quarta-feira, outubro 24, 2012

Sobre Pastores-Mirins, Médiuns-infantis e Deuses-Meninos




Lugar de criança é na escola e brincando nas horas vagas - mas não no Brasil ou nos países pobres e de terceiro mundo, onde a maioria da população vive com menos de um salário mínimo e o trabalho infantil é uma realidade; em alguns casos não só complementa, mas muitas vezes é a única renda familiar. Se esse problema em si só, já é um desafio para a sociedade, o que dizer das crianças que pregam em igrejas evangélicas, outras que mediunizam " entidades" nos centros espiritas ou são referenciados como " deuses" nas culturas orientais? Chocante, né? Não é, se a religião aonde a criança atua é a sua!

Recentemente foi publicado na revista Veja, um artigo assinado pela jornalista Fernanda Allegretti sobre meninos e meninas que atuam como pastores em igrejas evangélicas; retirando o tom sensacionalista da reportagem, o artigo levanta a questão do que levaria os pais a incentivarem essa prática: seria revelação divina? Ou apenas um meio de melhorar a renda doméstica? Ou pior ainda; nessas igrejas de periferia, muitas vezes em comunidades sem opções de lazer juvenil, incentivar as crianças a seguir a "carreira" de pastor seria uma forma de afastar essas crianças das drogas ou do crime. 

Porém, esse problema não ocorre apenas no meio evangélicos; na igreja católica, a figura do coroinha vem a mente quando se pensa em crianças " trabalhando" em rituais religiosos. Na India ou nos países de religião oriental, muitos são os meninos e meninas que são reverenciados como deuses. Não precisamos ir muito além das fronteiras, para constatar que tem criança por ai, em centros de Umbanda ou Cadomblé, ensaiando incorporações e no Santo Daime, o que não falta são relatos de pais irresponsáveis permitindo a bebida aos seus pequenos. 

"Deus protege e quer os pequeninos envolvidos na fé", muitos dizem e acreditam, mas neglicenciam seus papeis de guardiões dessas crianças; ignorantes o fato que uma criança não tem capacidade de compreender o que os pais acreditam. Até os 12 anos, o cérebro de uma criança funciona com uma capacidade extraordinária de aprendizado, contudo elas não conseguem compreender as coisas mais abstratas como a religião, certas formas de arte e a beleza; para isso é preciso ter experiência de vida, o quê obviamente os pequenos não tem. 

A maturidade psíquica é um processo que leva um certo tempo e quando ela é somente quando ela é aliada às experiências de vida que a religião encontra a sua função de existir em nossa sociedade e em nosso foro intimo, nos dando as ferramentas que necessitamos para lidar com assuntos como vida depois da morte, milagres, curas divinas e toda série de assuntos que nos conectam com uma crença em particular. O problema é que a grande maioria das pessoas acredita piamente que a sua crença é a única "verdade" que alguém deveria acreditar e não faz mal nenhum inserir as " suas" crianças em seus ritos. Uma coisa é a criança assistir uma missa, participar de uma pregação ou até mesmo estar presente e conhecer sobre as festas e cerimonias da religião em que seus pais estão inseridos. Porém, em muitos casos, as crianças precisam de ajuda psicológica para lidar com a religiosidade dos pais, pois somente a boa intenção paterna para introduzir os pequenos em sua fé não basta e pode até prejudicar o desenvolvimento psíquico dos seus filhos. Como explicar para um filho de um médium da Umbanda que é um espírito e não o seu pai que está falando com aquela senhora? Como um evangélico pode ensinar para o seu filho a respeitar as diferenças e as fés alheias quando o menino testemunha os pais tentando evangelizar pessoas de crenças terceiras? 

O debate é complexo, mas a solução é bem simples:  lugar de criança é na escola ou brincando nas horas livres,  religião para os pequenos não é obrigação; dever de casa e diversão é! 

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