terça-feira, junho 26, 2012

A Dona dos Olhos Meus

 

Tinha um compromisso marcado naquele fim de semana. Um encontro que começaria no sábado à noite com um show da cantora Fortuna no Sesc Pinheiros e acabaria num domingo a dois. Estava nervoso, queria ficar e fazer bonito; afinal a moça merecia: bonita, inteligente, espirituosa e bem sexy; era o tipo de mulher que você gostaria de ter ao seu lado pelo resto da vida. Ela era mesmo sensacional, ela era a minha mulher.

Namoro a moça há oito anos (oficialmente, por sete anos, diz o anel no dedo da mão esquerda). Não brigamos muito, apenas ficamos de mal de vez em quando como qualquer casal adulto. Ela nunca quebrou os meus CDS por ciúme, nem eu nunca fui comprar cigarros na Mongólia, quando ela me convida pra ir fazer compras no Shopping. Até onde é possível somos amigos; quando a amizade começa a atrapalhar, viramos amantes.

Paris só foi Paris, porque ela estava do meu lado. São Tome das Letras só virou uma cidade mágica pra mim, porque foi lá que a conheci e ela disse sim.

Não fui tolo pra esperar que ela dizesse não e um ano depois troquei os campos da Espanha pelas ruas de Itaquera; troquei o Caminho Sagrado de Compustela, pelos olhos cintilantes da minha menina. E foi entre as estações da Zona Leste e as linhas da Zona Sul, que unimos o Norte e Oeste; envolvendo os quatro cantos numa cerimônia de amor em que o sol e a lua foram os nossos padrinhos e a mãe terra abençoou.



Como não tinha muito a oferecer, prometi minhas asas; ela aceitou e me ofereceu o céu para que pudéssemos voar juntos alem das religiões, das fronteiras, da sociedade, dos tabus e da família.

Sim, oito anos passam correndo quando a esposa ainda é namorada e mesmo depois de quase uma década, ainda me olho no espelho, antes de encontra-lá e pergunto:
- “Espelho, espelho meu, me ajude a ficar atraente para a dona dos olhos meus. Se não ela acaba fugindo com algum Ricardão metido a Romeu.”



Por vezes o espelho ajuda, outras vezes me produzo todo e finjo que estou indo para o nosso primeiro encontro, como naquela noite que foi realmente um show. Ela nem ficou com ciúmes quando banquei o tiete e fui tirar fotos com a cantora Fortuna que autografava os CDs para os fans.

Domingo foi melhor ainda, porque esquecemos do mundo e ficamos entre um vídeo e outro, namorando e trocando olhares de amor, sem compromisso com os outros, sem atender ao telefone, sem almoço com a família ou cerveja com os amigos. Só eu e a dona dos olhos meus, sem pressa de fazer algo.



Estranho como ao lado de quem amamos fazer nada é fazer tudo. Todas as outras coisas se tornam pequenas, o mundo lá fora se cala diante do som de um abraço; e as declarações são feitas pelo olhar quando esposa e esposo olham um ao outro com olhos de quem quer namorar.

Frank

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