_A formiguinha corta folha e carrega_
_Quando uma corta, a outra pega_
_A formiguinha corta folha e carrega_
_Quando uma corta, a outra pega_
Arlequim caminhava por um parque, distraído, pensando amenidades, quando sem perceber pisou em um formigueiro. Assustado com o incidente, ele viu as formigas fugindo, e a bela construção destruída por seus pés, o que o deixou aflito e meio desesperado, se sentindo culpado por ter sido o pé que trouxe para aquelas formigas, tamanho desastre. O que fazer? Ele se perguntou. Não havia nada em seu Livro da Vida de Experiências que o preparasse para lidar com formigueiro destruído por seus pés.
Com certeza, ele já tinha pisado em formigas sem querer, mas dessa vez era diferente. Era como se ele sentisse a dor das formigas e ele se sentiu muito mal. Pensou em quanto tempo, elas tinham levado para construir a sua casa E ele em alguns segundos, havia destruído tudo completamente.
Uma parte sua tentava lhe convencer que aquela preocupação era bobagem. Ele era humano e tanta gente por aí, pisa em formiga, mata inseto e não se preocupa com isso, mas ele não conseguia evitar a culpa por ter feito aquilo.
Arlequim se importava não apenas com os seres humanos, mas também com todos os seres vivos, e quanto mais tentava não pensar nas formigas, mas forte sua culpa aumentava.
Como lidar com isso?
Você pode até achar uma bobagem, boa parte de vocês seguiria seu rumo, mas nosso Palhaço estava aprendendo a sentir os encontros e experiências que tinha no *Reino de Paus* e naquele momento, suas *Copas* o atravessavam, chicoteavam e por mais que ele tentasse se convencer que eram apenas formigas, a culpa retornava, mas algo estranho ocorreu...
Ele observou que as formigas tão logo que se espalhavam, fugindo da destruição de seu formigueiro, para não serem pisadas; retornaram para o local atingido, cada uma delas carregando um pedacinho de terra, barro sendo restituído e passaram a reconstruir seu lar destruído. E Arlequim foi percebendo, que tão logo o acidente tinha ocorrido - todas as formigas pareciam assumir algumas funções, umas reconstruíam, outras voltavam a pegar folhinhas, umas outras pareciam formar um pelotão para defender quem trabalhava de outros insetos e palhaços gigantes que destroem formigueiros e uma delas que parecia mais lhe chamar a atenção, permanecia imóvel e Arlequim poderia jurar, que ela estava olhando para ele e num desses momentos mágicos, que ocorrem entre um segundo e outro, algo extraordinário ocorreu.
Arlequim não sabia se ele estava diminuindo ou se a formiga estava crescendo, mas ele se viu do mesmo tamanho que a formiga que o observava. E diante desse encontro tão estranho, nosso Palhaço Cósmico que já estava se acostumando com aqueles encontros surreais que surgiam em sua caminhada, apenas se abriu para um tipo de experiência e comunicação que surgia na sua mente.
- O que você faz aqui ainda, humano? Por que não segue seu caminho? – parecia dizer a formiga, mas o som não saia da boca da formiga, mas das antenas.
- Eu não sei ao certo, mas estou me sentindo muito culpado por ter destruído seu lar – disse Arlequim e o som que emitia, também não saia de sua boca, mas da sua mente.
- Não compreendemos o conceito de *“culpa”* que vocês possuem, humanos. Para nós, as formigas, não julgamos experiências como boas ou ruins, experiências são apenas experiências, quando uma de nós se perde ou não consegue realizar seu trabalho, todas nós somos afetadas, mas a formiga que se perde ou afetou o trabalho de todas as outras não se sente *“culpada”*, ela segue, nós seguimos adiante, prosseguimos. Sentimos que vocês fazem o contrário, quando algo ruim ocorre ou vocês provocam algo ruim ao seu outro, vocês param. Sinto que essa “culpa” que você diz ter, paralisa seu movimento e talvez, vocês possam parar suas vidas e gastar seu tempo com essa culpa, mas nosso tempo é diferente do humano, nossas vidas são curtas e *preciosas* e não temos esse tempo para perder e sentir essa culpa que os fazem parar.
- E que se eu estivesse mais atento, prestasse mais atenção, eu não teria provocado esse mal a todas vocês...
- Não existe *“SE”* para as formigas, humano, mas sinto que você realmente se importa conosco, por isso, quero lhe propor algo: você aceita ser formiga por um dia e nos ajudar a reconstruir a nossa casa?
Arlequim sorriu prontamente e concordou, mas a formiga lhe avisou:
- Há apenas uma condição. Se você quiser fazer isso, faça, mas não por essa culpa que você diz sentir. Sou apenas uma formiga, mas posso sentir que essa *culpa* emana energias numa frequência muito densa e baixa, e esse tipo de frequência, não constrói ou refaz nada para outros seres vivos, inclusive para você...
- Sim, eu quero ser formiga por um dia e farei isso não por culpa, mas porque quero realmente contribuir, ajudar e aprender...
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