sexta-feira, novembro 08, 2013

Outra Canção de Despertar


A poesia flui pelas mãos facilmente quando tudo está iluminado.
O peito explode em cores: verde, azul, dourado.
As pétalas das flores se abrem e exibem portais belos e primorosos.
Em cada pétala, um acorde da Sinfonia Divina que ecoa lá de dentro, de baixo e de cima, vindo do salão do Pai Adorado.

Em coro, agradecemos os pedidos realizados, as bênçãos, a mesa farta; o dinheiro no bolso, a boa saúde do corpo e os amados que sorriem ao nosso lado.
Em meio a tanta luz, o amor segue fácil e a vida é uma eterna alegria; a fé nos Reinos Alados é certeza e a presença de Deus é tão aparente, que a gente até se pergunta: como é que um dia fomos descrentes?

Daí, o dia é expulso pela noite. E no eterno equilíbrio do mundo, os opostos dançam, Shiva transforma, Atôto sacode as suas palhas e anuncia: é tempo de Kali!
Diante do abismo, o medo toma conta, a descrença avança e nos perguntamos: " Senhor, por que me abandonastes?"
A inspiração seca, o peito se fecha, as flores murcham.
A canção fica muda e o Deus do Amor se transforma no Demônio manipulador que não mais escuta as nossas preces.
Não conseguimos mais olhar para o céu e ver os seres celestes; apenas mantemos as nossas cabeças para baixo, em lamentação profunda do destino nefasto que nublou a nossa vida.
O vento que era morno e doce, agora bate frio e impiedoso no rosto, os lábios se racham, a boca tem sede; mas no coração do iniciado, se falta o leite, é preciso respirar fundo e pacientemente esperar esse tempo passar.

São nesses momentos em que nos tornamos Abraão, sentindo na carne, se conseguiremos permanecer sendo quem somos em todas as estações.
O segredo é lembrarmos que se até as fezes viram adubo; não há nada imperfeito nesse mundo e há uma importante lição escondida em nossos infortúnios.

Nessa instante de desespero, a ostra faz da sujeira uma peróla; o velho sábio faz da tristeza um blues.
É nessa hora que mostramos do que somos feitos, qual a moeda corrente do nosso coração.
Nesse momento, se conseguirmos controlar os nossos pensamentos daninhos que maldizem e culpam tudo e todos; compreenderemos que é na aparente ausência do amor, que devemos ainda mais abrir o nosso peito e mostrar a nossa luz.

A doença e a morte são apenas faces que se viram, nos encaram e partem; o amor e a luz nunca morrem!
Esse tempo de sombras faz parte das forças da natureza que atinge a todos, sem distinção, o assassino ou o curador, o velho ou o menino, o mau ou o bom.

Ninguém está livre de sentir na pele, o gosto da dor e da solidão; mas ficar firme e prestar atenção é um desafio que poucos conseguem suportar sem chorar ou sem reclamar.

Por isso, peço ao Criador, que a minha poesia flua livremente, independentemente do balanço do mar.

Sendo mais um marinheiro da vida, sei que nem sempre, o mar estará calmo e macio; por isso, canto a vocês, meus amigos, mais uma canção de despertar.

Um comentário:

erica oyama disse...

Sabe aquelas palavras que precisamos de ouvir e...e.. de repente elas vem ate vc na hora certa, lugar certo, momento preciso? Assim suas palavras vieram até mim! Agradeço a vc Frank e ao Pai celestial por me guiar ate aqui! Abrçs paz e luz pra vc!

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