quarta-feira, novembro 14, 2012

O Passe do Bebê




Era tarde da noite, quando em meio a uma preocupação ou outra, tomei um
banho e tentei relaxar. Tarefas não terminadas no serviço, cobrança do
chefe, colegas de trabalhos invejosos e outros fantasmas faziam festa na
minha mente e tulmutuavam meu coração. Enquanto a água caia e banhava meu
corpo, pensei no quanto a vida às vezes te leva a corredores que parecem sem
saída e o quanto a gente perde tempo tentando encontrar uma solução para um
problema que não vai significar coisa alguma em alguns dias adiante. Sabia
que eram essas preocupações e o stress que isso causava que poderia fazer o
meu corpo adoecer, e pensando em controlar isso, sai do banheiro e fui pro
quarto, onde minha esposa, grávida de sete meses, repousava.

Fiquei observando-a por alguns minutos e meu coração foi se enchendo de
felicidade. Lá fora, a rotina do dia-a-dia podia estar me matando, mas em
casa, eu tinha abrigo em seus braços, sentia-me fortalecido com o seu amor e
meu horizonte se enchia de esperança com a nossa filhinha que estava prestes
a chegar nesse mundo.

Fiquei observando-a dormir por mais alguns minutos, até que ela acordou e
como se soubesse que eu não estava tão bem, disse: Estava sonhando com a
nossa filha! Ela estava preocupada com você.

- Esta tudo bem! Respondi

- Porque não diz isso a ela? Minha esposa sugeriu e eu encostei minha mão
direita em sua barriga, sentindo meu bebe flutuando por lá.

- Não se preocupe, filha. O pai esta bem! - Dizendo isso, fechei os olhos e
tentei ao mesmo tempo em que me comunicava com ela, passar através da minha
mão, tudo de bom que eu podia sentir, todas as coisas bacanas que eu podia
pensar; para que ela não se preocupasse com o pai; para que ela sentisse que
tudo estava bem; porem ao invés de sentir que passava energia para ela,
comecei a perceber que era eu que estava recebendo energia. Com os olhos
fechados, sentia que era da barriga da minha esposa que estava sendo emanada
uma energia douradinha, suave, recheada de muita paz, quietude e amor. Era o
meu bebe que estava dando um passe em mim!

Minha esposa sentiu que algo estava ocorrendo, mas eu não conseguia dizer
nada; só fiquei ali sentindo aquele carinho que não tem nome, que não se
descreve. Amor de uma filha que nem havia ainda nascido para o seu pai, que
emocionado chorava como uma criança.

Naquele momento senti o quanto estava perdendo o meu tempo com coisas
ilusórias, passageiras. Os problemas no serviço deveriam ficar por lá, e não
estarem ao meu lado no templo da minha casa, no nosso solo sagrado; onde eu
deveria ocupar os meus pensamentos com o amor da minha família.

Que sono tranqüilo tive aquela madrugada e como tudo o que sentira na noite
anterior se tornara tão pequeno ao nascer daquela manha. Antes de ir
trabalhar, beijei minha esposa, e novamente me comuniquei com a minha
amparadora: “Minha neném, obrigado por mais uma vez ajudar o papai.”


Frank
23 de Maio de 2005

Os: Dedico esse texto ao amigo Olavo Borges e a sua filhinha. Escrevi essas
linhas, enquanto lembrava de uma conversa que tivemos no Solo Sagrado, num
dos Encontros Voadores, onde ele me contou que certa vez ao tentar dar um
passe de energia a filha, foi ele que tomou o passe da menina. O carinho do
Olavo pela filha é tão contagiante que inspira a gente a seguir seus passos.
Oxalá que um dia eu seja um pai tão dedicado a meus filhos quanto ele é pela
sua familia.

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