Essa semana tentei trabalhar com o
silêncio, mas tudo o que consegui foi gritar, fazer um dos barulhos mais
terríveis que já produzi, com isso, feri ouvidos, abalei amigos por não saber
respeitar que a melhor solução para certas situações é mesmo o silêncio.
Descobri com isso que é muito difícil
calar a mente, silenciar o ego gritante que tenta a todo momento ser ouvido.
Percebi que o silêncio é uma força bem mais forte que o som e por não ser
verbalizado, produz um efeito muito melhor que mil discursos, que milhares de
parábolas ou defesas desenfreadas, onde se cospe palavras e acabamos não
falando nada.
Enquanto o som corre o risco de ser mal
interpretado ou ser equivocadamente ouvido; o silêncio faz pensar, cultiva a
dúvida, flui em correntes de reflexão, cai feito a mais fina chuva, e acalma a
necessidade de uma resposta imediata a uma provocação.
O silêncio é a melhor resposta para
certas perguntas e a melhor explicação para as grandes questões da vida: de
onde viemos, quem somos e para onde vamos, só podem ser explicadas com o
silêncio.
Sábio é o homem que escuta e só fala,
como diz o escritor Rubens Alves, quando o silêncio pode ser substituído por
algo maior e melhor.

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