segunda-feira, dezembro 10, 2012

Menino, quem é teu Mestre?




Queridos irmãos,

Peço licença para expor a minha forma de perceber algumas situações que aparecem na nossa caminhada, com a intenção de somar com o processo de cada um. Que possa ser recebido tão somente como uma das várias visões de mundo possíveis.

Nessa caminhada de despertar para a Verdade que toda a humanidade segue a seu modo, dizem os sufis: Mais de 70.000 véus nos encobrem d´aquele que se encontra para além da luz e da escuridão, mas não há nenhum entre ele e nós. Aqui na Terra encontramos então professores, mestres, guias, irmãos mais velhos de caminhada que podem nos orientar nesse trajeto de nos desvelar.

Pessoas que fizeram sua busca, tiveram uma realização parcial ou total da assimilação destes ensinos em si mesmos e que movidos a gratidão adotaram o servir como forma de vida, a lealdade ao Divino como sua primeira aliança e trazer benefícios a todos os seres seu primeiro compromisso.

Entretanto, como saber então quem pode ser um bom professor pra nós neste momento, como saber o que adotar e o que rejeitar? Pois, embora tudo seja perfeito tal como é, essa mesma perfeição permite que percamos décadas de uma existência humana preciosa em terras pouco férteis. Eu mesma tive essa experiência que me serviu para despertar um senso crítico mais apurado com relação a esse tema.

Neste momento da minha vida penso assim: qual a função de um professor verdadeiro? Servir à Deus, como um canal para que seus filhos despertem para a sua Verdadeira Natureza, divina. Entendo eu que a forma que ele conduzirá este processo não está limitada em nossos conceitos dualistas, moralistas, duvidosos e ilusórios de certo e errado, bom e mau, etc, etc, etc.

Na visão da dualidade, pensamos que um bom professor deve ser gentil, amoroso, acolhedor, limpinho, que ele deve nos compreender e de preferência não nos criticar. Nem nos percebemos que nessa idéia estamos mais projetando uma idéia de pai ou de um amigão, um camarada.

Se a pessoa é em algum momento grosseira, crítica ou te causa desconforto... "não deve ser um verdadeiro professor".
O autêntico professor pode ser sim um grande amigo, mas muitas vezes pode causar um efeito perturbador em nós pois ele não tem necessidade de nos agradar, e seu compromisso é com o despertar. O professor na espiritualidade sabe que está transitando no território da sobrevivência do ego das pessoas, e que esta tarefa não é fácil ou simples. Assim, a compaixão se expressará livre e criativamente, e a forma de ensinar será feita de acordo com cada um.

Há muitas histórias que ajudam a gente a nos libertar da limitação dos conceitos que projetamos, tal como a história do mestre Ma Tzu, que levou muitas pessoas à iluminação. Conta-se que certa vez o discípulo veio lhe fazer uma pergunta e ele o joga pela janela, pula depois, senta-se no seu peito e pergunta: ENTENDEU?

Yogui Bhajan em suas palestras frequentemente gritava e era extremamente sarcástico com seus alunos, ridicularizando sua mediocridade e criando neles a energia do despertar para além dos nossos apegos e ilusões.

Conta-se que o penultimo mestre sufi da ordem de Mevlevi certa vez adentrou em uma sala onde todos o esperavam para uma palestra, completamente bêbado. Estava cambaleando e meio atrapalhado enquanto a platéia lentamente se esvaziava cada vez mais. Uns poucos resistiram, e só então ele iniciou sua palestra, com ensinos de grau.

Patrul Rinpoche era conhecido pela sua maneira direta de falar e por seu desprezo pela pompa e hipocrisia. Ele alcançou a iluminação depois de literalmente apanhar de seu mestre. Ele é conhecido como “Cachorro-velho”, ou “o vagabundo iluminado”. Poucos, muito poucos o reconheciam.

O professor não serve ao nosso ego, ele serve à Deus. Quando nossa resistência se dissolve, então podemos aprender.

Que possa trazer benefícios,
Com amor,

Isabela

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