sexta-feira, janeiro 10, 2014

MAR DE GENTE


Fecho os olhos, começa o mundo. Cores vivas, horas, minutos e segundos. O todo no tudo. O surreal, o absurdo – o que era aquilo? Se foi, voltou para o fundo.

Que cores são essas? Será Monet ou Tarsila? Não é a minha imaginação, é pura aquarela, a cor da vida.

É a luz da quase-morte, vejo Chaplin, ouço Bethânia e são as luzes da ribalta. O que vêm depois das luzes – valha-me sorte! As verdades da alma.



MAR DE GENTE

O mar segue cheio de fúria; as ondas avançam e açoitam a terra. Sentado na praia de Swadhistana, olho a água em guerra e finalmente aceito mudar. A mudança vem a duras penas, quem eu pensava que era quer se revoltar, faz convites sedutores e ameaças plenas, sabe que já não consegue me dominar.

Quando fui dado luz, virgem de mundo nasci; com a cultura e a crença de um povo me revesti. Aprendi a andar, como caminha os outros, aprendi a ver somente o aparente, nunca a alma, só o rosto. Recebi de presente, um pacote da língua local, fui instruído a virar anjo, mesmo mal sabendo ser um animal. Pegadas segui, caminhos percorri, mestres descobri e quando já me achava, pleno de mim, a verdade veio a tona: eu não era assim!

Cortei os cabelos, rasguei as roupas; lavei-me das certezas e da fé fiz sopa; digeri tudo o que aprendi a ser e o que ficou foi o que sempre havia, mesmo antes de nascer: muita vontade de aprender.

Já não há mais fúria, acabou essa guerra; a paz avança astuta nessa luta eterna. Já não luto contra, respeito a morada do eu; prazer vira criatividade, essa casa já não me afronta, faz parte de mim, um presente meu.

Finalmente sei quem sou, apenas mais uma gota d’ água velha. Ancião do mundo; do mar, apenas uma perna, e nesse oceano eu entro e saio, e o que vejo: teoria e prática. Opostos que só conseguimos experimentar verdadeiramente, quando caímos do céu e brincamos de gente.

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