quinta-feira, fevereiro 21, 2013

A Luta e o Luto



Dadá morreu, o luto tomou de conta; a gente dá conta porque o luto é a luta do organismo para lidar com a perda que a vida dá. Dadá não estará presente e sua presença ausente é mais do que consigo aguentar.

Tô de luto, de luto eu luto para conseguir continuar...nessas horas, palavra dos outros machucam, portanto, quer ajudar? Trate de se calar! Mas fica perto, acenda a vela, ore por mim, ore por Dadá, mas não use a minha tragédia para o mal dizer e mal falar. 

Observe o que a tragédia alheia te ensina, pois tudo no outro tem mesmo o poder de te afetar. Quanto a mim, vou colocar o meu preto, vou zerar o relógio e vou parar de citar W.H. Auden, pois provavelmente ninguém haverá de se lembrar.  Mas vestirei o preto que libera o corpo e vou chorar o choro que é o grito da alma, portanto, tampem os ouvidos que eu quero lamentar por Dadá.

Dadá partiu e preciso lidar com isso da forma que der, seu ombro amigo vem me acalentar, mas não diga que Dadá estará em um lugar melhor que do meu lado, pois Dadá não está; por isso, se você vier me consolar, a melhor forma de se solidarizar é com o seu silêncio, amigo de perto, amigo de longe; só sabe da dor quem está a sangrar. 

Estou lutando para aguentar a falta que Dadá dá. Não preciso que você escute os detalhes da minha dor, dor de alma não se descreve, nem medicina consegue curar. Só o tempo, amigo de perto e amigo de longe, só o tempo consegue a dor diminuir, mas a ausência de um amado a vida sempre vai te lembrar; mas que a vida lembre, há de lembrar; de você, quero apenas o ombro para chorar. 

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