segunda-feira, setembro 09, 2013

Adeus Beduíno


By Even

Está chovendo no deserto
Gotas da água caem sem parar
Poderia ser um milagre por certo
Se não fosse essa chuva,
um sinal que ela não vai mais voltar

Ela se foi para sempre, o vento me disse essa tarde
Soprando em meu ouvido sua triste canção
Como um Ramses que perdeu sua Nefertari
Perdi minha poetiza para a imensidão

Queria evitar que ela sofresse
Por isso não permiti que ela morasse em minha tenda
Se eu soubesse que seu destino era esse
Teria ficado com ela e nossa história seria uma lenda

A lenda do poeta beduíno de vida ordinária
E da mulher ocidental de belas pernas
Ele largou a vida solitária
Ela, a segurança da vida moderna

Viveram juntos dos oásis ás dunas
Amando-se ternamente
Ela nua fazendo inveja para a lua
Ele dentro dela continuamente

Ajudaram outras pessoas perdidas
Levaram mercadorias aos vilarejos pobres
Não queriam mais nada da vida
A não ser compartilharem uma vida simples, mas nobre

Porém, essas cenas de dias de glória
que se desenrolam no meu olhar
Poderiam ter sido a nossa história
Se eu não a tivesse afastado do meu habitat

Ela era meiga de amor, rica em encantos
Era a mulher mais bonita que da terra emergiu
Rosto perfeito, lábios e sorriso que atraiam a tantos
Tinha os seios mais lindos que já existiu

Poetiza, suas palavras traziam contento
Seu toque era música que me arrancava o gozar
Por ela, construiria estátuas, templos
Que podesse mostrar as pessoas como era a amar

Que saudade da sua linda e deliciosa rosa
E de como ela bebia meu vinho
Éramos Um, mas agora ela é lembrança de outrora
Nunca mais terei o seu carinho

A tempestade continua a cair, não vai embora
A fogueira se apagou, as brasas pararam de crepitar
Nuvens pesadas nublam meu coração, mas como Beduíno não chora
Essas  gotas de água só podem ser chuva e nunca o meu lacrimejar

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