terça-feira, junho 11, 2013

Sacrofício


Chego em casa mais cedo, vou conseguir ter tempo para meditar.

Minha esposa dorme e meus filhos também. Tomo banho, coloco meu pijama, vou para a sala, coloco uma melodia de flauta no som, preparo-me para um rápido pranayama e escuto meu filho David, de 6 meses acordando. Torço para que ele volte a dormir, ele não escuta meus pensamentos e começa a chorar. Torço para a minha esposa acordar, ela também não me escuta, dorme profundamente. Enfim, levanto.

David para de chorar quando sente que eu entro no quarto.

- Fica quietinho aí, cara. Papai está ocupado - digo baixinho suficiente para ele escutar a minha voz no escuro e evitar que a minha filha de 2 anos acorde.

Eles dividem o quarto.

Quando ameaço sair, ele chora... Volto e ele para.

- Ok, ok, estou aqui - digo sussurrando, só faltava os dois acordarem.

Penso em levá-lo para a Auri. Não o faço. Ela dorme o sono das mães exaustas de um dia cuidando de dois.

Mas eu também estou exausto, penso, e David balbucia algo, sei que ele quer que eu o pegue.

Seguro David na sala. É quase meia-noite e o moleque quer brincar, seu sorriso se abre diante da minha cara fechada, e dai, não consigo não imitá-lo.

O resultado: pai e filho roncando na sala, enquanto o Jô Soares manda seu beijo do gordo. A meditação...

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