quinta-feira, fevereiro 13, 2014

ACHO QUE NÃO VI UM GATINHO


Ela pediu um gatinho - "Para treinar a ter filhos” - argumentou - "Bons pais começam como bons donos de bichos".

Moramos num "apertamento" no centro e ficamos o dia todo fora. Gato não é tão carente quanto cachorro, mas precisa de atenção, cuidado e tempo. Como recusar o pedido dela? Como convencê-la que não é uma boa idéia?

Entenda, eu nunca tive um bichinho de estimação, mas sem prequis um. Fui criança incompleta, sem gato para brincar, sem cachorro para correr. Nunca quis ter passarinho, sendo voador precoce, sempre fui militante do movimento "Liberte o Ninho", afinal, canto de passarinho livre é jazz, canto do preso é blues. O mais próximo que tive de um pet foi um porquinho-da-índia, nome pomposo para o preá que acabou mordendo o dedo do meu pai e foi punido com morte, fogo e prato. Vai ver meu pai achou que o preá era mesmo porquinho.

Nunca tive nem aquário, imagina iguana. O mundo animal sempre foi National Geographic para mim, com exceção de um casal de serpentes que moraram comigo em Londres e que sumiram misteriosamente - esquecidos, vai ver cobra não tem mente - não lembraram de deixar o dinheiro do aluguel e do telefone.

Contudo, sempre quis ter a amizade de um cachorrinho ou o mistério do olhar de um gato. Queria experimentar esse tal amor por esses bichanos, que dizem por aí, se não é igual, é tão intenso quando o amor que sentimos por nossos filhos. É o que dizem, nunca tive nenhum, nem outro; por isso estou indeciso, ansioso. Cedo ou não cedo?

Não é tão simples, amigos. Assim como ter um filho, criar um cãozinho ou um gato, requer comprometimento e responsabilidade. Se todos pensassem bem antes de escolher ser dono de um bicho, não teríamos tanto cachorro e gato soltos por aí, perdidos, abandonados, presos, desenganados e mortos.

Quero que ela tenha um gato ou um cachorro, mas não agora. O animalzinho, assim como o filho, terá que esperar mais um pouco.

Um comentário:

Joyce Montenegro disse...


Ter um animalzinho por perto, no meu ponto de vista, é algo bom se partir de uma atitude consciente como a sua em refletir: se é o momento, se haverá condições boas para ambos e se conhecemos bem nossas reais expectativas diante a escolha de adotar um animalzinho.
Tive uma cadelinha aos 6 anos de idade, ela viveu até uns 17 anos se não me engano e foi a minha maior companheira, minha confidente, quem me acalmava e fazia eu dar um jeito na minha tristeza para conseguir aproveitar melhor a sua companhia. Eu posso dizer que tive aprendizados significativos em sua companhia e sinto que nossa ligação foi tanta, que um dia, muitos anos após sua morte, sem pensar em nada ou ver animal algum em minha frente, fui pega de imediato, sentindo a sua presença. Como explicar isso? Eu estava em plena Av. Ricardo Jafet atravessando para o outro lado e onde parei fiquei, tentando entender o que sentira. Não tenho como saber mas acredito que talvez, naquele dia, ela estivesse encarnando em algum lugar, como ser humano quem sabe?
Hoje tenho uma cadelinha de 2 anos e confesso que já me flagrei aprendendo alguma coisa com ela. Nossas relações com animais mais próximos assim ainda são uma incógnita para mim. Parece que existe um lado emocional nosso que quer ser preenchido ao cuidar de um bichinho, e parece que ainda temos pouca maturidade nesse aspecto, sobressai muito mais o lado instintivo que o de sentimento. Mas é uma suposição e não uma afirmação. Acho que se o sentimento sobressaísse mais, nossas relações com os animais seriam bem diferentes mas também não conseguiria imaginar como seria. Talvez não teríamos um bichinho para chamar de meu, quem sabe? Seria como na Índia? Os animais todos soltos, à vontade e bem tratados por todos? É só uma hipótese. Mas reflita sim, sem pressa antes de adotar um bichinho e se adotar um, saiba que estará em boa companhia!

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