domingo, março 19, 2006


Frank and Auri Posted by Picasa

Elvis e Frank Rivers Posted by Picasa

Ate o Elvis apareceu... Posted by Picasa

A Festa do Frank foi realmente uma surpresa... Posted by Picasa

quarta-feira, março 15, 2006


A cada dia um aniversario da vida Posted by Picasa

Santuário da Amizade

Santuário da Amizade

(para o amigo Frank, em seu aniversário)



Dois amigos, ainda crianças,
Caminham para a escola.
Ainda é cedo e o Sol está começando a aparecer.
Para não perder a viagem,
Apertam as campainhas das casas das ruas,
Por onde andam e depois correm!
Os anos passam e ambos tomam caminhos diversos.
Até que um dia, dois olhares se cruzam,
Em uma movimentada avenida da cidade.
Um silêncio impera e...
Os dois correm para se abraçar.
Um abraço apertado, forte mesmo.
Lágrimas correm de seus olhos.
Os seus cabelos brancos denunciam,
Para ambos, que a vida é a vida.
Nenhuma palavra.
Só seus olhares.
O Santuário da Amizade intacto,

Inviolado, limpo e honesto.
Que Psicologia de Faculdade humana
Pode interpretar tal grandeza???


Tom Lobo Vermelho - 16/03/06

terça-feira, março 14, 2006


Is nearly there: a few more hours and the number 32 will be knocking at your door. Posted by Picasa

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Biblioteca que não tinha Teto

- Zé, chegou livro novo! – grita Mané, carregando uma carroça recheada de
papelão, pela Avenida Prestes Maia, no centro de São Paulo.

- Chegou meu Garcia Marques? – pergunta Zé, no outro lado da avenida,
aproveitando o farol vermelho, para vender água e refrigerante no semáforo.

- Chegou esse não, Zé. Mas tem um novo Jonh Lee Carre e aquele livro que
você estava esperando o Seara...

- Qual? – pergunta Zé correndo para a calçada, o farol abriu.

- O Seara Vermelha do Jorge Amado.

- Legal! – responde satisfeito Zé – Onde você achou?

- Numa lixeira lá nos jardins, encontrei também toda a coleção do Harry
Potter. A molecada vai adorar.

- Sei, não, Mané – diz Zé, correndo de novo para o Semáforo – Essa molecada
deveria ler mais Monteiro Lobato.

- Sossega, Zé! – diz Mané, ajeitando um dos papelões que começava a cair –
Deixe eles lerem a J. K. Rowling, quem sabe eles não esbarram logo, logo
num Mark Twain. Você começou lendo Paulo Coelho. Lembra?

- Fala baixo, Mané!- grita Zé - Pega mal, meu.

********************************************************
Notas: Esse texto foi baseado nas historia de Severino Manuel de Souza,56,
morador do edifício Prestes Maia 911, uma das principais favelas verticais
de São Paulo que montou uma biblioteca com livros achados no lixo e doados
por entidades assistenciais no subsolo desse prédio invadido pelo movimento
dos sem teto em 2002. É nessa biblioteca que centenas de crianças,
moradoras do prédio, passam o dia inteiro lendo e se divertindo; lugar
também, bastante especial para Lamartino Brasiliano, 38, que abastece o seu
acervo cultural, pegando emprestado os últimos “lançamentos” que Manuel traz
para a biblioteca. Lamartino adora Jorge Amado, Graciliano Ramos e Guimarães
Rosa e não vê a hora de reler Cem Anos de Solidão pela segunda vez. Ele só
não assume que leu todos os livros do Paulo Coelho.

Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com

O Conto do Meio Copo

- Deus não existe – disse ela, chocada com as cenas que via na TV de um resgate de um bebê que fora jogado num rio. – Se Deus existisse, não permitiria que uma mãe fizesse isso com seu filho recém nascido – Completou irada, colocando o abandono da criança na sua lista semanal de desgraças urbanas.

Seu marido ouviu o comentário sem nada falar, sabia que ela esperava alguma resposta, mas era inútil argumentar. Já havia lido sobre o que ocorrera no jornal e sabia que o bebê estava bem e justamente por isso era que ele acreditava no oposto do que a sua mulher falara; ele sabia que aquele resgate milagroso era justamente a prova que havia um poder maior atuando sobre as nossas vidas. Para ele, tudo tinha a sua razão de ser, até as tragédias.

Ele não sabia explicar, mas por toda a sua vida, percebeu que as tragédias e os milagres sempre caminharam de mãos dadas e chegavam sempre a uma espécie de equilíbrio que nos empurrava pra frente; mas essa certeza intima, não é algo que se comente apenas que se sinta. Essa certeza é algo que carregamos conosco e que nos permite vivenciar ou observar essas tragédias com olhos de quem voa por cima e por não ver barreiras, entende o mundo como um todo.

Não adiantava convencer a sua mulher disso, nem muito menos ninguém; afinal há sempre quem enxergue um copo com água pela metade como um copo meio vazio e outros como um copo meio cheio. Através da lei dos opostos e dos diferentes pontos de vista, a humanidade em seu devido tempo caminha.


Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com

Bebe resgatado no Rio Pampulha Posted by Picasa

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O Primeiro Amor

Banhei-me de ouro,mergulhei no dourado. O ônibus estava lotado, a camisa suada, mas os olhos abriram caminho em meio a fadiga e ao calor e percebi a força do primeiro amor*.

Sim , o primeiro amor me tocou usando os raios de sol. A cidade cinza mergulhou no sorriso que o por-do-sol desencadeou em minha face e eu virei parte do crepúsculo.

Vi que estava sonhando de novo, sonhando acordado. Sonho lúcido do qual não consigo acordar e nem poderia ser diferente. Estou aqui pra sonhar, viver esse sonho em toda a sua dimensão, mas quando o sonho começa a perder o encanto, Ele se mostra e nos lembra do primeiro amor. Ele aparece no dourado refletido nos prédios e nos mostra que precisamos permanecer um pouquinho mais lúcido e não deixar o sonho virar pesadelo.

Sim, em momentos assim, posso sentir novamente o primeiro amor entrando por todos os meus poros e me lembrando de quem eu sou. Sim, em momentos assim, a saudade de casa me tira lagrimas dos olhos e da vontade de voltar. Em momentos assim, quase posso sentir o cheiro do lar vindo pelo ar, quase posso lembrar dos rostos dos amigos e amigas que torcem por mim nos bastidores. Quase lembro o que sei quando estou dormindo, mas preciso voltar pro sonho. Não posso acordar ainda. Esse sonho é bonito e só existe para que eu possa acordar, mas na hora certa. Mas não estou sozinho e toda vez que eu me esquecer disso, terei sempre o primeiro amor pra me lembrar.

Olho pro sol se despedindo e agradeço ao Criador por estar ali sentindo aquilo. Agradeço por estar vivo e poder estar consciente daquela sensação de certeza que há algo a mais do que os nossos olhos podem enxergar.

Sinto o primeiro amor pulsando no meu peito e entrando e saindo com o ar que respiro. Esse amor estava comigo, sempre esteve, mas precisa de um por do sol pra me despertar. Esse amor é minha estrela guia nos momentos em que esqueço completamente de quem sou e de onde vim. Esse amor é a minha luz nos momentos escuros. Luz que reflete no pedacinho do divino que habita dentro de mim. Luz Maior que foi e é o meu primeiro amor.


Frank Oliveira
23 de Janeiro de 2006
http://cronicasdofrank.blogspot.com


* Primeiro Amor: aprendi a chamar assim essa energia da vida, do todo; com o meu amigo Wagner Borges, que sempre procura passar através dos seus cursos, mas que teoria. Ele desvenda o oculto, revelando o coração.

sábado, janeiro 21, 2006


O Elemental  Posted by Picasa

Renascimento Posted by Picasa

quinta-feira, janeiro 12, 2006


O Labrador vigia o Pit Bull Posted by Picasa

O Pit Bull e o Labrador

Tudo começou com um leve arrepio, quase igual aquele causado pelo frio. Não dei bola, segui minha estrada; contudo havia algo estranho na maneira como eu estava me comportando. Estava muito blues, para quem geralmente é jazz.

Desconfiei, mas não fiz nada a respeito. Não acreditava que era isso, afinal, minha antena estava bem sintonizada. Na minha rádio só tocava som de alta qualidade. Os solos de guitarra e a vibração da cítara não combinavam com aquelas batidas funks que invadiam meu dial. Era como se uma dessas rádios piratas tentasse tirar do ar a minha FM.

Aquilo tudo começou a tomar de conta do meu agir. Quando dei conta de mim, já estava totalmente absorvido por pensamentos mesquinhos e comecei a ser guiado por atitudes grosseiras.

Tinha discernimento para perceber que precisava fazer algo, mas parte de mim estava contente por eu estar agindo assim. Era como se o Pit Bull que estava preso colocasse para correr o Labrador. Eu me sentia livre, mas era uma liberdade nociva que não convinha mais a pessoa que eu me tornara.

Só podia ser influência externa, mas tinha tomado conta de mim muito rápido e fácil, pelo visto eu era em parte responsável por sua influência. Abrira a porta para o vampiro e agora as vibrações tinham despertado o pior que havia em mim. As sensações me fizeram lembrar de uma época em que eu era assim o tempo inteiro, porem mesmo podendo fazer e ter tudo, no final o resultado foi o nada.

Lembrando disso, parei na ponte e não quis cruzar para o outro lado. Ainda havia tempo de ignorar a aliança. A vibração na nuca aumentou e me impulsionava a continuar, mas decidi optar pelo longo caminho; o atalho já foi a minha estrada e nunca me levou a lugar algum.

Por hora, a rádio pirata foi vencida e a FM voltou a tocar as baladas fantásticas da caminhada saudável, onde os solos de guitarra são acompanhados pelo som de uma doce flauta. O Labrador voltou a ficar de guarda, mas o Pit Bull está lá na sombra, esperando o som que o coração não ouve, novamente o soltar.


Frank
12 de Janeiro de 2006

segunda-feira, janeiro 09, 2006


Por Completo Posted by Picasa

Fazendo as Pazes Sempre Posted by Picasa

Pela Metade

Poderia ter sido a noite perfeita, se não fosse por ela.

Tínhamos a lua refletida no lago a nossa frente, estrelas, musica e uma
baita sintonia.

Ela era fantástica, espirituosa,bem humorada, inteligente, sensual; mas não
sentia atração física por mim.

Sei que parece clichê, mas ela só queria minha amizade e ignorava, ou fingia
não entender, o meu “querer algo mais”.

Ela queria minha companhia, mas não meus carinhos; queria minhas palavras,
mas não sentir os meus toques. Poderíamos ter sido os melhores amigos do
mundo, se eu tivesse enxergado nela algo mais que uma mulher.

Culpava a solidão, amaldiçoava o fato que eu não era um Mel Gibson ou
qualquer um desses atores, modelos, rostos de capa de revistas que embora
vazios feito toco, encantavam, atraiam e tiravam dos pobres mortais as
chances de felicidade ao lado de mulheres como aquela moça, que na calada da
noite mais romântica de minha vida, me dava um fora.

Culpava a moça; afinal se não queria nada, porque aceitara ir ate aquele
lugar. Fingia não entender, ignorava a lembrança que fora eu que armara o
fim de semana no sitio com amigos fantasmas que nunca poderiam estar por lá.

Culpava a moça por não gostar de mim como uma mulher gosta de homem.

Culpava a moça por enxergar a minha alma e não o meu sex appeal.

"Quanto atrevimento! Onde já se viu amar a minha essência e não ficar
atraída pelo meu corpo."

A verdade é que não estava levando um fora, mas apenas constatando algo que
eu já sabia: Há pessoas que se atraem fisicamente e outras que se atraem
energeticamente, mentalmente, espirituosamente, almamente e toda forma de
“mente” que separa um abraço de amigo e um beijo de amante.

A gente sabe disso, a gente sente, mas finge não saber e embarca numa
jornada rumo ao coração partido; mergulha numa epopéia de bobagens
sentimentaloides que só pode dar mesmo em nada. Ainda bem que a gente pode
culpar o outro e acabar com a única coisa boa que tínhamos e
compartilhávamos: a amizade.

Mas ela era a moça. A minha alma gêmea, a tampa da minha panela, a estrela
que desceu a terra e se fez mulher para iluminar o meu caminho. O que houve?

A noite perfeita gritou: “Quanta ilusão, abre seus olhos, seu tonto!”

É noite; ela não era a moça, nem muito menos a minha única alma gêmea (
afinal todas as almas são gêmeas, parceiras e caminham juntas por um tempo
entre o ontem e o amanha). Ela era uma estrela, mas não a estrela-mulher que
iluminaria o meu caminho escuro e solitário.

Mas a pergunta continua...O que houve?

"Mundo real!!!" - responderam os grilos no mato, na lagoa e na cuca.

Poderia ter sido uma noite perfeita onde rapaz fica com a moça e iniciam um
relacionamento perfeito e vivem felizes para sempre. Poderia ter sido como
num conto de fadas, mas foi apenas realidade.

No mundo real a moça não gostou do rapaz e o rapaz continuou sozinho,
errando e acertando, acertando e errando, ate o dia em que se deu conta que
para encontrar a moça que viria para ficar, ele precisaria estar preparado
para abrir mão dos contos de fadas e abrir o seu coração para o fato que uma
relação só vale mesmo a pena se as pessoas envolvidas sentirem a mesma
atração e sintonia, pois nada pela metade se completa.


Frank
Paraibinha feio, cabeça-chata que encontrou sua parceira de vida, depois de
muitas andanças e cabeçadas.

Por onde andará o Senhor do Sono?

Fui dormir, sem falar com ela.

Podia falar alguma coisa, quebrar o gelo; mas havíamos brigado; e de acordo
com o manual do casamento, artigo 42, do parágrafo 6; depois de uma
discussão noturna, cabe ao marido e a mulher manter silencio e ignorar a
presença do outro, mesmo estando no mesmo cômodo, até a manhã seguinte,
quando um dos dois levantará a bandeira branca e pedirá desculpas.

Mas será que não seria melhor pedir desculpas agora mesmo? Pra que esperar
até amanhã, se podíamos fazer as pazes naquele instante e dormir tranqüilo,
voando pelo mundo do sono como um passarinho?

Não!!!

A culpa foi dela. Ou será que foi minha? Afinal, quem começara aquela
discussão boba que terminara em “vou ficar de mal”? Quer saber, não importa
quem começou; eu é que não vou pedir desculpas, mas porque ela continua em
silencio?

Cadê meu sono? Onde esta o Senhor do Sono que joga areia nos nossos olhos e
nos leva para o outro mundo? Será que ele está esperando que façamos as
pazes para nos convidar a ninar? Pode esperar sentado com seu saquinho de
grão de areia, pois se depender de mim, nenhum dos dois vai dormir essa
noite.

Mas porque não consigo esquecer essa discussão estúpida que não passa de um
grão de terra no terreno do nosso amor?

O que será que pesa mais nos ombros? O cansaço de um dia que se foi ou a
mesquinharia do orgulho ferido?

Cala a boca, Consciência!!!Estou de mal e ponto final.

São duas da manha e há um abismo separando eu e ela. Um cânion dividindo os
dois lados da cama. Não sou o Senhor Elástico, mas meu braço se estica alem
do meu orgulho e começa a atravessar o abismo e meu corpo se aproxima do
dela. Nossos corpos se tocam e o silencio é rompido pelo barulho do meu ego
quebrado:
“Meu amor – digo eu – já é dia no Japão. Como se pede desculpas em japonês
mesmo?”

02 de Agosto de 2005
Frank

Vidas Futuras Posted by Picasa

Vidas Futuras

A salvação viria com a terapia. Bloqueios, traumas e complexos estavam com os dias contados se ele tomasse o doril das vidas passadas; pelo menos era o que prometia o folder da loja Lenga-lenga.

Tudo que bastava era ligar pro 0800 ou preencher o cadastro no site nova-era.com; mas antes de ligar ou acessar a internet, ele precisava se informar um pouco mais sobre o assunto. Era esperto e não cairia em nenhuma cilada como ocorrera naquela terapia xamãnica de renascimento, em que precisou comprar um animal do poder e um colar xavante, que estava com a etiqueta da 25 de Março. Estudar o assunto evitaria não só micos como esse, como também o ajudaria a chegar à oficina sem cara de Mané que não sabe nada de motor.

Comprou então o kit vidas passadas que trazia como brinde o fascículo “bisbilhote também as suas vidas futuras”. O Dr. Bryan Uées era um PHDZ no assunto e o Cd que veio junto com o material o conduziu por mil e uma noites pelas escadarias da memória apagada; porem o máximo que ele conseguia com esses exercícios fora uma passagem direto para o sono profundo.

- Esse negócio de “Faça Você Mesmo” é uma furada – disse frustrado – Preciso de ajuda profissional. – concluiu, já discando o 0800 para marcar uma consulta para o dia seguinte.

O dia seguinte não tardou a chegar, o que não pode ser dito da Terapeuta que chegou com horas de atraso.

- Karma! – disse ao vê-lo esperando na recepção – Fiquei três horas presa na marginal. Karma de outra vida em que fui policial e não precisava parar no farol. Meu nome é Astrogilda – disse sorrindo.

- Orostáquio – disse, se apresentando com o primeiro nome que veio á sua mente; afinal se ela realmente fosse boa, descobriria que seu verdadeiro nome era Escolástico.

Boa, na verdade ela era. Tinha um corpo escultural e um rosto que lembrava um anjo com olhinhos bem capetas. Era perfeita, até sua aura era linda, pelo menos era o que mostrava as fotos Kirlian da moça na parede, junto com o diploma de Terapeuta de Terapia de Vidas Passada da Universidade Oculta do Conhecimento Esotérico.

- Venha comigo – ela disse abrindo a porta do cômodo onde um forte cheiro de incenso de canela o fez espirrar. Ele era alérgico a qualquer tipo de incenso.

- Está muito forte pra você? – ela perguntou preocupada.

- Um pouquinho – ele respondeu e ela abriu a janela. “Que curvas” ele pensou tão alto que o pensamento virou sussurro.

- O que disse?

- E.. está bem melhor agora. - corrigiu, já pensando em trocar as vidas passada por um vida bem presente com ela. Porem algo estranho ocorreu. A brisa e o traseiro da moça lhe trouxeram uma sensação que nunca sentira antes, uma sensação de Deja Vu, palavrinha francesa, que de acordo com o que ele tinha lido na revista Sétimo Sentido, tentava nomear aquela sensação de já termos visto antes algo, alguém ou algum lugar quando na verdade, nunca vimos aquela pessoa ou estivemos naquele lugar. Sensação que os céticos descrevem como reação química inadequada ou Falha na Matrix, como preferem os mais moderninhos.

- Você já fez isso antes? – Astrogilda perguntou, colocando seus óculos, ato que ele achou extremamente sexy.

- É a minha primeira vez – ele respondeu e foi invadido por lembranças. Aquele consultório deveria mesmo ser dos bons. Dez minutos por lá e ele já estava lembrando um dos episódios mais traumáticos de sua vida que ele havia esquecido completamente. Lembrança essa que envolvia uma garrafa de cachaça, uma velha prostituta com cara de traveco; camisinha rasgada e uma espera angustiante pelos resultados dos exames de HIV que ele faria na manhã seguinte à noitada.

- Por que você quer fazer TVP? – ela perguntou enquanto colocava no estéreo um Cd da Enya.

- Porque quero tentar entender melhor certos traumas que tenho e vencer limitações psiquicas que me impedem de crescer espiritualmente – ele disse, repetindo palavra por palavra o que lera no livro do Dr Uées.

Algumas respostas brilhantemente decoradas depois e Escolástico deitou no divã, desejando que em breve, estivesse deitado em outro lugar, com Astrogilda lhe acompanhando.

- Muito bem! Vamos começar...

Ele fechou os olhos, respirou fundo, tentou pensar numa ilha deserta, mas a imagem da velha prostituta surgia a todo instante. O que não era de todo mal, a lembrança do rosto dela o ajudava a evitar uma situação constrangedora que parecia eminente, se Astrogilda continuasse tão perto dele.

- Erga o pensamento e pense no Altíssimo ou em algo que você considere ser bem bonito. Algo que possa elevar as suas vibrações.

Elevar as vibrações? Será que ela estaria louca de pedir algo assim pra ele, tudo o que ele precisava naquele momento era baixar as vibrações. “Volte a pensar na velha prostituta” ele ordenou a seus pensamentos e estranhamente passou até a lembrar da voz dela...

- Se deixe levar pelo som da minha voz... – dizia Astrogilda e ele foi se acalmando cada vez mais. Relaxando e entrando em transe. A sua respiração foi ficando cada vez mais compassada e a voz de Astrogilda foi ficando cada vez mais distante á medida que ele ouvia novos sons e imagens. Será que ele estava acessando seu passado? Será que ele estava realmente conseguindo fazer a regressão?

A voz de Astrogilda foi diminuindo cada vez mais e outra voz foi surgindo no lugar, cada vez mais alta e familiar. Cada vez mais próxima. Cada vez mais perto dele, tão perto que ele começou a ver imagens, que foram se transformando em sensações muito mais físicas do que ele estava esperando sentir.

- Venha meu Leãozinho – disse a velha prostituta, se despindo a sua frente.

- Aahhhh!!!! – gritou Escolástico totalmente presente no seu passado.

Ele estava lá na sua iniciação sexual; na sua primeira vez com a prostituta que parecia um traveco. Quis gritar e pedir que Astrogilda o trouxesse de volta, mas não conseguia. Sua terapeuta parecia não estar lhe ouvindo. Como era mesmo o nome dela?

Ele estava ali no seu passado. Como escapar? Como escapar daquela lembrança? Por que não lembrara do seu primeiro beijo no bailinho da escola? Ou o primeiro salário em dólar? Onde ele podia trocar de canal?

Assustado, ele se afastou da prostituta que não entendeu o que estava ocorrendo.

- O que há meu querido, não quer terminar o trabalho?

- Sai pra lá, você nem está aqui, você é apenas uma imagem do meu passado.

- Eu posso ser o que você quiser desde que eu receba meu dinheiro no final.

Havia algo errado, ela estava concluindo, aquilo tudo parecia ser muito real pra ser apenas uma imagem do seu passado. A velha continuava lá, o gosto de cachaça na boca também. E a camisinha no bolso...

- Isso mesmo, Leãozinho, venha para a sua Orostáquia!

A camisinha estava no bolso, ele não tinha transado ainda. O passado era presente. Ainda havia tempo e ele correu dali, como se corresse pela sua vida. Enquanto corria, ele ria ao mesmo tempo em que não entendia nada que havia rolado. Já na rua, tentando respirar depois do esforço, do riso passou a gargalhada com aquela situação ridícula. As lembranças da sua suposta consulta com a Terapeuta foram enfraquecendo, quase sumindo. O futuro que era presente foi sumindo, como lembrança de sonho, como se o que era tão nitido e lucido passasse a ser algo totalmente confuso.

- Cara, o que rolou por ali? – perguntou a si mesmo, mas não havia nenhuma resposta. Seja lá o que tivesse ocorrido naquele lugar tinha ajudado ele a não cometer aquela burrada. Sim, ele ainda era virgem, mas não custava esperar um pouco mais pela primeira vez, já pensou se a camisinha estourasse?

Frank
09 de Janeiro de 2006

Ps: Esse é apenas um conto sem qualquer critica ou tentativa de fazer humor barato em cima dos Terapeutas de Vidas Passada que conheço (um deles é a minha querida amiga Elô, a qual estimo muito). Trabalho esse, bem bacana, que esses Terapeutas vem fazendo nessa área.

O conto caiu em cima da minha cabeça ao conversar com um amigo recentemente que comprou o novo livro do Dr Bryan Weiss e começou a fazer as praticas do livro. Algumas semanas depois, ele desistiu, dizendo que tinha visto o rosto de uma mulher com quem estava fazendo amor no futuro que lembrava um travesti. Brincadeiras a parte, ele me autorizou a usar sua experiência para eu escrever essa brincadeira.

segunda-feira, janeiro 02, 2006


Minha Bruxinha nas Cachoeiras de S�o Tom� Posted by Picasa

Ver Pra Crer

Toda vez que digo a meus amigos que estou de partida para São Tomé das Letras, tenho a impressão que no lugar do professor de inglês, eles vêem um hippie com uma mochila de artesanato no ombro, uma garrafa de vinho numa mão e um baseado na outra.

- Adoro a natureza. – digo

- Sei. – eles respondem em uni somo.

Não que haja algo de errado com o sujeito que adora uma erva ou prefere viver o sonho da sociedade alternativa, o problema é que o lugar virou sinônimo muito mais de maluco do que de beleza. É conhecido muito mais por ser pista de aterrissagem para ET do que por suas cachoeiras e natureza. O que não é de todo ruim, a propaganda e o estereotipo ajuda a preservar o lugar.

A primeira vez que fui a São Tomé não buscava um encontro com um elemental; nem muito menos buscava um atalho para Matchu Pitchu; o que realmente me interessava por lá era a paisagem que parecia ser perfeita para um romance que na época escrevia.

O livro nunca saiu do papel, em compensação fiquei fascinado pelas ruas de pedras de São Tomé e por aquela gente simples que morava por lá, com seu olhar tolerante as chaminés alucinógenas e a turma da garrafa que desde os anos 60 invadira o lugar com a bandeira verde da paz e do amor.

Na segunda visita, tive um contato imediato de primeiro grau com uma bruxinha que se tornaria minha esposa anos depois. Tenho uma divida eterna com São Tomé e dizem que é Santo Antônio que ajuda solteiros encalhados.

Outras visitas ocorreram com maior ou menor intensidade, mas pra mim virou uma espécie de tradição passar a virada do ano por lá e posso honestamente dizer que não trocaria a passagem de ano em São Tome por nenhum outro local do mundo.

Tem gente que prefere pular sete ondinhas no mar; eu prefiro muito mais dar sete pulinhos na cachoeira. Vai ver sou mais filho de Oxum que de Iemanjá ou a Cidade das Pedras realmente me conquistou com seu jeitinho de interior com toques de Woodstock e cheiro de mar; com a sua natureza exuberante e seu céu noturno recheado de estrelas.

O que mais posso dizer? Tem algo em São Tomé das Letras que rima com energia e boas vibrações, mesmo com tanta fumaça que não se mistura na bruma que cobre a cidade, enquanto todos dormem. Têm algo romântico, por ter sido o local mais inapropriado do mundo para achar outra careta que não tolera nem bafo de cerveja. Por isso e por tantas outras coisas adoro voltar pra lá. É ver pra crer e sentir pra ter certeza.


Frank
02 de Janeiro de 2006

quinta-feira, dezembro 22, 2005


4 Sobrinhos do Francisco Posted by Picasa

quarta-feira, dezembro 21, 2005

4 Sobrinhos do Francisco (um Conto de Natal)

Ainda sou filho, mas ando fazendo estágio para ser pai. Como sem querer, acabei ficando para titio; o que não me falta é sobrinho. São cinco: Lucas, Larissa, Marcus, Vitor e Guilherme. Com os quatro primeiros, me aventurei numa jornada: assistir o último filme do Harry Potter.

Queria ter esse momento tio-sobrinho, mas para ir ao cinema era uma epopéia. Não tenho carro, não dirijo e não tenho lá muita prática em administrar uma galerinha em que o mais velho tem nove anos, mas tenho experiência em gerenciar conflito, supervisionar equipe e foi assim que me preparei para essa tarefa. Encarei tudo como um grande desafio e embarquei nessa jornada, passando na casa de cada um e os reunindo.

A bagunça era geral, a gritaria intensa. Eu no meio da bagunça, tentava em vão manter todos comportados. Nada como uma experiência como essa para começar a ter duvidas quanto a querer ser pai mesmo. Porem, embora eu estivesse nervoso e tenso, as crianças estavam se divertindo.

- Tio, relaxa! – disse Larissa – Vamos obedecer ao senhor direitinho!

Devia estar dando muito na cara que estava tenso. Mas mesmo embora eu esperasse o pior daquela trupe, tudo correu muito bem. Brincaram como qualquer criança deve brincar. Gritaram e bagunçaram como qualquer um na idade deles faria. Eu é que parecia não estar aproveitando.

O que era uma pena. Eu havia pedido a Deus pra estar ali; para ter essa oportunidade de participar da vida deles. Tendo vivido por quatro anos em Londres, não os vi crescendo, nem pude levá-los ao cinema; não tive tempo de ser tio e agora que tinha a chance nas mãos, estava perdendo o melhor que ela poderia me oferecer que era contentamento. Estava muito preocupado que algo pudesse acontecer com eles, que alguma coisa desse errado ou sei lá mais o quê.

Foi então, no meio desses pensamentos e preocupações que lembrei que já fui sobrinho saindo com o tio pra ir ao cinema.

Tinha sete anos e lembro que pedi ao Papai Noel para ver o ET. Não, não pedi ao bom velhinho, um contato de terceiro grau com alienígenas, apenas queria ver o filme que todos os meus amiguinhos já tinham assistido. Na época, meus pais mal sabiam o que era cinema; alem disso custava muito caro. Mas o presente veio com o meu tio, que ao invés de me dar brinquedo ou roupa de natal, levou meus irmãos e eu para o cinema. ET já não estava mais em cartaz, mas assistimos os Saltimbancos Trapalhões. Ainda hoje lembro da sensação de ver pela primeira vez um filme na telona, a magia da imagem sendo projetada e os meus olhos mergulhando naquele mundo maravilhoso. Porem o que jamais esqueci é que aquela noite era a primeira vez que saiamos sem os nossos pais e isso para um bando de crianças era uma aventura em que tudo podia acontecer. Um verdadeiro presente do Tio Noel.

De alguma forma, eu havia virado meu tio e meus sobrinhos eram meus irmãos e eu. Eles já haviam ido ao cinema antes com seus pais, mas era diferente com o tio, eles podiam ser eles mesmos, poderiam se comportar como crianças deveriam se comportar. Eu é que estava bancando o pai e se esquecendo de ser o tio que eles mereciam ter. Assim, deixando o gerenciador de conflitos de lado e o controlador, diverti-me tanto quanto eles.

Brinquei, participei de suas brincadeiras, falei como eles falavam e com isso me integrei ao mundo que eles criavam sem deixar o adulto atrapalhar.

O trabalho foi virando aventura, a aventura virando diversão e finalmente entendi que não dá pra prever o que acontecerá em seguida ou qual será o próximo passo que eles irão dar. Numa ocasião como esta ou em qualquer situação na vida é necessário deixar rolar; aceitar a vida acontecer. Isso não significa ser negligente ou irresponsável, significa apenas que não podemos controlar tudo ao nosso redor e é justamente por isso que a vida é tão mágica e surpreendente.

No passeio com o tio, assistir ao filme do bruxinho inglês ou comer no Mcdonalds, era apenas parte da diversão de estar todos reunidos. Pra mim, mais importante que ter todos eles sob o controle, era poder estar lá, vivenciando aquilo.

No fim da tarde, eles nem quiseram ver o Papai Noel na pracinha do Shopping Center. Vai ver, já passaram da idade de acreditar no bom velhinho ou eles já estavam recebendo o presente que haviam pedido: uma tarde divertida com o tio.


Feliz Natal a todos

Frank

21 de Dezembro de 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005


Viralatando Posted by Picasa

O Anjo de Quatro Patas

Quando a idade bateu em sua porta, trouxe junto à tristeza e o abandono.

Visitas, somente às testemunhas de Jeová aos Domingos; o telefone só tocava por telemarketing. Estar sozinho não é fácil em nenhuma fase da vida, mas na velhice era mortal. Ele precisava de companhia, mas os parentes estavam sempre ocupados para lembrar que ele existia.

Sentia pouco a pouco a vontade de viver se esvaindo. Acreditara que não sentiria nunca mais alegria até o dia em que um anjo de quatro patas surgiu em sua vida. Faminto, sujo, sarnento, ele tinha a perna ferida de tanto viralatar por ai e olhos carentes que chamaram a sua atenção e a sua vontade de ajudar.

Dizem que o amor de verdade nasce da vontade incondicional de se dedicar sem esperar nada em troca e foi assim que o amor entre ele e o anjo nasceu. O cachorro precisava de cuidados e ele queria cuidar.

Foi só uma questão de tempo para que a casa velha desse lugar a jovialidade do querer continuar. O anjo de asas caídas agora pulava que nem criança, seu rabo que estava antes perdido entre as pernas, voltou a querer o céu tocar.
O velho já não sentia mais as dores no peito, o cansaço que antes era todo dia, foi virando fim de mês e indo cada vez mais pra longe. O anjo de quatro patas havia lhe devolvido a vida e tudo o que ele tinha lhe oferecido foi um pouco de cuidado e um prato de comida.

Em pouco tempo,o velho rejuvenesceu e o cachorro trocou a rua pela amizade do homem e muito embora seus vizinhos lhe criticassem dizendo que não era certo tratar um cachorro como se fosse gente; o velho enxergava o cão como seu melhor amigo, um companheiro que Deus havia lhe enviado para lhe resgatar do esquecimento humano.


Frank

terça-feira, dezembro 13, 2005


O Velho Eu que resulta em Mim Posted by Picasa

O Velho Eu que resulta em Mim

Ontem acordei com uma vontade grande de só por um dia deixar de ser eu.
Explico: o meu projeto exigiria uma mudança radical de pequenos hábitos que julgo terem o poder de causar um extremo mal estar a longo prazo.

Comecei trocando uma hora de sono por uma corrida matinal e provei algo que só posso descrever como LUCIDEZ absoluta. Era como se o atleta chutasse o sonâmbulo e eu pudesse finalmente perceber que no meu dia-a-dia, mesmo acordado continuo dormindo.

Depois, antes de ir trabalhar, dei um longo abraço e um beijo de namorado na esposa que me olhou com surpresa, já esperando o carinho apressado de quem já acorda atrasado.

Durante o dia, tratei de evitar ao máximo pequenas mentiras, julgamentos apressados, preconceito e toda serie de pensamentos nocivos que viram herva daninha no quintal dos outros.

Ao fim do dia ao chegar em casa, após um belo banho, jantei prestando atenção apenas ao ato de mastigar. Descobri que quando os olhos não estão na tv ou na preocupação do dia seguinte, o sabor se maximiza na comida.

Depois troquei o jornal da onze da noite pela leitura de um livro que comprara há meses e nunca tinha lido e mesmo esgotado, fiz as minhas meditações. Resultado: cai no sono tranqüilo, dormindo tão bem que resolvi repetir a experiência no dia seguinte.

Quem disse que consegui...

Não tive o mesmo pique do dia anterior e voltei a ser o “velho eu” que resulta sempre em mim; mas não desisto, ainda terei mais uma chance amanha de mudar e aproximar mais ainda a distancia da versão cansada de mim do cara que fui ontem e que quero tanto tornar a ser.


13 de Dezembro de 2005
Frank
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 08, 2005


Agradecimento Posted by Picasa

A Importância de Agradecer

Tudo nessa vida tem preço, menos amor; por isso não damos o devido valor a quem esta do nosso lado, a quem tanto nos ajuda a cruzar essa ponte da existência na terra.

Quando algo custa caro e não vem de graça, temos a tendência de supervalorizar, de exaltar e dedicar todo o nosso tempo a isso. Porem, quando algo nos é dado de bandeja, normalmente cuspimos no prato e reclamamos que o que foi nos servido não estava bem passado.

Por que somos tão ingratos?

A questão torra minha mente, atormenta meu cérebro.

Não sei quanto a vocês, mas sou assim, aprendi a ser assim e venho tentando desesperadamente mudar esse “ser assim”.

Sei que soa clichê, mas assim como boa parte de vocês, só dou o devido valor a algo quando não o tenho mais. Vai ver Freud explica, Jung exemplifica, mas a verdade é que mil livros e milhões de teorias não vão conseguir mudar essa ingratidão. Essa mudança depende de mim, do que aprendi e do quanto estou disposto a pra frente ir.

Quero poder aproveitar melhor as oportunidades que caem como gotas de chuva na minha frente, mas percebo quanto mais oportunidades tenho, pior escolho. É quase como se eu estivesse pedindo pra Deus que as oportunidades desapareçam para que eu possa dar valor a única que me seja oferecida. A pergunta fica no ar: é preciso perder tudo o que temos, para podermos aprender seu devido valor?

Acredito que não e esse valor independi de pagar algo em retorno, não vai me custar nada, alem da cabeça do meu ego, misturado com um pouquinho de humildade e a pronuncia correta do verbo agradecer, mas agradecer de verdade.

Pensando nisso e profundamente inspirado por uma palestra que tive ontem, decidi treinar esse “agradecer” e queria começar agradecendo você por existir. Sim, você mesmo, leitor, que é a razão pela qual escrevo essas linhas tortas. Sim, você mesmo, meu Professor, que me ensinou a ler, a escrever, a discernir, a me projetar. Sim, você mesmo, Mãe, por me dar a vida e ter me ajudado a ser o homem que me tornei. Sim, você mesmo, minha esposa, por ter me ensinado a amar alguém alem de mim. Sim, você mesmo, meu inimigo intimo, por brincar de ser oposto comigo e ter me ensinado muito mais que eu havia pedido. Sim, o Senhor mesmo, Meu Deus, por tudo que me tem oferecido e juro que vou parar de só pedir, assim que aprender a ser agradecido.

8 de Dezembro 2005

Frank

terça-feira, dezembro 06, 2005

O Milagre do Reencontro

Quando um milagre acontece, a primeira reação é descrédito; a segunda é uma certeza que há uma força criadora por trás de tudo, força que usa “as coincidências” para se manifestar. É claro que não me refiro ao milagre do mar aberto ou da multiplicação de pães, falo dos pequenos milagres do nosso dia-a-dia, que nos arrancam sorrisos; pequenos milagres que nos fazem ver que cada um de nós carrega mesmo o céu consigo.

Ontem, um desses milagres me atingiu de forma inusitada. Reencontrei uma velha amiga em um lugar improvável. Ela deveria estar a um oceano de distancia e mesmo se estivesse em Sampa, não deveria estar ali, naquela hora, disputando à mesma oferta de emprego comigo.

As chances de um encontro com ela nessas circunstancias, segundo o matemático Oswald da Silva e a Numeróloga Maria Alcina é de 0,01 em um milhão, mas lá estava ela olhando pra mim tão incrédula quanto eu a olhava. A minha primeira reação foi querer me levantar de onde eu estava sentado e abraça-la, mas estávamos disputando uma vaga de emprego e não ficava nada bem dois candidatos se abraçarem no meio de um processo de seleção, alem disso, havia um abismo de anos de silencio e distancia; um redemoinho de mal-entendidos e um monstro de outros motivos que forçaram a nossa separação; porem o milagre do reencontro era mais forte que tudo isso e fui até ela que retribuiu o abraço na mesma intensidade.

Ah, como é bom abraçar novamente quem nos é querido. Abraçar sem medo de ser rejeitado, abraçar de verdade, coração com coração. Foi um abraço de maturidade. Um caminho para alem da mata do ego ferido. Exatamente como eu havia imaginado e sonhado esse reencontro durante as mil e uma noites do exílio da nossa amizade.

A oferta de emprego evaporou pelo ar como se só tivesse surgido como desculpa para que o milagre ocorresse. Então, fizemos o que todos os amigos de laços rompidos deveriam fazer ao se reencontrarem: conversamos.

A conversa durou uma caminhada do alto da Lapa até o Metro Barra Funda.
O mar não se abriu por completo, mas já estava ótimo o milagre de ter esse mar assim.

De tudo o que foi falado, discutido, explicado, gargalhado e chorado, ficou uma pequena porta aberta onde antes havia apenas um muro de concreto. A amizade não voltou a ser como era, não houve promessas de encontros futuros, churrasco ao domingo, nem chá da tarde; o que ficou no ar foi à esperança que o nosso exemplo pudesse ser seguido por todos aqueles que guardam rancor e raiva de velhos amigos e perdem a chance de aproveitar ao máximo o milagre do reencontro. A confiança já não era mais a mesma, já não iríamos nos telefonar todo fim de semana, mas o olhar distante foi virando olhar sorriso com chance de que no próximo encontro ela me chame de Fran ao invés de Francisco.

05 de Dezembro de 2005
Frank

sexta-feira, dezembro 02, 2005


Professores e Mestres Amigo Lazaro no IPPB Posted by Picasa

Aprender Ensinando

Ensinar é um desafio constante.

É ser bandeirante e abrir novos caminhos dentro da mente dos estudantes.

É ser humilde para entender que o conhecimento do assunto não o torna mestre do aprendizado.

Por vezes, os papeis se invertem, mestre vira aluno, aluno vira mestre. Outras vezes, claramente, se percebe que de tudo o que foi ensinado, nada foi assimilado, pois cada aluno tem seu próprio ritmo e nem sempre eles aprendem tão facilmente o que já virou lugar comum na geografia do Professor.

Por isso quem ensina, precisa rechear seu ensino com amor.

Amor pra aprender a ler olhares. Olhar de quem nada entendeu e olhar que recita sem ter decorado, a informação recebida.

Amor para escrever mais que o ABC na lousa. Amor para ensinar o alfabeto da solidariedade.

Amor pra imprimir no coração do estudante, lições de tolerância, respeito e humildade.

Amor para perceber com satisfação que a melhor nota que um estudante pode atingir não estará presente no teste escrito ou na prova corrigida e sim no sorriso de quem agradece ao professor mais uma lição de vida aprendida.


Frank

Ps: Dedicado a todos os Professores e Mestres que continuam aprendendo com seus Alunos.

quarta-feira, novembro 30, 2005


O Pastor das Flores/O Direcionador Posted by Picasa

O Direcionador

Seu nome era Zé das Flores. Era jardineiro da Praça da Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Amparando os canteiros, cortando as folhas, aguando as flores, Zé era conhecido por todos. Evangélico, não se importava em trabalhar nos arredores de uma Igreja Católica; sorridente, era o pastor das flores, Rei da grama.

“O Zé conversa com todo mundo, até com as plantas - conta o motorista de Táxi e acrescenta - É o único aqui que deve saber onde fica essa rua que você procura”.

- Seu Zé, boa tarde!- disse me aproximando.

- Boa tarde, filho. Aonde você quer ir?

Adivinho? Não! Seu Zé, alem de Jardineiro, ocupa o cargo de Direcionador de Pessoas. Conhece cada rua de São Bernardo como a palma do seu jardim.

- O Senhor conhece a Rua Tomé de Souza?
- Tomé de Souza – repetiu e três segundos depois respondeu – Pega a primeira à direita, depois a segunda à esquerda e sobe por ela. A Rua Tome de Souza é a terceira à esquerda.

É ver pra crer. Seu Zé sabia mesmo onde ficava a rua que nem o taxista conhecia. Rua que já estava registrada nas paginas amarelas da sua memória.

Tão logo agradeci, notei que outra pessoa surgia para pedir informação e outra e outra. Seu Zé continuou informando, com um detalhe: ele indicava a direção, sem deixar de fazer a sua jardinagem.

- Seu Zé – disse voltando a falar com o homem – Posso fazer uma outra pergunta?

- Pode perguntar – disse, sem tirar os olhos das flores.

- O senhor não se incomoda com tanta gente vindo pedir informação. Pelo que vi, é uma pessoa atrás da outra.

Seu Zé deixou de olhar as flores e me olhou com surpresa, mas logo respondeu:

- Não incomoda nadinha, filho. – disse Seu Zé sorrindo – Pelo contrario. Gosto de pensar que de alguma forma estou ajudando alguém a chegar ao caminho certo.


Frank
30 de Dezembro de 2005

segunda-feira, novembro 28, 2005

Ladrões de Sonhos

João veio do Rio, Jéssica de Minas. Conheci os dois na recepção de uma empresa de RH na Avenida Carlos Berrini. Fomos chamados até ali para uma entrevista de trabalho. O melhor de nos três ganharia o emprego dos sonhos e o salário das estrelas.
Pelo menos, essa era a proposta daquela empresa que havia selecionado os nossos cvs pela internet. João estava confiante, Jéssica nervosa e eu desconfiado.

A oferta era maravilhosa demais; o lugar muito perfeito. Muita pompa para uma vaga de supervisor de equipe. O nome da empresa me era familiar e não soava bem em minhas memórias. Não quis passar minhas suspeitas adiante, mas um instinto, uma voz interna parecia querer gritar em alerta: “É fria!”.

E era uma gelada.

Jéssica foi a primeira a entrar, ficamos eu e João conversando. Carioca da gema com roupa impecável e cara amassada, fruto de uma noite mal dormida na jornada de ônibus entre Rio e Sampa.

- Dormi muito mal! – dizia ele, com os olhos cheios de esperança em trocar a Cidade Maravilhosa por uma Sampa Enganosa que estava prestes a surgir a sua frente.

Quando vi Jéssica saindo da sala da entrevista tão rápido quanto entrou, não tive duvidas. Não havia alegria ou decepção nela e sim muita raiva. Era o “golpe da Agencia de Recolocação”.

Olhei para o meu amigo carioca e para os outros tantos Joãos, Franciscos e Jéssicas que esperavam e disse: “essa agencia é fachada. É mais uma agencia de
recolocação .”

Eles não entenderam e não se mexeram. Pelo olhar de João, percebi que ele ia ficar pra descobrir por si mesmo. Eu não ia ficar mais um minuto ali. Já tinha sido vitima de golpe assim antes, sabia que pagaria por um serviço de “coaching” que só existiria até o momento que o terceiro cheque caísse na conta deles.

Desci com Jéssica pelo elevador. Suas lágrimas desciam pelo rosto, mas a sua fisionomia era raiva pura.

- Eles me pediram dois mil reais – explicou ela – Dois mil reais para que eu tenha uma chance de disputar uma vaga para uma empresa que não tem nome. Como eles podem fazer isso? Por que não disseram que eles eram uma agencia de recolocação? Eu paguei um vôo de Belo Horizonte até aqui pra nada. – e continuou - Isso não se faz. Como eles conseguem dormir em paz sabendo que estão ganhando dinheiro enganando as pessoas?

Permaneci calado, mas sabia que eles dormiam muito bem com a cabeça sob seus travesseiros de dinheiro sujo, com a tranqüilidade de quem ganha muito roubando os sonhos de emprego dos outros. Porem, eu também sabia, que esse sono tranqüilo em breve iria se tornar pesadelo. Mais e mais profissionais estão acordando para esses golpes. Só aquela manha, dois sonâmbulos conseguiram despertar a tempo e eu espero que não só o João, mas todos os outros que estavam por lá, tenham conseguido sacar que agencia de emprego e RH só exige qualificação (e não dinheiro) dos candidatos que quer empregar.

28 de Novembro 2005

Frank

domingo, novembro 27, 2005


Ram Bahadur Banjan, "the New Buda"
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O Pai que falava musica com o Filho

A semana foi bem estranha. Noticias surreais pipocaram na mídia e em minha vida.

Um “novo Buda” surgiu no Nepal, na forma de um garoto que esta meditando a seis meses embaixo de uma arvore. O vaticano proibiu o show da Daniela Mercury porque a moça foi ou é estrela de um campanha de conscientização do uso da camisinha. Lula sendo ridicularizado (mais uma vez) por seu discurso new age no seu programa de radio, onde pede a popularização para ser mais otimista. Fora da mídia, um amigo me conta que finalmente conseguiu se comunicar com o seu filho autista, eles estão falando musica.

O falar musica para meu amigo surgiu quando ele percebeu que o menino que não se comunicava, gostava de musica e usava canções para explicar ao pai o que queria e sentia. Ele passou a usar essas canções como linguagem e suas caixas de CDS viraram dicionários, portais de linguagem com o garoto.

Incrível, não? Tão incrível quanto a igreja católica condenar o uso da camisinha num mundo em que Aids mata mais que a fome ou ridicularizarem o Presidente por pedir as pessoas que olhem pro lado positivo da vida. Não sou a favor do Lula e nem gosto de discutir política, mas prefiro acender uma vela a maldizer a escuridão e talvez seja por que esse mundo atual não sabe a diferença entre realistas e pessimistas que o moleque do Nepal calou-se para o mundo e esta em busca de seu Nirvana.

Também busco meu Nirvana e fujo (como o diabo foge da cruz) de gente que tenta contaminar a todos com seus discursos de fim de mundo. Por isso que de tudo que li e vi, termino ou começo a semana com a lembrança desse amigo falando musica com o filho, fato que me da esperança de que possamos um dia encontrar uma linguagem comum e nos tornamos realmente apenas um.


Frank

terça-feira, novembro 22, 2005

De Olhos Fechados

Manha de Terça-feira na Avenida Paulista, meus olhos escaneiam prédios e pessoas.

Eu vejo executivos correndo apressados e canteiros floridos. Observo a tudo pela janela do ônibus lotado de gente que brinca de sardinha e tentam desafiar as leis da física ocupando dois lugares ao mesmo tempo.

Vejo arranha-céus e camelôs com barraquinhas de café e bolo. Vejo o transito sair da ordem e começar a abraçar o caos. Infelizmente, vejo também que houve um acidente. Duas moças foram atropeladas e estão deitadas imóveis na avenida, enquanto os oficiais do Resgate tentam ajuda-las e ao mesmo tempo afastar a multidão.

Dentro do ônibus, a atenção e comentários tomam conta de todos.

- Foi culpa do motorista – palpita um passageiro.

- Elas que atravessaram fora da faixa – diz outra pessoa.

Ao meu lado, um velhinho ignora a tudo e fecha seus olhos. Pelo movimento dos seus lábios, desconfio que ora. Pela atitude daquele momento, onde o mórbido seduz os olhos de todo mundo, acompanho o velhinho e oro também.

Acidente em São Paulo é assim mesmo, enquanto uns atrapalham com curiosidade ou destilam comentários inúteis; outros rezam para que as moças se recuperem e para que acidentes assim não ocorram com tanta freqüência.

sábado, novembro 19, 2005


Ao Pai com carinho Posted by Picasa

Ao Pai com carinho

Ontem, pela primeira vez na vida, vi sua voz chorando.

Sua alegria habitual deu lugar a uma melancolia; o milagre do teu sorriso foi substituído por um lamento; sua voz risonha deu lugar a um grito de revolta por você não poder biologicamente ser pai.

Amigo, aprendi que ser pai é muito mais que biologia e química; ser pai é querer passar adiante tudo aquilo que há de bom dentro da gente. Lembra quando você me disse que se sentia um pouco pai ao assistir desenho dublado e jogar bola com os seus sobrinhos? Ser pai é um pouquinho disso.

É aprender a amar incondicionalmente. É devolver a bola que quebrou a janela porque já fomos filhos e tivemos as nossas bolas de futebol rasgadas por adultos que se esqueceram que já foram meninos.

Eu sei que para quem esta de fora é fácil dar palpite, mas medita nisso: o fato de você não poder gerar um filho, não significa que você não possa ser pai.

Ser pai é não ter medo da palavra “adotivo”. É lembrar que milhares de crianças foram biologicamente geradas e fisicamente abandonadas. É lembrar que elas anseiam pela chance de serem cuidadas; pois quem tem fome de família, não liga se pai é padrinho.

Você já ouviu falar por ai que mãe não é quem coloca filho no mundo, não é? Então acrescento, ser pai não é apenas gerar uma criança; ser pai é aprender a amar esses pequeninos que precisam tanto desse amor adotivo.

Certa vez me perguntei por que Deus permitia que tantas crianças fossem abandonadas no mundo; ontem você me deu a resposta e espero que a tenha também percebido e não tenha desistido do seu sonho de ser pai, que é dos sonhos, o mais bonito.

Frank

quinta-feira, novembro 17, 2005


Deixar Partir/Gaivotas sob o Rio Siena Posted by Picasa

Deixar Partir

De tão aguardada, quando enfim chegou; a recebemos de portas fechadas. Com certo rancor, com muita magoa; não queríamos que ela levasse o que julgávamos ser antes da hora marcada.

O Passageiro dessa jornada, da cama, cansado nos olhava e pelo olhar implorava “me deixem partir para a minha verdadeira casa”; analfabetos de bom senso e cegos de discernimento, entendíamos seu olhar como “quero ficar” e exigíamos que ele lutasse e não embarcasse naquela jornada que estava prestes a começar.

Percebendo que não compreendíamos o seu pedido, ele apenas um leve sorriso ensaiava, enquanto em toda a família o egoísmo disfarçado de amor reinava.

Nunca estamos preparados para morrer, menos ainda para a morte dos nossos amados aceitar; mas dava pra sentir que o passageiro queria seguir, mas não poderia ir, enquanto continuássemos implorando para ele ficar.

“Quem ama precisa aprender a libertar” era a mensagem que a morte tão repentinamente queria nos ensinar, mas como crianças emburradas, nos recusávamos a essa lição assimilar e prendíamos o Passageiro nas correntes do “nosso cuidar”, sem perceber que Quem o criou, tinha outros planos, que somente ele e ao Passageiro, dali em diante poderia interessar.

O seu sofrimento durou tanto quanto a nossa ignorância e seus olhos se encheram de esperança quando finalmente compreendemos o que não queríamos aceitar. O Passageiro então se despediu com um sorriso e entrou no vagão do trem rumo ao paraíso, deixando pra trás a sua lembrança em corpo caído.

Corpo caído, fotografia do corpo, para que pudéssemos lembrar que ele era mais que carne e osso e em suas veias havia algo a mais que sangue, que acabara de se libertar.

17 de Novembro de 2005
Frank

Blog com fotos das minhas viagens e crônicas inéditas:
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terça-feira, novembro 15, 2005


Namorados Posted by Picasa

A Dona dos Olhos Meus

Tinha um compromisso marcado naquele fim de semana. Um encontro que começaria no sábado à noite com um show da cantora Fortuna no Sesc Pinheiros e acabaria num domingo a dois. Estava nervoso, queria ficar e fazer bonito; afinal a moça merecia:bonita, inteligente, espirituosa e bem sexy; era o tipo de mulher que você gostaria de ter ao seu lado pelo resto da vida. Ela era mesmo sensacional, ela era a minha mulher.

Namoro à moça há oito anos (oficialmente, por sete anos, diz o anel no dedo da mão esquerda). Não brigamos muito, apenas ficamos de mal de vez em quando como qualquer casal adulto. Ela nunca quebrou os meus CDS por ciúme, nem eu nunca fui comprar cigarros na Mongólia, quando ela me convida pra ir fazer compras no Shopping. Ate onde é possível somos amigos; quando a amizade começa a atrapalhar, viramos amantes.

Paris só foi Paris, porque ela estava do meu lado. São Tome das Letras só virou uma cidade mágica pra mim, porque foi lá que a conheci e ela disse sim.

Não fui tolo pra esperar que ela dizesse não e um ano depois troquei os campos da Espanha pelas ruas de Itaquera; troquei o Caminho Sagrado de Compustela, pelos olhos cintilantes da minha menina. E foi entre as estações da Zona Leste e as linhas da Zona Sul, que unimos o Norte e Oeste; envolvendo os quatro cantos numa cerimônia de amor em que o sol e a lua foram os nossos padrinhos e a mãe terra abençoou.

Como não tinha muito a oferecer, prometi minhas asas; ela aceitou e me ofereceu o céu para que pudéssemos voar juntos alem das religiões, das fronteiras, da sociedade, dos tabus e da família.

Sim, oito anos passam correndo quando a esposa ainda é namorada e mesmo depois de quase uma década, ainda me olho no espelho, antes de encontra-lá e pergunto:
- “Espelho, espelho meu, me ajude a ficar atraente para a dona dos olhos meus. Se não ela acaba fugindo com algum Ricardão metido a Romeu.”

Por vezes o espelho ajuda, outras vezes me produzo todo e finjo que estou indo para o nosso primeiro encontro, como naquela noite que foi realmente um show. Ela nem ficou com ciúmes quando banquei o tiete e fui tirar fotos com a cantora Fortuna que autografava os CDs para os fans.

Domingo foi melhor ainda, porque esquecemos do mundo e ficamos entre um vídeo e outro, namorando e trocando olhares de amor, sem compromisso com os outros, sem atender ao telefone, sem almoço com a família ou cerveja com os amigos. Só eu e a dona dos olhos meus, sem pressa de fazer algo.

Estranho como ao lado de quem amamos fazer nada é fazer tudo. Todas as outras coisas se tornam pequenas, o mundo lá fora se cala diante do som de um abraço; e as declarações são feitas pelo olhar quando esposa e esposo olham um ao outro com olhos de quem quer namorar.

Frank

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segunda-feira, novembro 07, 2005

O Aparente e a Aparência

A cobradora da linha 4624 era uma moça loira, alta, cabelos longos e bem cuidados. Era tão bonita que os passageiros esqueciam o troco e as passageiras comentavam entre elas se a moca não estaria cobrindo a folga do tio.

A operadora de telemarketing que oferecia um produto qualquer era psicóloga e seu colega naquela central de atendimento era advogado.

O carteiro que enfrentava a chuva e o sol ardente, falava três línguas e estudava matemática no curso noturno.

O mendigo era poeta e completamente louco trocava seus poemas por moedas.

Personagens de uma São Paulo, onde nada é o que aparenta.


Moral da historia: Será mesmo possível julgar os outros ?


Frank

quarta-feira, novembro 02, 2005


Dia dos Mortos no Mexico Maiores informacoes e fotos no site: http://www.dayofthedead.com/
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Dia dos Vivos

Não quero voltar para as estrelas, antes de ver um mundo mais justo. Sei que parece utopia, sonho de hippie maluco; mas mesmo diante de tantos absurdos, ainda tenho fé nesse mundo.

Quero carregar comigo a lembrança de uma mulher assumindo o papado em Roma; quero ver o governo da China e o Dalai Lama apertando as mãos e concordando que terra não se possui, se cuida e se ama.

Quero estar vivo para ver o meu tio dar carta de alforria aos seus pássaros, depois de perceber que canto de passarinho livre é redondo, dentro da gaiola é quadrado.

Quero ler nos jornais que o ultimo homem bomba quase matou todo mundo com risadas ao explodir seu arsenal de piadas, pois compreendeu que um tornado de palavras é mais forte que uma chuva de pedradas.

Quero ver o moço no ônibus guardando o papel de bala no bolso ao invés de jogar pela janela; pois já compreendeu que seu pequeno gesto de respeito aos outros, faz uma grande diferença para a mãe terra.

Quero ver as pessoas trocando o Dia dos Mortos pelo Dia dos Vivos e como fazem os mexicanos,deixando pra tras cemitérios vazios e lotando ruas e avenidas; para celebrar que a morte não é tristeza, pranto e sim, apenas parte da vida e os mortos devem ser lembrados com alegria.

Quero acima de tudo, carregar no peito a imagem de crianças famintas por livros, com o olhar brilhante e mãos estendidas; esperando um novo conto, uma nova fabula, uma outra historia que lhes tragam esperança e alegria, pois somente a educação e o prazer da leitura servirão de ponte para que elas tornem meu sonho algo mais que uma utopia.


Frank

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