terça-feira, junho 07, 2016

Desprezo! Existir sem Zelo!

Fui visitar um quarto da minha casa 
Que estava escuro e desarrumado 
Havia móveis quebrados 
Janelas rachadas 
Não havia fechadura na porta 
Que rangia como uma gralha 
Que repetia 
Desprêzo! Desprêzo! 
Percebi que esse quarto 
Era o viver sem zelo
Existir sem zelo!

Nesse quarto havia uma empregada
Uma velhinha desdentada 
Que vestia trapos e dava risadas
Que constantemente me lembrava 
Da bagunça que eu tinha dentro de mim
Por fora - bela viola 
Por dentro...
Quanto desprezo!
Desprezo! Desprezo! 
Existir sem zelo!

Existir sem zelo
É sair de casa com a calça rasgada 
É celular com vidro quebrado 
É a louça suja com restos de comida
Que chama baratas e ratos 
É maltrato com as pessoas amadas
É ser mendigo de si mesmo
É gritar com a velha empregada 
E ouvir da velhinha: 
Desprêzo! Desprêzo!
Existir sem zelo!

Existir sem zelo 
É abraçarmos as nossas sombras 
Além da conta 
É ficarmos com medo 
Do próprio medo
É a casa mal-assombrada 
De tão desarrumada 
É tudo aquilo que despejamos na privada
Que deveríamos manter coeso
É colocarmos a culpa na empregada
Que foi contratada para lidar com o nosso: 
Desprêzo! Desprêzo!
Existir sem zelo!

Ao terminar essa jornada
Percebi que esse quarto da minha casa 
Precisava ser arrumado 
Por mim mesmo
Com a tinta fresca do cuidado 
Com a vassoura do discernimento 
Com a sabão da disciplina 
E o zelar de entendimento 
Dai, fui limpando devagarinho 
É percebi que a empregada 
Que dava risada 
Do meu " evoluindo" 
Era uma velhinha que muito me conhecia 
Desde o tempo antes do nascimento 
E eu só fui entender o porquê
Quando voltei dessa viagem 
E eu fui perceber 
Que a velhinha era Nanã Buroquê
Que agora dizia:
Zêlo! Zêlo! 
Cuida do que eu te dei
Direito!


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