quarta-feira, junho 17, 2015

CRIANÇAS DE OXALÁ

Sinto vontade - não necessidade - e vou orar. 

Diante do meu altar, vejo a imagem de Jesus e minha consciência sobe escadas, voa alto em direção às estrelas. E, na velocidade da sintonia, ela chega ao Amor Inicial, esse Mar de Compaixão que o meu amigo e professor Wagner Borges chama de Primeiro Amor, um Amor que toca não só o meu intelecto, mas, também, cada célula do corpo que visto. 

Sorrio! Estou, nesse momento, na frequência de Cristo, e medito...
Medito na Causa Inicial, em como e o quanto precisamos de avatares*, deuses em imagens e madeiras para nos conectarmos com essa Energia Divina Criadora, que não tem rosto nem forma, pois tem a cara do Amor. 

Vejo essa imagem de Jesus na minha frente e percebo o quanto preciso dela, pois a minha consciência é gotinha dentro desse oceano que é o Grande Criador. E, mesmo sendo desse tantinho assim, percebo que o Criador manda o seu Amor e não se esquece de mim. 

E eu sei que, se um dia eu esquecer novamente que Ele está aqui dentro do meu peito, Ele ficará bem quietinho, pacientemente, esperando o dia do meu despertar.

Se eu dormir, Oxalá que não demore muito para eu acordar...

Penso em meus irmãos de todos os credos pelo mundo e nos diversos nomes que usamos para a manifestação desse Amor (Jesus, Krishna, Buda, Xangô, Jah, Jeová, e outros luminares), e de como revestimos Sua Essência com as imagens dos nossos avatares, como se não existisse algo além.

Medito no nosso apego pela forma e nas palavras que utilizamos para construir sinônimos do Divino em nossas mentes, e em como isso nos aprisiona num nível infantil do entendimento da Divindade e da nossa Espiritualidade. Daí, recordo-me de Ramakrishna** em busca da Mãe Divina em todas as religiões e encontrando-A em cada uma delas. O Sábio Santo sabia que a Mãe Divina estava por trás de cada uma das faces que via e também sabia que todas elas eram faces da Grande Mãe. Para que todos nós, mesmo ainda crianças em entendimento da nossa origem divinal, pudéssemos nos aproximar, perceber e nos sintonizar com o Amor Inicial. 

Sentindo esse Amor puro entrar pelo topo da minha cabeça*** e descer por todo o meu corpo, abro as mãos, como se elas fossem cachoeiras, e deixo o amor que recebo fluir para o mundo inteiro. Não tenho a menor idéia se isso é apenas coisa da minha cabeça, mas alguma parte dentro do meu coração ri, só em imaginar que esse Amor que flui pelo meu Ser pode mesmo alcançar o peito de quem nem conheço e fazê-lo sorrir também.

Sentindo que chegou o momento, vou terminando a oração e abro os olhos.

- Obrigado Jesus! – digo à imagem que vejo à minha frente, que, provavelmente, é bem diferente da fisionomia daquele Jesus que um dia pisou na Terra. Mas isso pouco importa... O importante é o significado que dou a ela e o poder que lhe dou para que exerça essa ligação com o Amor em mim.

P.S.:
- Você não vai meditar? – ela pergunta, enquanto eu a abraço. 
- Mas eu já estou meditando, respondo. 
Meditamos toda vez que focamos a nossa consciência em algo ou alguém, já dizia o sábio guru do amor, pois, quando estou com você presente, minha consciência não foge para o futuro, nem se esconde no passado, ela repousa em você, no nosso amor. E, meditando nisso, ocorre a mágica da meditação real: quando fazemos algo bem feito, esse algo se multiplica e se interliga com tudo ao nosso redor. 

São Paulo, 26 de setembro de 2009.

- Nota de Wagner Borges: 
- Notas do Texto:
* Avatar – do sânscrito - emissário celeste; canal da divindade.
** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
*** Topo da cabeça: área de ação do Chacra Coronário, que é o centro de força por onde entram as energias celestes. É o chacra responsável pela expansão da consciência e pela captação das idéias elevadas. É também chamado de chacra da coroa. Em sânscrito o seu nome é “sahashara”, o lótus das mil pétalas. Está ligado à glândula pineal. 
Obs.: A pineal é a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais. Essa glândula está ligada ao chacra coronário, que, por sua vez, se abre no topo da cabeça, mas tem a sua raiz energética situada dentro dela. Devido a essa ligação sutil, a pineal - também chamada de “epífise” - é o ponto de ligação das energias superiores no corpo denso e, por extensão, tem muita importância nos fenômenos anímico-mediúnicos, incluindo nisso as projeções da consciência para fora do corpo físico. 
(Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.)

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