quinta-feira, maio 30, 2019

Surto ao Vaso

Já posso falar
Já posso dizer
Andei morrendo
Andei surtando
Andei estudando
Me melhorando
Busquei ajuda
Duvidei das certezas
Sempre desconfiei das minhas negações
Ouvi meus irmãos
Escutei minhas irmãs
Depois de muito falar
E descobrir que nem eu me entendia
Decidi me calar
Para curar
Toda essa agonia
Ansiedade
De seguir descobrindo tudo que desconhecia
Sem dar conta
Dos poucos tesouros
Que me foram entregues
E cada tesouro não era o ouro de tolo da espiritualidade mambembe
Mas apenas como me tratar bem
Me respeitar
E apreender a ser respeitado

Fiz da minha mente um lago calmo
Fiz da minha garganta um céu límpido
Do meu umbigo, fiz jardim
Do meu sexo, fiz estudo
Do animal em mim, fiz uivo

E no meio dessa porra toda
Disse a todos que me criticavam
Que se fodam
Pois fiz do meu peito
Um vaso
Aonde
Daquele momento em diante
Renasceria

E surtei...
E morri ♤♡◇♧

No zigue-zague desse meu mergulhar, a vida que não flui de forma linear, foi refinando minha consciência. Espirilando, mudando, circulando, iniciei e reiniciei meus ciclos, era só Eu, com Mim, co Migo e fui sendo preparado. Sangrei todos meus preconceitos, minha mente foi sendo lapidada. Tal qual diamante, resisti as pressões do interior da minha terra, passei pela brasa da paixão de sabotar tudo e tocar o " vai tomar no cu " em tudo que tinha, saudei Yansã, eparrei, quando senti o pânico e o medo, e finalmente, circulei nas águas de Yemanjá.

Circulei
Circulatio
Circulação
Quebrei o ciclo

Dancei
Incorporei
Meu feminino
Fiz as pazes com meu masculino

Meu peito vaso alquímico se transformou e agora estava vazio útero para receber o amor.

E lá veio Kanarô!

Kanarô chegou...

Dai, o Buda em mim sorriu.

Finalmente, eu não mais teorizava
Eu não mais entendia
Eu sentia
Eu sentia
Kanarô - O amor Próprio chegou

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