefiro muito mais dar sete pulinhos na cachoeira. Vai ver sou mais filho de Oxum que de Iemanjá ou a Cidade das Pedras realmente me conquistou com seu jeitinho de interior com toques de Woodstock e cheiro de mar; com a sua natureza exuberante e seu céu noturno recheado de estrelas.

O que mais posso dizer? Tem algo em São Tomé das Letras que rima com energia e boas vibrações, mesmo com tanta fumaça que não se mistura na bruma que cobre a cidade, enquanto todos dormem. Têm algo romântico, por ter sido o local mais inapropriado do mundo para achar outra careta que não tolera nem bafo de cerveja. Por isso e por tantas outras coisas adoro voltar pra lá. É ver pra crer e sentir pra ter certeza.


Frank
02 de Janeiro de 2006

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