terça-feira, abril 28, 2015

Ansiedade

Vamos meditar sobre a Ansiedade? 



Somos especialistas em ocupar os espaços vazios. Ao primeiro sinal de espaço à nossa frente, colocamos algo no lugar.

Talvez seja a nossa natureza; talvez seja porque não conseguimos conter a nossa ansiedade de esperar o que pode surgir por si no espaço a nossa frente. 

Talvez seja por pura imaturidade. Talvez seja porque não conseguimos enxergar que já há algo naquele espaço que nos espera ficar pronto para notar...talvez! 

Talvez alguns espaços não devam ser preenchidos ainda. Talvez alguns silêncios não devam ser preenchidos com o nosso som. 

A beleza do estar junto é ficar bem sozinho. A beleza da música, é o silêncio entre uma nota e outra. 

Meditação é isso: aprender a observar o esperar! 

Por não sabermos esperar, qualquer um entra na nossa casa. 

Por não sabermos silenciar, o nosso ouvido está sempre entupido de barulhinho ruim. 

Por não contermos a nossa ansiedade, os trabalhos são mal-feitos; a poesia é entregue de qualquer jeito; acordamos ao lado de estranhos em nosso leito. 

Saber esperar é dizer a nós mesmos que confiamos no Mestre e Mestre - o único que há - é o que aprendemos antes com as nossas experiências. 

Mestre da gente é a vida que mostra e avisa: só fica o que valeu a pena esperar.

O que vem muito rápido é ansiedade manifestada. 
A ansiedade que vem numa viagem que ainda não deveria ocorrer, numa palavra que ainda não deveria ter sido dita, numa casa que ainda não deveria ter sido erguida, num amor que construímos na leviandade de ocupar um espaço que esteve vazio para te ensinar a esperar. 

Mas como saber o momento que devemos ocupar o silêncio com a nossa fala? Como saber que momento vale a pena erguer o nosso castelo e ser conquistado por nossa princesa? 

Esse momento é aquele instante soberano em que não resta dúvida alguma que a nossa espada está afiada para o bom combate que é assumirmos a responsabilidade de amar alguém e de fazer um trabalho bem feito. 

Esse momento é quando a ansiedade escapa das nossas mãos e fica no lugar o saber MADURO que mesmo se o coração ficar vazio, já não estamos sozinhos porque estar bem com a gente já é a melhor companhia que podíamos estar. 

É aquele instante onde o ConheSer dá lugar ao SaBEr que o que está ocupando o lugar não vai tirar nada mais de outro lugar, pois aquilo que está a ocupar o que antes era vazio, sempre esteve presente ali, a gente é que não conseguia enxergar.

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