
É noite de Beltane
Grande Noite de Luz
Fúria dos amantes
Energia que flui
Das fogueias acesas
Da magia no ar
Das ofertas doadas
De um grande Sabbat
O Sol desbancando
O inverno já escasso
União da Deusa e do Deus
Do profano ao sagrado
Alimentos pagãos
Fruta verde e vermelha
No corpo da consorte
A vontade que queima
Espera ansiosa
A hora farta da ceia
Em dar seu formoso corpo
Aquele que a queira
Com o cálice de vinho
Jogado na terra ao luar
O ritual começa
Donzela não mais será
Corre agora pelos campos adentro
As fogueiras de Beltane que os aguardem
Com máscaras feitas de folha nas faces
Deusa e Deus se fazem
Rolam pela grama os consortes
Sacerdote e Sacerdotisa hão de ser
Trazem benção dos céus aos campos
Pra boas colheitas e fertilidade ter
Se amam por uma noite
Como se fosse por uma eternidade
A virgem que já não é mais virgem
Traz no ventre felicidade
As sementes da primavera
Também sagradas serão
Pagão, Deus ou Deusa
Seguindo a tradição com certeza
Nos campos de Beltane estarão
Auricelia Oliveira
2 comentários:
Lindo, Frank,
a fluidez do texto me fez viajar e imaginar o ritual, cheguei a ouvir os tambores, as músicas, a sentir a excitação da fertilidade no ar...
Mitos sempre mexeram comigo, e o sentimento é mesmo mais antigo que eu, não consigo explicar. Mas é caso de chorar de soluçar ouvindo algumas músicas, recordando ritos. É como se falasse de minha casa, da minha gente.
Só de te escrever já é forte. Nossa.
Beijo.
De Fato, uma maravilhosa poesia, consegue descrever de uma maneira bem flúida o rito!
Cheguei realmente a me sentir dentro do próprio ritual!
Parabens!
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