quarta-feira, agosto 30, 2017

A ÚLTIMA VIAGEM XAMÂNICA



O som do tambor tocando,
O fogo crepitando, parece que canta.
O velho índio segue andando,
Para a sua última viagem xamânica.
Seus olhos contam histórias,
No rosto, as marcas da vida.
O velho índio, em cima da montanha,
Lamenta a batalha perdida.

Sua terra fora invadida,
Sua tribo, dizimada;
A pena, no chão, caída,
Revela a pedra manchada.

Ferido, mas ainda vivo,
O velho índio se arrasta;
Agradecendo ao Grande Espírito,
O que aprendeu nessa jornada.

Ele não entende por que
As coisas ocorreram assim.
Mas sorrindo sabe que
Há sempre um começo no fim.

Sussurrando sua última canção,
Ele se entrega à passagem;
Pois o caminho do coração,
Já havia lhe preparado para essa viagem.

O tambor então pára,
A floresta silencia;
O fogo rareia, apaga;
Nenhum passarinho pia.

Não há mais dor ou perigo,
Ao deixar o corpo-puma tombar.
Pois auxiliado por seus amigos extrafísicos
A alma-águia se projeta no ar.

E o tambor volta a tocar,
Pois o fogo da vida é infinito.
E os pássaros voltam a cantar,
A canção do velho índio reencontrando sua tribo.

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