O dia escureceu, as nuvens pesadas começaram a tilintar, desce raio, sobre raio, não para de relampejar. Conto três, conto quatro: é tró, é tró, é tróvejar.As torneiras do céu se abriram e na Terra faz chuá,chuá; outra chuva de verão, chuá, chuá, chuá, chuá: lá vai água, se foi água, pela rua a riachar.
Esqueci meu guarda-chuva, vou tomar banho de água do ar; outros tantos choram em prantos: medo de chuva; leva telha, arrasta casa, arrasta carro, arrasta vida.
Tempestade na cidade, avenida é riacho, praça pato, pato lago, peixe-rato, rato-peixe, o tubarão da doença. Ilha é mar: São Paulo não consegue represar.
A água escapa, inunda os vales, valei-me Nossa Senhora!!!
Abrem-se as cortinas, todos choram na chuva e gritam pelos Deuses, pelos santos, por São Pedro, por ajuda:
"Ai, ai, ai! Ajudai, minha Mãe, venha nos salvar!!! "
"Ó meu Deus, por que o céu está a nos castigar??? "
Deus responde, a Grande Mãe fala, lá de onde, as nossas preces foram parar:
- O que temos nós com isso? Sempre chove, sempre choverá.
É o eterno ciclo da natureza.
Se os esgotos estão entupidos, se os corrégos estão entulhados, não foi castigo divino, foi educação que faltou a quem lixo joga onde não deveria jogar.
Até a próxima chuva...
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