sábado, outubro 13, 2012

O Pequeno Krishna David Contra o Golias da Prematuridade

As estórias se repetem. Talvez seja porque ainda não aprendemos a lição nela contida; talvez porque a vida seja mesmo cíclica, envolvendo a todos nós em espirais de experiências que parecem ser iguais, mas basta treinar um olhar cauteloso e atencioso para perceber que nada é totalmente semelhante. É no pensar sobre isso que me acalmo e continuo observando meu filho, Krishna David, na UTI da maternidade.

Sete meses! Krishna não agüentou esperar os nove e contraiu dois meses da sua gestação para se " auto-presentear" no Dia das Crianças.

Sete meses! David quis nascer no dia da Nossa Senhora Aparecida, Oxum indo pela vida, Oxum nadando para fora da placenta, margeando seu próprio rio.

- Lá vamos nós de novo! - eu disse, entrando na emergência do hospital. Auri reclamando de uma dor estranha que ela desconfiava ser contração.

- Espero que seja apenas um alarme falso - ela disse segurando minha mão firmemente.

Não foi!

Alarme real, dilatação, batimentos cardíacos e outros tantos vocabulários ditos pelos médicos e enfermeiras que transformariam essa crônica num roteiro de série de TV sobre medicina.

Correndo de lá e pra cá, fui reagindo e agindo, tudo ao mesmo tempo: internação, trabalho de parto, chave do quarto, assina aqui e paga ali, toma ó pai o controle remoto...

Controle remoto???

Que controle temos na vida? Se mal controlamos o que ocorre conosco; imagina a vida dos outros.

Controle remoto???

Sim, ao menos esse controle eu controlo. Daí, aperto a tecla << e retorno no tempo, tento encontrar os porquês, não acho resposta alguma. Assisto no canal 2011, tudo o que ocorreu com a Jureminha: nascida sem respirar, UTI, intubação, muita emoção e sofrimento, confia confia confia no poder e finalmente o milagre da recuperação. Aperto o botão presente e vejo o canal 2012 a minha frente, Auri tremendo, nervosa e rezando para que a estória não se repetisse.

Repetiu-se!!!! Não quero ver. Posso sair daqui? Não posso! Aperto o botão >> e estou na UTI. Não é a Jureminha com aqueles tubos ligados a uma máquina que faz clique aqui clique acolá; é seu irmãozinho.

Karma de família. Confia confia confia! Confio! Confio? Confio nada! Fico ouvindo pensamentos vadios dizendo: " que falta de sorte, Frank!" e os dando ouvido. Como da última vez... As estórias se repetem. Talvez seja porque ainda não aprendemos a lição nela contida...

... mas basta treinar um olhar cauteloso e atencioso para perceber que nada é totalmente semelhante. É no pensar sobre isso que me acalmo e continuo observando meu filho, Krishna David, na UTI da maternidade. E é em meio ao seu sono ( embalado pelas canções de ninar daquelas máquinas que tentam substituir o útero da Auri ) que eu vejo na mãozinha do bebê, um pequeno mudra; os dedos do meu filho se mexem e se entrelaçam e vejo surgir uma pequena figa. Para quem tem fé, basta um sinal; para quem duvida de tudo, basta um símbolo como esse para ter força suficiente para nos fazer confiar.

Confia? Confio!

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